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Dois moçambicanos detidos por assassinato de casal sul-africano no Kruger Park

Dois cidadãos moçambicanos estão detidos pelo Serviço Nacional de Investigação Criminal, indiciados pelo assassinato de um casal sul-africano e pelo roubo da respectiva viatura, crime ocorrido a 22 de Abril no interior do Parque Nacional Kruger, na África do Sul.

Segundo o Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC), as vítimas foram assaltadas, mortas e os seus corpos abandonados num riacho. As investigações conduzidas pelas autoridades sul-africanas apontaram para o envolvimento de cidadãos moçambicanos, levando a uma operação conjunta entre a Polícia da África do Sul e o SERNIC.

O porta-voz da instituição, Hilário Lole, explicou que as diligências permitiram localizar os suspeitos em território moçambicano.

“Foi instaurado o respectivo processo-crime que sustentou a realização de diligências operativas coordenadas com a nossa congénere dos serviços de polícia sul-africana, a SAPS, e culminaram com a identificação dos suspeitos autores que se encontravam na posse da referida viatura no distrito de Chókwè, província de Gaza”, afirmou.

A captura dos dois indivíduos, de 21 e 26 anos, ocorreu na localidade de Pafúri, distrito de Massingir. De acordo com o SERNIC, durante os interrogatórios preliminares os suspeitos confessaram a prática do crime.

“Durante os interrogatórios preliminares confessaram a prática dos factos, tanto o homicídio assim como o roubo da viatura em causa, admitindo ter tirado a vida às vítimas e, posteriormente, metido os corpos no riacho e apoderando-se da viatura”, disse Hilário Lole.

As investigações revelaram ainda que a viatura foi retirada da África do Sul com o alegado auxílio de um guarda florestal do Parque Nacional Kruger e posteriormente vendida em Chókwè por cerca de 600 mil meticais.

“Após a consumação do crime, os suspeitos contaram com o auxílio de um guarda florestal do Parque Nacional do Kruger para introduzir a viatura em território nacional, com o propósito de a comercializar na cidade de Chókwè pelo valor monetário de 600 mil meticais”, explicou o porta-voz.

O caso levou igualmente à identificação de uma alegada rede de receptação e comercialização de viaturas roubadas. Segundo o SERNIC, um cidadão apontado como líder do grupo encontra-se foragido, juntamente com outro suspeito responsável pela adulteração das características identificativas dos veículos.

Um dos detidos reconhece ter participado nos acontecimentos, mas atribui a autoria material dos homicídios ao comparsa.

“Eles estavam parados, e nós pegámo-los e amarrámo-los. Foi então que o meu amigo esfaqueou os dois, enquanto estavam amarrados, e os deixámos no riacho. Eu disse ao meu amigo que não precisávamos de os matar, mas ele disse que era necessário”, declarou.

Entretanto, o segundo indiciado rejeita qualquer envolvimento no crime.

“Nunca matei ninguém e nunca roubei nada. Fiquei a saber que eles tinham sido detidos e disseram que eu também estava envolvido, mas eu não estava envolvido”, afirmou.

Além de apresentar os suspeitos, o SERNIC exibiu diversas peças de viaturas recuperadas durante operações realizadas no mercado Estrela Vermelha, na cidade de Maputo. 

A instituição garante que prosseguirá com as investigações para responsabilizar todos os envolvidos e reforçar o combate ao roubo e tráfico transfronteiriço de viaturas.

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