Moçambique ocupa a 29.ª posição entre os 54 países africanos avaliados no Índice Ibrahim de Governação Africana de 2026. O país apresenta uma tendência de deterioração crescente no desempenho da governação pública, numa década marcada por avanços económicos e sociais em África, mas também por retrocessos na segurança, no Estado de Direito e na participação. Na região da SADC, os resultados mostram diferenças significativas entre os países.
Moçambique está entre os países africanos cuja governação registou uma deterioração crescente entre 2016 e 2025. É o que revela o Índice Ibrahim de Governação Africana de 2026, divulgado este sábado pela Fundação Mo Ibrahim.
Na classificação continental, o país ocupa o 29.º lugar, atrás de várias economias da região da África Austral.
As Maurícias lideram o ranking na região da SADC e ocupam a segunda posição continental, seguidas pelo Botswana, na quarta posição, pela África do Sul, na quinta, e pela Namíbia, na sexta.
Entretanto, a África do Sul, apesar de figurar entre os cinco primeiros países africanos, apresenta igualmente uma tendência de deterioração crescente, à semelhança de Moçambique.
A Zâmbia, na 15.ª posição, o Lesoto, na 16.ª, e o Malawi, na 20.ª, apresentam uma tendência de melhoria crescente. Já a Tanzânia, na 18.ª posição, regista sinais de alerta.
Abrangendo a década de 2016 a 2025, o Índice revela que a governação geral em África registou melhorias, apesar da acumulação de choques globais, embora estes progressos continuem a ser desiguais e frágeis. O progresso ao nível continental é impulsionado pelas melhorias nas dimensões económica e do desenvolvimento humano (…), com avanços significativos nas áreas das infra-estruturas, da saúde e da educação.
O relatório identifica as infra-estruturas como a área que mais melhorou no continente durante o período em análise. Os avanços abrangem o acesso à energia, à Internet e à conectividade móvel.
Segundo o documento, 52 países registaram melhorias nas infra-estruturas, enquanto 34 apresentaram progressos na educação e 40 na saúde.
Entretanto, a Fundação Mo Ibrahim alerta que estes ganhos continuam ameaçados pela deterioração da segurança, do Estado de Direito e da participação política.
“A continuidade e a aceleração destes progressos continuam condicionadas pela deterioração persistente da segurança, do Estado de Direito e da participação. Tanto a dimensão Segurança e Estado de Direito como a dimensão Participação, Direitos e Inclusão registaram um declínio ao longo da década em 34 e 31 países, respectivamente, que representam 78% e 60% da população africana. Ainda assim, há um sinal positivo: a deterioração da segurança abrandou a partir de 2022, começando a registar-se melhorias em 27 países.”
O fundador e presidente da Fundação Mo Ibrahim, Mo Ibrahim, considera que os avanços económicos e sociais não são suficientes quando não são acompanhados por melhorias na segurança e nas instituições.
“(…) Os ganhos económicos e sociais não serão duradouros e serão, em qualquer caso, sempre mais limitados na ausência de progressos na segurança, no Estado de Direito e na participação”.
O Índice Ibrahim de Governação Africana avalia os 54 países do continente com base em 96 indicadores, provenientes de 51 fontes e distribuídos por quatro dimensões: segurança e Estado de Direito; participação, direitos e inclusão; bases para as oportunidades económicas; e desenvolvimento humano.