As fraudes nas telecomunicações em Moçambique reduziram 64% em 2025, passando para 195.045 ocorrências. Apesar da diminuição, as práticas fraudulentas tornaram-se mais sofisticadas e continuam a representar riscos para a segurança das redes e a protecção dos consumidores, segundo o Instituto Nacional das Comunicações de Moçambique (INCM).
De acordo com o Relatório de Segurança e Resiliência das Telecomunicações 2025, os incidentes registados provocaram prejuízos financeiros estimados em 128,31 milhões de meticais.
O documento, apresentado esta terça-feira aos operadores do sector, analisa a segurança e a capacidade de resposta das empresas perante fraudes, ameaças, falhas técnicas e outros incidentes nos serviços de telefonia móvel, Internet e radiodifusão televisiva.
Entre as práticas mais frequentes estão a fraude denominada “Wangiri”, que consiste na realização de chamadas curtas para levar os destinatários a devolver a ligação, geralmente para números internacionais ou de valor acrescentado. O relatório identifica igualmente esquemas de SIMBOX, associados ao encaminhamento irregular de chamadas internacionais, e SMS Phishing, através do envio de mensagens falsas para obter dados pessoais, bancários e códigos de acesso.
A presidente do Conselho de Administração do INCM, Helena Fernandes, considera que a redução das ocorrências constitui um sinal positivo, mas alerta para a necessidade de reforçar os mecanismos de prevenção e controlo.
“Embora a redução registada constitua um sinal positivo, importa reconhecer que estas e outras modalidades de fraude continuam a representar um desafio significativo para a segurança do sector e para a protecção dos consumidores. Isso exige que continuemos atentos e a modernizar os nossos sistemas de prevenção, detecção e controlo”, afirmou a responsável.
O relatório destaca também os impactos dos fenómenos climáticos extremos sobre as infra-estruturas de telecomunicações. Os ciclones Dikeledi e Jude provocaram a inoperacionalidade de 174 estações, evidenciando vulnerabilidades na rede e a necessidade de reforçar os mecanismos de continuidade dos serviços.
Perante os desafios identificados, o INCM defende uma maior cooperação entre os operadores e as instituições do sector, através da partilha de informações, do reporte de incidentes, da promoção da literacia digital e do reforço dos mecanismos de denúncia e prevenção de fraudes.
A governadora da província de Manica, Francisca Tomás, defendeu a responsabilização criminal dos autores de boatos sobre alegados casos de atrofiamento de órgãos genitais masculinos, fenómeno que já provocou 13 mortos e mais de 20 feridos em diferentes distritos da província.
Os episódios de violência popular foram registados nos distritos de Chimoio, Vanduzi, Báruè, Mossurize e Gondola, sendo este último o mais afectado, com quatro mortes confirmadas.
Falando durante uma visita de trabalho ao distrito de Mossurize, Francisca Tomás condenou os ataques motivados por desinformação e apelou ao fim da justiça pelas próprias mãos.
“Não podemos matar por causa de um boato dessa natureza. Não podemos nos matar entre nós. Primeiro temos de verificar se, de facto, esse indivíduo tem órgãos genitais atrofiados. Não é logo que ouviu um boato que correm atrás da pessoa indicada e começam a bater até matar”, afirmou.
A governadora sublinhou que as autoridades de saúde têm observado os supostos casos denunciados pela população e garantiu não haver evidências de desaparecimento ou mutilação de órgãos genitais.
“De todos os casos que aconteceram, levamos as pessoas ao hospital para serem observadas, e não há nada que está desaparecendo. Isso é boato”, declarou.
Francisca Tomás considerou preocupante a propagação de informações falsas que acabam por desencadear violência colectiva e instou as autoridades policiais e judiciais a agirem com firmeza contra os responsáveis.
“Nós temos de acabar com esses boateiros. Temos de prender esses boateiros e entregá-los à justiça para serem julgados”, defendeu.
Os rumores sobre supostos casos de “roubo” ou atrofiamento de órgãos genitais têm provocado episódios semelhantes em vários países africanos ao longo das últimas décadas, frequentemente associados a crenças supersticiosas e desinformação comunitária.
Durante a deslocação a Mossurize, a governadora orientou um comício popular na localidade de Chaiva, inaugurou empreendimentos socioeconómicos e visitou obras de construção de dez residências destinadas a funcionários do Estado, incluindo a casa do administrador distrital.
A primeira-ministra moçambicana, Benvinda Levi, defendeu uma profunda reestruturação do sector empresarial do Estado, com foco na sustentabilidade financeira, controlo do risco fiscal e prevenção do sobre-endividamento das empresas públicas.
A posição foi apresentada durante a cerimónia de tomada de posse dos novos presidentes dos conselhos de administração do Instituto de Gestão das Participações do Estado (IGEPE), da Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH) e do Fundo de Fomento da Habitação (FFH).
Foram empossados Danilo Nanla para liderar o IGEPE, Rudêncio Morais para a ENH e Amorim Pery para o FFH. Segundo Benvinda Levi, os novos dirigentes assumem funções num momento de reformas estruturais no sector empresarial do Estado.
“Pretende-se, com estas medidas, tornar os sectores estratégicos da nossa economia mais competitivos e virados para o desenvolvimento socioeconómico do nosso país, com o objectivo último de lançar os alicerces para a tão almejada soberania económica”, afirmou.
No caso do IGEPE, a chefe do Governo destacou a necessidade de consolidar os processos de reestruturação e viabilização económica das empresas participadas pelo Estado, defendendo maior rigor financeiro e transparência na gestão pública.
“O IGEPE deverá reforçar as boas práticas de governação corporativa, transparência, prestação de contas e controlo interno das empresas públicas e participadas”, declarou.
Benvinda Levi alertou ainda para a necessidade de evitar situações de sobre-endividamento no sector empresarial do Estado, recomendando uma gestão orientada para resultados e geração de receitas para o Tesouro Público.
Relativamente à Empresa Nacional de Hidrocarbonetos, a primeira-ministra considerou que o País atravessa uma fase decisiva no aproveitamento dos recursos naturais, sobretudo do gás natural da Bacia do Rovuma.
“O processo de exploração dos hidrocarbonetos requer um reposicionamento institucional para salvaguardar o interesse estratégico económico e energético nacional”, disse.
A governante defendeu que os grandes projectos de gás natural devem traduzir-se em benefícios concretos para os moçambicanos, incluindo criação de emprego, industrialização e redução da dependência de combustíveis importados.
Benvinda Levi referiu ainda que Moçambique deve aproveitar as oportunidades resultantes das tensões internacionais no Estreito de Ormuz, importante rota global de petróleo e gás, para fortalecer o posicionamento do País como produtor de gás natural.
No sector da habitação, a primeira-ministra pediu ao FFH maior dinamismo na implementação de programas de urbanização e expansão do acesso à habitação condigna.
“Esperamos o estabelecimento de mais parcerias estratégicas para o desenvolvimento acelerado de projectos de habitação e urbanização em todo o País”, afirmou.
Durante o discurso, Benvinda Levi sublinhou que Moçambique necessita de instituições públicas “fortes, modernas e transparentes”, orientadas para resultados concretos que impactem positivamente a vida dos cidadãos.
A governante aproveitou ainda a ocasião para reconhecer o trabalho desenvolvido pelos anteriores dirigentes do IGEPE, ENH e FFH, destacando o contributo dado à consolidação institucional daqueles organismos do Estado.
Empossados prometem trabalho
Todos os empossados têm passagem pelas instituições que passam a dirigir. Em poucas palavras, Danilo Nanla comprometeu-se a garantir a sustentabilidade das empresas, apontando “boa organização e boa direcção e transparência” como principais estratégias a usar.
A nova direcção do Fundo de Fomento à Habitação assumiu ser “um desafio proporcionar moradia digna, criar uma nova centralidade”, mas apontou coordenação interinstitucional como a chave de sucesso para que espaços atribuídos sejam efectivamente ocupados, “bastando haver infra-estruturas de água e energia e qualidade de saneamento”.
Já a nova direcção da EHN comprometeu-se a “dar novo dinamismo à empresa, para que os recursos petrolíferos que o País possui possam trazer uma mudança de vida dos moçambicanos”, disse Rudêncio Morais.
O empossamento foi testemunhado pelos titulares dos ministérios das Finanças e das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos.
A empresa mineira África Grest Wall fez a entrega das terras para o cultivo de arroz, mandioca e gergelim no posto administrativo de Mitange, província de Tete
A Africa Great Wall Mining Development Company concluiu a doação de 108.000 m² (10,8 hectares) de terra agrícola a 216 famílias reassentadas no posto administrativo de Mitange, província de Tete. A iniciativa integra o programa de responsabilidade social da empresa e visa garantir segurança alimentar e sustento às comunidades afectadas pela actividade mineira na região. As terras vão servir para o cultivo de arroz, mandioca e gergelim.
A primeira fase é de 28.000 m² destinados ao cultivo de arroz, beneficiando 56 famílias. Cada agregado recebeu uma parcela de 20×25 metros, devidamente identificada com placa de propriedade.
A segunda fase é de uma área de 80.000 m² destinados à mandioca, beneficiando 160 famílias, também com parcelas individuais de 20×25 metros.
Além das culturas alimentares, a empresa apoia a introdução do gergelim como cultura de rendimento de alto valor no mercado internacional, disponibilizando assistência técnica chinesa, sementes melhoradas, formação prática e acompanhamento durante todo o ciclo agrícola.
Um dos beneficiários da aldeia de reassentamento 3573 manifestou satisfação: “A casa é boa. Eu gosto. Esta é a nossa casa.”
A Africa Great Wall afirma que a doação de terras agrícolas representa o cumprimento integral do compromisso de reassentamento, quando ocupa terras da comunidade, constrói novas casas; quando altera modos de vida, apoia novas formas de sustento.
A vida de futebolistas como Eusébio, nascidos nos subúrbios da capital moçambicana e que alcançaram o estatuto de vedetas na metrópole, é o mote de uma exposição que revela como a sua ascensão foi uma exceção no sistema colonial.
“Fintar a Vida. Caniço, Futebol e o Estado Novo” é o nome da exposição que o Museu Nacional de Etnologia abre esta sexta-feira ao público, em Lisboa, e que propõe uma viagem aos subúrbios de Lourenço Marques, nas décadas de 1950-70, convidando a uma reflexão sobre cultura, desporto e os legados do colonialismo.
Nuno Domingos, investigador no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, e curador desta exposição, disse à Lusa que a mostra se foca na vida de jogadores como Eusébio, Matateu, Coluna, Hilário e Vicente, procurando ir “à sua base, ao mundo onde eles nasceram e a uma cidade como Lourenço Marques, que é uma cidade colonial profundamente dividida entre o seu centro e o seu subúrbio”.
“Esta divisão claramente projecta as bases do sistema colonial português, as suas lógicas descritas, que tinham inevitavelmente uma componente racial”, adiantou.
Por esta razão, a exposição fala do Caniço, que “é precisamente a cidade suburbana onde vivia grande parte da população africana e onde muitos destes jogadores cresceram”.
“Digamos que é uma procura de encontrar um pouco as origens destes jogadores que muitas vezes são só conhecidos a partir das suas trajectórias, a partir do momento em que chegam a Lisboa para jogar no Benfica, no Sporting e no Belenenses, esquecendo nós que eles tiveram uma vida anterior”, disse.
A exposição recorda a guerra colonial, que em Moçambique começou em 1964, bem como “o modo como o Estado Novo procurou instrumentalizar os percursos destes jogadores de futebol para defender um pouco o império na altura, que estava sob pressão internacional grande”.
“Nomeadamente após as vitórias do Benfica na Taça dos Campeões em 1961, 1962, depois a vitória do Sporting e depois, fundamentalmente, a participação no Mundial de 1966, estes jogadores tornaram-se muito visíveis e o Estado Novo claramente percebeu que os podia utilizar para defender a sua perspectiva lusotropical plural e racial do Império, que claramente não tinha muito a ver com o que se passava no terreno.
A mostra recorre à fotografia, a objectos da cultura pop da metade do século XX, a publicações de imprensa e a objectos da esfera futebolística, que, em estreito diálogo com as colecções do museu, desvendam os contrastes culturais e sociais existentes na cidade de Lourenço Marques.
Além de Nuno Domingos, a exposição, inaugurada hoje, tem a curadoria de Gonçalo Amaro, director do Museu Nacional de Etnologia.
A primeira mão da final da Liga dos Campeões da CAF 2025/26 coloca frente a frente os técnicos portugueses Miguel Cardoso e Alexandre Santos. O confronto inédito entre o Mamelodi Sundowns (África do Sul) e o FAR Rabat (Marrocos) inicia-se este domingo, 17 de Maio, no Loftus Versfeld Stadium, em Pretória.
Uma final, dois jogos, um duelo de treinadores portugueses e a disputa dos polos continentais no embate decisivo da Liga dos Campeões africanos. Mamelodi Sundowns da África do Sul e AS FAR Rabat do Marrocos disputam a final da liga milionária africana.
O primeiro jogo dos dois da final da prova disputa-se este domingo, 17 de Maio, a partir das 16h00 locais (mesma hora em Moçambique), no Loftus Versfeld Stadium, Pretória.
Esta final marca um momento histórico para o futebol lusitano, sendo a primeira vez que dois técnicos de Portugal decidem o título máximo de clubes em África. Miguel Cardoso atinge a sua terceira final consecutiva na prova. Do outro lado, Alexandre Santos lidera a armada de Rabat após eliminar os compatriotas do RS Berkane nas meias-finais.
De acordo com a análise oficial da CAF Online, a partida de Pretória apresenta “um claro choque de estilos”. Espera-se que os Sundowns controlem a posse de bola e o ritmo de jogo. Por sua vez, o FAR Rabat deverá apresentar um bloco defensivo compacto focado em transições rápidas.
O Mamelodi Sundowns chega a este jogo focado em recuperar o moral após perder por 3-2 contra o TS Galaxy na liga sul-africana. Na rota continental, os sul-africanos eliminaram o Espérance de Tunis nas meias-finais com um agregado de 2-0. O FAR Rabat carimbou o passaporte para a final ao bater o Berkane por 2-1 no cômputo geral.
Para além do prestígio desportivo, o incentivo financeiro bate recordes nesta temporada. O vencedor do torneio vai arrecadar um prémio monetário de 6 milhões de dólares. Este valor representa um aumento de 50% em comparação com os 4 milhões pagos na edição anterior.
A segunda mão do torneio que decide o novo campeão africano e o qualificado para a Taça Intercontinental da FIFA está marcada para o dia 24 de Maio, em Rabat.
Vencedor da Taça CAF conhecido já no sábado
O USM Alger da Argélia defende a vantagem de um golo contra o Zamalek SC na grande decisão da Taça da Confederação CAF no próximo sábado, 16 de Maio de 2026, no Estádio Internacional do Cairo.
O primeiro confronto da final, disputado no superlotado Estádio 5 de Julho, em Argel, terminou com uma vitória magra mas crucial de 1-0 para os argelinos. O desfecho foi marcado por uma reviravolta dramática nos descontos.
O Zamalek chegou a celebrar o que seria o golo inaugural do suplente Juan Alvina. Contudo, o videoárbitro (VAR) interveio para anular o lance por falta de Hossam Abdelmaguid na origem da jogada.
Na sequência imediata do mesmo lance, o VAR assinalou penálti a favor do USM Alger. Ahmed Khaldi converteu friamente a grande penalidade aos 90+8 minutos, garantindo o triunfo caseiro.
O técnico do USM Alger, Lamine N’Diaye, destacou a resiliência do plantel antes da partida: “Os jogadores estão naturalmente motivados para procurar mais um título”.
Pelo lado egípcio, o desaire deixa a equipa sob pressão, necessitando de uma vitória por dois golos de diferença no Cairo para erguer o troféu sem depender das grandes penalidades.
O embate põe frente a frente dois gigantes invictos em finais desta competição. O Zamalek procura a sua terceira coroa após as conquistas de 2019 e 2024, enquanto o emblema de Argel tenta repetir o feito de 2023. Além da glória desportiva, o vencedor vai arrecadar um prémio recorde de 4 milhões de dólares.
O Governo e a sociedade civil querem maior inclusão das mulheres nas políticas de resposta às mudanças climáticas no país. O posicionamento foi apresentado esta quinta-feira, em Maputo, durante um encontro que debateu os impactos dos eventos extremos, a transição energética e os desafios enfrentados pelas comunidades mais vulneráveis.
O país continua vulnerável aos efeitos das mudanças climáticas, enfrentando ciclones, cheias e secas.
Durante um encontro sobre gênero e mudanças climáticas, realizado esta quinta-feira, na cidade de Maputo, especialistas defenderam maior inclusão das mulheres, sobretudo as que vivem nas comunidades rurais, nos planos de mitigação e resposta aos desastres naturais.
“Que as suas vozes sejam ouvidas e que o Parlamento tome de fato em consideração a contribuição das mulheres. Que a 3ª Comissão da Assembleia da República, que o Gabinete da Mulher Parlamentar, que as Assembleias Provinciais de fato considerem e valorizem a contribuição das mulheres, não só das mulheres, mas também dos jovens muito em particular”, explicou Lourena Mazive, representante do Instituto para Democracia Multipartidária.
Segundo os participantes, as mulheres são das mais afectadas pelos efeitos das alterações climáticas, sobretudo as que dependem da agricultura para a sobrevivência.
“Sabemos que todos nós somos afetados, mas de um nível, como é afetado o cara-gênero é diferente. Então, neste debate vai-se olhar muito também a questão de como a mulher poderá ser enquadrada de modo que também possa contribuir e possa também não ser exageradamente afetada pelas mudanças climáticas”, disse Rodrigues Dambo, presidente do Conselho Cristao.
O encontro serviu ainda para discutir a transição energética, onde o Governo aponta avanços na expansão de energia solar nas comunidades.
“Nós não estamos só preparados, nós estamos já a realizar a transição energética. Se olharmos, nós já temos aqui através do FUNAE, o Fundo de Energia, nós já promovemos a energia fora da rede, através dos painéis solares. Se nós olharmos para as comunidades, mesmo onde não chega a rede de energia elétrica e de fio, nós já encontramos nas comunidades o uso da energia com painéis solares. Mas também nós encontramos vários instrumentos de política, encontramos também algumas acções concretas, como por exemplo os fogões de baixo consumo, encontramos a grande preocupação do governo em introduzir o gás de cozinha ”, afirmou Gustavo Djedje, secretário de Estado da Terra e Ambiente.
As organizações da sociedade civil defendem, entretanto, que a transição energética deve criar oportunidades económicas e melhores condições de vida para as comunidades mais vulneráveis.
Os participantes defenderam ainda que é essencial garantir que ninguém fique para trás no processo de resposta às mudanças climáticas.
O Conselho da União Europeia (UE) decidiu prorrogar o mandato da Missão de Assistência Militar da UE em Moçambique (EUMAM MOZ) por mais seis meses, até 31 de Dezembro de 2026.
A extensão do actual mandato, segundo o comunicado da EUMAM MOZ, prende-se a necessidade de continuar a desenvolver os programas de capacitação das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM), focados nas Forças de Reação Rápida (QRF), no seu ciclo operacional, na respetiva logística e manutenção, de modo a contribuir para a sua sustentação e autossuficiência.
“Desta forma, a UE na generalidade e a EUMAM MOZ em particular, demonstram o seu elevado compromisso em apoiar Moçambique e as FADM na promoção da paz em Cabo Delgado”, lê-se no comunicado.
Desde o início do mandato da EUMAM MOZ, a 1 de Setembro de 2024, e até agora, foram implementados, em estreita colaboração com as FADM, mais de 40 programas de capacitação, que envolveram 1200 militares moçambicanos, sendo que destes, aproximadamente 300 se encontram nesta fase a frequentar os programas de regeneração das QRF de Comandos e Fuzileiros.
A EUMAM MOZ é uma missão não executiva que tem como objetivo assistir as FADM no desenvolvimento e reforço das suas capacidades, com vista a assegurar que estas implementam e sustentam o ciclo de emprego operacional das QRF, contribuindo assim para a estabilidade e o desenvolvimento da província de Cabo Delgado, em conformidade com o Direito Internacional Humanitário e o Direito Internacional dos Direitos Humanos.
Actualmente comandada pelo Comodoro César Pires Correia, a EUMAM MOZ conta com mais de 80 militares e civis, de 11 Estados-Membros da EU – Áustria, Bélgica, Espanha, Estónia, Finlândia, França, Grécia, Itália, Lituânia, Portugal, Roménia, e um não membro: Sérvia.
Operadores de transporte semicolectivo de passageiros e utentes da cidade da Beira chegaram a um entendimento informal para o aumento de cinco meticais na tarifa de transporte público urbano, numa tentativa de reduzir a crise de mobilidade que afecta aquela cidade, devido à escassez e à subida dos preços dos combustíveis.
O acordo, alcançado sem a participação oficial das autoridades municipais ou da associação dos transportadores, permitiu o regresso gradual de alguns operadores às estradas e contribuiu para a redução parcial da paralisação dos chamados “chapas”.
Motoristas e cobradores afirmam que a decisão foi motivada pela necessidade urgente de continuar a trabalhar perante o agravamento dos custos operacionais.
“Hoje retomamos as actividades, porque, ficando parados em casa, vamos prejudicar até os nossos filhos. O preço subiu de 15 para 20 meticais”, afirmou João Lourenço.
Outros operadores reconhecem que o reajuste ainda não resolve totalmente as dificuldades enfrentadas pelo sector, mas defendem que representa um alívio temporário enquanto aguardam uma decisão oficial das autoridades competentes.
“As pessoas estão a cooperar connosco. O aumento está um pouco baixo hoje, mas vamos ver até amanhã ou depois”, disse Manuel Lopes.
Apesar do entendimento entre passageiros e transportadores, os operadores insistem que o novo valor ainda não constitui uma tarifa oficialmente aprovada.
“Não temos nenhuma subida oficial de preços, mas existem passageiros que colaboram connosco, porque nós não queremos paralisar as actividades”, explicou Gabriel Tomo.
Entre os passageiros, muitos admitem resignação perante a subida dos preços, argumentando que o aumento dos preços dos combustíveis inevitavelmente afecta o custo do transporte público.
“O combustível aumentou de preço, então ele deve aumentar também o preço do chapa”, afirmou Zélia Alberto.
Outra passageira, Lurdes Andrade, considerou que a situação deixa poucas alternativas aos utentes.
“Vamos fazer o quê? Eles querem assim, a gente tem de aguentar”, declarou.
Nos últimos dias, a cidade da Beira enfrentou fortes constrangimentos no transporte semicolectivo, com redução significativa da circulação de viaturas e longas filas nas paragens, afectando milhares de trabalhadores, estudantes e comerciantes.
O aumento recente dos preços dos combustíveis, aliado às dificuldades de abastecimento em algumas zonas do País, tem vindo a pressionar os operadores de transporte urbano, que alegam incapacidade de manter as tarifas actuais sem prejuízos financeiros.
Com o entendimento informal alcançado esta terça-feira, verificou-se um aumento do número de “chapas” em circulação na cidade, contribuindo para minimizar parcialmente a crise de transporte.
Entretanto, transportadores e passageiros continuam a aguardar um posicionamento oficial das autoridades municipais e das associações do sector relativamente a uma eventual revisão formal das tarifas na cidade da Beira.
A selecção nacional de golfe de Moçambique escreveu uma nova página na história da modalidade ao alcançar o melhor resultado de sempre no Campeonato de Golfe da Região 5, disputado recentemente no Reino de Eswatini.
A equipa nacional terminou a competição na sétima posição entre nove países participantes, numa participação marcada pelo regresso do País ao torneio após uma ausência de dez anos.
A prova decorreu no prestigiado Ezulwini Golf & Country Club, reunindo algumas das selecções mais competitivas da África Austral, numa edição considerada uma das mais equilibradas dos últimos anos.
Moçambique concluiu o campeonato com um total acumulado de 95 pontos, resultado que reflecte uma evolução significativa ao longo da competição. Depois de um início abaixo das expectativas, os atletas nacionais protagonizaram uma recuperação consistente na segunda ronda, demonstrando maior estabilidade técnica, adaptação às exigências do campo e capacidade competitiva frente a adversários experientes da região.
Na categoria “Better Ball”, componente colectiva da competição, a selecção moçambicana voltou a apresentar sinais positivos, destacando-se pelo entrosamento entre os jogadores e pela consistência exibida em momentos decisivos da prova.
A África do Sul confirmou o favoritismo e conquistou o título regional com um impressionante resultado de 18 abaixo do par (-18), reafirmando a hegemonia sul-africana no golfe da região. A Zâmbia terminou na segunda posição, enquanto o Zimbabwe fechou o pódio na terceira colocação.
Além dos três primeiros classificados, participaram ainda as selecções da Namíbia, Eswatini, Botswana, Malawi, Lesotho e Moçambique.
Para a Federação Moçambicana de Golfe, o resultado alcançado representa um sinal encorajador do crescimento gradual da modalidade no País e do investimento feito na preparação dos atletas nacionais.
A participação permitiu igualmente aos jogadores moçambicanos acumularem experiência internacional e avaliarem o actual nível competitivo do golfe nacional no contexto regional.
Mais do que a posição final na tabela classificativa, a presença moçambicana no campeonato foi vista como uma oportunidade estratégica de afirmação regional, intercâmbio desportivo e consolidação do trabalho técnico desenvolvido nos últimos anos.
A edição deste ano voltou também a reforçar o papel do Campeonato da Região 5 como uma das principais plataformas de integração desportiva da África Austral, promovendo o desenvolvimento do golfe africano e fortalecendo os laços competitivos entre os países da região.