A oposição acusa a Comunidade Económica de Estados da África Ocidental de “inadmissível ingerência” nos assuntos internos da Guiné-Bissau ao pronunciar-se sobre a possibilidade de referendo sobre a nova Constituição.
Num comunicado divulgado pela comunicação social guineense, a diretoria da candidatura de Fernando Dias da Costa, que reclama a vitória nas eleições presidenciais de 23 de novembro passado, manifesta a “sua mais profunda indignação e o seu firme repudio” pelas declarações do chefe da diplomacia da Serra-Leoa, no âmbito de uma missão da Comunidade Económica de Estados da África Ocidental (CEDEAO) a Bissau.
Timothy Kabba anunciou, no passado dia 26 e citando as autoridades de transição guineense, que a nova Constituição do país, aprovada pelo Conselho Nacional de Transição (CNT), órgão que substitui o parlamento, será submetida a referendo, sem mais pormenores.
“É politicamente inaceitável que um representante de um estado irmão da sub-região se tenha arrogado a iniciativa de anunciar a realização de um referendo para a aprovação de uma Constituição promovida pelas atuais autoridades de transição, assumindo um papel que não lhe pertence e que constitui uma inadmissível ingerência num assunto que diz exclusivamente respeito ao povo guineense”, lê-se no comunicado.
A diretora da campanha de Fernando Dias da Costa considera aquelas declarações do emissário da CEDEAO “incompatíveis com os princípios democráticos proclamados” pela organização e que “contradizem frontalmente” as decisões da cimeira de chefes de Estado e de governo de dezembro passado, em relação ao golpe de Estado na Guiné-Bissau.
“A soberania da Guiné-Bissau não se negoceia, não se delega e não pode ser substituída pela vontade de qualquer emissário estrangeiro. Nenhum representante internacional detém legitimidade para anunciar ou validar processos constitucionais em nome do povo guineense”, critica ainda a oposição.
Confrontos entre a polícia e supostos Naparamas resultaram na morte de oito pessoas, entre os quais um agente da polícia, no distrito de Mogovolas, em Nampula. As autoridades provinciais afirmam que os tumultos foram provocados pelos Naparamas, com apoio de alguns membros do partido Anamola.
A localidade de Maca, no Posto administrativo de Yuluti, em Mogovolas, província de Nampula, voltou a ser palco de confrontos entre a polícia e um suposto grupo de Naparamas, nesta segunda-feira, tendo resultado na morte de oito pessoas, sendo sete membros dos Naparamas e um agente da Polícia da República de Moçambique.
O secretário de Estado na província de Nampula, Plácido Pereira, disse que o grupo era composto também por alguns membros de partidos políticos, mas não especificou a organização política a que pertencem.
“Não são garimpeiros, como eu dizia, são Naparamas, porque, depois, pode-se constatar que até estavam vacinados, estavam encapuzados, ligados com fitas vermelhas, mas entre estes, os Naparamas, havia simpatizantes de alguns partidos políticos, como se pode ter constatado depois, que tinham camisetas e tinham até cartões de algum partido político”, denunciou Plácido Pereira.
O dirigente provincial confirmou, posteriormente, que este confronto resultou na morte de oito pessoas. “Foram oito óbitos que temos a lamentar, dentre eles sete do lado dos insurgentes, e um foi um membro da força da polícia. A polícia entrou em acção e manteve a paz. Neste momento, está sem paz e há circulação de bens e de pessoas normalmente”, confirmou o secretário de Estado de Nampula.
Entretanto, a Polícia da República de Moçambique convocou uma conferência de imprensa na manhã desta terça-feira para esclarecer como tudo aconteceu. Para a PRM, tudo começou quando o grupo, que também era composto por alguns elementos do partido Anamola, queria invadir algumas infra-estruturas guarnecidas por agentes da polícia. E, na sequência, cinco indivíduos foram detidos.
“Neste momento, os processos decorrem para a responsabilização criminal dos indivíduos. Importa salientar que esta acção se alia ao caso de desordem pública registado no passado dia 19, onde estes membros se fizeram ao Tribunal Distrital, tendo exigido a soltura de oito indivíduos acusados nos tipos legais de crime de invasão, desordem pública e associação criminosa. Destas acções, foi possível a neutralização de alguns cidadãos, dentre eles o coordenador do distrito”, explicou a porta-voz da PRM em Nampula.
Rosa Chaúque esclareceu ainda que neste momento continuam acções para que possam neutralizar todos os indivíduos envolvidos nos casos de desordem pública. “Queremos também adiantar que a polícia não irá tolerar qualquer situação que venha a perigar aquilo que é a ordem pública. Nossas actividades continuam no sentido de neutralizar todos aqueles que atentam contra a ordem e segurança públicas”, disse Rosa Chaúque, porta-voz da PRM em Nampula.
Já o coordenador provincial do partido ANAMOLA, Castro Niquinha, considera a detenção dos seus membros como uma perseguição política e desmente que os mesmos estariam a provocar desordem naquela região.
“Eles mentem que os mesmos estariam a provocar desordem naquela região. É claro que fomos informados, a partir de ontem, que de facto foram baleadas quatro pessoas, entre elas duas pessoas mortalmente, para além de duas pessoas feridas. Isso, segundo a informação que tivemos, aconteceu no posto de Ilute, na zona de Maca”, disse Niquinha, explicando que Maca é uma zona onde estão a ser explorados minérios.
Castro Niquinha esclareceu ainda que o relacionamento existente entre a polícia e a população em toda a província não é saudável. “Não é só aqui, porque nós sabemos que a polícia não está a funcionar adequadamente. Ela faz uma repressão. É uma polícia que muitas vezes aparece a fazer um trabalho que favorece um partido. Temos muita polícia muito politizada. Uma polícia que muitas vezes cumpre algumas situações anormais, inaceitáveis”, disse o coordenador provincial da ANAMOLA.
Por outro lado, segundo disse Castro Niquinha, “a saúde, entre as partes não é das melhores, porque nós nos sentimos ameaçados. Não aparece cá uma resposta que justifica muitas vezes as detenções que têm ocorrido”, disse.
Importa destacar que o distrito de Mogovolas tem sido palco de frequentes confrontos entre as autoridades e as comunidades locais, principalmente devido à exploração ilegal de recursos minerais.
O partido no poder na Costa do Marfim saiu reforçado das eleições legislativas realizadas no sábado, ao assegurar uma maioria qualificada no parlamento, de acordo com os resultados finais divulgados pela Comissão Eleitoral Independente.
O Reagrupamento dos Houphouëtistas pela Democracia e Paz (RHDP) conquistou 197 dos 255 lugares parlamentares, cerca de 77% do total, consolidando a sua influência política poucos meses depois da reeleição do Presidente Alassane Ouattara para um quarto mandato. A participação dos eleitores manteve-se baixa, situando-se em torno de 35%.
O RHDP venceu de forma expressiva nas regiões do norte, tradicionalmente favoráveis ao partido, e registou avanços em zonas do sul e do oeste, onde a oposição tinha maior presença. Segundo as autoridades eleitorais, o processo decorreu maioritariamente de forma tranquila, com incidentes pontuais sem impacto nos resultados finais.
A oposição saiu fragilizada do escrutínio. O Partido Democrático da Costa do Marfim (PDCI) viu a sua representação parlamentar ser reduzida de forma significativa, enquanto o partido do ex-Presidente Laurent Gbagbo, que havia apelado ao boicote, perdeu todos os seus assentos.
Com este resultado, o partido governante passa a controlar a maioria das instituições-chave do país, num cenário que, para os seus apoiantes, garante estabilidade, mas que, para os críticos, levanta preocupações quanto à redução do espaço democrático.
O Instituto Nacional de Meteorologia (INAM) prevê a continuação de chuvas locais fortes a muito fortes nas regiões Centro e Norte do país, nos próximos dias.
Segundo o INAM, poderão ocorrer precipitações em regime forte, superiores a 50 milímetros em 24 horas, e muito forte, acima de 75 milímetros no mesmo período, acompanhadas de trovoadas e ventos com rajadas, em vários distritos das províncias de Cabo Delgado, Niassa e Nampula, incluindo as respetivas capitais provinciais.
A previsão aponta igualmente para a continuação de chuvas localizadas nas províncias de Tete, Zambézia, Manica e Sofala.
Face ao cenário meteorológico, as autoridades apelam à população para a adopção de medidas de precaução e segurança, sobretudo nas zonas propensas a cheias, inundações e descargas atmosféricas.
Pelo menos sete pessoas perderam a vida e mais de 500 famílias foram afectadas pelas chuvas intensas que caíram nos últimos dias nas províncias de Manica e Tete, no centro do país.
Na província de Manica, o Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) confirmou que 342 famílias foram afectadas, tendo-se registado sete óbitos, todos provocados por descargas atmosféricas. As chuvas causaram ainda a destruição de cerca de 100 casas, na sua maioria de construção precária, além de 28 escolas, correspondentes a aproximadamente 50 salas de aula parcialmente danificadas.
Já na província de Tete, no distrito de Mutarara, cerca de 200 famílias ficaram desalojadas devido às chuvas fortes. Segundo a administração distrital, os casos mais críticos foram registados nas localidades de Sinjal, Nhamaiabo e Vila Nova da Fronteira, onde várias residências ficaram parcialmente destruídas.
As autoridades locais apelam à população que vive em zonas de risco, sobretudo nas margens dos rios Zambeze, Ngoma e Chire, para que abandone as áreas vulneráveis e se dirija para locais seguros, face à subida dos níveis de água.
Entretanto, o INGD ativou ações de antecipação às cheias, na sequência das previsões de continuação de chuvas fortes acompanhadas de trovoadas e ventos em várias províncias do centro e norte do país. As medidas incluem a ativação dos centros operativos de emergência e a disseminação de avisos à população através de rádios comunitárias e outros meios locais.
Os Estados Unidos prometeram dois mil milhões de dólares para financiar acções humanitárias da ONU, em 2026. O valor, no entanto, é considerado baixo pela organização em comparação com anos anteriores e ocorre em meio a cortes significativos na ajuda externa americana.
A confirmação do apoio de 2 mil milhões de dólares foi feita esta segunda-feira, por um representante dos Estados Unidos da América, e o anúncio oficial deve ocorrer em Genebra, com a presença do chefe das operações humanitárias da ONU, Tom Fletcher.
Em 2025, o apelo global da organização superou 45 mil milhões de dólares, mas recebeu pouco mais de 12 mil milhões de dólares, o menor financiamento da última década.
Segundo a ONU, a falta de recursos reduziu o alcance da ajuda humanitária, que atendeu 98 milhões de pessoas no último ano, 25 milhões a menos em 2024.
A organização voltou a criticar a falta de mobilização internacional diante do sofrimento causado por guerras, desastres naturais e crises climáticas.
Para o próximo ano, a ONU estima que cerca de 240 milhões de pessoas vão precisar de assistência urgente em países como Gaza, Sudão, Haiti e Ucrânia.
Mais de 10 mil pessoas foram obrigadas a abandonar suas casas no Sudão nos últimos dias, em consequência do agravamento da violência nas regiões de Darfur do Norte e Kordofan do Sul.
O alerta foi feito, esta segunda-feira, pela Organização Internacional para as Migrações, agência da ONU, que acompanha o avanço do conflito no país.
No norte de Darfur, mais de 7 mil moradores deixaram as cidades de Kernoi e Umm Baru entre quinta e sexta-feira da semana passada. A região fica próxima à fronteira com o Chade e tem sido alvo frequente de confrontos armados, o que aumenta o risco humanitário e a pressão sobre áreas de refúgio.
No sul de Kordofan, cerca de 3 mil e 100 pessoas fugiram da cidade de Kadugli, capital do estado, que está sitiada pelas Forças de Apoio Rápido.
O grupo paramilitar enfrenta o exército sudanês desde Abril de 2023, em uma guerra que se espalha por várias partes do país.
A guerra no Sudão provocou pelo menos 150 mil mortos e mais de 13 milhões de deslocados e refugiados, além de colocar metade da população em situação grave de insegurança alimentar.
A imundície e o lixo tomaram de assalto o mercado grossista de Warresta, na cidade de Nampula. Vendedores dizem estar agastados com a situação e exigem soluções urgentes.
Com o arranque da época chuvosa, os vendedores do mercado grossista de Warresta dizem viver momentos difíceis, devido ao fraco saneamento do local. A situação tem obrigado os vendedores e clientes a conviverem com lixo acumulado e águas turvas, mesmo sabendo dos riscos a que estão expostos.
A situação torna-se ainda mais crítica num momento em que o edil de Nampula, Luís Giquira, tem feito várias promessas relacionadas com a limpeza dos mercados. Porém, no terreno, a realidade é diferente, por isso os vendedores de Warresta exigem soluções urgentes.
Entretanto, os responsáveis do mercado reconhecem as deficiências na recolha do lixo e asseguram que estão a trabalhar em coordenação com a empresa municipal EMUSANA, com vista a assegurar uma limpeza.
Refira-se que o mercado grossista de Warresta abastece toda a província de Nampula e parte da província de Cabo Delgado.
O Programa Alimentar Mundial (PAM) assistiu mais de 600 mil pessoas entre Outubro e Novembro últimos em Moçambique, distribuindo 2365 toneladas de alimentos e 2,3 milhões de dólares (perto de 15 milhões de meticais) em apoio monetário.
De acordo com um relatório do Programa Alimentar Mundial (PAM), uma agência das Nações Unidas que zela pela qualidade de alimentação das populações, em Moçambique foram assistidas mais de 600 mil pessoas, o que fez com que se distribuísse alimentos e valores monetários para suprir as necessidades dos moçambicanos.
“O PAM chegou a mais de 600 mil pessoas em Moçambique, distribuindo 2365 toneladas de alimentos e 2,3 milhões de dólares através de transferências monetárias”, lê-se num relatório daquela agência das Nações Unidas (ONU), citado pela Lusa.
De acordo com o PAM, a resposta de emergência ocorre face à crise de deslocação no Norte de Moçambique, causada pela escalada de violência, devido às incursões terroristas, que continua a perturbar vidas e pela recente expansão dos ataques à província vizinha de Nampula, que desencadeou deslocações em massa, agravando o conflito em curso na província de Cabo Delgado, epicentro do conflito armado no país há oito anos.
“Em resposta às novas deslocações em Nampula, o PAM prestou também assistência alimentar de emergência a 10 220 pessoas no âmbito do Programa de Resposta Conjunta com parceiros da ONU. Estão em curso preparativos para apoiar outras populações deslocadas”, refere-se na nota.
O documento avança ainda que, em Cabo Delgado, o ciclo de assistência alimentar de Novembro/Dezembro foi concluído no dia 18, tendo atingido 87 328 agregados familiares, aproximadamente 436 640 beneficiários.
“Nas zonas afectadas por conflitos, como Mocímboa da Praia, as autoridades distritais coordenaram-se com o PAM e parceiros para alinhar a distribuição de sementes e a formação em agricultura de conservação. Em Ancuabe e Macomia, o PAM apoiou a distribuição de sementes, organizou a formação de agricultores e promoveu soluções baseadas na natureza para impulsionar a educação e a resiliência”, é referido.
A ajuda humanitária, segundo aquela agência, também incluiu a “nutrição em situações de emergência”, com o PAM a continuar a apoiar o Governo através do Programa Nacional de Reabilitação Nutricional para combater a malnutrição aguda entre os grupos vulneráveis e mais de 8300 crianças menores de cinco anos e mulheres grávidas ou em período de amamentação em Cabo Delgado e Nampula receberam assistência.
No mesmo mês, o Governo liderou os esforços para reforçar a segurança alimentar, a resiliência climática e os meios de subsistência, tendo o PAM prestado apoio técnico em várias províncias, incluindo Nampula em que a liderança governamental foi reforçada através da Formação de Formadores em Serviços Climáticos Integrados e Participativos para a Agricultura (PICSA).
No âmbito da protecção, o PAM apoiou a campanha dos 16 Dias de Activismo contra a Violência Baseada no Género (VBG), cujo objectivo foi promover a igualdade de género e, no mesmo período, foram alcançados progressos notáveis no sentido de aumentar a resiliência climática das comunidades e promover a inclusão financeira das mulheres e dos jovens.
“Em Novembro, mais de 14 mil agricultores receberam previsões meteorológicas, 1700 foram formados (…), 300 famílias receberam sementes, 500 agricultores beneficiaram de armazenamento refrigerado e foram entregues 200 ‘kits’ de processamento de alimentos. As mulheres representaram 45% do total de beneficiários”, acrescenta o PAM.
De acordo com comunicado, PAM apoiou também a alimentação escolar nas províncias de Tete, Nampula e Cabo Delgado, atingindo aproximadamente 95 mil alunos, “para melhorar a assiduidade e a permanência na escola” e para manter os alunos nas escolas em zonas afectadas pela seca, o PAM distribuiu com 14 mil toneladas métricas de alimentos para pais e encarregados de educação de crianças inscritas no programa de emergência de alimentação escolar em Caia, província de Sofala, “concluindo a resposta à seca provocada pelo El Niño”.
Segundo aquela agência, actualmente, são necessários cerca de 115 milhões de dólares (7,3 mil milhões de meticais) em financiamento líquido para a assistência humanitária até 26 de Maio de 2026.
O seleccionador nacional dos Mambas diz que a primeira vitória da selecção no CAN tem um significado histórico, pois foi conquistada no meio de muitas dificuldades. Chiquinho Conde espera que este seja o prenúncio de uma sequência de bons resultados nesta prova. Para já, todos os jogadores do conjunto moçambicano estão prontos para o embate diante dos Camarões, depois da recuperação de Nené e Edmilson.
É a primeira vitória numa fase final do CAN e os primeiros três pontos somados desde que os Mambas começaram a disputar a prova, em 1986. Por isso tem um significado histórico. Há muitos heróis por detrás deste triunfo e Geny Catamo é um deles.
O prodígio moçambicano diz estar orgulhoso de fazer parte desta história, que promete não ter terminado diante do Gabão.
“Estou muito orgulhoso pelo meu desempenho e pelo desempenho da equipa, porque temos trabalhado muito para poder chegar a essa primeira vitória e agora conseguimos lograr alcançar. Agora devemos trabalhar todos os dias para conquistarmos ainda mais vitórias, mais coisas boas para o grupo”, disse Geny Catamo, na conferência de imprensa no final do jogo.
Mas a menção ao grupo de trabalho no alcance deste feito é também feito pelo seleccionador nacional, Chiquinho Conde, que agradece aos jogadores não só pela vitória, mas também pelo espírito de sacrifício.
“Este grupo merece. Só nós passamos por tantas dificuldades, tantas adversidades, chegar hoje aqui, conquistar algo maravilhoso, uma das pessoas mais lindas. Acho que nem o mais optimista dos adeptos esperaria que nós ganhássemos hoje, com a classe, com a disponibilidade de todos os jogadores inteligentes que tiveram um tempo no campo”, disse Chiquinho Conde.
Uma vitória, diga-se, que define um novo conceito do futebol moçambicano, segundo Chiquinho Conde. “Não conseguimos lhes dar a prenda de Natal que nós queríamos ter dado no dia 24, mas ainda estamos dentro da quadra natalícia e esta é a prenda que todos os jogadores e todos os moçambicanos gostariam de ter. E nós, todos eles, os jogadores foram fantásticos, toda a estrutura, e quero dar um grande abraço de agradecimento a todos os moçambicanos”, disse Conde.
Por seu turno, Catamo pediu que os moçambicanos “continuem a acreditar em nós, porque deste lado estamos trabalhando duro para poder chegar a outros patamares”, realçando ainda que “nós, os jogadores, sentimos que passo a passo e pouco a pouco chegamos lá e estamos nesse caminho e sentimos que o ritmo é esse”.
E porque a história é escrita de actos e factos, Chiquinho Conde e o seu portefólio são a escada escalada por Moçambique até o feito histórico alcançado este domingo.
“Fui o primeiro moçambicano, depois da independência, a ir a jogar para o futebol português, fui o primeiro jogador moçambicano a estar numa selecção da África, fui o primeiro jogador moçambicano a estar presente como jogador em três CAN’s, fui o primeiro atleta como jogador reconhecido pela Universidade de Púnguè como Doutor Honoris Causa, hoje, apraz-me dizer, senhores, que sou o primeiro moçambicano a levar a selecção nacional a uma vitória no CAN, sou o primeiro também”, disse o seleccionador nacional, esperando que esta seja o início da sequência de bons resultados “que irão vir por aí”.
Há mais uma batalha nesta quarta-feira contra os Camarões.
Festa dos jogadores iniciou no campo e prolongou-se no balneário
Jogadores da selecção celebraram a primeira vitória de todas as formas, entre cânticos e danças. O triunfo dos Mambas também mereceu destaque na imprensa estrangeira e nas páginas oficiais dos clubes onde militam alguns jogadores.
Se antes havia dúvidas de quem é realmente patrão, agora não. A tradição e coreografia marroquina se fez sentir na celebração.
A vitória dos Mambas foi destaque em alguns cantos do mundo. A imprensa portuguesa, por exemplo, fez referência ao triunfo dos Mambas. O jornalista italiano Fabrizio Romano, especialista em mercados de transferência destacou a vitória da selecção.
Os clubes onde militam alguns jogadores também fizeram o mesmo, com destaque para o Sporting, de Geny Catamo, Santa Clara, de Calila, Nacional, de Witi e Sunderland, de Reinildo Mandava.
Mas também não faltaram promessas de Feizal Sidat, presidente da FMF, que, para além do prémio pela vitória, orçada em 150 mil meticais por cada jogador, prometeu a cada atleta, um prémio pessoal de 50 dólares, equivalentes a quase 3.200 Meticais.
Jogadores lesionados recuperados para jogo com Camarões
Depois da vitória sobre o Gabão e da euforia que tomou conta de todos na noite de domingo, os Mambas viraram as atenções para a terceira jornada do grupo F. Esta segunda-feira regressaram aos trabalhos de preparação com vista ao embate diante dos Camarões, quarta-feira.
O treino contou com todos os jogadores disponíveis depois da recuperação daqueles que estavam lesionados. Ernan era um dos preocupava, mas já em condições.
“Na verdade houve uma preocupação com o Ernan que surgiu ontem durante o campo porque teve uma lesão ligeira no joelho. Nós tratámos imediatamente após o jogo e recuperou perfeitamente. Neste momento está em vias de fazer o treino e vai correr tudo bem”, garantiu Mussa Calú, médico dos Mambas.
Relativamente aos outros dois atletas que sofreram nos treinos anteriores, nomeadamente Nené e Edmilson, Mussa Calú garante que a evolução é bastante favorável.
“Neste momento vão treinar e estão em condições de desenvolver um treino excelente. Portanto, tudo leva a crer que no jogo de quarta-feira poderão participar do combinado nacional. A lesão de Nené está completamente debelada”, garantiu o médico dos Mambas.
Com a primeira vitória num,a fase final de um CAN a levar os jogadores a uma euforia que poderia afectar a concentração para o jogo diante dos Camarões, Mussa Calú assegura que a mesma não vai beliscar o objectivo traçado.
“Esta vitória realmente trouxe muito entusiasmo entre os atletas porque a vitória determina que nós temos um passo suficiente para dar no jogo contra a equipa dos Camarões na quarta-feira. Portanto, animicamente estão bastante animados e com a perspectiva de sermos qualificados para a fase seguinte”, disse.
Sobre a alimentação dos jogadores, o médico garante que toda logística está acautelada para que não haja problemas relacionados com a indigestão alimentar.
“Nós elaboramos um menu contendo alimentos que servem directamente aos atletas, isto é, alimentos ricos em carboidratos e com menos proteínas e menos lípidos. O menu está a ser rigorosamente seguido pela gestão do hotel e estamos bastante satisfeitos com a forma como têm sido apresentadas as refeições. Isto não vai criar absolutamente nenhum problema e até aqui ainda não houve nenhum caso de diarreia nem de qualquer indigestão alimentar. Portanto significa que o menu que nós preparamos está a ser rigorosamente cumprido e em excelentes condições”, finalizou.
Os Mambas terão mais uma sessão de treinos, esta terça-feira, antes do jogo de quarta-feira, diante dos Camarões, a contar para a terceira jornada do grupo F.

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