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O País – A verdade como notícia

A  Inspecção-Geral do Desporto, estrutura orgânica da Secretaria de Estado do Desporto (SED), notificou a Federação Moçambicana de Basquetebol (FMB) para se explicar sobre a expulsão da selecção sénior masculina da modalidade de um hotel em Bulawayo, Zimbabwe, por falta de pagamento de 13 mil dólares, cerca de 970 mil Meticais, referentes à taxa de participação nas eliminatórias da zona VI para o AfroCan 2023.

Fonte da instituição que tutela o desporto assegurou ao “O País” que, logo que tomou conhecimento de que os jogadores e equipa técnica haviam sido despejados e passado cerca de dez horas na rua, accionou o órgão gestor do basquetebol para produzir um relatório sobre o ocorrido.

É neste sentido que, até esta segunda-feira, a Inspecção-Geral do Desporto aguardava pelo documento solicitado ao organismo dirigido por Roque Sebastião.

O “O País” abordou a direcção da FMB, na pessoa do seu presidente, para se inteirar sobre o que efectivamente esteve por trás da retirada da delegação moçambicana.

Ademais, se correspondia à verdade que a Federação Moçambicana de Basquetebol não cumpriu as suas obrigações para com o Comité Organizador das eliminatórias da zona VI para o “AfroCan”. A política do silêncio vai fazer escola.

Ou seja, o dirigente desportivo disse que a agremiação não se vai pronunciar, até porque – sempre citando o mesmo – o mais importante foi a qualificação do país para o “AfroCan” e “Afrobasket”.

Estranhamente, a mesma Federação Moçambicana de Basquetebol faz questão de convidar os órgãos de comunicação social para cobertura de suas actividades, divulgação de convocatórias e assinaturas de memorandos de parceria com instituições.

Entretanto, quando se trata de prestar esclarecimento sobre questões que mexem com os fazedores da modalidade e colocam em causa o bom nome do país, fecha-se em copas.

Lembre-se que, além dos atletas terem sido “escorraçados” do hotel, os jogos da última jornada da fase de apuramento da zona VI de acesso ao “AfroCan” e “Afrobasket” atrasaram por alegada falta de pagamento de subsídio aos árbitros pela organização, sendo que parte do valor para o efeito devia ser disponibilizado pela delegação moçambicana.

A  Inspecção-Geral do Desporto tem, entre outras, a responsabilidade de velar pelo funcionamento correcto das federações e associações desportivas nacionais.

Minuto 23 no Cívitas Metropolitano, antigo Wanda Metropolitano. Jogo entre o Atlético Madrid e Sevilha. Golo do holandês Memphis Depay, o primeiro na goleada que os “colchoneros” impuseram ao Sevilha por 6-1. Momento de celebração, momento de grande arrepio.

É que, num barulho ensurdecedor e com retoques de homenagem ao internacional moçambicano Reinildo Mandava, que recupera de uma lesão no joelho, os adeptos gritaram: Anima-te, Rei, cada dia que passa é um dia a menos para te desfrutar de novo no campo!”.

Uma homenagem que jamais será esquecida pelo internacional moçambicano que vai enfrentar uma paragem de seis meses, devido a lesão sofrida no dérbi com o Real Madrid. “Que momento incrível na minha carreira. Muito obrigado a Allah por tudo. Muito obrigado ao clube e aos adeptos.

Isso é algo que não se compra e, de certeza, ficará marcado para vida toda!”, escreveu Mandava na página da sua rede social “Facebook”.

Curiosamente, Reinildo Mandava enverga a camisola 23. O que, para o madrileno, é inesquecível. “Mesmo estando em casa assistindo ao jogo pela televisão, senti um arrepio. Marcámos no minuto 23, o que foi ainda motivo para acumular de emoções.”, expressou Mandava.

Antes mesmo do arranque da partida inserida na 24ª da La Liga, os jogadores subiram ao relvado envergando camisetas vermelhas com os seguintes dizeres: “Ânimo Reinildo”.

“Agradecer aos adeptos e as pessoas que fizeram essa homenagem maravilhosa no Estádio. Ver todo o Estádio a cantar o meu nome, de certeza que não são coisas que acontecem todos dias e muito menos por acaso, mas sim o reconhecimento do teu trabalho e compromisso entrega para com o clube!”.

Dia de reconhecimento das qualidades de Reinildo, dia de encher o “saco” com uma goleada por 6-1 que contou com um bis de Memphis Depay (23’ e 25’) e Morata (75′ e 91′) para além de golos de Griezmann (52′) e Carrasco (68’).

Com a vitória, o Atlético de Madrid ascendeu ao terceiro lugar na tabela classificativa agora com 45 pontos.

Foi uma noite de sonho para Diego Simeone que chegou aos 613 jogos como treinador do Atlético Madrid. O técnico argentino superou, desta forma, a marca de Luis Aragonés.

O delegado técnico da Federação Internacional de Basquetebol, Abreu João, diz que o facto de a Secretaria de Estado de Desporto (SED) não gostar do actual elenco da Federação Moçambicana de Basquetebol (FMB) não pode ser motivo para pôr em causa o sentido de Estado. Abreu João diz ainda que as selecções de Moçambique são uma questão de Estado.

Único árbitro moçambicano a apitar os Jogos Olímpicos de 2004, em Atenas, na Grécia, e 2008, em Pequim, na China, para além de um Mundial de Basquetebol no Japão, em 2006, Abreu João ficou sensibilizado com a expulsão da selecção sénior masculina da modalidade de um hotel em Bulawayo, Zimbabwe, por falta de pagamento de taxas de participação na prova regional de acesso ao AfroCan 2023.

Num verdadeiro martírio, os jogadores ficaram ao “relento” das 10h00 às 21h00, num dia de chuva e frio no vizinho Zimbabwe. Foi precisa a intervenção do Governo local, através de figuras ligadas ao desporto, FIBA-África ao nível da região, Comité Organizador e de Abreu João, que disponibilizou um valor de 13 mil dólares, equivalente a 780 000,00 Meticais, quando convertidos ao câmbio do dia.

O delegado da FIBA critica a gestão da Secretaria de Estado de Desporto (SED), que, neste caso, deixou a nu a desorganização e as fragilidades que norteiam as selecções nacionais que participam em competições internacionais. “Os moçambicanos, no geral, e os miúdos, em particular, não merecem o desrespeito pelas selecções nacionais sempre que têm que representar o país! O facto de a SED não gostar do elenco da FMB não devia ser motivo para pôr em causa o sentido de Estado. As selecções de Moçambique são uma questão de Estado. Devia-se extravasar os conflitos  pessoais. Não venham com filmes. Levem o país para Angola e para Kigali. Esta é responsabilidade da SED e não da FMB”, escreveu Abreu João, numa mensagem que pulverizou as redes sociais.

O custeamento de despesas das selecções nacionais em competições internacionais mereceu também um reparo por parte do antigo árbitro que dirigiu várias finais de campeonatos africanos de seniores masculinos e femininos. É que, no entender de Abreu, cabe aos governos assumirem maior bolo das despesas de representação das selecções nacionais quando se deslocam ao estrangeiro.

“Em qualquer país no mundo, o Governo custeia pelo menos 75% do orçamento da selecção e deixa 25% para as federações fecharem. Mesmo nos EUA, Alemanha, Espanha e quanto mais em países pobres? Estão à espera que as federações vão buscar no sector privado os 75%? Sector privado que nem existe? Todos batem as mesmas portas: CDM, HCB, CFM, EDM, LAM, Mozal, etc. Até a própria SED bate portas lá. O que é isso?”, indagou.

O AfroCan realiza-se entre os dias 8 e 16 de Julho, em Angola. Moçambique vai procurar garantir a disputa à prova pela primeira vez na sua história, depois de ter desistido em 2019, por alegada falta de fundos.

Ainda que tenha procurado manter em segredo o facto de ter pago os USD 13 mil, Abreu foi depois confrontado com a situação. E não deixou de agradecer a todos pelas mensagens de agradecimento. “Em todo caso, agradeço a todos pelas mensagens. Fiz para o país que me viu nascer.”

PAULO MADEIRA, PRESIDENTE DA ZONA VI: “ESTABELECEMOS PONTES DE NEGOCIAÇÃO PARA MINIMIZAR IMPACTO ADMINISTRATIVO”

O presidente da FIBA-África, ao nível da Zona VI, Paulo Madeira, diz que a Federação Moçambicana de Basquetebol enfrentou muitas dificuldades para pagar as taxas ao Comité Organizador da fase de qualificação da zona VI para o AfroCAN 2023.

“Aconteceu, sim, um pequeno incidente com Moçambique relacionado às dificuldades em pagar alguns custos que eram devidos ao Comité Organizador local, liderado pela Federação Zimbabweana de Basquetebol”, esclareceu o homem que cumpre um mandato de quatro anos desde a sua eleição em 2019.

Face à situação, o órgão reitor da modalidade da bola de cesto na zona VI teve que intervir de modo a encontrar uma solução que não prejudicasse a selecção nacional de basquetebol sénior masculino.

“A nossa acção, enquanto representantes da FIBA e pessoas do basquetebol, foi no sentido de estabelecer pontes de comunicação, negociação entre a Federação Moçambicana de Basquetebol na presença dos seus representantes, os vice-presidentes com a congénere zimbabweana, no sentido de encontrarmos soluções que minimizassem o impacto administrativo e financeiro.”

O angolano garantiu, em exclusivo ao “O País”, que tudo já está ultrapassado. “A situação foi, felizmente, ultrapassada e resolvida”.

Paulo Madeira foi eleito presidente da Zona VI da FIBA África para o quadriénio 2019–2023, durante o conclave do órgão que rege os destinos do basquetebol no continente, realizado na capital maliana, Bamako.

Paulo Madeira, ex-presidente da Federação Angolana (FAB), rende no cargo o moçambicano Aníbal Aurélio Manave, eleito para a presidência da FIBA África, em substituição do maliano Hamane Niang que dirige, agora, a FIBA Mundo.

As grandes emoções da maior e mais prestigiada prova do desporto motorizado no país estão de volta. Com efeito, e numa época com grandes novidades, o Autódromo Internacional de Maputo acolhe, no próximo dia 18 de Março, a primeira prova do Super Grande Prémio Picanto CUP.

Espera-se que os pilotos protagonizem grandes batalhas nas mangas e, acima de tudo, façam o público vibrar com a sua perícia ao volante.

O incremento de número de pilotos e equipas é um facto consumado, pelo que a adrenalina será a dobrar quer as boxes quer na pista.

Nesta temporada, de acordo com o calendário divulgado pela organização, serão disputadas seis provas. Depois do pontapé de saída, teremos o 2° Grande Prémio Picanto Cup no dia 20 de Maio. O 3° e 4° Grande Prémio Picanto Cup estão agendados para os dias 20 de Junho e 16 de Setembro, respectivamente.

Já no dia 10 de Outubro realiza-se a penúltima prova da época, sendo que o 6° Grande Prémio Picanto Cup, a 18 de Novembro, marca o encerramento da temporada 2023.

“A competição mais picante da velocidade da cidade está de volta, e a primeira prova será já disputada no dia 18 de Março 2023. Até lá, estamos em preparativos para vos oferecer um campeonato competitivo, empolgante e cheio de surpresas ao longo do ano! Depois de dois campeonatos completos, iniciamos então a 3ª temporada, que promete ser muito competitiva. Com certeza, teremos muita adrenalina na pista e ambiente de festa nas bancadas a torcer pelos seus fãs e equipas preferidas”, refere a organização do Picanto Cup numa nota divulgada no seu sítio.

Nesta temporada, as atenções estarão seguramente viradas para a equipa Moztek Racing (formada por Manuel Barbosa e Mauro Almeida) na medida em que é campeã de 202.

Mas há que ter em conta a equipa da Trentyre Rasteirinhos constituída pelos pilotos André Bettencourt e Christian Bouché.

Os campeões de 2021 pretendem recuperar o seu trono, daí que se adivinha uma prova de grande intensidade no Autodrómo Internacional de Maputo.

A praia da Costa do Sol acolhe, de 17 a 19 de Março corrente, a última etapa do circuito da zona VI de vólei de praia. Inicialmente agendado para Vilankulo, em Inhambane, a competição foi remarcada para a Cidade de Maputo devido ao mau tempo que se faz sentir naquele ponto do país com a queda de chuvas fortes que causaram, entre outros estragos, a destruição da arena que foi palco, ano passado, do Campeonato Africano de futebol de praia.

A organização fez um levantamento do ponto da situação, chegando à conclusão de que não estavam reunidas condições para levar esta competição àquele ponto do país. Com tradição na modalidade, mormente as conquistas consecutivas, Moçambique coloca como meta a conquista de medalhas de ouro no certame.

Aliás, o par Ana Paula Sinaportar/Vanessa Muianga parte para esta competição com esperanças de conquistarem a prova pela sétima vez consecutiva. Estas atletas têm a possibilidade de assaltarem a primeira posição no ranking africano da modalidade.

Além desta dupla, que está no “top 3” do continente africano, Moçambique contará em femininos com o par Natália Intengo/Ângela Tembe, que se sagrou, num passado recente, vice-campeão da região.

Na categoria de sub-19, a dupla Vânia/Verónica vai procurar fazer melhor do que fez em Julho do ano passado, no Botswana, numa prova em que foi afastada nos quartos-de-final.

Há a destacar, no leque dos atletas nacionais inscritos para a competição regional, a dupla de sub-19 Denilson/Rafael.

 

VANESSA E ANA PAULA: UMA DUPLA DE SUCESSO

Entre os dias 20 e 22 de Janeiro deste ano, como que a provar o excelente momento que a modalidade atravessa, atletas nacionais conquistaram medalhas no Campeonato Regional de Voleibol de Praia da Zona VI, que decorreu na cidade sul-africana de Durban.

Esta proeza foi alcançada pelas duplas Ana Paula Sinaportar/Vanessa Muianga, que conquistou a medalha de ouro em femininos, e Ainadino Martinho/Jorge Mondlane, que conquistou a medalha de bronze, em masculinos. Ainda no vólei feminino, o nosso país amealhou mais uma medalha de bronze através do par Ângela Tembe e Natália Intego.

Em Outubro do ano passado, a dupla Ana Paula Sinaportar/Vanessa Muianga conquisou, em Maseru, no Lesotho, a sexta etapa do circuito da Zona VI de voleibol de praia. Para o efeito, as moçambicanas derrotaram as suas compatriotas Ângela e Natália por 2-0, com os parciais de 21-15 e 21-11.

Por sua vez, a dupla Ainadino Martinho/Jorge Monjane conquistou a medalha de prata ao perder, na final, com os tswanas Sekao Jack e Chiswaniso Jorge do Botswana, por 2-0, com parciais de 21-19 e 21-18.

Os antigos jogadores da selecção nacional de basquetebol sénior masculino, Sílvio “Nelinho” Letela e Helmano Nhatitima, mostram-se agastados com o tratamento dado ao conjunto que se qualificou, terça-feira, para a segunda edição do Afrocan. Letela e Nhatitima consideram inconcebível que uma selecção seja “despejada” do local de hospedagem por falta de pagamento de taxas de participação no torneio.

Os ex-atletas dizem estar na hora de dizer basta a esta situação, que não é a primeira, e devolver dignidade à selecção que tem sido “marginalizada” em relação à sénior feminina, que dispõe de melhores condições em face do apoio que recebe de uma multinacional.

“É lamentável e triste o que aconteceu em Bulawayo. Acredito que nenhum ser humano deve passar por aquilo. Quanto mais atletas de alta competição, que carregam a bandeira de um país”, lamentou Sílvio Letela, antigo capitão da selecção nacional de basquetebol sénior masculino. Letela, como que a antever a qualificação de Moçambique para o Afrocan, mesmo depois do momento conturbado, disse: “Mas eu acredito que a equipa tem uma estrutura mental bastante forte para passar por cima destas adversidades”.

Nelinho, como também é conhecido, disse que o momento que o basquetebol atravessa não é dos melhores sob o ponto de vista de gestão da modalidade da bola ao cesto: “Este acontecimento veio, mais uma vez, expor o défice no que concerne à gestão desportiva dos nossos dirigentes. É inconcebível, a 24 horas de um jogo bastante importante, que definiria a equipa que representa a zona VI no Afrocan, termos uma situação que envergonha o país”, frisou o também antigo jogador do Maxaquene, Desportivo e Costa do Sol.

Sílvio Letela não tem dúvidas: urgem mudanças para dar outro rumo ao basquetebol moçambicano. “É altura de dar um basta a este tipo de situações. Acredito que a Secretaria de Estado [do Desporto] vai intervir para responsabilizar quem criou esta situação.”

Por sua vez, Helmano Nhatitima, considera que o basquetebol moçambicano está a regredir. Para o antigo jogador da selecção nacional, há uma crescente preocupação com o rumo que o basquetebol está a tomar no país. “No que diz respeito à selecção nacional de basquetebol, diríamos que alguns fazedores da modalidade estão preocupados com a situação do basquetebol. Os fazedores estão preocupados com o quadro degenerativo que tomou o basquetebol ao nível de Moçambique por conta da selecção nacional masculina”.

Para Nhatitima, “alguns podem dizer que a selecção de basquetebol feminino está bem, mas o espelho de um país no final do dia é uma selecção masculina. O que temos assistido, no cômputo geral, é uma selecção masculina a cair. Uma selecção masculina a apresentar um quadro degenerativo e a perder o barco em África. Estamos a dizer que Moçambique, desde 1995, participa em todas as competições africanas de basquetebol. Estamos a dizer que durante algum tempo sempre tivemos uma selecção competitiva. [Importa] Lembrar que Moçambique fez o seu primeiro ‘Afrobasket’… penso que em 1983. (…) Temos selecções que estão a investir e a aparecer enquanto vemos Moçambique a perder o barco”, lamentou o antigo basquetebolista.

A selecção cabo-verdiana de basquetebol qualificou-se este domingo, pela primeira vez, para o Campeonato do Mundo, ao vencer a Costa do Marfim, por 79-64, em Luanda, Angola, na terceira jornada da quinta e última fase de apuramento. Este feito não passou despercebido a Helmano Nhatitima, que fala do grande investimento que outros países estão a fazer na modalidade da bola ao cesto, enquanto Moçambique “vê o barco a passar”. “É preciso lembrar que esta será a primeira participação de Cabo Verde no Campeonato do Mundo. Olhamos para Moçambique, que tem tradição no basquetebol. Há cerca de 25/30 anos vem participando em ‘africanos’ de forma consecutiva. Moçambique não está a lutar para se qualificar para o Mundial, mas sim para um campeonato interno. Mesmo nesta prova está a ter dificuldades para se impor perante selecções como Zâmbia e Zimbabwe”, exemplificou.

Nas vésperas da finalíssima diante do Zimbabwe, os jogadores e técnicos passaram por momentos nada confortáveis em Bulawayo, palco da fase de apuramento da zona VI para o Afrocan 2023. A pronta intervenção de dois membros do Governo zimbabweano, ligados à área de desporto, e alguns homens ligados à modalidade da bola ao cesto no país foi determinante para desbloquear a situação. Os governantes asseguraram que os moçambicanos continuariam a ter acesso ao local de hospedagem bem como alimentação.

Num caso sem igual, a selecção nacional de basquetebol sénior masculino viu-se à nora em Bulawayo, Zimbabwe, onde disputa a fase de qualificação da zona VI para o Afrocan 2023.

É que, domingo, os atletas e treinadores foram forçados a abandonar o hotel onde estão hospedados devido à falta de pagamento de valores relacionados com as despesas de hospedagem.

Regra geral, quando se organiza este tipo de competições, os comités organizadores, por instrução da FIBA-África, fixam valores de taxa de participação por cada delegação.

No caso, a organização do torneio da zona VI de acesso ao “Afrocan” fixou o valor diário de USD 90 (perto de 5400,00 Meticais convertidos ao câmbio do dia) por cada membro de delegação para despesas de acomodação, transporte interno ou se quisermos local, alimentação assim como desembolso para suprir questões relacionadas com arbitragem. O valor global situava-se em USD 13 mil, equivalente a 780 000,00 Meticais, quando convertidos ao câmbio do dia).

Espantosamente, aconteceu que, depois de exigido o valor, a delegação moçambicana não teve respostas para os organizadores que não mais fizeram senão dar ordens para retirada do hotel.

Foi preciso, em meio a telefonemas de última hora, a mediação por parte de elementos da União de Basquetebol do Zimbabwe, FIBA-África ao nível da zona VI e a delegação moçambicana.

A pronta intervenção de dois membros do Governo zimbabweano, ligados à área de desporto, e alguns homens ligados à modalidade da bola ao cesto no país foi determinante para desbloquear a situação. Os governantes asseguraram que os moçambicanos continuariam a ter acesso ao local de hospedagem bem como à alimentação.

Em termos práticos, as delegações partem para competições internacionais já com projecção das suas despesas seja de dinheiro de bolso e taxas inerentes a vários aspectos de acordo com a definição ou fixação dos organizadores.

Daí que se questiona como é que a Federação Moçambicana de Basquetebol, órgão reitor do basquetebol nacional, foi encontrado no meio deste cenário que em nada abona a modalidade, em particular, e o país, em geral.

E ainda como é possível deslocar uma equipa para o estrangeiro e, quase no fim da prova, não haver dinheiro para pagamento de despesas de organização da mesma.

A selecção masculina de basquetebol, contrariamente à feminina, não dispõe das mesmas condições há já algum tempo. A título de exemplo, para esta fase de qualificação para o “Afrocan” e “Afrobasket”, no Zimbabwe, os seniores femininos contam com o apoio de uma multinacional. Há anos, num caso que deixou os amantes do basquetebol agastados, a selecção sénior masculino não só viajou em péssimas condições de autocarro para o Zimbabwe como também depois de assegurar a qualificação para o Afrocan, não teve a possibilidade de disputar a fase final por alegada falta de condições financeiras.

A Federação Moçambicana de Basquetebol recebe, anualmente, um valor do Fundo de Promoção Desportiva (FPD) para a realização das suas actividades anuais. Este valor reduziu drasticamente nos últimos anos, sendo que as agremiações procuram igualmente patrocinadores que possam custear as suas actividades.

Dentro do plano de actividades, e face à limitação orçamental, as agremiações podem definir a prioridade em termos de realização de competições. Há exemplo da África do Sul, que desistiu da fase de qualificação para o “Afrocan” 2023 alegadamente por limitações financeiras.

A selecção nacional de basquetebol sénior masculino assegurou, ontem, a qualificação para o Afrocan 2023 ao derrotar a sua similar do Zimbabwe, por 71-59, em jogo da finalíssima do torneio de apuramento da zona VI para a competição reservada aos atletas que evoluem nas respetivas competições internas.

Foi uma vitória de raça, do querer e de superação depois dos problemas que o conjunto orientado por Milagre “Mila” Macome enfrentou desde à preparação até a deslocação ao Zimbabwe. Nas vésperas do decisivo jogo, a delegação moçambicana passou por momentos conturbados com uma ordem para deixar o hotel em que estava hospedada por falta de pagamento de taxa de participação orçada em USD 13 mil. Os jogadores e treinadores superaram tudo. Convocaram o patriotismo e colocaram o país pela segunda vez no Afrocan, depois da qualificação para a prova arranca em 2019 após vitória sobre a Zâmbia por 71-60.

Terça-feira, o combinado nacional condicionou os zimbabweanos, controlando o primeiro quarto, etapa na qual liderou com o parcial de 26-19. No segundo quarto, a selecção nacional de basquetebol procurou fugir no marcador, mantendo uma diferença de oito pontos: 17-9 ao cabo desta etapa.

A pontuação baixou, no terceiro quarto, com os orientados pelo “coach” “Mila” a contabilizarem 13 pontos contra 18 do Zimbabwe.

Com o jogo controlado, Moçambique liderou o derradeiro quarto com um parcial de 15-13. Em termos individuais, destaque para Elves “Stam” Honwana que foi o melhor cestinha com 18 pontos em 34:11 minutos na quadra. “Stam” concretizou 7 em 15 lançamentos de campo (46.7%) e 4 em 8 tiros exteriores (50% de aproveitamento).

Pio “Lingras” Matos, com 13 pontos em 23:39 minutos na quadra, e Ismael “Timo” Nurmamad, com a mesma pontuação durante os 26:43 em que permaneceu em campo, estiveram também em destaque.

A “folha do jogo” aponta para 25 em 56 lançamentos de campo concretizados pela equipa, perfazendo uma média de 44.6%, contra 22 em 58 do Zimbabwe (37.9%). Nos tiros exteriores, a selecção nacional converteu 10 em 23 (43.5%), enquanto os anfitriões concretizaram 5 em 20 (média de 25%).

Com 11 lançamentos livres convertidos em 40 tentados, uma média de 45.8%, Moçambique não esteve melhor neste capítulo em relação ao seu adversário que teve registo de 10 em 19 (média de 52.6% de aproveitamento).

O Zimbabwe foi mais forte na luta das tabelas com 42 ressaltos dos quais 29 defensivos e 13 ofensivos, contra 37 do nosso país sendo 26 defensivos e 11 ofensivos.

A selecção nacional marcou 20 pontos em situações de bolas perdidas, enquanto o Zimbabwe contabilizou 15. Outrossim, Moçambique fez melhor aproveitamento de situações de contra ataques com 9 pontos marcados contra dois do Zimbabwe. Nas segundas bolas houve equilíbrio: sete pontos concretizados por Moçambique e seis pelo Zimbabwe.

Cumprida, com sucesso, a missão em Bulawayo há que colocar já os pés bem assentes no chão. Euforia à parte! Porquanto, em Kigali, Ruanda, o nível competitivo e a qualidade dos adversários directos de Moçambique na luta pelos lugares que dão acesso ao torneio pré-olímpico (ndr: prova qualificativa para os Jogos olímpicos Paris 2024) serão completamente diferente do que a selecção nacional experimentou no torneio zonal.

Partindo na “poule position”, a super competente Nigéria, bicampeã africana, será decerto um osso duro de roer.

Argumentos: as “D’Tigress”- alcunha da selecção feminina da Nigéria- desfilaram nos Jogos Olímpicos Tóquio 2020.

Mais: a Nigéria domina o continente e ostenta o estatuto de tricampeã africana (conquistou a prova em 2017, em Bamako, Mali, 2019, em Dakar, Senegal, e 2021, em Yaoundé, Camarões).

Participara, para o desgosto dos moçambicanos, nos Jogos Olímpicos de Verão de 2004, na Grécia, após conquistar o Campeonato Africano disputado um ano antes em Maputo. Há ainda a assinalar a presença nos mundiais de basquetebol de 2018, em Tenerife, Espanha.

Actualmente na 16ª posição no ranking da FIBA, a Nigéria conta no seu galarim com cinco campeonatos africanos de basquetebol conquistados, designadamente em 2003 (derrotou na final Moçambique por 69-63), 2005 (ano em que organizou a prova e derrotou na final o Senegal por 64-57), 2017 (voltou a sediar a prova e bateu na final o Senegal por 65-48), 2019 (voltou a levar a melhor sobre o Senegal, desta feita com vitória por 60-55) e 2021 (ano em que venceu o Mali na final por 70-59). Quem são, afinal, as suas principais estrelas? Adaora Elonu, MVP do Afrobasket 2021, e Ezine Kalu, melhor jogadora da prova em 2019.

Quarto classificado do último “Afrobasket” com saldo de três vitórias e duas derrotas, o Senegal é seguramente um adversário a ter em conta na luta por vagas no pré-olímpico. Detentoras de mais números de títulos, num total de onze, as senegalesas já dominaram o panorama do basquetebol africano. O seu primeiro título foi em 1974, ano em que derrotaram na final a anfitriã Tunísia por 47-44. Seguiram-se três títulos consecutivos entre 1977, 1979 e 1981 antes de perder o trono para o ex-Zaire, uma potência na altura.

SENEGAL: ONZE VEZES CAMPEÃO AFRICANO

Mas o Senegal viria a recuperar o trono em 1984, tendo depois açambarcado o troféu em 1990, 1993, 1997, 2000, 2009 e 2015. Um dos pontos mais altos desta selecção feminina, o Senegal assegurou a presença no Mundial de Basquetebol feminino de 1975, 1979, 1990, 1998, 2002, 2006, 2010 e 2018.

Há ainda a registar a presença em duas edições dos Jogos Olímpicos: 2000 e 2016, tendo em ambas edições terminado na 12ª posição. No torneio pré-olímpico de 2019, Senegal ocupou a segunda posição. Lena Niang, a evoluir no Temple University dos EUA, Bitou Ndiemé, no Tenerife da Espanha, Fatou Ndeye, e Maimuna Diara, no Campus Promete da Espanha, e Yacine Diop, que esteve no cinco ideal do “Afrobasket” 2019, são as estrelas da companhia.

 

MALI: CAMPEÃO EM 2007

Campeão africano em 2007, ano que derrotou na final o rival Senegal por 63-57, o Mali entra igualmente nas contas das selecções africanas com potencial para chegar ao torneio pré-olímpico. Na prova, a então capitã  Hamchétou Maïga  foi indicada MVP, enquanto  Diéné Diawara  saiu com título de melhor ressaltadora.

Para além de terem conquistado o título nesse ano, as malianas já conquistaram a medalha de prata em 2009 e 2009. Em quatro ocasiões, Mali levou a medalha de bronze:  1968, 2011, 2017, 2019). No Mundial de basquetebol de 2022, prova na qual participou na condição de convidada após desistência da Nigéria, as malianas ocuparam o 11º lugar com cinco derrotas em igual número de jogos.

Em 2010, numa prova que decorreu na República Checa, o Mali quedou-se na 15ª posição no Mundial com um saldo de uma vitória e quatro derrotas.

Naquela que foi a sua única participação nos Jogos Olímpicos, em 2008, terminou no 12º lugar igualmente com cinco derrotas em igual número de partidas. O cesto average foi de 255 pontos marcados e 402 sofridos. Maimuna Haidara (Tenerife, Espanha), Sika Koné (Spar Gran Canaria, Espanha), Mariam Coulibaly (Landerneau Bretagne Basket, França) são alguns dos destaques das vice-campeãs africanas.

 

CAMARAÕES, 3º CLASSIFICADO DO “AFROBASKET” 2021

Uma das grandes surpresas do “Afrobasket” 2021, a selecção nacional de basquetebol dos Camarões terminou a prova na 3ª posição após vencer o Senegal por 53-49. Feitas as contas, este conjunto venceu quatro jogos e perdeu um, neste caso a contar para às meias-finais diante do Mali por apertados 52-51. Em termos de historial de participação no “Afrobasket”, os Camarões ocuparam o 3º lugar em 1983, 1984 e 2021. Conta-se ainda o 4º lugar em 1986 e 2013. Mas a sua melhor classificação foi sem sombra de dúvidas o segundo lugar alcançado em 2015, quando organizou a prova e perdeu na final com o Senegal de Aya Traoré por 81-66. Dulcy Fankam, que evolui no South Florida Bulls dos EUA, Hermine Guotué, a jogar no Toulouse Métropole Basket da França, e  Cendra Weledji que milita no CP Miralvalle da Espanha, são os destaques.

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