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O País – A verdade como notícia

O Executivo vai introduzir um sistema de transporte inteligente na região metropolitana do Grande Maputo. O projecto ainda está em estudo e não há datas previstas para a sua implementação.

Depois do sistema de bilhética electrónica, cuja implementação vai permitir o subsídio ao passageiro, o Governo tem, agora, mais uma iniciativa para, através da tecnologia, facilitar a mobilidade. 

Trata-se de um sistema de transporte inteligente, sendo que a sua aplicação estará a cargo da Agência Metropolitana de Maputo.

“Já há bilhética, é um passo. Agora, precisa de incorporar a parte da gestão do tráfego e integração de outros métodos de transporte. O que significa que uma pessoa, onde estiver, pode saber qual é o transporte que pode apanhar naquele momento, os horários, tudo isso, incluindo a informação relativa aos congestionamentos”, disse Armando Bembele, administrador da Agência Metropolitana de Maputo.                            

A Coreia do Sul é o parceiro de implementação da ideia e vai usar da sua experiência em cidades com características semelhantes às de Moçambique.

“Nós até visitámos uma cidade com características semelhantes à Cidade de Maputo e eles foram-nos mostrando o que conseguem fazer. E, com isso, até evitam problemas de roubos, porque há envolvimento de pessoas de todos os sectores, Polícia, bombeiro e cada um toma conta do que diz respeito à sua área”, destacou Bembele.

O chefe de delegação sul-coreana, Han Jun Yoo, garante que o projecto será implementado tendo em conta a realidade do país.

“Não podemos copiar todo o sistema da Coreia. Temos que procurar uma solução adequada para Moçambique. Primeiramente, nós vamos escolher que tipo de soluções e que tipo de políticas podemos adequar em Moçambique e, depois, vamos procurar uma metodologia para o país.”

Neste momento, a iniciativa está em fase de estudo.

 

 Para David Munongoro, o sistema de recrutamento vigente não prepara o militar para a guerra. O dirigente avança que muitos recrutas são filhos de militares que não estão dispostos a ver seus familiares a lutarem em Cabo Delgado.

É um assunto que já vem sendo debatido em voz baixa no seio da sociedade e das Forças de Defesa e Segurança. A existência de nepotismo na selecção de candidatos está a causar problemas no combate aos terroristas em Cabo Delgado.

“Temos que adoptar uma política de recrutar para fazer a guerra. O que acontece hoje é que recrutamos para que as pessoas tenham emprego. Recruto o meu filho porque não consigo educá-lo, mando-lhe para a tropa ou para a Polícia, mas, quando oiço que ele foi destacado para Cabo Delgado, faço de tudo para o tirar da lista. Imaginemos que todos nós fizéssemos isso, quem irá a Cabo Delgado? questionou David Munongoro, comandante do Comando de Reservistas das Forças Armadas de Defesa de Moçambique.

Munongoro, que já foi director da Polícia Judiciária Militar por 12 anos, lança maior responsabilidade ao Estado para a motivação das tropas.

“Tem que haver respeito e bom tratamento em relação ao militar. Haver qualidade de alimentação, qualidade no equipamento, boa remuneração. Quando falo da remuneração, não falo apenas do salário, mas também do seguro de vida. Em caso de morte, este deve ter a certeza de que a sua família será cuidada”, defendeu.

David Munongoro foi também vice-comandante do Instituto Superior de Estudos de Defesa Tenente-General Armando Emílio Guebuza.

 

LULUVA CONSIDERA CURRÍCULOS DE FORMAÇÃO MILITAR DESACTUALIZADOS

Os currículos das instituições de formação militar em Moçambique estão desactualizadas. O director dos Serviços Sociais das Forças Armadas, Samuel Luluva, diz que é precisa uma reforma urgente para melhor entender e combater o terrorismo.

“O desempenho das tropas no combate depende essencialmente das circunstâncias concretas no campo de batalha e de um conjunto de factores de natureza técnica e táctica. As acções dos terroristas desenrolam em cenários diferentes que não se encaixam com os currículos formais das nossas instituições de ensino militar hoje. Os currículos não são estáticos. Eles são actualizados em função do contexto actual”, disse.

Face a essa realidade, aconselhou que “precisamos de reorientar os currículos, em função dos desafios que se apresentam na actualidade. E o desafio que temos hoje é o terrorismo. Então, em função dos seus modus operandi, precisamos de garantir formação adequada aos nossos instruendos”, enfatizou Luluva.

O brigadeiro Abel Zicai, que foi chefe do Comando Conjunto em Macomia e viveu de perto o terrorismo, explicou os perigos da falta de actualização do ensino.

“Dou o exemplo de uma posição nossa que foi atacada em Macomia. Fomos para o local do ataque, encontrámos um soldado esquartejado e colocado numa panela. O soldado e o oficial viram aquela situação. O trabalho psicológico deve ser feito desde a base em Munguine. Os instruendos devem ser explicados sobre o comportamento dos terroristas. Esse processo deve ser contínuo e acompanhado pela educação cívico-patriótica. Esses são factos reais. Considero que não há adjectivos, em português, para descrever aqueles indivíduos. Eles fazem coisas irracionais”, lamentou.

Os intervenientes lamentaram, ainda, que o

Foi neutralizado, na província de Maputo, um dos suspeitos do sequestro da estudante da Universidade Católica de Moçambique (UCM), na cidade da Beira. O individuo, apresentado esta quarta-feira, pelo Serviço Nacional de Investigação Criminal, tem antecedentes criminais e já foi condenado por roubo em Sofala.

Cerca de três meses depois do rapto de uma jovem estudante da Universidade Católica de Moçambique nas proximidades da instituição, o Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) apresentou o primeiro suspeito de envolvimento no caso.

Segundo o porta-voz da instituição, em Sofala, Alfeu Sithoe, a detenção aconteceu, na semana finda, na província de Maputo, no cumprimento de um mandado de busca e captura emitido pelo tribunal Judicial de Sofala.

A autoridade disse haver fortes indícios de que se trata de um cadastrado criminoso e foragido da Polícia, que vem praticando crimes contra a liberdade das pessoas e contra a propriedade. Segundo Sithoe, o telefone do indiciado, ora detido, foi utilizado para o pedido de resgate da rapariga.

“É usuário de um número registado pelo mesmo documento que registou o número que pediu o resgate”, explicou Sithoe.

Contudo, o suspeito, que refuta as acusações, alega que o número foi dado pelo seu cunhado que também é indiciado de rapto pela Polícia.

O indiciado é também implicado de envolvimento em outro caso de rapto, cuja vítima foi um empresário, proprietário da Ferragem Chiveve. O SERNIC diz que “o detido vem sendo citado por Samir Ayoob, detido na Cadeia Central da como sendo um dos participantes desse caso”

O histórico criminal do suposto sequestrador, não termina por aí. Em 2020, foi julgado a revelia pelo crime de roubo agravado.

“Agora vai cumprir a pena pela qual foi condenado juntamente com seus comparsas. Também estamos a tramitar o expediente para aferir até que pontos assas acusações pesam sobre ele e só depois saberemos dizer o que vai acontecer”, disse Sithoe a finalizar.

Recorde-se que o sequestro deu-se na manha de 19 Maio, numa rua próxima a universidade. Na ocasião, quatro indivíduos indivíduos munidos de uma arma de fogo, arrastaram a rapariga para o interior de uma viatura na qual se faziam transportar escapuliram-se em alta velocidade.

O presidente do Conselho Municipal de Maputo diz que acolhe a preocupação dos munícipes que estão contra os valores estipulados para o Imposto Predial Autárquico (IPRA) e exigem esclarecimentos. Eneas Comiche explica que se estão a encontrar formas de prolongar o prazo de pagamento.

O Conselho Municipal de Maputo reagiu à preocupação da população relativa ao Imposto Predial Autárquico, tendo dito que está a refletir sobre o assunto, chamando, entretanto, os munícipes para a consciência do seu dever para com o Estado.

“Por via da comunicação social, o Conselho Municipal tomou conhecimento de que munícipes do Bairro Zimpeto, Distrito Municipal Kamubukwana, estavam preocupados com os valores que lhes estão a ser cobrados, relativos ao Imposto Predial Autárquico, por os considerarem altos para as suas capacidades”, expôs o edil de Maputo, Eneas Comiche, para depois avançar que “este assunto está a merecer a nossa reflexão, entretanto, gostaríamos de usar esta ocasião para referir alguns aspectos sobre o IPRA.

Comiche diz que é imperioso que as pessoas estejam cientes do seu dever de contribuir, através do pagamento de impostos, à luz da Lei 1/2008, e regulamentado pelos Decretos 63/2008 e 61/2010.

A Edilidade já está a trabalhar desde 2020 nos distritos municipais KaMavota (bairro Costa de Sol), KaMubukwana (bairros Magoanine B, Zimpeto e 25 de Junho) e KaTembe (bairros Chalí e Gwachene). Nesse processo, segundo o Presidente do Conselho Municipal, os agentes responsáveis informam o cálculo do IPRA.

“O imóvel deve ser registado no Cadastro Fiscal do Município a partir do momento em que se tenha tornado possível a normal utilização do prédio para os fins a que se destina. Os proprietários de qualquer título de imóveis urbanos que não se encontram registados no Cadastro Fiscal do Município, por falta de comunicação e declaração do munícipe, incorrem em multa igual ao dobro do IPRA”, explicou.

Reagindo à preocupação dos munícipes, Comiche diz que “O Conselho Municipal tem vindo a interagir com os munícipes, para caso-a-caso, avaliar a capacidade de pagamento dos tributos e, em função disso, acordar planos de pagamento além das duas prestações previstas por lei”.

A edilidade acrescentou, na ocasião, que “o Conselho Municipal não exige a apresentação de DUAT para o pagamento do IPRA, pois a existência de uma edificação não precária no terreno demonstra, de facto, a utilização e aproveitamento da terra”.

Eneas Comiche falava esta quarta-feira (24), durante a abertura da 17ª sessão ordinária da Assembleia Municipal.

O Instituto Nacional de Comunicações de Moçambique (INCM) diz que muitos dos praticantes de crimes cibernéticos estão localizados na zona da cadeia da Machava.

O que era especulação agora é confirmado pela autoridade reguladora das comunicações em Moçambique. Sobre a proveniência das mensagens de burla que circulam nas redes de telefonia móvel, o Instituto Nacional de Comunicações de Moçambique já tem uma resposta.

“Através de algumas plataformas de inteligência artificial, conseguimos constatar que os praticantes destes tipos de fraude estão localizados, principalmente, na zona da cadeia da Machava, em Maputo”, confirma Osvaldo Cossa, técnico de informática no INCM.

Cossa aponta o Estabelecimento Penitenciário Especial de Máxima Segurança da Machava, província de Maputo, como fonte principal das mensagens que fazem muitas pessoas caírem nas malhas dos criminosos. O assunto não é novo e reveste-se de várias formas.

Euclides Flávio, munícipe de Nampula, diz que nunca lhe aconteceu, mas conhece uma pessoa próxima, que lida com serviços de moeda electrónica numa das operadoras de telefonia móvel nacionais, que sofreu uma espécie de clonagem de dados, tendo sofrido um prejuízo financeiro considerável.

“Pelo que ela deu a entender, é alguém que já conhece a operacionalização daquilo. Ele já tinha os códigos daquele processo. Foi algo que acabou por lhe criar um desfalque de 26 mil Meticais”.

Os casos mais comuns têm a ver com mensagens de pedido de transferência de dinheiro que, por vezes, chegam de destinatários conhecidos, remetendo, todavia, a transferências para números de terceiros. Nesses casos, para quem sofre esse tipo de burlas, o processo de recuperação do valor perdido ficou mais fácil através da plataforma on-line (fraude-denuncias.pgr.gov.mz), que foi lançada em Fevereiro deste ano para atender a essas reclamações com celeridade.

“Fazendo a denúncia a partir da plataforma, temos a vantagem de já termos incorporadas todas as entidades: a Procuradoria-Geral da República, o SERNIC, os próprios operadores e os bancos. Então, quando alguém denuncia a partir da plataforma, no mesmo instante, a denúncia é visível para todas essas entidades em tempo real, diminuindo o tempo de tratamento da mesma”, assegura Osvaldo Cossa.

De Fevereiro para cá, mais de 2500 denúncias de fraudes dessa natureza foram atendidas na referida plataforma. Contudo o desafio neste sector vai para além da internet, num contexto de terrorismo, onde as telecomunicações são usadas também para fins criminais.

“Há aqui um chamamento para que haja uma solução integrada, porque envolve, não só o regulador; não só os ligados aos serviços de comunicações, mas também outros que são militares e paramilitares”, sublinha Isaías Muanambane, chefe do departamento de Cooperação internacional no INCM.

O Instituto Nacional de Comunicações de Moçambique garante que, em Outubro, poderá entrar em operação a nova empresa provedora de serviços de internet a satélite, licenciada para o efeito.

Manuel de Araújo, edil de Quelimane, inaugurou, esta terça-feira, uma das principais avenidas da cidade. A via, orçada em pouco mais de dois milhões de Meticais, recebeu o nome de Bonifácio Gruveta, em homenagem ao herói nacional.

A Avenida Marginal de Quelimane – que percorre a orla marítima da cidade e tem cerca de 2,5 quilómetros – foi inaugurada, esta terça-feira, por Manuel de Araujo e passa a ostentar o nome do herói nacional Bonifácio Gruveta Massamba.

O evento contou com munícipes e familiares do homenageado. Na ocasião, Manuel de Araújo explicou o porquê da atribuição do nome. Tendo dito que Gruveta Massamba é uma figura que transcende a mono-partidarização, na medida que lutou pela libertação e independência do povo moçambicano.

De Araújo diz que Gruveta lutou para o bem-estar dos zambezianos na maneira de ser e estar, mas fundamentalmente na identidade cultural. Aliás, diz que o herói nacional sempre se preocupou com o bem-estar do povo moçambicano e da Zambézia, em particular.

De Araújo recordou, aquando da passagem pela Assembleia da República, o quanto Gruveta Massamba, enquanto deputado, procurava aglutinar, independentemente da filiação político-partidária, todos os Zambezianos para pensarem pela província que os viu nascer. Para Manuel de Araújo, Gruveta Massamba era aquele que lutava pelo bem-estar do seu povo, daí a homenagem.

“O general Gruveta Massamba foi o primeiro governador da província da Zambézia no período pós-independência. Este facto ninguém lhe pode retirar, ele foi o primeiro governador da nossa província”, disse Manuel de Araújo.

O filho mais velho de Bonifácio Gruveta Massamba, representando a família, mostrou-se visivelmente emocionado com a homenagem feita ao seu pai. Edmundo Massamba diz que o gesto imortaliza o percurso de um homem que lutou pela pátria, no geral, e província, em particular.

“Nós, os filhos, primos e família, no geral, estamos muito satisfeitos com esta decisão do conselho municipal de Quelimane. Atribuir o nome do meu pai a esta avenida mostra, sem dúvida, o quanto ele soube ser filho desta pátria. Gruveta Massamba é alguém que lutou para o bem de todos nós, sendo, por isso, uma homenagem merecida”, disse Edmundo Gruveta Massamba, filho mais velho do general.

Várias individualidades que estiveram em Quelimane, para participar na festa da cidade, elogiaram a homenagem feita pelo município ao herói nacional.

O prognóstico do Instituto Nacional de Meteorologia (INAM) aponta para tempo fresco a frio, com temperaturas máximas  a variarem de 20 a 29 graus, e possibilidade de queda de chuvas no Centro e Norte do país.

As cidades de Nampula, Pemba e Lichinga, na região Norte do país, poderão registar céu pouco nublado, neblinas ou nevoeiros, chuvas fracas e vento a soprar de  sueste a leste fraco a moderado.

Assim, para Nampula, Pemba e Lichinga, prevêem-se máximas de 28, 29 e 20 e mínimas de 17, 20 e 10 graus, respectivamente.

Para as cidades da zona Centro do país – Chimoio, Beira, Tete e Quelimane –, a previsão meteorológica aponta que poderão, igualmente, registar céu pouco nublado a  localmente nublado, neblinas ou nevoeiros e vento de  sueste a leste fraco a moderado.

Em graus Celsius, Chimoio, Beira, Tete e Quelimane apontam para máximas de 24, 26, 29 e 28 e mínimas de 10, 15, 19 e 16, respectivamente.

Já para as cidades de Maputo, Xai-Xai, Inhambane e Vilankulo, na zona Sul do país, o prognóstico aponta para a ocorrência de céu geralmente pouco nublado, possibilidade de chuviscos e vento a soprar de sueste a nordeste fraco a moderado.

Para as quatro urbes, Maputo, Xai-Xai, Inhambane e Vilankulo, as máximas previstas são de 27, 25, 26 e 25 e mínimas de 13, 11, 17 e 13  graus Celsius, respectivamente.

Mais de três mil milhões de Meticais é o dinheiro que a Electricidade de Moçambique (EDM) diz ter perdido nos primeiros seis meses deste ano devido ao roubo de energia. O valor das perdas é correspondente a quase 17 mil clientes que usaram a energia sem pagar no primeiro semestre. Não obstante, a prática continua e a EDM diz que está a apertar o cerco para evitar mais prejuízos. Nas próximas linhas, “O País” fala de esquemas de roubo de energia e os riscos associados.

Conhecem a técnica e sabem muito bem como implementá-la. Quase nunca falha. Chamam-lhe “gato” porque significa colocar no contador de energia dois fios à semelhança das barbas de um gato. Este é o animal usado para que muitas famílias na Cidade e Província de Maputo consumam a energia da rede pública a custo zero.

Entretanto, não basta saber como aplicar a técnica. É preciso conhecer muito bem em que horas do dia “o gato” pode entrar em acção para que ele (o “gato”) não seja caçado pelos técnicos da Electricidade de Moçambique e seja morto.

Os inimigos do “gato” são homens vestidos de uniforme cor de laranja. São eles que o caçam de todas as formas para evitar que a empresa pública some avultados prejuízos, em dinheiro.

COMO ISTO FUNCIONA?

Fomos ao bairro Chamanculo “D”, na Cidade de Maputo. As casas são de chapa e zinco encostadas umas às outras. Elas têm energia da rede pública, mas fazem o seu uso sem pagar. Aliás, algumas pagam pouco.

Zacarias Rafael, nome fictício, é chefe de um agregado familiar com seis membros. É guarda de profissão. Diz que o custo da vida lhe é pesado. Não consegue comprar energia todos os dias. Recorre à técnica do “gato” para suprir a falta de energia.

“Não consigo comprar energia todos os dias porque é cara. Só recebo cinco mil Meticais. Sou a única pessoa que trabalha aqui, em casa. Fazendo as contas, gastaria mais de dois mil Meticais só de energia. A solução é mesmo fazer alguns desvios. Estou ciente de que isto não é correcto, mas o que fazer? É a vida”, contou Zacarias Rafael, sem receios.

De acordo com Zacarias, não basta apenas roubar. Deve conhecer muito bem a técnica. Por exemplo, “uma vez que nós usamos os quadros antigos, abrimos o dispositivo e encaixamos lá dois fios, um preto e outro vermelho. Depois de fazer isso, o quadro desfaz o quilowatts que lá existem. Pára de contar e, automaticamente, o consumo de energia é de borla”, explicou a nossa fonte.  

O nosso entrevistado não é electricista. Explica como aprendeu a usar tal técnica. “Há um vizinho aqui, na zona (Chamanculo D) que fez o curso de Electricidade. Foi ele quem nos ensinou a roubar energia. Para ter tal conhecimento, tivemos que pagar dois mil Meticais, uma prestação única. Ele tem ajudado muita gente aqui, no bairro.”

Esta é a técnica usada pela grande maioria dos moradores do bairro. Não basta usar. Tem que saber em que momento usar, tal como explica, em anonimato, o jovem de 25 anos de idade, também morador do bairro.

“Por exemplo, nós sabemos que os técnicos da EDM podem aparecer no intervalo das 08h às 15h30. Então, o que nós fazemos é montar o sistema a partir das 15h30 e desmontamos às 07h30 do dia seguinte. Não há risco de sermos apanhados. Quando eles aparecem, vêem tudo conforme”, esclareceu a nossa fonte.

O QUE DIZEM AS AUTORIDADES?

Conversamos com Zeferino Chioco, vereador do distrito municipal de KaLhamanculu. Não tem dados concretos do número de casas em que há roubo de energia, mas confirma que tal acontece.

“Dizer que não se rouba energia neste bairro, estaria a mentir. Há roubo, sim. Não é contabilizar ou indicar tais casas. Nós, como estrutura, só nos limitamo-nos a explicar quais são os riscos de roubar energia”, disse Zeferino Chioco, vereador do distrito municipal de KaLhamanculu.

Chioco não precisa de ir longe para achar o exemplo do que pode ser uma consequência do roubo de energia. Em Agosto do ano passado, “tivemos um incêndio que queimou 22 casas neste bairro. Na altura, suspeitou-se que o curto-circuito fosse a causa do incidente. Eu tenho, quase certeza, que tal resultou do roubo de energia. Alguma coisa não correu bem e 22 famílias ficaram sem tecto”.

Para que o episódio não se repita, o vereador do distrito municipal de KaLhamanculu faz um apelo à Electricidade de Moçambique: “Pedimos que a empresa pública reforce a fiscalização. Os que roubam energia conhecem muito bem os horários dos técnicos. Na minha opinião, os fiscalizadores deviam circular, mas de forma indisfarçada. Isto significa que eles deviam vestir uma roupa que não seja uniforme e esconder crachás. Só assim, poderão achar infractores e puni-los”.

A equipa do “O País” escalou, igualmente, os bairros de Maxaquene, Mafalala e Inhagoia, ainda na Cidade de Maputo, onde muitas famílias também usam energia da rede pública sem pagar.

Na Matola, o problema replica-se, mas a técnica é outra… O bairro da Liberdade, cidade da Matola, foi a nossa porta de entrada. Conversámos com John – foi assim que a nossa fonte quis identificar-se. Aliás, é assim que é conhecido no quarteirão 15. É destemido. Abertamente, explicou-nos como é que se rouba energia naquela zona.

“Meu irmão, é muito fácil roubar energia. Eu que tenho car wash, achas que vou comprar energia todos os dias? Nem pensar”, introduziu a conversa para, de seguida, dar uma “aula” de como roubar energia.

“Primeiro, tens que ter dois fios”, começou por explicar. “Coloca os dois fios no poste eléctrico. Dali, os mesmos (fios) devem passar pelo caixa (um pequeno quadro), levá-los até ao quadro e, depois, para a tomada. Tens de fazer tudo isso com os disjuntores arreados para não haver risco de explosão. A partir daí, o contador pára de contar”, detalhou John, morador do bairro da Liberdade, cidade da Matola.

Segundo o entrevistado, esta é uma prática que tende a ser normal no bairro: “se alguém te disser que não está a roubar, estaria a mentir para ti. Todo o mundo aqui rouba energia. Onde é que vais apanhar dinheiro para comprar todos os dias? Eu, por exemplo, tenho um car wash e há dias em que não tenho clientes. Como é que vou pagar energia nos tais dias? Não tem como”.

Da Liberdade, fomos até Boquisso, ainda na cidade da Matola. A técnica e as justificações para o roubo de energia são as mesmas. Por aqui, nunca houve uma situação de incidente.

“Ainda não tivemos curto-circuito, muito menos incêndio. Talvez seja por isso que as pessoas continuam a roubar energia. Não é bom. Nós sabemos. Aliás, quando anoitece, a energia é muito fraca e o Posto de Transformação de Energia (PT) já se desligou várias vezes”, revelou Maria dos Anjos, residente do bairro Boquisso.   

De acordo com Maria dos Anjos, as estruturas do bairro já sensibilizaram os moradores a não fazerem tais coisas, mas “foi tudo em vão. As pessoas continuam a roubar energia. Há dois meses, uma família foi surpreendida a roubar energia. Cortaram-lhe a corrente e devem pagar muito dinheiro de multa. Entretanto, nem com isso aprendemos”. 

QUAIS SÃO OS RISCOS DO ROUBO DE ENERGIA?

O engenheiro eléctrico, Domingos Salvador, já ouviu falar das várias técnicas de roubo de energia, mas é com base no conhecimento científico que explica os riscos. Antes, há que compreender o personagem que consome a energia da rede pública sem pagar.

“É preciso olhar para as pessoas que roubam a energia. Se for um técnico da Electricidade de Moçambique, a sanção é mais pesada. Ele pode ser preso, julgado e condenado. E mais, deverá pagar uma multa pelo que fez, porque é alguém que conhece ou devia conhecer a legislação. Agora, se for um cliente, poderá ficar sem energia e pagar multas”, apontou Domingos Salvador, engenheiro eléctrico.  

Indo mais ao detalhe das consequências do roubo de energia, Domingos Salvador explica: “o roubo de energia nas residências pode resultar em curto-circuito, incêndio e sobrecarrega o Posto de Transformação (PT). É por isso que assistimos a explosões. É muita sobrecarga. Outro sinal evidente do roubo de energia é o enfraquecimento da corrente que chega às nossas residências”.

O especialista acrescenta que os cabos que fazem chegar a corrente às casas podem pegar fogo. “Nós temos visto postes pegarem fogo. O roubo de energia é que causa aquilo. Há uma outra coisa que chamamos de ‘juntas nos feios’. Aquilo, também, pode queimar e é muito perigoso que isso aconteça”, detalhou o engenheiro.

MAIS DE TRÊS MIL MILHÕES DE METICAIS DE PREJUÍZOS PARA EDM

Em entrevista exclusiva ao jornal “O País”, a chefe do Departamento Comercial da EDM descreveu como preocupante a situação do roubo de energia.

“Só para o primeiro semestre deste ano, estamos a falar de uma média de 16 555 clientes com irregularidades e este número não é pequeno. Isso tem consequências nas nossas receitas. Estamos a falar, só para os primeiros seis meses de 2022, de 52,2 milhões de dólares, o que corresponde a 3,3 mil milhões de Meticais”, revelou Marcelina Sambo, chefe do Departamento Comercial da EDM.

O Departamento Comercial da EDM alerta que não são apenas as residências que têm o mau hábito de roubar energia. Destaque maior, “estabelecimentos grandes em número de 100. Não ficam de fora pequenas bancas, mas estas não são difíceis de contabilizar porque são muitas e estamos a aplicar uma tarifa geral”.

Diariamente, a EDM detecta mais de 50 casos de uso clandestino de energia e há províncias que lideram o roubo de energia. “As províncias com mais casos são a Cidade e Província de Maputo, Tete e Cabo Delgado”, enumerou Marcelina Sambo. 

Para travar o fenómeno, a empresa pública diz que tem feito inspecções e, aliado a isso, “estamos a colocar, a nível do país, contadores inteligentes que são smart meters. Isto vai inibir a tendência de roubos, porque nós pomos os contadores no poste. É diferente do sistema que nós temos agregado às residências. Isso facilita o cometimento de irregularidades. Não que não o façam lá de outro lado, mas temos um mecanismo  de controlo. Para roubar, tem que ser alguém com muita mestria para subir ao poste e fazer uma ligação clandestina”.   

O uso de energia sem pagar, segundo Marcelina Sambo, transcende os prejuízos somados pela EDM. “Poderíamos fazer mais para os outros. Podíamos ligar para mais clientes, mas temos que nos reinventar para aquilo que era um propósito futuro para acomodar esta situação que tinha sido dada como ultrapassada. Temos que desembolsar mais fundos para o mesmo segmento de clientes que já estava a desfrutar deste serviço”, concluiu.

Deve haver boa relação entre as Forças Armadas e a população em Cabo Delgado, para facilitar a identificação dos terroristas. Este posicionamento foi defendido esta terça-feira, pelo director de Educação Cívico-patriótica no Estado-Maior General, após a Conferencia Científica de Defesa e Segurança.

As Forças Armadas de Defesa de Moçambique buscam, a todo custo, eliminar os terroristas no seio das populações, que procuram camuflar-se.

O Brigadeiro Abel David explicou que esta acção é resultados da pressão que as FADM e outras que actuam no teatro operacional Norte, estão a imprimir contra os terroristas, porém há um trabalho de base que está sendo feito para identificar os infiltrados, no seu das populações, mas isso passa por haver confiança entre as populações e os militares.

“A relação entre as partes sempre se revelou boa, porque não podia ser de outra maneira, pois seria impossível combater o terrorismo”.

Entretanto, David avança que apesar destes progressos há desafios.

“O grande desafio é difundir a informação por forma a impedir que os terroristas ganham o coração das populações, através de mentiras, aliciamentos. O grande trabalho é de fazer as populações acreditarem que as informações que difundem são falsas e pretendem apenas atrasar e destruir as suas vidas”.

Para isso, segundo o Director de Educação Cívica, mostra-se necessário o reforço da formação académica, para melhorar a relação militar-população e manter as forças actualizadas em relação aos desafios actuais do país.

“A tarefa de formação vem desde a Luta Armada, é por isso que hoje temos várias escolas de formação militar, para cumprir esta missão. Nós precisamos de formar, treinar, organizar e preparar o homem para podermos triunfar”, disse.

Abel David, Director de Educação Cívica no Estado-maior general, falava esta terça-feira, após a realização do segundo dia da Conferência Científica de Defesa e Segurança, que decorre desde esta segunda-feira, onde são debatidos vários temas ligados às necessidades militares, desafios, perpectivas e partilha de informações relevantes sobre a operação norte, no combate ao terrorismo.

Prevê-se que a conferência aconteça até 26 de Agosto e visa, essencialmente reflectir sobre a situação de Defesa e Segurança do país, em geral, com maior enfoque ao terrorismo em Cabo Delgado.

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