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O País – A verdade como notícia

Foram suspensas cerca de 24 escolas de condução que formam condutores para o serviço público e carga perigosa. O Instituto Nacional de Transporte Rodoviário suspeita que os referidos estabelecimentos operam sem alvarás, violando, assim, a lei.

Após uma ronda feita em algumas escolas de condução, o Instituto Nacional de Transportes Rodoviários (INATRO) constatou diversas irregularidades no processo de ensino das subcategorias de serviço público e carga perigosa.

Por isso, numa nota a que o jornal “O País” teve acesso, o INATRO determina “a suspensão, com efeitos imediatos, do ensino da subcategoria de carga perigosa ‘D’ em escolas de condução não devidamente autorizadas para o efeito, ou seja, subcategorias que não constam do alvará e sem pessoal técnico (Instrutores) habilitado para ministrar aquela subcategoria”.

A suspensão abrange 24 escolas a nível nacional.

Este é o culminar de um trabalho de fiscalização e de renovação dos alvarás nas escolas realizado pelo INATRO. Para voltarem a leccionar o serviço público e carga perigosa, as escolas deverão apresentar alvarás.

Importa referir que já se vai algum tempo desde que a autoridade reguladora garantiu que as escolas de condução passariam a efectuar a captação de dados biométricos dos candidatos, medida que, segundo a instituição, vai concorrer para a diminuição das enchentes nos serviços, até aqui centralizados à sede e às delegações provinciais.

Uma criança perdeu a vida, supostamente, vítima de uma bala perdida em uma escolinha, na Cidade de Maputo. Até o momento, é desconhecida a proveniência da mesma.

Segundo conta o guarda do centro infantil, localizado no bairro da urbanização, na Cidade de Maputo, o caso deu-se por volta das nove horas da última terça-feira, quando uma suposta bala perfurou o tecto do estabelecimento e atingiu mortalmente uma menor, que frequentava o quarto ano.

“É estranho o que aconteceu. De repente uma bala furou a chapa de zinco da escolinha e afectou aquela criança que se encontrava com as educadoras”, relatou Salomão Chipanga, guarda da escolinha.

A direção da instituição não quis falar sobre o assunto.

Amedrontada, Maria Cossa, que é moradora no quarteirão 3, há mais de vinte anos, contou que não ouviu disparos mas aguarda por algum esclarecimento.

A moradora lamentou a situação. “A minha vizinha informou-me isso, ontem, mas na verdade é muito triste e sinto muito pela família. Era uma criança inocente”, disse Maria.

A chefe do quarteirão confirmou a ocorrência e disse ao “O País”, que aquele foi o primeiro caso do género que aconteceu naquela zona.

“Ontem, às 14 horas, a Polícia veio ao meu encontro e informou-me que houve um problema na zona. Foi quando depois, o dono da escolinha disse que uma criança foi baleada na cabeça e foi levada ao hospital. Depois mostrou-nos um buraco na chapa, onde a bala perfurou, mas não sabemos de onde veio”, disse.

O Serviço Nacional de Investigação Criminal teve conhecimento da ocorrência e prometeu pronunciar-se sobre o assunto nesta quinta-feira.

Cerca de sete milhões de crianças, com menos de cinco anos, serão vacinadas contra a poliomielite, em todo o país, de 07 a 10 de Julho corrente. Para o processo, foram investidos sete milhões de dólares.

O Ministério da Saúde lançou, ontem, a terceira ronda de vacinação contra a poliomielite, que vai decorrer de sete a 10 de Julho corrente.

A poliomielite é uma doença infecciosa causada pelo poliovírus, que pode atingir a corrente sanguínea e, nalguns casos, afectar o sistema nervoso central, causando paralisia dos membros, alterações motoras e levar à morte.

Falando no lançamento da campanha, o ministro da Saúde, Armindo Tiago, fez saber que serão vacinadas cerca de sete milhões de crianças menores de cinco anos.

“A realização desta campanha à escala nacional visa garantir que todas as crianças do nosso país estejam imunizadas, na sequência da detecção, em Tete, do mais recente caso de poliovírus selvagem, e ao anterior descoberto no vizinho Malawi”, revelou Armindo Tiago, tendo explicado que “o registo da forma selvagem do poliovírus constitui uma preocupação, e é, por si só, uma emergência de saúde pública que exige uma resposta coordenada entre diferentes países”.

A campanha de vacinação contra a pólio vai decorrer porta-a-porta, nas creches, nos mercados e em locais com aglomerados populacionais. Para o alcance das metas, foram preparados 65 mil técnicos de saúde, distribuídos pelo país, entre os quais vacinadores, mobilizadores, registadores, supervisores, coordenadores, digitadores de dados, logísticos, monitores independentes e motoristas.

“Temos o dever de incrementar a campanha com sucesso, pelo que gostaríamos de salientar uma grande mobilização para que a população aceite, sem reservas, receber as nossas equipas em suas casas, ou que se dirija à unidade sanitária mais próxima para tomar a vacina”, apelou o ministro da Saúde.

Para a terceira ronda de vacinação contra a poliomielite, foram disponibilizados cerca de sete milhões de dólares, pelo Governo e seus parceiros de cooperação.

Só na Cidade de Maputo, serão vacinadas mais de 231 mil crianças. “É muito importante que todas as mães, pais e cuidadores entendam a sua responsabilidade e deixem as crianças tomarem a vacina onde quer que se encontrem”, referiu Vicente Joaquim, secretário de Estado na Cidade de Maputo.

De 2021 até ao primeiro semestre deste ano, foram detectados sete casos de poliomielite não selvagem nas províncias de Nampula, Cabo Delgado e Manica. O mais recente caso de poliomielite aguda foi detectado a 14 de Maio, na província de Tete.

É um drama vivido todos os dias pelos deslocados do terrorismo em Cabo Delgado. Há relatos de falta de água potável no centro de reassentamento de deslocados de Maningane, em Chiúre, na província de Cabo Delgado.

O abastecimento do precioso líquido é feito através de cinco furos que não conseguem satisfazer as necessidades das populações ali afectas. Aliás, com a entrada a cada dia de famílias que fogem dos ataques e procuram abrigos seguros, tende naturalmente a aumentar a procura por água e alimentos.

Nos últimos dias, houve relatos da chegada ao centro de reassentamento de Maningane de populações residentes em aldeias de Ancuabe. O distrito de Ancuabe acolhe o maior número de deslocados dos ataques insurgentes depois de Metuge, em Cabo Delgado.

Falando em representação dos residentes do centro, Délcio Castro manifestou a sua preocupação com a falta de água, tendo apelado às autoridades para que criassem condições para abertura de novos furos.

Délcio de Castro fez estes apelos durante a entrega de kits de produção agrícola. O Centro de Reassentamento de Maningane acolhe cerca de dezasseis mil e quinhentas famílias oriundas dos distritos de Mocímboa da Praia, Macomia, Muidumbe, Quissanga, Palma, Meluco e Ibo.
Regra geral, queixam-se e falam de morosidade e insuficiência da assistência humanitária.

Ano passado, a Assembleia da República manifestou a sua preocupação com o drama em que vivem os deslocados nos centros de reassentamento abertos em Cabo Delgado, onde milhares de famílias estão a sofrer devido à fraca capacidade do Governo em prestar assistência humanitária desejada.

A preocupação foi levantada pela Comissão do Plano e Orçamento, numa das sessões de Outubro, depois da visita efectuada a dois distritos da província que acolhem os sobreviventes dos ataques terroristas.

Comida, roupa, habitação, água potável, cuidados de saúde e educação são as necessidades básicas dos sobreviventes dos ataques terroristas, que vivem nas zonas consideradas seguras, na província de Cabo Delgado.

A previsão do estado do tempo para esta quarta-feira indica que se poderá  registar queda  de chuvas fracas na zona norte do país, temperatura fria a fresca e céu nublado.

Hoje, as temperaturas máximas poderão variar de 20 a 29 graus Celsius.

Maputo, Xai-Xai, Inhambane e Vilanculo, na zona sul do país, poderão registar temperatura máxima de 29, 27,27 e 26 e mínima de 15, 14,17 e 14 graus, respectivamente.

Para as cidades da Beira, Chimoio, Tete e Queimante prevêem-se máximas de 24,22, 29 e 26  e mínimas de 16, 11, 18 e 17 graus Celsius, respectivamente.

As cidades da Nampula, Pemba  e Lichinga poderão registar máximas de 26, 28 e 20 e mínimas de 17, 19 e 7  graus, respectivamente.

Mais de 400 alunos perderam aulas na Escola Secundária de Lhanguene, devido à paralisação dos transportes, segunda-feira, na capital do país. Nesta terça-feira, o jornal “O País” visitou três estabelecimentos escolares cujas actividades voltaram à normalidade.

Devido à paralisação dos transportes na capital do país, muitos alunos e professores não se fizeram às escolas, o caso da Secundária de Lhanguene.

“São muitos estudantes que não conseguiram chegar até à escola, incluindo professores e outros funcionários”, explica Anabela Penicela, directora da Escola Secundária de Lhanguene.

Por seu turno, o director-adjunto da Escola Armando Guebuza lamenta o facto de a paralisação dos transportes ter ocorrido em período de avaliações.

“Parece coincidência ou não, mas a paralisação das actividades dos transportadores ocorreu numa de semana de realização das avaliações sistemáticas (AS)”, considera Daniel Sousa, director-adjunto da Escola Secundária Armando Guebuza.

Na Escola Primária Unidade 13, ainda na Cidade de Maputo, houve ausência significativa de professores, principalmente no segundo e terceiro turnos daquela instituição de ensino.

“É uma média 50% dos professores que não apareceram no segundo turno por causa da falta de transporte e no último turno só estiveram presentes dois professores, que vivem nos arredores da escola”, detalhou Enisseta Come, directora da Escola Primária Unidade 13.

Come explica ainda que, pela ausência de professores, a escola teve de parar e “tivemos de mandar as crianças para casa, porque não estávamos em condições de ter aulas”.

A direcção da Escola Primária Unidade 13 lamenta o facto de a distribuição dos professores a nível das escolas não obedecer à localização das suas residências, facto que compromete as actividades em situações de paralisação de transportes.

Os transportadores semi-colectivos dizem que não estão a favor do subsídio ao passageiro, medida anunciada, segunda-feira, pelo Governo, para evitar a paralisação de actividades. Os operadores entendem que o aumento do preço do “chapa” é a única saída para fazer face ao agravamento do custo dos combustíveis.

Após um dia de paralisação, os transportadores semi-colectivos de passageiros retomaram, timidamente, hoje, as actividades, na Cidade e Província de Maputo.

No terminal rodoviário do Zimpeto, por exemplo, apesar das filas longas que caracterizavam as primeiras horas do dia, havia transportadores que preferiram circular com as viaturas vazias, fazendo com que os passageiros aguardassem por transporte por várias horas, tal como Flora Macamo.

“Estou aqui à espera desde 05h. Há carros que estão a carregar, mas nem tanto. Pelo menos está melhor que ontem”, relatou a passageira.

A retoma das actividades acontece após o Ministério dos Transportes e Comunicações (MTC) ter anunciado, na segunda-feira, que vai subsidiar os passageiros carenciados, para aliviar os impactos da subida do preço dos combustíveis.

Apesar do regresso dos transportadores, Nasmudine Omar, secretário da Cooperativa dos Transportadores, explica que ainda há insatisfação: “Nós queremos uma solução única e definitiva, que consiste em dar ao transportador aquilo que é seu. Que se aumente o preço do ‘chapa’. Quando analisada a compensação que será dada, percebe-se que não sairemos beneficiados”.

António Siure, transportador, fala de altos custos operacionais: “Deviam ter pensado em nós também, porque não saímos beneficiados em nenhum aspecto. As peças dos carros estão muito caras; para combustível as contas também não saem e não ganhamos quase nada com este negócio”.

Se para os transportadores o aumento do preço do “chapa” é uma solução, os passageiros temem ver os seus bolsos cada vez mais apertados: “Tem que se buscar qualquer outra saída, porque o custo de vida está bastante sufocante”, referiu Julião Viriato.

O Ministério dos Transportes e Comunicações e a Federação dos Transportadores Rodoviários avançaram, segunda-feira, que não haverá agravamento do preço de “chapa” na região do Grande Maputo.

Na capital do país, há cerca de 400 viaturas de transporte semi-colectivo de passageiros não licenciados. O sistema de bilhética electrónica, introduzido pelo Governo há dois anos, não funciona plenamente nos autocarros públicos, e alguns cidadãos desconhecem a utilidade do cartão Famba.

É um imperativo licenciar os transportadores urbanos de passageiros para aceder, primeiro, à compensação e, depois, ao subsídio e é indispensável o funcionamento pleno da bilhética electrónica, pois só os passageiros que estiverem dentro da bilhética electrónica é que vão beneficiar-se do subsídio que ainda será definido pelo Governo e pelos transportadores.

Para já, o sistema não funciona em certos autocarros e em outros falha, como relatam os transportadores Luís Maculuve e Arlindo Guambe. “Nem as manutenções de rotina são feitas às próprias máquinas. Por vezes, pode funcionar um da frente e o de trás não; outras vezes, os dois podem não funcionar. No meu caso, por exemplo, houve certa vez em que só estava a funcionar o de frente e o de trás não, reportei, disseram-me que iam resolver, mas, até hoje, nada fizeram”, disse Maculuve, cujas palavras foram secundadas por outro transportador: “Já montaram as máquinas, mas algumas já têm problemas, não estão a funcionar”.

A bilhética electrónica será instalada também nos transportes semi-colectivos de passageiros, porém os operadores não sabem como o sistema electrónico funciona. Alcídio Mucavele, que faz o transporte de passageiros na rota Museu-Xipamanine, disse ao jornal “O País” que ainda não teve nenhuma informação: “Não sabemos como e onde é que se monta, nem nada sobre o cartão Famba”.

Cidadãos entrevistados pelo “O País” disseram também não saber nada sobre o “Famba”. Os pontos de levantamento e recarregamento dos cartões, instalados na Cidade de Maputo, estão todos encerrados.

Celeste Moisés, cobradora de um transporte público, diz que poucas pessoas usam o sistema: “Algumas pessoas usavam o cartão Famba, mas, de um tempo para cá, já não usam, porque não mais funciona nos nossos próprios autocarros”.

Há cerca de 1190 viaturas de transporte público de passageiros registadas pelo Município de Maputo, entretanto algumas das quais operam ilegalmente. José Nichols, vereador de Mobilidade e Trânsito, explica que é indispensável o licenciamento para continuar a operar.

“O universo que temos, na Município de Maputo, são cerca de 1190 viaturas, o que significa que há entre 300 e 400 carros não licenciados. Ainda há tempo para o licenciamento de todos os autocarros”, convidou Nichols.

A Agência Metropolitana de Transporte de Maputo tem a responsabilidade de operacionalizar o subsídio ao passageiro e, segundo Armando Bembele, administrador técnico, a instituição estuda, neste momento, todos os aspectos para a atribuição do subsídio.

Um funcionário afecto à vereação de Administração e Finanças, no Conselho Autárquico de Chimoio, é suspeito de ter roubado um cofre da edilidade, que continha pouco mais de 600 mil Meticais, valor resultante de cobrança de receitas municipais.

Segundo João Ferreira, edil de Chimoio, o caso deu-se há dias, quando o referido funcionário, por meio de arrombamento de uma das janelas, se introduziu no compartimento em que estava o cofre.

Já no interior, segundo imagens registadas pela câmara de vigilância, primeiro efectuou exercícios físicos para ter energia suficiente para carregar o pesado cofre de cerca de 130 quilogramas.

“Apesar de que a pessoa estava mascarada, podem-se ver alguns traços que levam a crer que se trata de um funcionário”, disse Ferreira, que afirma que “o caso já foi encaminhado às autoridades  e aguardamos pelo desfecho”.

Ferreira disse, ainda, que o dinheiro roubado pelo suposto funcionário faz muita falta à edilidade, até porque estão a ser executadas várias obras em que o valor podia ser aplicado ou seriam pagas outras despesas, como o salário.

Depois do roubo, o funcionário suspeito não mais se fez ao seu posto de trabalho e as autoridades que administram a justiça estão no seu encalço.

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