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O País – A verdade como notícia

Os transportadores semi-colectivos de passageiros, vulgo “chapa”, que operam nas rotas urbanas da cidade da Beira, paralisaram, desde as primeiras horas da manhã de hoje, as actividades, para reivindicar a entrada em vigor da tarifa aprovada há um mês.

A paralisação de transporte desta segunda-feira acontece 40 dias depois de uma outra. A primeira, de um dia, visava forçar as autoridades municipais a aprovarem uma nova tarifa, cuja proposta dos transportadores era um aumento de cinco Meticais em cada 10 quilómetros.

A 16 de Junho passado, a Assembleia Municipal da Beira aprovou a proposta dos transportadores, porém ainda não entrou em vigor, o que levou os transportadores a voltarem a paralisar as suas actividades.

“Estamos desde 2018 sem aumentar as tarifas, apesar da subida constante dos preços dos combustíveis e dos custos de manutenção. Há cerca de um mês, a Assembleia Municipal da Beira aprovou a nossa proposta depois de muita pressão. Passam quase trinta dias e não há nenhuma preocupação por parte da edilidade em pôr as novas taxas em vigor. Decidimos paralisar as actividades para pressionar o Município [da Beira] a tomar uma decisão que possa aliviar o nosso sufoco. Será que o edil e o Ministério dos Transportes e Comunicações não têm noção dos prejuízos que temos estado a acumular?”, perguntou, indignado, um dos transportadores.

A greve dos transportadores semi-colectivos de passageiros obrigou os munícipes a percorrerem a pé longas distâncias e outros a apinharem-se nos transportes municipais da Beira, ou ainda a recorrerem a carros de caixa aberta e táxis-motas para chegarem aos seus destinos e, por isso, tiveram de pagar muito acima dos valores estipulados.

“Pessoalmente, acho que os transportadores têm razão, apesar de esta paralisação criar enormes embaraços a nós, na qualidade de utentes. Os custos de combustíveis têm estado a subir mensalmente e os preços dos ‘chapas’ na Beira estão estagnados há cerca de quatro anos. Está na hora de as autoridades tomarem acções concretas, para que não sejam os únicos a arcarem com os elevados custos de vida, sob risco de não termos ‘chapas’ a operarem aqui, na Beira. Veja que, agora, estou a percorrer a pé cerca de sete quilómetros e corro o risco de fazer o mesmo no fim da minha jornada. Os táxis-motas aproveitaram-se da paralisação para aumentarem os preços. Por favor, resolvam a situação”, pediu Isabel Simango.

A Associação dos Transportadores da Beira (ATABE), através do seu presidente, Américo Massicuane, alega deficiente comunicação entre a sua agremiação e a edilidade como causa da paralisação.

“O presidente do Município [da Beira] disse-nos que enviara o dossier do aumento da tarifa aprovada pela Assembleia Municipal para o Ministério dos Transporte e Comunicações e o da Administração Estatal, para ser homologada, mas diz não ter tido, até hoje, nenhuma reacção, facto que impede a edilidade de autorizar a entrada em vigor da nova tarifa. Não sei se se trata de uma manobra dilatória, pois, em nenhum momento, o presidente da ATAB nos informou sobre o que está a acontecer, pelo que os associados decidiram paralisar as actividades, como forma de pressionar a edilidade a dar-lhes aval para aplicar a nova tarifa”, afirmou Massicuane.

Américo Massicuane garantiu que a paralisação vai continuar até quarta-feira, dia em que está agendado um encontro entre os transportadores, Município da Beira e o Ministério dos Transportes e Comunicações.

A edilidade garantiu que vai pronunciar-se sobre este assunto esta terça-feira.

A Polícia da República de Moçambique reforçou a sua presença em todas as principais paragens na cidade da Beira, com vista a garantir a ordem e segurança públicas, tendo em conta que, em paralisações anteriores, houve situações de violência protagonizada por alguns motoristas e cobradores contra todos aqueles que transportavam os passageiros, mesmo usando as suas viaturas particulares.

A província de Inhambane registou, em seis meses deste ano, nove casos de crianças com paralisia flácida aguda, suspeitas de terem contraído poliomielite.

Segundo Sónia Mahesso, directora do Serviço Provincial de Saúde em Inhambane, a suspeita parte dos sinais e sintomas que as crianças apresentaram: febres, um cenário que evolui rapidamente para a perda de força muscular, a chamada paralisia flácida aguda, que pode comprometer apenas um dos membros, mas havendo casos em que todos os membros da criança ficam comprometidos.

Até sábado, o sector de saúde em Inhambane tinha vacinado contra a poliomielite 196 mil crianças, de um total de 320 mil.

Além de imunizar, as equipas tinham, ainda, a missão de identificar novos casos com sinais da doença e, depois, fazer um levantamento para o diagnóstico e o acompanhamento das crianças.

A doença já tinha sido considerada erradicada no país.

A subida dos preços dos combustíveis já está a ter impacto na produção agrícola. Os produtores tiveram um acréscimo de mais 25% do valor inicial para poderem cobrir os custos de produção, mas o preço da venda continua o mesmo. Os agricultores pedem intervenção do Governo para tirar o sector da agricultura do sufoco.

Os preços dos combustíveis estão insuportáveis para quase todos os sectores de actividade. Todos já se queixaram. O que se pensava é que o sector da agricultura estava longe das queixas, mas não é bem assim. Os produtores agrícolas engrossam as estatísticas das vítimas da subida dos preços dos combustíveis.

Parece difícil de acreditar, mas é verdade. Nós vamos mostrar, nesta reportagem, como é que um problema “que é das cidades” afecta os campos agrícolas. Fomos até Boane e encontrámos produtores que explicam como os combustíveis estão a impactar na sua actividade.

“Para trazer água do rio até ao campo agrícola, tenho de usar duas motobombas. Uso a máquina para tirar a água do rio até ao tanque. Do tanque, meto outro motor para abastecer o sistema de irrigação gota-a-gota”, explicou Ana Maria Damião, produtora do distrito de Boane, Província de Maputo.

São operações que exigem gasolina que, de Janeiro a Julho, sofreu um agravamento de 17,93 Meticais, saindo de 69,04 para os actuais 86,97 Meticais – uma subida que tem impacto nos custos de produção agrícola.

“Por dia, eu gastava 3500 Meticais, porque tenho motobombas, tenho máquinas pulverizadoras e uso combustível. Agora, tenho que gastar acima de cinco mil por dia, sem contar com as manutenções que faço com alguma regularidade”, expôs Ana Damião.

Não é apenas o agravamento dos preços dos combustíveis que asfixia os produtores. Os fertilizantes são uma outra dor de cabeça. “Não conseguimos comprar adubo na Omnia, onde comprávamos, mas não tem e a explicação que nos dão é a guerra russo-ucraniana, que, segundo dizem, fez com que as fábricas não mais produzissem. Grande parte dos fertilizantes são provenientes desses países”, queixou-se Avelina Sumbana, também produtora no distrito de Boane, Província de Maputo.

Os fertilizantes já são escassos no mercado, e os poucos que existem custam caro. “Antes, o adubo composto estava mil Meticais, mas, agora, compramos a 4500 Meticais e, por vezes, seis mil”, revelou a produtora.

Tudo subiu, menos o preço pelo qual vendem os seus produtos para os revendedores. O mercado é que dita a tendência dos preços. “Estamos, neste momento, a vender a 700 Meticais a caixa de tomate da primeira [qualidade] e não está a ser possível vender menos que isso. Mesmo a este preço, não é rentável. Se fosse a mil Meticais, ajudaria”, sugeriu Avelina Sumbana.

As duas produtoras mantêm a actividade, explorando metade da extensão de terra, ou seja, 12 do total de 24 hectares de que dispõem para produzir tomate, repolho, pimento, entre várias outras culturas.

“Não seríamos nós a termos de pedir apoio. As coisas subiram e o Governo tinha que saber que precisamos de ajuda. Nós, da agricultura, é que somos a mãe da Nação”, desabafou Ana Maria Damião, sustentada pela sua companheira que sugere que se instale corrente eléctrica, pois “permitiria que usássemos as electrobombas no lugar das motobombas que gastam muito combustível”.

Mesmo sob todos os condicionalismos, este campo agrícola abastece, duas vezes por semana, o Mercado Grossista do Zimpeto com 800 caixas de tomate. A nível local, despacha, diariamente, 400 quilos de repolho para o distrito de Boane, nas cidades de Maputo e Matola, além de 40 caixas de tomate e pepino.

Os custos de produção agrícola vão muito além dos preços de insumos, combustíveis e fertilizantes. Cultivar campos agrícolas com recurso a tractor ficou mais caro. Os que usam tractores cobram 1500 Meticais por hora contra os anteriores 1200 Meticais.

Neste caso, o ditado que diz que “o tempo é dinheiro” ganha mais significado, e o tempo para lavrar campos agrícolas ficou mais caro devido à subida do preço dos combustíveis.

“Uma vez que, para lavrar a minha área, foram necessárias três horas, pagarei 3600 Meticais. Esse dinheiro não é pouco, porque esta não é a primeira operação. Faltam mais duas operações, que são a gradagem e a sulcagem. Depois disso, devo colocar pessoas a organizarem os sulcos. Antes da subida do preço dos combustíveis, altura em que cobravam 700 Meticais por hora, pelas três horas, pagava 2100 Meticais”, referiu Daniel Silva, produtor do distrito de Boane.

No campo agrícola de cerca de nove hectares, Daniel Silva e Julieta cultivam, essencialmente, o feijão-verde e o manteiga, mas, quando chega a vez de levar os produtos para o mercado, não há meios para escoamento, e as vias de acesso dificultam mais. Por isso, depois da colheita, “combinamos com alguém para entregar os produtos, e isso implica alugar uma viatura, o que torna a produção mais cara, porque levo os produtos até ao comprador”.

Uma vez que faltam meios para o escoamento dos produtos, os campos agrícolas que se encontram mais para o interior são os últimos a vender, o que faz com que acumulem prejuízos.

“Não somos iguais aos produtores que estão próximos das estradas, porque, quando chega a época da colheita, são os primeiros a vender. Nós, muitas vezes, somos os últimos, e os compradores só vêm para cá quando não conseguem adquirir os produtos lá. Os compradores, quando chegam aqui, devem responsabilizar-se pelo transporte, pelo que contactam alguém que carrega os produtos até à vila”, esclareceu Daniel Silva.

Para o caso dos custos que têm a ver com a subida dos preços dos combustíveis, os produtores sentem que a corrente eléctrica faria toda a diferença.

“Nós fazemos escala. Alteramos na compra do combustível. Para poder fazer parte do grupo, a pessoa deve tirar cinco litros, que custam, agora, cerca de 400 Meticais. Eu rego a minha machamba três a quatro vezes por mês e, fazendo as contas, esse dinheiro é muito, mas os que possuem electrobombas tiram, por mês, apenas 250 Meticais”, apontou Julieta Cavel, citando o exemplo dos que gastam menos porque usam a electrobomba.

A produção do feijão dura, em média, 90 dias, e o campo agrícola está na fase de colheita. O destino do produto é o Mercado Grossista do Zimpeto, que, três vezes por semana, recebe 150 quilos de feijão seco e fresco, custando 45 e 200 Meticais por quilo, respectivamente.

Colocando a mão na máquina, as duas primeiras produtoras que cultivam uma área de 12 hectares gastam, diariamente, 60 litros de gasóleo para pôr a funcionar oito motobombas, o que requer 5278 Meticais, sendo que, antes da subida do preço dos combustíveis, gastavam 4738 Meticais.

Já as sete máquinas de pulverizar de que estas produtoras dispõem despendem, por dia, 10 litros de gasolina, o que corresponde a 870 Meticais, um aumento de cerca de 40 Meticais, comparativamente ao período anterior ao agravamento dos preços.

E é a mesma subida dos combustíveis que encareceu o uso do tractor nos campos agrícolas. Por exemplo, a lavoura que antes custava 1200 passou para 1500 Meticais por hora.

Três horas são o tempo necessário para lavrar um hectare e, para os 12 hectares, o processo dura 36 horas que, multiplicando com 1500 Meticais, tudo perfaz 54 mil, mas, ao preço anterior, o processo custaria 43,200 Meticais.

Depois da lavoura, segue-se a dragagem que custa o mesmo preço, mas dura menos tempo. São duas horas por hectare e, considerando os 12 hectares, as produtoras devem ter 36 mil Meticais.

Por fim, faz-se a sulcagem, um processo que dura o mesmo tempo que a lavoura, e, para os 12 hectares, são gastos 54 mil Meticais.

Os três procedimentos – lavoura, dragagem e sulcagem – são feitos depois de cada colheita. No último, e não menos importante, os gastos devem-se ao transporte que, no caso das duas produtoras, gastam 20 litros de gasóleo, por dia, o que significa um gasto de, pelo menos, 1760 Meticais.

Tudo isto se reflecte na baixa quantidade e qualidade da produção agrícola nacional. Fomos ao Mercado Grossista do Zimpeto e quase não há tomate nacional. Há uma explicação para isso: “Há vários factores, como os combustíveis, os insumos, as sementes, a mão-de-obra e o clima. É tudo isto que faz com que os agricultores tenham dificuldades em tirar uma produção exaustiva para poder abastecer o mercado”, justificou Hermenegildo Rui, presidente da Associação dos Importadores de Produtos Frescos.

E todos esses factores são multiplicados por zero, quando chega a vez de marcar o preço. Até porque “o que dita o preço é o mercado. Quando há pouco produto, o preço sobe e, quando há muito produto, o preço baixa”.

Neste momento, é a África do Sul que abastece o mercado e que dita as regras do jogo, ou melhor, do preço.

“De reconhecer que o nosso produto tem qualidade em relação ao importado. Falta apenas produzir em grandes quantidades e obedecer-se a uma cadeia de valor. Quem produz, que se concentre só na produção. Quem transporte que se foque na sua actividade e o mesmo deve acontecer com quem vende”, propôs o presidente da Associação dos Importadores de Produtos Frescos.

Mas os importadores têm outra justificação para optarem pelo tomate sul-africano e não pelo nacional: “Os agricultores nacionais nunca nos deram tomate. Não aceitam. Preferem produzir e serem eles próprios a vender”, afirmou uma das importadoras do Mercado Grossista do Zimpeto, na condição de anonimato.

Em meio a “lufa-lufa” do Grossista, encontrámos Afimo Ismail, que é um exemplo de quem produz e prefere ir vender no Mercado Grossista do Zimpeto a revender para os retalhistas. Manter o negócio não tem sido fácil, porque os custos de produção são elevadíssimos.

“Nós apostamos na agricultura nacional. Eu não me importo. Tudo está caro e, agora, é salve-se quem puder. Nós desenrascamos”, lamentou Afimo Ismail, produtor e revendedor.

Por dia, leva ao Grossista do Zimpeto cerca de 320 caixas e, apesar de acabar todas, não se pode falar de lucros. É melhor não falar mesmo porque “ainda vou ter um ataque cardíaco, pois não sai nada. Só lutamos para manter”.

No que diz respeito à escassez de fertilizantes e consequente subida dos preços, a culpa é do conflito russo-ucraniano.

Aliás, quando eclodiu a guerra, o Governo alertou para a escassez de trigo e fertilizantes. Por conseguinte, isto poderia conduzir a preços mais elevados para estes produtos e para os seus derivados.

O Gabinete Central de Combate a Corrupção está a investigar o caso de desvio de fundos alocados para mitigar os impactos da COVID-19 no país.

Depois do alerta dado pelo Tribunal Administrativo, o Ministério da Economia e Finanças veio, por sua vez, admitir irregularidades sobre a gestão dos fundos da COVID-19 nos processos de contratação de empreitadas, contratos não submetidos à fiscalização prévia, despesas não elegíveis ao financiamento e pagamentos indevidos.

O Gabinete Central de Combate a Corrupção esta a investigar o assunto partindo das conclusões que o Tribunal Administrativo solicitou ao Ministério da Economia e Finanças, no qual é constatado o uso indevido de dois mil milhões de meticais, dos cerca de 20 mil milhões alocados para o apoio em tempos da pandemia.

As irregulares nas adjudicações directas indevidas, desvio de aplicação e pagamentos indevidos abrem espaço para um processo a nível do Gabinete Central de Combate a Corrupção, cujos resultados dependerão do curso das investigações, que já estão a decorrer.

“Entretanto, a nível da província de Nampula foram insaturados dois processos relacionados a compra de material de higienização e outros em diligências relativa à compra de máscaras, mas que no acto da sua distribuição aos beneficiários, constatou-se que foram adquiridas em montante inferior ao declarado, ou seja, subfacturação”, lê-se no documento.

Hélder Muianga, director do Instituto  Agrário de Boane, diz que melhorou a alimentação dos seus alunos, uma semana depois de os formandos terem denunciado irregularidades nas refeições. Entretanto, a instituição diz não ter fundos para atender completamente às exigências dos estudantes.

O jornal “O País” exibiu, na última semana, uma reportagem que dava conta da má qualidade das refeições oferecidas aos estudantes do Instituto Agrário de Boane. Na ocasião, os formandos mencionaram a não alternância das refeições constituídas por feijão e “chima”, bem como o consumo de água não tratada.

Hoje, a direcção do instituto, que recusou, semana passada, pronunciar-se sobre o assunto, abriu as portas da despensa e mostrou os produtos alimentares adquiridos, bem como o depósito de água potável já em condições higiénicas.

Hélder Muianga, director do Instituto Agrário de Boane, diz que os estudantes têm três refeições diárias e a dieta está melhorada e garante que a nutrição ainda vai melhorar.

“A alimentação que nós temos, nestas duas semanas e meia, varia em farinha, arroz, feijão manteiga, feijão bóer, que produzimos aqui, nos nossos campos. A própria farinha que consumimos é de produção local. Temos amendoim, folhas de mandioqueira, peixe, batata-doce, mandioca e, dentro de alguns meses, a dieta ainda vai melhorar, quando começarmos a produção própria nos nossos campos de cultivo.”

O Governo canaliza para o Instituto Agrário de Boane cerca de um milhão e novecentos mil Meticais, dos quais seiscentos mil para as despesas de alimentação. Porém esse dinheiro já acabou.

Para suprir as necessidades, recorre-se às receitas internas, provenientes do pagamento da taxa de internamento e matrículas. Este ano, foram colectados dois milhões de Meticais.

“Através de fundos resultantes das receitas que produzimos internamente, vamos, a partir de agora, adquirir produtos que não produzimos e juntá-los aos que temos. Acreditamos que, com o orçamento próprio e com a produção escolar, temos, sim, capacidade de minimizar alguns problemas.”
O Instituto Agrário de Boane está instalado numa área de 50 hectares. Metade desta área destina-se à produção agrícola, que contribui em 80% nos produtos alimentares consumidos pelos formandos.

A Organização dos Trabalhadores de Moçambique, Central Sindical (OTM-CS), diz que a promessa de compensação aos transportadores e subsídio aos passageiros é uma forma de “entreter a população” e o projecto Famba “não tem pés para andar”.

A OTM-CS pronuncia-se contra a medida anunciada pelo Governo, em resposta à paralisação dos transportes ocorrida segunda-feira última, em Maputo, numa altura em que o custo de vida no país se encontra elevado e os preços dos combustíveis e de outros produtos não param de subir.

A exigência dos representantes dos trabalhadores, na voz de secretário-geral da organização, Alexandre Munguambe, é que o Governo arranje soluções urgentes, com medidas claras e eficazes para controlar os preços de bens e serviços básicos “no lugar de entreter a população com promessas de lhes distribuir dinheiro ou criar projectos sem pés para andar – o caso do projecto “FAMBA”, da Agência Metropolitana de Transportes de Maputo”, contestou Munguambe.

A Organização dos Trabalhadores de Moçambique quer, ainda, a redução do Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA) nos produtos de primeira necessidade, combustíveis e outros serviços básicos, até porque o salário mínimo actual está muito longe de cobrir os reais custos da cesta básica.

Só o salário mínimo mais baixo é o de 4591 Meticais, e o mais alto é o de 14 340 Meticais, valores que, segundo Munguambe, não cobrem nem 50% do custo do cabaz, que, neste momento, está avaliado em cerca de 8401 Meticais – para apenas uma pessoa.

“Para uma família padrão de cinco membros, o valor do cabaz ronda, hoje, a quase 40 000 Meticais”, sublinhou.

A priorização dos dependentes dos antigos combatentes no acesso ao emprego na função pública foi também motivo de repúdio, pois, segundo entende a fonte, o nível de desemprego no país é “muito elevado” e todos os cidadãos são iguais perante a lei, pelo que o Governo não pode promover actos que dividam a sociedade.

As portagens em estradas sem condições de transitabilidade, as irregularidades no transporte público de passageiros foram também mencionados como aspectos que põem mais deplorável a condição dos trabalhadores no país. Por estes e outros motivos, a organização pondera fazer uma greve ou manifestação pública.

“O Movimento Sindical reserva-se no direito de mobilizar uma manifestação ou greve a escala nacional, como forma de mostrar o seu repúdio ao elevado custo de vida, caso se verifique, na prática, que nada está a ser feito por quem de direito para tirar os trabalhadores, famílias e toda a população do sufoco a que estão submetidos”, destacou o chefe da OTM.

O secretário-geral da organização disse, ainda, que o estado deve assumir a sua função social e estancar o que chamou de anarquia, que se verifica no comércio nacional.

 

O Aeroporto Internacional de Nacala já tem condições para receber voos nocturnos desde o dia 16 de Junho último. A informação foi tornada pública esta sexta-feira pela empresa Aeroportos de Moçambique, através de uma nota de imprensa.

O anúncio surge na sequência do cancelamento de voos nocturnos, desde o ano passado, devido à vandalização do material eléctrico usado para a sinalização de pistas.

Além de criar restrições na circulação de voos nocturnos, a situação condicionava a aterragem e descolagem de voos em situações de mau tempo.

O Aeroporto Internacional de Nacala não é o único que tem sido vandalizado; o de Nampula também tem sofrido vandalização de transformadores, tendo criado prejuízos na ordem de cinco milhões de Meticais, no ano passado. Os aeroportos de Quelimane, Nampula e Tete também sofrem devido ao roubo da rede de vedação e lâmpadas das luzes de pista.

O secretário de Estado da província de Cabo Delgado, António Supeia, visitou, ontem, a aldeia de Nanduli, no distrito de Ancuabe, alvo de ataques terroristas há sensivelmente um mês.

No local, António Supeia testemunhou os rastos de destruição deixados pelos insurgentes, que não só provocaram vítimas mortais como também saquearam bens da população e incendiaram algumas residências.

O dirigente interagiu com a população local que está aterrorizada com a acção dos malfeitores, tendo recebido a informação de que o INCAJU do Instituto nacional de Amêndoa em Cabo Delgado está paralisado.

Como consequência, mais de duzentas mil e quinhentas mudas de cajueiro podem perder-se. É neste sentido que a população apelou ao Governo provincial para uma intervenção que possa evitar o pior cenário traçado.

O ataque a Ancuabe, confirmado pelo presidente da República, Filipe Nyusi, gerou pânico e deslocados que saíram em debandada em busca de refúgio em locais seguros. Aliás, muitas pessoas fugiram para a cidade de Pemba depois de passarem a noite nas matas.

O distrito de Ancuabe, que faz fronteira com a capital Pemba, acolhe o maior número de refugiados dos ataques insurgentes depois de Metuge.

O governador de Cabo Delgado, Valige Tauabo, dispensou, na última quarta-feira, seis viaturas da sua comitiva para transportar dezenas de deslocados que fugiram de ataques terroristas em Ancuabe e que viviam ao relento ou nas bermas da estrada, em Metoro, a Sul do distrito.

Segundo a “Voz da América”, 760 famílias chegaram a Pemba, capital da província, até ontem, provenientes da aldeia Nanduli, fustigada no último domingo, pelo ataque de Ancuabe, o décimo distrito a ser afectado directamente pela  insurgência em Cabo Delgado.

O governante, que escalou o distrito três dias depois do primeiro ataque a Ancuabe, que provocou quatro mortos, encorajou a população das aldeias não atingidas a regressarem às suas origens, como forma de não agravar a crise humanitária já vivida em Cabo Delgado.

Depois da bacia de retenção de águas da chuva, a edilidade vê a construção de valas como solução para os residentes do Maxaquene “C”, ciclicamente afectados pelas inundações.

A bacia de retenção de águas pluviais foi inaugurada a 09 de Julho de 2020 com o objectivo de aliviar as águas que se acumulavam na rua da Malhangalene, no bairro Maxaquene C, na Cidade de Maputo. A meta não foi, porém, alcançada. A cada época chuvosa, a bacia transborda, deixando ruas e casas alagadas, afectando mais de 300 famílias.

Para o Conselho Municipal da Cidade de Maputo, houve uma percepção errada de que a bacia seria a resolução do problema, mas a ideia era, na verdade, mitigá-lo.

“A situação de Maxaquene não pode ter piorado, há um volume de água que estava na estrada, mas, agora, está numa bacia, só por isso não pode ter piorado. As pessoas estavam com uma expectativa de que aquela bacia iria resolver o problema, não, ela vai minimizar. Aquela ‘ chama-se ‘bacia de infiltração’, serve para que a água que está na estrada concorra para ela e, aos poucos, seja absorvida pelo solo”, disse Saturino Chembeze, director das Infra-estruturas Urbanas no Conselho Municipal da Cidade de Maputo.

Desta vez, através do Plano de Saneamento Ambiental, a edilidade diz que espera ver ultrapassada a questão. “Prevê-se a construção de valas e sistemas de drenagem, que vão totalizar, aproximadamente, 14 km e infra-estruturas de drenagem. Teremos, ainda no âmbito do mesmo projecto, cerca de 8 Km de estradas pavimentadas, novas habitações.”

O projecto será financiado pelo Governo da Itália e está orçado em cerca de 60 milhões de euros, o equivalente a cerca de 3,8 mil milhões de Meticais.

“O projecto-executivo está concluído. Estamos esperançados que, até ao fim do ano, seja possível termos o contrato com o empreiteiro. Vamos ter novos arruamentos, melhoramento de sistemas de iluminação pública e sistema de recolha de lixo”, detalhou Chembeze.

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