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O País – A verdade como notícia

A Polícia é acusada de colaborar com criminosos no bairro Chingussura, na cidade da Beira. A denúncia vem da população que pede a substituição dos agentes afectos à 8ª esquadra da corporação.

“Quer que as coisas corram bem? Tirem todos os agentes da Polícia da oitava esquadra, não estão a trabalhar e são colaboradores dos ladrões”, denunciou Anacleto Felisberto, residente do bairro Chingussura, que diz estar a colaborar com agentes da Polícia para acabar com a crescente onda de crimes naquela região, no entanto sem sucesso.

“Foi no domingo passado, às 12 horas, quando liguei para o comandante e disse-me que devia trazer os homens que queriam roubar, mas é possível? Eu pedi uma ajuda e a Polícia disse que eu é que devia trazer, este tipo de comandante merece estar aqui? ”, questionou, indignado, Felisberto.

Anabela Rogério, que também é residente do bairro, não compreende como os criminosos passam despercebidos aos olhos da Polícia.

“Mas a Polícia também vive na comunidade, não consegue ver esses jovens que fumam soruma, que violam as mulheres?”, indagou Rogério.

Face às denúncias da população, o comandante provincial da Polícia da República de Moçambique, em Sofala, prometeu uma investigação para apurar a verdade.

“Assegurar-vos que tudo quanto disseram, as questões que foram aqui apresentadas, que têm a ver com o desempenho da Polícia, nós tomamos nota e vamos resolver. Vamos identificar os que eventualmente criam desconforto na população no desenvolvimento das suas funções”, garantiu o comandante provincial da Polícia da República de Moçambique em Sofala, Joaquim Sive.

Sive falava à margem da sua visita àquele bairro da cidade da Beira, província de Sofala, onde interagiu com a comunidade e pediu colaboração no combate ao crime.

A Associação Moçambicana para as Vítimas de Insegurança Rodoviária (AMVIRO) não concorda com a sentença do caso “tragédia de Maluana” e diz que se perdeu uma grande oportunidade para reprimir má conduta na via pública. O presidente da AMVIRO sugere uma revisão à lei.

Estas declarações surgem depois de, na última sexta-feira (12), a juíza do Tribunal Judicial do distrito de Manhiça, Mariza Saiente, ter lido a sentença, em que ilibou Lino Faife, motorista do autocarro de transporte de carga, envolvido no trágico acidente de 3 de Julho de 2021, por não se ter encontrado elementos de culpa e condenado o motorista do autocarro de transporte de passageiros da transportadora Nhancale, Carlos Mugaduia.

A AMVIRO diz que esta sentença reflecte a falta de comprometimento com a vida. As vítimas, tanto a nível de condenação dos envolvidos, bem como nas compensações, saem prejudicadas, pois não está claro o período para cada fase.

“Nós não podemos construir uma sociedade impunemente a nível rodoviário, porque isto será grave para todos nós, como já está a ser. Hoje, são as vítimas de Maluana, mas ontem foram de Mavandza, depois de Nampula, Quissico”, defendeu Alexandre Nhamposse.

O presidente da AMVIRO diz que só uma revisão ao Código de Estrada poderá criar condições e dar mais balizas aos juízes na actuação em caso de acidentes que tenham resultado de negligência.

“Moçambique deve rever a legislação que se conforma com os crimes rodoviários, como fez há pouco com o crime dos raptos, em que houve mexidas em vários instrumentos e houve mão dura”, declarou.

Nhamposse diz que, com legislação mais dura, será possível garantir que “pessoas que matem várias pessoas, por negligência, não possam voltar ao volante em menos de cinco anos” e ainda sancionar mais severamente as transportadoras que contratem motoristas não devidamente credenciados.

Por seu turno, a Ordem dos Advogados de Moçambique, que foi assistente de 27 vítimas, concorda que o tribunal poderia ter sido mais exemplar, entretanto defende o respeito pela lei.

“Podia ter sido uma sentença didáctica, exemplar e podíamos ir ao extremo naquilo que são os ditames da lei, para educar os outros condutores, mas é preciso perceber que o tribunal é soberano e os juízes têm os critérios para a afixação das molduras penais e para a fixação das compensações cíveis, tendo em conta os parâmetros que a lei impõe”, explicou o advogado Nilton Manjate, em representação da OAM.

Apesar disto, a OAM chama atenção à sociedade para olhar para o papel da lei, ou seja, não só punir, como também corrigir comportamentos desviantes e, acima de tudo, pensar na pessoa que cometeu o crime: Apesar disto, a OAM chama atenção à sociedade para olhar para o papel da lei, ou seja, não só punir, como também corrigir comportamentos desviantes: “o motorista do autocarro da Nhancale ficou detido pouco mais de um ano. Ninguém pensa nele, nos seus medos, nem mesmo se o período pelo qual passou detido terá servido para chamar a sua razão e responsabilidade”.

Seis pessoas morreram este domingo vítimas de um acidente ferroviário que envolveu uma locomotiva da mineradora Vulcan e um carro que tentava atravessar a linha férrea do Corredor Logístico de Nacala, no distrito de Moatize, província de Tete.

A informação foi confirmada ao “O País” pelo administrador do distrito de Moatize, Eugénio Muchanga.

“Os danos foram graves, tanto no carro do sinistrado quanto no comboio. O carro foi atingido por um comboio, na passagem de nível, na povoação de Cateme e todos que se encontravam no interior morreram. Estamos neste momento a trabalhar com os bombeiros para aferir o número exacto de mortos”, disse o administrador, apontado que o descuido do motorista, poderá ter sido a causa do acidente, que para além de mortos, causou danos materiais avultados.

O sinistro ocorreu na passagem de nível de Cateme, quando o ligeiro de marca Toyota-Hilux D4D, que transportava seis pessoas, não conseguiu imobilizar-se e acabou por embater na composição que a arrastou por mais de um quilómetro.

“É verdade que a passagem de nível não tem guarda, mas está devidamente sinalizada. O motorista não tomou as devidas precauções para passar numa linha férrea. O caro foi arrastado em cerca de 100 metros e todos que os estavam no caro morreram”, explicou Muchanga.

Para evitar sinistros futuros, o administrador pondera trabalhar em parceria com a empresa Vulcan de modo a alocar um guarda à passagem de nível.

“A povoação de Cateme está em crescimento, vamos trabalhar com a empresa Vulcan, porque achamos que uma das soluções será montar uma passagem de nível com guarda”, concluiu.

 

Um transporte semi-colectivo de passageiros, com capacidade para 15 lugares, foi surpreendido com 37 passageiros a bordo. O caso deu-se este sábado e o “chapa” estava a circular no interior do distrito da Manhiça, Província de Maputo, e faria um trajecto de quase 30 quilómetros.

Era uma viagem que podia correr normalmente, se a Polícia de Trânsito (PT) não tivesse mandado parar o mini-bus que fazia a ligação 3 de Fevereiro–Ilha Josina Machel, no interior do distrito da Manhiça.

A agente da PT surpreendeu-se com o número de passageiros que iam a bordo e a mesma encarregou-se de sensibilizar os passageiros e lembrou-os do recente acidente na Manhiça; “Lembram-se que houve um acidente no cruzamento de Xinavane, por que vocês aceitam?”

O motorista foi sancionado, segundo avançou Rodrigues Tchabana, porta-voz da Polícia de Trânsito na Província de Maputo.

“Ele, como condutor, está com problema da carta de condução, não tem carta compatível para exercer aquela actividade; deve ter a carta de condução com a categoria de serviços públicos; não tem essa categoria e, por essa razão, foi actuado por falta da categoria e por superlotação”, disse Rodrigues Tchabana.

A sociedade é chamada a denunciar este tipo de prática: “Queremos apelar a toda sociedade para que denuncie este tipo de actos nos transportes semi-colectivos de passageiros”, concluiu Tchabana.

Foram, hoje, a enterrar os restos mortais do antigo ministro da Justiça, Abdurremane de Almeida. O ex-governante perdeu a vida em Maputo, vítima de doença.

Abdurremane Lino de Almeida, antigo ministro da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos, perdeu a vida, esta sexta-feira, em Maputo, vítima de doença.

Lino de Almeida foi eleito vice-ministro da Função Pública em 2007, cargo a que foi reconduzido em 2010. Em 2012, fez parte da delegação do Governo, no diálogo com a Renamo. Já em 2015, foi nomeado ministro da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos, cargo do qual foi exonerado em 2017.

Os seus restos mortais foram enterrados este sábado. O seu desaparecimento físico é uma perda irreparável para a família.

“Ele era uma biblioteca viva na família. Dava sempre directrizes aos demais e era bastante conselheiro. Amparava a família naquilo que pudesse”, disse Abdul de Almeida, em representação à família.

Para os seus amigos e colegas, foi-se uma vida, mas os ensinamentos de Abdurremane permanecem para sempre.

“É um momento chocante para todos nós, pois ele foi um quadro do Ministério da Justiça e um grande líder para nós; ensinou-nos muito”, referiu Domingos Matola.

O Provedor de Justiça enaltece o contributo de Abdurremane na administração pública.

“Creio que o seu percurso militar e na administração pública nos mostra alguém dedicado à causa da construção do país. É por isso, também, um exemplo de homem”, disse Isaque Chande.

Abdurremane Lino de Almeida deixa uma viúva, seis filhos e quatro netos.

Os passeios que estão a ser construídos na Cidade de Maputo ignoram o acesso de pessoas com deficiência física. A denúncia é do Fórum das Associações daquele grupo social. O Município desmente e diz que todos os direitos estão a ser observados.

Constroem-se passeios para melhorar a imagem da urbe, mas ignora-se “a questão da acessibilidade”. A “Cidade de Maputo, sendo a capital do país, enferma de grandes lacunas”, disse Farida Gulamo, representante do Fórum das Associações Moçambicanas de Pessoas com Deficiência (FAMOD).

Os passeios em construção são de difícil acesso para pessoas com deficiência, pelo que a FAMOD exige a colocação de rampas.

“Nós, como organização, estamos a trabalhar com o Município para se corrigirem as anomalias que existem, tendo em conta que a Cidade de Maputo está a ser estruturada através dos projectos que tem com o Banco Mundial”, acrescentou Farida Gulamo.

O Conselho Municipal de Maputo garante que as obras estão a ter em conta a questão da inclusão.

“Se for reparar nos pontos em que está a ser requalificada a estrada, poderá ver que município tem acautelado a questão de acessibilidade para pessoas com deficiência”, disse o director-municipal de Infra-Estruturas Urbanas.

Segundo a representante do Fórum das Associações Moçambicanas de Pessoas com Deficiência, alguns edifícios de instituições públicas também não têm rampas e nem estacionamento próprio para aquelas pessoas.

O Primeiro-ministro, Adriano Maleiane defende que os jovens devem envolver-se em trabalhos que contribuam para o desenvolvimento do país. As declarações foram proferidas, na última sexta-feira, em Maputo, durante a gala nacional do Prémio Jovem Criativo.

O distrito de Marracuene, na Província de Maputo, foi o local escolhido para a realização da VIII Gala Nacional do Prémio Jovem Criativo, edição 2022. No evento, estiveram mais de 150 jovens finalistas do concurso que começou na fase distrital, passando pela provincial até à nacional. Ao todo, foram 15 laureados nas categorias de empreendedorismo, inovação tecnológica e criação artística, que receberam como prémios cada um deles o valor de 130 mil Meticais, um laptop, telemóvel, um tablet e um certificado de reconhecimento.

O Primeiro-ministro descreveu a importância do evento: “A realização da 8ª Gala Nacional do Prémio Jovem Criativo é o culminar de eventos similares realizados, nas últimas semanas, ao nível dos distritos e das províncias do nosso país. O Governo, ao instituir o ‘Prémio Jovem Criativo’, tem por objectivo principal incentivar e estimular o surgimento de talentos no seio dos jovens moçambicanos e, desta forma, estabelecer uma plataforma de inclusão e envolvimento da nossa juventude no processo de desenvolvimento do país. O ‘Prémio Jovem Criativo’, como plataforma onde convergem soluções protagonizadas por jovens, representa mais uma janela de oportunidade onde a juventude pode mostrar o seu potencial em termos de inovação, criatividade e empreendedorismo”.

Maleiane defendeu que o jovem moçambicano deve optar por trabalhos que o dignifique: “Temos tantas pessoas talentosas neste país, há muita criatividade. Se calhar muitos não se apercebam que não estamos por acaso aqui no Índico. Nós temos tudo para dar certo. O jovem deve ser capaz de fazer qualquer coisa, mesmo           que alguns achem penoso, se der rendimento e ser socialmente aceite, não desista”, aconselhou.

Maleiane incentivou ainda os jovens a participarem mais no concurso.

Ao apostarem na inovação tecnológica, criatividade e empreendedorismo, estão a fazer a vossa parte no processo de crescimento e desenvolvimento de Moçambique de forma marcante, tangível e visível, assim como a contribuir para a melhoria da vida das comunidades onde cada um de vós está inserido. Para juntos continuarmos a construir um Moçambique cada vez mais próspero, é crucial que os mais de 11 milhões de jovens moçambicanos abracem o programa ‘Prémio Jovem Criativo’ promovido pela Secretaria do Estado da Juventude e Emprego, cuja implementação é assegurada pelo Instituto Nacional da Juventude”, terminou.

Participaram do concurso quatro mil jovens de todo o país. A iniciativa é promovida pela da Secretaria de Estado da Juventude e Emprego.

 

Moçambique, Eswatini e África do Sul (Província de Mpumalanga) realizam, de 15 a 21 de deste mês, a I excursão de visita de familiarização com operadores turísticos e comunicação social, no âmbito da iniciativa TRILAND, o que visa promover a parceria público-privada, bem como impulsionar o turismo na região.

A actividade insere-se no conjunto de um programa de marketing regional, no qual os três governos desejam estabelecer uma cooperação regional na troca de apoio, do desenvolvimento e da promoção de investimento e do turismo regional.

Segundo o Ministério da Cultura e Turismo, a visita de familiarização irá permitir aos participantes ter uma melhor percepção do potencial turístico que a região dos países integrantes tem a oferecer de forma conjunta.

A nota do Ministério avança que o programa TRILAND foi lançado em 2009, através de um memorando de entendimento assinado pelos directores-gerais dos institutos de turismo dos três países, e entrou em vigor a 23 de Outubro do mesmo ano.  Este ano, à margem da realização da Feira de Viagens e Turismo INDABA 2022, em Maio passado, as três partes procederam com a renovação do memorando de entendimento, estabelecendo directrizes recíprocas no que respeita à criação de um quadro comum de negócios para a cooperação regional.

O acordo respeita os objectivos de desenvolvimento estratégicos do turismo em Moçambique, Eswatini e Mpumalanga, na África do Sul.

A implementação da iniciativa TRILAND precisou da identificação das seguintes áreas de cooperação: Desenvolvimento e Promoção Turística; Transporte Aéreo entre Moçambique, Eswatini e Mpumalanga; Marketing de Destino Regional Conjunto; Investigação e Gestão da Informação (Market Intelligence); Desenvolvimento de Mega-Eventos para Promover Conjuntamente o Turismo; Desenvolvimento da Rota do Turismo; Advogar pela Eliminação de Barreiras Comerciais entre os países a nível da região; e Colaborar na Criação de um único Fórum de Investimento com vista a angariar investimentos para a região.

A presente visita de familiarização irá contemplar os três países membros do TRILAND, sendo dois dias em cada um dos países, envolvendo 50 participantes no total.

A excursão terá como ponto de partida, no Reino de Eswatini, a região de Ezulwini, com enfoque para a componente da Cultura (Experiência Tradicional do Reinado). Depois, seguirá para Moçambique, onde entre vários produtos turísticos irá destacar-se o potencial Sol e Mar conjugado com o turismo de natureza e gastronómico. Por fim, Mpumalanga, com enfoque na componente do Turismo Baseado na Natureza.

Como parte das realizações desta primeira excursão, os participantes terão oportunidade de participar em diversas actividades, incluindo networking sessions.

 

 

 

 

 

Jovens querem maior inserção e acesso às oportunidades de emprego. Mensagem passada por ocasião das celebrações, hoje, do Dia Internacional da Juventude, cujas cerimónias centrais tiveram lugar na Cidade da Matola, Província de Maputo. 

Centenas de jovens provenientes de diferentes pontos da Província de Maputo e outras regiões marcharam, esta sexta-feira, em comemoração do Dia Internacional da Juventude.

Arlindo Bié tem formação em Relações Internacionais, mas está desempregado. Defende maior integração dos jovens nas diferentes iniciativas de emprego. “Primeiro, devemos ter maior inclusão, isto é, estarmos incluídos nos programas de emprego que existem do próprio Governo. Assim, podemos contribuir com a nossa força para o desenvolvimento do país.”

Áurea Mavie aponta, entre vários desafios, o acesso ao emprego como um dos principais obstáculos para a juventude. “O nosso dia-a-dia é marcado por vários desafios, e os jovens devem engajar-se mais e entregar-se mais ao trabalho e, sobretudo, o voluntariado no qual podemos encontrar oportunidades de trabalho e emprego.”

O secretário de Estado da Juventude e Emprego (SEJE), Oswaldo Petersburgo, garante que o Governo está a responder às preocupações dos jovens. “Temos fundos de apoio a iniciativas como ‘Emprega’, ‘Sustenta’, programas como ‘Industrializar Moçambique’, ‘Mais Peixe’. Os jovens estão envolvidos e é por isso que o Governo traz soluções para os problemas desta camada.”

Nas celebrações do Dia Internacional da Juventude, houve espaço para exposição de várias iniciativas juvenis.

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