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O País – A verdade como notícia

A ministra da Cultura e Turismo diz que a demora na revisão da Lei do Mecenato deve-se à necessidade de se abranger outras áreas como desporto e comunicação social. Eldevina Materula garante, porém, que, até ao início do próximo ano, o documento será aprovado.

A Lei do Mecenato, aprovada em 2007, encontra-se descontextualizada aos desafios actuais da classe dos artistas.

O Governo acolheu as preocupações, por isso está num processo de revisão do instrumento, que muito faz falta aos fazedores da arte.

“A Lei do Mecenato existe. Devido à aprovação de vários outros instrumentos, ela acabou por ficar inoperacional. Neste momento, o sector está a fazer a sua revisão, tanto que se está numa fase bastante avançada”, explicou Materula.

Segundo a governante, uma comissão multiministerial foi criada e está a trabalhar com os vários ministérios envolvidos, aliás, “uma das propostas que estamos a trabalhar nela é a inclusão do desporto, para que se possa beneficiar desta lei, uma vez que na lei em curso não está inclusa”.

A ministra da Cultura e Turismo garantiu estar para breve a conclusão das reformas na proposta de Lei de protecção dos artistas e das artes no geral.

“Está numa fase final de finalização a proposta e, no início do próximo ano, seguramente vai para aprovação pelo Conselho de Ministros para posterior aprovação em sede da Assembleia da República”, garantiu.

A lei do Mecenato visa criar incentivos fiscais e apoios do Estado, visando fomentar, valorizar e promover as actividades artísticas e de letras.

Três pessoas morreram nos festejos do Natal. A informação é do médico-chefe do Banco de Socorros do Hospital Central de Maputo. Segundo Justino Madeira, o hospital registou entrada de 175 pacientes nas últimas 24 horas.

Em 2021, no Hospital Central de Maputo, entraram 281 pacientes no Dia da Família, número reduzido se comparado ao do ano passado. O que também reduziu é o número de mortes – este ano morreram três pessoas contra sete do ano passado.

“Tivemos dois óbitos a nível do Banco de Socorros, um por trauma devido a um acidente de viação, e o paciente entrou com um traumatismo craniano encefálico grave e outro foi por doença, era um idoso, que tinha uma broncopneumonia e infelizmente a pediatria registou um óbito de um menor que já era seguido no hematologista-oncologista pediátrico, e tinha um cancro”, avançou o médico-chefe do Banco de Socorros do Hospital Central de Maputo, Justino Madeira.

O médico-chefe do Banco de Socorros do Hospital Central de Maputo revela que, no Natal deste ano, há mais vítimas de traumas relacionados a diversas situações, com destaque para vítimas de acidentes de viação.

“Tivemos um elevado número de pacientes vítimas de traumas, e em termos de mecanismos de traumas, destes 99 pacientes, 13 foram por queda, 32 vítimas de acidente de viação, 27 casos de agressão física, entre os quais quatro por violência doméstica; tivemos três casos de queimaduras por líquidos quentes e dois casos de vítimas por ferimentos causados por arma branca”, detalhou o médico-chefe do Banco de Socorros.

Em relação à greve dos médicos, Justino Madeira reitera que todos estão a trabalhar e a prestar atendimento aos doentes no Hospital Central de Maputo.

Pelo menos 30 automobilistas foram, ontem, inibidos de conduzir por uns se terem feito ao volante sob efeito de álcool e outros por excesso de velocidade, na Cidade de Maputo. Durante o Natal, houve, também, quatro casos de incêndios, a nível de todo o país, mas sem danos consideráveis.

A Polícia de Trânsito a nível da capital faz um balanço positivo da passagem do Dia da Família e do Natal, quando comparado com o ano passado, mas revela que houve incidências.

“Tivemos alguns acidentes de viação, do tipo choque entre viaturas e despiste. Nestes casos, tivemos, como consequência, um ferido ligeiro, danos materiais avultados nas viaturas e danos materiais ligeiros noutras situações”, disse Oxssana Cuco, inspectora da Polícia de Trânsito na Cidade de Maputo.

As autoridades apontam o excesso de velocidade e condução sob efeito de álcool como as principais causas dos acidentes e, como consequência dos actos, os condutores tiveram as devidas sanções.

“Para os condutores sem habilitação, abrimos o auto que culminou com detenções por condução ilegal. Mais ou menos 30 automobilistas foram inibidos de conduzir sob efeito de álcool e excesso de velocidade”, acrescentou a inspectora da Polícia de Trânsito na Cidade de Maputo.

O Serviço Nacional de Salvação Pública registou a ocorrência de quatro casos de incêndios em todo o país, mas sem danos consideráveis.

“Tivemos apenas quatro ocorrências, das quais incêndios, mas não de grande expressão. Comparando com os anos anteriores, a apreciação é positiva porque a redução foi abismal. Olhando para as estatísticas, mais de 40% que tiveram ocorrências no Natal reduziram muito”, revelou Leonildo Pelembe, porta-voz do Serviço Nacional de Salvação Pública.

O SENSAP apela a toda sociedade para pautar por um comportamento exemplar durante a quadra festiva, para que a transição de 2022 para 2023 ocorra de forma tranquila.

Dois acidentes de viação causaram a morte de duas pessoas e feriram gravemente outras três, durante o Natal, em Sofala. As autoridades indicam que os acidentes ocorreram devido à negligência dos automobilistas.

Além dos acidentes de viação, houve muitos traumas relacionados ao consumo excessivo de álcool. Entretanto, as autoridades consideram que a celebração do Natal foi tranquila.

No Hospital Central da Beira, os gestores estão preocupados com o elevado número de traumas, relacionados com os acidentes de viacção e agressões. O Hospital tem o registo de 30 feridos ligeiros, vítimas de diversos tipos de acidente e 17 casos de agressões físicas. No ano passado e nas mesmas datas os casos foram inferiores.

Cinco pessoas morreram e mais de 10 contraíram ferimentos, entre graves e ligeiros, num acidente de viação ocorrido na manhã desta segunda-feira, no distrito de Matutuíne, Província de Maputo. O excesso de velocidade e mau tempo são apontados como as causas do sinistro.

A imagem no local dos factos é de viaturas totalmente desconfiguradas. São duas – uma ligeira e outra de transporte de passageiros. O sangue pintou a vegetação à volta e o asfalto. Os pertences das vítimas estavam espalhados no chão.

É o retrato de um acidente de viação que ocorreu na manhã desta segunda-feira no distrito de Matutuíne, na Província de Maputo.

Segundo relatos de testemunhas, o sinistro resultou de um embate entre uma viatura ligeira, que seguia no sentido Cidade de Maputo-Ponta d’Ouro, com a outra de transporte de passageiros que seguia no sentido contrário.

“O carro ligeiro estava a fazer ultrapassagem a outra que vinha da Ponta d’Ouro. O agravante foi o facto de que estava a chover e a estrada está húmida”, contou Amusse Júnior, testemunha do acidente.

Quatro pessoas perderam a vida no local e mais de 10 ficaram feridas. Entre as vítimas, estão os cidadãos de nacionalidade sul-africana. “Do local do acidente para o hospital, eu tinha deixado quatro pessoas estateladas e as outras que estavam muito feridas é que foram para o hospital. Entre as vítimas, havia crianças e eu não pude contar porque, naquele momento, a preocupação era prestar os primeiros socorros”, descreveu Amusse Júnior.

A violação de regras básicas de trânsito foi, para a Polícia, a causa do acidente. “Presume-se que tenham sido as condições climatéricas e a falta de observância das regras de trânsito por parte dos dois condutores, bem como a velocidade excessiva”, indicou Raimundo Mahumane, agente da Polícia de Trânsito.

O Hospital Central de Maputo confirmou a entrada de 14 pacientes vítimas de acidente de viação com idades entre cinco e 36 anos. “Destes, dois estão em estado grave, uma desconhecida de 34 anos de idade que está na sala de reanimação e uma criança de cinco anos que está na sala de reanimação da pediatria. Tivemos um óbito”, revelou Neta Sitoe, médica do Hospital Central de Maputo.

A maior unidade sanitária do país avança que alguns pacientes tiveram alta e grande parte está estável e em observação médica.

Nas últimas 48 horas, houve registo de mais um acidente de viação no distrito de Matutuine, Província de Maputo, que resultou em ferido grave.

Cerca de 600 pessoas desfavorecidas tiveram, ontem, um almoço solidário oferecido pela comunidade Sant’Egidio em Maputo no contexto das celebrações do Natal.

O evangelho de Jesus Cristo, cujo nascimento se celebra no Natal, diz, na Bíblia Sagrada, que a fé sem obras é morta.

A Comunidade Sant’Egidio, na Cidade de Maputo, provou, com este almoço solidário aos desfavorecidos, que a sua fé está viva e com obras em curso.

São, ao todo, 600 beneficiários entre crianças, jovens, adultos e idosos. Fátima Manjate faz parte do grupo. “Foi muito animado [o almoço]. Estamos muito contentes. O padre fez-nos uma boa coisa. É muito bonito”, descreveu Fátima Manjate, beneficiária do almoço solidário.

Fátima, de 40 anos de idade e desempregada, depende de uma cadeira de rodas para se locomover. Disse que teria passado o Natal em branco, não tivesse sido o almoço oferecido pela Comunidade Sant’Egidio.

“Nada ia preparar porque estou desprovida. Sou cadeirante, vivo ‘desenrascando’ porque não trabalho. Se não tivesse sido o padre que nos convidou, estaríamos nas nossas casas [sem o que comer]”, contou Fátima Manjate.

Há quem recebeu o convite para se juntar ao almoço solidário a partir da rua onde vive. “No dia do Natal, as pessoas ficam em casa e ninguém vai à rua. As lojas estão fechadas. Todos estão a passar festas em casa. Então, se não fosse cá, não teria onde e o que comer. Vivo na rua e sem família”, narrou Pedro Mateus, morador de rua e beneficiário do almoço.

Pedro Mateus partilha as ruas da Cidade de Maputo como sua casa com este menor de 13 anos de idade, que nos conta como foi parar lá. “Eu fui viver na rua por conta dos maus-tratos por parte da minha madrasta que não gosta de mim. Quando o meu pai vai ao serviço, ela não me dá comida”, revelou Shelton, menor de 13 anos e beneficiário do almoço oferecido pela Sant’Egidio.

Desde que saiu de casa, Shelton faz a vida nas ruas e os dias de Natal não têm sido dos melhores. Mas, este ano, teve um sabor diferente. “Se estivesse em casa, certamente estaria mais limpo. Contudo, gostei do que comi, do que de melhor tinha para comer. O Natal foi bom”, considerou.

A Comunidade Sant’Egidio diz que realizou o almoço solidário alusivo ao Natal para dar alento aos desfavorecidos. “Nós pensamos com a Comunidade Sant’Egidio em fazer um almoço para todos aqueles que não têm família, que não são acolhidos porque eles são família de Deus, do menino Jesus e da igreja”, explicou Giorgio Ferretti, Padre da Sé Catedral de Maputo em representação da Comunidade Sant’Egidio

O almoço serviu, também, para transmitir valores como solidariedade e amor ao próximo.

“Celebrar o Natal na casa de Deus, na Catedral de Maputo, é também o sinal forte para mostrar que a igreja dos pobres e todos nós devemos fazer o nosso melhor para trazermos no mundo a compaixão e a misericórdia de Deus”, apelou o padre Giorgio Ferretti.

Do Polo Norte, o Pai Natal viajou até à Sé Catedral de Maputo para distribuir presentes aos desfavorecidos. Chinelos para continuarem a sua caminhada pelas ruas da Cidade de Maputo.

E, no fim, porque não há festa se bolo, houve bolo para todos os que estiveram presentes no almoço solidário.

Há viajantes que levaram mais de cinco horas para atravessar a fronteira da África do Sul para Moçambique, através de Ressano Garcia. A demora no atendimento deveu-se a enchentes do lado sul-africano.

No dia 24 de Dezembro, a nossa equipa de reportagem esteve na fronteira de Ressano Garcia para reportar o movimento migratório na presente quadra festiva.

Chegado ao local, quase não havia muitos passageiros, pelo menos do lado moçambicano, porque, da fronteira de Lebombo, na África do Sul, chegavam-se notícias de um autêntico calvário.

Os viajantes, na sua maioria mineiros, chegaram a levar mais de cinco horas para atravessar a fronteira da África do Sul para Moçambique, através de Ressano Garcia.

“Cheguei na madrugada de sábado, por volta das duas horas. Há 10 quilómetros antes da fronteira, ninguém mais atendia. Ficámos por lá, dormimos porque não havia movimento migratório, mas dizem que a fronteira funciona 24 horas. O que é isso?”, questionou Marcelino Cuamba, mineiro com destino à província de Inhambane.

De madrugada estiveram expostos ao frio e de dia ao sol escaldante, sem nenhuma explicação da morosidade no atendimento na fronteira de Lebombo, na África do Sul.

“Não dizem os porquês da demora. Apenas mandam parar e seguir carros. O motor do nosso carro até chegou a aquecer. Faz muito calor. Não sei se a ideia é nos fazerem comprar seus refrescos”, supôs António Abílio, trabalhador das minas sul-africanas, para justificar a demora.

A lentidão no fluxo migratório sul-africano fez-se sentir do lado moçambicano, sobretudo através de longas filas de carros.
De tanto tédio, houve quem saiu da viatura, percorreu mais de quatro quilómetros a pé até aos balcões e efectuar o movimento migratório. Chegado à Ressano Garcia, o atendimento aos viajantes fluía…pousar para a foto e o som do carimbo colocavam os mineiros mais próximos de casa. “Sinto-me feliz porque já estou no meu país. Vou descansar”, respirou de alívio António Abílio.

A fronteira de Ressano Garcia conseguiu responder à demanda, tanto que até resta um tempinho de descanso e conversa entre os funcionários.

Este é o reflexo do fluxo migratório no dia que se esperava que fosse de pico. “Nas últimas 24 horas (de 23 para 24 de Dezembro), a fronteira de Ressano Garcia registou um movimento migratório de entradas de cerca de 22 mil viajantes que saem da República da África do Sul para Moçambique, com objectivo de passar as festas, na sua maioria mineiros”, revelou o chefe de Posto de Ressano Garcia, Armando Mata.

Armando Mata assegura que a demora no atendimento na fronteira sul-africana não está a sobrecarregar Ressano Garcia. “Do lado de Moçambique, todas as forças estão posicionadas e preparadas para o atendimento público.

Lamentamos que do lado sul-africano o atendimento seja moroso, mas temos feito todo o esforço para podermos ter flexibilidade no atendimento”, garantiu Armando Mata.
Até às 14 horas de sábado, grande parte dos mineiros já tinham atravessado a fronteira de Lebombo, estão no solo pátrio, mas isto foi vencer uma batalha e não a guerra. Ainda devem pegar a estrada com destino às províncias de Gaza e Inhambane.

“Queria passar o Natal junto da família, mas estou na fronteira e não sei quando chegarei à casa, porque vou a Vilankulo. Mas vale a pena porque já estou no nosso país”, manifestou o desejo Inácio Vilanculos, mineiro na terra do rand.

A viagem ainda é longa, mas a ideia é mesmo passar o natal junto da família. Por este momento, faz-se até o improvável.
Os mineiros ficam quase todo o ano na África do Sul a trabalhar e a saudade pelos seus é inevitável, e trazer lembranças da terra do rand, também.

“Não posso detalhar o que comprei, mas, como trabalhador, há coisas que comprei porque não posso entrar de mãos abanadas. Fiz algo para que se veja que chegou o chefe de família”, adiantou Domingos Mateus, mineiro na África do Sul, sem dar muitos detalhes.

Bom, certamente é uma boa surpresa e os beneficiários vão gostar.
Diferente da África do Sul, em Moçambique, enquanto os mineiros aguardam pelos processos migratórios para seguir viagem, as autoridades oferecem água para molhar a garganta e alguma coisa para, diga-se, enganar o estômago.

Cristãos em Maputo reuniram-se, hoje, para a celebração da missa de Natal, dois anos após as restrições impostas pela COVID-19. Os crentes dizem que o momento deve ser usado para a partilha de mensagens de amor ao próximo, perdão e reconciliação.

É o primeiro Natal depois de dois anos confinados por conta da COVID-19.

Crianças, jovens, adultos e idosos, através da leitura da bíblia, cânticos e palavras que alimentam o espírito, estiveram reunidos em diferentes igrejas, para celebrar o nascimento daqueles que é tido pelos cristãos como o Filho de Deus.

“É um bebé, indefeso, é um menino pobre, filho de uma família a quem ninguém dá acolhimento. Nasce numa gruta, numa manjedoura, mas aquele menino pobre é o Salvador”, disse Giorgio Ferretti, pároco da Sé Catedral.

Segundo o pároco, a estória do nascimento de Jesus deve servir de consolo para aqueles que vivem na pobreza, que sofrem abandonados pela Família, se sintam com Deus ao seu lado, pois “Deus vê tudo, olha por nós, proteger-nos-á e virá neste mundo”, acrescentou.

A ocasião foi usada igualmente para partilha de mensagens de amor ao próximo, perdão e reconciliação.

Jorge Chacate, membro da Igreja Anglicana, diz que sai da missa com as forças renovadas e pronto para o chamamento do “Criador”.

“Que cada um de nós possa rever a sua conduta e procurar viver em comunhão em Cristo, olhando para a irmandade, como Ele nos ensinou.”

Já para Marcos Tovela, da Igreja Presbiteriana, Jesus não nasceu na riqueza, nem para ser rico. Por isso apela aos crentes para terem esperança de que um dia todos poderão passar as festas como desejam.

Para os crentes, o Natal deste ano tem um significado mais forte, pois Deus os livrou de dois anos de provação.

“Mais uma vez, Deus revela o seu amor para com o Homem, pois nos fez sobreviver da COVID-19, que é para continuarmos a louvar e saber quão poderoso Ele é”, disse Sara Ntimane.

Os cristãos apelam aos cidadãos do mundo e de Moçambique, em particular, para reflectirem sobre os valores da paz, tolerância e irmandade.

Uma pessoa morreu e outras 17 deram entrada no Hospital Central de Maputo, vítimas de acidente de viação entre os dias 24 e 25 de Dezembro.

Apesar destes números a maior unidade sanitária do país considera calma a passagem para o Natal, comparando com o ano passado.

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