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O País – A verdade como notícia

Uma pessoa foi presa em conexão com a morte do empresário raptado na semana passada, em Maputo. O Serviço Nacional de Investigação Criminal diz que ainda são desconhecidas as causas de sua morte, entretanto continua a investigação do caso.

Sem avançar muitos dados, o porta-voz do órgão disse que uma pessoa foi presa esta semana em conexão com o crime de rapto ocorrido no passado dia 14 de Dezembro, em Maputo.

“Em conexão com o crime, nós detivemos um cidadão, que se encontra preso. O Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) lamenta o facto e tudo tem feito para resolver esta problemática dos crimes de rapto”, disse o porta-voz da direcção-geral do SERNIC, Leonardo Simbine.

Na tarde desta terça-feira, o SERNIC convocou a imprensa para prestar declarações sobre o caso.

Sob alegada tortura, que teria originado a morte do empresário, o porta-voz do SERNIC disse que ainda se desconhecem as causas da sua morte, pelo que seguem investigações para o esclarecimento.

“Não temos a causa da morte. Neste momento, a medicina legal está a fazer o seu trabalho”, disse Simbibne.

Enquanto isso, os raptos continuam a preocupar empresários em todo o país. De acordo com SERNIC, só este ano treze pessoas foram raptadas no país.

Continuam internadas no Hospital Central de Maputo sete das 14 vítimas do acidente de viação ocorrido, hoje, no distrito de Matutuine, em Maputo. Uma delas encontra-se ainda em estado grave.

Chama-se Eulália Moisés uma das sobreviventes do acidente de viação ocorrido na segunda-feira, no distrito de Matutuine, Província de Maputo. Nesta terça-feira, continua a sentir a dor causada pelo sinistro que matou cinco pessoas e contou como tudo aconteceu, pelo menos até onde a sua memória conseguiu.

“Perdi consciência porque estava com os meus três filhos. O motorista estava a uma velocidade meio exagerada, mas, porque a estrada estava limpa, não consegui perceber o que, realmente, aconteceu. Lembro apenas que acordei no mato, fora do carro”, contou.

O médico-chefe do Banco de Socorros do Hospital Central de Maputo, Justino Madeira, onde estão internadas as vítimas do acidente, disse que dos 14 internados, seis já tiveram alta e uma continua na unidade em estado grave. “Desses que estão internados, um é grave, dois estão na ortopedia num estado moderado e os outros dois estão neurocirurgia, igualmente num estado moderado.”

O Hospital Central de Maputo disse ainda ter registado sete mortes por acidentes de viação durante a celebração do Natal e que, nos últimos três dias, atendeu, ao todo, mais de 500 pacientes.

Já a Polícia da República de Moçambique diz ter havido, a nível nacional, sete acidentes de viação, durante o Natal, contra os 18 registados em igual período do ano passado.

“Os acidentes resultaram em oito óbitos contra 24 de igual período de 2021. Dez feridos graves contra 15”, avançou Agostinho Amor, chefe de Repartição de Investigação de Acidentes da PRM

Segundo as autoridades, a redução do número de acidentes durante o Natal resulta da sensibilização dos condutores e passageiros.

Pelo segundo ano consecutivo, os trabalhadores da Empresa Municipal de Transporte de Passageiros em Inhambane decidiram paralisar as actividades e pelas mesmas razões. Desta vez, está em causa o não pagamento de salários de há sete meses.

Segundo contaram ao “O País”, trata-se de salários dos meses de Dezembro de 2021 e Janeiro de 2022, que, na altura, não foram pagos, depois do braço-de-ferro entre os trabalhadores e o patronato que se registou no ano passado.

Quando se pensava que parte do problema já estava resolvido, eis que a partir de Agosto até Dezembro de 2022, a empresa voltou a não pagar os salários dos seus trabalhadores.

Os trabalhadores dizem que vivem dias difíceis, pois até mesmo para conseguir transporte para ir trabalhar dependem da boa vontade das pessoas.

Em relação à alimentação, têm de fazer dívidas em estabelecimentos comerciais para conseguir ter comida na mesa. Sentem-se desvalorizados e, por isso, exigem o que lhes é de direito – os salários atrasados.

Desde lá, já houve vários contactos com os gestores da empresa, bem como com o Conselho Municipal de Inhambane, mas, até agora, tudo não passa de promessas que nunca se concretizam.

O gestor da Empresa Municipal de Transporte de Passageiros de Inhambane reconhece a dívida e o quão a situação está insustentável. Para resolver o problema, Isaías Manguele diz que a solução passa por mexer nas tarifas.

A última actualização da tarifa para o transporte público de passageiros foi em Maio deste ano e, desde lá, o custo do combustível subiu 20 Meticais o litro, o que deitou abaixo toda a ginástica feita em Maio para garantir algum retorno financeiro da empresa.

Manguele revelou que já foi submetido ao Conselho Municipal de Inhambane uma proposta de agravamento de dois Meticais por passageiro, de modo a garantir que a empresa possa pagar às suas próprias contas, o que, segundo o nosso interlocutor, agora não é possível.

Os autocarros estiveram paralisados durante cerca de 20 dias, sendo que parte dos trabalhadores decidiu retomar o trabalho, com apoio de alguns funcionários do Conselho Municipal de Inhambane.

O país registou 562 incêndios de Janeiro a Outubro deste ano, o que mostra um aumento de cerca de 200 casos em relação ao mesmo período do ano passado. A ministra do Interior exige mais actuação das instituições públicas e privadas no combate ao fenómeno.

Nos primeiros dez meses deste ano, o Serviço Nacional de Salvação Pública (SENSAP) registou perto de 600 incêndios em todo o país, contra cerca de 400 em igual período do ano passado, alguns dos quais ocorridos em instituições públicas e privadas.

Segundo a ministra do Interior, o aumento das ocorrências é preocupante, o que exige melhorias na actuação nos pontos focais.

“Nos últimos anos, acompanhamos vários eventos desastrosos relacionados com incêndios, com destaque para os ocorridos nos mercados, no Hospital Central de Maputo, nu infantário na cidade de Chimoio, num edifício da Autoridade Tributária em Tete, só para citar alguns exemplos”, mencionou Arsénia Massingue, afirmando que as instituições devem adoptar mecanismos de prevenção e protecção contra incêndios.

“Influenciam os órgãos de decisão para a implementação de sistemas de protecção contra incêndios, desde a colocação de extintores, kits de primeiros socorros, sinalização de emergência, formação de pessoal, entre outros componentes do sistema de protecção contra incêndios”.

Arsénia Massingue falava esta segunda-feira, na abertura do segundo seminário sobre protecção de incêndios.

Por outro lado, o comandante nacional do SENSAP, Abdul Issufo, apelou às populações para que sejam mais flexíveis em dar alerta de incêndios nos bairros.

“Não temos sensores para descobrir que há um incêndio em determinado lugar, o que significa que é necessário que as pessoas liguem para os bombeiros o mais rapidamente possível e não depois de duas horas, ou chegar no local fazer imagens sem comunicar aos bombeiros”, disse Issufo.

O segundo seminário sobre protecção de incêndios decorreu sob o lema “SENSAP, para Instituições e Empresas Público-Privadas mais seguras contra Incêndios”.

O município de Maputo falhou a conclusão das obras de requalificação da Praça da Juventude na Cidade de Maputo, avaliadas em quase 11 milhões de Meticais.

A 23 de Maio do ano em curso, o presidente do município de Maputo, Eneas Comiche, lançava as obras de requalificação da Praça da Juventude, no Bairro Magoanine, arredores da Cidade de Maputo. De acordo com a placa patente na empreitada, as obras deviam durar 180 dias, isto é 6 meses, o que significa que até ao dia 23 deste mês de Dezembro a obra devia ser entregue aos munícipes.

Contudo, as obras estão abandonadas, facto que está a preocupar os munícipes, sobretudo os que vivem nas imediações: “Assim como está causa embaraços para todos nós, que pretendemos passar por aqui. O Governo deve intervir”, reclamou Moniz Machai.

Um outro cidadão, motorista de um dos autocarros da rota Baixa–Magoanine entende que, na situação em que se encontram, as obras dificultam a mobilidade. “Estamos a estacionar de qualquer maneira, há engarrafamento devido a estas obras que estão atrasadas e não sabemos porquê”, avançou.

No local, há, por enquanto, uma vedação de chapas de zinco, monumentos já erguidos, uma vegetação a brotar e uma máquina paralisada e abandonada.

O director de Infra-estruturas Urbanas no Município de Maputo prometeu pronunciar-se em torno desta e de outras obras atrasadas.

As alfândegas dizem que a demora no atendimento na fronteira de Ressano Garcia, do lado da África do Sul, a que se assistiu nos dias 23 e 24 de Dezembro, deveu-se aos frequentes cortes de energia e morosidade no sistema electrónico. As autoridades garantem, porém, que tal não vai acontecer do lado de Moçambique.

Os dias 23 e 24 de Dezembro foram de grande pressão para a fronteira de Ressano Garcia, onde os viajantes chegaram a esperar, do lado sul-africano (Lebombo), mais de cinco horas.

Esta terça-feira, durante o habitual balanço da quadra festiva feito por uma comissão composta por membros de diversos ministérios (comissão interministerial), a Autoridade Tributária atirou a responsabilidade da morosidade do processo aos sul-africanos.

Segundo o porta-voz da Autoridade Tributária, Fernando Tinga, o movimento migratório correu conforme o esperado, pese embora a morosidade no processo ter sido uma nódoa.

“Ficou refém de problemas de lentidão do sistema de gestão aduaneira do lado sul-africano e também da deficiência no fornecimento da energia eléctrica. Isto acabou por afectar negativamente o atendimento público”, disse.

Tinga acrescenta que esta situação não pode anular o esforço empreendido durante a operação Tsakane, que apresenta como resultado a entrada de mais de 31 mil viaturas para o país, bem como 12 mil saídas.

A Autoridade Tributária garante estarem criadas as condições para que não se assista ao mesmo cenário do lado de Moçambique, uma vez que já se espera o início do movimento de regresso.

“Todo o movimento era do lado sul-africano. Neste momento estamos a nos organizar no sentido de preparar o retorno. No processo de retorno teremos, naturalmente, o inverso, em que as forças do Comando Conjunto vão se deslocar para o lado Moçambicano, e estarão posicionadas no Km 4, para o atendimento a viaturas e viajantes”, declarou a fonte.

Fernando Tinga respondia, também, à preocupação do sector privado, que se queixa de prejuízos devido a dificuldades na travessia de camiões de carga.

“Foram constatados alguns casos, pelos agentes económicos, sendo o primeiro relacionado com a fronteira de Ressano Garcia, uma vez que é o nosso principal ponto de entrada, nossa porta de entrada, por via terrestre e está a registar neste momento filas longas”, disse o Vice-presidente da confederação das associações económicas de Moçambique, Vasco Manhiça.

Segundo a fonte, nas últimas semanas, muitos camiões de carga, bem como turistas, já não estão a conseguir atravessar a fronteira com harmonia.

“Alguns turistas chegam a ficar longas horas e isso não é razoável, com todos os riscos de segurança associados. Alguns turistas chegam até a desistir das viagens para Moçambique, devido às longas horas”, disse Vasco Manhiça.

Por seu turno a Inspecção Nacional das Actividades Económicas faz uma avaliação positiva da quadra festiva, porém fala de alguns casos de especulação de preços.

“No que toca aos produtos básicos, não se registou nenhuma situação de especulação de preços, porém ressalva-se aqui um produto de bastante importância, tal é o caso do cimento de construção, que a INAE registou a especulação do preço, nas províncias de Niassa e Tete”, esclareceu a inspectora Leonor Mabutana.

Mabutana revelou que na província de Tete, o saco de 50 kg subiu de 5210 para 700 e em Niassa, de 680 para 750 Mt.

“Em conversa com os agentes económicos, estes alegaram que houve aumento do preço da frete, mas a INAE interveio, no sentido de ouvir ambas partes, tendo constatado que o preço estava a ser incrementado sem justa causa, pois não apresentaram razões consistentes, que justificassem a acção”, concluiu.

Ainda nesta terça-feira o sector do Turismo avaliou positivamente o período, uma vez que tem as instâncias turistas junto à costa completamente ocupadas, algo que não se via nos últimos dois anos, devido às restrições impostas pela pandemia da COVID-19.

Foi encontrado morto o empresário raptado no dia 14 deste mês, na Cidade de Maputo, depois de ter sido supostamente torturado. A ministra do Interior prometeu esclarecimentos através do SERNIC. Já a família da vítima diz que não quer pronunciar-se ainda.

O empresário Hayyum Ali Momade foi raptado à mão armada a 14 de Dezembro corrente, frente a um dos seus estabelecimentos comerciais na Matola, em plena luz do dia e diante de várias pessoas, incluindo um menor de idade, segundo imagens gravadas por uma câmara de vigilância.

Segundo uma fonte do Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) na Província de Maputo, que não quis identificar-se, os presumíveis raptores ligaram, na madrugada desta terça-feira, para a família do empresário e informaram que o ente querido estava num determinado ponto do Bairro Tchumene, no município da Matola. A família dirigiu-se ao referido local, onde encontrou o homem já debilitado, estatelado no chão e com sinais de tortura. O homem foi levado a uma unidade sanitária, onde, minutos depois de dar entrada, foi declarado óbito.

Na manhã desta terça-feira, a ministra do Interior, Arsénia Massingue, lamentou a perda do empresário e garantiu que o SERNIC vai pronunciar-se nos próximos dias.

“Em relação ao trabalho que está ainda em curso para o esclarecimento deste e outros casos, de referir que o SERNIC vai pronunciar-se nos próximos dias sobre o que está a ser feito no concreto”, prometeu a ministra.

A família da vítima não quis prestar declarações ao jornal “O País”.

Este ano, as autoridades do país registaram 11 raptos e 27 detenções relacionadas aos crimes.

 

CONSELHO ISLÂMICO DEPLORA MORTE DE EMPRESÁRIO APÓS SER RAPTADO

O Conselho Islâmico de Moçambique exige que o Governo ponha fim à onda de raptos que assola o país, sobretudo os membros da comunidade islâmica. A organização alerta que situações como a do empresário que morreu depois de ter sido raptado vão retrair os investimentos no país.

“Queremos endereçar as nossas sentidas condolências à família enlutada e a toda comunidade muçulmana de Moçambique, pois recebemos esta informação com um choque profundo”, lamentou Mussa Suefe, responsável pela Cooperação e Comunicação no Conselho Islâmico.

O Conselho Islâmico entende ainda que a notícia da morte do empresário da comunidade islâmica, após ter sido raptado, é sinal de que os malfeitores não são humanos e que torturam as vítimas. Acrescenta que é estranho que, após mais de 10 anos, as autoridades moçambicanas não consigam estancar os raptos.

A comunidade islâmica alerta que os raptos vão repelir os investimentos em Moçambique. “Temos que ter noção dos investimentos que estes empresários fazem no nosso país. Há já empresários que estão a preferir fazer investimentos noutros países, como é o caso da África do Sul, por causa da situação de insegurança. Isto é mau para a nossa economia e, como sociedade, temos que resolver esta situação”, alertou Mussa Suefe.

Neste ano, foram registados 11 raptos no país, envolvendo, sobretudo, empresários da comunidade islâmica.

A Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) entende que os criminosos demonstram a sua livre actuação, ao raptarem empresários nas proximidades das esquadras da Polícia, daí que defende ser “necessário repensar o modelo de abordagem”. Nestes termos, defende ser preciso introduzir, adicionalmente, mudanças profundas ao quadro legal, tornando severa a respectiva moldura penal e sem possibilidade de pagamento de caução.

Diz mais que o Ministério do Interior não se tem mostrado aberto para dialogar com o sector privado de modo a encontrar soluções. A CTA tem estado a buscar diálogo por via do pelouro de Segurança e Protecção Privada, criado justamente na sequência do aumento de raptos e da insurgência no Norte do país, mais concretamente na província de Cabo Delgado.

Neste momento, a CTA está a desenvolver um estudo sobre o impacto económico da onda de raptos, sem data para a sua divulgação. E diz estar disposta a apoiar o Estado no que for preciso para travar a onda de raptos.

O antigo Edil da Cidade da Maxixe, Simão Rafael, foi esta manhã, empossado director provincial de Educação em Inhambane.

Simão Rafael é professor de profissão, tendo já exercido as funções de director do Instituto de Formação de Professores de Chicuque, na Cidade da Maxixe, e depois foi Edil da mesma cidade por cinco anos.

Um dia após a festa de Natal, a Cidade de Maputo esteve calma. As poucas pessoas que se fizeram à rua procuravam ganhar algum dinheiro para o seu sustento, mas o ambiente não estava favorável para negócio.

A melodia gerada pelo som do vento contrastava de longe com o frenesim vivido nos últimos dias. O som da buzina dos carros, das pessoas apressadas a quererem chegar aos diferentes destinos para diferentes afazeres deu lugar a uma urbe “fantasma”.

Um e outro carro é que passava pelas grandes avenidas. Os moradores escondidos nos seus apartamentos espreitavam das suas janelas e varandas para ver melhor a beleza e imundice que formam a cidade capital.

Os moradores de rua e mendigos são os que mais passeavam de contentor em contentor, à vontade e sem as centenas de olhares sobre eles e sentimento de medo que as pessoas carregam quando passam por perto.

Uma e outra pessoa é que decidiu chegar ao centro da urbe. Na sua maioria são as que precisavam de trabalhar.

Entre elas, quatro personagens destacaram-se. As responsabilidades que carregam, recordaram-lhes que não há descanso e empurraram-nas para rua neste dia de tolerância de ponto.

De apenas sete anos, descalço e com uma camisola, encontrámos, na avenida 24 de Julho, em frente ao Instituto Comercial, José junto do seu irmão mais velho. José carregava nas costas uma pasta e seu mano uma peneira de amendoim. A intenção era vender, mas, desde às nove horas que chegaram até às 16 horas, momento em que conversámos com eles, ainda não tinham vendido nada.

A única coisa que conseguiram foram batatas embrulhadas num guardanapo oferecidas por um homem.

“Hoje, não há pessoas aqui, na cidade, só viemos tentar a sorte para conseguirmos algo para jantar, ontem (sábado, dia 25) também o movimento não estava bom, não vendemos nada, por isso voltamos hoje (domingo), mas também não estão a comprar. Se fossem outros dias, já teríamos vendido todo o amendoim”, contou o rapaz, que não estuda e vende para ajudar seus pais, no sustento da família.

Para os poucos lavadores de carros, como Alberto Matsinhe, o ambiente não foi dos melhores, só conseguiu lavar dois carros, mas ainda assim ficar em casa, não é solução para o jovem.

“Já sabia que o dia seria assim, sem nenhum muito movimento, mas precisava vir para ver se consigo alguma coisa, ontem gastei com a festa e preciso repor o dinheiro. Ainda tem a festa de transição de ano, por isso, quero juntar todo dinheiro possível”, relatou Alberto. Em dias normais, o jovem chega a lavar sete carros.

Com as paragens vazias, os transportadores reclamavam da falta de passageiros. Nicolau Alberto esteve a trabalhar durante o dia mas o dinheiro arrecado não chegava nem para fechar a receita diária, queria apenas juntar algum para a manutenção do carro, que já demostra algumas deficiências.

Ao “O País” o condutor contou que começou a trabalhar por volta das sete horas, em cada viagem, da rota que faz “Museu- Praça dos Combatentes, não conseguia preencher todos assentos do carro.

O cenário fantasmagórico afectou, também, quem, mesmo com as marcas da idade, depende dos urinóis para conseguir o mínimo para sobreviver. Francisco Mondlane é um deles, o morador da rua é responsável pelos urinóis no terminal do Museu, mas esta segunda-feira de tolerância de ponto, não houve negócio.

“Noutros dias atendo pelo menos 100 pessoas, mas hoje, nem 30 entraram aqui, estamos mal, só podemos recuperar depois das festas”, disse Mondlane

A chuva miúda que caiu nas primeiras horas pode ter contruído para o âmbito calmo vivido esta segunda-feira.

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