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O País – A verdade como notícia

Os recursos florestais estavam carregados em contentores e seguiram para exportação através do Porto da Beira. A Agência para o Controlo da Qualidade Ambiental aplicou uma multa de 10 milhões de Meticais. 

Mais uma vez, o Estado estava prestes a perder receitas devido à exportação de madeira em toro através dos portos nacionais. Agora, a H e J Importações e Exportações, um operador florestal, com sede em Mafambisse, no Posto Administrativo de Savane, distrito de Dondo, em Sofala, pretendia exportar um total de 45 contentores de madeira, ao arrepio da lei.

A madeira das espécies chacate preto e pau-preto foi apreendida no último dia 10 de Dezembro pela Agência para o Controlo da Qualidade Ambiental (AQUA). Além de fazerem parte das espécies proibidas, o Estado moçambicano proíbe, desde 2017, a exportação de madeira em toro, de acordo com o Regulamento da Taxa de Exportação de Madeira Processada, que, no seu artigo 5, estabelece o seguinte: “é expressamente interdita a exportação de madeira em toros e vigas de todas as espécies nativas”.

A proibição visa essencialmente fomentar o surgimento de uma indústria local de processamento de madeira e promover o aproveitamento da madeira processada para a criação de outros produtos derivados da madeira.

O operador foi constituído fiel depositário do produto apreendido até ao surgimento de uma decisão final sobre o caso e, por agora, vai pagar uma multa em 10 milhões de Meticais.

Mais de 80 cursos são leccionados no ensino superior sem a credencial de qualidade do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior. A informação é do Conselho Nacional de Qualidade do Ensino Superior. A instituição avaliou 612 cursos, dos quais 526 foram acreditados.

Cursar o ensino superior é uma das principais ferramentas para um profissional, entretanto uma das dúvidas que mais prevalece é a dúvida do curso a fazer e qual é a melhor instituição que mais se adequa ao que o estudante pretende.

O Conselho Nacional de Qualidade do Ensino Superior foi criado em 2007, contudo, devido a questões de logística e recursos humanos, só começou a fazer a avaliação do ensino superior do país em 2016.

E as constatações revelam que há instituições que leccionam cursos sem que tenham a acreditação de qualidade, um dos requisitos exigidos para qualquer instituição de ensino superior.

“Dos mil e trezentos cursos que funcionavam foram avaliados 612 cursos, dos quais 526 foram devidamente acreditados, na globalidade, de 2016 a 2022”, revela a presidente do Conselho Nacional de Avaliação de Qualidade do Ensino Superior, Maria Chicote.

Um dos elementos de avaliação da qualidade dos cursos leccionados é a formação dos próprios docentes, que, na sua maioria, são licenciados e não têm o grau mínimo exigido de mestrado.

Para Maria Chicote, o problema parte do facto de existirem poucas instituições de ensino superior que leccionam o nível de pós-graduação.

“Há poucas instituições de ensino superior que ministram o nível de mestrado e o nível de doutoramento, esses dados também são importantes, devem também sugerir-nos algumas políticas, porque sabemos que a docência do ensino superior também é garantida por docentes que devem ter, no mínimo, o nível de mestrado”, disse a presidente do CNAQ.

De 2016 a 2022, das 56 instituições de ensino superior que existem no país, apenas 13 foram avaliadas. O facto deve-se à falta de fornecimento de informação das instituições de ensino superior.

“Cabe às instituições de ensino superior aderirem a este processo e, como nós dissemos, a consciencialização de que uma instituição de ensino superior tem a obrigação de oferecer uma educação de qualidade não é automática, é um processo e uma questão de mentalidade”, disse Maria Chicote.

Face a esta situação, o Conselho Nacional de Qualidade do Ensino Superior alerta que se deve exigir a credencial de qualidade às instituições de ensino superior antes da inscrição ao curso.

Criminosos invadiram uma residência e violaram a dona de casa e a sua sobrinha. Os malfeitores começaram a agredir violentamente o chefe da família. O caso deu-se na periferia da cidade de Nampula.

Uma família foi vítima da brutalidade de sete homens que estavam munidos de catanas e outros instrumentos contundentes. Os indivíduos invadiram a casa, no bairro de Natikire, por volta da 1h00 da madrugada de terça-feira. Começaram por exigir dinheiro e outros bens e, não tendo sucesso, agrediram fisicamente o chefe da família.

O chefe da família ainda foi amarrado nos braços e nas pernas. Continuaram a espancá-lo, enquanto exigiam dinheiro e outros bens. E porque não tinha o que queriam, três homens violaram a sobrinha de 12 anos e dois violaram a esposa.

As vítimas foram assistidas no Hospital Central de Nampula e o caso já está sob investigação policial.

Na casa vizinha, os criminosos também agrediram fisicamente algumas pessoas e roubaram bens.

Este é mais um caso de violência na periferia da cidade de Nampula, onde falta iluminação pública e patrulhamento policial.

Alguns vendedores de objectos pirotécnicos, vulgo “paixões”, dizem que este ano o comércio está a ser fraco em relação aos anos anteriores. Os comerciantes afirmam que, até o dia 27 Dezembro do ano passado, as vendas já tinham chegado a quase a metade.

Guilhermina Libane vende objectos pirotécnicos há mais de dois anos e, na ponta da língua, tem as instruções sobre o correcto manuseio, mas o movimento de clientes é fraco.

Este ano, parece que não há muitos interessados em comprar os chamados “paixões” para a passagem do ano, nem sequer por parte dos retalhistas ou quem queira para o uso próprio.

“Este ano não está a ser como tem sido nos anos anteriores, ainda há pouca aderência, acho que as pessoas temem a fluir”, disse a vendedeira Guilhermina Libane.

Um pronunciamento que é também partilhado por Rasta, outro vendedor no mercado do Xipamanine, que diz que, até ao momento, nem 20% da mercadoria saiu da sua loja, diferentemente do ano anterior.

“Estamos aqui sem clientes, não há nada, não sabemos o que vamos fazer com esta mercadoria daqui a quatro dias”, lamentou Rasta.

Acontece que, para todos, as vendas não estão a seguir o mesmo ritmo como no ano passado, altura em que o país tinha mais casos da COVID-19. O alto custo de vida é apontado como uma das causas para a fraca comercialização.

“Os clientes estão a reclamar muito, estão a dizer que não têm dinheiro” acrescentou o vendedor Félix Vilanculos.

“Esperávamos o dinheiro da Tabela Salarial Única, mas não saiu, nem o décimo terceiro e as pessoas não têm dinheiro, e estamos aqui sem clientes”, disse Rasta.

Helena Elísio comprou “paixões” para os seus três filhos e garantiu que vai tomar cuidado. “Costumo esconder, para eles não brincarem com estas coisas, porque sei que é perigoso.”

Na província de Cabo Delgado, é proibida a venda destes objectos. “Cabo Delgado tem os problemas que têm, o terrorismo, onde se pode confundir o ruído, barulho destes objectos pirotécnicos, com o som de armas, e fazer com que oportunistas se aproveitem da oportunidade para perpetrar outros actos, então tudo é para o bem das pessoas”, retirou o comandante Nacional do SENSAP, Abdul Issufo.

O Serviço Nacional de Salvação Pública apela à cautela no uso dos objectos pirotécnicos para evitar incidentes.

Ainda não se conhece o paradeiro do pai do advogado Imran Issa, raptado na semana passada, na Cidade de Maputo. O Serviço Nacional de Investigação Criminal diz que tudo está a ser feito para que a vítima volte ao convívio familiar.

O pai do advogado Imran Issa foi raptado na noite do dia 23 do corrente mês, na sua própria residência, no bairro Malhangalene.

Uma semana após o rapto do pai do advogado Imran Issa, o Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) disse que não há avanços nas investigações sobre o paradeiro da vítima.

“Em relação a este caso, o SERNIC está a trabalhar, podendo trazer alguma informação quando for momento oportuno, para não criar transtornos naquilo que é o esclarecimento do caso”, explicou Hilário Lole, porta-voz do SERNIC na Cidade de Maputo.

Lole falava a jornalistas, esta quarta-feira, em mais uma conferência de imprensa na qual condenou o aumento de ocorrências de raptos na Cidade de Maputo e garantiu que tudo está a ser feito, a nível da corporação, para esclarecer os casos e neutralizar os mandantes dos crimes.

“Já apresentámos vários indivíduos detidos em conexão com os raptos, assim como temos processos que já foram esclarecidos e que estão relacionados com os mesmos casos. Contudo, continuamos a trabalhar para chegarmos até aos prováveis mandantes e mitigar a ocorrência destes crimes”, disse o porta-voz do SERNIC.

Na sequência destes pronunciamentos, foram apresentados dois indivíduos indiciados pela prática dos crimes de burla, falsificação de documentos e furto de viaturas.

O Rio Maputo na região sul do país regista 1,75 e 1,30 metros acima do nível de alerta  com tendência a subir e já alagou vários hectares com culturas diversas e deixou a principal via de acesso intransitável.

Através do boletim hidrológico nacional emitido, a Direcção de Gestão de Recurso Hídricos descreve a situação do Rio Maputo como alarmante. Aliás, desde o  início da presente época chuvosa, o Rio Maputo vem registando inundações.

“Estamos acima de alerta e a situação pode levar-nos para cerca de 2,2 m acima do alerta sinal, o que poderá agravar a ocorrência de inundações nas zonas baixas, afectando ‘machambas’ que, neste momento, se encontram alagadas e a interrupção de trânsito no interior do distrito de Matutuine”, disse Agostinho Vilanculos, da Direcção Nacional de Gestão de Recursos Hídricos.

O Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) na Província de Maputo garante que, até ao momento, não há populações afectadas.

“O que nós fizemos foi colocar uma embarcação para ajudar as populações a fazer a travessia, trabalhamos também com o Governo distrital, com o posto administrativo, com os nossos comités locais para sensibilizarem as comunidades para que evitem a travessia dos rios, expondo-se ao risco”, avançou Amir Ibrahimo, delegado do INGD.

As principais barragens do país continuam a registar enchimentos que variam de 30 a 80% e a efectuar descargas que oscilam entre 3,51 metros cúbicos por segundo e 229,08 metros cúbicos por segundo.

Será sabido a 2 de Fevereiro se há de facto um deputado da Assembleia da República envolvido no tráfico de drogas. A informação foi tornada pública, hoje, por António Niquice, presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito que investiga o caso.

A 23 de Dezembro em curso, a Assembleia da República anunciou a criação de uma comissão parlamentar para investigar o alegado envolvimento de um deputado no tráfico de drogas, usando o Porto de Macuse, na província da Zambézia.

Esta quarta-feira, a comissão, presidida pelo deputado da Frelimo António Niquice, anunciou o arranque das investigações em Janeiro do próximo ano.

“A comissão vai fazer-se ao terreno em Janeiro, a princípio na segunda semana. Vamos interagir com várias entidades, desde o Ministério Público, o SERNIC, a PRM, até as autoridades locais do distrito de Namacurra, onde se localiza o Porto de Macuse, para podermos ter elementos substantivos que nos possam dar matéria bastante e clarificadora desta alegação apresentada em sede do plenário, pelo deputado da Renamo Venâncio Mondlane”, avançou António Niquice.

Segundo o presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), estes encontros são apenas para desenhar o plano de actividades, fazer os devidos contactos e garantir que as actividades arranquem conforme o acordado. Contudo, até ao momento, são escassas as informações.

Niquice disse ainda que a apresentação dos resultados do inquérito é crucial para o esclarecimento do caso e para devolver o bom nome da Assembleia da República.

“A comissão tem a obrigação de apresentar o relatório até o dia 2 de Fevereiro de 2023. É um calendário bastante apertado, mas faremos o melhor para que, até lá, esteja disponível e o caso esteja esclarecido”, garantiu Niquice.

A pergunta que se pretende responder, com este inquérito, é se existe ou não um deputado da Assembleia da República envolvido no tráfico de drogas.

“Na Constituição da República, no que tange a práticas criminais, ninguém está acima da lei, por isso, havendo essa possibilidade, terá que incorrer em responsabilização nos termos da própria lei”, explicou Niquice.

A Comissão Parlamentar de Inquérito é composta por sete deputados, sendo quatro da Frelimo, dois da Renamo e um do MDM.

Caso a denúncia de Venâncio Mondlane não seja comprovada, poderá ocorrer um processo interno contra o deputado da Renamo, à luz do Regimento da Assembleia da República.

O presidente da Associação Moçambicana dos Juízes diz que os acusados de terrorismo não deviam ser julgados em tribunais comuns, tal como sugeriu o juiz presidente de Cabo Delgado. Carlos Mondlane defende também a aprovação de instrumentos legais que permitam o julgamento de casos de terrorismo em Moçambique.

O assunto foi levantado pelo juiz presidente do Tribunal Judicial de Cabo Delgado, António Matimule, que avançou que o tribunal pode estar a libertar supostos terroristas  devido à falta de provas. Ao “O País”, o juiz presidente do Tribunal Judicial provincial revelou que a falta de elementos que mostrem o envolvimento dos acusados nos actos terroristas dificulta a que se tenham dados das motivações dos ataques e descoberta da verdade material.

Carlos Mondlane concorda com o seu colega e diz que casos de terrorismo deviam ser julgados com base na Teoria do Direito Penal do Inimigo, que prevê penas graves para os autores. Neste aspecto, o presidente da Associação Moçambicana dos Juízes avança que os crimes de terrorismo são considerados causadores de maiores danos na vida e no património das pessoas, além de os autores serem pessoas que não reconhecem a legitimidade e a disciplina do Estado, pelo que os acusados devem ser julgados e condenados em fórum diferente dos cidadãos comuns.

Mondlane fala ainda da necessidade de aprimorar a legislação para se julgar casos de terrorismo. Neste capítulo, o juiz elogia o legislador por ter actualizado a Lei de Combate ao Terrorismo e Branqueamento de Capitais, mas alerta que faltam instrumentos processuais diferentes dos usados para os autores de crimes comuns, na medida em que o Código do Processo Penal trata todos os autores criminais do mesmo jeito.

O presidente da Associação Moçambicana dos Juízes defende inclusive que se declare um Estado de Excepção, em Cabo Delgado, o que permitiria a criação de Tribunais Militares para julgar acusados de terrorismo.

“Neste momento, temos funcionários do Estado que se devem deslocar de um local para o outro por causa dos ataques terroristas, isto é uma anomalia, pelo que se justifica a declaração do Estado de Emergência, de Sítio ou de Guerra em função das medidas que pretendam tomar”, realçou Carlos Mondlane.

Desde que se iniciaram os ataques terroristas na província de Cabo Delgado, em 2017, mais de 270 pessoas foram julgadas. Segundo os dados, deste número, 142 pessoas, que são a maioria, foram inocentadas devido à falta de provas e 130 condenadas a penas que variam de 8 a 40 anos de prisão. Entretanto, o Tribunal Judicial de Cabo Delgado ainda não conseguiu ter provas concretas dos crimes que estes cometeram.

A situação faz com que o tribunal duvide da inocência de todos os arguidos absolvidos, mas também não tem certeza se os condenados são responsáveis pelos ataques.

António Matimule diz que a falta de provas está a dificultar que se saiba das reais motivações e origens dos ataques.

Um temor de terra foi registado, esta quarta-feira, no Posto administrativo de Dere, no distrito de Dere, província da Zambézia. De acordo com o Instituto Nacional de Minas (INAMI), o sismo teve uma magnitude de 1.4 na escala de Ritcher e foi sentido, também, no posto administrativo de Morrumbala e Milange.

Num comunicado de imprensa a que “O País” teve acesso, o INAMI avança que não houve registo de danos materiais ou humanos em consequência do sismo.

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