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O País – A verdade como notícia

O Município de Nampula está a autorizar a construção de lojas em zonas proibidas por lei. A Procuradoria está a investigar o caso e pode culminar com o embargo das obras, assim como a revogação das licenças.

A estrada de pavê foi recentemente construída e inaugurada pelo Presidente do Município de Nampula. O acto foi aplaudido pelos munícipes que não sabiam que a seguir vinha uma decisão controversa: a autorização de construção de estabelecimentos comerciais na faixa destinada à passagem de transeuntes, bem como para a construção de valas de drenagem e não só.

“Se construímos lojas aqui, os peões não terão por onde passar sem que isso represente o risco de acidente”, disse Augusto Tauancha, munícipe de Nampula.

A Lei de Terras em vigor define como zona de protecção parcial, entre outras, os terrenos ocupados por condutores aéreos, superficiais, subterrâneos de electricidade, de telecomunicações, petróleo, gás e água. O número dois do artigo 3 do Regulamento do Solo Urbano abre espaço para a emissão de licenças especiais para a exploração de certas actividades em zonas de protecção parcial, entretanto, o número 3 do mesmo artigo determina: “A emissão das licenças referidas no número anterior só pode ter lugar caso não haja objecção das entidades locais que superintendem na gestão das águas interiores e marítimas, estradas e linhas férreas nacionais, aviação civil, energia, defesa e ordem pública, conforme for aplicável”.

Nenhuma dessas entidades foi consultada, por isso, para o advogado Coutinho Quanhiua, há espaço para a Procuradoria agir. “Estas obras podem ser objecto de embargo até que se prove terem sido cumpridos todos os requisitos legais para a emissão de licenças”, disse o advogado.

Actualmente, o Ministério Público está a investigar o assunto relacionado com as construções ilegais, na cidade de Nampula.

O difícil saneamento do meio, a venda e o consumo de produtos de origem vegetal mal manuseados podem expor a Cidade de Maputo à eclosão da cólera, a chamada doença de mãos sujas. No país, há, até ao momento, 1016 casos da cólera e já foram registados oito mortos.

Desde os primeiros dias do ano, a Cidade de Maputo vê-se a braços com o lixo que não está a ser removido devidamente. Aliado a isso, está a imundície nos mercados, sobretudo informais, onde a venda de alimentos é feita sem o mínimo de higiene.

Há muita água suja à volta que é despejada pelos vendedores, moscas em todo o lado, factos que podem concorrer para a eclosão da cólera. A situação deixa os munícipes e consumidores preocupados. “É muito crítica a situação que se vive nos mercados, os alimentos não são bem conservados e moscas aqui que voam e pousam na comida”, disse Daniel Marindze.

Joana Chicuamba fala da necessidade de redobrar as medidas de higiene para evitar a eclosão da doença.

Olhando para esses cenários, o especialista em saúde pública, Joaquim Manhique, alerta que a capital do país pode estar exposta à eclosão da cólera.

“Esta questão de fluxo das pessoas de um local para o outro pode contribuir para que Maputo, como centro de convergência de pessoas no país, haja casos de cólera. O risco é muito alto, há muito consumo de alimentos que não passaram de cozedura, principalmente os alimentos de origem vegetal, e têm um risco muito alto de contaminação pelas fezes”, Joaquim Manhique, especialista em saúde pública.

Niassa, Tete e Sofala são os pontos do país com o registo de casos, são ao todo 1016 casos e oito mortos, e o ministro da Saúde, Armindo Tiago, fala de tomada de medidas para o controlo da doença.

“O Governo tem um plano nacional de eliminação de cólera e um plano multissectorial que envolve todos os sectores e segmentos da sociedade desde o indivíduo até ao Governo. Cada um deve fazer a sua parte e só dessa forma vamos garantir que os assuntos de cólera estejam resolvidos. Duas medidas fundamentais, uma é abastecimento de água às populações e o papel aqui é de toda a sociedade, incluindo o Governo, e a segunda é o saneamento do meio”, ministro da Saúde, Armindo Tiago.

A transmissão da cólera é  por via fecal ou oral, quando se ingere água ou alimentos contaminados. Os alimentos, de forma geral, podem ser contaminados durante a cadeia produtiva e durante o seu manuseio.

 

SOFALA REGISTA MAIS DE 300 CASOS DE DIARREIA EM CINCO MESES

Aumentam casos de diarreia em Sofala. Nos últimos cinco meses, a província registou um cumulativo de 306 casos, dos quais 12 estão internados no distrito de Caia. A insuficiência, o consumo de água imprópria e a falta de latrinas são apontados como principais causas do surto.

A província de Sofala, na zona centro do país, restou, nos últimos cinco meses, um cumulativo de 306 casos do surto de diarreia. “De Setembro até hoje, tivemos um cumulativo de 306 casos internados com diarreia, mas não tivemos nenhum óbito. Actualmente, estão internados 12 no distrito de Caia; estamos a fazer as actividades de sensibilização, seguimento dos casos a nível da comunidade para mitigarmos a situação. A maioria dos casos de diarreia vem dos bairros circunvizinhas a nível da própria vila”, avançou a directora provincial de Saúde em Sofala, Neusa Joela.

Joela acrescenta ainda que as principais causas do surto são o consumo de água imprópria e a falta de latrinas. Para tal estão a fazer campanhas de sensibilização. “O que estamos a dizer agora é que das pesquisas que fomos fazendo, as principais causas que podem levar a este surto de diária é insuficiência ou o consumo de água imprópria. Descobrimos que a maior parte da população consome água do poço não tratada e provavelmente esta pode estar contaminada, mas também escassez de latrinas. Nos bairros por onde andamos de onde provêm os casos de diarreia, identificámos que algumas famílias não possuem latrinas”, acrescentou a directora provincial da Saúde em Sofala.

A representante da Direcção Provincial da Saúde disse ainda que as questões de saneamento e os hábitos de higiene fazem parte das principais causas do surto da diarreia.

A maioria dos casos atendidos na província de Sofala vem do distrito de Murubala, Nhamatanda, Dondo, Marimbe e Chemba.

A Direcção Provincial de Saúde de Sofala afirma que há medicamentos suficientes para responder ao surto da diarreia e que estão criadas todas as condições para que não haja mais contaminações.

Há muitas chances de formação de um sistema de baixa pressão atmosférica entre sexta e sábado, a nordeste da Ilha de Madagáscar, na bacia do sudoese do Oceano Índico.

O sistema tem potencial para evoluir para o estágio de Tempestade Tropical, próximo a costa leste de Madagáscar. Entretanto, o Instituto Nacional de Meteorologia (INAM) garante que o mesmo ainda não constitui perigo para o canal de Moçambique.

O INAM continua a monitorar a evolução deste sistema e apela a população para que continue a acompanhar a informação meteorológica e os avisos difundidos pelas autoridades nacionais competentes.

Um desertor das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM) está detido na cidade de Chimoio, indiciado nos assaltos e assassinatos de mototaxistas e empresários na província de Manica.

Na posse do indiciado, foi apreendida uma arma de fogo de tipo AK47, quatro carregadores, fardamentos e 100 munições.

O indiciado, agora detido nas celas da primeira esquadra na cidade de Chimoio, disse que estava no Teatro Operacional Norte, concretamente no distrito de Macomia, em Cabo Delgado, de onde desertou e, para sobreviver, formou um grupo, que tinha como foco assaltar empresários e mototaxistas.

“Já assaltei um taxista, mas não o matei. Mas também já assaltei um nigeriano e roubei 18 mil Meticais e oito frangos”, contou.

O SERNIC em Manica, através do seu porta-voz, Paulo Tapua, diz não ter dúvidas de que o indivíduo ora encarcerado liderava o grupo que assaltava os mototaxistas em Chimoio.

“O último assalto ocorreu no bairro Vila Nova, aqui, na cidade de Chimoio. Este indivíduo e seus comparsas apoderaram-se de uma motorizada de um mototaxista e, depois, mataram-no”, disse Tapua.

Entretanto, a Associação dos Mototaxistas em Manica disse que, só no ano passado, 25 mototaxistas foram assassinados em Chimoio.

“Estamos a falar de 25 mototaxistas que foram assassinados no ano passado em Chimoio. Essas pessoas fazem-se passar por passageiros. Alguns até solicitam serviços de táxi com garrafas com combustível e alegam que pretendem socorrer alguém em zona remota, afinal é para matar e roubar mota”, explicou Neto Chiganda, presidente da agremiação.

Foi lançada, esta segunda-feira, na Ponta d’Ouro, Província de Maputo, a “Caravana do Contribuinte”. A iniciativa do Governo e implementada pela Autoridade Tributária visa atrair mais contribuintes e alcançar a meta de arrecadação de impostos prevista, que é de mais de 357 mil milhões de Meticais.

Quando eram por volta das nove horas de segunda-feira, a presidente da Autoridade Tributária chegava à vila turística da Ponta d’Ouro. Amélia Muendane foi à praia para um jogo de futebol.

Foi ela quem deu o pontapé de saída que, na verdade, marca, também, o arranque da “Caravana do Contribuinte”. A principal regra do jogo desta iniciativa governamental é atrair mais contribuintes e alargar a base tributária.

“Para 2023, foi estabelecida uma meta de 357 mil milhões de Meticais líquidos, o que significa uma cobrança efectiva de cerca de 415,9 mil milhões de Meticais. Por isso, o Governo de Moçambique tomou a decisão de avançar com a Caravana do Contribuinte, visando a aproximação mútua entre o Estado moçambicano, através do seu Governo, e a sua população representada pelos contribuintes”, revelou Amélia Muendane, presidente da Autoridade Tributária.

Ainda no seu discurso, Amélia Muendane disse esperar-se, como resultado, “uma maior consciência sobre a importância do imposto e uma crescente adesão dos contribuintes ao sistema tributário”.

Outro grupo-alvo desta “Caravana do Contribuinte” são vendedores informais para que, também, saibam que devem pagar impostos, até porque contribuem com cerca de 40 por cento do Produto Interno Bruto.

“O sector informal, para poder contribuir no desenvolvimento no nosso país, deve registar-se. Também deve entrar no sistema tributário para poder pagar os impostos”, elucidou em changana, a presidente da Autoridade Tributária, aos possíveis contribuintes da Ponta d’Ouro, Província de Maputo.

A Província de Maputo arrecadou, no ano passado, 41 mil milhões de Meticais em impostos, um desempenho acima de cem por cento, e o governador acredita que é possível conseguir mais.

“Nós vamos fazer mais. Esta caravana, que nos diga, ensine e mostre o caminho. Nós estamos prontos para que a nossa província contribua mais, até porque temos capacidade, potencial e estamos a perceber”, afirmou Júlio Parruque, governador da Província de Maputo, com um tom de entusiasmo.

A música, a dança, o teatro e o desporto são as formas usadas para atrair mais pessoas para a base tributária, através do pagamento de impostos.

No evento, houve atribuição do Número Único de Identificação Tributária e espaço para quem quisesse tratar do passaporte.

A Caravana do Contribuinte, que decorre sob o lema “A Chama Tributária”, poderá percorrer todas as capitais provinciais, sendo que o fim da sua viagem está prevista para 25 de Junho, em Cabo Delgado.

Arrancaram, ontem, os exames de admissão à Universidade Eduardo Mondlane. Há estudantes que dizem que o modelo integrado dos exames chega a ser penoso em algumas disciplinas. Os candidatos dizem que o tempo estipulado para os dois exames é curto.

Em média, 25 estudantes concorrem a uma vaga nos diversos cursos da mais antiga universidade do país. “Concorrer na Universidade Eduardo Mondlane significa ir a maior universidade do país, e eu penso que, no término do curso, poderei ter uma boa classificação e também engrenar há uma boa instituição, ou seja, a um bom emprego”, disse o candidato a um dos cursos da UEM, Abnério Américo.

“Também a UEM é uma universidade pública e, por ser pública, a pessoa não tem de pagar para estudar e isto traz vantagens para poder estudar a custo zero”, acrescentou Albertina Macamo.

Um sonho cuja realização passa pelo exame de admissão. Adzira Cruz chegou seis horas antes do exame de admissão, concorre a dois cursos e vai fazer quatro exames. Esta terça-feira fez exames de Português e História.

“Ainda não sabia onde era a sala, não conhecia o departamento e não queria correr o risco de ficar perdida antes do exame, preferi chegar cedo”, disse a candidata Adzira Cruz.

À semelhança há outros estudantes que também preferiram chegar cedo. “Era mais para conhecer a sala, este é o real motivo pelo qual cheguei cedo”, disse Nguaze Carangueira.

E até há quem teve tempo para a última revisão da matéria, como Adelina Victor: “De momento estou a fazer uma breve revisão da matéria que eu vinha preparando”.

Um dos factores que atrapalham alguns candidatos, como eles próprios dizem, é o modelo integrado criado em 2021. De lá para cá, dois exames são feitos durante três horas de tempo, sem intervalo, ou seja, uma hora e meia por cada. Aqui, gerir o tempo é fundamental, mas há quem se sente lesado.

“Só atrapalhou um pouco no momento em que faltavam uns cinco minutos para terminar o exame e adicionaram. Eu já havia passado a caneta aleatoriamente e tinha um tempo adicional que poderia ter continuado a resolver, dividir o tempo de desenho, precisa de mais tempo, no mínimo, duas horas só para desenho e ter Matemática à parte. Fazer os dois ao mesmo tempo é complicado”, lamentou Gleybes Cristina.

“É uma disciplina que exige mais tempo em relação à Matemática, mas deram mais 30 minutos, então deu para terminar aquilo que não ia conseguir terminar no tempo normal”, referiu Shentel Taila.

Já outros dizem que, apesar das dificuldades, permanece uma única expectativa: “sempre  é positiva no sentido de poder ser admitido”, disse Tárcia Uamusse.

“Espero passar, espero mesmo porque, no ano passado, foi muito renhido, não deu para concluir os estudos de forma correcta e de forma explícita”, afirmou Melanye Tembe.

“Espero ser admitido, entrar para esta faculdade”, acrescentou, expectante, Suely Gove.

Os exames de admissão decorrem até o dia 13 de Janeiro.

Por: Bena Filipe

 

Com tristeza, tomei conhecimento de 95 casos de violação sexual, durante a quadra festiva de 2022. Em 2021, a UMAR (União de Mulheres Alternativa Resposta) de Portugal, recebeu a comunicação de 299 casos de violação sexual, perfazendo 25 casos em 1 mês, o que contrasta com os ascendentes do ano seguinte 2022.

Segundo a médica legista A. Neves, no período de Janeiro a Setembro de 2022, receberam 1737 casos, dos quais 76% presenciais e 24% on line. Foram detidas 153 pessoas, mas, possivelmente, 15% das queixas eram falsas para justificar namoricos, conflitos conjugais, onde a mãe acusa o pai, e ou o pai acusa o companheiro da ex-esposa/companheira por conflitos para guarda de paternidade.

Esber (2009) aponta que os violadores são de todas as classes sociais, faixas etárias, grupos étnicos. Estão numa sociedade que legitima a sua condição. Por isso, a mulher é desvalorizada e coisificada. Em muitas partes do mundo, os perpetradores da violação/abuso sexual são do perfil descrito por  Esber (2009), mas, na nossa realidade, temos agentes da lei, frequentemente citados, o que legitima a qualquerização da mulher, bem como a fragilidade da educação familiar/formativa.

Um estudo sobre violência sexual feita em Moçambique, por Britgite Bagnol, e publicado em Fevereiro de 2011, avança variáveis como pagamento de multas e casamento para anular o crime.

Hoje, com a escolarização, acesso à informação e aos serviços, estas notificações podem estar a ascender, não pelo número de casos, mas como aumento da própria notificação. De preocupar, existem casos de violação sexual reportados, em que os autores são menores  e  adolescentes, o que demostra que a sociedade está muito doente.

Em relação aos 60 mil casos de registo de nascimento, sem o nome do pai, predominante no Centro e Norte do país, pude apreciar que, em outros quadrantes, como Brasil, temos as cifras de 100 mil nascidos sem registo do pai, em 2021.

Em Portugal, mais de 5700 exames foram pedidos para confirmar a paternidade. A procura da paternidade no contexto norte-americano e outros países (Alemanha, Reino Unido, Dinamarca, Itália e Espanha), preocupa-se mais com a questão do sustento e bem-estar da criança, do que com direito à identificação pessoal.

No contexto norte-americano, o estado é o motor da busca pela paternidade (Rottisein et al: 2005; Manson, 1997). Nos casos em que a mãe omite a identidade do pai, e não depende dele para o sustento, caber-lhe-á a decisão de querer ou não que o estado identifique o pai biológico (Rothstein et al. 2005).

Em Portugal, independentemente da situação económica da mulher, a averiguação da paternidade é quase obrigatória, enquanto que a obrigatoriedade em outros países decorre de imperativos económicos. Percebe-se que o assunto é complicado, e que as políticas se adequam com a realidade, colocando em primeiro lugar a criança, não o pai ou a mãe e sua guerras ou interesses. Nós sabemos que é bom ter um filho de um pai comprometido, mas que vai pagar as mesadas, uma  vez provado a paternidade. Aqui escuso-me de comentar. Ao invés disso, incentivo as mulheres para irem atrás dos seus direitos.

A partilha desta informação, dos 60 mil casos de registos de nascimentos sem que conste o nome dos pais, é de louvar e elogiar, pois convida-nos a reflectir sobre quantos desses foram para confirmar a paternidade.

O Governo e a sociedade civil, sectores que lidam com esta matéria, devem cada vez mais fazer e cumprir as leis, e respeitar os direitos humanos.

Nos dois contextos, cria-se um espaço muito fértil para aumento de casos de HIV. Podemos assumir que, no acto de violação, ou contacto sexual com gravidez, corre sempre o risco de infecção por HIV, tanto para o agressor ou para a vítima. Ninguém tem cara, aparência de HIV. Todos temos, até prova em contrario.

Aparece agora uma nova faixa etária, que está a destacar-se na violação sexual e nas infecções de HIV. Dependendo das circunstâncias, e as razões, não gosto de as procura entender, porque nem sempre as vítimas são vítimas, o autor deve assumir e pagar pelas suas consequências. Só assim este ciclo de qualquerização vai diminuir, sabendo que a mulher sofre porque não terá um homem do seu lado, a sua criança não terá pai, e terá de cuidar sozinha da criança e enfrentar sozinha as dificuldades económicas. Temos à vista um futuro de risco para ambos, por comportamentos desviados, e um desenvolvimento como sociedade comprometido, por causa de um acto prazeroso que se podia evitar, tomando anticoceptivos e usando preservativo. Ambos sabiam o que estavam a fazer e devem assumir as consequências, salvo em menores de idade e onde temos outros elementos agravantes.

Esses problemas vão entrar nas nossas vidas, directa ou indirectamente, cedo ou tarde. Fugir para lugares mais calmos e regrados e contornar não é a solução. Mas exige-se, urgentemente, atitudes conjuntas e corajosas, independentemente de quem esteja envolvido.

 

Perto de 400 famílias estão sitiadas devido às inundações no Posto Administrativo de Catuane, distrito de Matutuine, Província de Maputo. Estima-se, ainda, a perda de cerca de 190 hectares de diversas culturas.

Quando chega a época chuvosa, os moradores do Posto Administrativo de Catuane, distrito de Matutuine, Província de Maputo, ficam com o coração nas mãos porque, a qualquer momento, podem ficar sitiados devido às inundações.

O ano de 2022 não terminou para os moradores daquele ponto da Província de Maputo. De novo, as comunidades lá localizadas estão isoladas de tudo e de todos devido às inundações provocadas pela abertura de comportas de uma barragem na vizinha África do Sul.

“A travessia, geralmente, Catuane à Bela Vista ela está intransitável por causa do galgamento das águas da chuva que vêm do rio Maputo e que deixa as famílias da zona de Maduvula 1 e Pazmane sem ligação terrestre”, revelou Shelton Costa, director distrital das Actividades Económicas no distrito de Matutuine, Província de Maputo.

E são, ao todo, perto de 400 famílias afectadas que recorrem a canoas e uma embarcação disponibilizada pelo Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres para poderem fazer a travessia.

“Está lá um barco alocado pelo INGD que facilita a travessia destas duas comunidades que é da zona de Maduvula 1”, confirmou o director distrital das Actividades Económicas.`

Além de condicionar a ligação terrestre entre as comunidades, o transbordo dos rios Maputo e Pongolo afectou a produção agrícola.

“Nós estamos a falar de mais ou menos e 3350 hectares afectados pelas inundações e, dessas áreas, 190 hectares consideramos perdidos com culturas, afectando mais ou menos 910 famílias”, referiu Shelton Costa.

E estas perdas, de acordo com Costa, não são tão preocupantes quanto às do ano passado por uma simples razão.

“Este ano, tivemos uma sorte porque tivemos a informação muito cedo, através de um comunicado da ARA-SUL, anunciando que, a partir do mês de Dezembro, teríamos inundações por causa da abertura das comportas na barragem de Kongola Port, na África do Sul”, explicou o director distrital das Actividades Económicas.

Com estes hectares perdidos, tranquiliza o director distrital das Actividades Económicas, não haverá bolsa de fome nas comunidades de Catuane. “Geralmente, em algum momento, nós temos as áreas inundadas e elas (as áreas) até aos meses de Março e Abril já não estarão inundadas, então haverá muita humidade e nós vamos sensibilizar os produtores das zonas baixas a massificar a produção para poder recuperar o que foi perdido por causa das inundações”, justificou Shelton Costa.

Nos três postos administrativos de Matutuine, nomeadamente, Catuane, Bela Vista e Zitundo, contabilizam-se mais de 900 famílias afectadas por inundações.

Ministério da Defesa Nacional lançou uma ofensiva de perseguição e destruição de bases terroristas no limite entre os distritos de Muidumbe e Macomia. Designada “Vulcão IV”, a operação militar conta com as forças nacionais e estrangeiras.

Através de um comunicado datado de 01 de Janeiro de 2023, as Forças Armadas de Defesa de Moçambique anunciam o lançamento de uma operação designada “Vulcão IV”, que tem como foco o território a norte do rio Messalo, onde os terroristas continuam a aterrorizar as populações.

O território em causa compreende a área que vai do distrito de Muidumbe à parte do distrito de Macomia, mais concretamente, no Posto Administrativo de Chai.

A operação, “(…) visa intensificar medidas de perseguição e destruição das bases terroristas do inimigo que aterroriza o Norte do rio Messalo, distrito de Muidumbe e o Ocidente de Chai, no distrito de Macomia”, lê-se no comunicado.

Esta segunda-feira, o Ministro da Defesa Nacional, Cristóvão Chume, esteve no distrito de Malema, na província de Nampula, onde lançou oficialmente a campanha de recenseamento militar, edição de 2023. Sobre a operação “Vulcão IV”, nada disse, mesmo depois de a nossa equipa de reportagem perguntar sobre os resultados.

No documento que temos citado, explica-se que a operação “Vulcão IV” é a continuação da operação “Vulcão I”, que foi realizada em Julho do ano passado e que culminou com a destruição da base Katupa, que era descrita como o principal refúgio dos insurgentes no distrito de Macomia.

Falando sobre o recenseamento militar, o ministro da Defesa Nacional pediu aos jovens para aderirem em massa e passou a mensagem que lhe foi dada pelos militares em Cabo Delgado, para transmitir a outros jovens.

“Os militares que estão lá disseram: caros jovens moçambicanos, o país é nosso e não deixemos que o terrorismo se alastre. Protejamos as nossas famílias; juntemo-nos como um povo para erradicar este mal, porque juntos somos mais fortes. Exortamos à participação massiva de todos os indivíduos elegíveis para a presente campanha de recenseamento militar de defesa nacional”, disse Chume, falando a uma plateia de algumas centenas de jovens que estiveram na vila-sede do distrito de Malema.

Para este ano, está previsto o recenseamento de mais de 221 mil jovens a nível nacional.

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