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O País – A verdade como notícia

A tempestade tropical severa Cheneso evoluiu para a categoria de ciclone tropical esta quarta-feira. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia, há probabilidade de o fenómeno evoluir, nas próximas 48 horas, para a categoria de ciclone tropical intenso.

A tempestade tropical moderada Cheneso atingiu, na última terça-feira, o Canal de Moçambique. Esta quarta-feira, o fenómeno evoluiu para uma tempestade tropical severa e localiza-se no mesmo local a 140 quilómetros da costa oeste de Madagáscar.

Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia, os ventos chegam a atingir o máximo de 120 quilómetros por hora e rajada de 165 quilómetros por hora.

Neste momento, o sistema desloca-se para o sudoeste do Canal de Moçambique a uma velocidade quase estacionária, podendo evoluir, nas próximas 48 horas, para a categoria de ciclone tropical intenso. No entanto, a probabilidade de atingir a costa do país continua muito reduzida.

Os efeitos do sistema já se fazem sentir ao longo dos distritos costeiros das províncias de Zambézia, Sofala e Inhambane.

Já em Nampula, os efeitos das chuvas são visíveis e a rede de transporte de energia da Electricidade de Moçambique foi severamente afectada.

Segundo um comunicado, 11 postes de média tensão foram levados a baixo e, consequentemente, 31 276 famílias ficaram sem corrente eléctrica.

Com várias famílias às escuras, a EDM, sem avançar datas, promete, para breve, o restabelecimento do fornecimento normal de energia.

Mais de duas mil pessoas estão afectadas pelas chuvas, nos distritos de Gurué, Ile, Namarroi e Lugela. A situação está a criar transbordo a jusante, no distrito da Maganja da Costa, afectando o curso normal  das famílias.

“Neste momento, temos 525 casas inundadas no baixo Licungo, das quais duas estão totalmente destruídas. Estamos com duas mil e cem pessoas afectadas e, por causa mesmo da prevenção da situação, 15 famílias já foram evacuadas para o bairro de reassentamento de Pereirão e vão merecer assistência do Governo, através do INGD. Para o efeito, temos uma equipa preparada no local e em prontidão; uma tripulação dos marinheiros está igualmente no local a garantir o processo de evacuação das famílias”, disse Nelson Ludovico, delegado provincial do Instituto Nacional de Gestão do Risco de Desastres (INGD) na Zambézia.

Neste momento, continua a chover e os níveis hidrométricos estão um pouco acima do nível de alerta máximo, que é de seis metros. As autoridades estão a monitorar os níveis hidrométricos para que o pior não aconteça. O delegado do INGD diz que a destruição do dique de protecção, aquando da passagem do ciclone Gombe no ano passado, traz complicações na retenção das águas do rio Licungo.

“Estamos a registar subida dos níveis hidrométricos já há dois dias, a nossa preocupação cresce, sobretudo porque a bacia tinha um dique de protecção que ajudava a minorar o impacto das águas sempre que chovesse acima do normal na nossa província. Houve destruição do dique, no decurso da passagem do ciclone Gombe, e ainda não se fez a devida reposição. Enquanto este processo não acontecer, vamos continuar a ter estes problemas com as famílias”, disse Ludovico.

Neste momento, as equipas do INGD estão no terreno a trabalhar no processo de monitoria da situação.

O balanço da época chuvosa, desde o mês de Outubro até hoje, aponta para perto de cinco mil pessoas afectadas, correspondentes a mais de mil famílias, um total de 40 feridos e 16 óbitos por descargas atmosféricas e dois por incêndios.

Falta sinalização num dos acessos da Ponte Maputo–KaTembe, na Malanga, por onde passam peões que descem de comboios ao lado da via. As pessoas que atravessam a estrada estão expostas ao risco de atropelamento. A Rede Viária de Moçambique (REVIMO) diz que deve haver uma operação conjunta com a ANE e o INATRO para evitar acidentes.

Basta um comboio apitar numa das estações que corre um grande fluxo de pessoas na estrada. Pessoas e carros partilham a via, o que coloca inúmeras vidas em risco. “Os passageiros correm porque não há sinalização de peões, nem uma sinalização visual que demonstra que há fluxo de pessoas, há uma necessidade de se fazer algo, antes que alguém seja atropelado”, disse Dalito Zimba, passageiro.

Alguns automobilistas são obrigados a partilhar a estrada e cedem para que o peão passe, mas outros nem por isso. “O comboio descarrega passageiros e nós queremos passar, então é difícil partilhar a mesma estrada com pessoas, há uma necessidade de ter uma sinalização para que se minimize o risco”, alertou Benizaldo Raiva, automobilista.

Um dos automobilistas defende que há necessidade, urgente, de sinalização, antes que o pior aconteça. “É complicado partilhar a estrada, deve-se fazer uma ponte aérea para evitar acidentes, são muitas pessoas que descem do comboio, e por vezes não temos controlo delas”, referiu Sérgio Mutemba, automobilista.

Por sua vez, a Rede Viária de Moçambique (REVIMO) entende que a solução não depende só de si, havendo necessidade de envolver a Administração Nacional de Estradas e o Instituto Nacional dos Transportes Rodoviários (INATRO).

“Devemos juntar-nos para verificar qual é o melhor posicionamento da secção daqui da estrada, onde podemos implantar uma passadeira e uma sinalização na horizontal e outra sinalização na vertical”, advertiu o engenheiro Estalino Machoie, em representação da REVIMO.

Entidades que trabalham para reduzir a sinistralidade rodoviária, como é o caso da Associação Moçambicana Para as Vítimas de Insegurança Rodoviária, apontam para uma média de mil pessoas que morrem anualmente, vítimas de acidentes de viação.

Desconhecidos queimaram, no território sul-africano, um autocarro com passageiros a bordo, que seguia na rota Durban – Maputo. Não há, até ao momento, registo de danos humanos.

Num vídeo amador posto a circular em várias plataformas digitais é possível ver o autocarro que saiu, esta terça-feira, de Maputo com destino a Durban, no território sul-africano, com fumaça e em chamas, o que deixou assustados os passageiros.

Devido a situação a viagem teve que ser interrompida. Uma das passageiras é uma jovem negociante, que saiu ontem de Durban, numa viagem que dura, habitualmente, de 5 a 6 horas só conseguiu desembarcar na Cidade de Maputo na manhã desta quarta-feira, assustada com o que acompanhou esta segunda-feira.

“Sofremos um pouco, tivemos que voltar porque disseram-nos que havia greve, estavam a queimar machimbombo de majugar e tivemos que dormir na fronteira, dormimos na rua”.

Armando Chemane conduz um mini-autocarro e opera na rota Cidade de Maputo-Durban e vice-versa. Quando viu incendiado o autocarro, Chemane seguia com destino à Cidade de Maputo e viu-se obrigado a desviar a rota.

“Saímos ontem de Durban então quando chegamos numa zona chamada Lhilhuli paramos nas bombas a abastecer o carro, apareceu um senhor moçambicano e chegou ali a avisar que não adiantava usarmos aquela via, e, logo que tivemos essa informação viramos e procuramos alternativas”.

O impacto dessa situação não tardou, no terminal internacional da Baixa, até ao meio dia desta quarta-feira, só tinha saído um carro com poucos passageiros contra uma média diária de três carros, disse Lopes Ambrósio, Presidente das Associações de Transportadores Internacionais.

“Acaba afetando todas as rotas para a África do Sul, porque as pessoas ficam com medo. Por exemplo, hoje as pessoas estão com medo. Aqui no terminal da baixa está muito fraco, quase que não há trabalho”.

Até ao momento ainda não foi possível apurar as causas deste incidente e aguarda-se igualmente pelo pronunciamento das autoridades.

Um agente da Polícia da República de Moçambique (PRM) foi morto por mineiros ilegais na província de Nampula. O caso deu-se na manhã de domingo, no distrito de Mogovolas, depois de a Polícia ter baleado um mineiro, numa zona de extracção de pedras semipreciosas.

O local é de difícil acesso e fica no interior do posto administrativo de Iuluti, no distrito de Mogovolas, na província de Nampula. O jornal O País levou horas para chegar ao local onde recentemente foi descoberta a existência de pedras semipreciosas e, por isso, bastante procurado por garimpeiros ilegais.

A comunidade está com medo das autoridades, mas também dos próprios mineiros e os respectivos patrões, mas os poucos que aceitaram dar algum depoimento explicaram os contornos da violência que culminou com a morte do agente da Polícia. Ele foi agredido com recurso a picaretas e acabou por perder a vida no Hospital Central de Nampula, para onde tinha sido socorrido.

Depois do incidente, foi destacado um grupo de agentes da Polícia para guarnecer o local, que, por sinal, ainda não foi concessionado a qualquer empresa de mineração.

Os funcionários do Município de Namaacha, na Província de Maputo, voltaram a paralisar actividades desde a última sexta-feira, em reivindicação dos salários atrasados há seis meses. Segundo uma carta enviada aos trabalhadores, a edilidade não pagou os ordenados por falta de cabimento orçamental.

Desesperados, mais de 20 funcionários reuniram-se, esta terça-feira, no edifício da edilidade para exigir os seus direitos. “Estamos a pedir socorro, estamos a pedir os nossos salários”, reivindicou uma funcionária.

Desde Setembro de 2022 que os funcionários não recebem os seus ordenados. Durante este período, tiveram duas reuniões com a edilidade. No primeiro encontro, o presidente do Município da Vila de Namaacha, Manuel Munguambe, teria pedido calma e paciência aos funcionários, mas não resolveu o problema.

“Tivemos um encontro com o presidente, antes do fim do ano, e disse que devíamos ter paciência. Na passada quinta-feira, voltámos a reunir-nos com ele e disse que queria dar-nos salários refentes ao pagamento de um mês e nós negamos”, relatou outra funcionária.

No dia 19 deste mês, os funcionários enviaram uma carta de pedido de esclarecimentos do atraso salarial à direcção da edilidade. A resposta saiu na última segunda-feira, através de uma nota que diz que o limite orçamental comunicado para 2022 pelo Ministério da Economia e Finanças não foi suficiente para suportar os encargos com os funcionários.

O documento revela que o município previa gastar, no ano passado, cerca de 29,8 milhões de Meticais, mas o limite orçamental que recebeu do Ministério das Finanças era de 13,9 milhões de Meticais, o que representa um défice de pouco mais de 15 milhões de Meticais.

A nota esclarece ainda que a edilidade já solicitou uma cobertura orçamental ao Ministério da Economia e Finanças, estando, até ao momento, a aguardar a resposta.

Enquanto isso, mais de 100 funcionárias continuam sem salários. Como pais e encarregados de educação, os manifestantes dizem que a situação vai condicionar o ano lectivo dos seus educandos.

“Queremos todo o nosso dinheiro, um mês de salários não seria suficiente para pagar todas as nossas contas, porque contraímos dívidas para suprir este tempo que estamos sem salários. As aulas vão iniciar, as crianças vão ter que ir sem cadernos, temos que comprar material escolar. Estamos a pedir ajuda”, exigiu um funcionário, cujas palavras foram reforçadas por um outro: “O que nós queremos é que as nossas contas fiquem satisfeitas e que possamos pagar as nossas contas”.

Mais uma vez, o jornal O País tentou ouvir a direcção do Conselho Municipal de Namaacha, mas sem sucesso.

A Tempestade Tropical Moderada “CHENESO” já está na região central do Canal de Moçambique desde a tarde de ontem, alerta o Instituto Nacional de Meteorologia (INAM).

O sistema desloca-se para o sudoeste do Canal de Moçambique, a uma velocidade de quatro quilómetros por hora, podendo evoluir nas próximas horas para a categoria de Tempestade Tropical Severa.

Entretanto, “como resultado das incertezas nas projecções da sua trajectória, a probabilidade de atingir a costa do nosso país continua reduzida”, lê-se num comunicado do INAM, enviado ao nosso jornal.

Os efeitos do sistema já se fazem sentir ao longo dos distritos costeiros das províncias de Nampula e Zambézia.

O INAM prevê a ocorrência de ventos fortes, até 100 quilómetros por hora, e rajadas até 130 quilómetros por hora, que poderão agitar o mar e gerar ondas com alturas até 10 metros no mar. Adicionalmente, prevê-se a ocorrência de chuvas fortes a muito fortes (mais de 200 milímetros em 24 horas) acompanhadas de trovoadas.

Os meteorologistas recomendam a tomada de medidas de precaução e segurança, face ao risco associado a ventos fortes, chuvas intensas, acompanhadas de trovoadas severas.

Um acidente de viação feriu 13 pessoas na Cidade de Maputo e causou danos materiais. Segundo a Polícia, o acidente terá sido causado por corte de prioridade.

O acidente de viação ocorreu por volta das 8 horas desta terça-feira, entre a Avenida Julius Nyerere e a Rua da Beira, na zona de Hulene–Expresso, na Cidade Maputo.

Sem gravar entrevista, a Polícia de Trânsito explicou que o acidente terá sido causado por corte de prioridade, por parte de um transporte semi-colectivo de passageiros que fazia o trajecto Xipamanine–Magoanine e causou 13 feridos ligeiros, todos encaminhados ao Hospital Geral de Mavalane.

Segundo Josefa Colé, enfermeira-geral no Hospital Geral de Mavalane, os pacientes encontravam-se em estado ligeiro.

“Todos os pacientes eram moderados, nenhum deles apresentava ferimentos graves para além de simples escoriações e algumas dores referidas pelos pacientes. Não houve necessidade de internamento, nem de transferências para outras unidades sanitárias. Receberam atendimento e já se dirigiram aos seus locais de proveniência”, avançou Josefa Colé, enfermeira-geral no Hospital Geral de Mavalane.

Devido à ocorrência, o trânsito ficou condicionado até por volta das 12 horas desta terça-feira.

Até à saída da nossa equipa de reportagem do local, concluía-se o processo de remoção das cerca de 10 viaturas que sofreram embate.

Casas que o Município construiu para serem arrendadas por funcionários do concelho estão a ser alugadas clandestinamente. A edilidade tinha retirado todos os inquilinos, em 2017, para dar lugar a um novo projecto. Os que agora ocupam o local são, preferencialmente, nigerianos e burundeses.

Em Novembro de 2017, segundo uma placa instalada no condomínio, a edilidade decidiu retirar todos os ocupantes da propriedade para dar lugar a um novo condomínio, que seria construído em parceria com empresários turcos.

Entretanto, desde então, as casas ficaram abandonadas, albergando marginais e animais vadios. Os quintais são até usados como campos agrícolas.

Algumas das casas estão a ser alugadas clandestinamente a indivíduos estrangeiros.

“As pessoas é que me dizem para dar as casas, para depois, segundo elas, quando o Estado vier, darem dinheiro aos agentes do Estado. Essas pessoas dizem-me que estão interessadas nas casas. Algumas casas estão a ser recuperadas, não pelo Estado, mas pelas pessoas que estão interessadas. Por exemplo, esta casa ao lado está a ser reabilitada por uma pessoa, e a tal pessoa ainda não pagou. Ele vai pagar ao Estado quando cá vier”, revelou um suposto angariador de inquilinos que revelou que, pelo seu intermédio, cinco casas já foram ocupadas.

No recinto, com aspecto de abandonado, há casas que estão a ser reabilitadas à revelia do Município para acolher mais inquilinos.

“Fui contratado pelo mestre e pelo patrão para trabalhar aqui. O patrão é um nigeriano. Estou aqui a pintar e a montar grades”, disse um serralheiro que estava a montar e a pintar grades.

Um outro indivíduo abordado pela equipa do “O País” diz ser electricista e que foi solicitado apenas para verificar a instalação eléctrica.

“Fui chamado para ver a situação da energia, só isso”, afirmou o suposto electricista, que diz não conhecer o patrão.

Segundo Hélder Muando, responsável do condomínio, o projecto anunciado em 2017 continua e o Município de Maputo vai investigar o caso de arrendamentos clandestinos.

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