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O País – A verdade como notícia

A Empresa portos e Caminhos-de-ferro de Moçambique reiniciou as operações de transporte ferroviário na linha de Cena, no ramal Dona-Ana-Vila-Nova-da-Fronteira, que parte da Beira para Malawi. O primeiro comboio de transporte de material para a reconstrução da linha férrea foi realizado a 3 de Fevereiro.

É um marco histórico! Aliás, foi a 3 de Fevereiro deste ano, Dia dos Heróis Nacionais, que o comboio voltou a apitar na linha férrea de Cena no ramal Dona-Ana Vila-Nova-da-Fronteira, 37 anos depois da sua paralisação devido à guerra civil dos 16 anos.

A linha férrea liga Moçambique e Malawi e é de capital importância para o transporte de mercadorias do Porto da Beira para aquele país do interior sem acesso ao mar. Na retoma, foi transportado cimento do Porto da Beira até Malawi, onde está a ser reconstruída a mesma linha, mas do lado malawiano.

Boaventura Mahave, director ferroviário nos CFM e responsável pela reconstrução da linha Dona Ana-Vila-Nova-da-Fronteira, fala do processo de reconstrução e do impacto que terá para a economia.

“Começámos com comboio misto de carga até à Vila-Nova da Fronteira no dia 2 de Fevereiro. Este projecto tem como objectivo ligar o Porto da Beira e o vizinho Malawi; é sabido que mais de 80% de carga de e para o Malawi era usada pela linha de Cena e por esse ramal Dona-Ana Vila-Nova-da-Fronteira”, referiu Boaventura Mahave.

São 44 km de linha férrea até ao território malawiano. Os CFM investiram 30 milhões de dólares americanos para a reconstrução da linha. Com a ferrovia, cada vagão poderá carregar 82 toneladas, contra anteriores 66 e a velocidade de circulação passa dos anteriores 30 km/h para 60km/h. A carga a ser transportada por ano será de 30 milhões de toneladas.

“Nós já temos várias solicitações para fazer viagens comerciais até à fronteira com o Malawi e o impacto será muito grande para os agentes económicos e população em geral e para toda região austral que muito bem precisa desses corredores ferroviários e nós vamos ter aquele que é o consumidor final a ter os seus produtos e serviços a um preço acessível.”

Numa primeira fase, a operacionalização da linha de transporte ferroviário vai permitir a circulação de comboios de carga do Porto da Beira para Malawi e, posteriormente, a circulação de comboios de passageiros.

O Presidente da República exige modernização da Academia Militar Marechal Samora Machel, para que os oficiais formados estejam à altura do combate ao terrorismo e às mudanças climáticas. Filipe Nyusi falava, hoje, na cerimónia de empossamento de dois oficiais militares.

Numa altura em que o país enfrenta desafios como terrorismo e mudanças climáticas, o Presidente da República exigiu, esta segunda-feira, a modernização da Academia Militar Marechal Samora Machel, para que esteja à altura dos actuais desafios da nação.

Filipe Nyusi disse que aquela instituição deve continuar a constituir orgulho para o país pela formação de oficiais de qualidade e capazes de responder à chamada para a defesa da pátria.

“Hoje, a defesa da pátria e da soberania é mais exigente. A missão da academia, de formar oficiais, deixou de ser mero exercício estatístico, que se cinge no número de quadros formados. Os Oficiais formados na Academia Marechal Samora Machel devem ser portadores de aptidões que melhorem constantemente e que continuem a fazer diferença positiva, no âmbito da conjuntura internacional, caracterizada por múltiplas ameaças, sobretudo a ocorrência de ataques de grupos terroristas”, defende Filipe Nyusi, Presidente da República.

O Chefe de Estado, que falava durante o empossamento de Eugénio Matlaba, nomeado para o cargo de vice-comandante da Academia Militar, exigiu ainda que o recém-empossado use toda a experiência que tem na academia e no comando de pelotões, para colocar a instituição num nível bastante profissional.

“O actual quadro de ameaças no país exige das Forças Armadas respostas arrojadas que a academia militar, como forja de quadros e núcleo pensante no sector da defesa, deve ser capaz de gerar, encontrando soluções adequadas e consentâneas com esses desafios”, disse o Chefe de Estado, apelando que a instrução na academia deve ser de acordo com as necessidades do país, no combate ao terrorismo e às mudanças climáticas.

A internacionalização dos conteúdos leccionados deve ser tido, também, como prioritário: “Queremos que incentivem os docentes, estudantes e investigadores da academia, para que esmerem na pesquisa de matérias relevantes para as Forças Armadas de Defesa de Moçambique, produzindo conhecimento e desafios do sector da defesa”.

Ainda na cerimónia, o Comandante-Chefe das Forças de Defesa e Segurança conferiu posse a André Mahunguane, para o cargo de chefe do Estado-Maior da Casa Militar, sector responsável pela segurança do Chefe de Estado e seus convidados.

Mahunguane foi instado a modernizar a segurança do Chefe de Estado e priorizar sempre a formação em matérias de segurança.

Os oficiais Eugénio Matlaba e André Mahunguane foram igualmente promovidos para as patentes de brigadeiro das Forças Armadas de Defesa de Moçambique.

O ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Daniel Nivagara, que está de visita ao Ruanda, reuniu-se recentemente em Kigali, no Alto-Comissariado de Moçambique no Ruanda, com representantes da comunidade estudantil moçambicana que se encontra em formação naquele país.

Durante o encontro, os estudantes fizeram uma avaliaçao do processo de formaçao, das experiências e boas práticas colhidas, bem como dos desafios enfrentados.

Grande maioria dos estudantes moçambicanos que se encontra actualmente em formação no Ruanda são bolseiros do programa de Parceria para Ciências Aplicadas, Engenharia e Tecnologias (PASET), uma iniciativa pan-africana que visa o reforço da capacidade de investigação e inovação em Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática (CTEM), a melhoria da qualidade do ensino superior e o reforço da capacidade de pesquisa.

Na ocasião, o governante moçambicano exortou aos estudantes a dominarem a Ciência e a Técnica como recurso para resolver os problemas concretos que afectam as comunidades.

Segundo um comunicado enviado à nossa redacção, o dirigente incentivou, ainda, aos estudantes a promoverem, a vários níveis, a criação de redes de cientistas africanos, começando pela criação, no país, de redes internas de trabalho e pesquisa.

Nessa perspectiva, o ministro considerou ser importante maximizar-se os escassos recursos disponíveis no país por forma a gerar-se produtos, serviços e tecnologias competitivas no actual mercado de economia digital, tendo igualmente encorajado os estudantes a serem persistentes nas respectivas áreas de pesquisa, não obstante, os enormes desafios que possam enfrentar no processo de formação.

Há cada vez mais casos de Acidente Vascular Cerebral na Cidade de Maputo. O Hospital Central de Maputo, por exemplo, recebe, por dia, entre 10 e 12 pacientes com sintomas da doença, contra uma média diária de três, que recebia até 2021. Já no Hospital Geral de Mavalane, as entradas diárias variam entre 10 e 15 pacientes.

O Acidente Vascular Cerebral (AVC) é uma das principais causas de morte e de incapacidade no mundo. Dados da Organização Mundial da Saúde apontam que, anualmente, pelo menos 17 milhões de pessoas contraem a doença em todo o mundo.

No país, o Hospital Central de Maputo recebe, por dia, pelo menos 10 pacientes com sintomas do AVC, o que representa um aumento quando comparado com o ano 2021, em que a média a média das entradas diárias era de três pacientes.

O Acidente Vascular Cerebral é uma doença que começa no cérebro, causa dependência e deixa sequelas muitas das vezes indisfarçáveis, como alterações na face, dificuldade em movimentar o corpo e alterações visuais.

Os sintomas do AVC manifestam-se, quase sempre, de forma despercebida, por isso a doença ataca quando menos se espera, tal como aconteceu com António Macuácua, que tem mais de 50 anos de idade.

“Foi no mês de Junho do ano passado, quando despertei logo pela manhã, em mais um dia de trabalho. Na tentativa de tirar a roupa que ia vestir do guarda-roupa, apercebi-me de que o meu pé e a minha mão não estavam a funcionar”, explicou Macuacua.

Não foi tão diferente com Julião Zunguze, que um simples formigueiro que sentiu nas mãos deu início ao AVC há cerca de um ano.

“Naquele dia, eu senti tonturas, depois fui trabalhar e, pelo mal-estar, acabei por levar somente vinte minutos no trabalho. Voltei para casa e fui com a minha esposa a um convívio na casa da minha cunhada. Na madrugada do dia seguinte, comecei a sentir formigueiro”, contou ao “O País” o comerciante de 41 anos de idade, que teve todos os movimentos do seu corpo paralisados, durante semanas devido ao AVC.

Zunguze foi internado numas das unidades sanitárias da Cidade de Maputo, durante por duas semanas e do diagnóstico feito foi comprovado que sofria de hipertensão arterial, o que causou o Acidente Vascular Cerebral, “a minha tensão estava a 264, e depois de algumas horas passou para 274. Depois de medirem a tensão, os médicos analisaram e viram que algumas veias não estavam a funcionar devidamente”, acrescentou Zunguze.

Depois de recuperar a fala e os movimentos do corpo, Zunguze foi submetido aos serviços de fisioterapia e reabilitação, no Hospital Geral José Macamo, onde se encontra ainda a receber tratamento.

“Embora algumas células já estejam mortas e ele vá perder por completo algumas funções, na fisioterapia, queremos garantir que os pacientes pelo menos voltem a fazer as suas actividades diárias sem dependência”, explicou Zeferino José, responsável pelo Departamento de Fisioterapia no Hospital Geral José Macamo.

Entre as principais causas do Acidente Vascular Cerebral, estão a hipertensão arterial, a diabetes, a obesidade, o tabagismo e o sedentarismo. E os casos tendem a aumentar na Cidade de Maputo.

“No primeiro trimestre de 2021, recebemos, no Hospital Geral de Mavalane, 276 pacientes vítimas de AVC. Já no igual período do ano passado, tivemos 298 pacientes, um aumento de cerca de vinte casos da doença”, explicou Lino Senete, médico afecto aos serviços de fisioterapia no Hospital Geral de Mavalane.

O Acidente Vascular Cerebral é, muitas vezes, também associado à idade avançada, entretanto a doença tende a afectar também os jovens.

Dos cerca de dez casos diários que o Hospital Central de Maputo recebe por dia, uma parte dos pacientes são jovens.

“Na Enfermaria de Neurologia do HCM, durante o mês de Janeiro, tivemos seis internamentos de doentes vítimas de AVC e são pacientes com idades até 40 anos de idade”, revelou Nacha Naroz, neurologista, explicando que as causas são diversas, entre as quais “o alcoolismo, falta da prática de exercícios físicos, o estresse diário, os jovens não têm a capacidade de controlar e perceber que são hipertensos e diabéticos, os jovens dormem muito pouco e, em contrapartida, trabalham demais, a ansiedade em querer sempre mais do que se tem, tudo isso faz com que o cérebro fique exausto”.

Vencer as limitações impostas pelo AVC, levantar e seguir em frente é para muitos pacientes o maior desafio. Por isso, os demais deixam um apelo. “Caso tenhas esta doença, não fiques pensando e imaginando muito, pois senão poderá ter pela segunda vez”, apelou António Macuácua, paciente vítima de AVC.

Dados da Organização Mundial da Saúde apontam que pelo menos 17 milhões de pessoas contraem a doença por ano no mundo.

A chuva está a cair de forma irregular na região de Mucelo, distrito de Nicoadala, província da Zambézia, o que prejudica 1200 produtores de arroz. Ao todo são 600 hectares com estado vegetativo da cultura comprometida pela falta da precipitação, uma vez que o regime de produção de arroz é sequeiro.

Devido à queda irregular da chuva que compromete o ciclo de produção da primeira época do arroz no distrito de Nicoadala, os produtores receiam bolsas de fome. Os camponeses dizem que todos os esforços resultam no fracasso, pois, embora chova em quase toda a província, na região de Mucelo cai nem uma gota sequer, o que pode levar as plantas a secarem, comprometendo a produção.

Elizabete da Conceição, produtora de arroz no povoado de Mucelo, tem cerca de dois hectares onde produz aquela cultura. Junto de familiares, tem estado a trabalhar a terra para produzir arroz. Conta que, por estas alturas, ano passado, os campos estavam com água e o arroz a desenvolver-se e, se continuar assim este ano, haverá fome.

“O problema da chuva é evidente, basta olhar para esta desgraça dos nossos campos, onde estamos a cultivar a terra com todas as nossas forças, na esperança de produzirmos para sustentar as nossas famílias. A chuva não está a favorecer-nos, esses dias estamos a lançar o arroz e outros a tirar o capim. No ano passado, por estas alturas, havia muita água nos nossos campos, o que permitiu boa produção na primeira época e animou o moral dos camponeses, mas este ano deixamos tudo nas mãos de Deus”, lamentou Elizabete da Conceição, para quem, se a situação prevalecer, o arroz vai secar criando fome nas famílias. Diz que a única alternativa para sobrevivência é a chuva cair para irrigar os campos.

Nelo White é outro produtor de arroz, até sorriu quando conversava com a nossa reportagem, por achar engraçado o facto de chover com abundância na alta Zambézia, na cidade de Quelimane, menos na região onde estão a trabalhar a terra.

“Infelizmente, a chuva não está a cair, mas nós estamos a trabalhar para termos boa produção. A única coisa que nos está a dificultar é a falta de chuva; chove mais na cidade que na própria machamba. Quando chove lá, nós ficamos ansiosos, mas, quando chegamos cá, vemos que não se passa nada. Vamos continuar a trabalhar na esperança de que a chuva caia para o nosso bem”, disse Nelo White.

A directora distrital dos Serviços das Actividades Económicas de Nicoadala diz que a chuva não está a cair de forma irregular apenas em Mucelo. “A insatisfação hídrica é na zona de Domela até Mucelo na entrada de Marongane. De Domela até Irregele, os produtores estão satisfeitos porque chove. Esperamos que, nos próximos momentos, a irrigação dos campos ocorra com a queda da chuva. Estamos a prever produzir mais de 139 mil toneladas de arroz”, disse Zélia Sabão.

Uma vez que ainda se está na época chuvosa, Sabão não tem dúvidas de que a situação poderá inverter-se nos próximos dias.

O Município da Matola celebra, este domingo, 51 anos de elevação à categoria de cidade. No seu discurso, o presidente da autarquia revelou que está em curso a construção de 24,5 quilómetros de estradas. Calisto Cossa falou também dos desafios e avanços na recolha do lixo e inundações.

Dinis Nhaguto, veio de Zavala, província de Inhambane, e fixou-se na Matola no bairro da Liberdade há trinta anos. Nhaguto fala do seu bairro que é assolado por inundações: “Por enquanto, o bairro da Liberdade está com problemas muito sérios, por conta da água que vem de cima e o bairro está de qualquer maneira, não está como antes. O bairro da liberdade era bonito, mas agora já virou uma certa coisa que nem dá para falar aqui”.

Arlete João, também munícipe da Matola, entende que nem tudo está mal na Matola; há iniciativas que foram concretizadas, embora nem todas, visando minimizar o sofrimento da população.

“A cidade da Matola mudou um pouco, não está como antes, de lá para cá já mudou, falo em termos de estradas e transporte; daqui para a cidade, a estrada está boa e há ‘chapas’. A cidade está limpa, mas não em todos os bairros”, diz Arlete João.

Este domingo, a então vila Salazar, hoje Matola, celebrou 51 anos da sua elevação à categoria de cidade. Calisto Cossa assinalou que a edilidade construiu várias infra-estruturas com impacto na vida dos munícipes, com enfoque para estradas e alguns edifícios de utilidade pública, como é a própria sede do município, mas reconhece os desafios existentes, um dos quais a recolha diária de lixo.

“Um dos grandes desafios que nós temos continua a ser também a limpeza da nossa cidade, a Matola cresceu bastante. Dos dados que apuramos, há quatro cinco anos produzíamos 1250 toneladas de lixo por dia e, hoje, atrevo-me a dizer que produzimos acima de duas mil toneladas de lixo num só dia”, avançou Calisto Cossa, edil da Matola.

As inundações urbanas em diferentes bairros são também a outra dor de cabeça da edilidade. “O nosso objectivo número um é trazer todas as águas a montante até a jusante, digo a montante porque estamos a traçar seguindo a trajectória natural das águas desde Nkobe, Machava quilómetro 15, Sikwama, Fomento e Liberdade até a bacia de retenção da CMC; é um desafio enorme que também requer muitos recursos, mas já demos o sinal.”

A interligação entre bairros através de estradas continua na Matola com a construção em curso de 24 km de rede viária. No capítulo de arrecadação de receitas, segundo o edil, 70% das realizações são pagas por recursos próprios.

A cada 3 de Fevereiro, a Província de Maputo realiza o Festival de Ukanyi, uma bebida tradicional feita à base do “canhú”, com baixo teor alcoólico e apreciada no Sul do país. Os anciões dizem que, após o consumo desta bebida, os homens procuram mais as mulheres. Conheça os protocolos tradicionais para o consumo desta bebida.

Na casa da família Mabjaia decorria parte da festa do “ukanyi”, bebida tradicional feita à base do “canhú”, que começou logo no início de Fevereiro. Os anciãos sentam-se para consumir a bebida ao som de canções e danças tradicionais.

A anciã Isabel Mabjaia é a matriarca do regulado, coube a si contar as histórias desta mítica bebida.

Uma bebida com três categorias, segundo contou a anciã, é o exemplo de “mutenguana”, ligeiramente doce e destinada aos mais jovens; “hanhana”, não muito fermentada e, por fim, “xituetue”, que é fervida e conservada em garrafas. Esta última pode ser consumida em toda a época ou ser guardada para visitantes e hóspedes.

Antes de a bebida ser consumida pela comunidade, conta Isabel Mabjaia, leva-se uma pequena quantidade para os túmulos dos antepassados. O seu consumo obedece a três regras costumeiras, que são: kuphalha ukanyi, que é a fase de abertura da bebida, seguida de xikuwha, que é a festa propriamente dita e, finalmente, kuhayeka mitseko, que é a fase de encerramento.

“Logo que caísse o ‘canhú’, pegávamos no fruto, tirávamos o sumo, deixávamo-lo aqui e íamos aos túmulos dos nossos antepassados. Primeiro deitávamos ao chão e pedíamos mais ‘ukanyi’, para termos paz antes de começarmos a beber, antes de nem sequer uma gota.”

A bebida é servida do pote para o “ndzeku”, um copo feito à base da abóbora. Usa-se um tipo de capim que só aparece nas machambas na época do “canhú”. Reza a história que esta bebida era acompanhada de carne de caça e/ou verduras tiradas das machambas.

O fruto do canhoeiro cai somente entre Janeiro e Março. Entretanto, o régulo Mabjaia explica que não é com qualquer “canhú” que se faz a bebida. “Estes mais velhos sabem, só de ver às vezes nota-se que o fruto não é o apropriado. Há, sim, bebida azeda, sobretudo a que é vendida no mercado.”

Outra anciã de Marracuene, Nelly Ngovo, explica o mito que há em relação à bebida. Diz-se habitualmente que o que acontece entre um homem e uma mulher numa sessão de toma de “canhú” termina por lá. “Ao tomar esta bebida, vai-se sempre atrás de uma mulher, porque haverá excitação, e essa bebida densa sai desta que estou a fazer.”

Não há comprovação científica de que “ukanyi” é afrodisíaco, ficando-se apenas nas crenças dos que consomem, mas os mesmos deixam sempre o alerta para os consumidores.

Hélia Mucavele, filha de Nelly Ngovo, ajuda a mãe a preparar a bebida e até a consome e conta a sensação de beber ukanyi: “é uma boa bebida, não faz mal e muito saudável”.

E na azáfama das celebrações do dia 2 de Fevereiro, dia do Gwaza Muthini, a vila de Marracuene esteve em festa e a bebida de ukanyi esteve à venda. Luís Langa comprou-a e divertiu-se.

A anciã Nelly defende repreensão dos que vendem a bebida. “Do meu ponto de vista, as bebidas devem ser arrancadas [de quem as vende], e deviam ser multadas, porque conhecem a norma. Esta bebida tradicional não é para ser comercializada, é para ser oferecida.”

Outro aspecto curioso é que, às vezes, quando se bebe “ukanyi”, há sempre uma corda, que é para amarrar os que eventualmente estiverem a perturbar o ambiente animador característico.

O impacto da chuva e do vento ainda é fraco na presente época, comparativamente aos danos registados entre Outubro e Fevereiro do ano passado, disse a presidente do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres. Luísa Meque apela à retirada voluntária da população das zonas propensas a inundações.

A chuva continua a cair, com mais incidência na zona Centro do país, causando inundações urbanas e destruição de infra-estruturas públicas e privadas.

No entanto, o Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres(INGD) diz que o impacto ainda é menor, comparativamente ao que se viu entre Outubro e Fevereiro na época chuvosa passada.

“Temos estado a registar a ocorrência de chuvas, sobretudo na zona centro, tipo da época chuvosa, que ainda decorre, e estamos ainda a trabalhar no levantamento e alguns danos preliminares. Até agora podemos avançar que não estamos na situação dos anos anteriores, onde a estas alturas já tínhamos ciclones de grande intensidade”, disse a Presidente do INGD.

Luísa Meque explicou que há famílias a serem retiradas das zonas baixas ou propensas a inundações, na província de Tete, devido ao aumento das descargas na Hidroelétrica de Cahora Bassa.

Desde o início da época chuvosa 2022/2023, em Outubro, pelo menos 37 mil pessoas foram afectadas por inundações, em todo o país, e cerca de 318 salas de aula foram destruídas, sobretudo por conta de ventos fortes.

As autoridades preveem chuvas normais com tendência para acima do normal até Março deste ano.

Mais do que palavras, é preciso pôr em prática todos os mandamentos da lei de Deus conhecidos, para promover a harmonia, a paz e liberdade religiosa, defende o secretário permanente do Ministério da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos. Manuel Muchanga falava hoje na celebração do Dia Internacional da Fraternidade Humana.

Assiste-se no mundo ao aumento de actos de intolerância, discurso de ódio e desrespeito da diversidade, o que contraria os mandamentos da Religião e o espírito da Fraternidade Humana para a Paz Mundial e para a coexistência pacífica.

Este sábado, diferentes personalidades juntaram-se na Cidade de Maputo, por ocasião da celebração do Dia Internacional da Fraternidade Humana e do Dia Mundial da Religião, e sublinharam a importância da compreensão mútua e promoção da tolerância na sociedade.

Numa reunião com os líderes de diferentes religiões, o Ministério da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos destacou a importância da união para a paz.

“Hoje, continuamos a viver em um mundo caracterizado por pandemias, conflitos, mudanças climáticas e violência, infelizmente, incluindo conflitos religiosos, que continuam a causar enorme sofrimento, marcam a vida de muitas pessoas, particularmente as mais pobres e vulneráveis, e restringem o desenvolvimento local, nacional e global”, disse Manuel Malunga, Secretário Permanente do Ministério da Justiça.

Para Malunga, mais do que palavras, é preciso que haja acções que criem mudanças positivas na sociedade.

“Precisamos ter paz genuína como indivíduos, pois é somente através da paz interior que podemos ter a verdadeira paz exterior. Sem isso, os seres humanos continuarão a competir e a rivalizar constantemente. A acção inter-religiosa tem o poder de influenciar a vida das pessoas e pode ter um papel vital na promoção de uma acção colectiva positiva, para prevenir e reduzir a violência baseada no género, contra crianças, pessoas com deficiência e outros desafios sociais”, acrescentou.

A secretária de Estado da Província de Maputo e a representante da UNESCO em Moçambique apelaram as igrejas a deixarem as diferenças de lado e trabalharem para a harmonia social.

“Tenhamos presente que estamos num momento em que a religião não é motivo para guerras e conflitos entre os povos e acreditamos que com a renovação da cooperação e promoção das relações inter-religiosas e o diálogo inter-cultural pode contribuir para a resolução de vários desafios locais”, explicou Judith Mussácula.

Já Paulo Gume aconselha que “é sobre a humanidade e a paz que devemos falar. E sobre a paz devemos tomar esta experiência que diz: Se quiser ir rápido, vá sozinho, mas se quiser ir longe, vá acompanhado. A paz é um processo longo e duradouro”, completou.

Os intervenientes falavam por ocasião do Dia Internacional da Fraternidade Humana, celebrado a 04 de Fevereiro, e do Dia Mundial da Religião, assinalado a 21 de Janeiro passado.

É sobre a humanidade e a paz que devemos falar. E sobre a paz devemos tomar esta experiência que diz: se quiser ir rápido, vá sozinho, mas se quiser ir longe, vá acompanhado. A paz é um processo longo e duradouro.

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