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O País – A verdade como notícia

Sete pessoas perderam a vida e outras quatro contraíram ferimentos, entre graves e ligeiros, vítimas de descargas atmosféricas ocorridas durante o fim-de-semana nos distritos de Gondola e Guro, na província de Manica.

O primeiro caso ocorreu no distrito de Gondola onde seis pessoas da mesma família perderam a vida e três ficaram feridas, quando um raio caiu sobre a residência onde se encontravam abrigadas por causa da chuva. As vítimas incluem duas crianças.

A casa ficou em chamas depois de ter sido atingida por um raio, deixando seis pessoas totalmente carbonizadas.

O segundo caso registou-se no distrito de Guro, onde duas pessoas que seguiam numa motorizada foram atingidas por uma descarga atmosférica, tendo uma perdido a vida.

O facto foi confirmado pelo porta-voz do Comando Provincial Polícia da República de Moçambique, em Manica.

Mateus Mindú explicou que o incidente de Gondola aconteceu no sábado, no povoado de Mandhore, Posto Administrativo de Cafumpe.

“No caso de Gondola, todas as vítimas são da mesma família. Foram atingidas mesmo em casa. Seis pessoas morreram carbonizadas no local. Das três feridas, duas estão internadas no Hospital Distrital de Gondola, enquanto uma está a receber tratamento ambulatório”, explicou Mindú.

“Para o caso de Guro, dois indivíduos faziam-se transportar numa motorizada. O raio caiu sobre eles e um perdeu a vida. O ferido foi socorrido para o hospital local e está a receber tratamento”, avançou Mindú em conferência de imprensa sobre as principais ocorrências registadas no fim-de-semana.

Na ocasião, apelou à população para evitar aglomerações e permanecer debaixo de árvores durante a época chuvosa.

“É importante que observemos todas as medidas de segurança quando está a chover. Têm sido frequentes casos de morte por descargas atmosféricas quando estamos no período chuvoso. Portanto, vamos ser mais cuidadosos de forma a evitar mais perdas de vidas”, aconselhou.

A província de Manica tem estado a registar, nos últimos dias, chuvas fortes acompanhadas de ventos e trovoada. Em algumas regiões, as vias de acesso estão interrompidas devido à erosão provocada pelas chuvas.

O Hospital Central de Maputo diz que apenas 60 dos 600 médicos aderiram à greve. Apesar da situação, a direcção da maior unidade sanitária do país garante estar pronta para responder à demanda durante a quadra festiva.

Com as festas de Natal e fim de ano à vista, aumenta o número de pacientes que procuram por atendimento no Hospital Central de Maputo.

Com a greve dos médicos em curso, 60 médicos paralisaram as actividades na unidade sanitária em referência.

“Estamos a registar algumas ausências, embora sintamos que os nossos apelos estão a ser respondidos, pois alguns colegas têm estado a trabalhar e redobram esforços para garantir que todos os pacientes sejam atendidos. Neste momento, não há doente que chegue ao hospital e não receba atendimento”, disse Mouzinho Saíde, director-geral do HCM.

Os casos de acidentes de viação e agressões físicas são os que mais dão entrada nos serviços de urgência da maior unidade sanitária do país. Na sua maioria, necessitam de transfusão de sangue.

Falando a jornalistas, em conferência de imprensa, esta segunda-feira, Mouzinho Saíde explicou que ainda há falta de 200 unidades de sangue para completar as 600 necessárias para responder à demanda nas festas.

“Temos um registo de 412 unidades de sangue em stock, precisamos de mais para garantir que qualquer situação que possa ocorrer tenha resposta.”

Ainda assim, o director-geral do HCM garante que há medicamentos suficientes e que todos os serviços estarão a funcionar normalmente durante a quadra festiva.

Os profissionais de saúde alertam para o aumento de algumas doenças neste período de festas, devido ao calor intenso, e reiteram para o reforço da hidratação, higienização e melhor conservação dos alimentos.

O Ministério dos Transportes e Comunicações (MTC) decidiu, esta segunda-feira, suspender, com efeito a partir de hoje mesmo, o exercício das actividades de transporte de passageiros da empresa Transportes Ideal, incluindo o motorista, enquanto decorre o inquérito para apurar as condições de segurança em que a referida firma opera, para posterior decisão final.

O MTC conta, em comunicado de imprensa, que, no dia 15 de Dezembro de 2022, na Estrada Nacional Número Seis (EN6), zona da Coca-Cola, cidade de Chimoio, província de Manica, uma equipa multissectorial de fiscalização de trânsito rodoviário, integrando a Polícia da República de Moçambique, Instituto Nacional de Transportes Rodoviários (INATRO) e outras entidades locais, interpelou o veículo, com matrícula AKY 641 MC, pesado de passageiros, pertencente à empresa Transportes Ideal, registada na cidade da Matola, Província de Maputo.

“Do trabalho realizado no terreno, pela equipa de fiscalização, constatou-se que o autocarro em referência praticava actividade de transporte de passageiros em deploráveis condições mecânicas, como a avaria do sistema de aceleração do veículo, chegando ao extremo de o condutor ter optado por improvisar uma corda para que uma outra pessoa pudesse acelerar o veículo em seu lugar, longe deste, colocando em perigo a segurança dos passageiros e demais utentes da via pública”, lê-se no comunicado do MTC.

O MTC entende que os procedimentos da empresa e do motorista são contrários às regras de transporte de passageiros e chocaram a sociedade moçambicana, por ser uma prática que põe em risco a vida dos ocupantes do veículo em causa, transeuntes e demais utentes da via pública, contrariando e afrontando os esforços do Governo e da sociedade em geral, que visam reduzir os índices de acidentes de viação, envolvendo veículos de transportes de passageiros, em especial nesta quadra festiva.

O MTC reiterou o apelo à observância das regras de trânsito e ao cumprimento dos termos e condições da licença da actividade de transporte público de passageiros, como observância da lotação dos veículos, cumprimento do tempo de descanso e habilitação dos condutores, consumo de álcool, estado técnico das viaturas, entre outras obrigações dos operadores e das tripulações.

“Aos infractores, continuaremos a aplicar medidas mais arrojadas com vista à protecção da vida dos passageiros e demais utentes da via pública”, advertiu o MTC.

Preços de produtos de primeira necessidade tendem a disparar na Cidade de Maputo, quando falta cerca de uma semana para o Natal. Com a tendência actual, o poder de compra das famílias está a reduzir consideravelmente.

Com o Natal à espreita, a dona Paula Tembe escolheu o mercado Malanga, na Cidade de Maputo, para comprar alguns produtos, como forma de reforçar os que já possui. “Já tenho tudo bem organizadinho, a minha filha ajudou a comprar tudo.”

Tanto no mercado Malanga como no Fajardo, os preços já estão a subir. “Uma diferença de 10 e 15 Meticais daquilo que era antes”, disse Ercília Cassamo, que é também secundada por Gracinda de Sousa, vendedeira: “Há uma semana, o preço da farinha estava a 350 Meticais e, agora, está a 390 Meticais; uma dúzia de ovos custava 90 Meticais e, agora, está a 100 Meticais. O preço do óleo de cozinha também subiu; o importado está acima de 1000 Meticais uma garrafa de 5 litros”.

Já no Mercado Grossista de Zimpeto, o saco de 10 kg de cebola, que na semana passada custava entre 480 e 500 Meticais, actualmente é vendido, por alguns comerciantes, por 550 Meticais. O preço da caixa do tomate, dependendo da origem e qualidade, chega a custar 300 a 700 Meticais.

Os preços de outros produtos também disponíveis naquele mercado, como a batata reno, também estão a subir.

O porta-voz dos importadores, mais conhecidos por “mukheristas”, Abílio Marrima, explica que tudo se deve ao lugar do qual são importados os produtos.

“Na África do Sul, estão a aumentar os preços, por exemplo temos o saco de batata que está a 80 e a 90 rands. Mesmo assim, na qualidade de importadores, estamos a redobrar esforços para que os moçambicanos não tenham falta de produtos”, garante Abílio Marrima, porta-voz dos “mukheristas”.

Com a falta de meios de conservação, aliada a altas temperaturas que a Cidade de Maputo regista nos últimos dias, e o reduzido poder de compra, já se prevê a deterioração de alguns produtos. “O risco é maior, os produtos perdem qualidade quando estão expostos ao sol”, reconheceu Armando Chongola, da Comissão de Vendedores daquele mercado.

Além da alta de preços, há comerciantes com balanças viciadas, algumas até já apreendidas por equipas de fiscalização que trabalham no Mercado Grossista do Zimpeto, concretamente do Município de Maputo, da INAE e do Instituto Nacional de Normalização e Qualidade.

Está detido um dos membros da quadrilha que assaltava estabelecimentos comerciais na Província de Maputo. Sobre o integrante do grupo trajado de uniforme das Forças de Defesa e Segurança, a PRM diz que ainda não tem detalhes.

As imagens das câmaras de segurança a que tivemos acesso mostram o momento em que uma quadrilha composta por cinco indivíduos, um dos quais trajado de uniforme das Forças de Defesa e Segurança e armado, chegavam para mais um assalto.

Faziam-se transportar numa viatura do tipo “minibus” e, naquela noite de 15 de Dezembro, o destino era um dos estabelecimentos comerciais da cidade da Matola, Província de Maputo.

Os assaltantes entraram na mercearia, fizeram de refém uma mulher com uma criança ao colo e roubaram botijas de gás e 11 mil Meticais.

Este sábado, a Polícia apresentou um dos integrantes da quadrilha, que é o condutor da viatura usada no assalto.

De acordo com o indiciado, o esquema de assalto foi desenhado por agentes da Polícia. “Eu só sei que levei as pessoas nas paragens porque quem me liga é um agente da Unidade de Protecção de Altas Individualidades a dizer que devia passar do Aeroporto, em frente à Base Aérea, e levar o colega que trabalha na 15ª esquadra, um do SERNIC”, contou a sua versão dos facto o motorista indiciado de fazer parte da quadrilha.

O jovem, de 38 anos de idade, aceitou o comando sem saber ao certo para onde iam, mas tinha a certeza de que, depois de tudo, receberia cinco mil Meticais pelo trabalho.

“Quando perguntei para onde íamos, ninguém disse nada, só me foi informado que receberia algum dinheiro, e nós fomos até Khongolote. Chegados lá, eles mandaram parar em frente a uma mercearia e eles desceram a correr do carro e voltaram a entrar, já com quatro botijas. Mandaram eu seguir a viagem e começaram a contar o dinheiro que tinham conseguido e chegava a 11 mil Meticais. Depois de venderem as botijas, só abasteceram o carro com mil Meticais e deram três mil”, detalhou o indiciado.

O transportador público de profissão disse que até achou estranho como tudo aconteceu, mas não a tempo de pular do barco. “Liguei, até, para o meu patrão e disse-lhe que queria ir ter com ele para lhe apresentar um assunto, mas já havia vídeos a circular. E eu a sair de casa prenderam-me na CMC (EN4)”, explicou.

A PRM na Província de Maputo confirma a detenção de apenas um integrante da quadrilha que se dedicava a assaltos aos estabelecimentos comerciais. “Neste momento, há diligências em curso com vista à neutralização dos indivíduos que estão a monte. Os assaltantes, no momento do acto, faziam-se transportar numa viatura que facilitava o seu trabalho de roubo e, neste momento, a Polícia da República de Moçambique, a nível da Província de Maputo, vai continuar a apertar o cerco contra todos aqueles que protagonizam acções maléficas nesta parcela do país”, revelou a porta-voz da PRM na Província de Maputo, Carmínia Leite.

Sobre um dos assaltantes que estava trajado do uniforme das Forças de Defesa e Segurança, a Polícia diz que ainda não tem detalhes. “Relativamente a estas imagens do agente da Polícia, há um trabalho que a PRM está a fazer, como levantamento de base de dados com vista a aferir se realmente é membro da corporação e se está no activo ou não. No momento oportuno, vamos esclarecer”, assegurou Carmínia Leite.

Ainda no sábado, foram apresentados indivíduos detidos acusados de assalto a residências, consumo e venda de drogas.

A equipa da Yango, uma plataforma digital internacional, reuniu-se, semana passada, com o Ministério dos Transportes e o Presidente da Confederação das Associações Económicas (CTA), com objectivo de demonstrar às autoridades moçambicanas como vai revolucionar a mobilidade urbana do país.

Tecnologia de ponta e compromisso com parcerias com empresas locais são a chave para oferecer aos usuários um serviço acessível, eficaz e ágil.

Em circulação nas ruas de Maputo desde o início de Novembro, em parceria com operadores locais, Yango apresentou, esta semana, às autoridades e aos empresários a tecnologia única de mobilidade que se desloca rapidamente a um custo muito vantajoso.

Ao longo da semana, Anton Zykov, Chefe das Relações Governamentais da Yango, reuniu-se com o Presidente da Confederação dos Empresários de Moçambique, Agostinho Vuma, com o Director Nacional dos Transportes e Comunicações, Fernando Sebastião Ouana, com o Presidente do Conselho Municipal de Maputo, Eneas Comiche, e outras autoridades municipais e governamentais.

Nessa reunião, Zykov enfatizou que a Yango não é uma operadora de transporte, mas uma empresa de tecnologia da informação que fornece uma plataforma para optimizar o serviço de empresas de transporte, bem como associações de táxi. Nesse sentido, demonstrou absoluta abertura para estreitar relações com empresas e entidades diversas, entre os quais a Associação de Táxis de Maputo, com quem formalizou esta semana a intenção de estabelecer uma parceria.

Além de promover a qualidade e a acessibilidade do transporte urbano, o Yango’s Chefe de Relações Governamentais destacou que as parcerias entre a plataforma e os operadores locais ajudarão a criar oportunidades de autoemprego para jovens que precisam de uma actividade económica em que todos saiam a ganhar.

A lista de oportunidades da Yango, apresentada esta semana, inclui a vontade da plataforma de atrair investidores estrangeiros interessados no sector e fazer a ponte entre instituições de crédito internacionais e empresas locais interessadas em renovar frotas de táxis.

Mecanismos de segurança, como a possibilidade de partilha de itinerários em tempo real, acesso à informação de táxis e motoristas e uma tecnologia que monitoriza o estilo de condução dos condutores, que demonstraram interesse na proposta da plataforma, foram também apresentados às autoridades moçambicanas.

Além de Moçambique, os serviços digitais Yango capacitam parceiros locais na Argélia, Angola, Costa do Marfim, Gana, Camarões, Senegal, Zâmbia, Congo Brazzaville, República Democrática do Congo. A empresa está presente em mais de 20 países em diferentes regiões do mundo, incluindo Europa, Ásia Central e Oriente Médio.

 

Falta menos de uma semana para a celebração da festa do Natal, momento em que as pessoas se juntam para celebrar o Dia da Família e o nascimento de Jesus Cristo, que os cristãos acreditam ser o Salvador do mundo.

Na Cidade de Maputo, o vermelho, o branco e o verde já dominam as avenidas, mas o destaque vai para as vitrinas das lojas, desde as pequenas até aos centros comerciais de grande superfície. Na entrada de alguns estabelecimentos, os clientes deparam-se com árvores de Natal gigantes, renas brilhantes, muitas luzes e a figura de um homem vestido a vermelho e com uma barba branca: o Pai Natal.

Nas lojas, a corrida para garantir que tudo esteja pronto nesta que é uma das maiores festas dos cristãos é frenética. O jornal “O País” visitou um estabelecimento comercial, especializado na venda de brindes e material de bolos e as prateleiras cheias de artigos natalinos são as que dominam os produtos à venda.

O entra e sai de clientes é anormal, segundo os gestores da loja. “Abrimos [a loja] às nove horas e só fechamo-la às 18. Clientes não param de entrar, não temos tempo para descansar, nem para almoçar, todos querem organizar o Natal como deve ser. As vendas estão a correr como deve ser e temos ainda stock suficiente para responder às necessidades dos nossos clientes”, disse Marlete Pedro.

Conforme disse a gestora da loja, as expectativas superaram os últimos dois anos, em que as celebrações decorreram em meio à pandemia da COVID-19. Por dia, chegam a receber mais de 500 clientes, enquanto, noutros anos, o número não passava de 100.

“Estamos a perceber que as pessoas estão a procurar as coisas muito cedo, o que é bom, assim evitam a correria da última hora. Temos tudo, desde chapéus de Pai Natal, enfeites para bolos de Natal, balões com as cores de Natal, árvores, tudo relacionado com esta época”, explicou Marlete Pedro.

Na loja, conversámos com Felizarda Guambe, confeiteira que procurava material para enfeitar os seus bolos, mas também para decorar a sua Árvore de Natal e casa. Segundo contou, aquelas eram as últimas compras que fazia para estas festas. Este ano, decidiu comprar tudo cedo para ter festas tranquilas.

“Aqui vim comprar, também, coisas para os bolos que os clientes encomendaram, já estou cheia de encomendas e não estou a receber mais nenhuma. Para os meus clientes, quero garantir que os bolos saiam da melhor forma possível, vou decorar de vermelho, verde, branco e dourado e cada vou oferecer brindes, que são estes que vim comprar aqui”, contou a confeiteira.

Não são só as lojas de brindes que estão com o movimento acima do normal. O Hotel Polana também espera por mais clientes este ano, tem para a noite do dia 24 preparadas duas salas para receber seus clientes, uma com capacidade para 150 pessoas e outra 180.

“Para o dia 25, preparamos um almoço para as famílias, que começa às 12 e vai até às 15 horas. Estamos felizes porque as pessoas estão a aderir, já temos reservas feitas e estamos preparados para receber as pessoas que vão chegar na última hora”, referiu Osvaldo Nguane, director Comercial.

Do seu menu, esperam-se entre os pratos tradicionais doces típicos da época, já há até alguns expostos para atrair os clientes.

Do tradicional ao mais rústico, artesãos decidiram presentear os clientes com Árvores de Natal feitas de madeira, esperavam superar as vendas este ano, mas as coisas não correm como o esperado.

“As vendas estão fracas, fizemos muitas árvores, mas não estão a comprar; hoje (sexta-feira) compraram uma até agora, ontem (quinta-feira) compraram três e anteontem (quarta-feira) cinco, mas temos esperança de que ainda virão comprar”, lamentou Charles Agostinho, artesão.

Nas ruas da Cidade de Maputo, pais e filhos tiram fotos em lugares com imagens que remetem ao Natal, entendem que o momento serve para ensinar às crianças o significado da época e unir ainda mais as famílias.

Ayla Francisco, uma das crianças, aprendeu que este momento representa o nascimento de Jesus Cristo, mas também sabe que as crianças merecem receber presentes.

“Eu pedi ao Pai Natal uma cozinha, porque gosto de cozinhar e pedi-lhe para visitar as crianças pobres do mundo e também oferecer-lhes presentes”, desejou a menina.

Os profissionais estão preocupados com a falta de qualidade no ensino de Direito no país e defendem a revisão do Sistema Nacional de Educação como uma das formas de se ultrapassar o problema.

No início da semana passada, o presidente da Associação Moçambicana dos Juízes, Carlos Mondlane, denunciou a falta de qualidade dos formados em Direito no país, chamando de “juristas coxos” as “pessoas que foram formadas pelas faculdades de Direito, mas têm dificuldades básicas”.

O assunto gerou debate a nível de vários domínios sociais. Entre a classe dos advogados, não foi diferente. Os profissionais entendem que as fragilidades na qualidade não estão apenas no ensino de Direito, mas também na educação oferecida no país em geral.

Para Pascoal Bié, advogado há mais de 10 anos e docente do curso de Direito, as fragilidades do ensino de Direito começam nas escolas primárias e, mais tarde, prejudicam o cidadão como beneficiário dos serviços prestados por estes profissionais.

“O beneficiário da máquina do sistema de administração da Justiça é o cidadão. O que se tem assistido é que, em grande parte desta máquina, ainda temos muitos desafios relacionados com a qualidade de serviço que é prestado”, disse Pascoal Bié, advogado.

Sobre as causas do problema, Victor da Fonseca, advogado há mais de cinco anos, condena o Estado moçambicano, por pouco estar a fazer para acabar com as fragilidades no sector da educação. “O maior violador é o Estado moçambicano, porque está plasmado na Constituição da República que o ensino superior, como o ensino básico, é prioritário para salvaguardar o bem-estar. Eu nunca estudei numa escola pública com o filho de um Presidente da República, ou de um ministro, portanto isto deixa a desejar questões de qualidade.”

Na Ordem dos Advogados, muitos recém-formados não passam do teste a que são submetidos para se filiar à organização. De acordo com o bastonário, muitos licenciados chegam à OAM com problemas elementares.

“Há pessoas que têm como resultado uma nota acima de 14, mas, quando nós conversamos com elas para perceber o seu nível de conhecimento sobre dada matéria, descobrimos que não sabem nada. Às vezes, fazemos perguntas básicas, até mesmo sobre a definição do Direito e alguns licenciados não sabem explicar o que é Direito”, exemplificou o bastonário da OAM.

A proliferação de instituições de ensino de Direito, a falta de bibliotecas e de material didáctico de qualidade são apontados pelos advogados como estando na origem da falta de qualidade de ensino no país.

Para sanar esta lacuna, os advogados defendem uma revisão profunda do Sistema Nacional de Educação.

Para Pascoal Bié, “Temos de começar por melhorar o Sistema Nacional de Educação, nos níveis mais elementares, para garantir que as faculdades de Direito, as escolas de formação jurídica e judiciária recebam pessoas com um ‘background’ em condições de assimilar conhecimentos jurídicos”.

Victor da Fonseca acrescenta que “O Estado moçambicano deve investir na qualidade de ensino e motivar o professor que chora por causa dos seus salários”.

Por sua vez, as instituições de ensino de Direito reconhecem o problema e prometem melhorias. “A Faculdade de Direito [da UEM] está, neste momento, a fazer a revisão do currículo de Direito, que tem como um dos objectivos tornar o curso mais relevante, para que possa formar juristas que manifestem menos fragilidades”, garante Teodósio Wate, director da Faculdade de Direito da UEM.

Atracou no último ontem, no Porto de Maputo, o navio veleiro da expedição marinha “One Ocean”. No país, a embarcação norueguesa vai, durante mais de duas semanas, fazer pesquisas sobre os maiores problemas marinhos e apontar prováveis soluções.

Eram por volta das 09 horas do último sábado quando o navio veleiro, da expedição “One Ocean”, atracou no Porto de Maputo.

Na embarcação de 98 metros de cumprimento, estavam mais de 100 estudantes e investigadores que pretendem através de pesquisas no oceano, responder aos problemas do ambiente marinho.

“A poluição marinha é um dos factores que estão a matar os nossos oceanos e a edificação dos corais, o que afecta as mudanças climáticas. Então, as informações irão trazer enormes benefícios ao nosso país como uma nação costeira e também para outros países costeiros”, explicou Lídia Cardoso, ministra do Mar, Águas Interiores e Pescas.

O navio norueguês intitulado “Statsraad Lehmkuhl” chega à capital moçambicana depois de viagens por 37 lugares do mundo, durante 20 meses.

“Em Maputo, o navio chegou esta manhã [sábado] e vai permanecer até ao dia 03 de Janeiro. Eu penso que isso retrata as excelentes relações entre a Noruega e Moçambique e destaca a importância do país como um Estado oceânico”, disse o embaixador do Reino da Noruega, Haakon Gram.

A ministra do Mar, Águas Interiores e Pescas disse que as pesquisas feitas por estudantes e investigadores que viajam no navio veleiro vão contribuir para o desenvolvimento sustentável da economia do mar.

“Eles, em certos momentos, param e colhem informações sustentáveis sobre a água, fazem estudos sobre o lixo, e nós faremos parte do processo.”

No navio, estão a bordo investigadores de diferentes partes do mundo, e no país, espera-se “recrutar” 10 estudantes e docentes universitários, que farão parte da viagem para Durban, na África do Sul.

A partida da embarcação do Porto de Maputo para a cidade sul-africana está prevista para 3 de Janeiro.

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