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O País – A verdade como notícia

A Administração Nacional de Estradas (ANE) diz que há pontes obsoletas no país. Sobre as que desabam pouco tempo depois de erguidas, Chaca Mafuiane, representante da ANE, diz que há necessidade de se rever as normas de construção, de modo a tornar as infra-estruturas resilientes aos eventos climáticos.

Nos últimos quatro anos, cerca de 76 pontes foram danificadas. Deste número, mais de 10 desabaram. Os eventos climáticos, como os ciclones Idai e Kenneth, influenciaram para tal.

Este ano, as cheias que se verificam desde esta quarta-feira, na capital do país, acrescentaram um dado às estatísticas. A ponte sobre o rio Calichane, na localidade de Impaputo, em Namaacha, desabou, cortando a ligação com o distrito de Boane.

Confrontada com a situação, a Administração Nacional de Estradas diz que as pontes estão obsoletas e que os eventos naturais só vêm realçar o facto.

“As nossas pontes foram dimensionadas para uma chuva de período de retorno de cerca de 50 anos, e as pontes que temos na nossa rede viária têm um período um pouco maior que aquilo que era a expectativa. Portanto, quando acontecem esses eventos extremos, não têm a capacidade de resistir como era desejado”, disse Chaca Mafuiane.

Em relação às pontes que desabam em menos tempo, como é o caso da que está sobre o rio Rovúbwè, em Tete, que tombou menos de dois anos após a sua reabilitação, Mafuiane justificou que “as normas que nós usamos podem não estar a adequar-se às necessidades que a natureza trás hoje”.

De modo a resolver o problema cíclico, a ANE diz que “já estão a desenvolver-se estudos para desenhar pontes que se adequem à necessidade actual.”

O Representante da ANE falava, este sábado, durante uma reunião entre o INGD, o SENSAP e o INAM, para o balanço do primeiro dia de resgate das vítimas das cheias na Cidade e Província de Maputo, que deixaram algumas vias intransitáveis.

A comissão de inquérito criada pela Secretaria de Estado do Desporto para averiguar os motivos do braço-de-ferro entre os Mambas e a Federação Moçambicana de Futebol já está a trabalhar. A comissão tem 30 dias para apresentar os resultados e promete independência nas suas actividades.

Carlos Gilberto Mendes já tinha dado a conhecer que criaria uma comissão de inquérito para apurar as causas dos incidentes ocorridos na Argélia, à margem da realização do CHAN 2022, envolvendo a selecção nacional de futebol, os Mambas, e a Federação Moçambicana de Futebol (FMF). A mesma já foi conhecida e já começou a trabalhar.

São, ao todo, 13 os membros da comissão de inquérito, que incluem juristas, dirigentes desportivos, líderes das associações desportivas que lidam com o futebol, jornalistas e gestores, que têm a missão de determinar eventuais responsabilidades, bem como propor a adopção de medidas que possam prevenir a ocorrência dos mesmos factos ou similares, no desporto nacional.

Pedro Sinai Nhatitima foi designado presidente da comissão e, na passada sexta-feira, dirigiu uma conferência de imprensa para dar a conhecer as responsabilidades da mesma, tendo garantido independência no exercício das suas actividades.

“A independência resulta do facto de a partir do momento em que a comissão está criada, durante o período de 30 dias em que vamos fazer o nosso trabalho, não recebemos ordens ou directivas dessa entidade que nos criou. Terá que aguardar que receba o relatório que vai ser produzido por esta comissão”, disse Pedro Nhatitima.

A independência não se vai cingir apenas na interferência da Secretaria de Estado do Desporto na comissão, mas também na sua formação, já que conta com pessoas de diversas organizações e segmentos da vida social, política, jurídica e desportiva do país.

“A independência também resulta da composição desta comissão, começando por mim próprio, que represento um outro poder do Estado, para emprestar mais imparcialidade e independência ao trabalho que se pretende fazer. Resulta, também, de antigos dirigentes desta instituição que vão dar a sua experiência nas actividades a serem desenvolvidas, e porque contamos também, nesta comissão, com representantes das organizações da sociedade civil ligadas ao desporto moçambicano”, referiu o presidente da comissão de inquérito.

Serão 30 dias de trabalho, os mesmos que nos separam do próximo compromisso dos Mambas, diante do Senegal, em Março, para a qualificação para o CAN da Costa do Marfim, na dupla jornada intermédia, e a comissão quer garantir melhor ambiente no seio do balneário.

Pedro Sinai Nhatitima diz mesmo que a missão é contribuir para o alcance de bons resultados dos Mambas. “Pensamos nós que é muito importante que até lá este ambiente esteja desanuviado. Nós pretendemos contribuir para um bom ambiente das nossas selecções, que se traduza em bons resultados”, frisou Nhatitima.

PROCURAR SOLUÇÕES E NÃO CULPADOS

A comissão de inquérito assegurou ainda, durante a conferência de imprensa, que a sua missão não é encontrar culpados ou inocentes, mas ajudar na busca de respostas para melhor resolução deste tipo de situações no futuro.

“Estamos aqui apenas para apurar os factos e que ajudem, no futuro, quer a secretaria de Estado do Desporto, quer a Federação Moçambicana de Futebol e outras federações a lidarem melhor com estas matérias e situações”, esclareceu Pedro Sinai Nhatitima.

A comissão de inquérito integra juristas, gestores e dirigentes desportivos e ainda antigos jogadores e jornalistas, através das diversas associações que lidam com o futebol moçambicano.

 

EIS A COMPOSIÇÃO DA COMISSÃO DE INQUÉRITO

Pedro Sinai Nhatitima             Juiz Conselheiro Tribunal Supremo

António Munguambe              Antigo director do Instituto Nacional do Desporto

Carlos Tembe                            Antigo chefe de Departamento Jurídico do MJD

Francisco da Conceição           Director nacional do Desporto de Rendimento

Amélia Cabral Chavana            Directora-geral do Fundo de Promoção Desportiva

Gerson Mubai                            Inspector sectorial-adjunto do Desporto

Mahomed Valá                          Representante do Comité Olímpico de Moçambique

Zeca Chauque                            Presidente do Comité Paralímpico de Moçambique

Rui Évora                                     Representante Associação Treinadores de Futebol

António Marinho Gravata        Presidente do Sindicato dos Jogadores de Futebol

José Gabriel Dava                       Presidente da Associação de Gestores Desportivos

Adão Matimbe                            Presidente da Associação de Imprensa Desportiva

Ângelo Matinene                        Representante da Associação de Veteranos de Futebol

 

FEIZAL SIDAT FALA DO “CASO PREMIAÇÃO DOS MAMBAS” NA QUARTA-FEIRA

O Presidente da Federação Moçambicana de Futebol, Feizal Sidat, vai falar pela primeira vez dos acontecimentos de Argel, que envolvem os Mambas e o órgão que dirige, bem como da participação da selecção nacional no CHAN 2022, que se disputou na Argélia.

De acordo com o comunicado da FMF, o presidente da Casa do Futebol vai falar na próxima quarta-feira, não especificando mais detalhes desta conferência de imprensa.

Os Mambas terminaram a competição nos quartos-de-final da prova, pela primeira vez, o que acabou por levantar um braço-de-ferro entre a comitiva e a direcção da FMF em torno da premiação.

Os jogadores exigem a divisão dos 400 mil dólares ganhos pela FMF pela passagem aos quartos-de-final em 60% para eles e 40% para a Casa do Futebol, o que não está a ser aceite pelo organismo que gere o futebol. Uma situação que levou à suspensão de cinco atletas, nomeadamente Isac, Telinho, Chico, Shaquile e Kito, bem como do treinador-adjunto Eduardo Jumisse.

O vice-presidente da FEMATRO diz que os transportadores vão agravar a tarifa do transporte de passageiros na Cidade e Província de Maputo. Entretanto, a edilidade da capital do país diz que não foi autorizado nenhum aumento.

Circula, desde esta quarta-feira, um comunicado assinado pela União dos Transportadores de Maputo (UTRAMAP), que anuncia nova tarifa de transporte a entrar em vigor a partir do início da próxima semana.

De acordo com o documento, o preço do “chapa” vai subir sete Meticais, o que significa que as rotas que aplicavam 12 Meticais passam a cobrar 19 Meticais e nas rotas cuja tarifa era de 15 Meticais, serão aplicados 22 Meticais.

O vice-presidente da Federação Moçambicana das Associações dos Transportadores Rodoviários (FEMATRO) confirma o anúncio e diz que o ideal seria agravar a tarifa em 15 Meticais, contudo o valor é inferior em benefício do cidadão, que já enfrenta alto custo de vida.

A medida é anunciada num contexto de insatisfação por parte dos transportadores, que alegam que a actividade está insustentável.

“Os transportadores queriam já desde o ano passado aumentar a tarifa em sete Meticais, mas nós sempre dissemos que o Governo estava a trabalhar para ver se haveria compensações. Todavia, as compensações falham”, disse Paulo Mutisse, vice-presidente da FEMATRO.

O Governo prometeu, mas depois desistiu do subsídio ao passageiro, que era a forma definida para não encarecer a vida das pessoas. Por outro lado, avançou com as compensações aos passageiros. Entretanto, até ao momento, “aos semicolectivos foram pagos o correspondente a dois meses e às cooperativas foram pagos apenas quatro meses”.

“Temos uma tarifa que já foi aprovada pelo Município de Maputo, de incremento de sete Meticais por passageiro. Esse incremento já tinha sido aprovado, mas não aplicámos na altura porque o Governo disse que subsidiaria o passageiro”, acrescentou.

Entretanto, sem dar entrevista, o Conselho Municipal da Cidade de Maputo esclareceu que não foi autorizado nenhum agravamento.

Já o Ministério dos Transportes e Comunicações prometeu pronunciar-se em breve. O “O País” sabe, porém, que o MTC, o Conselho Municipal de Maputo e as associações dos transportadores vão reunir-se na sexta-feira.

Viatura de uma agência funerária contendo urna caiu na vala de drenagem na manhã desta sexta-feira, na Praça 16 de Junho, na Cidade de Maputo. O motorista e o acompanhante da urna saíram ilesos.

A viatura saía da avenida 24 de Julho em direcção ao cemitério de Lhanguene, na Cidade de Maputo, e porque a água da chuva impedia que se vissem os limites da estrada, foi parar na vala de drenagem, na Praça 16 de Junho.

O condutor do veículo estava acompanhado de um dos familiares do falecido transportado na urna.

“Para conseguir abrir a porta, tive de lutar. Eu e o acompanhante saímos por cima do carro. A sorte é que havia outros senhores que nos ajudaram, lançando cordas. Só assim conseguimos sair a salvo”, narrou Félix Magaia, motorista.

O Serviço Nacional de Salvação Pública (SENSAP) esteve no local e retirou o caixão para uma outra viatura.

“Fizemos o nosso trabalho: retiramos o caixão e socorremos o motorista, que saiu ileso”, disse Francisco Candine, comandante do SENSAP na Cidade de Maputo.

Até à saída da nossa equipa de reportagem, o veículo funerário estava a ser removido da vala de drenagem.

A urna foi levada até ao cemitério de Lhanguene, onde se realizariam as cerimónias fúnebres.

As chuvas que se fazem sentir na Cidade e Província de Maputo dificultam a transitabilidade dos automobilistas, facto que causa alguns constrangimentos na via pública.

Nos últimos dias, é possível ver vários veículos que foram arrastados pela forte corrente de água da chuva.

A Cidade e a Província de Maputo vão continuar a registar chuvas fortes, acompanhadas de trovoadas e ventos com rajadas pelo menos até domingo, fenómenos que podem chegar às províncias de Gaza e Inhambane, pelo que se chama a atenção de todos os automobilistas, sobretudo os transportadores interprovinciais, para que tomem maior atenção

O Instituto Nacional de Meteorologia (INAM) prevê a ocorrência de chuvas fortes acompanhadas de trovoadas e ventos com rajadas para as próximas 48 horas, nas províncias de Maputo, Gaza, Inhambane, Manica e Sofala.

Segundo o INAM, em Maputo, as áreas de risco são os distritos de Matutuíne, Namaacha, Boane, Moamba, Magude, Manhiça, Marracuene bem como as cidades de Maputo e Matola.

Na província de Gaza, estão em risco os distritos de Chókwè, Bilene, Mandlakazi, Limpopo, Mapai, Mabalane, Chicualacuala, Chigubo, Chibuto, Guijá, Chongoene e cidade de Xai-Xai.

Em Inhambane, as áreas de risco são os distritos de Zavala, Inharrime, Jangamo, Panda, Funhalouro, Mabote, Homoine, Morrumbene, Massinga, Vilankulo, Inhassoro, Govuro e cidades de Maxixe e Inhambane.

O INAM prevê igualmente que o sistema venha afectar as províncias da região Centro do país, concretamente as províncias de Sofala e Manica.
Em Manica, estarão em risco os distritos de Machaze, Mossurize, Sussundenga, Macate, Gondola, Vanduzi, Manica, Bárue, Macossa, Guro, Tambara e cidade de Chimoio.

E na província de Sofala, o INAM cita os distritos de Machanga, Chibabava, Buzi, Dondo, Nhamatanda, Muanza, Gorongosa, Cheringoma, Marromeu, Maringue, Caia, Chemba e cidade da Beira.

Face à ocorrência de chuvas moderadas a fortes, trovoadas e ventos com rajadas fortes, o INAM recomenda a tomada de medidas de precaução e segurança.

A chuva que caiu nas últimas 48 horas na Cidade e Província de Maputo fez estragos. Casas desabaram e ficaram inundadas, carros pararam no meio da estrada e as ruas estão quase intransitáveis. Alguns munícipes tiveram de abandonar suas casas.

Tudo começou na noite de terça para quarta-feira. Era apenas um sinal do que ainda estava por vir. Esta quinta-feira, o cenário ficou mais evidente. Na Cidade de Maputo, as fragilidades de vários bairros vieram ao de cima.

Triunfo, Costa do Sol e Mapulene, bairros chamados de elite, com casas luxuosas, a chuva mostrou, mais uma vez, o seu poderio. Com as ruas alagadas e quase intransitáveis, até os carros de “luxo” tinham dificuldade para medir forças com a água.

Para sair de um lugar para o outro, havia duas opções – ou andar descalço ou calçar botas – as calças, vestidos, saias e capulanas eram puxados até ao joelho.

“Solidariedade” é uma palavra que fez muito sentido, é que os mais fortes e corajosos carregavam nas costas outras pessoas para poderem atravessar as águas e os sapatos de alguns até se descolaram e os pés começaram a sair bolhas. Foi o que aconteceu com Orlando Baloi, que trabalha no bairro Triunfo.

“Quando desci do ‘chapa’, apercebi-me de que isto estava cheio de água, ainda tentei entrar por aqui, mas, por conta da quantidade de água, preferi usar outro caminho, mas sem sucesso, pois, quando cheguei lá, vi que estava pior. Encontrei algumas pessoas que disseram que a água chega a altura da cintura, por isso decidi voltar e enfrentar esta água que chega à altura dos joelhos”, contou.

A situação do bairro Triunfo já esteve pior, foi amenizada por uma vala de drenagem, que já está cheia e a transbordar.

Se os carros de grande porte ainda conseguiam passar pela água, os de pequeno porte nem podiam tentar. “Os carros pequenos nem adiantam, tive que deixar o meu em casa, não adianta arriscar, ontem tive problemas e não quero piorar a situação do carro”, disse Arlindo Sabor, que trabalha como motorista numa das residências do bairro Triunfo.

No bairro Triunfo, a natureza voltou a fazer o mesmo desta vez, tanto que até na Escola Comunitária Ntwanano nem das crianças a chuva teve piedade.

Todo pátio está inundado, para entrar e sair da escola, é preciso ter equilíbrio. Para as crianças, foi um dia triste, pois não puderam fazer o que mais gostam: brincar.

“Na entrada da escola, colocaram sacos com areia para podermos passar, mesmo assim, molhamos; hoje não brincamos, nem saímos da sala”, contou Shelton, aluno daquela escola.

No bairro Costa do Sol, na rua Major-General Cândido Mondlane, mais conhecida por Rua Dona Alice, a situação foi igual à do bairro Triunfo, onde o parque de diversão não escapou da fúria das águas.

Segundo relatou ao “O País” o gestor Victor Rodrigues, as águas invadiram o parque, alagando todo o parque de estacionamento, as plantas ficaram todas cobertas de água e não era possível entrar, nem sair do recinto.

“A estrada foi construída muito acima do nível e ao invés de ir lá para fora através do nosso sistema de escoamento, ela ‘regressa’; a situação piora porque os responsáveis por fazer a limpeza da vala não estão a fazer nada”, desabafou o gestor.

Houve quem viu tudo que construiu durante toda a sua vida ficar reduzido a nada. Encontrámos Francisco Mota a “lutar” com a água para trancar o portão da sua casa, isso porque está toda alagada e não há condições para ele e sua família estarem lá.

Disse ao “O País” que perdeu quase tudo, desde mobília, electrodomésticos e outros objectos e que a noite passada pernoitou em casa de familiares.

“Agora, é só esperar a água baixar, para poder voltar e trabalhar para comprar outra mobília, mas a verdade é que a última vez que vi isto acontecer foi em 1977, não imaginei que isso fosse voltar a acontecer”, lamentou.

Em Mapulene, as casas também ficaram submersas; “sofrimento” e “tristeza” são as palavras que mais estão na boca dos residentes daquele bairro. Numa das casas visitadas pela nossa equipa de reportagem, a proprietária, Ana Morais, explicou que a água é das chuvas que caíram em Abril do ano passado.

“Já não tenho quintal, as crianças não têm um espaço para brincar, já não precisamos de comprar peixe, porque aqui, no nosso quintal, é o que tem demais; minha casa estragou-se e comecei a construir outra; não dá para viver assim, até estou a colocar entulho no quintal.”

Ana Morais culpa o Município de Maputo por não colocar valas de drenagem, pois considera que esta é a solução mais adequada para o problema que, segundo a moradora, se agudizou com as “mansões” à volta da sua residência, pois fecham o caminho das águas.

ENXURRADAS NA PROVÍNCIA DE MAPUTO

Já na Província de Maputo, assiste-se a um cenário igualmente caótico, caracterizado por casas tombadas, muros derrubados, ruas alagadas, pessoas mergulhando na água suja, estradas intransitáveis… uma cena de “lamentar”.

Em apenas um quarteirão do bairro Mozal, três casas tombaram. Por sorte, ninguém estava no seu interior na altura do ocorrido, segundo contou a senhora Carla.

“Foi por volta das 22 horas que ouvimos um tombo. Saímos para ver. Estava tudo escuro, mas vimos uma parte do muro deste armazém caído. Mas, quando amanheceu, vimos que duas casas, uma de madeira e zinco e outra de alvenaria, haviam caído. As nossas só escaparam por sorte”, contou.

Ao longo da Estrada Nacional Número 4, na Província de Maputo, houve também muros que não venceram a luta contra as águas.

Já no bairro Liberdade, os munícipes estavam presos nas suas casas, sem liberdade de circular, tudo porque as ruas ficaram alagadas. A água invadiu, igualmente, as suas casas.

O facto ocorreu numa área que será abrangida pela vala de drenagem, cuja primeira pedra para a sua construção foi lançada na semana passada e espera-se que esta resolva a situação, contudo, enquanto tal não acontece, estes continuarão sitiados.

Houve situações em que famílias abandonaram as casas devido à quantidade de água no interior. Outras pessoas, dentro da água, caminhavam carregadas de sacos de roupa, cestos e outros pertences.

“Eu tive medo de sair. A água chegava até ao peito das minhas crianças, em algum momento pensei que pudessem ser afogadas. É triste isto! Quero convidar a edilidade, na pessoa do presidente do Município, para vir aqui e mergulhar nestas águas, por forma a sentir o que sentimos”, disse, transtornada, uma moradora.

Ficou mais complicado andar por algumas ruas e avenidas da Matola. Há sinais de perigo por todo o lado. Buracos na via pública, poças profundas, tudo provocado ou até piorado pela chuva que cai desde a última terça-feira.

A edilidade da Matola fala de desafios que ultrapassam a sua capacidade. Reconhecem os desafios, virados para a construção de valas de drenagem e disponibilidade de fundos.

“A chuva da madrugada de terça-feira, que foi intensa, tinha sido acomodada em função do trabalho preventivo que foi feito para o escoamento das águas. Foi intenso, mas as infra-estruturas conseguiram responder e as águas, até ao fim do dia, tinham corrido bem e todos os passos estavam acessíveis. Entretanto, com a descarga do fim do dia desta quinta-feira, o desafio ficou maior, no sentido de que todas as infra-estruturas ficaram sobrecarregadas. E como sabeis, a água também transporta consigo resíduos sólidos, garrafas e plásticos, o que compromete ainda mais o sistema de escoamento”, disse Bernardo Dramos, presidente do Conselho de Administração da Empresa de Gestão de Águas e Saneamento do Município de Maputo.

Dramos diz mais: “As chuvas que caíram de ontem para hoje, em qualquer canto do mundo, nenhum sistema responde de forma imediata. O mais importante é que, havendo cheias, que é normal, natural que numa situação como esta, a infra-estrutura tenha a capacidade para que a chuva dê uma pausa. Assim, o primeiro desafio seria construir infra-estruturas de drenagem, de saneamento e de esgoto que possam ter a capacidade de responder com maior eficácia”, explicou o PCA.

Há insurgentes infiltrados nos centros de reassentamento de deslocados em Cabo Delgado. A informação é revelada por um estudo realizado pelo Instituto para o Desenvolvimento Económico e Social, que aponta ainda haver falta da presença do Estado nas zonas afectadas pela guerra.

A pesquisa, que foi feita em dois meses, revela alguns problemas enfrentados pelas populações que vivem nos centros de reassentamento dos deslocados em Cabo Delgado.

Apresentado pelo Instituto para o Desenvolvimento Económico e Social (IDES), uma organização da sociedade civil, o estudo aponta algumas preocupações contadas pelas vítimas da guerra.

De acordo com o director-executivo da organização, Fidel Tereciano, o terrorismo em Cabo Delgado já ganha uma outra conjuntura.

“Já começam alguns grupos a dispersar-se entre si sem grandes recursos para a sua sustentabilidade e começa aquilo que chamamos de pequenos ataques”, disse Fidel Tereciano, tendo acrescentado que “o estudo identificou a questão de ‘Estado padrasto’, porque, se o terrorista consegue dar óleo para cada deslocado ou cada família e o Estado não proporciona isso, as pessoas começam a medir quem realmente está a caminhar com elas”.

Os dados da pesquisa colectados nas províncias de Cabo Delgado, Manica e Nampula revelam que, devido à ausência de serviços básicos, as populações ficam mais vulneráveis e chegam a aliar-se aos insurgentes.

“Primeiro, ao mesmo tempo que as pessoas pensam em voltar às suas zonas de origem, entendem que não há segurança; em segundo lugar, a população não consegue ter o essencial para a vida, desde a habitação, alimentação e água.”

A pesquisa aponta um terceiro elemento que tem a ver com a falta de limpeza dos corpos ao longo das zonas afectadas.

Está detida a antiga Directora-geral do antigo INATTER e outros quatro funcionários da instituição pelo envolvimento em actos de gestão danosa de fundos públicos. Os crimes foram cometidos entre os anos 2018 e 2021, de acordo com o Gabinete Central de Combate à Corrupção.

Segundo uma nota emitida pelo Gabinete Central de Combate à Corrupção (GCCC) os cinco funcionários do extinto Instituto Nacional de Transportes Terrestres (INATTER), actual Instituto Nacional de Transportes Rodoviários (INATRO), são acusados de praticar os crimes de abuso de cargo ou função, corrupção passiva para acto ilícito, administração danosa, pagamento de remunerações indevidas, violação de regras de gestão, participação económica em negócio e associação criminosa, entre os anos 2018 a 2021.

Entre os indiciados, estão a antiga Directora-geral da instituição, a ex-chefe do departamento de Administração e Finanças, dois técnicos e uma antiga trabalhadora de uma empresa fornecedora de serviços.

A nota refere ainda que o processo dos cinco indiciados foi remetido ao juiz de instrução para efeitos de primeiro interrogatório judicial em cumprimento do disposto no artigo no175 do Código de Processo Penal.

Recorde-se que em 2021, 16 funcionários da instituição, entre preparadores de exames teóricos e práticos, examinadores, técnicos informáticos e quadros afectos a secretaria foram detidos por envolvimento na emissão fraudulenta de cartas de condução biométrica, em troca de valores monetários, entre 2016 e 2017.

O Conselho Municipal de Chimoio aplicou 100 milhões de Meticais de receitas próprias na compra de 20 novos camiões para a recolha de lixo e manutenção de vias de acesso.

O Conselho Municipal de Chimoio disponibilizou 20 novos camiões, que foram recebidos com cânticos e danças pelos munícipes.

A edilidade reforça, assim, a sua frota, com o objectivo de melhorar o sistema de recolha de lixo, que tem sido um dos grandes desafios de boa parte das autarquias do país.

“Trabalhamos para a cidade de Chimoio, para podermos ter a nossa cidade boa, não só no centro dela, mas um pouco por todo o lado. A compra dos camiões é com base nisso. Fortificamos a nossa empresa para sermos aquilo que nós queremos ser – uma referência nacional e regional a nível da África, no que diz respeito a trabalhar e trabalhar cada vez mais para os nossos munícipes”, disse João Ferreira, edil de Chimoio.

Ferreira explica que os fundos usados para a compra dos camiões basculantes são da edilidade.

“É com base no investimento e nas receitas públicas próprias que estamos a conseguir comprar este equipamento. Às vezes, dizem que algum país está a apoiar-nos… não; O que nós fazemos é poupar. Nós não gastamos dinheiro em coisas supérfluas. Ando no mesmo carro em que andava no início do mandato. Então, nós não precisamos de carros para nós, precisamos de camiões para poder trabalhar, precisamos de máquinas para poder trabalhar para os nossos munícipes. Nós jurámos servir e vamos trabalhar para isso”, acrescentou João Ferreira.

Antes da aquisição destes camiões, a autarquia de Chimoio recorria ao aluguer de viaturas para recolher lixo.

O edil João Ferreira disse que os meios vão ajudar o Conselho autárquico a ser muito mais eficiente na gestão dos resíduos sólidos e outros serviços.

No dia 16 de Dezembro de 2021, Ferreira adquiriu um total de onze camiões modernos que custaram pouco mais de dois milhões de dólares norte-americanos ao Conselho Municipal de Chimoio.

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