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O País – A verdade como notícia

Há fraca afluência no pagamento do Imposto Autárquico de Veículo e Manifesto, na Cidade de Maputo. Até ao momento, a Direcção Municipal de Finanças recebeu 42 mil contribuintes das 140 mil viaturas previstas. O processo termina esta sexta-feira e, depois disso, haverá multas.

A cobrança do Imposto Autárquico de Veículos, na Cidade de Maputo, arrancou em Janeiro. Dois dias antes da data prevista para o fim do processo, Neúsia Muando decidiu efectuar o pagamento, mas não teve sucesso.

“Não consegui concluir o processo porque, para o Manifesto, não há sistema e só estão a ser atendidos os que querem pagar a taxa de rádio. Aos poucos, as pessoas estão a abandonar a fila e os que estão ainda à espera não sabem por quanto tempo mais poderão aguentar”, lamentou a utente.

Um problema constatado em várias outras recebedorias da Cidade de Maputo, onde, apesar de filas longas que se registaram, na manhã desta quarta-feira, havia timidez no atendimento, segundo relataram os utentes, tal é o caso de Marcelino Tovela, que se deslocou à recebedoria de KaPhumu.

“Ainda não me sinto completo porque falta o pagamento de Manifesto, mas o sistema está a trazer-nos transtornos graves. Assim, terei que faltar ao serviço mais um dia e fazer-me a uma outra fila noutro dia para ver se consigo, porque falta pouco tempo para terminar”, disse o utente.

As falhas no sistema que se registaram resultaram em enchentes nas recebedorias. “O atendimento está péssimo, porque o sistema está sempre a oscilar. Mas, pelo que entendi, há lentidão por parte dos próprios funcionários também. Não se explica que se levem mais de 30 minutos para atender a uma pessoa”, relatou Marcelino Tovela.

A Direcção de Finanças do Município de Maputo reconhece o problema e explica que a demora no atendimento se deve à pressão do sistema.

“Temos enchentes em todas as recebedorias porque os utentes gostam de deixar tudo para os últimos dias. A concentração de pessoas acaba por provocar lentidão no sistema, porque este fica sobrecarregado”, explicou Dinis Nhacume, director-adjunto da área de Finanças do Município de Maputo.

Nas 14 recebedorias dos sete distritos municipais da Cidade de Maputo, a previsão é de serem abrangidas 140 mil viaturas até 31 de Março. Entretanto, segundo Dinis Nhacume, a meta está longe de ser alcançada.

“Falta ainda 70% para alcançarmos as metas e, considerando que o prazo é até 31 de Março, não será possível alcançarmos. Depois da data prevista, implicará a imposição de multas. Há uma fraca cultura de pagamento de impostos, incluindo o Manifesto, por isso, este ano, faremos campanhas de fiscalização mais severas nas estradas para verificarmos o cumprimento do pagamento destes impostos”, disse Dinis Nhacume.

Com a cobrança do Imposto Autárquico de Veículos, o Município de Maputo espera arrecadar 140 milhões de Meticais.

O Município da Matola já está a bombear a água das chuvas que há mais de três semanas alagou  mais de 100 casas, afectando o igual número de famílias, incluindo diversas ruas do bairro Khongolote.

O jornal O País reportou, por várias ocasiões, que há mais de 100 casas e várias ruas alagadas no bairro Khongolote, onde os moradores abandonaram as  respectivas residências.

O Município da Matola mobilizou, esta quarta-feira, duas máquinas retroescavadoras para abrirem canais, que vão escoar as águas estagnadas há quase um mês.

“Um sentimento de total felicidade e de alívio. Tenho a certeza de que, ao sair, vou encontrar a minha casa sem água”, disse, feliz, Cidália Tsenani, munícipe da Matola.

Com a casa cercada de água e a sofrer roubos, Célia Nhabinde diz estar disposta a abandonar a sua casa para ser reassentada em local seguro.

“O Município [da Matola] já avisou que não quer mais ninguém ali por considerar que é um corredor de água, por isso, quando estiverem criadas as condições, vamos remover as chapas de zinco, destruir a casa e ter uma nova numa zona segura”, referiu Célia Nhabinde, munícipe da Matola.

As autoridades de Infulene consideram necessária a acção da edilidade apesar de ser contestada por alguns moradores.

“Esta actividade de hoje (a referir-se a esta quarta-feira) é mesmo para retirarmos a água que está nos quintais e nas casas destas pessoas, que correspondem a 100 famílias. Trouxemos estes equipamentos para trabalhar nisso; podemos não terminar hoje, mas vamos trabalhar para aliviar estas famílias”, avançou Manuel Honwana, chefe do posto administrativo municipal de Infulene.

Foi mobilizada a Polícia Municipal e a de Protecção para conter os ânimos de  um grupo de moradores que se opõe à abertura dos canais, sob alegação de que a água pode inundar os seus quintais.

Uma nota da empresa mineira indica que um grupo de trabalhadores da Montepuez Ruby Mining Limited (MRM) decidiu não comparecer aos seus postos de trabalho, ontem, e impedir outros funcionários de realizar as suas actividades, reivindicando aumentos salariais e melhores condições de trabalho.

“A paralisação interrompeu uma série de actividades da empresa. Embora este grupo de trabalhadores não tenha seguido o processo sindical estabelecido para questões deste tipo, a MRM espera que, trabalhando com o sindicato reconhecido e as autoridades laborais estatais, se encontre uma solução para a situação em breve”, explica a empresa em comunicado.

No documento, a firma esclarece ainda que “os trabalhadores da MRM estão organizados sob a forma de um sindicato reconhecido, que representa os interesses de cada trabalhador da empresa. O sindicato não partilhou qualquer comunicação formal sobre esta matéria. Uma carta não assinada divulgada pelo grupo de trabalhadores só chegou à direcção da MRM no final do dia de ontem, 27 de Março de 2023”.

Por outro lado, a “MRM informou as autoridades distritais, provinciais e nacionais sobre a greve ilegal e tomou providências para executar os serviços essenciais e proteger os funcionários residentes no acampamento, com a assistência da Polícia. Esta acção unilateral de uma parte dos trabalhadores só beneficia o sindicato de mineradores ilegais que opera na zona, uma vez que o mecanismo de proteção do projecto foi efectivamente desviado para a gestão da greve ilegal”.

Nampula produziu cerca de 794 mil toneladas de milho na época agrícola 2021–2022, entretanto as moageiras que processam milho estão paralisadas, na sua maioria, por falta de matéria-prima. Há crise de farinha na cidade de Nampula, onde o saco de 25 kg saiu de MZN 850 para MZN 2000, numa província onde a farinha de milho é a base da dieta alimentar da maioria da população, estimada em mais de seis milhões.

Ainda era período da manhã, mas as máquinas estavam desligadas. É uma dimensão média moageira que fica próximo do controlo policial, ao longo da Estrada Nacional n.°13, da cidade de Nampula a Rapale.

O nome não interessa. O que releva é que há um mês que não produz farinha de milho e 12 trabalhadores foram forçados a ficar em casa. Os custos fixos, esses, são inevitáveis. Só de ter um posto de transformação de energia no quintal já tem uma taxa fixa de energia estimada em 60 mil Meticais por mês, mesmo sem qualquer consumo – é assim a regra da empresa pública de distribuição de electricidade em Moçambique.

“Está parado por causa do milho. Não tem milho”, vocifera Muhite Aly, empresário indiano dono da moageira em alusão. O seu português é pouco perceptível, mas, perante a nossa pergunta sobre os motivos da paralisação, a resposta é dada com recurso à matemática: “o preço por quilo é de 34 a 35 Meticais, por isso não conseguimos comprar. Pronto, paramos de produzir! O preço normal tem sido de 16 a 18 Meticais”.

A nossa ronda é pelas moageiras situadas na cintura da cidade. No bairro de Natikire, encontramos mais uma de média a grande dimensão, paralisada há um mês. O problema é o mesmo, o que muda são os personagens e o tom de voz de lamentação.

“Tínhamos [fornecedores] que nos traziam milho e comprávamos com eles. Traziam de Lichinga e de outros pontos do país. Tempo depois alegam levar o milho para o Malawi e para outros pontos, fora do país e aí a situação começou a ficar complicada”, lamenta Messias Zacarias, chefe de manutenção de máquinas na moageira, cujos proprietários são tanzanianos.

Há muito que existe essa suspeita de açambarcamento de produtos agrícolas produzidos no país por parte de comerciantes malawianos, que armazenam e voltam a colocar os mesmos produtos em Moçambique, no tempo de escassez, a um preço mais elevado.

Abdul Cauio é um jovem engenheiro persistente no agronegócio em Nampula. Começou de forma titubeante com outros sócios; montaram uma moageira na zona de expansão da cidade de Nampula que a cada ano vai aumentando de capacidade e até produzem farinha fortificada. Já passam 12 anos, mas, no lugar de ver a vida empresarial florir, continua a debater-se com os problemas de sempre: a crise de milho nos primeiros três meses de cada ano, em que, por causa da chuva, o milho da Zambézia e de Niassa não chega com facilidade às moageiras de Nampula por conta das vias de acesso.

Todavia, o “fenómeno Malawi” é a principal ameaça neste momento. “Se for à zona transfronteiriça, Mandimba, Milange, em Junho e Julho, há-de ver uma azáfama muito grande de malawianos que entram no país e compram milho. Eles compram e fazem stock nos seus armazéns. Sabem que temos milho, mas, a partir de Outubro/Novembro, quando começa a chover, já não há milho e inundam o nosso mercado com esse milho”.

É o mesmo argumento apresentado pelo secretário de Estado da província de Nampula na manhã desta terça-feira, quando decidiu sair do gabinete para perceber a gravidade do problema nalgumas moageiras.

“Só em Nampula, das estatísticas que existem, saíram cerca de 150 mil toneladas. Se a província precisa de 250 mil toneladas para poder sustentar a produção das indústrias moageiras e abastecer farinha de milho ao preço a que estamos habituados, então, esta saída de 150 mil criou este problema. Neste momento, Quénia está a comprar muito milho de Moçambique”, justifica Jaime Neto.

Com uma procura maior que a oferta, a farinha de milho está a registar uma subida jamais vista em Nampula. Um saco de 25 kg que era comercializado ao consumidor final a 850 Meticais; o máximo, agora, chega a 2250 Meticais nos mercados informais na periferia da cidade onde há grande procura.

Nos supermercados da cidade, encontra-se a mesma unidade de 1350 a 1500 Meticais.

Para a população, é um sufoco às contas do orçamento familiar, tal como desabafou à nossa reportagem Júlio Manuel, que o encontrámos no movimento das contas, no meio à lamúria do preço: “a comida mais sofisticada para nós é farinha. Assim, não sei o que hei-de fazer”.

A mesma dúvida tem o secretário de Estado. Neto não tem milagres perante um problema estruturante. A única medida possível passa pelo controlo das fronteiras para não deixar exportar-se o milho antes de satisfazer as necessidades da indústria nacional. O mesmo que se faz com a castanha de caju, no âmbito da política de protecção da indústria nacional.

E no calor da crise, há questões que fazem ressuscitar velhos debates. Os dados da Agricultura a que tivemos acesso indicam que a província de Nampula produziu 793 691 toneladas na época agrícola 2021–2022. Uma vez que o preço do milho está liberalizado, o produtor e o comprador é que fixam o preço, sendo que se os países vizinhos apresentarem preços mais altos, naturalmente que os agricultores tenderão a ir atrás do melhor preço.

Por outro lado, os silos agrícolas em Malema instalados para a conservação de cereais nunca funcionaram para os fins para os quais foram criados.

O Gabinete Central de Combate à Corrupção (GCCC) acusa um coordenador do Fundo de Gestão de Calamidades de abuso de cargo ou função e participação económica em negócio. A instituição acusa, igualmente, outros quatro servidores públicos de celebração fraudulenta de contratos para fornecimento de bens.

Trata-se de mais um caso de corrupção que vem a público. Desta vez, o acusado é um coordenador do Fundo de Gestão de Calamidades, no Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD). O Gabinete Central de Combate à Corrupção diz que o visado cometeu abuso de cargo ou função e participação económica em negócio.

“A denúncia reporta, entre outras inconformidades, a situação de pagamentos indevidos e aproveitamento ilegal do erário, por meio de subfacturação e falsificação de guias de prestação de serviços. Por existirem fortes suspeitas de prática de tipos legais de crimes de participação económica em negócio e abuso de cargo ou função, foi instaurado o procedimento criminal contra o servidor, que corre termos neste gabinete”, lê-se na nota do GCCC.

Além do referido funcionário, há outros quatro servidores públicos a contas com a Justiça. De acordo com o Gabinete Central de Combate à Corrupção, um está afecto a um ministério e três a um instituto público.

“Por meio do processo de contratação pública, celebraram fraudulentamente contratos de fornecimento de bens e viriam a aproveitar-se de montantes acima de 100% do valor indicado nos contratos, ou seja, apoderaram-se da diferença entre o custo de aquisição pelo fornecedor e o preço pago pelo Estado, que se mostrava empolado”, indica o documento.

Os arguidos são acusados de prática de tipos legais de crimes de participação económica em negócio, corrupção passiva para acto ilícito e branqueamento de capitais.

Do processo, instaurado no dia 31 de Dezembro de 2021 e remetido ao Tribunal Judicial da Cidade de Maputo, constam 12 arguidos.

Estão detidos quatro indivíduos, na cidade da Beira, província de Sofala, indiciados de assassinar duas pessoas. Entre as vítimas, encontra-se uma criança de apenas 12 anos de idade.

O crime ocorreu no último sábado e a Polícia da República de Moçambique (PRM) afirma que os suspeitos são confessos.

Os assassinatos vieram reverter o clima de relativa calma vivido nos últimos dias, nos bairros suburbanos.

Durante o período da manhã do sábado passado, dois corpos foram achados. Além da criança, a outra vítima foi um mototaxista. Tudo indica que as duas vítimas foram decepadas.

Os dois corpos já foram identificados. O menor residia em Inhamízua, um dos bairros da cidade da Beira e o mototaxista em Munhava, um dos bairros mais famosos da urbe.

No seguimento do caso, a PRM apresentou, ontem – três dias depois – quatro indivíduos, indiciados de terem cometido os referidos crimes.

Segundo o porta-voz da Polícia na cidade da Beira, Dércio Chacate, o único suspeito do primeiro caso explica que tirou a vida à criança alegadamente porque a mesma o provocava constantemente.

“E ele, cansado das provocações, recorreu a uma enxada e desferiu golpes sobre a região do pescoço (da criança), que culminaram com a morte”, explicou o porta-voz da PRM.

Falando a jornalistas, o indiciado aparentava sofrer de perturbações mentais, uma vez que o seu discurso era desconexo.

Enquanto isso, o suposto líder da quadrilha composta por três indivíduos indiciados de assassinar um mototaxista e roubar a sua motorizada, afirmou que eles encontraram a vítima sem vida.

“Vimos uma pessoa deitada ao lado de uma motorizada, numa ruela. Aproximamo-nos e concluímos que ela estava morta. Um dos meus amigos sugeriu que deveríamos ficar com a motorizada, e assim foi. Levámo-la para uma oficina, onde foi desmontada para posterior venda em peças numa sucataria. Durante a tentativa de venda, fomos detidos pela Polícia”, explicou.

O acidente mortal ocorreu na Estrada Nacional Número 10 (EN10). Além de matar duas pessoas, destruiu uma conduta de água que garante o abastecimento do precioso líquido à cidade de Quelimane, província da Zambézia. O sinistro ocorreu no fim da tarde de ontem e os corpos foram achados esta terça-feira.

Tudo aconteceu após uma camioneta ter-se despistado quando passava pela ponte sobre o rio Dombela. Na sequência, destruiu a tubagem de água que passa por debaixo da mesma. Na viatura seguiam quatro ocupantes, dos quais outros dois contraíram ferimentos. Entre as vítimas mortais está o condutor.

O corpo do condutor da viatura foi achado por mergulhadores por volta das 15 horas de hoje e outro, de uma mulher, foi encontrado logo pela manhã do mesmo dia. Foi necessário mobilizar uma grua para retirar a camioneta que despistou-se por volta das 17 horas da última segunda-feira.

Após despistar-se, a camioneta arrastou a tubagem principal que abastece água a mais de 26 mil clientes da cidade de Quelimane e foi cair no rio Domela. A Polícia suspeita quer a desatenção do condutor pode ter causado o sinistro. Samuel Araba, polícia de trânsito no distrito de Nicoadala, explicou como decorreu.

“Chegados à ponte, notamos que o condutor que fazia o sentido Nicoadala a Quelimane estava em excesso de velocidade. Senão vejamos: na primeira lomba, o condutor conseguiu passar, mas a seguir ficou desequilibrado, embateu na primeira viatura, e de seguida, na máquina que estava estacionada nas bermas da EN10”, referiu o polícia de trânsito. O agente da corporação conta ainda que o condutor, por não ter conseguido controlar o veículo, foi embater contra a terceira viatura, tendo-se despistado e caído em baixo da ponte sobre o rio Domela.

Uma equipa de reportagem do jornal O País esteve no local do sinistro. No terreno, constatou que a camioneta transportava inertes. Depois de se despistar, já na água, todo o material transportado foi para cima do motorista, inclusive a lona de protecção da carga e algumas pedras. Presume-se que este facto pode ter precipitado a morte do condutor, que, depois de tanta luta para sair, não conseguiu ter sucesso.

Por seu turno, o delegado da Administração de Estradas (ANE), na província da Zambézia, Ramiro Rudias, fez saber que o acidente causou danos à infra-estrutura de estrada. Por isso, foi mobilizado o empreiteiro que está afecto à EN10 para calcular os danos e dar algum parecer sobre os estragos e possíveis soluções.

O rompimento da tubagem acontece pela terceira vez em menos de duas semanas. O primeiro foi causado pelos efeitos do ciclone tropical Freddy; o segundo pelo afastamento por uma máquina da empreitada que está a reabilitar a via; e o terceiro, ocorrido na noite desta segunda-feira, na sequência do sinistro.

Manuel Mussequejua, administrador técnico da empresa Águas da Região do Centro (AdRC) fez saber que, depois do segundo rompimento, os trabalhos já tinham sido concluídos e o abastecimento aos consumidores da cidade de Quelimane estava na ordem de 70%. Mas, dada a situação actual, o abastecimento volta à estaca zero. “Vamos trabalhar para repor o abastecimento. Mobilizamos as nossas equipas para o efeito e garantimos que, até ao fim de quarta-feira, os trabalhos já estarão concluídos”.

Foi destruído o edifício degradado onde funcionava a Escola Primária Unidade 24, no bairro de Maxaquene, na Cidade de Maputo. O objectivo é acabar com a criminalidade naquela zona da capital do país, que tira sono a muitas famílias.

O edifício foi destruído pela edilidade de Maputo, na semana passada. Segundo pessoas que moram nos arredores, o local albergava malfeitores.

As queixas de assaltos, agressões e violações sexuais já eram recorrentes naquele ponto do bairro de Maxaquene “A”, na Cidade de Maputo. O elevado índice de criminalidade era, em parte, influenciado pela existência de uma infra-estrutura abandonada e degradada.

Desde o ano 2017 que as salas de aula, gabinetes e balneários da Escola Primária Completa Unidade 24 estavam degradados. De acordo com os moradores, o lugar era preferencial para o esconderijo de malfeitores.

“Pessoas de conduta duvidosa vinham fumar e beber aqui, e durante todas as manhãs e noites, as pessoas não passavam em segurança, porque já sabiam que, de alguma forma, seriam assaltadas”, contou Herma Momed, residente naquele bairro.

Ilda Chaúque, residente no bairro Maxaquene “A” há mais de 20 anos, ainda se lembra de como era a Escola Primária Completa Unidade 24 quando estava operacional.

“Os alunos enchiam o pátio desta escola, mas o problema da enchente das águas, sempre que chovesse, obrigou as autoridades a encerrarem a escola e os alunos foram distribuídos pelas escolas das redondezas. De lá a esta parte, a escola foi-se destruindo cada vez mais e os assaltantes passaram a vir esconder-se por aqui”, narrou Ilda Chaúque.

Seis anos depois, a infra-estrutura temida pelos moradores deste bairro foi destruída pela direcção da Educação da Cidade de Maputo, em coordenação com a edilidade.

“Esta escola foi encerrada em 2017, devido a problemas de infiltração nas paredes, lençol freático muito alto… por isso se concluiu que não havia condições de prosseguir com o processo de ensino-aprendizagem, porque perigava a vida dos utentes”, explicou Samuel Menezes, porta-voz da direcção da Educação da Cidade de Maputo.

Com a destruição da considerada moradia de criminosos, os residentes deste bairro da capital do país esperam ver reduzido o índice de criminalidade.

“Esperamos que seja construído algo que vai trazer alguma diferença positiva nas nossas vidas. Que a infra-estrutura traga paz para os moradores de Maxaquene “A”, porque estamos cansados dos recorrentes assaltos”, pediu Joyce Moisés.

Por sua vez, a direcção da Educação da Cidade de Maputo garantiu que já existe um plano para construir uma nova escola no local. Entretanto, a instituição diz ainda não dispor de recursos para o efeito, daí não haver ainda prazos definidos.

“Nós já temos o projecto desenhado, mas ainda não temos garantia de quando é que as obras irão, efectivamente, decorrer. Precisamos de mais de 88 milhões de Meticais para construir uma nova escola”, explicou o porta-voz da direcção da Educação da capital.

Quando for erguida, segundo o projecto, a Escola Primária Unidade 24 poderá passar a ter 16 salas de aula, acima das anteriores 10.

Quinze mil hectares de campos de cana-de-açúcar continuam inundados, na Maragra, distrito da Manhiça, Província de Maputo, o que representa mais da metade do total da área cultivada, cerca de 29 mil hectares. Ainda assim, o ministro da Agricultura diz que não haverá escassez de açúcar nem subida do preço.

O ministro da Agricultura e Desenvolvimento Rural, Celso Correia, sobrevoou, esta segunda-feira, a área para aferir o nível de estragos causados pela água e confirmou que “a destruição é muito grande e há campos completamente alagados”.

Segundo disse, dos 15 mil hectares destruídos, cerca de 8500 pertencem aos produtores subcontratados, o que representa grandes prejuízos, pois, na sua maioria, segundo Correia, fizeram grandes investimentos e têm dívidas no banco.

“Os dados da avaliação preliminar indicam que serão necessários cerca de mil milhões de Meticais só para recuperar a área perdida dos subcontratados, onde serão precisos cerca de 650 milhões de Meticais para o replantio e cerca de 350 milhões de Meticais para a reposição de infra-estruturas de transportes e drenagem, diques, entre outras”, disse Celso Correia, ministro da Agricultura e Desenvolvimento Rural.

A previsão é que só daqui a seis ou oito semanas os campos estejam em condições de ser trabalhados e apurar-se de forma exaustiva as reais necessidades de reinvestimentos.

Embora haja perdas, o ministro disse que há boas notícias: “Ficamos confortados, primeiro, em saber que não haverá ruptura de stock de açúcar no país; segundo não se antevê a subida do preço do açúcar, pelo menos por agora”.

Por seu turno, Júlio Parruque, governador da Província de Maputo, garante que os produtores terão mais facilidades para acelerar a recuperação do que foi perdido.

“Para nós, Província de Maputo, a cana-de-açúcar é nosso ouro verde, cujas áreas afectadas serão, pelo Governo provincial, isentadas do pagamento da taxa anual de Direito de Uso e Aproveitamento de Terra (DUAT)”, garantiu Júlio Parruque, governador da Província de Maputo.

O sector de produção do açúcar sustenta cerca de 25 mil famílias, no país, e tem um volume anual de negócios de cerca de 150 milhões de dólares e com cerca de 65 milhões de dólares nas exportações.

 

AGRICULTORES VÍTIMAS DAS CHEIAS RECEBEM APOIO DO “SUSTENTA EMERGÊNCIA”

Depois de ter sobrevoado os campos inundados, na Maragra, Celso Correia foi a Boane ter com agricultores vítimas das inundações, que se beneficiaram de kits de produção, compostos por enxadas e sementes.

Os produtores de maior escala receberam tractores no âmbito do “Sustenta Emergência”, que, conforme disse o ministro, são ao todo 12 mil kits para a Província de Maputo e 42 mil para o resto do país, nas zonas afectadas pelas inundações.

“Façam bom uso dos meios que têm. Aos extensionistas que usem estas motas para estar mais próximos dos nossos produtores; eles precisam de vocês, principalmente nos próximos 30 dias que são de lançamento da semente na terra”, recomendou.

Celso Correia disse que cada kit está avaliado em cerca de 12 a 18 mil Meticais, tendo em conta a compra, a logística e o transporte.

Segundo Judite Mussácula, secretária de Estado na Província de Maputo, os meios entregues devem servir para mudar os indicadores agrícolas dos produtores, aumentar a produção e a produtividade e melhorar o bem-estar dos beneficiários.

“Aos produtores que receberam os kits hoje (segunda-feira), esperamos que, com a vossa experiência e com a assistência dos extensionistas aumentem a vossa capacidade produtiva e abasteçam os mercados com produtos agrícolas em quantidade e qualidade, fruto do vosso trabalho”, advertiu Mussácula.

Os beneficiários, alegres, disseram que os kits farão muita diferença, uma vez que, além de terem perdido as suas culturas nas “machambas” e os produtos colhidos que já estavam nos celeiros, a água arrastou os seus instrumentos de trabalho.

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