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O País – A verdade como notícia

A circulação de viaturas na Estrada Nacional Número 13 ainda é feita de forma condicionada, mas nada parecido com as quase duas semanas em que a transitabilidade esteve complementarmente interrompida. 

Já foi reposta a circulação na Estrada Nacional Número 13, no troço que liga os distritos de Cuamba e Mandimba, na província de Niassa. A via permaneceu intransitável por 12 dias, pelo facto de as águas do rio Lugenda terem galgado uma ponte, como efeito da passagem do ciclone Freddy.

A chuva resultante do ciclone tropical fez subir o caudal do rio Lugenda, um dos afluentes do rio Rovuma, que nasce no lago Chiuta, partilhado com o Malawi e segue para o Oceano Índico, atravessando, no percurso, os distritos de Mandimba e Majune, em Niassa. O nível das águas do Lugenda tinha subido e galgou a ponte que liga os distritos de Cuamba e Mandimba.

A Administração Nacional de Estradas mobilizou, na sequência, homens e máquinas que trabalharam dia e noite para garantir a retoma da circulação, o que foi conseguido hoje, quase duas semanas depois.

“Foi reposta a transitabilidade na ponte sobre o rio Lugenda, na Estrada N13, província de Niassa, tornando, assim, possível, através desta via, a ligação rodoviária no troço Cuamba–Mandimba e entre as províncias de Niassa e Nampula”, anunciou um comunicado da ANE.

No entanto, a circulação de viaturas ainda é feita de forma condicionada, estando, segundo a ANE, em uso o sistema de um sentido de cada vez, conhecido como “stop and go”. Por isso, a entidade deixa um alerta.

A ANE pede “colaboração dos utentes para a obediência do sistema ‘stop and go’, bem como para a programação das deslocações e transporte de passageiros com observância redobrada das medidas de precaução em períodos chuvosos e/ou de fraca visibilidade”.

A recomendação da ANE é, sobretudo, direccionada para locais alagados e na aproximação de estruturas de drenagem, nomeadamente pontes, pontões, drifts, aquedutos, passagens molhadas, entre outros.

Continuam dentro de água mais de 100 casas no bairro de Khongolote, no Município da Matola, Província de Maputo. A água que resultou das últimas chuvas já está a causar doenças e propicia a existência de cobras.

Numa das ruas no meio dos quarteirões 89 e 91, havia um compartimento que estava a ser arrendado, mas a chuva desalojou os inquilinos e o dono da casa, porque, até ao momento, continua a reinar a água. Outros ainda optam por vender as suas casas para escapar da água.

São mais de 100 casas e diversas ruas no interior de Khongolote que continuam alagadas. “De lá para cá, ficamos à espera do Município [da Matola] para que nos trouxesse alguma solução. O pior é que continuamos na água e há aqui cobras”, disse José Macuácua.

Célia Nhabinde abandonou a casa e levou os seus filhos, mas não conseguiu levar tudo que estava no interior da casa e há quem se aproveita de tudo isso para roubar. “Entraram da janela da casa de banho, roubaram televisor e dinheiro que tinha guardado.”

Os moradores de Khongolote que têm as suas casas tomadas pela água gritam por socorro.

Há registo de doenças entre os moradores, supostamente causadas pelas águas estagnadas, como é o caso de Eduardo Matsinhe, cujo filho se encontra acamado depois de ter estado a brincar naquelas águas que já tomaram a cor verde.

O Presidente do Município da Matola, Calisto Cossa, diz que o grande problema é que foram ocupados os caminhos da água. “Há algumas situações que temos que reconhecer – isto é a ocupação de locais que são o corredor da água. O que nós temos que fazer é sensibilizar estes munícipes. Primeiro, temos que reconhecer o problema, segundo discutir a solução porque, de facto, se a água está ali é que é o caminho dela”.

Para os moradores de Khongolote, a solução é a construção de valas de drenagem que levem a água para o vale de Mulauze.

Há corrupção na inspecção técnica de viaturas. Carros em péssimo estado mecânico são aprovados mediante 500 Meticais de suborno. A intervenção da Polícia de Trânsito é limitada pelo facto de não ter como provar que o carro não reúne condições para se fazer à estrada. Já o Governo desconhece a existência do problema, mas promete que será implacável se tomar conhecimento de tais casos.

O “O País” fez uma investigação exclusiva sobre a corrupção na inspecção de viaturas. Foram mais de 10 dias intensos dedicados à compreensão de um fenómeno que já é tido como normal, pelo menos na classe de quem conduz ou é proprietário de um carro.

Concluiu-se que carros em péssimo estado mecânico são aprovados e têm livre circulação pelas estradas e são uma espécie de bomba-relógio, que, a qualquer momento, pode explodir e matar muitas pessoas.

E isso acontece porque os subornos estão à frente e interferem na inspecção técnica de uma máquina que transporta vidas.

Nesta reportagem, escolhemos um carro que, a olho nu, dá para perceber que tem todos os problemas mecânicos possíveis de se imaginar que uma viatura possa ter, e o proprietário citou alguns.

“Os problemas do carro têm a ver com a parte de travões traseiros e a direcção, que escapava”, indicou o condutor, na condição de anonimato.

Os problemas que o condutor citou foram detectados na última inspecção feita em 2020. Depois disso, o carro foi arrumado e mais deficiências mecânicas foram surgindo. O proprietário da viatura sequer sabe quantas e quais são.

“Recomendaram que rectificasse todos os problemas e meter algumas peças novas, e agora estou a tentar recuperar. Significa que tenho que voltar à inspecção. O carro ficou muito tempo parado. Como vês, ainda estava em preparação”, disse o condutor.

E a preparação não foi concluída, mas o carro tem de se fazer à rua e transportar passageiros. “Bom, por causa da fome, acabamos por arriscar. Carregamos passageiros, mesmo sabendo que o carro não está em condições”, reconheceu o risco de colocar o carro com avarias a transportar passageiros.

É ainda mais arriscado colocar o carro na estrada sem saber do seu estado mecânico e sem ficha de inspecção, um documento obrigatório exigido pela Polícia de Trânsito.

Na companhia da nossa equipa, o condutor do carro que é objecto da nossa reportagem foi ao Centro de Inspecção Técnica de Veículos e algo inusitado aconteceu pelo caminho.

A viatura teve uma avaria. Não arrancava. Isso aconteceu a menos de 500 metros do local onde o carro seria inspeccionado. Tinha de se fazer alguma coisa para lá chegar, e a pergunta que não quer calaria é: será que vai ser aprovado na inspecção?

O condutor não sabia qual era o problema do carro. Tentou um pouco de tudo para pô-lo a funcionar.

Recorreu-se à água, mexeu-se num pouco de tudo no motor, na bateria e até se deu um empurrãozinho, mas nada serviu para pôr o carro a andar.

Só depois de incontáveis tentativas, que duraram cerca de hora e meia, é que se colocou a viatura a funcionar.

E a viagem seguiu rumo à inspecção. No Centro de Inspecção, o transporte semicolectivo ficou na fila para ser inspeccionado. Antes disso, procedeu-se ao pagamento normal no caixa e foi necessário mexer alguns pauzinhos para que o carro não fosse reprovado.

Telefonou-se a alguém, por sinal, um técnico da inspecção, para facilitar o processo. Atendeu, pediu as características do carro e, de seguida, foi ao nosso encontro. É ele quem vai receber o dinheiro do suborno para garantir que o carro não seja reprovado na inspecção.

Depois de pedir as características do carro, ele aproxima-se para fazer um processo que parece normal, pelo menos aos olhos dos demais. A viatura passa pelo primeiro processo, no qual são detectadas algumas anomalias. O técnico desenvolve uma conversa com o condutor sobre os problemas detectados.

– Técnico da Inspecção: Porque é que não afinaram as válvulas e a cabeça?

– Condutor: Não são válvulas. Este carro não estava a lubrificar bem. Troquei bomba. Então, quando troquei a bomba, já havia “comido” um pouco na cambota. Então, tenho que “jobar” [trabalhar] por uma semana, tirar a cambota, rectificar e meter novas capas.

Para continuar com os passos subsequentes e mais delicados da inspecção da viatura, recorreu-se ao suborno. O técnico da inspecção aproxima-se do condutor e faz a negociação do valor do suborno.

O motorista fez um sinal de quanto é necessário para que a viatura seja aprovada na inspecção. Levantou a mão e mostrou os cinco dedos – 500 Meticais.

Para não levantar suspeitas, o dinheiro é colocado no livrete do carro que, logo a seguir, vai parar nas mãos do técnico da inspecção. Depois de levar o livrete com o dinheiro, o técnico da inspecção ainda pergunta:

– Técnico da Inspecção: É isso mesmo que pedi?

– Condutor: Sim, sim.

Pago o suborno, o carro continua a ser inspeccionado. Nesse processo, a olho nu, era possível ver o carro a verter água, óleo, além dos demais problemas que só as máquinas detectam.

E as deficiências detectadas na inspecção são agrupadas em três tipos, de acordo com o Regulamento Inspecção Técnica de Viaturas, artigo 7:

As deficiências são classificadas do modo seguinte:

  1. a) Do Tipo I: Aquelas que não afectam gravemente as condições de funcionamento e segurança do veículo;
  2. b) Do Tipo II: Aquelas que afectam as condições de funcionamento do veículo ou põem em dúvida a sua identificação, mas não implicam a sua paralisação;
  3. c) Do Tipo III: Aquelas que afectam gravemente as condições de segurança do veículo.

Terminada a inspecção, o carro é aprovado. O técnico fez constar da ficha que só foram descobertas 10 anomalias do tipo I e II, não o suficiente para que a viatura seja reprovada, segundo o artigo 8 do regulamento:

(Reprovação)

O veículo submetido à inspecção deve ser reprovado sempre que for apurado qualquer dos seguintes resultados:

  1. a) Mais de 10 (dez) deficiências do Tipo I;
  2. b) Mais de 4 (quatro) deficiências do Tipo II;
  3. c) Mais de 10 (dez) deficiências acumuladas dos Tipos I e II;
  4. d) 1 (uma) deficiência do Tipo III.

Ou seja, o técnico ocultou muitas deficiências mecânicas da viatura que é objecto da nossa reportagem. De acordo com o proprietário, o carro tem deficiências que se enquadram em todos os tipos previstos pelo regulamento. são eles: Sistema de travagem, caixa de velocidade, suspensão, rolamentos, bomba de óleo e água, rótulas, problemas de direcção, casquilhas das ponteirinhas, problemas de embreagem, problemas na cambota, espelho retrovisor inexistente, mau funcionamento das portas, bancos e cadeiras em mau estado.

Das deficiências arroladas, constam da ficha de inspecção apenas as de travagem e direcção, que também são minimizadas. Adicionadas às demais, chegam a ser 18 problemas detectados na viatura e, simplesmente, foram ocultados. Não devia ser assim, à luz da legislação, no número dois do artigo 7:

As deficiências detectadas devem ser anotadas e dadas a conhecer ao proprietário do veículo ou a quem esteja na posse do mesmo no acto de inspecção”.

Concluído o processo, buscámos mais detalhes sobre o estado mecânico com o técnico que fez o acompanhamento e as suas palavras contrariam o que ele próprio fez constar da ficha de inspecção.

“Este carro tem problema de tudo. Por isso, deve-se fazer uma revisão geral. Tem que se mexer tudo”, recomendou o técnico da inspecção que recebeu o suborno para aprovar a viatura.

E a corrupção já foi normalizada no Centro de Inspecção de Veículos. Encontrámos carros aparentemente novos a aguardarem a sua vez, e um dos proprietários disse o seguinte:

“Mesmo que o carro pareça novo, tens de pagar alguma coisa, senão o reprovam. Sempre tens que dar alguma coisa”, sublinhou um dos condutores à espera de inspecção.

Saímos da inspecção com carro que é objecto da nossa reportagem aprovado, mesmo com os problemas que tem, e o condutor esclarece como foi possível.

“Tive que falar com os homens para poderem aprovar-me. Preciso de colocar o carro a trabalhar. Conversamos, entendemo-nos e fui aprovado”, revelou o condutor.

E a linguagem chama-se corrupção. A viatura tem licença para transportar passageiros, ainda que o estado mecânico deixe a desejar. O importante é mesmo o documento que a segurança.

“Para me fazer à estrada, preciso de ter o mínimo possível de papelada. Por isso, teve que criar facilidades para tal. Depois vou trabalhar para corrigir os problemas que tenho”, concluiu.

O “O País” entrevistou um mecânico que lida com carros há mais de 10 anos. João Tembe explicou como é que alguns problemas mecânicos ignorados pela inspecção podem afectar o funcionamento normal de uma viatura.

“Quando a caixa de direcção não está boa, você pode achar que o carro está a virar, enquanto permanece na mesma direcção, e aí pode contrair um acidente. Já quando o carro tem problema de travões, geralmente é porque os calços estão gastos. Com este problema, pode pensar que está a travar, enquanto não, e o carro está a escorregar e vai embater num outro carro ou em alguém”, detalhou João Tembe, mecânico na Cidade de Maputo.

Ademais, “se não mudas os cardãs, quando estiver a andar, eles saem e, quando isso acontece, é mais perigoso, porque o carro, de repente, vira e se você está a uma velocidade de acima de 60 km/h, haverá um acidente grave”, alertou o mecânico.

Com pelo menos essas três deficiências mecânicas detectadas, o carro não se deve fazer à via pela segurança do condutor e dos seus ocupantes. “Pára com o carro, se ainda não estiver em condições. Tenta organizar-se e depois põe o carro a funcionar”, recomendou João Tembe.

A Polícia de Trânsito é que fiscaliza as fichas de inspecção em carros que circulam nas nossas estradas. Só não tem um mecanismo de identificação de documentos falsos e – muitos deles – de saber se os carros estão ou não em bom estado mecânico.

Aliás, a Polícia de Trânsito diz que sequer sabe da existência de corrupção na inspecção de viaturas, mas critica alguns aspectos do Regulamento de Inspecção Técnica de Viaturas.

“Quando um carro, por exemplo, tem deficiência de travagem numa certa roda, no nosso entender, como Polícia, era seguro que esse carro não passasse na inspecção”, observou José Nhantumbo, da Polícia de Trânsito.

Ainda que o carro seja aprovado na inspecção, a Polícia diz que há um nível de deficiência mecânica que não dá para deixar passar.

“Sempre que se verifica, no âmbito da fiscalização, que uma viatura não está em condições seguras para efeito de circulação ou exercício de uma determinada actividade, a Polícia, legalmente retira o livrete desta viatura e submete-a ao INATRO para inspecção extraordinária”, revelou José Nhantumbo.

E isso aconteceu na Cidade de Maputo. No dia 20 deste mês, a Polícia de Trânsito enviou ao INATRO 16 livretes para inspecção extraordinária e apreendeu as respectivas viaturas por não reunirem condições de segurança para circular.

A Associação das Vítimas de Acidentes de Viação (AMVIRO) diz que, em casos de sinistros, a componente mecânica é, quase sempre, negligenciada.

“Posso citar, por exemplo, o relatório do acidente de Maluana, uma das questões que encontrámos lá, de forma muito evidente, eram pneus absolutamente carecas, foi notícia recentemente o citado caso de embreagem à corda de um autocarro algures em Manica”, citou Alexandre Nhampossa, presidente da AMVIRO.

E, estranhamente, tais carros foram inspeccionados e aprovados, o que, para Alexandre Nhampossa, é uma evidência de que algo está a falhar na inspecção de viaturas.

“A ficha de inspecção, diferentemente do que acontece até agora, tem que ser protegida, tem que se adoptar mecanismos de segurança de fiabilidade, por exemplo, por um código de barras. O sistema de inspecções em Moçambique, na forma em que está agora, tem fissuras. Não há fiabilidade”, denunciou o presidente da AMVIRO.

O ministro dos Transportes e Comunicações desconhece a existência de corrupção na inspecção de viaturas e diz que será intolerante se tais casos vierem à tona.

“Se tem dados sobre isso, não hesite em trazer, mesmo directamente a mim, através do meu gabinete. Pode-me trazer esses casos que, certamente, vou agir de uma forma intolerante contra esses males, que só podem roubar oportunidades ao nosso povo”, disse Mateus Magala, ministro dos Transportes e Comunicações.

E este sábado, 17 pessoas morreram num acidente de viação em Nhamatanda, província de Sofala, e o carro no qual seguiam tinha deficiências mecânicas.

Há cada vez mais imundície devido à fraca recolha do lixo no Município da Matola. Algumas ruas ficaram bloqueadas durante semanas. A edilidade diz que existe um plano de dez anos para acabar com os focos de lixo, mas ainda busca financiamento para a sua operacionalização.

O problema é antigo e, se dependesse de reclamações, já estaria resolvido.

Uma ronda em algumas ruas e avenidas da cidade da Matola mostra que a pretensão da edilidade de remover o lixo nos bairros não é bem conseguida.

A situação é tão caótica que chega a bloquear algumas vias. É em meio à imundície que vários moradores do bairro da Liberdade vivem.

Paulo Luís, residente da Liberdade há mais de 30 anos, conta que não é de hoje a falta de recolha do lixo.

“Já nos reunimos várias vezes com os chefes do quarteirão e o próprio município, mas ainda não encontrámos solução para este problema. Não aguentamos esta situação. Somos obrigados a conviver com moscas e toda esta imundície.”

Do bairro da Liberdade não é preciso ir para muito longe. O mesmo problema encontra-se em Malhampsene.

“Aqui, onde estamos, não há contentores de lixo. Vivemos nestas condições. Procuramos o pão do dia-a-dia. Os contentores estão muito longe, por isso deitamos o lixo aqui e depois o queimamos”, disse Ana Rafael, munícipe da Matola.

A imundície tomou parte do mercado, onde se vendem alimentos, o que representa um risco para a saúde pública.

O presidente do Conselho Municipal da Matola, Calisto Cossa, conhece bem o problema da sua autarquia e diz que já existe um plano para acabar com os focos de lixo.

“O plano dá-nos indicações de quanto lixo nós produzimos e como é que devemos fazer o processo de recolha. Mas a limpeza de uma cidade não advém da quantidade de pessoas que limpam, mas sim da quantidade de pessoas que não sujam”, disse Calisto Cossa.

A cidade da Matola produz cerca de 1200 toneladas de lixo diariamente e, segundo a vereadora de salubridade, apesar de existir o plano, a sua concretização não é para já. O referido plano foi aprovado em 2022 e vai até 2032.

O ministro da Saúde diz que o sector vai reforçar o número de médicos nos centros de saúde para responder às queixas de morosidade no atendimento. Armindo Tiago reagia às recorrentes queixas de demora no atendimento hospitalar.

As queixas de mau atendimento nas unidades sanitárias têm sido recorrentes e o descontentamento de muitos utentes é do conhecimento do Ministério da Saúde (MISAU).

Reagindo ao assunto, este sábado, à margem do Comité Central da Frelimo, Armindo Tiago reiterou que há critérios de prioridade a que se deve obedecer para o atendimento nas unidades sanitárias.

“Existem critérios de gravidade para permitir que pacientes em estado grave sejam atendidos em primeiro lugar, e o objectivo é salvar vidas. O atendimento é em função da gravidade. 90 por cento dos locais onde se regista atraso no atendimento é para com as pessoas de senhas verdes.”

Como solução para o problema da morosidade, o governante explicou que os utentes devem, primeiro, recorrer aos centros de saúde periféricos.

“Primeiro, vamos melhorar o atendimento nas unidades periféricas, onde a maior parte das pessoas que não tem gravidade devem ser atendidas. Nós queremos colocar nos centros de saúde médicos que possam fazer as consultas de manhã até à noite.”

Recentemente, a associação moçambicana de administradores hospitalares queixou-se também da chegada tardia de medicamentos e de falta de recursos humanos, o que, segundo a agremiação, condiciona o atendimento.

Carlos Martins e o novo bastonário da Ordem dos Advogados de Moçambique, eleito na noite deste sábado com 561 votos válidos contra 518 do seu principal concorrente Vicente Manjate, que já felicitou o vencedor.

Quando eram precisamente 9horas da manhã deste sábado iniciava o processo de eleição do novo bastonário da Ordem dos Advogados moçambicanos. Concorriam para o escrutínio, Vicente Manjate representando a lista”A”, Carlos Martins da lista “B” e André Júnior da lista “C”.

 

Dezassete pessoas morreram e outras três contraíram ferimentos graves na sequência de um acidente de viação que ocorreu na manhã deste sábado, no distrito de Nhamatanda, em Sofala, na região de Siluvo, envolvendo um minibus de transporte semicolectivo de passageiros e um camião.

O acidente ocorreu quando um dos pneus do “chapa” estourou. A viatura fazia o trajecto Inchope–cidade da Beira,  e o motorista perdeu o controlo da mesma, que passou para a faixa contrária onde circulava um camião no sentido inverso.  As viaturas colidiram violentamente.

“A cerca de 15 metros em relação à minha viatura, vi o minibus em zig-zag e a entrar para a minha faixa de rodagem. Fiz uma manobra arriscada na tentativa de evitar o embate, mas foi em vão. O embate e a manobra que eu estava a tentar fazer culminaram com o capotamento da minha viatura”, explicou Cardoso Vicente, motorista do camião.

O excesso de velocidade e as deficiências mecânicas por parte do semicolectivo são apontados como as principais causas do acidente. De acordo com as autoridades de saúde e policiais, das 19 pessoas que seguiam no minibus, 17 morreram no local do sinistro. Dois menores sobreviveram e estão em estado grave.

“Dada a gravidade, foram imediatamente transferidos para o Hospital Central da Beira. Temos que ter cuidado e certificar se o estado mecânico das nossas viaturas é bom para nos podermos fazer às rodovias. Temos que estar sempre atentos e ter uma condução prudente, estando sempre atentos aos vários sinais verticais e horizontais que estão nas estradas”, exortou Joaquim Sive, comandante provincial da PRM em Sofala.

Das 17 vítimas mortais, 12 foram transportadas na tarde deste sábado para a morgue do Hospital Central da Beira, onde aguardam que sejam reconhecidas pelos seus parentes. As outras vítimas permaneceram em Nhamatanda, onde foram reconhecidas pelos seus familiares.

Os moradores do bairro Guachene mobilizaram-se, na manhã de hoje, e bloquearam a estrada que liga o centro da Cidade de Maputo ao Distrito Municipal KaTembe. Os mesmos reivindicavam a criação de uma paragem de transporte de passageiros num local próximo das suas casas.

A indignação que levou ao bloqueio da Estrada Nacional Número 1, entre a Ponte Maputo–KaTembe e a Rotunda, resultou da necessidade de criação de uma paragem de transporte de passageiros, perto das casas dos manifestantes.

Sucede que as autoridades municipais decidiram extinguir a paragem que existia nas proximidades para evitar acidentes de viação.

No entanto, para os moradores de Guacheni, a ocorrência dos sinistros rodoviários não tem nada a ver com a referida paragem. “Exigimos uma paragem. Acontece que, num intervalo de duas semanas, houve um acidente de viação envolvendo dois camiões que não tinham nada a ver com o transporte de passageiros. Depois, eles [autoridades municipais] dizem que tem que se fechar a paragem, nem nos deram satisfações, decidiram mandar a Polícia fechar a paragem. Agora, temos que percorrer cerca de um quilómetro e meio para poder ter acesso à paragem”, disse Rafael, residente daquele bairro.

Durante quatro horas, a estrada ficou fechada, os carros não entravam nem saiam da KaTembe via Estrada Nacional Número Um.

A população, entoando canções, não parava de protestar perante um forte dispositivo de segurança montado.

“Apenas eles só querem eliminar as paragens e a estrada serve para facilitar a vida da população e não para dificultar. Agora, que criem alternativas, para que todas estas populações consigam apanhar o transporte.”

As autoridades procuram soluções para o problema que está a ser levantado na KaTembe, várias propostas estão em cima da mesa e uma delas é a retirada das pessoas que vivem nas proximidades da estrada e a colocação de rede no separador central.

Celso Fulano, vereador do Distrito Municipal KaTembe, avança algumas medidas provisórias: “Encontramos uma solução provisória, para permitir que as pessoas estejam protegidas. Vamos criar condições para que, de forma provisória, a população consiga ter acesso ao transporte de passageiros”.

A Rede Viária de Moçambique (REVIMO), concessionária da estrada, diz que há que estudar uma solução sustentável.

“A ideia é encontrarmos uma melhor solução porque, agora, dizer que encontramos a solução não seria sustentável. É preciso que todas as partes voltem a sentar-se e definir a melhor solução que não vai criar perigos à nossa população”, avançou Estaline Machoche, chefe do Centro de Manutenção.

O que ficou reafirmado é que, em Guacheni, não deve existir paragem, porque o local é impróprio.

O Presidente da República exortou, esta quinta-feira, a Academia de Ciências Policiais a actualizar os seus currículos e a dotar a Polícia de conhecimentos capazes de interpretação e combate a quaisquer crimes. Filipe Nyusi falava durante a cerimónia de graduação de 243 oficiais da Polícia.

243 oficiais da Polícia, entre licenciados e mestres, marcharam, esta quinta-feira, diante dos seus superiores, colegas, familiares e do Presidente da República, celebrando o fim de um percurso de formação académica, virada para as ciências policiais.

Os formados da ACIPOL juraram servir à pátria, independentemente das circunstâncias, na 18ª cerimónia de graduação em ciências policiais.

Dirigido pelo Presidente da República e Comandante-Chefe das Forças de Defesa e Segurança, o evento contou com a presença de membros do Governo e de familiares dos graduados.

Na ocasião, Filipe Nyusi exigiu que os oficiais formados na ACIPOL estejam dotados de conhecimentos técnico-científicos, capazes de contribuir para o combate aos crimes transnacionais, com destaque para o tráfico de drogas.

Nyusi disse que o Governo, ao direccionar parte dos recursos disponíveis para área de formação, fá-lo em prol do desenvolvimento do capital humano, que todos desejamos, ou seja, quer homens e mulheres dotados de conhecimentos técnico-científicos, que lhes permitam diagnosticar os problemas que o país enfrenta e encontrar as possíveis soluções em defesa da prática.

“Hoje, enfrentamos os desafios dos raptos, sobre os quais insto o SERNIC e a PRM a aprimorarem as suas capacidades operativas, por forma a estancar este crime que tem provocado múltiplas consequências económicas e sociais. É neste contexto que desafio e encorajo os novos graduados a serem focados e disciplinados no cumprimento escrupuloso das normas e procedimentos que orientam as missões”, disse Nyusi.

Nyusi apelou à ACIPOL para actualizar os conteúdos leccionados, para responder à evolução da tipologia criminal e seu modus operand.

“É nossa expectativa que a ACIPOL continue a tomar a dianteira na produção de conhecimentos científicos que concorram para o esclarecimento de crimes, através da busca de génese e motivações e modus operandi e com estas premissas formular propostas programáticas de soluções.”

A ministra do Interior, Arsénia Massingue diz que a formação contínua de oficiais visa reforçar o trabalho realizado no Teatro Operacional Norte.

“Como parte das Forças de Defesa e Segurança, além da nossa presença no terreno, temos envidado esforços para combater o crime em todo o quadrante e na sua forma de actuação, incluindo o crime violento, através da formação de quadros, nos níveis básico, médio e superior, nos nossos estabelecimento de ensino. Falo da Escola Prática de Matalane, Escola de Sargentos e da Academia de Ciências Policiais”, disse a ministra do Interior.

No evento, foram distinguidos os estudantes que mais se destacaram durante a formação.

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