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O País – A verdade como notícia

Em Moçambique, a pesca e a aquacultura são actividades realizadas ao longo de toda a costa e nas águas interiores e ocupam um lugar significativo para a economia do país. Só no primeiro semestre deste ano, foram produzidas 218 mil toneladas de pescado diverso.

A informação foi avançada hoje pela Ministra do Mar, Águas interiores e Pesca, Lídia Cardoso, que falava na primeira sessão da Comissão Nacional de Administração Pesqueira.

No evento que junta o Governo e os seus parceiros, procuram-se soluções para vários problemas que preocupam o sector, um dos quais é a pesca ilegal.

Segundo o director nacional da Administração da Pesca, um dos maiores constrangimentos são os dados desactualizados sobre os reais prejuízos deste mal.

A Comissão Nacional de Administração Pesqueira integra as Comissões Técnicas de Pesca e da Aquacultura, que vão dar seguimento às soluções obtidas nas discussões.

Celebra-se hoje, 30 de Julho, o Dia Mundial contra o Tráfico de Pessoas, um crime que faz milhares de vítimas em todo o mundo. Apesar dos poucos casos registados no país, só na semana passada, em Nampula e Zambézia, dois menores de idade foram vítimas deste crime.

O primeiro caso teve lugar no passado dia 27, na província de Nampula, quando um jovem de 21 anos de idade decidiu vender o seu irmão para ficar “rico”, depois de ter conversado com um amigo, ao qual questionou como podia fazer para enriquecer.

“O meu amigo respondeu que havia várias maneiras de ficar rico, por exemplo ir ao curandeiro, para matar alguém e fazer sacrifício, então respondi que tenho um irmão e podia vendê-lo”, contou o indiciado.

Em resposta, o amigo disse-lhe que procuraria um “patrão” para comprar o menor e, quando o encontrou, o preço acordado foi de 500 mil Meticais, estando a vítima viva ou morta (os órgãos), e o indiciado aceitou a proposta.

A vítima de 16 anos narrou que o seu irmão o tirou de casa de madrugada, depois que pediu que o acompanhasse à casa de um amigo, e este, sem desconfiar, assim o fez.

“Quando lá chegámos (à casa do suposto amigo), vi os líderes comunitários fazerem ligações, depois das quais fui levado à polícia e depois ao distrito de Rapale”, partilhou o jovem.

O esquema foi desvendado por um cidadão contactado, por engano, pelo traficante, que informou, de imediato, os líderes comunitários.

Segundo a Polícia, em Nampula, na voz de Dércio Samuel, não há dúvidas de que se tratava de tráfico de seres humanos.

“O que mais nos preocupou é que o indiciado teria afirmado categoricamente que não importava a vida do seu irmão, o importante era o valor que ele precisava, que são 500 mil Meticais, e dependeria do cliente se precisaria do menor vivo ou morto e isso é mais agravante”, referiu Dércio Samuel.

A polícia diz continuar a trabalhar para “tirar da linha” estes indivíduos que se envolvem no tráfico de pessoas.

Dois dias depois, um outro caso veio à tona. Desta vez, na província da Zambézia. O caso deu-se quando um menor de oito anos, que saía da escola para casa, foi interceptado por um homem de 28 anos de idade.

“Ele chegou e disse vamos juntos, vou dar-te cinco Meticais, mas recusei. Ele carregou-me  e meteu-me num ‘txopela’. Tentei gritar, mas fechou-me a boca”, recordou o menor, que acrescentou que, passados alguns minutos, a Polícia os interceptou e, assim, foi salvo.

O indiciado alega que decidiu cometer este crime por falta de emprego. Nas suas buscas por trabalho, encontrou um amigo que lhe disse que tinha alguém que precisava de uma criança. Assim mantiveram contacto e iniciaram as negociações.

Pretendia-se que a criança fosse vendida por um milhão de Meticais, mas o valor foi reduzido para 700 mil.

O porta-voz do Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC), na Zambézia, Maximino Amílcar, explicou que o crime foi frustrado porque as linhas operativas já tinham informação sobre um suposto tráfico de menor.

“Era suposto que este crime fosse consumado na semana passada. Numa das mensagens que trocava com o suposto comprador perguntava se queria uma criança viva ou morta, e isso nos preocupa. Só ontem voltou a comunicar-se com o suposto comprador, tendo solicitado 500 Meticais para levar a criança até aqui, na cidade. Na altura que ele chegou, já estavam lá homens da nossa força operativa, que o prenderam”, detalhou Amílcar.

O tráfico de pessoas no país tem, na maior parte das vezes, três finalidades: a venda de órgãos, exploração sexual ou exploração laboral. Na maior parte das vezes, as vítimas são levadas para Tanzânia, África do Sul e o Reino de eSwatini.

Segundo o último informe da Procuradoria-Geral da República, em 2022 foram registados apenas três processos de tráfico de pessoas, sendo dois referentes à exploração sexual e um à exploração laboral.

Os indiciados são encontrados, mas fica a questão: afinal quem são os mandantes destes crimes e por que motivo nunca são apresentados?

Muçulmanos xiitas apelam à coesão com os sunitas para acabar com as injustiças de que são vítimas, entre os quais os raptos.

Vestidos de preto simbolizando o luto e a tristeza, um grupo de cidadãos moçambicanos saiu à rua este domingo para marchar e manifestar-se pelo fim das injustiças de que são vítimas no país e no mundo. Momed Fauzio, que fazia parte da passeata, teceu críticas sobre a forma como os muçulmanos se têm relacionado.

“Os muçulmanos estão mais separados do que nunca. Existem várias seitas no Islão. Eu chamo a nossa comunidade muçulmana, no geral, à união, porque Deus todo-poderoso disse: ‘assegurem-se todos e não se separem’, mas, se formos a ver, hoje nos separamos”.

Estes muçulmanos condenam a queima do seu livro sagrado, o alcorão, facto registado recentemente na Suécia. “O nosso alcorão está hoje a sofrer uma terrível ameaça, existem pessoas que estão a tentar queimar o alcorão. É por isso que nós viemos à rua para dizer que este alcorão é o guia dos muçulmanos”, considera Momed Fauzio, líder religioso.

Juntaram-se à marcha pessoas de várias idades que professam a religião islâmica. A ocasião serviu também para lembrar um dos episódios negros da religião, que consistiu na morte há mais de 1200 anos do neto do profeta Mohamed.

O  Município de Maputo não conseguiu concluir no tempo previsto a pavimentação da rua do Silex e Cinema Olímpia, o que deixa agastados os vendedores do mercado de Xipamanine, que alegam que com a rua bloqueada não têm clientes.

A empreitada, cujas obras iniciaram a 31 de Outubro do ano passado e a entrega estava prevista para 1 de Julho deste ano, está avaliada em cerca de 70 milhões de Meticais, desembolsados pelo Município de Maputo.

Mangungue, antigo vendedor daquele mercado Xipamanine, diz que a situação prejudicou o seu negócio, que parou devido ao não uso da estrada.

“Na parte do negócio, digo uma coisa: não há nenhuma coisa que está a andar; não anda nada. A estrada está bloqueada, os clientes não entram aqui; não há trabalho aqui, não sei qual é o problema.”

A estrada em causa, que está a ser feita com pavês, está bloqueada, facto que preocupa os vendedores, que exigem explicações junto das autoridades municipais.

“Esta estrada está a matar-nos. Não sabemos se é o município que não está a conseguir pôr a obra a andar ou é o empreiteiro. Não sabemos. Assim, pedimos que dêem continuidade às obras para podermos trabalhar, porque não há negócio.”

Por um lado, a rua bloqueada causa prejuízos aos comerciantes e aos automobilistas que precisam de aceder ao mercado. Por outro, os vendedores retalhistas que vendem nos passeios vêem no impasse uma oportunidade.

O Município de Maputo disse ao jornal “O País” que se vai pronunciar nos próximos dias em torno destas e de outras obras atrasadas na urbe.

Dez pessoas morreram nos últimos três meses em Manica, vítimas de acidentes envolvendo motorizadas. Para garantir a protecção e a reparação de danos em casos de acidentes, a Associação dos Mototaxistas em Chimoio aderiu ao seguro para os seus associados.

São acidentes envolvendo mototaxistas que, na sua maioria, resultam em mortes. Só nos últimos três meses, as estatísticas revelam um cenário assustador.

Para minimizar danos em casos de acidentes, a Associação dos Mototaxistas de Manica assinou, recentemente, um memorando de entendimento com uma companhia de seguros.

Ismail Bhikha entende que, além de seguros,  se deve repensar a possibilidade de formar os mototaxistas em regras básicas de condução.

Esta actividade já a ser realizada pelo Município de Chimoio, numa campanha que envolve, até agora, mais de 700 mototaxistas.

Chimoio torna-se no primeiro município a introduzir seguros para mototaxistas, uma iniciativa que, segundo a seguradora, deverá ser expandida para outros pontos do país.

 

Entraram em vigor hoje novos preços de combustíveis em todo o país. A gasolina passa a ser um metical mais cara. O gasóleo e o gás de cozinha tiveram seus preços reduzidos. Ainda assim, consumidores dizem que os preços continuam sufocantes.

É mais uma alteração dos preços dos combustíveis no mercado nacional.

Francisca Dambo surpreendeu-se ao pagar 10 meticais a mais, para a quantidade de gasolina que compra habitualmente.

“São aumentos que a gente não entende as razões. Por exemplo, eu que trabalho na Cidade de Maputo e vivo na Mozal, imagine só quanto eu devo gastar”, lamentou a automobilista.

É que para a gasolina que custava 85.4 meticais o litro, os automobilistas passam a pagar 86.2 meticais a partir desta sexta-feira.

Na tabela dos preços dos combustíveis, houve também reduções. O gasóleo, por exemplo, que é maioritariamente usado pelos transportadores semi-colectivos, passa a custar 91.2 meticais contra os anteriores 94.7. A redução divide opiniões entre os transportadores.

“É algo muito bom porque vai ajudar a minimizar a situação do custo de vida e melhorar os nossos lucros”, disse Manuel António.

Se Manuel vê dias melhores com a redução do preço do gasóleo, para outros transportadores continua ainda sufocante e devia reduzir mais.

“Não muda nada, porque a forma de redução não é como quando sobre. Geralmente tem aumentado muito e reduzido centavos, disse António Chiconela.
Já o gás de cozinha é um dos combustíveis que mais queda de preço registou, passando de 90 para 86 meticais o quilo.
Esta é a segunda vez este ano que os preços dos combustíveis sofrem alteração, depois da última no mês de Maio.

O Ministério da Saúde reiterou, esta sexta-feira, a sua abertura ao diálogo com os médicos que observam uma greve de 21 dias em reivindicações aos seus salários e remunerações, que consideram não estarem bem enquadradas no quadro da implementação da Tabela Salarial Única (TSU).

O ministro da saúde, Armindo Tiago foi questionado à margem do lançamento da campanha de vacinação contra o sarampo sobre as possíveis soluções para travar a greve dos médicos que já dura há 19 dias dos 21 previstos.

Armindo Tiago encarregou o director nacional de Saúde Pública, Quinhas Fernandes de dar as respostas, o qual reiterou que o ministério da Saúde está aberto ao diálogo para resolver a reivindicação salarial daquele grupo de profissionais

“ O governo mantém abertura para o diálogo e todas as questões que deviam ser resolvidas durante o mês de julho já estão resolvidas, como têm estado a acompanhar através dos meios informais do ministério”, respondeu Fernandes, para quem os serviços de saúde funcionam em pleno, estando a ser assegurados por técnicos e outro pessoal.

Entretanto, a Governadora de Manica aproveitou a ocasião para apelar aos médicos a encontrarem outras formas de reivindicação e não pautar por abandonar doentes.

A Associação Médica de Moçambique vai reunir-se hoje, na Cidade de Maputo, para decidir sobre a suspensão ou prorrogação da greve em curso há 19 dias em todo o país.

Os médicos reivindicam 15 pontos, entre os quais a fórmula de cálculo para o pagamento dos subsídios de diuturnidade, das horas extraordinárias, problemas de enquadramento e cortes salariais.

Os profissionais queixam-se ainda de intimidações, por meio de marcações de falta pelo suposto incumprimento de serviços mínimos, em algumas unidades sanitárias.

Recorde-se que a segunda fase da terceira greve nacional dos médicos arrancou a 10 de Julho corrente e aderiram mais de dois mil profissionais.

As decisões sobre o futuro da greve serão anunciadas às 17 horas, em conferência de imprensa.

Cento e oitenta e três pessoas foram graduadas na manhã de hoje, pela Universidade Católica de Moçambique, extensão de Maputo, nos graus de licenciatura, mestrado e doutoramento, nos diversos cursos.

Segundo o reitor da universidade, Filipe Sungo, a cerimónia não deve representar o fim da aprendizagem na vida dos graduados, pelo que menciona a necessidade de continuarem a aprender ao longo da vida, através da investigação e acção.

“A universidade Católica de Moçambique, aqui em Maputo, regozija-se pelo facto de hoje graduar tantos estudantes. Este é um sinal para todos nós, moçambicanos, pois só com educação e qualificação podemos participar de forma activa e responsável nos processos de desenvolvimento e de mudança do nosso país”, disse Filipe Sungu.

Dos 183 graduados, 127 são mulheres e 56 são homens.

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