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O País – A verdade como notícia

Governo aprova regulamento do Banco de Desenvolvimento de Moçambique

O Conselho de Ministros reuniu-se, hoje, em Chimoio, e tomou três decisões com impacto directo na economia, no desenvolvimento local e na integração regional: a aprovação do regulamento do Banco de Desenvolvimento de Moçambique (BDM), o balanço do primeiro ciclo do Fundo de Desenvolvimento Económico Local (FDEL) e a concessão

O Presidente da República efectua uma visita de trabalho de três dias à República da Finlândia a convite do seu homólogo finlandês.

Na visita à aquele país, Filipe Nyusi e o Presidente da Finlândia vão manter conversações sobre a implementação do processo de Desmilitarização, Desmobilização e Reintegração (DDR), o combate ao terrorismo e a assistência humanitária aos deslocados na província de Cabo Delgado e o reforço da capacidade de resiliência de Moçambique para fazer face às consequências das alterações climáticas.

O Chefe do Estado vai, ainda, visitar empreendimentos de interesse sócio-económico, cultural e científico, assim como participar no Seminário de Negócios Moçambique-Finlândia, que visa explorar oportunidades de negócios, dinamização do comércio e atracção de investimentos.

Na visita à Finlândia, Nyusi faz-se acompanhar pelos ministros dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Recursos Minerais e Energia, Educação e Desenvolvimento Humano, Vice-Ministra da Indústria e Comércio.

O ministro da Defesa Nacional, Cristóvão Chume, garante que já não há bases permanentes dos terroristas no país e reitera que a capacidade operacional do grupo está enfraquecida.

Cristóvão Chume diz que estão a ser neutralizados, neste momento, os líderes dos terroristas dentro e fora do país, mercê da cooperação internacional.

Sem querer cantar vitórias sobre as operações, diz o ministro da Defesa Nacional que há ganhos significativos no Teatro Operacional Norte. “Hoje, podemos referir também que não existem bases permanentes de terroristas, eles estão numa condição de itinerantes em pequenos grupos que tentam encontrar território para poder recolocar as suas bases permanentes, mas não encontram espaço, devido a estas nossas operações militares”, referiu, tendo acrescentado que “O grupo está enfraquecido, falamos de enfraquecimento e não de eliminação, estamos cientes de que vamos levar muito tempo para eliminar”.

Falando esta segunda-feira, na Cidade de Maputo, no Clube Militar, num encontro com adidos militares acreditados em Moçambique, Chume disse também que estão a ser recolhidas informações estratégicas para travar o terrorismo.

O ministro da Defesa Nacional apelou para continuidade de apoio às Forças de Defesa e Segurança, em equipamentos letais e não letais, incluindo a formação do capital humano, acções que estão em curso.

“As forças de Moçambique, do Ruanda e da SAMIMI têm limitações também de capacidade, sob ponto de vista de equipamentos para poderem estar em todo o espaço do Teatro Operacional Norte em tempo útil para travar as investidas destes pequenos grupos, por isso Moçambique lançou um repto internacional, particularmente da União Europeia, para que passa apoiar nesta matéria” de apoio em material letal.

Ao terrorismo junta-se a problemática da imigração ilegal nas fronteiras nacionais, com destaque para as do Centro e Norte do país.

A União Europeia (UE) está a estudar a possibilidade de apoiar em material letal para o combate ao terrorismo na zona Norte do país. A informação foi avançada, hoje, pelo embaixador da organização em Moçambique.

O Presidente da República pediu, há dias, à União Europeia apoio em material letal para o combate ao terrorismo que assola a zona Norte do país.

Esta segunda-feira, a representação da organização no país revelou que está a estudar a possibilidade. Disse que ainda não se tinha pronunciado devido à complexidade do assunto.

“Estamos conscientes da importância do equipamento letal que foi uma questão salientada pelo Presidente da República, Filipe Nyusi. Tenho a dizer que é uma questão muito sensível, mas está em curso uma reflexão sobre isso; o resultado está aberto, portanto não é possível dizer, neste momento, qual será o desfecho”, revelou António Maggiore, embaixador da União Europeia em Moçambique.

A União Europeia tem a missão de treinar 1700 soldados no país para fazer frente ao terrorismo. A organização apoia Moçambique noutros domínios.

“A União Europeia já está a dar equipamento não-letal avaliado em cerca de 89 milhões de euros, e nós achamos que esse é um apoio importante e concreto no esforço de garantir a segurança no Norte do país”, avançou António Maggiore, embaixador da União Europeia em Moçambique.

O diplomata europeu falou, também, do início da primeira exportação de Gás Natural Liquefeito no país. Maggiore diz que, a realização do mega-projecto abre espaço para o desenvolvimento económico local.

“Endereçamos os nossos parabéns, é um grande sucesso para o país, para o Governo e para o povo moçambicano, assim como para o desenvolvimento económico local. É uma grande oportunidade para todos”, enalteceu António Maggiore.

O embaixador da União Europeia falava à margem do encontro que realizou com a presidente da Assembleia da República, no seu gabinete de trabalho.

A Renamo diz que a Cidade de Maputo faz mais um ano mergulhada no fracasso, devido à gestão municipal. Venâncio Mondlane, membro do partido, falava, esta quinta-feira, numa marcha alusiva ao dia da cidade.

Trajada de cor partidária, a Renamo realizou, esta quinta-feira, uma marcha de reflexão em torno das conquistas e desafios da Cidade de Maputo, alusiva à passagem dos 135 anos de elevação a esta categoria.

Segundo Venâncio Mondlane, membro do partido, a governação municipal é “um fracasso”, pois o aniversário é assinalado numa altura em que prevalecem antigos problemas.

“A Cidade de Maputo está mais insegura que nunca, porque o nível de criminalidade atingiu, por um lado, uma escala inimaginável. Por outro, o apoio do município às iniciativas juvenis é outro fracasso, o que faz com que o índice de desemprego seja elevado. Em termos de saneamento do meio e salubridade, a gestão ainda é um caos total”, criticou Venâncio Mondlane, da Renamo.

Venâncio Mondlane destacou que a tentativa de organização do sector informal é um dos maiores fracassos da edilidade de Maputo.

“As pessoas não acedem aos mercados porque são os mesmos do tempo colonial e não se adaptaram aos tempos modernos. É preciso tornar os mercados em olhos atractivos de prestação de serviços, disponibilizando, por exemplo, serviços bancários, de telefonia móvel, entre outros serviços públicos”, explicou Mondlane.

Para resolver este problema, a Renamo sugere a requalificação dos mercados, tendo em conta as reais necessidades dos vendedores.

O ministro da Economia e Finanças diz que a Tabela Salarial Única não veio para extinguir os estatutos especiais, nem baixar salários. Max Tonela garante, porém, que todas as inconformidades nos salários serão corrigidas.

A bancada da Renamo exigiu a presença do Governo na casa do povo, para responder, com carácter de urgência, à alegada ameaça de paralisação da Função Pública. E a causa são as irregularidades detectadas na implementação da Tabela Salarial Única.

Durante a sua intervenção, esta quarta-feira, no Parlamento, o deputado da bancada da Renamo, Venâncio Mondlane, disse que o seu partido sustenta o pedido, na medida em que a aprovação da regulamentação da Tabela Salarial Única, associada a várias irregularidades no enquadramento do quadro do pessoal, bem como o atraso sem precedentes na disponibilização da rubrica dos salários, levantou alguns problemas historicamente não resolvidos no funcionalismo público.

Para a Renamo, a classe dos médicos, cuja missão nobre é salvar vidas, vem travando uma batalha, há mais de 10 anos, mas logrado apenas resultados indisfarçavelmente desoladores.

“O Estatuto do Médico na Administração Pública (MAPU) e o seu respectivo Regulamento (REMAPU) vêm sendo sistematicamente ignorados pelo Governo, apesar das inúmeras interpelações feitas junto ao Executivo e ao Presidente da República pelas suas agremiações representativas, nomeadamente a Associação Médica e a Ordem dos Médicos.”

Mondlane acrescenta que a questão dos subsídios que foram “gravemente” reduzidos traz aos médicos indignação e desmotivação, abrindo espaço para possíveis greves silenciosas, que só prejudicaria a população moçambicana.

“Para tornar situação ainda mais preocupante, registam-se focos de descontentamento nas Forças de Defesa e Segurança, sobretudo na Polícia e no exército, em que se incluem, ironicamente, as confissões de oficiais superiores, reconhecendo incapacidade científica, técnico-operativa e desmotivação generalizada para fazer face aos desafios da actualidade em matéria de segurança.”

O Governo respondeu ao pedido, foi ao Parlamento e fez questão de explicar o papel principal da TSU. “A implementação da Tabela Salarial Única (TSU) visa ainda assegurar a estabilidade e profissionalização dos recursos humanos na Função Pública e, por conseguinte, tornar a mobilidade de quadros como uma forma de reorientação dos recursos humanos”, disse o Primeiro-ministro, explicando que não se deve diabolizar a intenção deste processo.

Maleiane garantiu ainda que, de acordo com este processo, “ninguém reduz o salário que auferia à data de entrada em vigor da Lei 5/2022, de 14 de Fevereiro, revista; a Lei não revoga os estatutos especiais, ajusta apenas as designações dos respectivos suplementos aos constantes da Lei; e todos os funcionários devem ser enquadrados respeitando os três critérios (carreira profissional, tempo de serviço na Administração Pública e tempo efectivo na carreira)”.

O Primeiro-ministro avançou que, apesar dos desafios, decorre, neste momento, a implementação da primeira fase, tendo já abrangido 354 360 servidores públicos, o que corresponde a 99,8%, de um universo total de 355 000.

Contudo, coube ao ministro da Economia e Finanças explicar as causas das ameaças de paralisação de actividades na Função Pública.

“Quanto às preocupações apresentadas por grupos diferentes, parte delas são verdadeiras. Umas decorrem de falhas processuais, identificadas durante o processamento de salários, corrigíveis, algumas derivam de interpretação e requerem esclarecimentos, ou o aprimoramento deste novo modelo, e outras resultam da gestão de expectativas que foram sendo geradas à volta do processo, desde a sua concepção”, explicou.

Max Tonela reconhece as falhas no processo, mas garante correcção para breve. “Constatámos que, no primeiro mês, depois do primeiro pagamento em Outubro, em resultado de elevação de um montante de salário base, em resultado da reforma, tendo em conta o efeito combinado, da existência de um regime fiscal progressivo, e das deduções para reforma, registámos algumas situações de redução de alguns salários líquidos, sobretudo nas carreiras de regimes especiais, como a dos médicos, magistrados e áreas de investigação.”

O governante acrescentou que a comissão de trabalho, que lida com as correcções de irregularidades em torno da TSU, vai trabalhar durante um ano e estará aberta para responder a todas as solicitações.

“Todos os casos estão a ser verificados e correm, actualmente, processo para pagamento das diferenças devidas. Outras situações específicas, associadas ao enquadramento, estão a ser resolvidas, incluindo as relacionadas à clarificação de dados e à actualização da situação dos funcionários no sistema de gestão de recursos humanos do Estado.

A Renamo, que ouviu com atenção, diz que o Governo não respondeu cabalmente às preocupações do povo, por isso apela ao Executivo para que devolva a dignidade dos profissionais. Posicionamento igual é defendido pelo MDM, que exige reposição dos direitos de todas as classes afectadas.

Já a Frelimo, por seu turno, apela à calma aos servidores públicos, pois o Governo tem noção dos desafios e tudo está a fazer para corrigir as falhas.

Sobre a possível inconstitucionalidade da Tabela Salarial Única, Max Tonela disse que o Governo fez consultas bastantes para garantir a sua legalidade.

O Parlamento aprovou, hoje, em definitivo, a Conta Geral do Estado de 2021, um documento que mostra como é que o Governo usou os recursos ao seu dispor durante o ano passado. Porém, os deputados da Renamo e do MDM criticaram o desempenho do Executivo no período em referência.

O documento, que mostra o desempenho do Governo moçambicano durante o ano transacto, voltou, hoje, à Assembleia da República, para a sua análise. Na hora da votação, os deputados estiveram divididos.

Para a maior bancada parlamentar da oposição, a Renamo, a Conta Geral do Estado está cheia de anomalias, por isso não devia ser aprovada. “Houve infracções financeiras. Faltou monitoria e implementação das recomendações das auditorias internas e externas pelos órgãos e instituições do Estado que integram o subsistema de auditoria interna impostas pela lei do SISTAFE. Persiste a falta de informação para a certificação dos saldos da Conta Única do Tesouro e de outras contas do Tesouro. Há inconsistências na conta que não nos permitem aferir a fiabilidade de valores e erros recorrentes na digitação de dados das receitas”, disse Ivone Soares, deputada da Renamo.

Por seu turno, a bancada do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), que consultou o documento, diz que, com a Conta Geral do Estado, o Executivo promoveu o abandono dos sectores produtivos, nomeadamente, as micro, pequenas e médias empresas, pelo facto de não ter reembolsado o IVA que deve às firmas, o que tem prejudicado a capacidade de geração de mais postos de trabalho.

“Perante estas e outras inconsistências e viciações de dados, indícios de corrupção e clientelismo, cujas evidências estão evidentes, no relatório e parecer do Tribunal Administrativo, torna a Conta Geral do Estado de 2021 num documento sem credibilidade”, entende Fernando Bismarques, deputado do MDM.

Mas, não basta criticar. É preciso, pelo menos, ter uma maioria, em termos de assentos no Parlamento, para fazer aprovar uma resolução relativa à Conta Geral do Estado. Foi assim que os deputados da Frelimo usaram o seu poderio e aprovaram a lei em definitivo e justificaram a sua escolha.

“Votámos a favor, pois, com a presente Conta, o Governo da Frelimo garantiu a construção e reabilitação de sistemas e fontes de abastecimento de água, o alargamento da rede eléctrica e a sua expansão às unidades sociais e económicas nas comunidades, permitindo, dessa forma, o desenvolvimento socio-económico do país e, consequentemente, o bem-estar da população”, explicou Dias Letela, deputado da Frelimo.

O documento foi aprovado com 162 votos da bancada da Frelimo e 47 da oposição.

Moçambique acredita que tem potencial para gerar energia suficiente para alimentar a África Austral, mas isso requer aposta contínua em energias limpas, como a hidráulica. O posicionamento foi deixado, ontem, por Filipe Nyusi, à margem da COP 27, no Egipto.

Moçambique tem um grande potencial hídrico para geração de energia eléctrica para alimentar a região austral. Entretanto, trata-se de um potencial que ainda não está a ser explorado na sua plenitude. Filipe Nyusi diz que a aposta do seu Governo é investir neste tipo de energia limpa.

“Estamos numa fase avançada de desenvolvimento do projecto hidroeléctrico de Mpanda Nkuwa, sobre o Rio Zambeze, com capacidade para produzir 1500 megawatts de energia. Este empreendimento exigirá um investimento estimado de 4,7 mil milhões de dólares norte-americanos, incluindo a linha de transporte de energia de alta tensão, que irá potenciar a geração de energia para a região. Através da linha de transmissão e infra-estruturas para a África do Sul, Zimbabwe, a linha Moçambique–Malawi (em construção) e a prespectiva de ligação Moçambique–Zâmbia e Moçambique–Tanzânia, poderemos suprir o défice energético na região a menor custo”, referiu o Chefe de Estado, para quem a cooperação regional é determinante para o alcance deste objectivo.

“Estamos cada vez mais cientes de que energias regionais irão colmatar o défice energético, o que acelera a integração económica regional com efeitos positivos para a geração de empregos e a balança comercial.”

Nyusi entende que Moçambique pode produzir mais, apostando em energias limpas e de transição como o gás. “[O país] tem uma matriz energética diversificada, em que a energia hídrica representa 77% da geração actual de energia no mercado interno, sendo um dos fornecedores de energia aos países vizinhos. Neste sentido, tendo em conta o potencial hídrico, o país deverá posicionar-se como um grande produtor de energia limpa, em substituição das outras fontes como o gasóleo e o carvão. [O país] possui reservas de 180 Tcf (triliões de pés cúbicos) de gás natural, com projectos em desenvolvimento, cujos investimentos poderão rondar os 50 mil milhões de dólares norte-americanos, com efeitos transformacionais sobre a nossa economia”, precisou Nyusi.

O Presidente da República disse que “tendo em consideração que o fornecimento de energia solar é intermitente, por depender de condições climatéricas, o gás, por ser menos poluente, deverá ser considerada a fonte de energia durante o período de transição, o que pode colocar Moçambique num lugar privilegiado no que concerne à diversificação das fontes energéticas no mercado global”, terminou.

Filipe Nyusi falava, na última terça-feira, numa conferência sobre a transição energética e o papel da energia hídrica, à margem da COP 27, no Egipto.

A Comissão Permanente da Assembleia da República chamou, esta quarta-feira, o Executivo, a pedido da bancada parlamentar da Renamo, para um “debate atinente à matéria urgente” sobre alegados “riscos de paralisação da Função Pública”.

Um comunicado enviado ao “O País”, pelo Parlamento, não diz de que “matéria urgente” se trata, nem as causas dos referidos “riscos de paralisação da Função Pública”.

Entretanto, sabe-se que o assunto na ordem do dia, que preocupa funcionários de diferentes sectores do Aparelho do Estado, particularmente os médicos, professores e juízes, são as irregularidades detectadas na implementação da Tabela Salarial Única (TSU).

Ainda nesta quarta-feira, a Assembleia da República vai apreciar a Proposta de Revisão da Lei número 23/2014, de 23 de Setembro, Lei de Educação Profissional, na generalidade.

Igualmente, será apreciado o Projecto de Resolução atinente à Conta Geral do Estado referente ao Exercício Económico de 2021, na generalidade e na especialidade.

A “Casa do Povo” vai, também, apreciar a Proposta de Lei que Estabelece o Regime Jurídico do Cidadão Estrangeiro, Fixando as Respectivas Normas de Entrada, Permanência e Saída do País, Bem Como os Seus Direitos, Deveres e Garantias e Revoga a Lei número 5/93, de 28 de Dezembro, na especialidade, segundo um comunicado a que nos referimos.

A presidente do Conselho Constitucional diz que deve haver maior formação dos partidos políticos em matérias de contencioso eleitoral, para evitar conflitos nas eleições que se avizinham. Lúcia Ribeiro falava esta quinta-feira num seminário alusivo aos 19 anos da criação do Conselho Constitucional.

Nas eleições gerais de 2019, os tribunais judiciais receberam perto de 60 contenciosos eleitorais, dos quais 55 foram chumbados, devido a irregularidades.

Segundo a presidente do Conselho Constitucional, Lúcia Ribeiro, dos processos submetidos à instituição que dirige, parte significativa não obedeceu aos procedimentos estabelecidos para recurso.

Lúcia Ribeiro considera que “um dos grandes constrangimentos é o desconhecimento das normas”.

Aliado a isso, está, também, o “incumprimento dos prazos”, e estes são fundamentais para o bom andamento de processos, e ainda a ausência de “provas do contencioso eleitoral”.

“Os factos alegados sem a junção de provas, normalmente os processos, não têm tido sucesso”, explicou a presidente do Conselho Constitucional.

Como solução, Lúcia Ribeiro defende maior formação dos actores políticos sobre o “contencioso eleitoral”, e diz tratar-se de “uma das matérias fundamentais no âmbito do processo democrático no nosso país”.

O Conselho Constitucional afirma, igualmente, que os conflitos eleitorais resultam, na sua maioria, do fraco conhecimento da legislação.

“Os concorrentes eleitorais devem ter domínio da legislação eleitoral, para qualquer candidatura. Para iniciar o contencioso, é necessário que estes estejam nas mesas de voto, pois senão todo o passo subsequente estará falhado. Os concorrentes eleitorais vão às instâncias de recurso só com informações da imprensa ou de observadores, isso dificulta os meios de prova”, explicou Albano Macie, juiz conselheiro do Conselho Constitucional.

Os pronunciamentos foram feitos, esta quinta-feira, à margem de um seminário alusivo aos 19 anos da criação do Conselho Constitucional.

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