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O País – A verdade como notícia

Convidados destacam regresso às raízes e inovação no discurso de Chapo

Artistas e académicos convidados para a Conferência Nacional de Quadros da FRELIMO, que decorre em Chimoio, reagiram positivamente ao discurso de abertura do Presidente do partido, Daniel Chapo. Para os convidados, a intervenção marca um “regresso às raízes”, com um olhar para o futuro, e traz orientações concretas para o

O académico e antigo reitor da Universidade Eduardo Mondlane, Brazão Mazula, defende a implementação do voto electrónico para pôr fim à desconfiança em períodos eleitorais. Mazula diz ainda que os cidadãos não confiam no Estado e vice-versa.

Numa altura em que circulam informações denunciando esquemas de fraude eleitoral por parte de alguns partidos políticos, que concorrem para a presidência das 65 autarquias do país, o antigo reitor da UEM apontou o que entende ser a raiz de alguns problemas em períodos eleitorais.
Para Brazão Mazula, há uma desconfiança instalada entre os cidadãos e o Estado.

“O próprio cidadão não confia no Estado e o Estado também não confia no cidadão. Este é que é o problema neste país. É necessário chegarmos a uma certa altura que exija uma educação cívica patriótica muito forte, de todos os partidos se educarem a si próprios, como partidos que devem confiar no cidadão, educar o cidadão que deve confiar no Estado. O Estado deve, portanto, confiar no cidadão. Este é o problema de fundo nas eleições”, apontou Mazula.

O académico acrescenta que é esta desconfiança que faz com que os eleitores, em tempos de eleições, queiram amotinar-se nos postos de votação.
Diante do problema por si apontado, Brazão Mazula propõe que se adopte um meio eficaz, a introdução do voto electrónico.

Para Mazula, Moçambique tem condições para criar um sistema para que as eleições sejam feitas de uma forma mais segura e que acabe com as desconfianças que existem.

“O país, hoje, já cresceu muito em termos de tecnologia; pode muito bem fazer a votação de forma electrónica. Aí não há desconfiança de roubo ou enchimento de urnas. Pode haver uma margem de erro de dois por cento, o que as estatísticas permitem, mas não mais do que dois por cento. Eu penso que se pode criar uma votação electrónica”, propôs Mazula.

Mazula vai mais fundo afirmando que não sabe o que impede a implementação deste sistema de votação porque, segundo ele, há condições para tal.

VOTO ELECTRÓNICO PODE EVITAR CONFLITOS E GARANTIR A PAZ
“Eu não digo que (o país) é muito rico, mas querendo, o que é uma questão de boa vontade, para evitar conflitos e garantir a paz, tem de se investir nas eleições. O país acredita que nas eleições também há democracia. Se se faz para o inglês ver, isso é outra questão, mas eu acho que já se consolidou o conceito de democracia, que são as eleições”, disse Mazula.

Um dos exemplos trazidos pelo antigo reitor da UEM para provar o desenvolvimento da tecnologia é a introdução dos novos cartões de eleitor.
Mais do que haver condições tecnológicas, Mazula diz haver condições financeiras.

Morosidade e enchentes marcaram o processo de votação, desde as primeiras horas, na cidade de Tete. Os eleitores afluíram em massa às assembleias de voto, mas falaram de desorganização no processo.

Os candidatos dos partidos Frelimo, Renamo e MDM foram uns dos primeiros a exercer o direito cívico e deixaram apelos à população.

“Todos nós sabemos que só temos um dia de votação. Então, não podemos estar a pensar nas filas que poderão existir. O mais importante é saber que, com ou sem fila, devem estar presentes nas mesas de votação”, explicou César de Carvalho, Cabeça-de-lista da Frelimo, depois de votar na Escola Primária Josina Machel.

O cabeça-de-lista do MDM, Celestino Bento, votou na Escola Primária 3 de Janeiro, no bairro Chingodzi, e denunciou algumas “irregularidades” nas assembleias de voto.

Celestino Bento fala de pessoas que votaram mesmo sem os nomes nos cadernos de votação e da existência de “eleitores fantasmas”.

“O processo não está a correr bem. Há cadernos em que não aparecem os nomes das pessoas que se recensearam mas aparecem nomes que são fictícios”, disse o cabeça-de-lista do MDM.

Ricardo Tomás, da Renamo, foi o último candidato a votar. Foi à Escola Ngungunhane numa passeata com vários mototaxistas, o que criou agitação e a Polícia foi obrigada a intervir. Com os ânimos mais calmos, Ricardo Tomás votou e deixou um apelo aos munícipes. 

“Gostaria de apelar a todos os munícipes residentes na cidade de Tete para afluírem em massa às mesas de votação. Devemos afluir para que o futuro não seja comprometido”, explicou Ricardo Tomás.

Em Tete, foram instaladas 253 mesas de voto, sendo 1751 o número de membros dessas mesas.

Os cabeças-de-lista dos três maiores partidos do país querem que haja justiça nas VI eleições autárquicas do país.

O cabeça-de-lista da Frelimo em Pemba, Satar Gani, que escalou a Escola Andalucia, na cidade de Pemba, na província de Cabo Delgado, diz que apenas pessoas que cumpriram com o seu dever cívico de votar e que estarão em condições de exigir o cumprimento do que está previsto no manifesto eleitoral dos candidatos.

O candidato do Movimento Democratico de Moçambique, Machud Momad, votou na Escola Primaria de Wimbi.
Na ocasião, Momad lamentou o facto de ter havido morosidade no processo de votação.

Por seu turno, Amido Antonio, cabeça-de-lista da Renamo, deslocou-se até ao Instituto de Formação de Professores Alberto Chipande, para lá depositar o seu voto.

Embora quisesse ser o mais votado, Antônio diz que “desta vez governe quem tiver maior número de votos e que as eleições sejam livres, justas e transparentes.

O Município de Pemba conta com 150 mil eleitores.

Em Chimoio, o processo decorreu sem sobressaltos, embora o cabeça-de-lista do MDM se tenha queixado da demora dos membros do STAE que deviam acompanhar o seu processo de votação.

Por volta das 07h, o cabeça-de-lista da Frelimo na cidade de Chimoio esteve na escola Amílcar Cabral. onde exerceu o seu dever cívico. João Ferreira, após votar, falou à imprensa.

Uma hora depois, o cabeça-de-lista da Renamo estava na Escola Primária Centro Hípico, onde votou. Manuel Macocove apelou para o respeito pela lei àqueles que tencionam controlar os votos não se retirando do local após o processo.

Por sua vez, Celestino Taperero, cabeça-de-lista do MDM, votou na Escola Secundária Vila Nova. A sua votação estava prevista para às 09h00, mas só veio a acontecer trinta minutos depois.

Já Diamantino Francisco, cabeça-de-lista do partido Nova Democracia, exerceu o seu direito cívico na Escola Secundária da Soalpo.

Nas primeiras horas, a votação decorreu de forma ordeira em muitas assembleias de voto, embora alguns eleitores tenham reclamado de morosidade no atendimento.

O cabeça-de-lista da Renamo, Geraldo Carvalho, que votou na Escola Primária Primeiro de Maio, no bairro da Manga, junto à sua esposa, acredita na vitória do seu partido e quer um processo de votação exemplar.

“Primeiro devo dizer que vamos vencer. Segundo, e o mais importante, não vamos deixar de dizer que estamos preocupados com os relatos de registos de ilícitos eleitorais com presidentes de algumas mesas e supostos observadores envolvidos em tentativas de enchimentos. Não faz sentido esta atitude e quero lembrar que todos os conflitos pós-eleitorais foram originados por esta causa, por isso apelamos aos nossos adversários para contribuírem para a consolidação da democracia, usando vias legais para conquistar o poder”, exortou Carvalho.

O processo de votação no Município da Matola foi marcado por apelos à afluência dos eleitores aos seus respectivos postos, de modo a exercerem o seu direito cívico, por parte dos cabeças-de-lista da Frelimo, Renamo e MDM.

Os três intervenientes votaram nas primeiras horas do arranque do processo. O cabeça-de-lista da Frelimo foi uma das primeiras pessoas a exercer no seu direito, na Escola Secundária 30 de Janeiro, no Município da Matola.

Após depositar o seu voto no candidato que melhor vai responder aos seus anseios, Júlio Parruque destacou a presença massiva dos eleitores nos posto de votação como uma nota positiva do processo.

“Notamos uma adesão bastante interessante aos postos de votação. É um sinal muito bom, pois isso dá a indicação de que os eleitores têm a consciência do dever de cidadania”, disse o cabeça-de-lista da Frelimo.

Ainda assim, Júlio Parruque apelou aos que ainda não tinham exercido o seu direito para o fazer, na medida em que só assim é que poderão contribuir de forma directa no desenvolvimento do munícipio da Matola.

O cabeça-de-lista da Renamo votou na Escola Primária Completa de Tunduro. Falando à imprensa, António Muchanga disse esperar que o processo seja limpo e transparente, não obstante, segundo anotou, os membros das vesas de Voto (MMV), em representação do seu partido, estarem e enfrentar dificuldades para trabalhar.

“Espero que a CNE, a nível central, tome a dianteira e assuma o processo, porque há indicações de que os órgãos eleitorais, ao nível da cidade da Matola, querem estragar tudo o que o povo deseja neste momento. Acredito que o povo nos vai ajudar a controlar o processo”, anotou António Muchanga.

O cabeça-de-lista do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), que exerceu o seu direito na Escola Primária Completa 8 de Março, defendeu que os eleitores se devem dirigir aos seus postos de votação o quanto cedo possível, de modo a evitarem enchente nas últimas horas do processo.

“Quero apelar à Polícia da República de Moçambique e aos órgãos eleitorais para que mais uma vez, não sejam protagonistas de conflitos político-militares. Esperamos que a Polícia deixe os moçambicanos a exercerem o seu direito, evitando, por isso, possíveis confrontos”, exortou Augusto Pelembe.

O processo de votacão na autarquia da Matola arrancou sem sobressaltos na maioria dos postos. Os postos de votação abriram ponuamente às 7h00, como o estabelecido pelos órgão eleitorais.

Trata-se de um observador nacional, aliás, assim deu-se a conhecer pelos trajes, constituídos por um plover cor de laranja. Foi surpreendido na posse de um cartão de eleitor cuja fotografia não tinha aparentemente semelhanças com o portador.

A fiscal do MDM é que detectou o ilícito eleitoral no interior da assembleia de voto que funciona na Escola Eduardo Mondlane. Isso acontece num momento em que o director provincial do STAE em Sofala, Jorge Donquene, estava a votar e de imediato foi accionada a Polícia e, nesse momento, o suposto infractor tentou fugir, mas foi neutralizado de imediato.

A situação paralisou a assembleia de voto número 050017-0, onde se gerou uma enorme confusão.

De seguida, o referido observador, que supostamente pretendia fazer enchimento de urnas, foi levado pela Polícia.

Reagindo ao caso, o director provincial do STAE em Sofala lamentou a situação, tendo apelado aos eleitores para se dirigirem aos seus respectivos locais de votação.

Mesmo com atrasos na abertura de assembleias de voto, falta de material de votação como cabines e urnas e ocorrência de ilícitos eleitorais, o director provincial do STAE em Sofala, Jorge Donquene diz que o processo está a decorrer normalmente.

Até ontem à noite os mais de 3 mil membros da Mesa de Voto não tinham assinado contrato de trabalho com STAE e esta quarta-feira confirmou-se que os mesmos estão a trabalhar sem contrato. O director provincial do STAE confirmou o facto e disse que “foram todos informados que àquela hora já não era possível assinar os contratos. Então há um mecanismo que será encontrado para o pagamento deles e estão aqui a trabalhar”.

Em algumas assembleias de voto, tal  como o que aconteceu na EPC Inhamizua, as assembleias de voto começaram a funcionar depois das 9h30 devido a falta de materiais. Jorge Donquene diz que tal facto deveu-se à logística que não foi fácil de uma só vez movimentar tantos materiais. “Estava tudo programado para que tudo corresse sem problemas, mas a própria logística não se revelou fácil. Tivemos alguns atrasos sim, mas depois foi tudo ultrapassado”.

Quanto aos ilícitos eleitorais que foram registados em algumas assembleias de voto, Donquene diz não ter tido conhecimento formal, assumindo que ouviu por aí. Mas o que ocorreu na sua presença na Escola Eduardo Mondlane, disse que as autoridades competentes vão tomar as devidas medidas.

Avaliando o decurso do processo de votação Jorge Donquene diz que está até agora tudo a correr normalmente.

O antigo chefe de Estado, Joaquim Chissano, alertou, esta quarta-feira, ser necessário que o processo eleitoral termine bem, para “o bom nome de Moçambique e dos moçambicanos”. Chissano falava instantes depois de ter votado, na Cidade de Maputo.

O antigo governante deslocou-se ao posto de votação para escolher o próximo edil da cidade de Maputo.

Na ocasião, Joaquim Chissano disse ter gostado da forma como o processo estava a decorrer em diversos locais, mas nem por isso deixou de lançar um alerta.

” Espero que tudo termine bem para um bom nome de Moçambique e dos moçambicanos. Estas eleições podem ser exemplares para o nosso povo e para o mundo interio”, disse Chissano.

O estadista, que já foi observador de eleições em vários países, apelou ainda para que se mantivesse a calma até a proclamação dos resultados do sufrágio.

Joaquim Chissano aproveitou o momento para explicar a importância de as pessoas irem votar.

“Apelo a todo o povo moçambicano que se recenseou, nas suas autarquias, para votar porque é um direito, mas, também, um dever cívico. Temos que conhecer muito bem qual é a vontade do povo, só podemos conhecer se o povo votar.

Chissano chama atenção aos eleitores, diz que ao votar devem fazê-lo com civismo e sem confusões. 

Para o antigo governante, o povo moçambicano é quem ganha com o processo eleitoral.

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