O Governo do distrito da Matola diz que o consumo de bebidas alcoólicas nos recintos escolares não é um caso isolado da Escola Secundária Bonifácio Gruveta. Para lidar com o fenómeno, a PRM na Província de Maputo vai passar a fiscalizar pastas dos alunos antes de entrarem na escola.
Na última sexta-feira, 07 de Agosto, em declarações ao “O País”, pais e encarregados de Educação da Escola Secundário Bonifácio Gruveta Massamba, no bairro Khongolote, no município da Matola, denunciaram o “consumo de bebidas alcoólicos e comportamentos desviantes” de alguns alunos matriculados naquele estabelecimento de ensino, caracterizados por “sabotagens de aulas e roubos e pancadarias entre alunos”.
Nesta segunda-feira, o Serviço Distrital de Educação, Juventude e Tecnologia, no distrito da Matola, reconheceu que as denúncias dos alunos são reais, e está a disciplinar os alunos sem medidas de expulsão.
De acordo com Danilo Ventura, director distrital, o sector que dirige já realizou “duas grandes reuniões multi sectoriais incluindo a Polícia e a procuradoria para encontrar soluções conjuntas uma vez os visados na sua maioria serem menores que entram em conflito com a lei”.
Os referidos encontros terminaram com planos de acção, e, em cumprimento dos mesmos, o Serviço Distrital acrescenta não serem poucas as vezes que sancionou alunos por embriaguez na escola.
“O que não podemos fazer, é tomar medida de expulsão, porque a escola é também centro de reabilitação. Nessa perspectiva, temos trabalhado com a saúde e outras organizações não-governamentais para a reabilitação desses jovens e adolescentes”, explicou, acrescentando terem sido reactivados em todos os estabelecimentos de ensino do distrito os núcleos antidroga.
A Polícia da República de Moçambique, que esteve, na última sexta-feira, na Escola Secundária Bonifácio Gruveta Massamba a sensibilizar os estudantes, assegurou já ter destacado equipas para “várias escolas para sensibilizar, conversar com alunos e fiscalizar as pastas para ver quem entra com substâncias estranhas”, explicou Carmínia Leite, porta-voz da PRM na Província de Maputo.
A polícia e o Serviço Distrital de Educação dizem que o consumo de álcool nas escolas não é um fenómeno novo e apelam à vigilância de toda sociedade.
O número de alunos deslocados devido ao terrorismo em Cabo Delgado está a pressionar as escolas onde foram recebidos. Os ataques terroristas destruíram mais de 100 escolas, afectando mais de dois mil alunos.
Os mais de dois mil alunos afectados pelo terrorismo em Cabo Delgado, não só viram as suas escolas destruídas, como também ficaram sem abrigo, de acordo com os dados avançados pela ministra da Educação e Desenvolvimento Humano, esta quinta-feira.
“As crianças afectadas ficaram sem as salas de aula, mas também perderam todo o seu material escolar. Perderam cadernos, livros, lápis e ficaram sem a possibilidade de poder usufruir do direito de aprender”, referiu.
Na sua maioria, as crianças foram alocadas noutras escolas em zonas seguras, o que aumenta a pressão naqueles locais, pois houve necessidade de criar condições para acolher mais alunos.
A situação sempre constituiu grande preocupação para o sector da educação. Junto dos parceiros, sempre buscou apoio para as crianças, em particular a China, que é um dos países que mais rápido respondeu ao “pedido de socorro”.
Por isso, esta quinta-feira, a Embaixada da China e a Câmara de Comércio Moçambique–China doaram materiais escolares, destinados aos alunos do ensino primário, vítimas das atrocidades dos terroristas.
“Recebemos e já enviámos à província de Cabo Delgado os materiais que nos disponibilizaram com antecedência, o correspondente a 200 carteiras, 400 pastas escolares, materiais como lápis, afiadores, borrachas e formal e, simbolicamente, vemos hoje esta entrega e garantimos que trataremos, imediatamente, de encaminhar aos beneficiários”, disse.
Segundo a ministra da Educação e Desenvolvimento Humano, os equipamentos foram encaminhados através do Porto de Nacala. Namashulua agradeceu o gesto e pediu mais apoio na reconstrução. O pedido foi acolhido pelo embaixador da República Popular da China em Moçambique, Wang Hejun.
“A parte chinesa vai continuar a apoiar os esforços do Governo moçambicano, para promover o desenvolvimento do país. Quero encorajar as empresas chinesas e integrar as suas metas de desenvolvimento em Moçambique, para trazer mais mudanças e desenvolvimento”, afirmou.
Segundo dados do Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano, das 1006 escolas existentes na província de Cabo Delgado, apenas 806 estão em funcionamento, 99 encerradas e 101 foram destruídas na sequência de ataques terroristas.
O HIV/SIDA continua a ser o maior problema de saúde pública do país. Estudos feitos pelos Institutos Nacionais da Saúde e de Estatística entre 2019 e 2021 indicam que a doença é a que mais mata no país. O cancro e a malária são as doenças que seguem como principais causas da mortalidade.
Só em 2021, cerca de 13% das mortes registadas no país, em oito mil agregados familiares, foram devido ao HIV/SIDA. Os dados constam do Relatório Nacional de Mortalidade e Causas de Morte 2019–2021, divulgado esta quinta-feira, pelo Instituto Nacional de Saúde.
“Apesar de o HIV ter reduzido muito à proporção de óbitos nos últimos 12 anos, continua a ser a principal causa de morte em Moçambique, principalmente em indivíduos entre os 15 e os 49 anos de idade. Mas houve uma redução muito grande ao longo dos anos, o que demonstra que tem havido prevenção e controlo da doença para reduzir a taxa de mortalidade”, disse Ivalda Macicame, directora nacional de Inquéritos no Instituto Nacional de Saúde.
Ivalda Macicame falava, esta quinta-feira, durante a apresentação do Relatório Nacional de Mortalidade 2019–2021, que aponta que o cancro e a malária ocupam a segunda e a terceira posição, respectivamente, nas doenças que mais matam no país.
“Os cancros têm aumentado muito à proporção de óbitos, porque continuamos a ter, no nosso país, maior urbanização, com isso vem hábitos de vida não saudáveis, como o aumento do tabagismo, redução da actividade física, alimentação ou dieta não saudável, o que aumenta à proporção de óbitos pelo cancro. Sobre a malária, tem-se registado uma redução exponencial de mortalidade”, disse Ivalda Macicame.
O Relatório de Mortalidade vai permitir definir estratégias para a redução de mortes, segundo afirmou o director-geral do Instituto Nacional de Saúde, Eduardo Samo Gudo.
“Os dados de mortalidade e causas de morte são de capital importância para: (i) determinar o peso das doenças e os determinantes sociais de mortalidade; (ii) identificar precocemente possíveis eventos associados ao aumento de mortalidade; (iii) desenho de políticas, planos e estratégias para redução de mortalidade; (iv) monitorar o impacto das intervenções de redução de mortalidade e (v) monitorar o alcance dos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável”, avançou Eduardo Samo Gudo.
O Instituto Nacional de Saúde fala também da necessidade de reforçar o sistema de saúde nas comunidades, como forma de reduzir a taxa de mortalidade.
Eunice Moreira
Vi-o pela primeira vez na minha casa, sentou-se sobre a cadeira que ficava no meu quarto, não falou nada, não se mexia; estava ali apenas sentado a observar-me. Fiquei assustada, não sabia o que ele fazia ali sentado.
Eu tinha apenas oito anos, vivia com a minha mãe e os meus dois irmãos numa aldeia bem distante, onde para ir a cidade eram dias de viagens.
Um dia desses, ele apareceu no meu quarto de madrugada, sentou-se e sorriu, um sorriso destinado a mim. Desde então, passou a aparecer todos os dias na madrugada, vinha e continuava ali sentado no mesmo lugar, sem nada a dizer, apenas a observar-me. Eu perguntava-me se estava sonhado e ele permanecia ali sentado.
Dez anos depois, fiz 18 anos, comemorei bastante, afinal a tão almejada juventude já estava confirmada.
Naquela noite, ele veio, e pela primeira vez, eu ouvi a sua voz – parecia desproporcional ao seu corpo. Disse no meu ouvido: – finalmente tenho-te como minha. “Minha?” exclamei… sem resposta, foi-me acariciando, beijando-me aos poucos. Eu ia perguntando-me quem era aquele fulano. Deitou-se comigo, fez-me mulher pela primeira vez, não vou esconder, estava louca de prazer por dentro. Uma única vontade ecoava na minha mente: “possua-me, possua-me”…
Aquele cenário ia-se repetindo, foram 12 anos a deitar-me com ele todas as malditas madrugadas. Eu achava algo normal, ele dizia que tinha de o ser. Eu, inocente, nem me apercebia do mal que ele cometia.
No dia seguinte, tudo fazia-se de novo, sentia-me nova, recém-nascida. Afinal, como era esquecida uma noite tão vivida? Eu não percebia! Tudo parecia magia. Não me lembrava do rosto, não me lembrava do que tinha acontecido exactamente, mas sabia que aquilo acontecia, sentia aquela adrenalina no corpo e ficava arrepiada. Os lençóis sempre molhados, as pessoas até se perguntavam por que razão em todas as manhãs eu os lavava.
Passei a ficar ansiosa à espera da noite chegar, aquele momento era mágico demais. Quando a noite chegou, fui deitar-me, ele veio, deitou-se comigo e, de repente, ouvi passos vindo ao meu quarto – era a minha mãe acordada pelos gemidos tão altos que ouvia. Chegando ao quarto, entrou sem bater à porta, senti muita vergonha, estava despida. Ela perguntou o que estava a acontecer e eu disse que estava a ser possuída.
– Possuída pelo espírito mau? Perguntou ela.
– Possuída de prazer, respondi.
Ela foi-se embora com a convicção de que eu estava maluca.
Na manhã seguinte, foi diferente, acordei cansada, sem vontade de fazer nada, saí para brincar com as minhas amigas, a fim de lhes contar o que acontecia comigo; contei-lhes e puseram-se a rir, ninguém acreditou no que eu dissera, na verdade nem eu consegui explicar o que era.
De noite, decidi ficar acordada para ver se eu me aperceberia de como ele entra e sai do meu quarto sem que ninguém o veja. Sentei-me, esperei, esperei olhando as horas, o tempo ia passando e ele não vinha. Ah, pela primeira vez atrasou-se, fiquei ali esperando até que adormeci. Um tempo depois, vejo-o a chegar, irritado. Perguntei o que se passa e ele respondeu:
– Por tua culpa, hoje eu não viria.
Não falou mais nada, fez o que tinha que fazer e foi-se embora.
Inconformada com aquela situação, fui ter com a minha mãe, contei-lhe o que acontecia, ela fingiu que não sabia. Então, decidi ir ter com a curandeira da zona. Esperei aquele dia passar e saí de madrugada para que ninguém me visse, caminhei cerca de 2 km da minha casa. Chegado lá, bati à porta “toc, toc”…
– Entra, Joaninha, eu esperava por ti.
Entrei, descalcei os meus chinelos à porta, como a tradição manda; olhei para a curandeira com medo, era a minha primeira vez num lugar igual àquele. Sem que pronunciasse alguma palavra, ela disse-me:
– Eu sei o que te traz aqui, és casada com o Nakhuru (espírito da noite, comummente chamado “marido da noite”). Foste prometida ainda bebé pela sua avó materna. Por isso, todas as noites, ele vem e deita-se contigo.
Arrepiou-me todo o corpo, afinal o maldito Nakhuro vem-me usando todo esse tempo.
– O que devo fazer para me livrar desse maldito?
– Prepara uma garrafa vazia, uma peça de roupa da sua avó, duas galinhas e cinco litros de vinho. Mas, atenção, não contes a ninguém até que aconteça o tratamento. Quando saíres da minha casa, não olhes para trás.
Cheguei à casa e fiquei acordada, preferi não dormir para que ele não aparecesse. Na manhã seguinte, fui atrás de tudo o que a curandeira me pedira. Fiquei ali esperando que a noite chegasse para ir fazer o tratamento. Quando eram aproximadamente 18h, fui pegando sono, quase eu adormecia ali e não iria ter com a curandeira, mas o desejo de ser liberta falou mais alto. Saí do quarto e fui ficar na varanda à espera.
Enquanto eu esperava ali sentada, ouvia uma voz desconhecida a chamar-me, fiquei com medo, as pernas tremiam, o coração batia acelerado… a voz aproximava-se. Quando olho para trás, era apenas o meu cunhado. Suspirei de alívio, pensei que era ele vindo atrás de mim.
Chegada à hora, saí de casa sem que ninguém me visse, fui caminhando lentamente como me tivera dito a curandeira, tudo estava escuro, ninguém se fazia à estrada naquela hora. Os mochos faziam barulho nas árvores e eu ali andando sem olhar para trás. Cheguei à casa da curandeira. Entrei e sentei-me rapidamente e começámos com o tratamento. De repente, ele aparece e grita:
– Tu és minha, nada que possam fazer vai tirar-me de ti. A tua avó deu-me a ti.
E foi-se embora.
Continuamos com o tratamento e, no final, a curandeira abriu uma garrafa. Conseguiu colocá-lo lá e fomos enterrar a garrafa nas bermas de um rio. Dali, uma sensação de liberdade ocorreu-me.
Fui a correr para casa, já estava claro, o galo já tinha cantado, escondi o meu rosto para que não me reconhecessem. Cheguei à casa e encontrei a minha mãe a varrer o pátio. Perguntou de onde eu vinha àquela hora e com cheiro estanho. Respondi, alegre:
– Eu matei-o! Matei-o e matá-lo-ia de novo!
A Organização das Nações Unidas (ONU) denunciou, esta quarta-feira, que a Junta Militar de Myanmar (antiga Birmânia) está a impedir o envio de ajuda humanitária internacional para as zonas atingidas pela passagem, no Domingo, do ciclone Mocha.
Segundo a RTP, a falta de acesso, denunciada também pela oposição aos militares, entre outros, torna difícil saber com precisão a situação no terreno e o número de vítimas mortais, que as autoridades disseram ser de pelo menos 60.
Uma das áreas de maior preocupação é o estado de Rakhine (oeste), uma região onde centenas de milhares de membros da minoria muçulmana rohingya, não reconhecida pelas autoridades e perseguida pelo exército — vivem há anos em precários campos de refugiados.
O acesso sem restrições às comunidades afectadas é necessário para fornecer assistência humanitária imediata que salve vidas. A restrição da Junta Militar às viagens e acesso às áreas afectadas é um acto bárbaro”, disse nas redes sociais o autoproclamado Governo de Unidade Nacional, oposição ao regime que tomou o poder por meio de um golpe em Fevereiro de 2021.
O ciclone Mocha deixou mais de 80 mortos ao passar por Mianmar, segundo o último balanço das autoridades locais, no momento em que a população tenta reconstruir suas casas e aguarda a chegada de ajuda.
Governos do Reino Unido e da Suécia assinaram, hoje, um acordo para injectar 2,4 milhões de libras, o equivalente a mais de 192 milhões de Meticais, ao programa de energias renováveis em Moçambique, que está em curso desde 2019 e tem o fim previsto para 2024, abrangendo 1,9 milhões de pessoas.
O acesso à energia eléctrica ainda não atingiu 50% da população moçambicana e a meta do Governo é levar energia a toda população até 2030. E as energias renováveis são uma das apostas para o alcance dessa meta, por isso, esta quarta-feira, os representantes dos governos do Reino Unido e da Suécia em Moçambique assinaram, em Maputo, um acordo para adicionar mais dinheiro ao programa “Brilho”, em implementação desde 2019 em todo país.
O Governo britânico disse que apoia Moçambique no desenvolvimento de infra-estruturas resistentes a alterações climáticas, bem como a transição energética.
“É evidente que Moçambique é um país com um enorme potencial, beneficiando-se da sua localização geográfica estratégica, recursos naturais abundantes e uma população jovem e dinâmica. É essencial mobilizar o investimento e garantir que as infra-estruturas sejam resistentes às alterações climáticas. Trata-se também de um desafio que pode ser enfrentado através de parcerias e colaboração entre o sector público e privado”, disse Andrew Mitchell, ministro de Estado para o Desenvolvimento Internacional e África do Reino Unido.
Por seu turno, o ministro dos Recursos Minerais e Energia reiterou, na sua intervenção, que o país está comprometido em levar energia eléctrica às populações e, para isso, conta também com o apoio dos parceiros.
“O Programa Energia Para Todos, de âmbito nacional, permite o acesso à energia eléctrica a todas famílias moçambicanas ainda sem acesso à electricidade. Através de iniciativa presidencial, todos os postos administrativos terão energia até 2024, permitindo o incremento no acesso à energia de 35% para 60% até 2024 e 10 milhões de moçambicanos tenham energia pela primeira vez”, referiu Carlos Zacarias, ministro dos Recursos Minerais e Energia.
O dinheiro é para o programa “Brilho”, que está em implementação em todo o país e já beneficiou 1,3 milhões de pessoas com acesso à energia eléctrica e térmica.
Nos próximos três anos, não haverá formação básica da Polícia da República de Moçambique (PRM), segundo o Comandante-Geral da PRM, Bernardino Rafael, que falava nas cerimónias de patenteamento de 811 agentes. A sessão coincidiu com as celebrações do Dia da Polícia.
A decisão, conforme disse, não é actual, foi pensada e desenhada de forma minuciosa. Nos últimos cinco anos, começaram os preparativos para a interrupção do recrutamento e formação massiva de polícias.
“As despesas foram muitas, mas nós pensamos que temos que atacar este pilar para, depois, atacar outros pilares. Vamos parar por três anos e aquilo que era para fardamento, alimentação, combustível, transporte de ida e volta dos instruendos, vamos, pedra a pedra, atacar o pilar difícil que são as infra-estruturas. Estamos a pensar de forma económica”, explicou Bernardino Rafael.
Conforme disse o comandante-geral da PRM, não era possível formar muitos agentes e, ao mesmo tempo, construir, comprar viaturas, equipar e modernizar os serviços. Por isso, o foco será, agora, a construção das escolas de formação, comandos distritais, esquadras, outras infra-estruturas que, segundo disse Bernardino Rafael, algumas estão em estado avançado de degradação.
Ainda no evento, o número um do Comando-Geral da PRM fez saber que, durante os três anos de paralisação, o currículo será revisto para garantir que esteja de acordo com os padrões internacionais de formação da Polícia. Depois da retoma, apenas cidadãos com 12ª classe serão admitidos.
Bernardino Rafael assegura que a interrupção de formação não vai prejudicar a ordem, a segurança e tranquilidade públicas. “Nós pensamos que o país tem Polícia razoável. Não completamos o rácio polícia–cidadão, mas temos polícia razoável para garantir a protecção dos moçambicanos nos próximos 10 anos. Temos efectivo jovem e razoável para garantir segurança nos próximos 10 anos”, garantiu.
A fonte foi mais longe, ao reconhecer que, durante o processo de recrutamento, há agentes na corporação que cobram valores monetários para admissão dos instruendos. Não se fez de rogado, e, na ocasião, deixou recados. “Aí daqueles que andaram a burlar cidadãos, alguns dos nossos colegas têm lista nas carteiras e nos bolsos que burlaram. É melhor devolverem o dinheiro de dono. Nós não vamos formar durante três anos. E aqueles que foram burlados, não nos envolvam, resolvam os vossos problemas lá fora”, sentenciou.
Os cursos de formação básica serão interrompidos, mas a formação de sargentos, forças especiais e oficiais da Polícia e outras especialidades internas vai continuar.
Bernardino Rafael falava durante o patenteamento de 811 agentes da PRM, dos quais oito superintendentes principais, 92 superintendentes, 198 adjuntos superintendentes e 529 sargentos.
Por: Paulina Chiziane
Vim de lugar nenhum. Aprendi a escrever na areia do chão. Calcei os primeiros sapatos aos 10 anos de idade. Sou a primeira africana, negra, bantu, a receber tão alto prémio. Aqui estou! Eu sou! Caminhei sem saber para onde ia mas cheguei a algum lugar, que lugar é o Prémio Camões, que recebo hoje, 5 de Maio, Dia Mundial da Língua Portuguesa. Para quem veio do chão, estar diante dos Governos Português e Brasileiro, do Corpo Diplomático e personalidades tão distintas, é algo que me comove profundamente e a todos endereço os meus profundos agradecimentos.
Agradeço aos meus editores, tradutores, livreiros. Agradeço ao júri que me escolheu para merecer este prémio. A minha gratidão maior vai para os meus leitores, em Moçambique e no mundo.
Sou da tradição oral. Os contos à volta da fogueira foram a minha primeira escola de arte. Gosto muito de contar histórias. Trago nas veias o sangue da cultura bantu e europeia, cuja transfusão recebi nas escolas do mundo e, por isso, a língua portuguesa que eu escrevo tem as marcas das minhas origens. Nesta ocasião tão especial, gostaria de partilhar algumas lições aprendidas na estrada da vida.
1 – Originalidade – Seja original em todos os teus actos. Saiba que a dignidade de um povo é feita pela sua originalidade. Se não és original, alguém irá apropriar-se do teu ser. Não tenha medo nem vergonha das tuas origens. Eu sou originária de África, sim, sou negra e tenho a minha cultura, porque renegá-la?
2 – Auto-afirmação – Afirma-te, se queres ser alguém na vida. Afirma os teus passos, deixa as marcas do teu pé gravadas de forma indelével pelos caminhos, para que todos digam: por aqui passou alguém. É preciso afirmar, com toda a pujança: eu sou, eu tenho! Jamais deixarei de ser quem sou. Ninguém irá usurpar o que é meu! Se isso não acontecer, serás apenas mais um, uma nulidade ou simples estatística.
3 – Auto-conhecimento – Conhece-te. Usa uma língua seja ela qual for, e serás original e único. É preciso resgatar os rastos da nossa história, que foram omitidos ao longo dos tempos. Não podemos andar à deriva. Quem não se conhece, é facilmente manipulado pelo mundo.
4 – Poder interior – Desperta o poder interior que Deus te deu. Se não o fazes, serás sempre secundário, subalterno, eterna imitação do outro. No acto da escrita, imprimo na língua portuguesa o poder da minha alma. Os sonhos de liberdade do meu povo. Negoceio a minha identidade e dignidade, como mulher e negra. Escrevo a língua como a sinto, porque não devem existir donos da língua.
Estas quatro etapas alcançam-se com dois verbos fundamentais: o ser e o ter. Comecemos por conjugar o verbo ser.
Eu sou, tu és, nós somos. Esta conjugação remete-nos ao UBUNTU, nossa filosofia: sou porque tu existes. Leva-nos aos caminhos da complementaridade, harmonia, fraternidade. Eu sou negra e tu és branco. Somos diferentes, mas podemos ser amigos. Sou humana, feita à imagem e semelhança de Deus. Sou africana, mulher e negra e, por isso mesmo, afirmo que Deus é mulher e é negra. Eu sou!
Na noite colonial, havia uma certa dificuldade na conjugação deste verbo. No presente do indicativo, colocava-se a afirmativa e a negativa à mistura. Eu sou e tu não és. Nós somos… o que é que somos? Inimigos? As guerras travadas ao longo dos séculos provaram a necessidade de uma conjugação perfeita. Quando me diziam tu não és, eu questionava: não sou porquê? Não sou a imagem de Deus? Será que Deus se enganou ao criar a mim, mulher, negra, e o continente africano? Diziam que me vinham civilizar, usurpando todo o meu ter e o meu ser, para transformar-me numa outra pessoa? Queriam eles substituir Deus na criação do mundo?
Olhemos agora para o verbo ter.
Eu tenho, tu tens, nós temos. O que tenho eu, filha de África? Tenho uma terra.
Tenho uma língua materna, minha herança divina. Tenho a língua portuguesa, minha herança humana trazida pelas circunstâncias da história. Eu tenho. Este verbo era também conjugado na afirmativa e negativa: eu tenho, mas tu não tens. Não é justo.
Nas lutas pela liberdade, os africanos conjugaram este verbo com mestria: eu sou, eu tenho, vou lutar pelo meu ser e meu ter.
Uma visita rápida aos dicionários mostra-nos como os africanos são retratados nos seus livros sagrados da língua ao longo dos tempos. Há palavras que nos repelem, excluem e, por vezes, assustam. Dou alguns exemplos:
Catinga – cheiro nauseabundo característico dos negros. Espero que tenha sido retirada. Se ainda permanece, gostaria que solicitar a sua eliminação imediata.
Matriarcado – costume tribal africano.
Patriarcado – tradição heróica dos patriarcas.
Palhota – habitação rústica dos negros. Hoje a palhota é reconhecida como uma habitação ecológica.
A língua portuguesa, para ser definitivamente nossa, precisa de um tratamento, limpeza e descolonização. É preciso conjugar os verbos ser e ter de acordo com as boas regras gramaticais.
Premiar uma negra bantu com uma distinção tão alta abre uma nova era na nossa história. Nós, os africanos, aprendemos a língua portuguesa, mas eles não apreenderam as nossas. Aproveito esta magna ocasião para convidar a todos a conhecer a beleza das nossas línguas. Termino afirmando com toda a convicção: eu africana, eu sou, eu tenho!
Muito Obrigado.
Lisboa, 5 de Maio 2023
*Discurso de Paulina Chiziane na recepção do Prémio Camões 2021, no dia 5 de Maio de 2023.
AZ Alkmaar e West Ham decidem uma das vagas para a final da Liga Conferência Europeia 22/23, na segunda mão das meias-finais, esta quinta-feira. O West Ham tem a vantagem de ter vencido na partida da mão por 2-1, mas o Alkmaar está em melhor fase e aposta no factor casa para fazer a remontada.
O Alkmaar sabe que poderia ter conquistado um resultado melhor na partida da Inglaterra, uma vez que foi a primeira a abrir o marcador, mas acabou por sofrer uma reviravolta na segunda parte. Por isso, o Alkmaar deve confirmar sua força de vontade em vencer a eliminatória em casa para poder ter possibilidade de fazer a remontada.
Para o West Ham, a vitória sobre o Alkmaar, há uma semana, foi um dos melhores momentos recentemente protagonizados. Afinal, a temporada do clube é bastante questionável. A equipa ainda tem remotas possibilidades de rebaixamento na Premier League, ainda que com menos possibilidades de isso acontecer.
Contudo, esta competição europeia é o caminho para salvar a sua temporada. E a força demonstrada na partida da primeira mão, certamente, inspira o clube a superar a má fase, buscando o empate que lhe colocará na grande final.
Na outra partida das “meias” da Liga Conferência, o surpreendente Basel tenta confirmar vaga à grande decisão diante da Fiorentina. O Basel conseguiu uma incrível vitória de reviravolta na partida da primeira mão, como visitante. Mas precisará de melhorar na sua casa para ratificar esta classificação. Já a Fiorentina sabe que está em apuros, mas aposta em conseguir reagir.
As duas partidas das meias-finais vão definir os finalistas que vão suceder a Roma na conquista da prova, nesta que é a terceira maior prova futebolística da Europa.
José Mourinho pode, esta quinta-feira, alcançar a segunda final europeia consecutiva com a Roma, nesta época, na Liga Europa, e a sexta da carreira, precisando apenas de um empate na Alemanha.
Os italianos chegam ao campo do Bayer Leverkusen com uma valiosa vantagem de 1-0 obtida na primeira mão.
Após a conquista da Liga Conferência Europa em 2021/22, na época de estreia da competição e naquele que é o primeiro troféu da UEFA de sempre da Roma, Mourinho pode levar a formação da capital a nova conquista europeia e, com isso, alcançar o grande objectivo da temporada, que é a qualificação para a Liga dos Campeões.
Através da Serie A, depois de alguns “trambolhões” nas últimas jornadas, o cenário está cada vez mais difícil, com a Roma a ocupar o sexto lugar, a seis pontos do quarto lugar, ocupado pelo eterno rival Lazio, quando falta apenas disputar três rondas.
O técnico português é um histórico do futebol europeu, estatuto esse que agora também tem o guardião Rui Patrício, que no encontro da primeira mão se tornou, aos 35 anos, no jogador com mais partidas na “era” Liga Europa, com 67.
Nessa partida, em Roma, Patrício deixou a sua baliza a zero, com um golo do jovem médio Bove, aos 63 minutos, e após remate do inglês Abraham, a fazer a diferença no Olímpico.
Obrigado a recuperar-se da tal desvantagem, o Bayer Leverkusen, equipa que caiu da Liga dos Campeões, no grupo conquistado pelo FC Porto, e que é agora comandada pelo antigo médio espanhol Xabi Alonso, ainda procura o seu primeiro título em provas europeias, após ter perdido as finais da Taça UEFA em 1988 e da Liga dos Campeões em 2002.
“REI” DA LIGA EUROPA QUER MANTER HISTÓRIA
Sevilla e Juventus entram em campo esta quinta-feira para decidir a outra vaga na final da Liga Europa. A eliminatória está totalmente em aberto, depois do empate a um golo no encontro da primeira mão, em Turim. Os andaluzes têm seis troféus da Liga Europa no seu museu e querem marcar presença em mais uma final, mas do outro lado estará uma Juventus, que é um dos colossos do Velho Continente e cuja experiência europeia é avassaladora.
O Sevilla tem feito um trajecto de trás para a frente na La Liga e, nesta recta final, surge mesmo na corrida pelo apuramento para as provas europeias, depois de ter passado parte da temporada em zona de despromoção. Os espanhóis, que são recordistas de títulos da Liga Europa, perspectivam agora a presença na decisão da segunda prova do calendário da UEFA, com o detalhe de que o vencedor da competição tem entrada na próxima edição da Liga dos Campeões. Já a Juventus procura salvar a temporada, depois de não ter conseguido dar luta ao já campeão Napoli no campeonato italiano.
Na primeira mão, no Allianz Stadium, em Turim, o Sevilla foi superior e criou mais ocasiões de golo, marcando relativamente cedo, aos 26 minutos, por intermédio do avançado internacional marroquino En-Nesyri. A Juventus acabou por chegar ao empate aos 97’, por Gatti, a passe do regressado Paul Pogba, e assim igualar a eliminatória.
As duas equipas estarão desfalcadas, com a ausência de quatro jogadores para cada lado, com destaque para Leonardo Bonucci e Paul Pogba para o lado da Juve. O internacional francês regressou à competição, mas lesionou-se na partida do fim-de-semana e não irá voltar a jogar nesta temporada.
A final da Liga Europa está agendada para 31 de Maio, em Budapeste.