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O Governo do distrito da Matola diz que o consumo de bebidas alcoólicas nos recintos escolares não é um caso isolado da Escola Secundária Bonifácio Gruveta. Para lidar com o fenómeno, a PRM na Província de Maputo vai passar a fiscalizar pastas dos alunos antes de entrarem na escola.

Na última sexta-feira, 07 de Agosto, em declarações ao “O País”,  pais e encarregados de Educação da Escola Secundário Bonifácio Gruveta Massamba, no bairro Khongolote, no município da Matola, denunciaram o “consumo de bebidas alcoólicos e comportamentos desviantes” de alguns alunos matriculados naquele estabelecimento de ensino, caracterizados por “sabotagens de aulas e roubos e pancadarias entre alunos”.

Nesta segunda-feira, o Serviço Distrital de Educação, Juventude e Tecnologia, no distrito da Matola, reconheceu que as denúncias dos alunos são reais, e está a disciplinar os alunos sem medidas de expulsão.

De acordo com Danilo Ventura, director distrital, o sector que dirige já realizou “duas grandes reuniões multi sectoriais incluindo a Polícia e a procuradoria para encontrar soluções conjuntas uma vez os visados na sua maioria serem menores que entram em conflito com a lei”.

Os referidos encontros terminaram com planos de acção, e, em cumprimento dos mesmos, o Serviço Distrital acrescenta não serem poucas as vezes que sancionou alunos por embriaguez na escola.

“O que não podemos fazer, é tomar medida de expulsão, porque a escola é também centro de reabilitação. Nessa perspectiva, temos trabalhado com a saúde e outras organizações não-governamentais para a reabilitação desses jovens e adolescentes”, explicou, acrescentando terem sido reactivados em todos os estabelecimentos de ensino do distrito os núcleos antidroga.

A Polícia da República de Moçambique, que esteve, na última sexta-feira, na Escola Secundária Bonifácio Gruveta Massamba a sensibilizar os estudantes, assegurou já ter destacado equipas para “várias escolas para sensibilizar, conversar com alunos e fiscalizar as pastas para ver quem entra com substâncias estranhas”, explicou Carmínia Leite, porta-voz da PRM na Província de Maputo.

A polícia e o Serviço Distrital de Educação dizem que o consumo de álcool nas escolas não é um fenómeno novo e apelam à vigilância de toda sociedade.

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O Mercado Janete, no centro da Cidade de Maputo, foi o ponto escolhido pelo cabeça-de-lista do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), Augusto Mbazo, para apresentar as linhas do seu manifesto para o Município de Maputo.

Mbazo, acompanhado por alguns quadros do partido do galo, apresentou aos vendedores o seu pensamento sobre os passos que pretende dar para governar a capital do país.

Uma vez mais, o cabeça-de-lista apontou o desemprego como um dos grandes problemas a serem atacados, caso seja eleito.
“Temos muitos jovens no desemprego e nós queremos resolver isso. Há muito sofrimento em Maputo. Para a juventude, temos como prioridade criar emprego.  Mas como vamos criar isso? Vamos investir em vocês empreendedores. Para além de criar empresas municipais, vamos investir em vocês para o vosso negócio crescer e abrir vagas de emprego para outros jovens”, disse Augusto Mbazo, cabeça-de-lista do Movimento Democrático de Moçambique.

Uns passos à frente, o cabeça-de-lista do MDM foi interpelado por um jovem que questionou: “O que vai mudar se nós votarmos em si? Está a ver estes jovens todos aqui sentados sem fazer nada?”.

Augusto Mbazo retorquiu, afirmando que “agora é a vez de o MDM governar porque vamos criar emprego para a juventude, pois sei que muitos de vocês não estão a trabalhar e estão metidos nas drogas, daí que nos comprometemos a inverter isto.”
O cabeça-de-lista do MDM assegurou que, caso seja eleito, irá “melhorar as vias de acesso e investimento no apetrechamento dos  hospitais”.

A educação faz parte dos planos desenhados por Augusto Mbazo, sendo que, neste sector, pretende “acabar com a situação em que as crianças estudam ao relento, influenciando no seu mau rendimento”, notou Augusto Mbazo.

O Movimento Democrático de Moçambique diz ter experiência de governação autárquica, dando, como exemplo, o Município da Beira, que é dirigido por Albano Carige. “Quero só dar um exemplo de que nós não estamos para experimentar. Já estamos a fazer isso há muito tempo.  O único município que está a pagar com base na Tabela Salarial Única é a Beira. Não há outro neste país”, exemplificou Augusto Mbazo, quando interagia com um dos utentes do Mercado Janete.

Ainda no contacto com os potenciais eleitores, Augusto Mbazo garantiu que os munícipes serão transportados com dignidade. “Nós vamos colocar mais frotas para transportar os maputenses. Temos projectos de viabilização de novas frotas. Vamos disciplinar a actividade. Pretendemos sensibilizar ainda os transportadores, para não pautarem por encurtamento de rotas que cria transtornos aos passageiros.”

Mbazo garantiu que o “MDM pauta pela boa governação e bem-estar nos munícipes.

A Renamo, liderada pela sua cabeça de lista escolheu o Bairro Muelé 1 para vender o seu projecto de governação em troca de votos.
Helena Makul que entrava de casa em casa e interagia com os proprietários. Pedia votos e prometia um programa virado a juventude, no qual a aposta seria o financiamento de cursos profissionalizantes de pequena duração, de modo a garantir que os jovens tenham habilidades que os permitam obter sua própria renda e até gerar novos empregos.

Além de um programa virado a juventude, Helena Makul tambem prometia serviços sociais melhorados, tal como é o caso de unidades sanitárias e mais salas de aulas, para reduzir o número de alunos em cada sala.

Depois de Muelé 1, a Caravana da Renamo escalou ainda o Bairro Liberdade 3 para o mesmo exercício de caça ao voto.

Costa do Sol e Ferroviário de Maputo protagonizam, esta sexta-feira, às 18h00, no pavilhão da Universidade Eduardo Mondlane, o jogo de cartaz da jornada 7 do Campeonato da Cidade de basquetebol em seniores femininos. Há sempre um atractivo duelo entre “canarinhas” e “locomotivas” para alimentar a vista. Pudera, são as duas melhores equipas da actudalidade no basquetebol feminino no país. 

É daqueles jogos sempre apetecíveis, não estivéssemos em presença de dois conjuntos que têm bipolarizado o cenário do basquetebol feminino nos últimos anos. Aliás, como um dos atractivos para o duelo de sexta-feira, vale a pena recordar os números e posicionamento das duas formações disputadas seis jornadas da maior prova do calendário do basquetebol da capital do país.

Costa do Sol e Ferroviário de Maputo, ambos com 12 pontos, partilham a liderança do Campeonato da Cidade e têm algo mais em comum: ainda não perderam na competição. O que vale, por outras palavras, dizer que quando os conjuntos orientados pelos “coachs” Nasir “Nelito” Salé (Ferroviário de Maputo) e Leonel “Mabê” Manhique subirem à quadra, estará em disputa a liderança da competição.

Uma coisa, de resto, é certa:  a liderança é um objectivo comum às duas  equipas.  Ferroviário ou Costa do Sol podem colocar-se numa boa posição ou não, mas nunca será definitiva, porque ainda há  mais jogos. 

Campeãs e vice-campeãs nacionais e, por acréscimo da cidade, têm de estar sempre motivadas, alerta e no máximo das suas  nossas capacidades. É, pelo menos, o que se espera quando se olha para dois plantéis recheados de jogadoras de selecção nacional que recentemente estiveram em cena no desastroso “Afrobasket” de Kigali, no Ruanda.

Actual detentor do troféu, o Ferroviário de Maputo aponta para a revalidação do Campeonato da Cidade, mas ciente de que terá pela frente um adversário que ano passado frustrou as suas expectativas no “nacional”.

Seja como for, no último embate entre as duas equipas, o Ferroviário de Maputo venceu ao Costa do Sol  (67-42) e conquistou a Taça Maputo Maputo Jogabets 100 Paus.  

 

OUTROS JOGOS DO DIA 

Ainda nesta sexta-feira, e no outro extremo da Cidade de Maputo, o Maxaquene bate-se, às 18h00,  no seu pavilhão,  com  o vizinho e rival Desportivo de Maputo.

Os dois conjuntos defrontaram-se há uma semana, em Inhambane, com as “tricolores” a vencerem as “alvi-negras, por 47-35, e a assegurar a qualificação para a Liga Sasol de basquetebol feminino.

Duas horas depois, ou seja, às 20h00, será a vez das equipas do Maxaquene “B” e Aeroporto travarem argumentos. 

Em masculinos, o Ferroviário “B” mede forças, no seu campo, às 18h00, com o Costa do Sol “sub-20”, num duelo entre o penúltimo e último classificado com 9 a 8 pontos, respectivamente. No mesmo recinto, às 19h30, o Ferroviário “A” mede forças com a Universidade Pedagógica.

Por: Pedro Manuel Napido

A obra Poemas à sombra da infância, de Nick do Rosário e ilustração de Fiel dos Santos, reúne os requisitos exigidos para este tipo de género literário porque preside o jogo do fazer poético, com uma dimensão lúdica, sensorial e rítmicas (visual, sonoro e estrutural) percebidos nas camadas sensíveis da linguagem. Os poemas aqui contidos, podem ser escutados, vistos, cantados, tocados e sentidos profundamente pela totalidade do corpo e alma. Os mesmos são abertos, o que quer dizer que o leitor produz o sentido que a sua história de vida, suas emoções, lhe ajudem a construir.

Os poemas tematizam as varias “infâncias” na sociedade moçambicana, tentando mostrar como essa arte pode proporcionar reflexões e meios para que as crianças compreendam e, ao mesmo tempo, questionem e problematizem o mundo em que vivem, principalmente envolvendo as questões de pobreza e desigualdade infantil. Além disso, constatamos que ainda é pequeno o número tanto de obras poemáticas de qualidade quanto de docentes que desenvolvam um trabalho que envolva em primeiro lugar o prazer da leitura, muito devido à falta de formação na mediação de leitura literária.
Zappone (2005) ressalta que “aspectos como o vocabulário e as construções sintáticas devem estar em consonância com o público a que se destinam”. No caso desta obra, evitam-se determinados infantilismos porque o autor não duvida a inteligência e as capacidades do público leitor; não se usam diminutivos, construções sintáticas repetitivas, nem figuras de linguagem complexa.

Por seu turno, Gonçalves (S/d) afirma: “a poesia tem uma importante função no desenvolvimento da personalidade infantil, uma vez que ela permite a comunicação da criança com a realidade, possibilitando a investigação do real, ampliando o entendimento e a experiência de mundo através da palavra”. É claro que a criança é exigente e sabe identificar o que tem valor. Assim, ao selecionar a poesia, é necessário verificar aquela que saiba valorizar a linguagem, em que a relação entre as palavras, a sonoridade, as imagens, o humor, a forma dos versos sejam organizados de modo especial.
Muitos professores, embora alguns conscientes do valor da leitura, continuam rejeitando a poesia na sala de aula, sob a alegação de que as crianças não gostam desse género literário. Pode ser que os mesmos professores tenham dificuldades de mediação desse tipo de texto e sua especificidade: o seu carácter sonoro, polissémico e lúdico pois o mundo infantil, tal como o mundo poético, é permeado de imagens, fantasia e sensibilidade que contribuem para o seu crescimento. Para (BORDINI, 1989. p. 63) “[…] na poesia, o aprendizado possível se produz pela própria estrutura do poema, que seduz e estimula o leitor fisicamente pelos ritmos e efeitos acústicos e intelectual e afetivamente pelas representações ou vivências que suscita”.
Apesar do avanço da tecnologia e na forma de acesso à cultura através da televisão, da internet ou do universo virtual, a ligação da criança com a poesia ainda continua forte. Por vezes, a própria escola promove o distanciamento entre a criança/poesia o estudo, a leitura e a prática de trabalho com o texto poético. O professor precisa conhecer a produção actual e as especificidades desses textos para este público, acreditando no poder transformador da literatura, em geral e sensibilizador da poesia, em particular.

A leitura desta obra Poemas à sombra da infância proporciona uma abertura para o mundo. O mergulho em cada poema emergem-se camadas simbólicas que visualizem o universo interior e exterior com mais claridade. Entra-se no território da palavra com tudo o que se leu até então e a volta se faz com novas dimensões o que leva a re-inaugurar o que se sabia antes.

Isto se justifica porque leitura literária relaciona-se à necessidades humanas porém, não menos importantes que as demais. Muitas coisas que não gostamos realizamos por necessidade, por exemplo: acordar muito cedo, tomar banho, comer, trabalhar um determinado número de horas para garantirmos o pão de cada dia nas nossas famílias, pagar imposto, pagar portagem, dormir, estudar, praticar actividade física, etc. Por isso, quando não dominamos os segredos da leitura literária, uma parte da nossa formação espiritual, humana e cultural fica interditada ou seja, algo nos faz falta e não descobrimos os bastidores do mundo e da vida.

Tomemos o primeiro poema: “Lixo luxo” na pg. 9, como exemplo:
Lixo luxo
Lixo
luxo
o luxo floresce no lixo

Lixo no chão
não
lixo luxo
na sépia mão
do bruxo

O poema ultrapassa a superficialidade e a ordem habitual do lixo (resíduos sólidos) para conhecer as coisas, a beleza e a profundidade que residem não só nas ideias mas sobretudo na linguagem, que o modo novo de perceber e dizer o mundo e o contexto urbano em Moçambique. Se aproxima a trava-lingua, de origem tipicamente popular, essa brincadeira, divertida e poética que desafia as habilidades psicomotoras e psicolinguísticas, induzindo a um mergulho na tradição popular e atiça a inteligência, a ludicidade, a graça e gostoso riso ao público leitor.

O mesmo poema apresenta uma similaridade entre os sentidos e a sua forma de expressão tornando palpável através do jogo silábico, aliterações, assonâncias e solicita a sintonização auditiva. A leitura em voz alta pode envolver o leitor numa dimensão ampla do corpo e do interior de modo que o adulto, enquanto produtor do lixo urbano, escute e reflicta sobre ele.

Mais ainda, o poema “Lixo Luxo” para que tenha maior efeito artístico, exige interação e participação aprimorando a percepção humana nas suas relações com o mundo, busque sintonizar-se de forma harmónica e equilibrada com muitas crianças que se sujeitam ao lixo produzido na cidade e depositado na zona periférica. Isto parece demonstrar que o espaço urbano se transformou em lugar de castigo para algumas crianças que, em consequência, perturba o seu cotidiano e que enfrentam duras provações na vida escolar.

Na nossa sociedade, em geral e na cidade de Quelimane, em particular vivemos em tempos difíceis que tanta coisa joga contra nós: a globalização nos impõe provocações que não deixaremos sem resposta. Esta obra convoca o adulto a se solidarizar com o mundo infantil e não apenas se deliciar com seu sofrimento ancorado na lixeira em busca de sobrevivência. Outro exemplo, é sobre o poema “Cacimba dourada”, na página 10.

Cacimba dourada

No verão,
tarda o sol
a partir,

e, chegada a noite,
a lua cheia
reluz em toda a aldeia.

Vem atrás a madrugada,
largando no seu rasto
cristais de cacimba dourada.

Neste campo poemático, o autor apresenta uma serie de elementos da natureza: o verão, o sol, a noite, a lua cheia, a madrugada e a cacimba. O público leitor deve saber que o verão é geralmente incorporado na literatura para simbolizar alegria, aventura, plenitude, auto-aceitação e a busca do amor. Neste poema, o verão, representa a celebração da beleza, do calor e do crescimento que vem com a estação. Por seu turno, o sol é o símbolo da consciência dispersa que irá reconstituir a sua homogeneidade no seio da obscuridade interna. Renascer como sol da manhã significa, na linguagem dos mistérios, renascer de si próprio.

Por seu turno, a noite está repleta de temática nocturna: a insónia, o sono, o sonho, a escuridão, o sombrio, sugestão da morte estimulada pelos ares nocturnos, a sepultura, a feitiçaria e o túmulo. Neste poema, a convocação do ambiente nocturo (a lua cheia, a madrugada, a cacimba) pode ter sido intencional mediante a imaginação concreta que alia a sensibilidade à mundividência infantil o que faz da noite tenha um leque de possibilidades psíquicas para a sua maturidade. Como afirma Simiscuka (2007, p. 53) “[…] Devido ao facto de a noite surpreender, de certo modo, a dramaticidade, proporcionando um afastamento do individuo em relação ao sofrimento, à dor da existência, ela pode simbolizar, também, a purificação do pensamento, das ideias, da memoria; a suavização dos anseios mais elevados, dos desejos e afectos sensíveis […] ”, tal como se apresenta nos versos: “e/ chegada a noite/ a lua cheia reluz em toda a aldeia/”.

Olhemos para o poema, “O Jogo”, página 14, a seguir:

O Jogo
Um, dois, três
levamos uns pastéis

Quatro, cinco, seis
à casa da dona Inês

Sete, oito, nove
se alguém provar, que aprove

Dez, onze, doze
Os gulosos pastéis de nozes

Treze, catorze, quinze
talvez a mamã autorize

Dezasseis, dezassete, dezoito
a comê-los em vez de biscoitos

Dezanove e por fim vinte
o pessoal esganado
come, come, sem requinte

Este poema faz lembrar temas de fome e desejo de comer ou metamorfoses através da boca em alguns contos clássicos destinados ao público infantil: “O pequeno polegar”; “João e Maria”; “O gato das botas”. Na literatura, o alimento é entendido como tendo um cunho cultural, sendo este poema organizado como um cardápio através do qual é oferecido um pequeno almoço completo ao leitor o que permite reflectir sobre a poesia como alimento, em que medida este mesmo alimento desempenha um papel significativo no imaginário infantil e, inversamente, tanta criançada ainda passando à fome.

Navas (2017, p. 5) afirma: “Considerando que o gosto alimentar é cultural, e, portanto, pode e deve ser constantemente melhorado, cabendo ao professor ajudar o aluno a saborear, auxiliando-o, por meio de uma reeducação alimentar, descobrindo os mais intensos sabores dos textos literários”.
A citação mostra que este poema pode contribuir para o trabalho com a literatura infantil em sala de aula porque a obra propõe de atrativo e de nutritivo que pode ser servido aos pequenos leitores reconhecendo que a comida e a leitura são actividades análogas.

Mais ainda, este pode ser percebido através do olhar porque a disposição gráfico-visual tem importância fundamental, pondo a mensagem na sua configuração concreta. O mesmo como tantos outros se autoconstrui à medida que se alarga, cresce. O primeiro verso inicia por um, dois e três e o último atinge o número vinte. Mostra, plasticamente, o dinamismo e a elasticidade da forma de construção. Pode ser lido através de vozes, umas saindo de dentro das outras: um grupo conta e outro responde. A leitura fará mudanças da forma em processo de transformação na medida que se amplia.

As ilustração na obra tem um papel fundamental, podendo facilitar às crianças o seu contato com o livro. Mais ainda, o tipo de letra, o papel, o projeto gráfico, o formato concorrem para a atribuição de sentido ao texto.

Nesta obra, o texto imagético se compadece com o verbal. As cores amarela, castanha, azul, principalmente, são do gosto do público leitor por serem vivas. A representação da arquitetura africana (pg. 23) subverte os castelos representados pela literatura infantil clássica. A personagem criança está patente tanto no texto verbal como imagético.

Temos a ilustração arquitetura tradicional do estilo moçambicano, sustentável de baixo custo que proporciona à população uma habitação confortável e adaptada ao seu modo de vida, tanto a nível social, como económico, construída sem nenhuma licença nem intervenção ordenadora das autoridades competentes. “Os materiais utilizados na construção destas habitações são na maioria os tradicionais, nomeadamente os tijolos maciços de areia ou argila, fabricados no local e secos ao sol ou cozidos, estacas de madeira, argila, bambu, cordas feitas com fibras naturais, capim nas coberturas e, em alguns casos, tintas feitas a partir de materiais naturais” (RIBEIRO, 2015, p. 58).

A arquitetura africana foi influenciada pela cultura islâmica, devido ao estabelecimento dos mercados árabes em África e a cultura swahili foi a que mais se difundiu. Nos assentamentos swahili as casas pertencentes aos habitantes mais ricos, normalmente mercadores, eram retangulares, feitas de pedra, com cobertura plana, parecidas com as casas da Arábia meridional (Ribeiro (2015, p. 49) Apud Garlake, 2002 pp. 167-187).
Contrariamente à realidade capitalista, o quintal ou pátio, sem vedação para o isolamento social é normalmente o espaço fundamental da casa. É nele que se concentra a vida quotidiana da família, onde se realizam todas as tarefas domésticas, e é, em simultâneo, a sala de estar, o espaço de convívio da família, a cozinha, o local de trabalho, dos jogos e das brincadeiras infantis.

Fig.1
O jogo (salto de corda) e a brincadeira na pg.24 amplia a ludicidade e herança da cultura moçambicana. A simbologia mais conhecida da árvore é de símbolo da vida, representando a perpétua evolução, sempre em ascensão vertical, subindo em direção ao céu. Na cultura moçambicana para além do valor medicinal, algumas árvores simbolizam o sagrado e nelas se instalam os santuários. A conexão das raízes com os demais elementos das árvores se parece muito com a relação entre mães e filhos. Os leitores devem crescer sabendo que tal como as árvores, somos feitos de ciclos de vida-morte-vida que se repetem infinitamente. Uma árvore não fica florida e cheia de frutos durante o ano todo. Ela também passa por períodos de recolhimento, em que as folhas secam e caem, mas sempre volta a se reerguer. Os leitores devem aprender a olhar para a vida da mesma forma, a respeitar e acolher os desafios que encontramos pelo caminho. Afinal de contas, a vida sempre encontra uma forma de renascer.

Mais ainda, o jogo e a brincadeira do salto à corda trata-se de uma catividade com características cerimoniais diferenciadas, conjugando-se a música, a dança e o salto à corda. De acordo com Prista et all. (1992, p. 56) as participantes costumam vestir-se especialmente para o efeito e os homens participam apenas como instrumentistas. As participantes formam em fila e inicia-se o canto andando à volta do terreno, em passo rítmico. A partir dai uma a uma vão saltando à corda: em pé, sentada, deitada, de joelhos, etc. O nzope é no entanto, particular pela sua especularidade e pelo facto de ser praticado regularmente por mulheres adultas. É deste modo que o público leitor irá herdar a cultura moçambicana, passando de geração para geração.

Fig. 2
A ilustração a seguir, na página 27, visualiza-se alegria, descontração, amizade, acção intensa, perceção fantástica do mundo de modo que o leitor entenda o que é viver num lugar humanizado e que o sério e o engraçado caminham juntos.

Fig. 3
Dando especial atenção na relação entre texto verbal e não-verbal percebemos que, nesta obra, as ilustrações vêm a complementar as mensagens que são produzidas por intermédio dos textos, dando ênfase ao conteúdo do texto escrito, explicando detalhes de cada cena, preenchendo lacunas, acrescentando novas idéias e apresentando outras características e especificidades das personagens e do contexto dos poemas. Percebemos a predominância das imagens no plano geral mas outras técnicas também são utilizadas: o plano médio e close. As mesmas estão inseridas no nível de formação da imagem compreendida pelo ‘imaginário’, que se apresentam como substituição a um real ausente. Essas imagens são representadas no campo da denúncia ou rejeição assim como jogo de possibilidades, permitindo a entrada no campo simbólico.

A maneira como os poemas são desenvolvidos e a relação dialógica entre texto verbal e texto não-verbal permitem a reflexão de que têm a intenção de formar no leitor um certo modo de pensar o mundo em relação às “infâncias” na nossa sociedade e, ao mesmo tempo, sugerindo como deveria ser, por exemplo com relação às crianças que sobrevivem do lixo, da fome, da exclusão, da pobreza, sem abrigo, da violência, sem direito à educação e à ludicidade, entre outras privações.

Referências

BORDINI, M. da G. Poesia e consciência lingüística na infância. In: SMOLKA, A. L. B. et all. Leitura e desenvolvimento da linguagem. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1989, pgs. 53-68.

GONÇALVES, M. de L. B. (S/d). Poesia infantil: uma linguagem lúdica. file:///D:/DISC%20C/Desktop/LIJ/POESIA_INFANTIL_OK.pdf.

NAVAS, D. Resenha do livro “O alimento na literatura: uma questão cultural”. Revista Linhas. Florianópolis, v. 18, n. 37, p. 308-312, maio/ago. 2017.
PRISTA, A.; TEMBE, M. e EDMUNDO, H. (1992). Jogos de Moçambique. Maputo, Instituto Nacional de Educação Física.

RIBEIRO, M. C. (2015). O Contributo da Arquitetura Tradicional para uma Habitação “Informal” Sustentável em Moçambique. Lisboa, Instituto Universitário de Lisboa, Departamento de Arquitetura e Urbanismo.

SIMISCUKA, M. I. O símbolo da noite em o “Cancioneiro” de Fernando Pessoa. Dissertação de Mestrado. Universidade de São Paulo. Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas. 127 ps. Disponível em: file:///D:/DISC%20C/Desktop/LIJ/Simbologia%20da%20noite.pdf. 11 set. 2023.

ZAPPONE, M. H. Y. A leitura de poesia na escola. In: MENEGASSI, Renilson José (Org.). Leitura e ensino. Maringá: EDUEM, 2005.

 

António Muchanga trabalhou hoje no bairro Matola A. Interagiu com os munícipes e prometeu promover uma melhor divisão administrativa do bairro que, segundo ele, a sua extensa área contribui para a sua “marginalização” e fraco desenvolvimento.

” Nós vamos promover o desenvolvimento desta parte da cidade que está esquecida. Com estas ruas degradadas, os carros de recolha do lixo nem se dão o trabalho de cá entrar, mas nós queremos mudar isso. Vamos construir estradas, dentro do bairro, dinamizar a recolha do lixo, combater a criminalidade no bairro, pondo a polícia municipal a patrulhar lado a lado com a polícia de proteção”, prometeu o cabeça-de-lista. 

Muchanga pediu voto aos munícipes para que “experimentem uma nova e melhor governação, pois o nosso programa de governação é pelo desenvolvimento dos que confiam em nós”.

O Movimento Democrático de Moçambique diz que foi notificado para submeter uma nova lista de membros que vão  observar as eleições autárquicas de 11 de outubro, na sequência da alegada inelegibilidade dos membros que compõem a lista do partido, no município da Matola.

O mandatário do partido, na Matola, Renato Muelega diz que o partido recebeu com desagrado a comunicação, emitida pela Comissão Nacional de Eleições, a nível da cidade, mas a formação política tratou de repudiar.

“Esta decisão é aberrante, porquê não tem cobertura legal. Há um gabinete de chique na Frelimo que sentiu e analisou e concluiu que a melhor forma de reverter a tendência eleitoral aqui na Matola, é ir a secretaria, impor novas regras do jogo que podem influenciar a nossa actuação. Mas nós não vamos compactuar com decisões ilegais”, disse o Mandatário.

O também Presidente da Liga  Nacional da Juventude da Renamo defende que não se  pode ditar novas regras num processo que iniciou há bastante tempo. E esclarece:

“Há 20 de Setembro, o MDM submeteu a lista de membros para fiscalizar as eleições e não nos foi avançada nenhuma informação. De lá para cá, apenas no dia 2 de Outubro é que tivemos a informação, da Comissão Eleitoral da Cidade da Matola, de que os nossos membros não são elegíveis para credenciamento, violando todos os princípios do processo eleitoral”. 

O MDM já reagiu ao documento, questionando a legalidade da decisão e garantindo que não irá aceitar a imposição ilegal e espera o cumprimento da lei.

Renato Muelega falava esta quinta-feira, no mercado Matola-gare, onde cumpria mais um dia de campanha eleitoral, no município da Matola.

O cabeça-de-lista da Renamo, na cidade da Beira, Geraldo Carvalho, esteve esta quinta-feira no mercado da Praia-nova, onde em contacto com os vendedores de peixe, garantiu que irá melhorar as condições daquele mercado, construído na base de material precário e voltou a atacar a actual gestão municipal. 

“Vamos ganhar as eleições e o nosso governo municipal em três anos irá  melhorar as vossas condições construindo bancas convencionais e pavilhões. Se notarem que o Geraldo carvalho e a Renamo estão a falhar,  olhando para o nosso regime democrático, teremos outras eleições daqui há cinco anos, podem tirar-nos do poder. Vocês não podem continuar a contentar-se com as agendas do município e limitarem-se a aplaudir cada vez que inaugura uma infra-estrutura que não irá vos beneficiar enquanto vocês continuam a pagar senha todos os dias e venderem no chão. Basta uma pequena chuva ou ventania, o negócio para mas não param de pagar as senhas. Só a Renamo e o Carvalho na gestão do município é que as vossas vidas irão melhorar”, garantiu Carvalho

Moçambique não está preparado para enfrentar a ocorrência de ciclones no Sul do país. O alerta foi lançado, hoje, em Maputo, por Luís Artur, especialista em gestão de riscos de desastres, durante uma reunião nacional sobre preparação e resiliência a ciclones tropicais, na África Austral, organizada pela Universidade Eduardo Mondlane e o Instituto Nacional de Meteorologia. 

Maputo é desde o dia 2 deste mês, o palco de uma reunião internacional sobre resiliência a ciclones na África Austral. O evento, que conta com a participação de 35 especialistas na matéria, provenientes de Moçambique, África do Sul, Madagáscar, Malawi e Inglaterra, deverá ajudar a reorientar as estratégias do Governo moçambicano, face a ciclones e cheias. 

Para Luís Artur, engenheiro e especialista em gestão de riscos de desastres, a região Sul de Moçambique não está preparada para enfrentar eventos climáticos severos. 

“Nós, agora, como país, estamos preparados para responder a ciclones que ocorram na região Centro e na região Norte. Mas, que tal, se no futuro, começarmos a ter ciclones na região Sul do país. Que tal, as frentes frias, como aquela que tivemos na Matola e em Boane, em Fevereiro, que trouxeram bastante chuva, começarem a ocorrer com muita frequência”, questiona o especialista. 

De acordo com Luís Artur, o sistema de aviso prévio contra ciclones e a forma como as políticas públicas moçambicanas são desenhadas para eventos climáticos severos devem melhorar. 

Durante a reunião, um dos temas em destaque é o futuro dos ciclones na região Austral. Para já, fica a certeza de que os países vizinhos querem garantir maior coordenação e aprender com a experiência moçambicana na redução de danos. 

“Há maior interesse e uma compreensão cada vez maior, de que os eventos meteorológicos não respeitam as fronteiras criadas pelos homens. Vimos a prova disso com o ciclone Freddy, que primeiro passou por Madagáscar, atingiu Moçambique, causando muitos danos, a seguir passou por Malawi, onde houve um  número elevado de mortos, em relação a Moçambique e Madagáscar”, destacou Bernardino Nhantumbo, meteorologista e investigador na área do clima. 

Bernardino acrescenta que os países vizinhos de Moçambique estão cada vez mais preocupados com os ciclones, que atingem o país, porque atravessam também os seus territórios. O fim, igualmente, é de aprenderem de Moçambique, face à sua experiência. 

Segundo o INAM, a previsão de ciclones está em curso e a informação sobre a sua ocorrência, na presente época, será divulgada no fim deste mês. A reunião internacional, que decorre desde esta segunda-feira, termina esta sexta-feira, se insere numa pesquisa sobre ciclones tropicais, que, com frequência, têm estado a afectar, nos últimos anos, Moçambique, Madagáscar e Malawi.

O País tem, a partir de hoje, um sistema de avaliação de marcas, produtos e serviços, onde os consumidores serão os próprios avaliadores. Trata-se do “Projecto Escolha do Consumidor” lançado na manhã desta quinta-feira. 

Esta é uma iniciativa pioneira, no país, segundo o director Comercial do “Escolha do Consumidor Moçambique” Diogo da Cunha, cujo objectivo é dar voz ao consumidor, permitindo-lhes avaliar, reconhecer e premiar as melhores marcas e empresas. 

Com isso,  espera-se ajudar as empresas a se destacarem, a diferenciarem-se dos concorrentes no mercado e vai ajudar o consumidor, pois terá produtos e serviços de qualidade. 

“Nós queremos fechar com as empresas e com as marcas, durante o mês de outubro, novembro começamos a falar com os consumidores para que façam as suas escolhas, a atribuição dos prémios será feita a partir de Janeiro do próximo ano, onde as empresas premiadas utilizam o selo “Escolha do Consumidor” no seu sector e na sua categoria”, Explicou Diogo da Cunha. 

Este selo será uma referência confiável para os consumidores, ajudando-os a tomar decisões informadas sobre produtos e serviços.

Conforme avançou o director comercial do projecto Moçambique foi escolhido para acolher o sistema de avaliação  porque nos últimos anos a sua indústria e comércio de marcas e serviços cresceu bastante, principalmente numa era onde o público tem mais acesso à informação.  

Essa informação, que conforme explicou o criador da “Escolha do Consumidor” faz com que o consumidor dos dias actuais seja mais exigente, desconfiado e crítico, o que pressiona as empresas e marcas a melhorarem cada vez mais a sua actuação. 

O lançamento do sistema Escolha do Consumidor contou com a presença de Edson Athayde, um dos maiores publicitários internacionais, que durante sua palestra deixou um alerta para as empresas melhor se posicionarem no mercado. 

“É muito importante que uma marca, ao trabalhar a sua publicidade não esqueça que as pessoas são pessoas, elas querem ser entretidas, informadas, elas querem ver coisas que as façam rir, façam chorar então é importante que as marcas não sejam tão duras. Ao tentar vender os seus produtos, lembrem-se que o entretenimento é o que deixa as pessoas alegres, felizes, e emocionadas para que possam comprar os produtos, então é necessário reinventarem-se”, aconselhou. 

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