A Primeira-ministra, Benvinda Levi, desafiou, nesta terça-feira em Maputo, ao Fórum das Comissões Eleitorais dos Países Membros da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC), a construírem sistemas eleitorais cada vez mais modernos e eficientes.
Para a governante, a aposta na modernização dos sistemas eleitorais não deve comprometer a transparência, a inclusão, integridade, credibilidade e, acima de tudo, a confiança do público que, segundo ela, sustenta a democracia dos Estados membros deste bloco regional.
“Reafirmamos o compromisso de Moçambique com os princípios democráticos consagrados nos instrumentos da SADC, União Africana e das Nações Unidas, bem como o interesse e determinação no fortalecimento permanente das instituições responsáveis pela administração eleitoral”, disse Benvinda Levi.
APOSTA NA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL
A Reunião do Comité Executivo do Fórum das Comissões Eleitorais dos Países Membros da SADC acontece num contexto em que o mundo é marcado pela afirmação da Inteligência Artificial (IA). Segundo a Primeira-ministra, a IA está a transformar como as instituições públicas planeiam, gerem a informação e prestam serviços aos cidadãos.
No contexto eleitoral, afirma Benvinda Levi, essas tecnologias podem oferecer oportunidades para aumentar a eficiência administrativa, apoiar os registos da gestão eleitorais, melhorar a comunicação com os eleitores, reforçar a análise de dados e facilitar a identificação atempada de irregularidades operacionais.
“Podem igualmente apoiar a monitoria de fenómenos de desinformação, manipulação digital e disseminação de conteúdos falsos que afectam a integridade dos processos eleitorais”, alerta.
Nesse sentido, alerta a Primeira-ministra, o recurso a essas ferramentas deve ser criterioso e responsável, respeitando os mandatos legais das instituições e preservando os direitos dos cidadãos.
“As mesmas tecnologias que podem apoiar a democracia podem também ser utilizadas para a fragilizar. A proliferação de conteúdos digitalmente manipulados, as campanhas automatizadas de desinformação, a microssegmentação política abusiva e a utilização indevida de dados pessoais constituem riscos concretos para a integridade eleitoral e para a confiança nas instituições”, alerta Benvinda Levi.
Segundo a Primeira-ministra, associada à Inteligência Artificial, está a crescente relevância da governação de dados, assim como o facto delas constituírem um activo estratégico para o desenvolvimento económico, social e institucional.
“A capacidade de os recolher, proteger, gerir e utilizar de forma segura e responsável tornou-se um elemento central da soberania digital dos Estados. A inovação tecnológica deve caminhar lado a lado com a protecção dos direitos fundamentais, a salvaguarda da privacidade, a segurança dos sistemas e do respeito pelos princípios democráticos.”
Benvinda Levi entende, por isso, que uma governação de dados sólida representa uma oportunidade para reforçar a soberania digital, reduzir dependências externas e assegurar que a transformação tecnológica contribua para o desenvolvimento sustentável e para o fortalecimento das instituições democráticas.
O Conselho da União Europeia (UE) decidiu prorrogar o mandato da Missão de Assistência Militar da UE em Moçambique (EUMAM MOZ) por mais seis meses, até 31 de Dezembro de 2026.
A extensão do actual mandato, segundo o comunicado da EUMAM MOZ, prende-se a necessidade de continuar a desenvolver os programas de capacitação das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM), focados nas Forças de Reação Rápida (QRF), no seu ciclo operacional, na respetiva logística e manutenção, de modo a contribuir para a sua sustentação e autossuficiência.
“Desta forma, a UE na generalidade e a EUMAM MOZ em particular, demonstram o seu elevado compromisso em apoiar Moçambique e as FADM na promoção da paz em Cabo Delgado”, lê-se no comunicado.
Desde o início do mandato da EUMAM MOZ, a 1 de Setembro de 2024, e até agora, foram implementados, em estreita colaboração com as FADM, mais de 40 programas de capacitação, que envolveram 1200 militares moçambicanos, sendo que destes, aproximadamente 300 se encontram nesta fase a frequentar os programas de regeneração das QRF de Comandos e Fuzileiros.
A EUMAM MOZ é uma missão não executiva que tem como objetivo assistir as FADM no desenvolvimento e reforço das suas capacidades, com vista a assegurar que estas implementam e sustentam o ciclo de emprego operacional das QRF, contribuindo assim para a estabilidade e o desenvolvimento da província de Cabo Delgado, em conformidade com o Direito Internacional Humanitário e o Direito Internacional dos Direitos Humanos.
Actualmente comandada pelo Comodoro César Pires Correia, a EUMAM MOZ conta com mais de 80 militares e civis, de 11 Estados-Membros da EU – Áustria, Bélgica, Espanha, Estónia, Finlândia, França, Grécia, Itália, Lituânia, Portugal, Roménia, e um não membro: Sérvia.
Operadores de transporte semicolectivo de passageiros e utentes da cidade da Beira chegaram a um entendimento informal para o aumento de cinco meticais na tarifa de transporte público urbano, numa tentativa de reduzir a crise de mobilidade que afecta aquela cidade, devido à escassez e à subida dos preços dos combustíveis.
O acordo, alcançado sem a participação oficial das autoridades municipais ou da associação dos transportadores, permitiu o regresso gradual de alguns operadores às estradas e contribuiu para a redução parcial da paralisação dos chamados “chapas”.
Motoristas e cobradores afirmam que a decisão foi motivada pela necessidade urgente de continuar a trabalhar perante o agravamento dos custos operacionais.
“Hoje retomamos as actividades, porque, ficando parados em casa, vamos prejudicar até os nossos filhos. O preço subiu de 15 para 20 meticais”, afirmou João Lourenço.
Outros operadores reconhecem que o reajuste ainda não resolve totalmente as dificuldades enfrentadas pelo sector, mas defendem que representa um alívio temporário enquanto aguardam uma decisão oficial das autoridades competentes.
“As pessoas estão a cooperar connosco. O aumento está um pouco baixo hoje, mas vamos ver até amanhã ou depois”, disse Manuel Lopes.
Apesar do entendimento entre passageiros e transportadores, os operadores insistem que o novo valor ainda não constitui uma tarifa oficialmente aprovada.
“Não temos nenhuma subida oficial de preços, mas existem passageiros que colaboram connosco, porque nós não queremos paralisar as actividades”, explicou Gabriel Tomo.
Entre os passageiros, muitos admitem resignação perante a subida dos preços, argumentando que o aumento dos preços dos combustíveis inevitavelmente afecta o custo do transporte público.
“O combustível aumentou de preço, então ele deve aumentar também o preço do chapa”, afirmou Zélia Alberto.
Outra passageira, Lurdes Andrade, considerou que a situação deixa poucas alternativas aos utentes.
“Vamos fazer o quê? Eles querem assim, a gente tem de aguentar”, declarou.
Nos últimos dias, a cidade da Beira enfrentou fortes constrangimentos no transporte semicolectivo, com redução significativa da circulação de viaturas e longas filas nas paragens, afectando milhares de trabalhadores, estudantes e comerciantes.
O aumento recente dos preços dos combustíveis, aliado às dificuldades de abastecimento em algumas zonas do País, tem vindo a pressionar os operadores de transporte urbano, que alegam incapacidade de manter as tarifas actuais sem prejuízos financeiros.
Com o entendimento informal alcançado esta terça-feira, verificou-se um aumento do número de “chapas” em circulação na cidade, contribuindo para minimizar parcialmente a crise de transporte.
Entretanto, transportadores e passageiros continuam a aguardar um posicionamento oficial das autoridades municipais e das associações do sector relativamente a uma eventual revisão formal das tarifas na cidade da Beira.
A selecção nacional de golfe de Moçambique escreveu uma nova página na história da modalidade ao alcançar o melhor resultado de sempre no Campeonato de Golfe da Região 5, disputado recentemente no Reino de Eswatini.
A equipa nacional terminou a competição na sétima posição entre nove países participantes, numa participação marcada pelo regresso do País ao torneio após uma ausência de dez anos.
A prova decorreu no prestigiado Ezulwini Golf & Country Club, reunindo algumas das selecções mais competitivas da África Austral, numa edição considerada uma das mais equilibradas dos últimos anos.
Moçambique concluiu o campeonato com um total acumulado de 95 pontos, resultado que reflecte uma evolução significativa ao longo da competição. Depois de um início abaixo das expectativas, os atletas nacionais protagonizaram uma recuperação consistente na segunda ronda, demonstrando maior estabilidade técnica, adaptação às exigências do campo e capacidade competitiva frente a adversários experientes da região.
Na categoria “Better Ball”, componente colectiva da competição, a selecção moçambicana voltou a apresentar sinais positivos, destacando-se pelo entrosamento entre os jogadores e pela consistência exibida em momentos decisivos da prova.
A África do Sul confirmou o favoritismo e conquistou o título regional com um impressionante resultado de 18 abaixo do par (-18), reafirmando a hegemonia sul-africana no golfe da região. A Zâmbia terminou na segunda posição, enquanto o Zimbabwe fechou o pódio na terceira colocação.
Além dos três primeiros classificados, participaram ainda as selecções da Namíbia, Eswatini, Botswana, Malawi, Lesotho e Moçambique.
Para a Federação Moçambicana de Golfe, o resultado alcançado representa um sinal encorajador do crescimento gradual da modalidade no País e do investimento feito na preparação dos atletas nacionais.
A participação permitiu igualmente aos jogadores moçambicanos acumularem experiência internacional e avaliarem o actual nível competitivo do golfe nacional no contexto regional.
Mais do que a posição final na tabela classificativa, a presença moçambicana no campeonato foi vista como uma oportunidade estratégica de afirmação regional, intercâmbio desportivo e consolidação do trabalho técnico desenvolvido nos últimos anos.
A edição deste ano voltou também a reforçar o papel do Campeonato da Região 5 como uma das principais plataformas de integração desportiva da África Austral, promovendo o desenvolvimento do golfe africano e fortalecendo os laços competitivos entre os países da região.
A Ordem dos Advogados de Moçambique (OAM) formalizou uma participação criminal junto da Procuradoria Distrital da República da Machava contra agentes da Polícia da República de Moçambique (PRM) e do Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC), acusados de agredir o advogado Amisse Abel Nota Passe, durante o exercício da profissão, na 5.ª Esquadra da Machava, na cidade da Matola.
O caso está a gerar forte indignação no seio da classe, que considera o acto uma afronta grave às prerrogativas dos advogados, à dignidade da profissão e ao próprio Estado de Direito Democrático. A organização exige justiça exemplar e responsabilização criminal dos envolvidos.
A submissão da participação criminal ocorreu na manhã desta quarta-feira e reuniu vários advogados em gesto de solidariedade ao colega agredido. Segundo a OAM, o episódio aconteceu no dia 17 de Abril, quando Amisse Abel se encontrava na esquadra a prestar assistência jurídica ao seu constituinte, no âmbito de uma inquirição. O advogado conta que a situação escalou depois de ter solicitado tempo para compulsar a legislação ligada ao exercício da advocacia e às garantias de defesa do cidadão que representava.
“Enquanto eu pedia para compulsar a legislação sobre o exercício da profissão de advogado, os agentes irritaram-se e, sem nada, partiram efectivamente para a violência”, relatou o advogado, visivelmente indignado. Segundo o jurista, os agentes começaram por desferir bofetadas e pontapés até o derrubarem no chão. “Consistiu em me darem bofetadas na cara, me chutaram até eu cair e depois solicitaram uma moldura em sete para poderem me arrastar de dentro da sala”, afirmou, descrevendo momentos de violência que terão ocorrido diante de cidadãos que se encontravam na esquadra e que, segundo disse, começaram a gritar ao presenciarem a cena.
Amisse Abel denuncia ainda que, depois da agressão física, os agentes retiraram-lhe o telemóvel durante cerca de três horas e prosseguiram com a audição do seu constituinte sem a presença da defesa. O advogado acusa os agentes de terem pressionado o cidadão assistido a confessar um crime que negava ter cometido. “Ouviram o meu constituinte por cerca de três horas, obrigando-o a confessar algo que ele, por via do princípio da presunção da inocência, diz que não cometeu, e ouviram sem a minha presença”, declarou. Para o advogado, a situação representa uma violação grave dos direitos fundamentais do cidadão e uma tentativa de limitar o exercício da advocacia.
Em representação da Ordem dos Advogados de Moçambique, Hermínio Luís Chaúque afirmou que a classe não pretende criar confrontos institucionais, mas exige respeito pelas garantias legais da advocacia e pelo papel dos advogados na administração da justiça. “Não viemos aqui para um confronto, viemos transmitir um recado que esperamos que seja devidamente entendido e acolhido não só pelos agentes da 5.ª Esquadra, mas por toda a corporação em todos os quadrantes do país”, declarou.
Hermínio Chaúque sublinhou que o advogado deve ter livre acesso ao seu constituinte em qualquer circunstância, sobretudo quando estão em causa actos processuais. “O advogado, a qualquer momento, deve ter acesso ao seu constituinte e, na esquadra, no local de julgamento, é para perceber os pressupostos que estão sendo usados para que esse indivíduo seja ouvido”, afirmou, acrescentando que impedir ou limitar o trabalho do advogado coloca em causa as garantias de defesa previstas na Constituição e nas leis moçambicanas.
A OAM entende que o caso não atinge apenas Amisse Abel, mas toda a classe e o próprio sistema de justiça. O advogado Ercílio Idálio Chemane considera que a situação fere directamente a dignidade dos profissionais da advocacia e compromete o funcionamento do Estado de Direito Democrático. “Isto feriu directamente a nossa dignidade como advogado. Não foi só pelo doutor Amisse, é por cada um de nós que está aqui, é por cada um de nós que luta diariamente para que o advogado esteja a fazer o seu papel na defesa do Estado de Direito Democrático”, afirmou.
Ercílio Chemane acrescentou que a submissão da participação criminal representa uma resposta institucional da OAM perante comportamentos que considera incompatíveis com um Estado assente na legalidade. “Estamos a submeter a queixa-crime devido ao comportamento da polícia, membros da PRM, assim como do SERNIC, por este comportamento que nada ajuda para o desenvolvimento e a manutenção do Estado de Direito em Moçambique”, declarou.
O advogado Uriel Menete afirmou que os casos de agressão contra advogados e cidadãos têm sido recorrentes e precisam de ser travados através da responsabilização efectiva dos autores. “Aconteceu com o colega, acontece com tantos outros colegas. O colega foi corajoso em apresentar por escrito a sua queixa e nós, como advogados, estamos envolvidos na causa”, afirmou.
Menete reforçou que os agentes envolvidos devem responder disciplinar e criminalmente pelos actos praticados, lembrando que a própria lei prevê responsabilização para membros das forças de defesa e segurança que cometam infracções no exercício das suas funções. “Se os polícias cometeram uma infracção, há obrigação de serem processados, não é o que diz a lei?”, questionou.
Por sua vez, o advogado Victor da Fonseca condenou o que considera ser um padrão recorrente de violência e intimidação contra profissionais da justiça. “Basta a violência contra advogados perpetrada pela polícia, basta a violação dos nossos direitos e basta a violação dos direitos daqueles que têm por atribuição garantir direitos de terceiros, que são os cidadãos”, declarou. Victor da Fonseca entende que a agressão contra Amisse Abel representa uma ameaça não apenas à classe, mas também às garantias fundamentais dos cidadãos que dependem da assistência jurídica.
O advogado acrescentou ainda que o respeito pela advocacia deve ser entendido como condição essencial para o funcionamento da justiça. “Seja polícia, seja presidente, seja ministro, seja qualquer cidadão, quando está em conflito com a lei, procura o advogado. Respeite o advogado e a profissão do advogado. Sem o advogado não há justiça em qualquer canto do mundo”, afirmou.
A Ordem dos Advogados de Moçambique alerta que o caso de Amisse Abel é mais um entre vários relatos de agressões, intimidações e violações das prerrogativas dos advogados no país. A organização entende que a violência contra profissionais da justiça não ameaça apenas a advocacia, mas compromete directamente as garantias de defesa dos cidadãos e enfraquece o sistema judicial moçambicano.
Para a classe, o silêncio perante situações do género pode abrir espaço para a normalização de abusos de poder e limitar o acesso dos cidadãos à justiça.
A selecção nacional de futebol Sub-17 de Moçambique já se encontra em Rabat, Marrocos, onde vai disputar o Campeonato Africano das Nações (CAN) da categoria, competição que arranca nesta semana e que servirá igualmente de qualificação para o Mundial Sub-17 da FIFA, marcado para o Qatar ainda neste ano.
Os “Mambinhas” integram um grupo considerado competitivo, ao lado da Tanzânia, Mali e Angola, numa edição que reúne 16 selecções africanas e que poderá garantir até dez vagas africanas para o Campeonato do Mundo, num novo formato alargado da FIFA.
A estreia moçambicana está marcada para esta quinta-feira diante da Tanzânia, seguindo-se os confrontos frente ao Mali, vice-campeão africano, e Angola, no encerramento da fase de grupos.
Apesar dos resultados menos positivos nos jogos de preparação realizados em território marroquino, o seleccionador nacional, Luís Guerreiro, considera que o estágio pré-competitivo foi produtivo e importante para avaliar o nível competitivo da equipa.
Nos três encontros amigáveis realizados, Moçambique perdeu diante do Uganda e dos Camarões por 3-1, e frente ao anfitrião Marrocos por 3-2, tendo marcado quatro golos e sofrido nove.
A participação moçambicana ganha relevância pelo simbolismo do regresso aos grandes palcos juvenis africanos. Segundo dados da imprensa especializada, esta será apenas a terceira presença de Moçambique numa fase final do CAN Sub-17, depois das edições de 1995 e 2001.
Mambinhas passam nos testes MRI da CAF
Um dos pontos que marcaram a preparação dos Mambinhas sub-17 foi a aprovação integral dos atletas nos testes de Ressonância Magnética (MRI), mecanismo utilizado pela Confederação Africana de Futebol (CAF) para verificar a idade dos jogadores inscritos na competição.
Em comunicado divulgado pela Federação Moçambicana de Futebol (FMF), a instituição confirmou que todos os jogadores moçambicanos cumpriram os requisitos estabelecidos pela CAF.
“No âmbito dos protocolos obrigatórios definidos pela Confederação Africana de Futebol (CAF), os atletas foram submetidos aos testes de Ressonância Magnética (MRI), mecanismo utilizado para verificação da elegibilidade etária dos jogadores inscritos na competição. Os resultados confirmaram que a totalidade dos atletas moçambicanos cumpre os requisitos estabelecidos pela CAF”, refere a nota da FMF.
A CAF reforçou, nos últimos anos, os mecanismos de controlo etário nas competições juvenis africanas, depois de sucessivos casos de fraude de idade no futebol de formação.
O regulamento do CAN Sub-17 determina que apenas atletas nascidos depois de 1 de Janeiro de 2008 podem participar na edição de 2025, sendo os testes MRI obrigatórios antes e durante a competição.
A FMF considera que a aprovação dos atletas representa “um compromisso com a verdade desportiva, a transparência e o desenvolvimento sustentável do futebol juvenil”.
Sonho mundialista motiva jovens moçambicanos
Além da luta pelo título continental, a competição em Marrocos representa uma oportunidade histórica para Moçambique alcançar pela primeira vez uma qualificação para o Campeonato do Mundo Sub-17.
O novo formato da prova mundial, que contará com mais selecções participantes, aumentou o número de vagas africanas disponíveis, alimentando as expectativas das equipas emergentes do continente.
O primeiro desafio dos “Mambinhas” será disputado no Complexo Desportivo Mohammed VI, uma das infra-estruturas utilizadas pelo futebol marroquino para acolher competições internacionais juvenis.
Num grupo equilibrado e diante de adversários com tradição no futebol jovem africano, Moçambique procura surpreender e escrever uma nova página na história do futebol nacional.
A Universidade Pedagógica de Maputo lançou oficialmente, esta terça-feira, o curso “Empreendedorismo Social Feminino I”, uma iniciativa inserida no Projecto ÍMPAR, Empoderar a Mulher na África Subsaariana como Promotora da Economia Social, financiado pelo programa Erasmus+.
O lançamento decorreu na Faculdade de Economia e Gestão da instituição e reuniu representantes académicos e parceiros internacionais envolvidos no projecto, que visa reforçar as competências empreendedoras das mulheres e promover a inclusão económica e o desenvolvimento sustentável na África Subsaariana.
Com duração de um mês e certificação internacional, o curso conta com a participação de 20 jovens mulheres, com idades compreendidas entre os 18 e os 20 anos, seleccionadas após um processo competitivo que envolveu perto de 200 candidaturas.
A iniciativa resulta de uma parceria internacional que integra o Instituto Politécnico de Lisboa, a Universidade de Cabo Verde, a Universidade do Mindelo, a Universidade Técnica de Angola, a Universidade Independente de Angola e a Universidade Eduardo Mondlane, entre outras instituições académicas e parceiras africanas e europeias.
Durante a cerimónia de abertura, dirigida pela directora da Faculdade de Economia e Gestão da UPM, Arlete Ferrão, foi sublinhado o compromisso das instituições parceiras na criação de oportunidades de capacitação académica e profissional para mulheres empreendedoras.
Segundo os promotores, a formação aposta numa abordagem prática e multidisciplinar, orientada para o desenvolvimento de iniciativas sustentáveis, liderança feminina, gestão de negócios sociais e criação de impacto positivo nas comunidades.
A coordenação-geral do projecto é assegurada por Dina Soeiro, enquanto a coordenação local, na UPM, está a cargo de Herieta Massango.
O partido Podemos afirma que o Governo tomou uma medida insuficiente ao decidir pagar subsídios aos transportadores de passageiros, para responder aos custos dos combustíveis. O partido sugere compensações às gasolineiras e redução do IVA.
O Porta-voz do Podemos começou por recordar que o agravamento do custo dos combustíveis não afecta somente os transportadores de passageiros, por isso, considera a medida do Governo de subsidiá-los insuficiente.
“ O problema do combustível não afeta apenas os transportes de passageiros, afeta toda a economia nacional. Reconhecemos que o Governo procurou adotar algumas medidas de mitigação face ao agravamento internacional do preço dos combustíveis, incluindo o apoio ao transporte público de passageiros, tratando-se de um reconhecimento importante de que o aumento dos combustíveis possui impacto social sobre o custo de vida dos moçambicanos. (4:47) Contudo, consideramos que as medidas anunciadas continuam insuficientes, limitadas e incapazes de responder à dimensão real das dificuldades enfrentadas pelas famílias, pelos trabalhadores, pelos transportadores, pelos pequenos negociantes e pela juventude”, explicou Duclésio Chico.
Entre as medidas a tomar, o Podemos sugere que as compensações recaiam sobre as gasolineiras e a redução do IVA.
“O Podemos defende uma abordagem mais ampla, equilibrada e socialmente responsável. O Estado deve partilhar o peso da crise com os cidadãos, reduzindo temporariamente parte da carga fiscal e dos custos administrativos que incidem sobre os combustíveis.Neste sentido, o Podemos propõe a redução temporária do IVA sobre combustíveis de 16% para uma faixa entre 10% e 12% durante o atual período de pressão inflacionária. A revisão extraordinária da taxa sobre combustíveis, com redução mínima de 30% sobre os valores atualmente aplicados. A redução das taxas e custos administrativos ligados ao manuseamento portuário, armazenamento e logística de distribuição. A revisão das margens excessivas de intermediação e distribuição no setor. A criação de um mecanismo transparente de estabilização de preços que permita amortecer choques internacionais sem transferir integralmente o impacto para o consumidor final. E a implementação de incentivos à produção nacional e ao transporte coletivo, reduzindo a dependência estrutural da economia em relação aos custos dos combustíveis. ”
O Podemos também reagiu ao assassinato do membro do partido Analmola, Anselmo Vicente, ocorrido na província de Manica.
“Moçambique não pode transformar-se num Estado onde o medo substitui a confiança e onde a impunidade encoraja o crime. É imperioso restaurar a autoridade da justiça, reforçar a segurança pública e devolver aos cidadãos a confiança nas instituições do Estado. Neste momento de dor, o Podemos endereça as suas mais sentidas condolências à família enlutada, ao Partido Anamola e a todos os amigos e companheiros do malogrado que encontrem força, união e conforto para enfrentar esta irreparável perda”.
O porta-voz do partido falava, esta quarta-feira, numa conferência de imprensa, na cidade de Maputo.
O recém-eleito presidente do Conselho Nacional das Religiões em Moçambique (COREM), Moisés Chiziane, promete transformar a promoção da paz, da reconciliação e da moralização social nas principais bandeiras da nova liderança da organização, numa altura em que o país continua confrontado com desafios sociais, económicos e de convivência comunitária.
Falando após a sua eleição pela Assembleia Geral da organização, realizada esta semana, o reverendo afirmou que a nova direção assume o compromisso de trabalhar para fortalecer o papel das igrejas e confissões religiosas na construção da estabilidade social e da unidade nacional.
“Os desafios estão lá. Nós sabemos que temos de promover a paz e esta paz vai incidir-se em todas as partes da sociedade, mesmo na Igreja”, afirmou Moisés Chiziane.
O líder religioso reconheceu igualmente o trabalho desenvolvido pela direção cessante, assegurando que a nova equipa pretende dar continuidade às ações já iniciadas, mas com maior aproximação às comunidades e às famílias.
“Nós estamos prontos e também agradecer aos líderes cessantes pelo trabalho que fizeram e nós vamos dar a continuidade”, disse.
Durante o seu discurso, Moisés Chiziane destacou o papel das instituições religiosas na preservação dos valores morais e na promoção da reconciliação entre os moçambicanos, defendendo que a paz começa dentro das famílias.
“Primeiro temos de ter esta paz no nosso seio para depois termos a moralização. A família é o pilar de tudo e a Igreja tem um papel muito importante nesta área”, apontou.
A eleição marca uma nova etapa no Conselho Nacional das Religiões em Moçambique, instituição que não realizava eleições há cerca de 16 anos. No mesmo processo eleitoral, Albino Mussui foi reconduzido ao cargo de secretário-geral, enquanto Teresa Coana foi eleita para presidir o Conselho Fiscal.
Com esta renovação, José Guerra e Sheik Amuniddin deixam a liderança da organização após 16 anos à frente do órgão.
Ao longo dos anos, o Conselho Nacional das Religiões tem desempenhado um papel relevante na mediação social, na promoção da convivência pacífica entre diferentes crenças religiosas e no apoio a iniciativas humanitárias, sobretudo em momentos de crise social e de tensão política.
Num país marcado por desafios ligados ao extremismo violento, pobreza, violência doméstica, criminalidade juvenil e degradação de valores sociais, analistas entendem que as organizações religiosas continuam a ser uma das estruturas mais próximas das comunidades, podendo contribuir para a educação cívica, reconciliação nacional e prevenção de conflitos.
Entre os principais desafios da nova liderança está o reforço da presença da organização nas comunidades, a aproximação com os jovens, o combate à intolerância religiosa e a criação de plataformas permanentes de diálogo com o Governo e a sociedade civil.
A nova direção do Conselho Nacional das Religiões defende ainda maior envolvimento das igrejas e confissões religiosas na educação moral da juventude, na promoção da cultura de paz e no fortalecimento da família, considerada pela organização como a base da estabilidade social.
Transportadores de passageiros do Albasine paralisaram actividades na manhã de hoje para protestar contra o mecanismo do Governo para subsidiar o transporte. Os chapeiros dizem que a forma correcta seria ajudar a converter o sistema para o gás
A manhã deste segunda-feira começou com mobilidade condicionada do bairro Albasine, na periferia da cidade de Maputo, para o centro da capital. Condutores de viaturas de 15 lugares, que suprem boa parte da necessidade de transporte urbano, estavam com viaturas parqueadas, as motivações: novos preços dos combustíveis. O impacto recaiu sobre os estudantes numa semana de avaliações trimestrais
Esta quarta-feira iniciou-se o processo de licenciamento de transportadores não reconhecidos. Segundo os motoristas, o problema não está nas licenças, e desprestigiam o mecanismo que o Governo pretende usar para financiar os transportes
Além de subsidiar as gasolineiras, os transportadores dizem que o Governo deve identificar outras formas de sair da dependência da gasolina e do gasóleo.
O transporte de passageiros no Albasine foi assegurado pelos autocarros, incluindo articulados, mas a procura era maior que a oferta.