FEMATRO mantém negociações com o Governo sobre o aumento dos preços, numa altura em que os transportadores estão divididos quanto à proposta de incremento de cinco meticais e à reivindicação de 20 meticais.
O preço dos transportes públicos poderá agravar-se a partir de 1 de Novembro, no contexto das negociações entre a Federação Moçambicana das Associações dos Transportadores Rodoviários (FEMATRO) e o Governo sobre as compensações aos operadores.
Apesar de ainda não haver uma data definida para o pagamento das compensações, os transportadores continuam divididos quanto à proposta de incremento de cinco meticais nas tarifas. Enquanto uma parte admite aceitar o valor, desde que se mantenha o subsídio atribuído pelo Governo, outros defendem a proposta submetida pela FEMATRO, que prevê um aumento de 20 meticais.
Perante a falta de consenso, a Federação anunciou que vai retomar as negociações com o Executivo, com vista à identificação de uma solução que responda às preocupações dos transportadores e dos passageiros.
A indefinição em torno das compensações e do reajustamento das tarifas surge numa altura em que havia uma tendência de paralisação dos transportes para segunda-feira, 12 de Outubro. Entretanto, a FEMATRO apelou aos operadores para não avançarem com a suspensão das actividades, defendendo a continuidade do diálogo com o Governo.
Segundo a Federação, os transportadores deram um voto de confiança à sua direcção para prosseguir com as negociações. O ponto de situação deverá ser apresentado numa nova reunião, marcada para 26 de Outubro.
A FEMATRO considera que o aumento das tarifas é necessário para garantir a rentabilidade da actividade e melhorar as condições de operação do transporte público no país. A Federação defende que os operadores precisam de receitas suficientes para continuar a prestar serviços e assegurar condições de trabalho adequadas.
Entretanto, o eventual agravamento dos preços poderá representar um encargo adicional para os passageiros, que aguardam por uma solução para o diferendo entre os transportadores e o Governo.
Terminou ontem, 17 de junho, a formação ministrada às Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM) pelas Forces Armées de la Zone Sud de l’Océan Indien (FAZSOI), em coordenação com a Missão de Assistência Militar da União Europeia em Moçambique (EUMAM MOZ).
A cerimónia de encerramento dos cursos foi presidida pelo Comandante da Força da EUMAM MOZ, Comodoro César Pires Correia, e onde estiveram igualmente presentes altas entidades das FADM.
Durante a cerimónia, o Comandante da Força da Missão destacou a importância da formação ministrada, sublinhando que “esta formação representa mais um passo na construção de forças mais preparadas, resilientes e capazes de responder aos desafios operacionais que o país enfrenta, em particular no contexto de Cabo Delgado”. Dirigindo-se aos formandos, acrescentou ainda uma palavra de reconhecimento “pelo empenho, dedicação e profissionalismo demonstrados”, reforçando que o conhecimento adquirido constitui “uma importante ferramenta ao serviço da segurança das vossas forças e do povo moçambicano”.
As atividades formativas decorreram no Centro de Manutenção e Oficinas (CMO) das FADM, em Maputo, e no Campo de Treino da Katembe, através de Equipas Móveis de Formação (MTT) francesas, tendo incidido sobre áreas essenciais para o reforço das capacidades técnicas e operacionais das FADM.
Ao longo das últimas semanas, os militares das FADM desenvolveram competências nas áreas de manutenção de viaturas e de procedimentos táticos de combate a engenhos explosivos improvisados, através dos cursos Vehicle Maintenance Course e Counter-Improvised Explosive Devices (C-IED) Tactical Course.
Esta formação especializada teve como objetivo consolidar conhecimentos técnicos e práticos fundamentais, contribuindo para o aumento da prontidão, da autonomia e da eficácia operacional das FADM no cumprimento das suas missões em Cabo Delgado.
A colaboração entre a EUMAM MOZ, as FAZSOI e as FADM, iniciada ainda durante a Missão de Treino da União Europeia em Moçambique (EUTM MOZ), em 2021, tem desempenhado um papel relevante no reforço das capacidades operacionais no terreno, nomeadamente através do treino das Forças de Reação Rápida (QRF) e da partilha de conhecimento técnico em áreas críticas para a eficácia das operações.
A conclusão desta formação constitui mais um exemplo do trabalho conjunto desenvolvido pela União Europeia e por Moçambique, no âmbito do fortalecimento das capacidades das FADM, contribuindo para a promoção da segurança, da estabilidade e da capacidade de resposta aos atuais e futuros desafios de segurança, em particular no combate à insurgência em Cabo Delgado.
A Fidelidade Ímpar reuniu, esta semana, na cidade de Maputo, mulheres de diversos sectores de actividade para uma reflexão sobre a importância da protecção financeira e do seguro em cada fase da vida. O encontro, denominado “Seguramente”, serviu de plataforma para debater o papel da inclusão financeira no fortalecimento da autonomia e da segurança das mulheres moçambicanas.
O evento decorreu num ambiente de partilha de experiências e discussão sobre os desafios enfrentados pelas mulheres no acesso a instrumentos de protecção financeira, bem como sobre a relevância do seguro na promoção da estabilidade e da confiança para o futuro.
Na abertura da sessão, a Administradora Executiva da Fidelidade Ímpar, Célia Ferreira, destacou que a igualdade de género e a inclusão constituem pilares fundamentais da actuação da seguradora.
“Na Fidelidade Ímpar, a igualdade e a inclusão são valores não negociáveis. Não são apenas palavras, são princípios que orientam as nossas decisões, contratações e promoções. Hoje, as mulheres representam 49% da nossa força de trabalho e ocupam 36% dos cargos de liderança”, afirmou.
Segundo a responsável, o programa “Seguramente: De Elas Para Elas” surge para reforçar o acesso das mulheres a oportunidades, suporte e mecanismos que contribuam para o seu empoderamento económico e social.
A iniciativa contou igualmente com a participação da Presidente da New Faces New Voices Moçambique, Tânia Saranga, que abordou os desafios e oportunidades ligados à inclusão financeira feminina no país.
“Quando uma mulher tem acesso à informação, instrumentos financeiros e mecanismos de protecção, aumenta a sua capacidade de enfrentar desafios, planear o futuro e contribuir de forma mais activa para o desenvolvimento da sua família e da sociedade”, sublinhou.
A realização do evento enquadra-se no compromisso da Fidelidade Ímpar com a promoção da igualdade de género e do empoderamento feminino. A seguradora apoia, há seis anos, a organização Girl Move, em Nampula, é signatária do We Finance Code e integrou recentemente a Associação Moçambicana das Mulheres em Seguros (AMMS), iniciativas que visam reforçar a inclusão financeira e a representatividade das mulheres no sector.
Com mais de três décadas de actividade em Moçambique, a Fidelidade Ímpar reafirma, através do “Seguramente”, o seu compromisso de acompanhar as mulheres ao longo das diferentes etapas das suas vidas, promovendo soluções de protecção e contribuindo para uma sociedade mais inclusiva e resiliente.
O Município de Chimoio retomou os trabalhos de asfaltagem de estradas degradadas na urbe, numa iniciativa que visa melhorar a mobilidade urbana e responder a antigas preocupações dos munícipes quanto ao estado das vias de acesso.
A intervenção, que já havia contemplado a reabilitação da estrada que liga o centro urbano ao bairro Vila Nova, marca o reinício de um programa mais amplo de requalificação da rede viária da cidade.
Segundo o presidente do Município de Chimoio, João Ferreira, a acção enquadra-se no compromisso da edilidade de melhorar as condições de circulação e, consequentemente, a qualidade de vida dos cidadãos.
“Estamos a recomeçar a asfaltagem na nossa cidade de Chimoio. Vamos trabalhar nas artérias do centro para eliminar o antigo alcatrão degradado e os buracos existentes”, afirmou o edil.
O autarca reconheceu, no entanto, que não será possível cobrir todas as ruas da cidade numa única fase, mas garantiu que a intervenção permitirá melhorar significativamente a circulação urbana.
As obras estão a ser executadas no âmbito de uma parceria entre o Município de Chimoio e uma empresa de construção de vias de acesso, responsável pela execução técnica dos trabalhos.
Segundo o representante da empresa Uteka Construções, os trabalhos incluem a aplicação de novas camadas de asfalto, com capacidade para suportar tráfego pesado.
“Vamos aplicar cerca de 1,8 quilómetros nesta fase, com uma camada de asfalto de cinco centímetros, preparada para suportar cargas elevadas”, explicou Jie Khau.
A iniciativa foi bem recebida pelos munícipes, que destacam a melhoria já visível em algumas vias, mas apelam para que o programa de reabilitação se estenda também às zonas periféricas, onde o estado das estradas é considerado mais crítico.
“Estamos felizes porque esta estrada está a ser reabilitada. Esperamos que chegue também às zonas com mais poeira e dificuldades de circulação”, afirmou o munícipe António Manheche.
Outro residente, Jacinto João, destacou a melhoria imediata na circulação.
“A estrada estava em más condições, mas agora já está melhor. É bem-vinda esta intervenção para todos nós”, disse.
De acordo com a edilidade, numa primeira fase, os trabalhos de asfaltagem irão concentrar-se no centro urbano de Chimoio, com previsão de expansão gradual para as zonas periféricas.
A iniciativa insere-se nos esforços do município para modernizar a infraestrutura urbana e garantir melhores condições de mobilidade, segurança rodoviária e desenvolvimento económico local.
Moçambique já definiu a sua delegação para os Jogos da Commonwealth de 2026, que terão lugar entre 23 de Julho e 2 de Agosto, em Glasgow, na Escócia. O País será representado por um contingente de 20 membros, incluindo 12 atletas que irão competir em quatro modalidades desportivas.
O boxe surge como a principal aposta nacional nesta edição dos Jogos, liderando a comitiva com cinco pugilistas convocados. Entre os nomes seleccionados destaca-se Tiago Muxanga, considerado uma das principais esperanças de medalha para Moçambique na competição.
A Federação Moçambicana de Boxe (FMBoxe) confirmou ainda a possibilidade de ajustes na lista, devido à eventual indisponibilidade do atleta, que tem um combate profissional agendado para 12 de Julho. Segundo o secretário-geral da federação, António Hélio, já existe uma solução de recurso em análise.
“Vamos, por precaução, inscrever Bernardo Marrime para o caso em que se confirmar a sua indisponibilidade”, explicou.
Além de Muxanga, integram ainda a selecção de boxe Armando Sigaúque, Manuel Banguine, Alcinda dos Santos e Rady Gramane.
O judo será representado por três atletas, nomeadamente a bolseira olímpica Jacira Ferreira, Cyntia Badru e Samuel Ribeiro. Já o atletismo e a natação contarão com dois representantes cada.
No atletismo, destaca-se Amélia Pinga, especialista em triplo salto e bolseira olímpica em preparação em Portugal. O velocista Steven Sabino, que treina nos Estados Unidos da América, estava igualmente entre as apostas para os Jogos, mas foi afastado devido a lesão, segundo indicação do relatório médico, sendo substituído por um atleta ainda por designar.
A delegação moçambicana será ainda composta por oito oficiais, incluindo equipas técnicas, pessoal médico, chefe e vice-chefe de missão, além do adido de imprensa, responsáveis por assegurar o apoio logístico e técnico aos atletas durante a competição.
As federações nacionais encontram-se, agora, na fase final de preparação, com o objectivo de garantir que os atletas cheguem a Glasgow nas melhores condições físicas e competitivas.
A participação nos Jogos da Commonwealth é considerada uma das mais importantes do calendário desportivo internacional, reunindo atletas de diversos países-membros da Commonwealth num evento multidesportivo de alto nível.
As cheias e inundações que afetaram a província de Gaza entre Janeiro e Março deste ano provocaram a morte e dispersão de centenas de animais no Parque Nacional de Banhine, agravando o conflito entre comunidades locais e fauna bravia nos distritos de Mabalane, Chigubo e Mapai.
O fenómeno climático teve impactos significativos sobre a área de conservação, com a destruição de infraestruturas, a fuga de espécies e o enfraquecimento dos esforços de repovoamento faunístico em curso no parque.
De acordo com residentes, a convivência com a fauna bravia tornou-se mais difícil nos últimos meses, com registo de ataques a pessoas e aumento da presença de animais em zonas habitacionais.
“O conflito com a fauna bravia é o pão de cada dia, para dizer que a população reclama dia após dia. Cerca de 60 mil hectares foram devastados”, relatou Salvador Machava, produtor da área do parque.
Já a Administradora de Mapai descreveu episódios recentes de ataques envolvendo búfalos, incluindo ferimentos a membros da comunidade.
“Temos búfalos que chegam até a menos de dois quilómetros da vila, aqui no Matadouro. Uma criança foi agredida por búfalos. Nos últimos dois meses podemos falar de seis pessoas que foram agredidas”, disse Maria Helena, Administradora de Mapai.
Além do impacto sobre a fauna, as cheias destruíram infraestruturas estratégicas do parque, incluindo um santuário de proteção e maneio da vida selvagem, com prejuízos estimados em mais de 30 mil dólares.
“Foi destruído. O santuário praticamente está destruído. Os danos podem rodar acima de 30 mil dólares”, referiu Abel Nhabanga, Administrador do Parque Nacional de Banhine.
Segundo a administração do parque, a situação foi agravada pela subida do nível das águas, que cobriu grande parte do perímetro da reserva e levou à dispersão de espécies e à perda de animais recentemente introduzidos.
“Este ano o conflito com a fauna bravia agudizou-se. Tivemos chuvas intensas e água espalhada quase em todo o perímetro do parque”, explicou o responsável, acrescentando que estão em curso medidas de mitigação.
Entre as acções em implementação estão a vedação eléctrica de machambas e a criação de equipas de fiscais especializados em mediação de conflitos entre comunidades e fauna.
As cheias comprometeram ainda o programa de repovoamento do parque, incluindo a dispersão de mais de 400 animais translocados em 2025, numa operação avaliada em cerca de 350 mil dólares.
“Perdemos muitos animais devido à cheia. Alguns ficaram entalados em lama, sobretudo impalas e cabritos-do-mato. Tivemos também uma migração de animais não comum”, indicou Abel Nhabanga.
Paralelamente aos impactos ecológicos, o parque registou a deslocação incomum de espécies como zebras e búfalos para zonas habitacionais, aumentando a tensão com as comunidades locais.
Apesar dos prejuízos, o Parque Nacional de Banhine avançou com a entrega de 20% das receitas da conservação às comunidades, como forma de reforçar o envolvimento local na protecção da área.
“As comunidades precisam sentir que o parque também lhes pertence”, referiu Claudino Soupada, beneficiário, sublinhando que os fundos estão a ser aplicados em apoio agrícola e distribuição de insumos.
As autoridades do parque estão neste momento a realizar o levantamento completo dos danos e a mobilizar recursos para reforçar a protecção da área de conservação, restaurar infra-estruturas destruídas e mitigar os impactos sobre a fauna e as comunidades circunvizinhas.
O Governo de Moçambique e a União Europeia reafirmaram o seu compromisso com o aprofundamento da cooperação bilateral durante a 4.ª Sessão do Diálogo de Parceria, marcada por um balanço positivo das relações entre as duas partes e pela identificação de áreas estratégicas para o reforço da colaboração.
Na sua intervenção, a Ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação destacou a presença da Embaixadora da União Europeia em Moçambique, Patrícia Llombart, considerando que a sua participação “reafirma as boas relações entre a República de Moçambique e a União Europeia”.
Segundo a governante, a presença da diplomata europeia testemunha “o compromisso contínuo da União Europeia com o fortalecimento da nossa parceria estratégica, assente no diálogo franco e construtivo, na confiança mútua e na prossecução de objectivos comuns de paz, estabilidade, desenvolvimento e prosperidade”.
A Ministra salientou igualmente o envolvimento activo de Moçambique nos mecanismos de diálogo previstos pelos sucessivos acordos que regulam as relações entre as partes, sublinhando que o país tem demonstrado “um firme compromisso com a concertação, a cooperação e a busca de soluções conjuntas para os desafios comuns”.
Na ocasião, foi igualmente destacado que Moçambique assinou e ratificou o Acordo de Samoa, instrumento que constitui a base legal para os Diálogos de Parceria entre a União Europeia e os países da Organização dos Estados de África, Caraíbas e Pacífico (OEACP).
Outro ponto assinalado foi a realização recente do 2.º Fórum Global Gateway, em Maputo, considerada uma demonstração das boas relações entre Moçambique e a União Europeia. A Ministra referiu que esta iniciativa reflecte «a ambição da União Europeia em promover parcerias sustentáveis, mutuamente benéficas e orientadas para resultados concretos».
Para Moçambique, acrescentou, o Global Gateway representa uma oportunidade estratégica para impulsionar investimentos em infra-estruturas resilientes, energia, corredores logísticos, conectividade digital, educação e capacitação de recursos humanos, contribuindo para a transformação estrutural da economia nacional.
Durante a sessão, o Governo moçambicano reconheceu ainda o apoio da União Europeia aos esforços de desenvolvimento do País, nomeadamente nas áreas do crescimento económico, fortalecimento institucional, boa governação e inclusão social.
A Ministra aproveitou igualmente a ocasião para prestar reconhecimento ao Embaixador Antonino Maggiore, que participou no seu último Diálogo de Parceria antes do termo da sua missão em Moçambique. Segundo afirmou, será oportunamente realizada uma despedida institucional em reconhecimento pelo trabalho desenvolvido ao longo do seu mandato.
No domínio da paz e segurança, o Governo manifestou apreço pelo apoio europeu ao reforço das capacidades das Forças de Defesa e Segurança, considerando que esta assistência tem sido relevante para os esforços de estabilização das zonas afectadas pelo terrorismo, para a protecção das populações e para a criação de condições favoráveis ao desenvolvimento sustentável.
A governante destacou ainda a importância da abordagem integrada da União Europeia, que reconhece a ligação entre segurança, desenvolvimento e resiliência das comunidades, factores considerados essenciais para a consolidação de uma paz duradoura.
A encerrar a sua intervenção, a Ministra manifestou confiança nos resultados da reunião, afirmando que estes contribuirão para “elevar ainda mais o nível da cooperação entre Moçambique e a União Europeia, consolidando uma parceria cada vez mais sólida, dinâmica e orientada para benefícios concretos para os nossos popovos”.
O internacional moçambicano Bruno Langa vai prosseguir a carreira no futebol do Azerbaijão, após acertar a sua transferência para o Qarabag FK, um dos clubes mais titulados daquele País e presença frequente nas competições europeias.
A informação foi avançada pelo jornalista italiano Fabrizio Romano, que revelou o acordo entre o lateral-esquerdo moçambicano e o emblema azeri. A transferência, em definitivo, põe fim à ligação do jogador à União Desportiva Almería, de Espanha, abrindo um novo capítulo na sua carreira profissional.
Bruno Langa chega ao Qarabag depois de ter concluído um período de empréstimo no Estrela da Amadora, de Portugal, tornando-se uma das principais apostas do clube para a nova temporada.
Aos 28 anos, o defesa formado nas escolas do Maxaquene e da Black Bulls soma uma carreira marcada por experiências em diferentes campeonatos europeus. Em Portugal, representou o Amora FC, Vitória de Setúbal, Desportivo de Chaves e Estrela da Amadora. Passou ainda pelo Pafos FC, do Chipre, antes de ingressar no Almería, em Espanha.
A mudança para o Qarabag transforma o Azerbaijão no quarto país europeu da carreira do internacional moçambicano, que continua a consolidar o seu percurso fora de portas.
O clube de Baku é uma das principais referências do futebol azeri, dominando regularmente as competições nacionais e participando com frequência na Liga dos Campeões e na Liga Europa da UEFA. A presença nestas competições poderá representar uma oportunidade adicional para Bruno Langa aumentar a sua projecção internacional.
A transferência reforça igualmente a presença moçambicana no futebol do Azerbaijão. No passado, o internacional Clésio Baúque representou o FK Gabala e o Zira FK, enquanto Ricardo Guimarães actuou pelo Zira na última temporada.
Caso Ricardo Guimarães permaneça no futebol azeri, a temporada 2026/27 poderá proporcionar um duelo inédito entre dois futebolistas moçambicanos na principal liga daquele país.
Apesar de ter contrato com o Almería até Junho de 2028, Bruno Langa optou por abraçar um novo desafio competitivo, numa fase em que procura manter o estatuto de peça fundamental dos Mambas e continuar a evoluir ao mais alto nível do futebol europeu.
A transferência surge também depois de alegado interesse de clubes das segundas divisões inglesa e espanhola, mas foi o Qarabag quem conseguiu assegurar os serviços do lateral moçambicano para a próxima época.
A Procuradoria-Geral da República (PRG) lançou esta quarta-feira, em Maputo, o Manual Prático de Actuação Processual em Recurso Penal, uma obra que visa apoiar magistrados do Ministério Público, advogados e outros operadores de justiça na tramitação de recursos nos tribunais.
Com cerca de 80 páginas, o manual pretende reforçar a capacidade técnica dos profissionais do sector da justiça, oferecendo orientações práticas sobre a interposição e fundamentação de recursos penais, numa fase considerada essencial para a reapreciação de decisões judiciais.
Segundo o coordenador da obra, Ribeiro Cuna, o instrumento foi concebido para facilitar a compreensão e aplicação dos procedimentos legais em sede de recurso, contribuindo para maior rigor na actuação dos intervenientes.
“Este instrumento, além do Código do Processo Penal, é um instrumento que foi elaborado para quem se interessar, portanto, fazer uso, poder de forma prática e pragmática, ao fazer a sua leitura, perceber e reforçar as suas competências de compreensão que tem sobre a tramitação do processo”, explicou.
O responsável destacou ainda que o recurso penal deve ser devidamente fundamentado e não pode ser utilizado apenas como mecanismo de adiamento da execução de decisões judiciais.
“Na fase de recurso, desde a interposição do próprio recurso, dar o impulso através do requerimento e apresentar também a fundamentação, porque o recurso tem que ser fundamentado”, acrescentou.
Ribeiro Cuna explicou também que existem situações em que o recurso é obrigatório, nomeadamente quando estão em causa penas iguais ou superiores a 10 anos de prisão, cabendo ao Ministério Público garantir a revisão das decisões pelos tribunais superiores.
“É verdade que existe o recurso obrigatório… se aplica uma pena igual ou superior a 10 anos, é obrigatório interpor o recurso, para garantir que o tribunal superior confirme se de facto aquela decisão deve ser mantida ou não”, referiu.
Por outro lado, o magistrado sublinhou a existência do recurso facultativo, que permite ao Ministério Público contestar decisões consideradas injustas ou com erros na apreciação dos factos.
“O recurso facultativo passa pelo Ministério Público dizer que, se for o caso, não se revê naquela decisão, porque eventualmente é injusta, ilegal ou há algum erro cometido na apreciação da matéria de facto”, disse.
Embora seja uma iniciativa da PRG, o manual poderá também ser utilizado por magistrados judiciais, investigadores criminais e pela academia, sendo visto como um instrumento de uniformização de procedimentos no sistema de justiça.
Para o Procurador-Geral da República, Américo Letela, a obra representa um contributo relevante para o reforço da eficiência e do rigor jurídico na tramitação dos recursos penais.
“A obra que acabamos de testemunhar representa mais do que um simples instrumento técnico. Trata-se de uma ferramenta de trabalho produzida por quadros internos, visando promover maior uniformidade de procedimento, rigor jurídico e eficiência na tramitação dos recursos penais, matéria de especial relevância para a garantia dos direitos fundamentais dos cidadãos e para a consolidação do Estado de Direito democrático”, afirmou.
O manual foi coordenado por Ribeiro Cuna e conta ainda com a colaboração de Lucinda Fonseca, Cristóvão Mulieca, José Ernesto e Zacarias de Mota.
A segunda edição de um estudo sobre as preocupações dos cidadãos dos países lusófonos pretende cobrir também a Guiné Equatorial e a região chinesa de Macau, disse esta quarta-feira à Lusa o director executivo da iniciativa.
O Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Económicas, com sede em São Paulo, no Brasil, divulgou o primeiro Barómetro da Lusofonia no final de Janeiro, em Lisboa, na sede da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).
O estudo bienal, coordenado pelo cientista político brasileiro Antonio Lavareda, reuniu as percepções dos cidadãos de oito dos nove Estados-membros da CPLP sobre 25 indicadores.
A Guiné Equatorial foi a excepção, explicou o director executivo do Barómetro da Lusofonia, Marcelo Pimentel, devido aos “problemas de democracia que existem lá” e a “um problema logístico”.
“A gente não conseguiu um instituto de pesquisas que pudesse abraçar o projecto”, lamentou o brasileiro, que é também professor da Universidade de Taubaté, no estado de São Paulo.
Pimentel recordou que questões políticas também obrigaram ao cancelamento da apresentação dos resultados do inquérito na Guiné-Bissau: “Logo em seguida houve o golpe de Estado e nós cancelámos a pedido da CPLP”.
A Guiné-Bissau está suspensa da CPLP desde o golpe militar de 26 de Novembro de 2025, que interrompeu as eleições, depôs o Presidente da República, Umaro Sissoco Embaló, e levou à detenção do líder da oposição, Domingos Simões Pereira.
A recolha de inquéritos para a segunda edição do Barómetro da Lusofonia deve arrancar na segunda metade de 2027, para ser apresentada no ano seguinte, e Marcelo Pimentel disse que pretende incluir a Guiné Equatorial e Macau.
O académico falava à margem do último dos três dias do 35.º Encontro da Associação das Universidades de Língua Portuguesa (AULP), que decorreu na região chinesa.
“Acredito que a pesquisa pode, inclusive, trazer alguns elementos importantes que possam servir de parâmetro, tanto para o Governo de Macau, como para a CPLP olhar para Macau com outros olhos”, disse Pimentel.
“Macau reveste-se de um elemento fundamental da integração da China com os países de língua portuguesa”, acrescentou o investigador.
A China estabeleceu a Região Administrativa Especial de Macau como plataforma para o reforço da cooperação económica e comercial com os países de língua portuguesa em 2003 e, nesse mesmo ano, criou o Fórum de Macau.
O organismo integra, além da China, os membros da CPLP: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste e, desde 2022, Guiné Equatorial.
A saúde, a educação e o desemprego foram considerados os principais problemas pelos cidadãos dos países de língua portuguesa, na primeira edição do Barómetro da Lusofonia.
“A saúde lidera as preocupações dos cidadãos da lusofonia, com 53% das respostas, seguida da educação, com 43%, e do desemprego, com 34%”, de acordo com os dados.