Uma agente prisional e outra mulher estão detidas na cidade de Xai-Xai, acusadas de maus-tratos contra os próprios filhos.
Uma delas terá agredido sistematicamente o filho menor de 12 anos, e outra é suspeita de agredir e tentar obrigar uma criança de sete anos de idade a ingerir fezes. Os casos já instaurados foram denunciados à Polícia da República de Moçambique (PRM) pela comunidade.
Entre as indiciadas está uma agente do Serviço Nacional Penitenciário, de 38 anos de idade, acusada de agredir de forma recorrente o próprio filho. A denúncia partiu da vizinhança, e os relatos foram posteriormente confirmados pelos restantes filhos da indiciada.
O chefe das Relações Públicas da PRM em Gaza, Carlos Macuácua, diz que a intervenção policial ocorreu depois das denúncias.
“A polícia tratou de averiguar. Encontradas as evidências, elas foram levadas para a subunidade, lavrados os autos e entregues às outras instituições para poderem ser responsabilizadas”, explicou Carlos Macuácua.
A Polícia da República de Moçambique assegura que a condição profissional da indiciada não altera o tratamento do processo, embora reconheça a particularidade de se tratar de uma agente de autoridade.
“Olhamos a situação preocupados quando é agente de autoridade envolvida. Mas o tratamento é normal de agente indiciado a um crime: lavrar o processo e entregar a outras instituições para sua responsabilização”, esclareceu Macuácua.
Na Segunda Esquadra da PRM em Xai-Xai, está também detida uma mulher de 39 anos, doméstica, suspeita de maus-tratos contra o filho, de sete anos. Neste caso, a mulher é acusada de agressões físicas e de tentar obrigar o menor a ingerir fezes.
A indiciada nega ter obrigado a criança a ingerir as próprias fezes. Diz estar arrependida e afirma que recorria a agressões depois de chamar a atenção do menor várias vezes.
Entretanto, a PRM enquadra o caso entre práticas de tratamento cruel contra a criança. “Uma é tortura, a outra é indiciada de alimentar a menor com excrementos humanos, entre outras situações de tratamento cruel a um humano”, afirmou Carlos Macuácua.
Segundo a PRM, os dois processos foram instruídos e deverão ser encaminhados às instituições competentes para a responsabilização das indiciadas.
O poeta e estudante angolano residente no Brasil Francisco Kibonda, conhecido artisticamente por “Maki, o Poeta”, conquistou, na cidade de São Luís, Estado do Maranhão, a 2.ª edição do concurso Slam Odara 2026.
Com a vitória, “Maki, o Poeta” obteve a pontuação máxima e garantiu vaga na final estadual de Spoken Word, marcada para Dezembro, competição que vai definir o representante do Maranhão na etapa nacional de 2027.
Em declarações ao Jornal de Angola, via WhatsApp, Francisco Kibonda afirmou que a conquista representa um sentimento de gratidão e o reconhecimento do trabalho que vem desenvolvendo por meio da poesia e da valorização da cultura africana na diáspora.
O projecto foi fundado em 2021 pelas lideranças femininas e quilombolas Sollamya, Micah e Mila.
Francisco Kibonda é natural de Luanda e nasceu a 14 de Dezembro de 2000. Actualmente, frequenta o 3.º ano do curso de Arquitectura e Urbanismo na Universidade Estadual do Maranhão.
A Assembleia Provincial de Gaza aprovou a revisão da tarifa de transporte interdistrital de passageiros, num aumento que poderá atingir cerca de 35%, decisão que gerou contestação da oposição, que acusa o processo de falta de inclusão e alerta para o agravamento do custo de vida.
A resolução foi aprovada com 67 votos favoráveis, impulsionada pela bancada maioritária da Frelimo, e estabelece que as novas tarifas passam a integrar a regulamentação oficial do transporte interdistrital na província.
“Com 67 votos favoráveis, a Assembleia Provincial de Gaza aprovou a proposta de revisão das tarifas de transporte interdistrital”, anunciou Agnaldo Navalha, vice-presidente da Assembleia Provincial de Gaza, durante a sessão, que ficou marcada por divergências entre as bancadas parlamentares.
A sessão decorreu sem a presença da Renamo e do MDM pelo segundo dia consecutivo, com as duas formações políticas a justificarem o boicote com alegadas irregularidades no processo de debate e exclusão da oposição na tomada de decisão.
“Era uma manobra dilatória para se excluir a oposição que tanto a Frelimo cantou que Gaza é 100% da Frelimo, e isso jamais acontecerá”, afirmou Felix Tivane, chefe da bancada da Renamo, criticando o modelo de condução dos trabalhos.
A oposição considera que o aumento aprovado terá impacto directo sobre as famílias, num contexto já marcado pela pressão do custo de vida, apontando ainda discrepâncias entre os valores apresentados e os cálculos oficiais.
“Não faz sentido quando se diz que vai subir a tarifa em 35%. De Xai-Xai para Valdemiro estava a 40 mil meticais, e agora vai subir para 85 mil, acima de 100%”, afirmou o deputado da oposição, questionando os critérios técnicos utilizados.
Segundo os críticos da medida, outras rotas registam aumentos ainda mais elevados, como Xai-Xai–Zongoene e Chicualacuala, o que, alegam, contraria a percentagem oficial anunciada.
“São eles mesmos que têm essas maiores forças de transporte, é por isso que estão lá dentro da sessão, para martirizar o povo e pôr o povo a sofrer mais”, acrescentou Andradia Balate, da Bancada do PARENA durante o debate.
Por outro lado, a bancada maioritária e representantes do Partido de Reconciliação Nacional (PARENA) defendem que o reajuste é necessário para harmonizar os preços praticados no sector e reduzir a especulação nas tarifas aplicadas pelos transportadores nos diferentes distritos.
“Cientes de que este reajuste, de cerca de 35%, irá incrementar os custos para a nossa população, o mesmo visa regular e harmonizar as tarifas aplicadas pelos transportadores, bem como evitar a contínua especulação e arbitrariedade nos preços”, sustentou Muchaque Otaniel, da bancada da maioria.
A decisão inclui ainda a entrada imediata em vigor da nova tabela tarifária após a sua aprovação, encerrando a sessão legislativa com forte polarização política e críticas sobre o modelo de governação provincial.
A oposição advertiu que poderá continuar a contestar o processo, enquanto a maioria defende que a medida representa um passo para a estabilidade do sector dos transportes na província de Gaza.
La Línea de la Concepción veta a realização da partida por razões sanitárias. Congoleses procuram alternativa para manter a preparação rumo ao Mundial dos Estados Unidos, México e Canadá.
A partida amigável entre as selecções da República Democrática do Congo (RD Congo) e do Chile, agendada para o próximo dia 9 de Junho, em La Línea de la Concepción, na província espanhola de Cádis, foi oficialmente cancelada pelas autoridades locais devido a preocupações relacionadas com o surto de Ébola que afecta o País africano.
A decisão foi formalizada através de um decreto assinado pelo presidente da câmara municipal, Juan Franco, que justificou a medida com base em critérios de “prudência sanitária”, apoiando-se em pareceres desfavoráveis emitidos pelos serviços de saúde municipais e pelo Governo regional da Andaluzia.
“Lamentamos ter de tomar esta decisão, porque o jogo representava um atractivo importante para a cidade, mas consideramos que esta é a opção mais prudente face à situação sanitária existente”, declarou Franco, segundo meios de comunicação espanhóis.
O cancelamento surge numa altura em que a RD Congo enfrenta um novo surto de Ébola na província de Ituri, no leste do País. Dados oficiais citados pela Federação Congolesa de Futebol indicam a existência de 344 casos confirmados e 60 mortes associadas ao surto, concentrado a mais de dois mil quilómetros da capital, Kinshasa.
Apesar disso, a selecção nacional encontra-se actualmente concentrada na Bélgica, onde realiza o estágio de preparação para o Campeonato do Mundo de 2026.
A Federação Congolesa de Futebol (FECOFA) manifestou surpresa com a decisão das autoridades espanholas e garante que toda a delegação cumpre rigorosamente os protocolos internacionais de saúde exigidos para competições internacionais.
Em comunicado, o organismo informou que está a trabalhar com entidades desportivas e autoridades locais para tentar encontrar uma alternativa que permita a realização do encontro, eventualmente noutra localidade espanhola.
O cancelamento representa mais um contratempo na preparação dos “Leopardos” para o Mundial de 2026, competição à qual regressam 52 anos depois da única participação, em 1974.
A selecção congolesa integra o Grupo K, juntamente com Portugal, Colômbia e Uzbequistão, estreando-se diante dos portugueses no próximo dia 17 de Junho, em Houston, nos Estados Unidos.
Apesar do cancelamento do duelo frente ao Chile, a selecção congolesa mantém o programa de preparação em solo europeu. Ontem, quarta-feira, defrontou a Dinamarca, em Liège, na Bélgica, naquele que foi o único teste de elevado nível antes da viagem para a América do Norte.
Também Portugal prossegue a fase final de preparação para o Mundial, com jogos amigáveis agendados frente ao Chile e à Nigéria, procurando consolidar os processos tácticos antes da estreia na competição.
Entretanto, a FIFA continua a acompanhar a situação sanitária em articulação com as autoridades de saúde dos países organizadores — Estados Unidos, México e Canadá — garantindo o cumprimento dos protocolos de entrada e permanência das delegações durante o torneio.
Vistos tornam-se desafio para selecções antes do Mundial 2026
A poucas semanas do arranque do Campeonato do Mundo de 2026, questões relacionadas com a emissão de vistos continuam a representar um desafio para algumas selecções qualificadas, sobretudo aquelas provenientes de países sujeitos a processos migratórios mais rigorosos por parte das autoridades norte-americanas.
Entre os casos mais complexos está o da selecção do Irão, que tem enfrentado dificuldades persistentes para assegurar a entrada atempada de toda a sua delegação nos Estados Unidos.
Como medida preventiva, a equipa iraniana estabeleceu a sua base de preparação em Tijuana, no México, cidade localizada junto à fronteira norte-americana, onde realizará os treinos e a adaptação competitiva antes dos jogos do torneio.
Os constrangimentos não se limitaram ao conjunto asiático. Diversas selecções africanas registaram atrasos significativos na obtenção dos documentos de viagem necessários para jogadores, membros das equipas técnicas e pessoal de apoio.
Entre os países afectados esteve a África do Sul, cuja deslocação para a base de preparação no México sofreu atrasos devido à morosidade dos procedimentos consulares.
A situação gerou preocupação entre várias federações nacionais, que alertaram para os impactos desportivos decorrentes da redução do período de preparação antes da competição.
Após contactos diplomáticos e intervenções governamentais, a maioria dos processos pendentes acabou por ser regularizada, permitindo a viagem das delegações para os respectivos centros de estágio.
Para minimizar este tipo de problemas em eventos de grande dimensão, a FIFA trabalha em coordenação com o Governo dos Estados Unidos desde os primeiros anos de preparação do Mundial.
O organismo que rege o futebol mundial implementou um sistema de acreditação prévia das delegações, através do qual jogadores, treinadores, dirigentes e equipas de apoio são identificados e validados antes da submissão dos pedidos de visto.
Paralelamente, o Departamento de Estado norte-americano criou canais prioritários para o processamento de pedidos relacionados com o Mundial, replicando mecanismos semelhantes aos utilizados durante competições internacionais anteriores, como os Jogos Olímpicos e os Campeonatos do Mundo realizados em solo norte-americano.
Com o Mundial de 2026 a ser organizado conjuntamente pelos Estados Unidos, México e Canadá, as autoridades dos três países anfitriões mantêm uma coordenação permanente para garantir que todas as selecções participantes possam cumprir os seus programas de preparação e competição sem novos constrangimentos administrativos.
Os Palancas Negras vão defrontar a Mauritânia na próxima sexta-feira, em jogo amigável inserido na Data-FIFA, após o cancelamento do encontro inicialmente previsto diante do Botswana.
A informação foi avançada pela Federação Angolana de Futebol (FAF), através de um comunicado oficial, no qual esclarece que a decisão resultou de constrangimentos logísticos comunicados pela Federação de Futebol do Botswana, que impossibilitam a deslocação e participação da respectiva selecção no desafio agendado.
Perante a situação, a FAF diligenciou no sentido de encontrar um novo adversário para garantir a continuidade do programa de preparação da selecção angolana, tendo confirmado a Mauritânia como substituta do Botswana.
A Federação Angolana de Futebol agradeceu a compreensão dos adeptos, órgãos de comunicação social e público em geral, reiterando o seu compromisso de proporcionar as melhores condições de preparação aos Palancas Negras, tendo em vista os próximos compromissos competitivos da equipa nacional.
O caso envolve nove arguidos, incluindo a antiga administradora de Xai-Xai. A sociedade civil exige responsabilização e celeridade do processo e alerta para o risco de atrasos processuais comprometerem a confiança dos cidadãos nas instituições de justiça.
O processo relacionado com o alegado desvio de donativos na província de Gaza deverá dar entrada nesta semana no Tribunal Judicial Provincial, três meses após a sua descoberta e detenção de nove altos dirigentes, confirmou a procuradora provincial, Evelina Selimane.
O caso envolve a antiga administradora de Xai-Xai e o director do Gabinete da Governadora provincial, que estao a ser investigado por suspeitas de desvio de donativos destinados a fins sociais, num esquema que terá causado um prejuízo estimado em cerca de 350 mil meticais.
Segundo a Procuradora provincial, o processo encontra-se na fase final de preparação para submissão ao tribunal, marcando o início da fase judicial de um caso que tem gerado forte atenção pública na província.
“Três meses após a descoberta do alegado desvio de donativos em Xai-Xai, o processo deverá dar entrada no tribunal ainda esta semana”, confirmou a Procuradora-chefe provincial.
O caso envolve um total de nove arguidos, todos detidos no âmbito das investigações conduzidas pelas autoridades competentes, e continua a suscitar forte indignação pública, com apelos para que haja responsabilização efectiva dos envolvidos.
A organização da sociedade civil FONGA, que congrega mais de 200 associações, exige celeridade no julgamento, alertando para o risco de atrasos processuais comprometerem a confiança dos cidadãos nas instituições de justiça.
“Perante a gravidade das acusações, a sociedade civil exige celeridade na justiça e responsabilização dos envolvidos”, afirmou um representante da FONGA, sublinhando a necessidade de evitar percepções de impunidade.
O caso de alegado desvio de donativos tem sido acompanhado com expectativa na província de Gaza, num contexto em que cresce a pressão pública por maior transparência na gestão de recursos destinados a acções sociais e de assistência às comunidades vulneráveis.
O Presidente da República, Daniel Chapo, chegou na manhã desta terça-feira à província de Manica, onde reafirmou o compromisso do Governo com a promoção da paz, da unidade nacional e do desenvolvimento económico, destacando a necessidade de aumentar a produção e a produtividade para melhorar as condições de vida das populações.
Na sua primeira intervenção pública, após a chegada ao Aeroporto de Chimoio, o Chefe do Estado explicou que a sua deslocação à província se insere no âmbito da estratégia de Governação de Proximidade, tendo como principal objectivo acompanhar a execução do Plano Quinquenal do Governo (PQG).
Recebido por membros da população que acorreram ao aeroporto para saudar a sua presença, Daniel Chapo sublinhou a importância da monitoria dos programas governamentais, considerando que este acompanhamento permite avaliar o impacto das acções em curso junto das comunidades e garantir que as iniciativas implementadas respondam às necessidades reais dos cidadãos.
Durante a sua intervenção, o Presidente da República destacou igualmente que leva à província de Manica mensagens de promoção da paz e da unidade nacional, factores que considerou fundamentais para a consolidação da estabilidade e para o desenvolvimento sustentável do País.
O Chefe do Estado defendeu ainda o incremento da produção e da produtividade como uma das principais vias para o fortalecimento da economia nacional e para a melhoria do bem-estar das famílias moçambicanas. Neste contexto, salientou a relevância da agricultura familiar, incentivando a criação e expansão de hortas familiares como instrumento para reforçar a segurança alimentar e aumentar o rendimento dos agregados familiares.
A província de Inhambane conquistou três medalhas de ouro no Campeonato Regional de Taekwondo, realizado no último fim de semana no Zimbabwe, através de uma delegação composta por apenas cinco atletas.
Os títulos foram alcançados por Cíntia Rafael, na categoria dos 55 quilogramas, Azayel da Célia, nos 29 quilogramas, e Riyano Enzo Macucule, nos 48 quilogramas da classe de cadetes. O resultado reforça o crescimento da modalidade em Inhambane, apesar das limitações financeiras enfrentadas pela associação provincial.
Após o regresso ao país, atletas e dirigentes da Associação Provincial de Taekwondo de Inhambane foram recebidos pelo Governador de Inhambane, Francisco Pagula, que enalteceu o desempenho da equipa e destacou o impacto da conquista para a província.
“Os jovens atletas levaram o nome de Inhambane além-fronteiras e demonstraram que é possível alcançar resultados de excelência através da disciplina e dedicação”, afirmou o governador.
A atleta Azayel da Célia destacou a confiança com que entrou na competição. “Quando chegámos lá já sabíamos que íamos ganhar. Entrei para a luta feliz, sem medo e com confiança”, disse.
Por sua vez, Cíntia Rafael, que participou pela primeira vez numa prova internacional, considerou a medalha uma recompensa pelo esforço realizado. “Consegui cumprir aquilo que tinha prometido a mim mesma: representar bem a minha academia, a minha família, a província e o país”, afirmou.
O treinador da equipa, Evaristo Mabote, considerou os resultados uma prova da qualidade dos atletas da província. “Conseguimos representar a província e o país de forma digna e regressámos com resultados que nos orgulham”, declarou.
Apesar do sucesso, atletas e dirigentes apontam a falta de recursos financeiros como um dos principais desafios para a expansão da modalidade. Segundo Cíntia Rafael, vários atletas com potencial ficaram de fora da competição devido à escassez de apoio. “Só fomos cinco atletas porque não havia condições para levar mais”, lamentou.
Durante o encontro com a equipa, Francisco Pagula garantiu apoio para a participação dos atletas num campeonato internacional previsto para julho, no Reino de Eswatini, e apelou ao envolvimento do sector privado no financiamento do Taekwondo.
Com três medalhas de ouro conquistadas por uma delegação reduzida, Inhambane reforça a sua posição entre as províncias em ascensão no Taekwondo moçambicano e alimenta expectativas de novas conquistas nos próximos desafios internacionais.
Comerciantes enfrentam aumento dos custos de transporte, enquanto operadores de passageiros queixam-se da falta de clientes após agravamento das tarifas.
A mais de 100 quilómetros da Estrada Nacional Número Um, o distrito de Mabote vive uma realidade onde quase tudo chega depois de uma longa viagem por uma estrada marcada por buracos, poeira e dificuldades de circulação. Num território onde o comércio constitui uma das principais fontes de rendimento para centenas de famílias, a recente subida do preço dos combustíveis veio agravar um cenário que já era desafiante para quem depende do transporte de mercadorias e passageiros para sobreviver.
O impacto da crise faz-se sentir em praticamente todos os sectores da economia local. Dos comerciantes que precisam trazer produtos da Maxixe, de Inhambane ou de outras regiões do país, aos transportadores que diariamente percorrem estradas degradadas para garantir a mobilidade das populações, todos enfrentam custos mais elevados e margens de lucro cada vez menores.
Em Mabote, a distância em relação aos principais centros de abastecimento sempre representou um desafio. No entanto, os operadores económicos dizem que o aumento do preço do combustível tornou a situação ainda mais difícil.
António, comerciante estabelecido na vila-sede de Mabote, conta que fazer chegar mercadorias ao distrito é um exercício permanente de resistência.
Segundo relata, muitos comerciantes não possuem meios próprios de transporte e dependem do aluguer de camiões para trazer produtos da Maxixe. O problema é que o estado da estrada prolonga o tempo das viagens, aumenta o desgaste das viaturas e encarece significativamente os custos de transporte.
“O sofrimento é grande. Quando chove é pior ainda. Há períodos em que uma viagem que deveria ser feita num dia acaba por levar dois dias. A estrada tem muitos buracos e há zonas onde a circulação se torna extremamente difícil”, relata.
Para os comerciantes, a degradação da via não representa apenas um problema de mobilidade. Traduz-se directamente em custos adicionais que acabam por influenciar o preço final dos produtos vendidos à população.
A recente actualização do preço dos combustíveis veio agravar esta equação.
Cassamo Luzenda, também comerciante em Mabote, explica que os custos de transporte aumentaram de forma significativa nas últimas semanas.
Segundo conta, o aluguer de um camião de dez toneladas, que anteriormente custava cerca de vinte mil meticais, pode actualmente atingir valores entre vinte e cinco e trinta mil meticais.
“O combustível subiu e isso afecta tudo. Os transportadores aumentam os preços e nós somos obrigados a suportar esses custos. Muitas vezes os clientes pensam que estamos a especular os preços, mas a verdade é que os custos de operação também aumentaram para nós”, afirma.
A situação preocupa particularmente porque a maior parte dos produtos consumidos em Mabote não é produzida localmente. Alimentos, materiais de construção, bens de primeira necessidade e diversos outros produtos percorrem centenas de quilómetros antes de chegarem aos estabelecimentos comerciais da região.
Com o aumento dos custos operacionais, os comerciantes admitem que a subida dos preços ao consumidor poderá ser apenas uma questão de tempo.
“Por enquanto ainda não alterámos os preços, mas a tendência é essa. Quando os preços aumentam na origem, mais cedo ou mais tarde acabam por chegar até nós. E quando chegam, somos obrigados a fazer reajustes para conseguir continuar a trabalhar”, explica António.
O receio dos operadores económicos é que o agravamento dos preços reduza ainda mais o poder de compra das famílias, num distrito onde muitas pessoas já enfrentam dificuldades para satisfazer necessidades básicas.
Se para os comerciantes a principal preocupação está relacionada com o aumento dos custos de abastecimento, para os transportadores de passageiros o problema apresenta uma dimensão diferente.
Dependentes do gasóleo para manter as viaturas em circulação, muitos operadores foram obrigados a rever as tarifas para conseguir continuar a trabalhar.
Em algumas rotas do distrito, os aumentos chegaram a atingir cinquenta por cento.
Félix Massingue, transportador de passageiros, explica que os reajustes foram inevitáveis.
Segundo relata, o percurso para Mussengue, que anteriormente custava sessenta meticais, passou para noventa meticais. Já outras rotas registaram aumentos semelhantes.
No entanto, a actualização das tarifas trouxe consigo um efeito inesperado: a redução do número de passageiros.
“Muitas pessoas deixaram de viajar. Algumas preferem percorrer longas distâncias a pé porque já não conseguem suportar o custo das passagens”, conta.
A realidade descrita por Félix reflecte-se nas estradas e nos terminais improvisados do distrito. Em vez do movimento habitual de passageiros, muitos transportadores passam horas à espera de clientes.
Noé, outro operador do sector, diz que o aumento do combustível acabou por criar um ciclo difícil de quebrar.
Por um lado, os custos obrigam os transportadores a subir os preços. Por outro, o agravamento das tarifas afasta passageiros e reduz as receitas.
“O combustível está muito caro. O preço da passagem aumentou, mas os passageiros desapareceram. Há dias em que faço apenas uma viagem. Hoje ainda não consegui transportar ninguém”, lamenta.
A situação levanta preocupações sobre a sustentabilidade do transporte de passageiros em algumas rotas do distrito.
Sem passageiros suficientes para garantir rentabilidade, muitos operadores receiam não conseguir manter as actividades por muito tempo.
O impacto da subida dos combustíveis em Mabote vai além das contas dos comerciantes e transportadores. Os efeitos começam a repercutir-se em toda a economia local, influenciando o custo de vida das famílias e reduzindo a circulação de pessoas e mercadorias.
Economistas têm alertado que os aumentos nos combustíveis tendem a produzir efeitos em cadeia, afectando praticamente todos os sectores de actividade. Em regiões mais remotas, como Mabote, onde grande parte dos bens depende do transporte rodoviário para chegar aos mercados, os impactos tendem a ser ainda mais severos.
A combinação entre combustível caro, estradas degradadas e baixo poder de compra cria um ambiente particularmente desafiante para a actividade económica.
Enquanto aguardam uma estabilização dos preços, comerciantes e transportadores procuram adaptar-se como podem.
Alguns reduzem margens de lucro para evitar perder clientes. Outros diminuem a frequência das viagens ou procuram alternativas para reduzir custos operacionais.
Mas há uma percepção comum entre os diferentes sectores ouvidos pela reportagem: a de que o aumento dos combustíveis veio aprofundar dificuldades que já existiam.
Num distrito onde a distância continua a ser um dos maiores obstáculos ao desenvolvimento económico, cada metical acrescido ao custo do transporte tem repercussões directas na vida das famílias.
E enquanto os preços continuam a subir, comerciantes e transportadores de Mabote seguem numa luta diária para manter os seus negócios activos, preservar empregos e garantir que produtos e serviços continuem a chegar a uma das regiões mais isoladas da província de Inhambane.
A Ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Maria Manuela dos Santos Lucas, reuniu-se, hoje, com o Diretor da Capacidade Militar de Planeamento e Condução da União Europeia (DMPCC) e Comandante da EUMAM MOZ, Tenente-General Michiel van der Laan, no Quartel-General da Missão.
O Chefe de Missão da Delegação da União Europeia (UE) em Moçambique, Embaixador Antonino Maggiore, participou igualmente neste encontro, sublinhando o compromisso da UE em apoiar Moçambique através de uma abordagem abrangente que promove a paz, a estabilidade e a eficácia operacional.
Segundo o comunicado da EUMAM MOZ, a visita da Ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação à EUMAM MOZ reflecte o apoio contínuo e o reconhecimento do trabalho desenvolvido pela Missão, contribuindo igualmente para o reforço da parceria entre Moçambique e a União Europeia.
O DMPCC encontra-se a realizar uma visita de dois dias à Missão, durante a qual se reunirá com altas entidades moçambicanas. O programa visa proporcionar uma oportunidade para um diálogo de alto nível sobre a cooperação em curso, bem como para discutir prioridades comuns no âmbito do mandato da Missão.
A EUMAM MOZ integra militares e civis de 12 nacionalidades europeias e desenvolve as suas actividades em plena conformidade com o Direito internacional humanitário e o direito internacional dos direitos humanos.