A crescente insatisfação da população sul-africana com a falta de água, electricidade e recolha de lixo está a enfraquecer o apoio ao Congresso Nacional Africano (ANC), numa altura em que o país se prepara para as eleições municipais, marcadas para 4 de Novembro. Várias sondagens recentes indicam uma redução da popularidade do partido, que enfrenta críticas pela corrupção e má gestão das autarquias.
A degradação dos serviços públicos tem levado alguns cidadãos a ameaçar boicotar as eleições, sobretudo nos bairros periféricos de Joanesburgo, onde milhares de famílias enfrentam dificuldades no acesso a serviços básicos.
Em Katlehong, nos arredores de Joanesburgo, cerca de 180 famílias dependem de ligações eléctricas ilegais há mais de 20 anos. Os cabos atravessam as calçadas e transportam energia de outras zonas da comunidade, numa tentativa dos residentes de contornar a falta de fornecimento regular. O líder comunitário Lesiba Rankapole afirma que os moradores decidiram não votar enquanto não tiverem acesso à electricidade. “Tomámos uma decisão colectiva: sem electricidade, sem voto”, declarou, defendendo que a falta de energia compromete o futuro das crianças e o desenvolvimento da comunidade.
A mesma revolta é manifestada por Enock Majola, outro residente de Katlehong, que acusa as autoridades de não resolverem os problemas locais, incluindo a deposição ilegal de lixo. O cidadão, que afirma ter crescido a apoiar o ANC, diz já não querer ouvir falar do partido devido às dificuldades que enfrenta.
Em Alexandra, outro bairro periférico de Joanesburgo, a situação também é preocupante. O lixo acumula-se nas ruas, as águas residuais correm a céu aberto e muitos residentes não dispõem de água canalizada.
Para vários cidadãos, a corrupção e a má gestão municipal estão entre as principais causas da deterioração dos serviços públicos e da perda de confiança nas autoridades. “Não vou votar porque já não acredito no nosso Governo. Decepcionou-nos inúmeras vezes”, afirmou o residente Sipho Mandala.
Apesar do descontentamento, alguns eleitores continuam fiéis ao ANC, sobretudo pelo seu papel histórico na luta contra o apartheid. Um morador de Katlehong, mesmo confrontado com problemas de saneamento na sua residência, admitiu que voltaria a votar no partido, caso conseguisse chegar a uma assembleia de voto.
O ANC, que tem no antigo Presidente Nelson Mandela uma das suas principais figuras históricas, conquistou quase 70 por cento dos votos nas eleições nacionais de 2004. Contudo, a sua influência eleitoral tem vindo a diminuir. Nas eleições municipais de 2021, o partido obteve 46 por cento dos votos, ficando pela primeira vez abaixo da fasquia dos 50 por cento.
A perda de apoio tornou-se ainda mais evidente nas eleições nacionais de 2024, quando o ANC conseguiu pouco mais de 40 por cento dos votos, resultado que o obrigou a formar uma coligação governamental.
Segundo o analista político Sethulego Matebesi, as eleições municipais tendem a registar uma participação inferior à das eleições nacionais. Ainda assim, os resultados poderão ajudar os partidos a avaliar a sua base de apoio e a preparar a disputa eleitoral de 2029.
Dos 257 conselhos municipais em disputa, Joanesburgo destaca-se como um dos principais campos de batalha política, devido à sua importância económica e à dimensão da população, estimada em mais de 4,8 milhões de habitantes.
Em Alexandra, o funcionário de manutenção Patrick Saohatse considera que o ANC não conseguiu melhorar as condições de vida da população, apesar de governar a região há vários anos. Por essa razão, afirma que pretende votar na Aliança Democrática (DA), o segundo maior partido da coligação governamental.
A DA, que governa a Cidade do Cabo, tem intensificado as críticas ao ANC, apontando falhas na prestação de serviços públicos e problemas de gestão. Num comício recente, Helen Zille, candidata à presidência da Câmara de Joanesburgo, alertou que mais cinco anos de corrupção e degradação das infra-estruturas poderão colocar a cidade numa situação irreversível.
Entretanto, a campanha eleitoral do ANC tem sido marcada por dificuldades, incluindo a ausência de um candidato escolhido para disputar a presidência da Câmara de Joanesburgo, segundo a informação divulgada.
O responsável pela comissão eleitoral do partido, Mdumiseni Ntuli, reconheceu que existem razões para a insatisfação dos eleitores, sobretudo em Joanesburgo e nas zonas circundantes.
Os analistas prevêem que vários municípios poderão terminar as eleições sem uma maioria absoluta, obrigando os partidos a negociar coligações. A instabilidade destes acordos poderá agravar os problemas de governação e comprometer ainda mais a prestação de serviços públicos, aumentando a pressão sobre o ANC.
O Presidente do Conselho Municipal de Maputo, Rasaque Manhique, apresentou, na província chinesa de Fujian, as potencialidades económicas da capital moçambicana, com destaque para os distritos municipais de KaTembe e KaNyaka, na Ilha de Inhaca, com vista à atracção de novos investimentos estrangeiros.
A apresentação foi feita este sábado, 17 de Outubro, durante o Diálogo sobre a Cooperação entre Governos Locais e Cidades de Amizade Internacionais da Rota Marítima da Seda do Século XXI, que decorre de 16 a 19 de Outubro, na cidade de Fuzhou.
Na sua intervenção, Rasaque Manhique convidou investidores internacionais a apostarem em Maputo, apontando oportunidades nos sectores das infra-estruturas urbanas, habitação, digitalização, transportes, energias renováveis, turismo e outras actividades económicas.
Em relação a KaTembe, o edil destacou o potencial para o desenvolvimento de empreendimentos habitacionais, comerciais e turísticos, tendo em conta a sua localização estratégica e a ligação ao centro da cidade através da Ponte Maputo-KaTembe.
Já na Ilha de Inhaca, o turismo sustentável foi apontado como uma das principais áreas de investimento, com oportunidades para a construção de empreendimentos turísticos, estâncias ecológicas e valorização dos recursos naturais e marinhos.
O Presidente do Conselho Municipal assegurou que a cidade de Maputo está aberta ao investimento nacional e estrangeiro, manifestando a disponibilidade da edilidade para facilitar os processos administrativos, reduzir barreiras burocráticas e promover parcerias público-privadas.
Manhique destacou ainda a posição geoestratégica da capital moçambicana como porta de entrada para os mercados da África Austral, através do Porto de Maputo e dos corredores rodoviários e ferroviários que ligam Moçambique aos países da região.
A participação no encontro visa promover as potencialidades económicas da capital, estabelecer novas parcerias de cooperação e mobilizar investimentos que contribuam para o desenvolvimento urbano, a criação de emprego e a melhoria das condições de vida dos munícipes.
Onze mortos e 11 feridos, nove dos quais em estado grave, é o balanço de um acidente de viação ocorrido na manhã deste sábado, na Estrada Nacional Número 7 (EN7), no povoado de Mazoe, distrito de Changara, província de Tete.
O sinistro, registado por volta das 6 horas, envolveu um autocarro da marca Yutong e uma viatura Toyota Hiace, que colidiram frontalmente.
Segundo informações do Instituto Nacional dos Transportes Rodoviários (INATRO), o acidente ocorreu quando o condutor do autocarro, que seguia no sentido Tete–Changara, tentou efectuar uma ultrapassagem, mas acabou por embater contra a viatura que circulava em sentido contrário.
Na sequência da colisão, 11 pessoas perderam a vida e outras 11 ficaram feridas, nove das quais com gravidade.
O motorista do autocarro foi detido para averiguações, enquanto as autoridades prosseguem com as investigações para apurar as circunstâncias do acidente e determinar eventuais responsabilidades.
Atanásio Luciano, conhecido como Professor Jaleia, leciona no ensino primário no distrito de Luabo, província da Zambézia, e desenvolve ações de apoio a comunidades vulneráveis, com atenção especial às crianças, aos idosos e às famílias de baixa renda.
Além da atividade docente, Jaleia participa em iniciativas comunitárias voltadas para a promoção da educação e a prevenção dos casamentos prematuros. O professor defende a permanência das crianças na escola e a proteção das raparigas contra práticas que limitam o seu desenvolvimento e as suas oportunidades de formação.
Em Luabo, muitas famílias dependem da pesca e da agricultura. As dificuldades económicas dificultam a compra de uniformes e material escolar, contribuindo para o abandono ou a interrupção dos estudos.
“Uma das grandes necessidades das nossas crianças em Luabo, é mesmo a falta de roupa, calçados para o seu quotidiano. Muitas vezes estas crianças têm apenas um calção roto e não têm chinelos. Para sair de casa para escola, enfrentam grandes distâncias descalças. Neste tempo que está sol, uma criança com roupa rota e outras necessidades, torna suas vidas muito mais complicadas” disse Jaleia para quem precisa-se de apoio urgente para minimizar o sofrimento das crianças.
Perante esta realidade, Jaleia procura mobilizar apoios para crianças carenciadas e sensibilizar as comunidades sobre a importância da educação. A sua intervenção inclui também o acompanhamento de idosos e de outras famílias em situação de vulnerabilidade.
A Vivo Energy disponibilizou 400 kits escolares para crianças carentes de Luabo. O apoio pretende reduzir os encargos das famílias e contribuir para a permanência dos alunos no sistema de ensino.
Por meio do trabalho comunitário, o Professor Jaleia procura reforçar a responsabilidade colectiva na protecção da infância, na prevenção dos casamentos prematuros e no apoio às famílias mais necessitadas.
O Governo da República Democrática do Congo invoca razões de segurança nacional, enquanto a oposição denuncia uma tentativa de restringir as liberdades políticas. A decisão abrange o Partido Popular para a Reconstrução e a Democracia, fundado pelo antigo Presidente Joseph Kabila.
O Governo da República Democrática do Congo (RDC) proibiu as actividades de 13 partidos políticos, incluindo o Partido Popular para a Reconstrução e a Democracia (PPRD), ligado ao antigo Presidente Joseph Kabila. Anunciada na quinta-feira, 15 de Outubro, pelo ministro do Interior, Jacquemain Shabani, a medida é justificada pelas autoridades com razões de segurança nacional, mas está a gerar controvérsia e acusações de repressão política.
A decisão abrange igualmente a Liderança e Governação para o Desenvolvimento (LGD), liderada por Matata Ponyo, o PISTE-E, de Seth Kikuni, e a União para a Democracia Africana (UDA), de Claudel Lubaya. A implementação da proibição foi confiada aos governadores provinciais.
A medida surge num contexto de crescente tensão política, na sequência do anúncio da criação, em Goma, no leste do país, da Frente de Refundação Nacional (FRN), um movimento político-militar liderado por Joseph Kabila. O Governo considera necessário proteger a segurança nacional, enquanto sectores da oposição acusam as autoridades de restringir o espaço democrático.
A decisão foi acolhida favoravelmente pela União para a Democracia e o Progresso Social (UDPS), partido no poder. Jean-Baptiste Katsongo, presidente federal da formação política em Butembo, na província do Kivu do Norte, defende que o Ministério do Interior tem a responsabilidade de adoptar medidas destinadas a proteger os cidadãos.
Em sentido contrário, representantes dos partidos abrangidos pela proibição consideram que a medida ameaça a liberdade de expressão política e limita a capacidade de contestação ao Governo.
Bruno Mwitohero, presidente federal da LGD, afirma que a oposição luta contra aquilo que considera serem tendências autoritárias e tentativas de alteração da Constituição. O dirigente acusa ainda as instituições de estarem sujeitas a pressões e sustenta que a proibição poderá reduzir ainda mais o espaço de participação política.
A controvérsia ocorre num momento em que a RDC enfrenta uma persistente crise de segurança na região leste, marcada por conflitos armados, ao mesmo tempo que se acentuam as divergências entre o Governo e os seus opositores.
LEGALIDADE DA MEDIDA EM DEBATE
Para além das reacções políticas, a proibição levanta questões sobre a sua fundamentação jurídica e as consequências para o pluralismo democrático. Segundo as informações disponíveis, o comunicado do Ministério do Interior não apresenta os motivos detalhados da decisão nem estabelece o período durante o qual a medida deverá vigorar.
A decisão também não corresponde, formalmente, à dissolução dos partidos abrangidos, embora impeça o exercício das respectivas actividades.
O analista político independente Guel Mamlaka considera que a medida poderá afectar não apenas os dirigentes visados, mas também os membros e apoiantes das formações políticas, incluindo pessoas que não estejam envolvidas nas alegadas irregularidades atribuídas às respectivas lideranças.
O analista alerta ainda para o risco de a decisão agravar a frustração e as tensões no país, defendendo a necessidade de conciliar as preocupações de segurança com a protecção das liberdades políticas.
Entretanto, a medida está a provocar divisões nos círculos políticos próximos de Joseph Kabila. Desde o anúncio da criação da FRN e da proibição das actividades do PPRD, várias figuras políticas terão manifestado distanciamento em relação ao antigo partido governante, evidenciando divergências quanto à estratégia a seguir.
O futuro das 13 formações políticas permanece incerto, num cenário em que o Governo invoca razões de segurança nacional, a oposição denuncia repressão e analistas questionam os fundamentos jurídicos da decisão.
O desfecho dependerá, entre outros factores, da fundamentação legal da medida, das eventuais vias de recurso e da capacidade das instituições congolesas de gerir as divergências políticas sem comprometer o pluralismo democrático.
As Forças Armadas dos Estados Unidos elaboraram planos de ataque contra o Irão e que poderão usar a bomba conhecida como “mãe de todas as bombas”. A informação foi divulgada pela CNN Internacional nesta quinta-feira.
Oito meses depois dos Estados Unidos da América e Israel lançarem um ataque conjunto contra vários locais no Irão, desencadeando o actual conflito entre estes países, os Estados Unidos cogitam agora usar uma bomba conhecida como mãe de todas as bombas contra o Irão, que é a bomba GBU-43/B .
Os alvos poderão ser instalações nucleares e a infra-estrutura energética do país. Os ataques deverão ocorrer caso o presidente Donald Trump ordene a retomada das operações militares.
O uso da maior bomba não nuclear do arsenal americano poderá representar uma escalada significativa do conflito.
O Irão, por sua vez, reitera que não quer uma guerra interminável, mas garante que continuará a lutar até que Washington aceite as exigências iranianas.
Esta quinta-feira, houve um ataque a mais dois navios no Estreito de Ormuz, canal marítimo partilhado por vários países do médio oriente, incluindo o Irão, e por onde passam combustíveis que abastecem vários países. E é mesmo por estes ataques no contexto da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irão que disparam preços dos combustíveis em vários países.
O Presidente da República, Daniel Chapo, defendeu, esta sexta-feira, no distrito de Caia, província de Sofala, que a paz deve começar dentro da família, através do diálogo, do respeito e da compreensão mútua. O Chefe do Estado afirmou que não há desenvolvimento sem paz, sublinhando que esta vai além do silêncio das armas e exige também o fim da violência nas famílias e nas comunidades.
Durante um comício popular, Chapo considerou que a ausência de confrontos armados não é suficiente para garantir a paz, enquanto persistirem situações de violência no seio familiar e na sociedade.
“A paz não significa apenas o silêncio das armas. As armas podem calar-se, mas isso, por si só, não significa que haja paz. A paz significa também ausência de violência nas nossas casas, nas nossas famílias e nas nossas comunidades. Onde há violência, não há paz”, afirmou.
Para o Chefe do Estado, é no ambiente familiar que devem ser cultivados os valores necessários à convivência pacífica, nomeadamente o diálogo, o respeito e a capacidade de resolver divergências sem recurso à violência.
“A paz tem de começar na família, em casa, entre o pai, a mãe e os filhos. É dentro das nossas famílias que devemos cultivar o diálogo, o respeito e a compreensão mútua. É aí onde temos de aprender a resolver as nossas diferenças sem recorrer à violência”, defendeu.
O Presidente da República apontou igualmente o respeito pela diferença como uma condição essencial para a harmonia social, apelando aos moçambicanos para que aprendam a conviver, independentemente das suas convicções e escolhas.
Segundo Daniel Chapo, a diversidade faz parte da natureza humana e deve ser encarada como uma oportunidade para a convivência pacífica, e não como motivo de conflito.
“Temos de aprender a viver em paz, mesmo quando somos diferentes. A diferença é uma criação de Deus e, por isso, devemos respeitá-la. Aqui onde estamos, não existem duas pessoas completamente iguais. Mesmo os gémeos, por mais parecidos que sejam, têm as suas próprias formas de pensar”, afirmou.
Chapo destacou que, no mesmo distrito, existem pessoas com diferentes preferências desportivas, filiações políticas e crenças religiosas, defendendo que essas diferenças não devem constituir motivo de inimizade.
“Cada um de nós deve compreender que ser diferente não significa ser inimigo do outro. Ninguém pode ser obrigado a escolher aquilo que não quer, a acreditar naquilo em que não acredita ou a vestir aquilo que não deseja vestir”, frisou.
Para ilustrar a importância da diversidade, o Chefe do Estado recorreu ao exemplo dos dedos da mão, que, apesar das diferenças, coexistem sem se prejudicarem.
“Olhem para os dedos da minha mão. São diferentes uns dos outros. Não há dois dedos exactamente iguais. No entanto, nenhum dedo corta o outro só porque é diferente! Da mesma forma, aqui onde estamos, somos todos diferentes. Uns são mais magros, outros têm uma constituição física mais forte; uns têm a pele mais clara, outros mais escura. Mas essas diferenças não nos impedem de viver juntos”, declarou.
Na abordagem à segurança, Daniel Chapo defendeu que não há paz sem segurança e considerou que a população tem um papel fundamental no apoio à Polícia, através da vigilância e da denúncia de indivíduos que promovem o ódio e a divisão.
O Presidente condenou igualmente os actos de vandalismo contra bens públicos registados no contexto pós-eleitoral, sobretudo a destruição de escolas e hospitais, alegadamente em protesto contra os resultados eleitorais.
“E eu pergunto: que culpa tem uma escola? A escola não vota. A escola não tem cartão de eleitor. A escola não foi recenseada e não escolhe nenhum partido político. A escola existe para servir as nossas crianças, os nossos jovens e as gerações futuras. Quando destruímos uma escola, prejudicamos as nossas crianças. Quando destruímos um hospital, prejudicamos os nossos doentes”, criticou.
Para o Chefe do Estado, os procedimentos eleitorais devem ser respeitados, tal como acontece nas competições desportivas, em que o resultado só pode ser considerado definitivo após o fim da partida.
Chapo comparou a situação a um jogo de futebol, afirmando que ninguém pode declarar-se vencedor antes de o árbitro apitar o fim do encontro.
No final do comício, o Presidente da República alertou para a circulação de informações falsas em algumas comunidades, considerando que estas contribuem para gerar pânico, insegurança e instabilidade social.
Segundo Daniel Chapo, a disseminação de boatos constitui uma estratégia de indivíduos que, na sua perspectiva, pretendem impedir a consolidação da paz e do desenvolvimento no país.
“Boateiros inventam mentiras. Quando viram que esta mentira não pegou, inventam outra, só para o povo não estar em paz, só para o povo não estar em segurança. Este é o objectivo deles. Não gostam de paz, gostam de violência, gostam de ódio, gostam de ver o povo a sofrer”, acusou.
O Chefe do Estado referiu-se, concretamente, a um boato segundo o qual o simples contacto físico ou cumprimento entre pessoas poderia provocar a atrofia ou o desaparecimento dos órgãos sexuais.
“Disseram que há pessoas que, quando encosta outro ou cumprimenta outro, o sexo se atrofia ou desaparece. É mentira, é boato. São inimigos da paz e do desenvolvimento”, afirmou, apelando à população para que não partilhe informações falsas e denuncie os seus disseminadores.
Daniel Chapo concluiu reiterando que a construção da paz exige mais do que o fim dos confrontos armados, defendendo a rejeição do ódio e da violência e a promoção do diálogo e do respeito pelas diferenças como bases para a convivência entre os moçambicanos.
A Câmara de Comércio Moçambique–Itália e a Empresa Nacional de Hidrocarbonetos mobilizam pequenas e médias empresas para uma maior aproximação aos investidores internacionais, com o objectivo de criar oportunidades de negócio no sector energético. A iniciativa decorreu no âmbito da Africa Energy Week 2026, realizada de 12 a 16 de Outubro, na Cidade do Cabo, África do Sul, segundo indica um documento da CCMI.
A mobilização envolveu jovens empresários e grandes operadores económicos moçambicanos, procurando facilitar contactos com multinacionais e potenciais parceiros comerciais. Em parceria com a ANIMA, Federação das Associações Nacionais da Indústria Mecânica de Itália, a CCMI promoveu igualmente a cooperação empresarial entre os dois países, com destaque para as áreas da engenharia, tecnologias energéticas, equipamentos industriais e serviços especializados.
O documento destaca ainda a participação do Banco Comercial e de Investimentos (BCI), sublinhando a importância das instituições financeiras no apoio ao investimento e à internacionalização das empresas nacionais. A iniciativa pretende promover a «transferência de conhecimento e desenvolvimento de fornecedores locais», criando condições para uma maior participação das empresas moçambicanas nas cadeias de fornecimento da indústria energética.
Entre as oportunidades destacadas está o projecto Mozambique LNG, na Bacia do Rovuma, cujo investimento inicial está estimado em 20 mil milhões de dólares norte-americanos. Segundo a CCMI, os grandes investimentos energéticos apresentam potencial para impulsionar a criação de emprego, o desenvolvimento de infra-estruturas e a contratação de empresas nacionais para o fornecimento de bens e serviços, desde que estas consigam responder às exigências técnicas e financeiras dos projectos.
Para a CCMI, o sucesso dos investimentos energéticos deve traduzir-se em benefícios concretos para o empresariado nacional. «O verdadeiro sucesso dos grandes investimentos energéticos mede-se também pela capacidade de gerar oportunidades concretas para as empresas moçambicanas, promover a transferência de tecnologia e transformar o potencial energético nacional em desenvolvimento económico», refere a instituição, defendendo o reforço das parcerias entre entidades públicas, empresas privadas e investidores internacionais.
O surto de Ébola na República Democrática do Congo (RDC) alastrou-se à província do Ubangi do Norte, situada junto à fronteira com a República Centro-Africana, elevando para oito o número de províncias congolesas afectadas pelo vírus. A informação foi avançada por dois responsáveis da saúde à agência Reuters, embora ainda não tenha sido oficialmente anunciada pelas autoridades do país.
Segundo as fontes, foram registados dois casos na nova província, depois de uma série de mortes suspeitas na zona sanitária de Wapinda, próximo da fronteira com Bas-Uele, ter levado à realização de testes para detectar a presença do vírus.
O actual surto é provocado pela estirpe Bundibugyo do vírus Ébola, para a qual não existe, até ao momento, vacina ou tratamento específico aprovado. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), está previsto o início de um primeiro ensaio clínico de uma vacina na RDC até ao final de Outubro.
O surto foi declarado a 15 de Maio e, segundo dados divulgados na quarta-feira, já provocou mais de nove mil casos e 4.441 mortes.
A epidemia também afecta outros países da região. No Uganda, foram igualmente registados casos, apesar de o país ter anunciado estar livre do Ébola em Agosto. Já o Quénia confirmou, na quarta-feira, o segundo caso da doença, envolvendo um familiar do primeiro paciente, que morreu a 5 de Outubro.
A propagação do vírus para novas áreas reforça as preocupações das autoridades sanitárias quanto à contenção do surto e ao risco de transmissão transfronteiriça na região.
Moçambique poderá enfrentar crises recorrentes no abastecimento de combustíveis devido aos desequilíbrios do mercado e à dependência das importações, alerta Júlio Saramala. O economista defende que o Governo identifique as causas e adopte medidas preventivas para reduzir os impactos sobre transportadores, empresas e consumidores.
Em entrevista ao País Económico, Saramala considera que as dificuldades resultam da combinação de factores externos e internos, entre os quais a subida dos preços internacionais do petróleo, as condições de financiamento das importações, a disponibilidade de divisas e os constrangimentos logísticos na distribuição.
“Eu não diria que é uma crise provocada ou uma crise real. Eu diria que é uma crise que tem tido consequências e acções muito mais reactivas, olha-se muito mais para aquilo que são as consequências, mas não para as possíveis causas”, afirmou, defendendo uma mudança na forma como as autoridades enfrentam as perturbações no abastecimento.
Na sua análise, a guerra no Médio Oriente e a subida das cotações pressionam o mercado, mas não explicam, isoladamente, todas as dificuldades. A forma de importação, os encargos financeiros e a distribuição também condicionam a disponibilidade e o preço dos combustíveis.
A vulnerabilidade do país é agravada pela dependência do combustível importado. Segundo os dados apresentados na entrevista, o barril de petróleo Brent passou de cerca de 63 dólares em Janeiro para aproximadamente 104 dólares em Outubro deste ano.
“Temos uma forte dependência das próprias importações, isto quer dizer que qualquer oscilação no mercado internacional o país pode sofrer alguma oscilação no seu preço. Depois, há uma grande necessidade dos operadores desta indústria recorrerem à banca para poder ter certos financiamentos ou até importação, seja cartas de crédito, que geralmente é um crédito, moeda estrangeira e, por fim, acaba caindo para o consumidor final”, explicou.
Os custos de aquisição e distribuição repercutem-se no transporte de passageiros, na circulação de mercadorias e nos preços de bens e serviços. Como o impacto varia entre operadores, as medidas devem considerar as diferenças do sector.
SUBSÍDIOS DEVEM CHEGAR A QUEM MAIS PRECISA
Perante as reivindicações dos transportadores e a discussão sobre possíveis aumentos das tarifas, Saramala defende que o debate não deve ficar circunscrito à diferença entre os valores propostos pelos operadores e os considerados pelo Governo. É necessário avaliar as causas, os custos e o impacto sobre cada actividade.
“A questão não é de cinco ou de 20 meticais, é de perceber, primeiro, quais são as causas, qual é o impacto que se espera e se amanhã a situação reverter-se, é pouco provável, porque os preços têm uma tipologia sempre progressiva e não muito regressiva”, afirmou.
Para o economista, subsídios generalizados podem beneficiar agentes que não enfrentam as mesmas dificuldades dos transportadores públicos. Defende, por isso, apoios diferenciados, dirigidos aos segmentos que mais precisam.
“Esses subsídios não devem ser de uma forma genérica, devem ser de acordo com a tipologia de trabalho, com o impacto da crise, assumindo todo o custo de transporte”, sustentou.
Saramala sublinha que o combustível representa apenas uma parte das despesas das empresas de transporte e logística. Outros custos operacionais também podem aumentar, pelo que um subsídio ao combustível não garante, necessariamente, a sustentabilidade financeira dos operadores. Transportes urbanos, serviços interprovinciais e empresas de mercadorias devem ser avaliados de forma diferenciada, tendo em conta a dimensão das operações e o peso dos combustíveis nos custos.
DESEQUILÍBRIOS PODEM MANTER AS CRISES
A aproximação da época festiva e da estação chuvosa acrescenta incertezas, num contexto de dependência externa e pressão sobre os custos de transporte. Para Saramala, as perturbações podem manifestar-se tanto através da falta física de combustível como de interrupções nos diferentes pontos da cadeia de abastecimento.
“Agora, a crise, infelizmente, pode ser uma realidade e pode tender a acontecer, porque, assim como também manter o preço cria essa crise de falta de abastecimento. Ou seja, as crises irão acontecer porque o mercado está desnivelado”, alertou.
A curto prazo, algumas dificuldades poderão ser difíceis de evitar, dada a exposição às oscilações internacionais e ausência de produção interna que reduza a dependência. Uma gestão eficiente e maior capacidade de antecipação podem, contudo, minimizar os impactos.
“São crises que, a curto prazo, serão inevitáveis, seja por aumento ou pela estagnação do preço, como podemos estar a ver agora, que tem acontecido quase periodicamente”, afirmou.
Saramala defende uma estratégia que combine acompanhamento dos preços internacionais, financiamento das importações, distribuição eficiente e apoios direccionados. Sem prevenção, Moçambique continuará exposto a perturbações que comprometem o transporte e agravam o custo de vida.