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A crescente insatisfação da população sul-africana com a falta de água, electricidade e recolha de lixo está a enfraquecer o apoio ao Congresso Nacional Africano (ANC), numa altura em que o país se prepara para as eleições municipais, marcadas para 4 de Novembro. Várias sondagens recentes indicam uma redução da popularidade do partido, que enfrenta críticas pela corrupção e má gestão das autarquias.

A degradação dos serviços públicos tem levado alguns cidadãos a ameaçar boicotar as eleições, sobretudo nos bairros periféricos de Joanesburgo, onde milhares de famílias enfrentam dificuldades no acesso a serviços básicos.

Em Katlehong, nos arredores de Joanesburgo, cerca de 180 famílias dependem de ligações eléctricas ilegais há mais de 20 anos. Os cabos atravessam as calçadas e transportam energia de outras zonas da comunidade, numa tentativa dos residentes de contornar a falta de fornecimento regular. O líder comunitário Lesiba Rankapole afirma que os moradores decidiram não votar enquanto não tiverem acesso à electricidade. “Tomámos uma decisão colectiva: sem electricidade, sem voto”, declarou, defendendo que a falta de energia compromete o futuro das crianças e o desenvolvimento da comunidade.

A mesma revolta é manifestada por Enock Majola, outro residente de Katlehong, que acusa as autoridades de não resolverem os problemas locais, incluindo a deposição ilegal de lixo. O cidadão, que afirma ter crescido a apoiar o ANC, diz já não querer ouvir falar do partido devido às dificuldades que enfrenta.

Em Alexandra, outro bairro periférico de Joanesburgo, a situação também é preocupante. O lixo acumula-se nas ruas, as águas residuais correm a céu aberto e muitos residentes não dispõem de água canalizada.

Para vários cidadãos, a corrupção e a má gestão municipal estão entre as principais causas da deterioração dos serviços públicos e da perda de confiança nas autoridades. “Não vou votar porque já não acredito no nosso Governo. Decepcionou-nos inúmeras vezes”, afirmou o residente Sipho Mandala.

Apesar do descontentamento, alguns eleitores continuam fiéis ao ANC, sobretudo pelo seu papel histórico na luta contra o apartheid. Um morador de Katlehong, mesmo confrontado com problemas de saneamento na sua residência, admitiu que voltaria a votar no partido, caso conseguisse chegar a uma assembleia de voto.

O ANC, que tem no antigo Presidente Nelson Mandela uma das suas principais figuras históricas, conquistou quase 70 por cento dos votos nas eleições nacionais de 2004. Contudo, a sua influência eleitoral tem vindo a diminuir. Nas eleições municipais de 2021, o partido obteve 46 por cento dos votos, ficando pela primeira vez abaixo da fasquia dos 50 por cento.

A perda de apoio tornou-se ainda mais evidente nas eleições nacionais de 2024, quando o ANC conseguiu pouco mais de 40 por cento dos votos, resultado que o obrigou a formar uma coligação governamental.

Segundo o analista político Sethulego Matebesi, as eleições municipais tendem a registar uma participação inferior à das eleições nacionais. Ainda assim, os resultados poderão ajudar os partidos a avaliar a sua base de apoio e a preparar a disputa eleitoral de 2029.

Dos 257 conselhos municipais em disputa, Joanesburgo destaca-se como um dos principais campos de batalha política, devido à sua importância económica e à dimensão da população, estimada em mais de 4,8 milhões de habitantes.

Em Alexandra, o funcionário de manutenção Patrick Saohatse considera que o ANC não conseguiu melhorar as condições de vida da população, apesar de governar a região há vários anos. Por essa razão, afirma que pretende votar na Aliança Democrática (DA), o segundo maior partido da coligação governamental.

A DA, que governa a Cidade do Cabo, tem intensificado as críticas ao ANC, apontando falhas na prestação de serviços públicos e problemas de gestão. Num comício recente, Helen Zille, candidata à presidência da Câmara de Joanesburgo, alertou que mais cinco anos de corrupção e degradação das infra-estruturas poderão colocar a cidade numa situação irreversível.

Entretanto, a campanha eleitoral do ANC tem sido marcada por dificuldades, incluindo a ausência de um candidato escolhido para disputar a presidência da Câmara de Joanesburgo, segundo a informação divulgada.

O responsável pela comissão eleitoral do partido, Mdumiseni Ntuli, reconheceu que existem razões para a insatisfação dos eleitores, sobretudo em Joanesburgo e nas zonas circundantes.

Os analistas prevêem que vários municípios poderão terminar as eleições sem uma maioria absoluta, obrigando os partidos a negociar coligações. A instabilidade destes acordos poderá agravar os problemas de governação e comprometer ainda mais a prestação de serviços públicos, aumentando a pressão sobre o ANC.

 

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O Conselho Municipal de Maputo realiza, na quarta, quinta e sexta-feira, no Paços do Município e no Jardim Tunduru, a Feira do Livro de Maputo. A presente edição homenageia Luís Carlos Patraquim e tem como patrona Noémia de Sousa.

Uma vez mais, a Feira do Livro de Maputo vai honrar o compromisso de promover a literatura moçambicana e, por conseguinte, garantir a partilha de leituras entre diferentes personalidades e munícipes. Como tem sido habitual, ao longo de três dias, a iniciativa do Conselho Municipal de Maputo vai proceder ao lançamento de livros, à realização de mesas redondas e de oficinas criativas e ainda celebrar autores que se revelam determinantes para a afirmação da arte literária no país.

Na presente edição, o grande momento da Feira do Livro de Maputo será a homenagem a Luís Carlos Patraquim, poeta que há meio século faz da escrita a arte de pensar e projectar a humanidade. A sessão de homenagem está marcada para sexta-feira, às 16h, no Salão Nobre do Conselho Municipal.

Natural de Maputo (1953), o poeta, escritor, guionista, dramaturgo e jornalista, Luís Carlos Patraquim, iniciou-se nas letras ainda novo. Aos 17 anos de idade, começa a colaborar com o jornal A Voz de Moçambique, mas o ambiente que se vivia em Moçambique leva a que, em 1973, com apenas 20 anos de idade, procure refúgio na Suécia. No início de 1975, entretanto, com a independência a poucos meses de distância, regressa à Cidade de Maputo, integrando os quadros do jornal A Tribuna. Patraquim é um dos membros do núcleo fundador da Agência de Informação de Moçambique (AIM) e faz também parte da fundação do Instituto Nacional de Cinema, no qual exerce, entre 1977 e 1986, a função de roteirista, argumentista e redactor principal do jornal cinematográfico Kuxa Kanema.

Luís Carlos Patraquim também coordenou a prestigiada Gazeta de Artes e Letras da revista Tempo, órgão que muito ajudou a promover e a renovar a literatura moçambicana. No entanto, além da actividade de jornalista, encontrou na poesia uma paixão. Em 1980, estreia-se nos livros e publica Monção, para muitos estudiosos, um marco importante no que concerne à poesia que era produzida e passará a ser produzida nos anos seguintes. Cinco anos depois de Monção, o autor publica outro livro icónico, A inadiável viagem. Em 1986, fixa-se em Portugal e passa a colaborar com meios da imprensa portuguesa, como o Jornal de Letras, o Diário de Lisboa, o Expresso ou o Público. Também é autor de Vinte e tal novas formulações e uma elegia carnívora (1992) ou O osso côncavo e outros poemas (2005).

Em 2010, investe no romance com A Canção de Zefanías Sforza e, nos anos seguintes, também publica Matéria concentrada (2011), O cão na margem (2017) e o deus restante (2017).O lema para a presente edição da Feira do Livro de Maputo é Se me quiseres conhecer, vem sonhar com o livro. A proposta é inspirada no poema “Se me quiseres conhecer”, do livro Sangue negro, de Noémia de Sousa, a patrona deste ano. Essencialmente, o lema invoca e convoca o leitor a sintonizar-se com o legado da autora que, se estivesse viva, teria completado 100 anos de idade no passado dia 20 de Setembro. Portanto, o tributo à ‘mãe dos poetas moçambicanos’ justifica-se pelo excelente contributo para as letras nacionais e pela inspiração inequívoca aos autores de Moçambique e do mundo.

A Feira do Livro de Maputo é uma iniciativa do Conselho Municipal de Maputo, que, há duas décadas, constitui um espaço de promoção da língua portuguesa, da literatura e do intercâmbio cultural entre países africanos, europeus, americanos e asiáticos. Ao reunir diferentes intervenientes das indústrias criativas, como escritores, poetas, ensaístas, editores nacionais e internacionais, livreiros, bibliotecários, professores, gestores, jornalistas e leitores de todas as idades, o evento tem, inclusivamente, contribuído para tornar Maputo uma cidade criativa.

Durante três dias, o evento do Conselho Municipal tem funcionado como uma plataforma de lançamentos de livros, oficinas, actividades infantis, sessões de autógrafos, exposições, debates e apresentações artísticas, criando um ambiente de intercâmbio cultural e de valorização do livro como instrumento de desenvolvimento humano e, consequentemente, social.
À semelhança dos anos anteriores, a Feira continua privilegiar iniciativas que consistem em levar a arte literária às escolas, no caso deste ano, através da Festa do Livro de KaNyaka, no Distrito Municipal KaNyaka, e o A caminho da feira, no Distrito Municipal KaMpfumo.

Em ambos os casos, os encontros permitiram que os alunos exprimissem as suas sensibilidades literárias através da partilha de textos poéticos que, depois da selecção e edição, serão editados em livro pela Kuvaninga Cartão d’Arte durante o evento. Assim, com efeito, mais alunos primários tiveram com quem partilhar o talento que possuem e complementar o processo de ensino e aprendizagem através da actividade extracurricular promovida pela Feira do Livro de Maputo.
Ciente da importância do vosso órgão, solicitamos a divulgação da informação e a respectiva cobertura.

A taxa de desemprego em Angola recua de 31,5%, em 2024, para 21,3% no primeiro trimestre de 2026, uma redução de 10,2 pontos percentuais, segundo dados apresentados, esta quinta-feira, pelo Presidente da República, João Lourenço, durante o discurso sobre o Estado da Nação, na Assembleia Nacional, em Luanda. Apesar da descida, o mercado de trabalho continua marcado pelo desemprego juvenil, pelas desigualdades de género e pelo peso da informalidade.

Ao apresentar o balanço da situação económica e social do país, o Chefe de Estado angolano destacou a evolução dos indicadores do emprego como parte dos resultados alcançados pelo Executivo nos últimos dois anos. A redução da taxa de desemprego representa uma melhoria face ao nível registado em 2024, embora os números disponíveis revelem que o acesso ao trabalho continua a constituir um dos principais desafios da economia angolana.

De acordo com o Instituto Nacional de Estatística (INE), Angola tinha 2.593.206 pessoas desempregadas com idade igual ou superior a 15 anos no primeiro trimestre de 2026. No mesmo período, a população empregada era estimada em 9.562.740 pessoas, enquanto a taxa de emprego se situava em 42,3%.

Os dados oficiais mostram, entretanto, que a descida do desemprego face a 2024 não correspondeu a uma redução contínua ao longo dos primeiros meses deste ano. Comparativamente ao quarto trimestre de 2025, quando a taxa de desemprego se fixou em 20,1%, o indicador aumentou 1,1 ponto percentual no primeiro trimestre de 2026. O número de pessoas desempregadas cresceu 15,5%, correspondendo a mais 347.311 indivíduos.

O desemprego juvenil continua a ser uma das principais preocupações do mercado de trabalho angolano. Segundo o INE, a taxa de desemprego entre os jovens dos 15 aos 24 anos atingiu 40,7% no primeiro trimestre de 2026, um nível significativamente superior à taxa geral da população.

A situação evidencia as dificuldades de inserção profissional enfrentadas pelos jovens, num contexto em que a procura por oportunidades de trabalho exige respostas que articulem formação, qualificação profissional e criação de postos de trabalho.

As estatísticas revelam igualmente diferenças entre homens e mulheres. No primeiro trimestre deste ano, a taxa de desemprego feminina situou-se em 23,4%, contra 19,3% entre os homens. A taxa de emprego também foi superior no grupo masculino, fixando-se em 45,6%, enquanto entre as mulheres atingiu 39,2%.

Para além do número de pessoas sem trabalho, a qualidade do emprego constitui outro desafio para a economia angolana. A elevada informalidade limita o acesso de muitos trabalhadores à protecção social e a condições laborais estáveis, tornando necessária a expansão de oportunidades formais e sustentáveis.

Em Agosto deste ano, a ministra da Administração Pública, Trabalho e Segurança Social, Teresa Rodrigues Dias, anunciou que Angola registou mais de 774 mil empregos formais entre 2023 e o primeiro semestre de 2026. Na mesma ocasião, a governante reconheceu a necessidade de reforçar a criação de empregos dignos, sustentáveis e acompanhados de protecção social.

Os dados relativos a 2025 indicavam que cerca de 77,7% da população empregada se encontrava na economia informal, realidade que continua a colocar pressão sobre as políticas públicas destinadas à formalização das actividades económicas.

O Banco Letshego pretende alcançar mais de 500 mil clientes nos próximos cinco anos. A ambição passa pelo reforço da inclusão financeira, pela modernização dos serviços e pela disponibilização de soluções acessíveis às famílias, aos empreendedores e às pequenas e médias empresas. A informação foi avançada pelo presidente do Conselho de Administração desta instituição, David Seie, esta quinta-feira, na Matola, província de Maputo, durante a inauguração de um novo balcão do banco.

David Seie afirma que a abertura da agência representa um compromisso de maior proximidade com a população e os agentes económicos, numa cidade que considera estratégica para o desenvolvimento do país. O responsável defende que a expansão da rede deve traduzir-se em respostas concretas às necessidades dos clientes, através de serviços financeiros adequados às suas condições e aspirações.

“Este momento representa muito mais do que a abertura de um espaço físico. Representa para nós proximidade, confiança e um compromisso renovado com as famílias, com os empreendedores e com as instituições que constroem diariamente o futuro desta cidade e da província de Maputo”, declarou o presidente do Conselho de Administração do Letshego.

O responsável sublinha que a inclusão financeira não deve ser entendida apenas como a abertura de contas bancárias ou a concessão de empréstimos. Na sua perspectiva, o acesso aos serviços financeiros deve permitir que mais cidadãos participem na economia, invistam em actividades produtivas e melhorem as condições de vida das famílias.

“Para o Banco Letshego, a inclusão financeira não se resume à abertura de contas ou à concessão de créditos. Significa permitir que mais cidadãos participem plenamente na economia nacional; que uma família possa investir na educação dos seus filhos; que um jovem transforme uma ideia num negócio; que uma mulher empreendedora amplie a sua actividade; e que uma pequena empresa adquira meios para crescer, criar emprego e gerar rendimentos”, explicou.

O banco iniciou as operações na Matola em Janeiro de 2012 e serve actualmente mais de cinco mil clientes na região, com uma carteira superior a 650 milhões de meticais. Segundo David Seie, estes números reflectem a confiança conquistada junto das famílias, dos empreendedores e das instituições locais.

Para ultrapassar 500 mil clientes nos próximos cinco anos, a instituição pretende melhorar os serviços e introduzir ferramentas que tornem as operações mais rápidas e acessíveis. A transformação digital assume um papel central nesta estratégia, sem afastar a componente humana do atendimento bancário.

“Para concretizar esta ambição, continuaremos a implementar serviços melhores, mais simples, mais rápidos e acessíveis, concebidos para responder às necessidades dos matolenses e de todos os moçambicanos. A transformação digital será central neste percurso”, declarou.

No domínio do crédito, David Seie defende que o financiamento deve ser concedido de forma responsável e acompanhado de informação clara sobre as condições e obrigações assumidas pelos clientes. Através das soluções de poupança, pagamentos e financiamento, o banco pretende apoiar iniciativas produtivas e necessidades concretas das famílias e dos negócios.

“Quando o financiamento é concebido com responsabilidade e acompanhado de informação clara, deixa de ser apenas uma transacção financeira e torna-se uma ferramenta de transformação. Ajuda a melhorar uma habitação, a reforçar um negócio, a enfrentar uma emergência, a adquirir equipamento e a construir maior segurança financeira”, declarou.

BANCO DE MOÇAMBIQUE PEDE ACESSO RESPONSÁVEL

Na mesma ocasião, o director da Filial do Banco de Moçambique na Matola, Bento Baloi, considerou que a expansão da rede de instituições financeiras é importante para facilitar o acesso da população e dos agentes económicos aos produtos e serviços formais. Alertou, contudo, que a abertura de balcões deve ser acompanhada por medidas que garantam a adequação, a transparência e a utilização responsável desses serviços.

“A expansão da rede de instituições financeiras constitui um importante instrumento para a promoção da inclusão financeira, na medida em que contribui para facilitar o acesso da população e dos agentes económicos a produtos e serviços financeiros formais”, afirmou Bento Baloi.

O representante do banco central explicou que a abertura de novos balcões pode favorecer a poupança, dinamizar as actividades produtivas e contribuir para a geração de rendimentos e para o desenvolvimento económico e social. Considera, no entanto, que a inclusão financeira não se mede apenas pelo número de agências ou pela quantidade de produtos disponibilizados.

“A inclusão financeira não se resume apenas à abertura de balcões ou à disponibilização de produtos financeiros. Pressupõe, igualmente, que os serviços sejam acessíveis, adequados às necessidades dos cidadãos, transparentes, seguros e utilizados de forma responsável”, frisou.

Bento Baloi defendeu o reforço da educação financeira, para que os clientes compreendam as características dos produtos, conheçam os seus direitos e deveres e estejam informados sobre os riscos das decisões financeiras. A literacia financeira e a protecção do consumidor, acrescentou, são essenciais para consolidar a confiança da população no sistema bancário.

“É fundamental que a expansão das actividades financeiras seja acompanhada por iniciativas de educação financeira, que permitam aos cidadãos compreender os produtos e serviços disponíveis, os seus direitos e deveres, bem como os riscos associados às decisões financeiras”, declarou.

“Importa reforçar a necessidade de uma concessão responsável de crédito, assente na adequada avaliação da capacidade de reembolso dos clientes, na comunicação clara das condições contratuais e na prevenção do sobreendividamento”, afirmou.

Para Bento Baloi, o crescimento do sector financeiro deve ser avaliado também pelos resultados que produz na vida dos cidadãos, pela melhoria do acesso aos serviços e pela criação de oportunidades para uma participação mais activa na economia formal. A Matola, devido ao crescimento populacional e à diversidade das suas actividades comerciais e industriais, apresenta condições para aprofundar esse processo.

“Esperamos que este novo balcão contribua para facilitar o acesso aos serviços financeiros, apoiando as iniciativas empreendedoras e fortalecendo a relação de confiança entre a instituição e os seus clientes”, declarou o director da Filial do Banco de Moçambique na Matola.

Baloi concluiu que o crescimento sustentável do sector depende do compromisso das instituições financeiras, das autoridades públicas e dos cidadãos, num ambiente de responsabilidade, integridade e respeito pelas normas que regulam a actividade. A inauguração do balcão do Letshego coloca, assim, em evidência o desafio de ampliar o acesso aos serviços bancários sem perder de vista a protecção do consumidor e a sustentabilidade do crédito. A instituição espera, desta forma, consolidar a sua presença local e ampliar o acesso a serviços financeiros formais.

Entre as vítimas mortais estão três crianças. Sete pessoas ficaram feridas e foram encaminhadas para unidades hospitalares.

Pelo menos seis pessoas morreram, incluindo três crianças, na sequência do desabamento de um edifício residencial de cinco andares no Cairo, capital do Egipto. As equipas de emergência recuperaram os corpos das vítimas nos escombros, enquanto prosseguiam as operações de busca por eventuais sobreviventes.

Segundo informações divulgadas pela imprensa local, sete pessoas ficaram feridas e foram transportadas para o hospital para receber assistência médica.

As operações de resgate prosseguiram na quarta-feira, com as equipas de emergência a removerem os destroços na tentativa de localizar pessoas que possam ter ficado soterradas.

Por precaução, as autoridades ordenaram a evacuação dos edifícios vizinhos e instalaram estruturas provisórias de aço para reforçar a sua estabilidade e proteger os moradores.

O Governo egípcio anunciou a abertura de procedimentos legais e o início de uma investigação para apurar as causas do desabamento e eventuais responsabilidades.

Os desabamentos de edifícios são recorrentes no Egipto, onde a construção de baixa qualidade, a falta de manutenção e as deficiências na fiscalização das normas de construção contribuem para a insegurança de vários imóveis residenciais.

Perante este cenário, as autoridades têm procurado intensificar o combate às construções ilegais e retirar moradores de edifícios considerados em risco de desabamento.

O exército do Mali confirmou ontem um “incidente trágico” com “vítimas mortais” numa operação antiterrorista, referindo-se a um aparente bombardeamento por engano contra um grupo de civis que se deslocava de motocicleta, sem fornecer mais detalhes.

O exército do Mali confirmou hoje um “incidente trágico” com “vítimas mortais” numa operação antiterrorista, referindo-se a um aparente bombardeamento por engano contra um grupo de civis que se deslocava de motocicleta, sem fornecer mais detalhes.

“O Estado-Maior-Geral das Forças Armadas foi informado de um trágico incidente ocorrido numa zona de operações, que causou vítimas mortais e feridos”, referiu o exército do Mali, em comunicado, sem fornecer informações sobre o número de vítimas.

Na mesma nota o exército acrescentou que “segundo as primeiras informações disponíveis, às pessoas afetadas deslocavam-se em motociclos de grande cilindrada entre duas localidades”.

No comunicado publicado nas redes sociais, o exército referiu que já está em curso uma investigação “para determinar com precisão as circunstâncias deste acontecimento”, ao mesmo tempo que expressou as suas condolências aos familiares das vítimas e desejou uma “rápida recuperação” aos feridos.

O exército recordou, ainda, uma ordem emitida em 03 de Junho que “suspende a circulação” de motociclos com cilindrada igual ou superior a 125 centímetros cúbicos “fora das grandes aglomerações urbanas”, uma vez que considera que estes veículos são utilizados por grupos terroristas para o deslocamento dos seus membros e a execução de ataques.

“Esta medida responde a imperativos de segurança relacionados com o contexto operacional. O seu cumprimento rigoroso contribui para reduzir os riscos a que a população pode estar exposta nas zonas onde as operações militares continuam”, argumentou o exército na nota de comunicação emitida, em que apelou à população para que “cumpra rigorosamente as medidas e instruções de segurança em vigor”.

O comunicado foi publicado depois de a emissora francesa Radio France International ter noticiado a morte de, pelo menos, oito pessoas, entre as quais três meninas com menos de 10 anos, numa série de bombardeamentos contra a localidade de Zanakoro, na região de Ségou, após um batismo, sem que as autoridades tenham fornecido detalhes sobre o assunto nem tenham esclarecido se se trata do mesmo incidente.

O Mali é atualmente governado por uma junta militar instaurada na sequência dos golpes de Estado perpetrados em Agosto de 2020 e Maio de 2021, ambos liderados por Assimi Goita, actual Presidente de transição.

Desde então, Bamako tem vindo a aproximar-se da Rússia e a distanciar-se dos seus aliados ocidentais tradicionais, entre os quais a França, antiga potência colonial.

Após quase duas décadas de progressos, a fome no mundo aumentou face a 2018, afastando o objectivo de erradicar a fome até 2030, indica uma ONG. A presidente da Welthungerhilfe alerta que guerras são um dos factores que contribuem para a crise alimentar global.

Após quase duas décadas de progressos, a fome no mundo aumentou face a 2018, afastando cada vez mais o objectivo internacional de a erradicar até 2030, indica hoje uma organização não-governamental internacional.

Para a presidente da Welthungerhilfe (Ajuda Mundial contra a Fome), Marlehn Thieme, a situação é alarmante, uma vez que as guerras são um dos fatores que contribuem para esta situação, salientando que os conflitos, apesar de terem um alcance regional, ameaçam a segurança alimentar à escala global.

Thieme falava na apresentação do relatório anual desta organização não-governamental alemã, elaborado em conjunto com o Instituto de Direito para a Manutenção da Paz e Direito Internacional Humanitário (IFHV) da Universidade de Bochum e a organização suíça Helvetas, em que é analisada a relação entre a fome e a segurança.

“As 645 milhões de pessoas que passam fome em todo o mundo são um sinal de alarme. Com demasiada frequência, a segurança é entendida apenas em termos militares. No entanto, a segurança alimentar é uma condição prévia para a paz e a estabilidade”, salientou.

“As guerras provocam frequentemente fome, e a fome pode agravar ainda mais os conflitos. Ao mesmo tempo, os conflitos actuais ameaçam empurrar ainda mais pessoas para a fome, incluindo em regiões distantes das frentes de batalha”, referiu.

A interrupção das rotas comerciais, a subida dos preços da energia e dos fertilizantes e a paralisação das cadeias de abastecimento põem em risco a alimentação de milhões de pessoas, mesmo longe das regiões diretamente afectadas pelos conflitos, acrescentou.

Thieme apontou como exemplo a guerra de agressão da Rússia contra a Ucrânia, uma vez que os dois países representam um quarto do comércio mundial de trigo.

Devido aos bloqueios às exportações no mar Negro e à redução das sementeiras nos dois países, o trigo escasseia cada vez mais em todo o mundo. Consequentemente, especialistas das Nações Unidas preveem aumentos de preços com consequências de grande alcance para muitos países do Sul Global.

Esta tendência é agravada pela guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão e pelas perturbações no tráfego marítimo no estreito de Ormuz e no estreito de Bab el-Mandeb, no mar Vermelho.

Segundo Thieme, estas situações estão a provocar a subida dos preços dos fertilizantes e do gasóleo e, consequentemente, dos custos energéticos para a economia e a agricultura, não só na Alemanha, mas sobretudo na Ásia e em África.

Por esse motivo, Thieme defendeu um alargamento do conceito de segurança, sublinhando que tal “significa mais do que força militar, proteção das fronteiras e capacidade de defesa” e que “começa onde as pessoas conseguem satisfazer as suas necessidades básicas”.

“Quem combate a fome reforça também os alicerces da coesão social, da estabilidade e de uma paz duradoura. Sem segurança alimentar, não pode haver, em qualquer caso, segurança duradoura”, afirmou.

Thieme assinalou que o Índice Global da Fome (GHI), que em 2018 se situava nos 17,6 pontos, subiu para os atuais 18,1 pontos. Acrescentou que é particularmente alarmante o facto de a situação da fome se ter agravado em 32 países desde então, enquanto noutros 20 os progressos estagnaram.

“Todos estes números mostram que nós estamos a afastar cada vez mais do objetivo internacional de acabar com a fome até 2030. É particularmente preocupante que, em 57 países, seja muito provável que, se a tendência se mantiver, nem sequer seja possível alcançar um nível baixo de fome até 2030”, alertou Thieme.

O Zimbabwe pagou cerca de 732 milhões de euros em indemnizações a agricultores brancos pelos terrenos expropriados em 2000, durante o programa de reforma agrária do então Presidente Robert Mugabe, anunciou hoje o ministro das Finanças zimbabweano.

“Salientei os progressos na compensação pelas terras, com 820 milhões de dólares pagos aos antigos proprietários de quintas, a par das reformas em curso no domínio da propriedade fundiária e da governação”, declarou Mthuli Ncube, na rede social X (antigo Twitter).

O ministro pronunciou-se após ter participado, na terça-feira, na reunião anual do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial, realizada em Banguecoque, capital da Tailândia, na qual também partilhou os avanços do Zimbabwe em matéria de estabilização macroeconómica.

Esta nova actualização dos números surge após o Governo zimbabweano ter anunciado, em 29 de Setembro, que tinha desembolsado cerca de 521 milhões de dólares em indemnizações e que um total de 623 agricultores tinham beneficiado dessas compensações em três fases.

O governante não forneceu novos dados sobre os números de agricultores beneficiados por esta medida.

O pagamento de compensações aos proprietários das explorações agrícolas constitui um passo importante no processo de liquidação dos pagamentos em atraso e na resolução da avultada dívida contraída por este país da África Austral, em incumprimento desde 1999, a fim de recuperar a confiança dos credores internacionais.

O Governo do já falecido Robert Mugabe, que dirigiu o país com mão de ferro entre 1980 e 2017, quando foi afastado do poder pelos militares, expropriou em 2000 cerca de 4.000 agricultores brancos das terras a que tinham acedido na época colonial, num momento em que o país vivia uma recessão económica.

Os agricultores brancos desempenharam um papel fundamental na economia agrícola até 2000, produzindo tabaco e produtos hortícolas, como flores, para exportação. A população negra começou então a ocupar de maneira informal os campos que ficaram vazios.

Utilizadores do serviço de transporte da City Link já podem efectuar  pagamento das viagens através da carteira móvel M-pesa.  A Vodafone M-Pesa e a transportadora assinaram, ontem, um memorando que oferece uma alternativa ao pagamento tradicional das viagens.

Pagar uma viagem de transporte poderá tornar-se tão simples quanto enviar dinheiro pelo telemóvel. É o que vai produzir  esta assinatura de memorando entre a Vodafone M-pesa e a transportadora City Link. 

O acordo rubricado, nesta quarta-feira, pretende criar um sistema que permite efectuar o pagamento de bilhetes de viagens através da carteira móvel M-Pesa.

Segundo os signatários, o memorando aproxima duas realidades que fazem parte da rotina quase diária de milhares de cidadãos, o transporte e o telemóvel. Com a integração, os passageiros passam a ter uma alternativa ao pagamento tradicional.

O Instituto de Cereais de Moçambique suspendeu, por tempo indeterminado, as operações de importação de arroz e trigo pela Companhia Industrial da Matola, pela África Indústria e da Pembe Mozambique, devido à violação do decreto ministerial que rege a importação de cereais no país.  A suspensão vigora desde 13 de outubro do ano em curso. 

Segundo o Instituto de Cereais  de Moçambique (ICM), a Companhia Industrial da Matola, a África Indústria e Pembe Mozambique violaram o diploma ministerial  que designa o ICM como agente exclusivo do Estado para a condução da importação de arroz e trigo.

“É designado o Instituto de Cereais de Moçambique (ICM, IP) como agente do Estado com mandato para conduzir o processo de importação de cereais, especificamente o arroz e trigo, para o país, sem prejuízo de intervenção, nos termos da lei, de seus parceiros e demais agentes económicos na materialização da importação dos aludidos cereais”, diz o Diploma Ministerial no seu Artigo 1.

No Artigo 2, o diploma indica que “Compete ao ICM, IP, a disponibilização onerosa do arroz e trigo aos agentes económicos para a comercialização no mercado nacional.” 

De acordo com o comunicado a que o “O País” teve acesso, a anulação da suspensão depende da regularização das operações com base no cumprimento do quadro normativo.  

“A medida vigorará até à regularização das situações que deram origem à suspensão, mediante o cumprimento integral da legislação em vigor. A medida resulta da realização reiterada de importações irregulares, sem a devida autorização do ICM, IP, em violação do quadro normativo em vigor, designadamente o Diploma Ministerial n.º 132/2025, de 31 de Dezembro, que designa o ICM, IP, como agente exclusivo do Estado para a condução da importação de arroz e trigo, bem como do Diploma Ministerial n.º 31/2026, de 24 de Abril, que aprova os Mecanismos e os Procedimentos Operacionais para a Importação destes produtos”, lê-se.

No âmbito da medida, foram apreendidas 3.300 toneladas de trigo importadas irregularmente pela Companhia Industrial da Matola, SA, no dia 9 de Outubro de 2026, através do Porto da Matola, 6.000 toneladas de trigo da Pembe Mozambique e 25.000 toneladas de arroz da África Indústria que serão revertidos a favor do Estado caso não haja regularização da situação.

CIM RECORRE DA DECISÃO DO ICM

A Companhia Industrial da Matola (CIM) rejeita a legalidade da sua suspensão da importação de arroz e trigo pelo Instituto de Cereais de Moçambique e submeteu ao Tribunal Administrativo duas providências para travar a medida do ICM.

Através de um comunicado, a Companhia Industrial da Matola se posicionou depois da sua suspensão das operações de importação de arroz e trigo pelo Instituto de Cereais de Moçambique.

A Companhia diz ter tomado conhecimento da decisão através da comunicação social e que não foi notificada sobre a decisão.

“A CIM não foi notificada de qualquer processo de transgressão que pudesse fundamentar tal suspensão, não foi previamente ouvida, nem lhe foi concedida a oportunidade de responder às alegações. É, por conseguinte, juridicamente inadmissível aplicar uma sanção de tal gravidade sem que a CIM seja previamente informada dos factos que lhe são imputados e lhe seja assegurado o correspondente direito de defesa”, lê-se no comunicado.

A Companhia diz ainda que “importa igualmente esclarecer que a CIM, no exercício das garantias legais conferidas pela Constituição da República de Moçambique e demais legislação aplicável num Estado de Direito, instaurou devidamente processos judiciais junto do Tribunal Administrativo, visando a declaração de nulidade das normas invocadas pelo ICM para impor aquilo que a CIM considera ser um regime monopolístico e ilegal de importação de cereais.”

O comunicado refere ainda que “o ICM já foi formalmente citado/notificado pelo Tribunal Administrativo, encontrando-se, por conseguinte, juridicamente vinculado aos efeitos dessa citação/notificação e devendo abster-se de iniciar ou prosseguir a actuação administrativa impugnada contra a CIM. A CIM considera, assim, que o ICM deve conformar a sua actuação com os processos judiciais em curso e abster-se de qualquer intervenção incompatível com essa posição jurídica.”

A Companhia Industrial da Matola diz rejeitar a qualificação desta operação como uma “importação irregular”, por ter sido submetida aos procedimentos aduaneiros aplicáveis e às Autoridades Aduaneiras de Moçambique autorizarem a descarga das 3.300 toneladas de trigo.

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