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A produção de folha de tabaco continua a aumentar em África, com Moçambique entre os cinco maiores produtores do continente. A tendência está a preocupar a Organização Mundial da Saúde (OMS), que alerta para os impactos do cultivo na saúde, no ambiente e nos meios de subsistência dos agricultores.

Segundo a mais recente análise da OMS, a produção mundial de folha de tabaco caiu cerca de 19% entre 2012 e 2024. Em África, porém, registou-se um aumento de quase 9% no mesmo período.

Os dados mostram ainda que as despesas dos países africanos com a importação de cigarros mais do que duplicaram, passando de 833 milhões de dólares, em 2012, para 1,77 mil milhões de dólares, em 2024.

Em 2024, África foi responsável por cerca de 11% da produção mundial de folha de tabaco, com 639 mil toneladas. A produção está concentrada sobretudo no Zimbabué, Maláui, Tanzânia, Moçambique e Uganda, que lideram a produção no continente. Só a África Oriental responde por quase 90% da produção africana.

A OMS alerta que o cultivo de tabaco consome terras, água e outros recursos naturais que poderiam ser destinados à produção alimentar e a actividades económicas mais sustentáveis. A cultura está também associada à degradação dos solos, uso de pesticidas, desflorestação e emissão de gases com efeito de estufa durante o processo de cura das folhas.

Os agricultores estão igualmente expostos a riscos para a saúde, incluindo a chamada doença do tabaco verde, provocada pela absorção de nicotina através da pele durante o contacto com folhas húmidas, além da exposição a pesticidas e ao pó do tabaco.

A organização alerta ainda para o envolvimento de crianças no cultivo em alguns países de baixo e médio rendimento, onde menores de famílias pobres chegam a abandonar a escola para ajudar nas actividades agrícolas e complementar o rendimento familiar.

Para a OMS, o problema ultrapassa a questão do controlo do tabaco e envolve também saúde, comércio, desenvolvimento e ambiente. A organização considera que, na maioria dos países africanos, o contributo económico da produção e exportação de tabaco é limitado face aos custos sociais, ambientais e de saúde.

A agência das Nações Unidas defende, por isso, que os países promovam alternativas economicamente viáveis para os agricultores e trabalhadores do sector, ao mesmo tempo que reforçam a protecção da saúde humana e do ambiente.

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Cerca de 400 vendedores, transportadores e populares mantêm o braço de ferro contra a desativação das paragens e a retirada das bermas da N1, em Chongoene. A medida, que visa travar acidentes na zona do Mercado Senta-Baixo, continua a gerar protestos e deixa parte dos vendedores novamente exposta à estrada. A população acusa a Polícia de ter efetuado disparos durante a dispersão dos manifestantes, que terão ferido um vendedor.

O distrito de Chongoene continua agitado com vendedores a rejeitarem a ordem de retirada das bermas da Estrada Nacional Número Um, na zona do Mercado Senta Baixo.

Apesar do risco de acidentes reconhecido pelos próprios vendedores, estes dizem não aceitar abandonar o local sem que lhes seja indicado um espaço com condições para o exercício da actividade.

“Não, nós não somos cães, nós somos pessoas, nós também somos moçambicanos. Há ou não perigo de acidente? Há perigo, aqui onde estamos, há perigo. Nós queremos que nos tirem daqui e voltemos para a nossa paragem ali, porque desde há muito tempo estamos ali a vender, estamos ali a exercer as nossas actividades.”, exigiu a Vendedeira, Carlote Bunga.

A contestação estende-se aos transportadores e passageiros, que criticam a desactivação das paragens e dizem que a medida está a dificultar a mobilidade e a aumentar os custos das viagens.

“A trânsito vai levar caro, não dá para trazer… já não conseguimos esses 2.500, não dá para conseguir, são 1.000 meticais.”, lamentou um chepeiro.

Os transportadores dizem ainda que vivem num cenário de incerteza, entre cumprir as novas orientações e evitar multas.

“É barulho com passageiros, porque outros vão para lá, nós vamos parar aqui, porque se parar aqui, multa. Estamos a ver uma lenga-lenga aqui, troca das paragens, isso já dificulta muito a nossa vida.”

A tensão aumentou na terça-feira, quando vendedores e populares se concentraram em frente do Governo do Distrito de Chongoene para protestar contra a retirada. Os manifestantes acusam a Polícia de ter recorrido a disparos para dispersar a concentração.

“O povo não aceitou isso aí, houve disparos, são balas. O comandante disparou a arma três vezes contra aquele senhor.”

Enquanto alguns vendedores já abandonaram o Senta Baixo e se instalaram no exterior do Mercado da Paz, continuam expostos aos riscos da Estrada Nacional Número Um.

E a situação ganha contornos ainda mais contraditórios quando se observa o espaço destinado aos vendedores no interior do mercado.

“Que aquilo não está a funcionar, o espaço que estava a ser usado para o mercado parece que tem dono.”

No local, o espaço permanece praticamente abandonado e coberto de capim, numa altura em que as autoridades reforçam a presença policial para garantir a ordem e fazer cumprir a decisão de retirada.

Os vendedores dizem compreender a necessidade de segurança, mas exigem condições antes de abandonar definitivamente as bermas.

“Se ele nos tirar aqui, ele nos dá um sítio que tem condições, isso podemos sair, nos indemnizar, porque já temos ao passo de cinco anos aqui.”

 A Administração Nacional de Estradas ANE alertou  sobre os riscos de permanência na zona, sobretudo tendo em conta futuras intervenções na estrada.

Artistas e académicos convidados para a Conferência Nacional de Quadros da FRELIMO, que decorre em Chimoio, reagiram positivamente ao discurso de abertura do Presidente do partido, Daniel Chapo.

Para os convidados, a intervenção marca um “regresso às raízes”, com um olhar para o futuro, e traz orientações concretas para o desenvolvimento do país.

Uma das vozes ouvidas destacou a referência feita a grandes líderes históricos da FRELIMO.

“A constante referência é Eduardo Mondlane e Samora Machel, primeiro e segundo presidentes da FRELIMO, assim como Nelson Mandela, que foi líder do ANC, partido sul-africano. São figuras que ajudaram a construir as independências e que tinham ideias claras sobre o bem-estar do povo. Daniel Chapo está a regressar às raízes para poder depois conseguir caminhar. E eu até respirei um pouco de ar puro, porque esses são os nossos grandes líderes, aqueles que nos guiaram para grandes realizações”, afirmou.

Na mesma intervenção, foi levantada a questão do alinhamento entre a governação e o desejo do povo.

“Será que é para regressarmos ao ponto de partida e corrigir o que está errado? Não sei, porque o que eu senti nos últimos tempos é que parece ter havido um desfasamento entre a governação e o desejo do povo, o que é contrário aos princípios desses homens que eu mencionei”, disse.

Para o músico Isaú Meneses, o discurso trouxe clareza e uma nova orientação para os membros do partido.

“É um discurso muito cheio de conteúdo, um discurso inovador, um discurso que esclarece muitas coisas. Penso que é um discurso que definitivamente não deixa dúvidas a ninguém sobre qual é o rumo que nós devemos tomar para desenvolver Moçambique e para reorganizar a nossa…”, declarou.

Do lado académico, o docente Paulo Wache viu no discurso a continuidade do compromisso assumido na tomada de posse, mas com provas concretas.

“A tomada de posse foi aqui trazida com alguma diferença específica, que é as evidências que ele apresenta. Quer dizer, já não é um discurso de aspiração, é um discurso que ele já traz elementos que provam. Um dos exemplos que fixei logo foi o exemplo da lei sobre recursos minerais e hidrocarbonetos”, explicou.

Paulo Wache destacou ainda o enfoque na industrialização como caminho para o emprego.

“O outro aspecto importante que é realçado é a questão da industrialização. Os recursos naturais devem ser extraídos, mas não podem ser transformados fora do país, devem ser transformados aqui na indústria nacional, para produzir emprego”, sublinhou.

Para o académico, a mensagem de Chapo acompanha o momento do país e do partido, projectando o futuro.

“Acho que quando ele diz que tem a experiência que tem, mas a renovação é importante, é para enquadrar aquilo que o contexto nacional e global representa. Os desafios da experiência devem ser usados, mas sobretudo tem que olhar para as questões de renovação, para assegurar que a FRELIMO continue moderna, actual e possa responder aos desafios do país e dos moçambicanos. Creio que é uma mensagem muito forte”, concluiu.

O escritor moçambicano Miguel Luís lançou ontem, na cidade de Maputo, o livro “A Terra Ainda Está Zangada”. A obra retrata o drama da exploração dos recursos minerais e a luta das comunidades pelos benefícios da sua terra.

Em 25 capítulos, Miguel Luís percorre os rios Pungué e Revue, nas províncias de Sofala e Manica. Em 170 páginas, o escritor aborda o drama da exploração desenfreada dos recursos naturais, a injustiça e a luta das comunidades pelos benefícios da sua terra.

Na história do livro, Miguel Luís convida o país a uma reflexão sobre a sua estabilidade, segurança e as suas consequências, sobretudo para a juventude.

“A Terra Ainda Está Zangada” é um romance lançado esta quinta-feira, na capital moçambicana, depois de dois lançamentos na Beira e em Chimoio.

Até Novembro deste ano, o escritor prevê disponibilizar o livro em Portugal, país europeu onde reside e trabalha há 10 anos.

A capital da província de Manica acolhe, estes dias, um conclave que se afigura determinante para o futuro político da Frelimo e, por extensão, do próprio Estado moçambicano. Mais do que um exercício de reflexão interna, a 11.ª Conferência Nacional de Quadros é apresentada como o laboratório de ideias onde se forjará o novo pacto de compromisso entre o partido e a sociedade.

Em declarações aos jornalistas, Edson Macuácua foi decisivo ao definir a tónica do encontro. Para o dirigente, o país atravessa um contexto ímpar, em que o Presidente do partido, Daniel Chapo, lançou à actual geração o desafio histórico da independência económica. “Temos aqui uma oportunidade soberana para aprofundar este paradigma da agenda nacional”, afirmou Macuácua, perspectivando que a conferência funcione como um catalisador para a coesão interna.

O objectivo, segundo o responsável, é claro: sair de Chimoio com maior união e, sobretudo, com “mais clareza sobre os passos e os caminhos” que o partido deve prosseguir. Esta nova agenda é encarada por Macuácua como uma “nova epopeia” que deverá culminar na preparação do XIII Congresso da Frelimo. “Espero que o congresso que se avizinha seja um momento de coroação e consolidação da visão e da missão de conquistar a independência económica de Moçambique, sob a liderança do Presidente Daniel Francisco Chapo”, declarou.

Sobre a abrangência dos temas a debater, Edson Macuácua fez questão de afastar qualquer ideia de condicionamento. Sendo a conferência um órgão de carácter consultivo, o dirigente garantiu que o debate não terá limites temáticos. “É uma agenda aberta, que permite que todos os aspectos da vida política, económica, social e cultural possam ser objecto de debate sem restrição”, assegurou.

O processo de auscultação da agenda pública, que decorre em paralelo, servirá de suporte a esta reflexão. Macuácua lembrou que os participantes na conferência são, antes de tudo, cidadãos que integram o tecido social do país e que têm participado activamente no diálogo nacional. Assim, temas estruturantes como a economia, a consolidação da democracia e os desafios culturais e sociais, estarão, segundo o dirigente, no centro das preocupações dos quadros, reflectindo a preocupação do partido em sintonizar a sua actuação com as reais aspirações da população moçambicana. 

 

A cidade de Chimoio tornou-se, nestes dias, o epicentro da vida política moçambicana. Três mil delegados e convidados convergem para a capital da província de Manica, no âmbito da 11.ª Conferência Nacional de Quadros da Frelimo, um encontro que marca o regresso deste formato após uma década de interrupção. O ambiente é de expectativa e responsabilidade, num momento em que a formação política que governa o país se prepara para definir as linhas mestras da sua estratégia futura.

No centro das atenções, a intervenção de Graça Machel trouxe uma reflexão contundente sobre o papel do partido perante os desafios sociais. Ao interpelar os presentes sobre o que se pode esperar do encontro, Machel foi clara a conferência não pode limitar-se a exercícios retóricos. Para a histórica figura da Frelimo, o objectivo fundamental é o de confrontar, com coragem, os problemas que ainda afligem a nação, nomeadamente a pobreza, o analfabetismo, a escassez de água e o flagelo da fome.

“Temos de sair desta reunião tendo discutido os principais problemas que consideramos que o partido tem de atender e propor soluções para daqui trabalharmos com o povo”, defendeu Graça Machel, sublinhando que a tarefa central é a criação de uma “ligação profunda” entre o partido, os seus membros e as largas massas populares. Machel insistiu que a acção política deve transcender a teoria, exigindo o engajamento de todas as forças vivas da sociedade para transformar a realidade económica e social do país. “Essa é a linguagem que eu conheço”, reiterou, apelando a que a consciência colectiva se traduza numa actuação prática e resolutiva.

 

A Conferência Nacional de Quadros, que decorre sob a direcção do Presidente do partido, Daniel Francisco Chapo, surge numa fase de reorganização interna. Este encontro serve, igualmente, de preparação para os desafios que se avizinham, incluindo a IV Sessão Extraordinária do Comité Central, agendada para o próximo dia 26 de Agosto, também em Chimoio.

Na abertura da 11.ª Conferência Nacional de Quadros do Partido Frelimo, que decorre na cidade de Chimoio, província de Manica, o Secretário do partido, Chakil Aboobakar, dirigiu-se aos presentes numa intervenção pautada pela reflexão sobre o rumo político e governativo do país.

Num discurso marcado pela necessidade de renovação e de uma ligação mais profunda com as expectativas do povo moçambicano, Aboobakar salientou a importância de descodificar o pensamento que orienta a actual liderança. O dirigente recordou o momento da tomada de posse do Presidente da República e Presidente do Partido, notando que, desde então, a grande interrogação que ecoava entre os cidadãos  e entre os próprios membros da Frelimo  residia na visão estratégica que definiria a governação.

“Queríamos perceber com profundidade o pensamento do nosso Presidente”, afirmou Chakil Aboobakar, sublinhando que o tempo de espera para compreender os resultados da governação, num período de um ano e meio, foi um exercício necessário e justificado. Para o Secretário, os indicadores actuais falam por si, dispensando explicações suplementares sobre o que é visível ao olhar da sociedade.

Contudo, o ponto alto da intervenção foi a expectativa em torno da formalização desse pensamento. Ao referir-se à disponibilidade do Presidente em registar a visão que deve orientar o Partido e o Governo neste ciclo político, Aboobakar expressou satisfação, classificando este momento como fundamental para a “renovação” e para a concretização das esperanças de futuro que o país almeja.

O Secretário do Partido concluiu a sua alocução convidando o Presidente a partilhar, de forma estruturada, o pensamento e a estratégia que servirão de bússola para o Executivo e para a Frelimo, reforçando que a missão primordial de ambas as estruturas é, e continuará a ser, o trabalho em prol do povo moçambicano. 

A Sociedade Moçambicana de Medicamentos (SMM) terminou 2025 com um prejuízo consolidado de 74,6 milhões de meticais, depois de ter registado um lucro de 639,9 milhões no ano anterior. A empresa viu as vendas recuarem 35,5% e reconhece que o facto gera uma exposição crescente aos riscos de crédito e liquidez.

A Sociedade Moçambicana de Medicamentos (SMM), empresa detida a 100% pelo Instituto de Gestão das Participações do Estado (IGEPE), fechou o exercício económico de 2025 com uma forte deterioração dos seus resultados financeiros, passando de um lucro consolidado de 639,9 milhões de meticais, em 2024, para um prejuízo de 74,6 milhões, no ano passado.

Os dados constam do relatório e contas da empresa, referente ao exercício findo em 31 de Dezembro de 2025, disponibilizado pelo IGEPE, e revelam uma inversão de cerca de 714,5 milhões de meticais no resultado anual.

A principal pressão sobre o desempenho da empresa veio da redução das vendas. As receitas consolidadas provenientes da venda de bens e serviços caíram de 340,7 milhões de meticais, em 2024, para 219,8 milhões em 2025, uma redução de 120,9 milhões, equivalente a 35,5%.

A queda da facturação ocorreu num período em que a empresa continuou a suportar custos operacionais significativos. Os gastos com pessoal aumentaram de 33,6 milhões para 35,5 milhões de meticais, enquanto os fornecimentos e serviços de terceiros passaram de 28,2 milhões para 44,2 milhões.

As amortizações foram uma das rubricas que mais pressionaram as contas, tendo subido de 41,7 milhões para 89,2 milhões de meticais.

O efeito conjugado da redução das receitas com o aumento de vários custos levou o resultado operacional consolidado a aprofundar-se no vermelho. Em 2025, o Grupo SMM registou um resultado operacional negativo de 65,8 milhões de meticais, contra 30,7 milhões negativos no exercício anterior.

Apesar do prejuízo registado pelo grupo, a Sociedade Moçambicana de Medicamentos, individualmente, terminou 2025 com um resultado positivo de 10,1 milhões de meticais. O valor, contudo, representa uma quebra de aproximadamente 98,5% face aos 674,7 milhões de meticais de lucro registados em 2024.

O relatório recomenda, por isso, cautela na comparação directa dos resultados dos dois exercícios. Em 2024, tanto o Grupo como a SMM individual beneficiaram de um resultado extraordinário de 667,4 milhões de meticais.

Segundo o documento, os resultados extraordinários daquele exercício decorreram, essencialmente, da valorização da participação financeira da SMM na Indústria Farmacêutica de Moçambique, Lda.

Essa operação não se repetiu em 2025, deixando a empresa mais dependente do desempenho da sua actividade corrente. Assim, a passagem de um lucro excepcionalmente elevado para um resultado negativo resulta da combinação entre a ausência daquele ganho extraordinário e a deterioração dos indicadores operacionais.

Para além da queda das vendas, as contas revelam pressão sobre a tesouraria da empresa. A caixa e os depósitos bancários do Grupo terminaram 2025 em cerca de 10,1 milhões de meticais, contra 46,9 milhões no fim de 2024, uma redução superior a 36 milhões de meticais.

É, contudo, na gestão dos riscos que o relatório apresenta alguns dos sinais mais relevantes para a situação financeira da empresa.

Ao analisar o risco de crédito, observa-se no documento que “a SMM tem um risco significativo de crédito porquanto as suas vendas são realizadas a crédito”.

A exposição máxima a este risco aumentou de 137,4 milhões de meticais, em 2024, para 157,6 milhões em 2025. Do total, 87,2 milhões correspondiam a valores de clientes e 70,3 milhões a devedores diversos.

Ou seja, num ano em que a empresa vendeu menos 35,5%, aumentou simultaneamente o montante exposto ao risco de não cobrança. A capacidade de transformar vendas em dinheiro disponível passa, assim, a assumir maior importância para a sustentabilidade financeira da SMM.

O relatório também chama a atenção para o risco de liquidez, particularmente relevante num contexto de redução da caixa e manutenção de compromissos financeiros.

“O risco de liquidez é o risco de a empresa não ter capacidade financeira para satisfazer os seus compromissos associados a instrumentos financeiros quando estes vencem”, lê-se no documento.

Para fazer face a este risco, a administração explica que acompanha os prazos dos activos e passivos e projecta os fluxos de caixa futuros. A estratégia passa por “manter o equilíbrio entre a continuidade do financiamento e a flexibilidade”, recorrendo, entre outros mecanismos, a descontos bancários, locações financeiras e à cobrança das vendas e prestações de serviços.

A necessidade de reforçar a liquidez ganha peso tendo em conta que o Grupo apresentava, no fim de 2025, empréstimos obtidos de 358,3 milhões de meticais. Deste montante, 284,5 milhões correspondiam a financiamento de médio e longo prazo associado à PHARMATECH FZCO.

O relatório esclarece, entretanto, que a classificação desse financiamento foi corrigida, sem impacto no total dos passivos, no capital próprio ou nos resultados apresentados.

As contas identificam ainda uma retribuição contingente de 48,6 milhões de meticais decorrente de um acordo extrajudicial celebrado com o Banco Nacional de Investimentos, em Outubro de 2024.

Apesar da deterioração dos resultados, os auditores independentes não identificaram matéria que os levasse a pôr em causa as demonstrações financeiras apresentadas pela empresa.

Na sua opinião, as demonstrações financeiras consolidadas e individuais apresentam “de forma apropriada, em todos os aspectos materiais”, a posição financeira da SMM a 31 de Dezembro de 2025, assim como o seu desempenho financeiro e os fluxos de caixa do exercício.

A administração, por sua vez, afirma ter preparado as demonstrações financeiras com base no pressuposto da continuidade das operações e declara não ter conhecimento de qualquer situação que possa colocar em causa a continuidade da empresa num futuro previsível.

O prejuízo de 74,6 milhões de meticais não significa, por si só, que a SMM esteja em situação de insolvência ou tenha interrompido as suas operações. A empresa continua a apresentar activos relevantes e mantém uma participação de 49% na Indústria Farmacêutica de Moçambique, avaliada em 1,176 mil milhões de meticais.

Ainda assim, os resultados de 2025 expõem uma deterioração que vai além da simples queda do lucro. A empresa vendeu menos, agravou o resultado operacional, terminou o exercício com uma disponibilidade de caixa significativamente inferior e aumentou a exposição ao risco de crédito.

Para uma empresa pública considerada estratégica no sector farmacêutico, a recuperação dependerá agora da capacidade de aumentar as vendas, acelerar a cobrança de valores em dívida, controlar os custos e melhorar a geração de caixa.

Depois de um 2024 impulsionado por um ganho extraordinário superior a 667 milhões de meticais, a SMM encerra 2025 numa posição que exige maior desempenho da actividade operacional. O desafio passa por transformar a capacidade produtiva e os activos que ainda detém em receitas recorrentes e liquidez suficiente para sustentar as suas operações.

 

Os ingleses do Sunderland mantêm Geny Catamo no radar. O clube britânico fez chegar a Alvalade uma proposta de 30 milhões de euros fixos, acrescida de dez milhões em variáveis. Apesar de a oferta ter sido rejeitada pela SAD verde e branca, o emblema inglês manifestou de imediato a intenção de subir a fasquia pelo internacional moçambicano. Contudo, até ao momento, esse novo avanço formal ainda não deu entrada nos gabinetes leoninos.

Na estrutura do Sporting há uma certeza: quanto mais perto estiver o fecho da janela de transferências (4 de Setembro), mais difícil será negociar para os black cats. As exigências financeiras dos leões aumentarão à medida que o tempo escasseia, uma vez que a margem de manobra para encontrar um substituto para o corredor direito do ataque ficará cada vez mais reduzida, pois para essa posição apenas ficarão disponíveis Luís Guilherme e Salvador Blopa, que vagueará entre os treinos da equipa principal e os jogos da equipa B quando recuperar da lesão muscular que o retém no departamento médico desde a reta final da época passada.

Do ponto de vista do jogador, o entendimento com a equipa orientada por Régis Le Bris não deverá constituir um obstáculo. Em Inglaterra, o extremo tem à espera um salário cerca de cinco vezes superior ao que aufere em Alvalade, a que se soma o atrativo de alinhar na Premier League e também de continuar nas competições europeias, pois o Sunderland participará na Liga Europa.

Depois de 13 anos de sucesso no desporto motorizado, marcado por várias conquistas do pódio no Campeonato de Karting CKA e nas corridas de velocidade pela equipa da Fivestar Óptica Racing, a dupla de irmãos Jeffrey e Carmo Novela Jr teve uma despedida gloriosa das pistas Nacionais no ATCM.

Os talentosos pilotos da Fivestar Óptica Racing #05 e #55 vão abrir uma nova página académica na Europa, mais com o desporto motorizado e o ATCM que os formou como pilotos na academia de Karting Cristiano Morgado no coração. A despedida dos emblemáticos pilotos Jeffrey e Carmo Novela Jr das pistas Nacionais, ocorreu com sucesso na 4ª prova do Troféu ATCM realizada com sucesso no Autódromo Internacional de Maputo.

Em pista, os dois pilotos representaram muito bem a Fivestar Óptica Racing nos carros #05 e #55. Na disputa das quatro (4) mangas, Jeffrey Novela conquistou o pódio com sucesso e superou a forte concorrência dos seus adversários directos nomeadamente: os pilotos Nico Banze da Fivestar Racing #50 que terminou a corrida em 3º. lugar e Rui Vilela da Blutech Racing Team #99 que conquistou o 2.º lugar na geral. 

Com esta vitória conquistada por Jeffrey Novela, a Fivestar Óptica Racing #05 deu um passo importante na luta pela conquista do título na presente época. Entretanto, com a saída dos dois (2) pilotos do País para Europa onde vão dar seguimento a formação académica, a equipa promete dar continuidade ao legado deixado pelos dois pilotos internacionais moçambicanos no desporto motorizado e no ATCM, a catedral do roncar dos motores no País.

Refira-se que a próxima corrida do Troféu ATCM a 5.º do único Campeonato de velocidade de Moçambique organizado e promovido pelo ATCM membro da FIA está agendada para 26 de Setembro no Autódromo Internacional de Maputo.

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