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O País – A verdade como notícia

Vendedores, transportadores e populares  em Chongoene voltam a protestar contra retirada do “senta baixo”

Cerca de 400 vendedores, transportadores e populares mantêm o braço de ferro contra a desativação das paragens e a retirada das bermas da N1, em Chongoene. A medida, que visa travar acidentes na zona do Mercado Senta-Baixo, continua a gerar protestos e deixa parte dos vendedores novamente exposta à estrada. A população acusa a Polícia de ter efetuado disparos durante a dispersão dos manifestantes, que terão ferido um vendedor.

O distrito de Chongoene continua agitado com vendedores a rejeitarem a ordem de retirada das bermas da Estrada Nacional Número Um, na zona do Mercado Senta Baixo.

Apesar do risco de acidentes reconhecido pelos próprios vendedores, estes dizem não aceitar abandonar o local sem que lhes seja indicado um espaço com condições para o exercício da actividade.

“Não, nós não somos cães, nós somos pessoas, nós também somos moçambicanos. Há ou não perigo de acidente? Há perigo, aqui onde estamos, há perigo. Nós queremos que nos tirem daqui e voltemos para a nossa paragem ali, porque desde há muito tempo estamos ali a vender, estamos ali a exercer as nossas actividades.”, exigiu a Vendedeira, Carlote Bunga.

A contestação estende-se aos transportadores e passageiros, que criticam a desactivação das paragens e dizem que a medida está a dificultar a mobilidade e a aumentar os custos das viagens.

“A trânsito vai levar caro, não dá para trazer… já não conseguimos esses 2.500, não dá para conseguir, são 1.000 meticais.”, lamentou um chepeiro.

Os transportadores dizem ainda que vivem num cenário de incerteza, entre cumprir as novas orientações e evitar multas.

“É barulho com passageiros, porque outros vão para lá, nós vamos parar aqui, porque se parar aqui, multa. Estamos a ver uma lenga-lenga aqui, troca das paragens, isso já dificulta muito a nossa vida.”

A tensão aumentou na terça-feira, quando vendedores e populares se concentraram em frente do Governo do Distrito de Chongoene para protestar contra a retirada. Os manifestantes acusam a Polícia de ter recorrido a disparos para dispersar a concentração.

“O povo não aceitou isso aí, houve disparos, são balas. O comandante disparou a arma três vezes contra aquele senhor.”

Enquanto alguns vendedores já abandonaram o Senta Baixo e se instalaram no exterior do Mercado da Paz, continuam expostos aos riscos da Estrada Nacional Número Um.

E a situação ganha contornos ainda mais contraditórios quando se observa o espaço destinado aos vendedores no interior do mercado.

“Que aquilo não está a funcionar, o espaço que estava a ser usado para o mercado parece que tem dono.”

No local, o espaço permanece praticamente abandonado e coberto de capim, numa altura em que as autoridades reforçam a presença policial para garantir a ordem e fazer cumprir a decisão de retirada.

Os vendedores dizem compreender a necessidade de segurança, mas exigem condições antes de abandonar definitivamente as bermas.

“Se ele nos tirar aqui, ele nos dá um sítio que tem condições, isso podemos sair, nos indemnizar, porque já temos ao passo de cinco anos aqui.”

 A Administração Nacional de Estradas ANE alertou  sobre os riscos de permanência na zona, sobretudo tendo em conta futuras intervenções na estrada.

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