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Os Governos de Moçambique e dos Estados Unidos da América realizaram, esta quinta-feira, em Maputo, uma formação em inteligência artificial e computação em nuvem, em parceria com a empresa tecnológica Google, dirigida a funcionários públicos moçambicanos.

A formação, denominada “Google Super Intelligence (SI) & Cloud Computing”, teve a duração de um dia e abordou as possibilidades de aplicação da inteligência artificial na Administração Pública, a gestão de dados e a utilização de infra-estruturas de computação em nuvem.

A iniciativa contou com a participação de funcionários de vários sectores do Estado, incluindo os Ministérios da Justiça; da Agricultura, Ambiente e Pescas; e das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos.

Orientada por Joylynn Kirui, especialista em inteligência artificial da UpSkill Universe, a formação incidiu sobre quatro áreas: oportunidades da inteligência artificial em África, infra-estruturas de computação em nuvem, políticas de dados e de inteligência artificial, e aplicação destas tecnologias nos serviços públicos.

Durante as sessões, os participantes analisaram possíveis aplicações destas ferramentas nas respectivas instituições, através de estudos de caso, debates e exercícios práticos. O programa incluiu ainda questões relacionadas com a protecção de dados, a privacidade e as medidas necessárias para garantir uma utilização segura e responsável das novas tecnologias.

A iniciativa foi promovida no âmbito da cooperação entre os Governos de Moçambique e dos Estados Unidos, com a participação da Google. Segundo a informação divulgada, a actividade dá continuidade a uma formação virtual destinada a 100 empreendedores moçambicanos e constitui a segunda acção formativa da empresa no país durante o mês de Outubro.

A formação enquadra-se nos esforços de transformação digital da Administração Pública moçambicana e na cooperação económica e comercial entre Moçambique e os Estados Unidos, com envolvimento do sector privado norte-americano.

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As fortes chuvas que atingem o centro da China obrigaram à retirada preventiva de quase 400 mil pessoas nas províncias de Shaanxi e Sichuan, enquanto as autoridades mantêm vários alertas devido ao risco de inundações, cheias e desastres geológicos.

Na província de Shaanxi, as autoridades retiraram preventivamente 115 756 pessoas desde quinta-feira, informou a televisão estatal CCTV.

Na província vizinha de Sichuan, mais de 270 mil pessoas foram retiradas desde 29 de Julho, devido às fortes chuvas, que provocaram desastres geológicos em várias localidades e levaram ao reforço das medidas de prevenção.

Nas últimas horas, a precipitação afetou vastas zonas de Shaanxi, com chuva forte ou torrencial em vários distritos e acumulados superiores a 100 milímetros em diversos pontos da província.

As chuvas provocaram cheias em vários rios e mantiveram elevado o risco de inundações, enquanto as autoridades continuam a acompanhar a evolução da situação.

O Ministério dos Recursos Hídricos informou que 18 rios do país permanecem acima do nível de alerta e advertiu para o risco de novas cheias em rios de pequena e média dimensão entre 4 e 6 de Agosto, sobretudo em zonas de Shaanxi, Sichuan e da cidade de Chongqing.

O Centro Meteorológico Nacional manteve um alerta laranja, o segundo mais elevado do sistema chinês, devido à previsão de chuva intensa em várias regiões do país.

A província de Shaanxi ativou igualmente alertas do mesmo nível para fenómenos meteorológicos severos e risco de desastres secundários.

O Ministério dos Recursos Hídricos manteve um alerta vermelho, o mais elevado do sistema chinês, para o risco de cheias repentinas em zonas montanhosas do centro do município de Chongqing, um território com cerca de 82 400 quilómetros quadrados, semelhante em área à Áustria ou à República Checa.

O episódio junta-se a um verão marcado por fenómenos meteorológicos extremos na China, onde a passagem de vários tufões, as chuvas torrenciais no Sul e Centro do país e os deslizamentos de terras em zonas montanhosas provocaram, nas últimas semanas, dezenas de mortos, centenas de milhares de retiradas preventivas e danos em infra-estruturas, habitações e redes de transporte em várias províncias.

As autoridades continuam também a acompanhar a evolução do tufão Dolphin, que permanece afastado das águas chinesas, mas cuja trajetória posterior em direcção ao mar a leste da China continua incerta.

 

A actual epidemia de Ébola na República Democrática do Congo (RD Congo) já matou mais de 1700 pessoas no leste do país, segundo os dados anunciados pelas autoridades governamentais.

Até ao momento, foram registados 3802 casos, com 1707 mortes, segundo a actualização mais recente do Governo desta nação vizinha de Angola.

Ainda não é claro quando a epidemia atingirá o seu pico, afirmou também hoje o director-geral da agência de saúde pública da União Africa, o Africa CDC, Jean Kaseya, durante a sua segunda visita à cidade de Búnia, perto do epicentro da epidemia.

Kaseya alertou que quase 80% dos novos casos não resultam do rastreio de contactos, mas sim da transmissão comunitária.

Também o director-geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus, chegou ontem à capital congolesa, Kinshasa, e deverá visitar Búnia ainda nesta semana.

A epidemia, declarada a 15 de Maio, foi associado ao vírus Bundibugyo, para o qual não existem vacinas nem tratamentos aprovados.

Atrasos no rastreio de contactos, dificuldades de acesso às áreas afetadas, desconfiança das comunidades e violência por parte de grupos armados e de alguns residentes têm dificultado a resposta, segundo o Africa CDC.

Estão em curso dois ensaios clínicos de medicamentos de profilaxia pós-exposição na província de Ituri, bem como dois ensaios de vacinas distintos, no Reino Unido e no Canadá.

Este episódio epidémico está sobretudo concentrado na remota província de Ituri, no leste da RD Congo, que representa quase 90% dos casos, mas já foram confirmados casos noutras cinco províncias, incluindo numa das maiores cidades do país, Kisangani.

O vizinho Uganda declarou-se livre do Ébola após a alta do último paciente do país, em meados de junho.

Um dos principais desafios é o facto de o paciente zero ainda não ter sido identificado, enquanto os deslocamentos causados pelo conflito armado e pela exploração mineira ilegal na região dificultam o rastreio de milhares de pessoas que estiveram em contacto com infetados.

A OMS comunicou que está a acompanhar mais de 17 mil potenciais contactos, sendo quase 80% deles observados diariamente.

Na segunda-feira, profissionais de saúde na cidade fortemente afectada de Mongbwalu lançaram um ultimato sobre salários em atraso.

Anteriormente, profissionais de saúde em Búnia entraram em greve devido à falta de pagamento e a condições de trabalho perigosas. A OMS afirma que mais de 100 profissionais de saúde foram infectados desde o início desta epidemia, a 17.ª no país.

A instabilidade no Estreito de Ormuz mantém-se, depois de uma embarcação ter sido atingida durante a madrugada desta terça-feira, por um projéctil de origem desconhecida.

O incidente ocorre num momento em que Washington insiste que decorrem negociações com o Irão para reabrir uma das mais importantes rotas marítimas do mundo, enquanto Teerão rejeita qualquer diálogo directo com os Estados Unidos.

O Presidente norte-americano, Donald Trump, garantiu ontem que as conversações com o Irão estão em curso e poderão conduzir à reabertura do Estreito de Ormuz esta terça-feira.

A resposta iraniana foi imediata. O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão negou que existam negociações directas com os Estados Unidos, esclarecendo que os contactos decorrem exclusivamente com Omã, país que procura mediar um entendimento destinado a garantir a segurança da navegação no Estreito de Ormuz.

O estreito permanece, contudo, fortemente condicionado desde o início de Julho, quando fracassou o processo de desanuviamento entre Washington e Teerão e o Irão voltou a restringir a circulação marítima.

Em seis meses, 79 acidentes de trabalho deixaram quase 300 trabalhadores feridos, incluindo 109 mulheres. Os sectores da mineração, construção civil, agricultura e transportes concentram os maiores riscos, enquanto a Inspecção-Geral do Trabalho revela milhares de irregularidades nas empresas fiscalizadas.

Mais de 290 trabalhadores ficaram feridos em consequência de 79 acidentes de trabalho registados de Janeiro a esta parte no país . Os números revelam um cenário preocupante em matéria de segurança laboral, agravado pelas mais de três mil irregularidades detectadas pela Inspecção-Geral do Trabalho nas empresas fiscalizadas, incluindo violações das normas de protecção e incumprimento das obrigações legais.

“Durante o período em análise foram registados 79 acidentes de trabalho, envolvendo 296 trabalhadores, dos quais 109 mulheres. Deste universo, 136 trabalhadores ficaram com incapacidade temporária, 54 com incapacidade permanente parcial e 106 com incapacidade permanente total”, avançou o Secretário de Estado do Género e Acção Social, Abdul Razak.

Nos sectores estratégicos da economia nacional, a segurança laboral continua sob pressão. A mineração, a construção civil, a agricultura e os transportes concentram os maiores desafios, onde a exposição ao risco é agravada por falhas na prevenção, deficiências nos mecanismos de protecção e incumprimento das normas de segurança.

“No primeiro semestre de 2026, a Inspecção-Geral do Trabalho alcançou 92,7% da meta semestral, tendo inspeccionado e fiscalizado 4.365 estabelecimentos laborais. Nessas acções foram detectadas 3.683 infracções, das quais resultaram 3.041 autos de advertência e 642 autos de notícia. Foram igualmente identificados e suspensos 71 trabalhadores estrangeiros em situação laboral irregular.”

Face ao elevado número de acidentes e às irregularidades encontradas, o Secretário de Estado do Género e Acção Social defende uma fiscalização mais rigorosa, com recurso ao Sistema de Gestão de Inspecções Laborais, para identificar e acompanhar empresas reincidentes no incumprimento das normas.

“Este sistema deverá permitir planear as inspecções com base em critérios de risco e identificar empresas reincidentes. Onde houver violação grave, reincidência ou desprezo deliberado pela vida e pelos direitos dos trabalhadores, a lei deve ser aplicada com firmeza. A pedagogia não pode ser confundida com tolerância ao incumprimento”, concluiu.

As declarações foram feitas em Xai-Xai, durante a XI.ª Sessão do Conselho Consultivo da Inspecção-Geral do Trabalho, que reuniu inspectores-gerais e adjuntos, directores de serviços e outros quadros da instituição.

O Presidente da República, Daniel Chapo, recebeu, esta terça-feira, a primeira bispa da Igreja Anglicana de Moçambique e Angola, Filomena Teta das Neves, num encontro marcado pelo reforço da cooperação entre a Igreja e o Estado e pela promoção das relações de amizade entre Moçambique e Angola.

Durante a audiência, foram abordados temas ligados à inclusão social, ao empoderamento das mulheres e à valorização da juventude, áreas consideradas fundamentais para o desenvolvimento dos dois países.

À saída do encontro, a líder religiosa destacou a importância do diálogo e da cooperação entre instituições, defendendo o fortalecimento das ligações entre a Igreja e a sociedade, bem como entre Moçambique e Angola.

A bispa reiterou ainda o compromisso da Igreja Anglicana em continuar a contribuir para o desenvolvimento espiritual e social das duas nações, sublinhando a necessidade de reforçar o investimento nas mulheres e nos jovens.

Mattias Grafstrom, secretário-geral da FIFA, lamenta “série reprovável e triste de eventos” protagonizados por Gianni Infantino que são “difíceis de compreender e aceitar”, numa mensagem enviada aos funcionários do organismo.

Um email enviado pelo secretário-geral da FIFA, Mattias Grafstrom, aos próprios funcionários do organismo foi divulgado nesta terça-feira pela estação televisiva britânica Sky News, deixando ainda mais delicada a situação que Gianni Infantino atravessa na presidência do mesmo.

“Uma série reprovável e triste de eventos – que foram, felizmente, concluídos com o projecto da FFE a ser permanentemente abandonado – por muito consternados que nos possam deixar, não deveriam ofuscar esta realidade”, pode ler-se, referindo-se à FIFA Forward Enterprise, subsidiária que seria aberta a investimento privado e que teria como objetivo concentrar as operações comerciais das provas organizadas pelo organismo (entre elas, o Campeonato do Mundo).

“Todos fomos colocados no meio de uma confusão que é difícil de compreender e aceitar, mas, enquanto secretário-geral, apelo-vos a que e mantenham focados naquilo que nos uniu: o serviço ao futebol e o serviço às nossas 211 federações-membro, de mão dada com todos os ‘stakeholders’ relevantes e em total concordância com os Estatutos da FIFA e os Regulamentos da FIFA”, prossegue.

“Garanto-vos que, enquanto membros da administração, vocês vão ser defendidos e salvaguardados do contexto político de que vivemos, neste momento. Não precisam de se preocuparem. Indivíduos, momentos instáveis e episódios infelizes vão e vêm. A instituição, a sua missão e a sua responsabilidade para com o futebol continue, e é por isso que devemos manter sempre o nosso profissionalismo, sentido de perspetiva e compostura”, completa.

A terminar, Mattias Grafstrom (que está ao lado de Gianni Infantino desde que este sucedeu a Sepp Blatter na presidência da FIFA, em fevereiro de 2016) agradece aos funcionários pelo seu “compromisso e resiliência”, assim como pela “dedicação ao futebol”: “Também quero que saibam que a minha porta continua aberta para vocês, e vou continuar a apoiar as nossas equipas, o nosso trabalho e a nossa missão, a cada hora do dia, enquanto o meu trabalho for valorizado por aqueles que servimos”.

GIANNI INFANTINO VIRA-SE PARA DONALD TRUMP

A proposta da FFE, recorde-se, foi lançada no fim da passada semana, mas acabou por cair prontamente por terra, por conta do repúdio de UEFA, CONCACAF e AFC, que totalizam mais de metade dos votos das 211 federações-membro que compõem a FIFA. Um cenário que coloca, inclusive, a continuidade de Gianni Infantino na presidência do organismo.

Com eleições agendadas para 18 de Março de 2027 (o prazo de candidaturas termina já a 18 de Novembro), o ítalo-suíço contava já com mais de 200 cartas de apoio, e acreditava mesmo que iria a votos sem qualquer tipo de opositor. No entanto, esta ‘cascata’ de polémicas levou a que este se torne num cenário, pelo menos, improvável.

Federações como as de País de Gales, Inglaterra, Suécia ou Sérvia já tornaram pública a decisão de apoiar a recandidatura do advogado ao cargo, sendo expectável que, ao longo dos próximos dias, várias outras lhes sigam o exemplo. Face a este cenário, a imprensa norte-americana adianta que o próprio se virou para… Donald Trump.

O jornal New York Post adiantou, nesta terça-feira, que o próprio tem vindo a tentar contactar o presidente do Estados Unidos da América, por acreditar que a sua influência poderá levar vários países a mudar de ideias, mas sem sucesso. Como alternativa, terá agendado uma reunião com Marco Rubio, secretário de Estado… que foi subitamente cancelada.

Mais de 100 mil toneladas de produtos minerais permanecem retidas nas instalações da empresa de areias pesadas de Chibuto, em Gaza, numa altura em que a actividade extractiva continua suspensa devido aos danos provocados pelas cheias e por um incêndio que afectou cinco linhas de produção. Além da paralisação, a empresa, de capitais chineses, volta a ser apontada por alegadas irregularidades laborais.

O Secretário de Estado na província de Gaza, Jaime Neto, confirmou que o material extraído aguarda autorização para sair do país, enquanto decorre a conclusão do processo de licenciamento necessário para a exportação.

“Neste momento, na doca, temos cerca de 100 mil toneladas de produtos da mineração que aguardam exportação, mas o licenciamento ainda não está concluído”, explicou Jaime Neto.

Segundo o dirigente, a autorização depende da aquisição de dois equipamentos considerados essenciais para o funcionamento da estrutura de exportação. Paralelamente, as autoridades estão a preparar a entrada em funcionamento de várias instituições, incluindo a Autoridade Tributária, Alfândegas, Migração e Polícia da República de Moçambique, para garantir o controlo das operações.

Mas os problemas da Dingsheng Minerals vão além dos constrangimentos provocados pelos eventos climáticos e pelo incêndio industrial. A empresa volta a estar no centro de denúncias relacionadas com o cumprimento da legislação laboral, num histórico que já obrigou a intervenções das entidades fiscalizadoras.

O director dos Serviços de Controlo do Trabalho em Gaza, Ariel Comé, revelou que a mineradora foi multada em cerca de 285 mil meticais no ano passado por incumprimento das normas de segurança, sobretudo devido à falta de equipamentos de protecção individual para os trabalhadores.

“Esta empresa foi multada por volta de 285 mil meticais no ano passado por conta desta situação. É uma empresa basicamente reincidente nessas situações todas, mas estamos a intervir para resolver essa situação”, afirmou.

Apesar das irregularidades identificadas, as autoridades laborais dizem estar a registar melhorias progressivas nas condições de trabalho, depois das intervenções realizadas junto da empresa. Entretanto, a classificação de reincidência mantém-se como um dos principais desafios para a mineradora.

A Dingsheng Minerals encontra-se com as actividades suspensas há cerca de três meses. A primeira interrupção esteve relacionada com os danos causados pelas cheias, enquanto a segunda ocorreu após o incêndio que afectou cinco unidades de produção.

Durante o período de paralisação, o Governo garante que os trabalhadores continuam a receber os salários. Contudo, a retoma integral da produção permanece dependente da recuperação do sistema de abastecimento de água às fábricas, da conclusão do licenciamento para exportação e da capacidade da empresa em responder às exigências impostas pelas autoridades.

O líder da oposição ugandesa, Kizza Besigye, de 70 anos, encontra-se internado numa Unidade de Cuidados Intensivos (UCI) em Kampala, em estado considerado crítico, segundo a esposa e fontes médicas.

Besigye, que está sob custódia das autoridades, foi levado na noite de quarta-feira ao Hospital Mulago, depois de ter desmaiado durante uma audiência judicial. A esposa, Winnie Byanyima, directora-executiva da UNAIDS, afirmou que o opositor está inconsciente, não consegue falar e não reage sequer a estímulos dolorosos.

A informação foi confirmada por uma porta-voz do hospital, Gladys Baligonzaki Kajura, que indicou que Besigye deu entrada na unidade na noite anterior e está sob monitorização médica.

O opositor enfrenta acusações de traição, relacionadas com um alegado plano contra o Presidente Yoweri Museveni, que governa o Uganda desde 1986. Durante a audiência, Besigye contestava a decisão de afastar os seus advogados quando perdeu os sentidos.

Um dos seus advogados, Erias Lukwago, antigo presidente da Câmara de Kampala, encontra-se detido, enquanto outra advogada de defesa, Martha Karua, antiga ministra queniana da Justiça, foi impedida de entrar no Uganda.

Besigye, antigo médico pessoal de Museveni, está em conflito com o Governo há mais de 25 anos, desde que entrou para a oposição. Foi detido várias vezes e, em 2024, terá sido sequestrado no vizinho Quénia e posteriormente levado para o Uganda, onde foi inicialmente apresentado perante um tribunal militar. O processo acabou por ser transferido para a justiça civil.

A actual detenção ocorre num contexto de crescente repressão contra figuras da oposição, advogados, jornalistas e organizações da sociedade civil no Uganda.

Na quinta-feira, um tribunal voltou a negar liberdade sob caução a Erias Lukwago, que alegava problemas crónicos de saúde, sobretudo nos pulmões e na coluna. O antigo autarca chegou a comparar a sua detenção prolongada a uma “sentença de morte”.

Besigye já foi hospitalizado pelo menos três vezes desde que foi detido. Em Fevereiro de 2025, foi internado na sequência de uma greve de fome e voltou a receber tratamento médico no início deste ano.

A situação dos opositores ugandeses suscitou também críticas das Nações Unidas. O Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, manifestou preocupação com a alegada perseguição crescente contra vozes dissidentes e com a redução do espaço cívico no país.

Segundo Türk, a repressão está associada ao enfraquecimento gradual do Estado de Direito, ao aumento da intervenção militar em instituições civis e à limitação das liberdades fundamentais.

Dados citados pelo organismo das Nações Unidas indicam que, desde a reeleição de Museveni para um sétimo mandato, em Janeiro, pelo menos 50 líderes e apoiantes da oposição, cinco defensores dos direitos humanos e cinco jornalistas terão sido vítimas de violações dos direitos humanos, incluindo desaparecimentos forçados, tortura e maus-tratos.

A ONU refere ainda que pelo menos dez organizações da sociedade civil foram suspensas desde Janeiro, enquanto outras passaram a ser alvo de maior escrutínio e alegado assédio. Alguns órgãos de comunicação social também terão sido obrigados a suspender temporariamente as suas actividades.

 

A Marinha italiana abordou um navio-tanque suspeito de estar ligado à Rússia, durante uma operação realizada no Mar Mediterrâneo, a oeste da ilha de Pantelleria, no centro do Mediterrâneo.

Segundo as autoridades italianas, a operação foi conduzida por elementos da tripulação de um navio da Marinha italiana que actualmente desempenha funções de navio-almirante numa missão da União Europeia no Mediterrâneo.

As autoridades afirmam que o petroleiro, denominado “Toa Payoh”, está sujeito a sanções da União Europeia e integra a chamada “frota paralela” russa, utilizada para contornar as sanções impostas ao sector petrolífero russo na sequência da invasão da Ucrânia.

O navio, que navega sob a bandeira dos Camarões, partiu do porto de Cotonou, no Benim, a 16 de Julho, com destino a Istambul, na Turquia.

De acordo com a Marinha italiana, a abordagem ocorreu depois de o capitão do petroleiro se ter recusado a colaborar quando solicitado a fornecer informações sobre a embarcação. Perante a recusa, militares italianos embarcaram no navio para proceder às verificações.

A chamada “frota paralela” russa é constituída, em grande parte, por petroleiros antigos adquiridos em segunda mão, frequentemente através de entidades cuja estrutura de propriedade é pouco transparente e que estão sediadas em países que não aplicam as sanções contra Moscovo.

Muitos destes navios encontram-se registados sob bandeiras de países como o Gabão, as Ilhas Cook ou outros Estados que não aderem às sanções internacionais contra a Rússia.

A utilização desta frota tem sido uma das principais estratégias para manter o transporte e a comercialização de petróleo russo nos mercados internacionais, apesar das restrições impostas pela União Europeia e outros países ocidentais.

 

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