A Fundação Joaquim Chissano quer afirmar-se como uma plataforma de reflexão, diálogo e construção de consensos para contribuir na resposta aos principais desafios de Moçambique. A instituição pretende reunir Governo, sector privado, academia, sociedade civil, parceiros internacionais e cidadãos na procura de soluções para questões relacionadas com a paz, o desenvolvimento sustentável, a governação, a inclusão social e a produção de conhecimento, num contexto em que considera que os problemas actuais exigem respostas colectivas e não acções isoladas.
Esta visão está consagrada no Plano Estratégico 2026-2035, documento que orientará a actuação da Fundação durante os próximos dez anos e que parte da convicção de que Moçambique enfrenta uma nova realidade, marcada por profundas transformações políticas, económicas, tecnológicas e sociais. A instituição entende que os desafios nacionais estão cada vez mais ligados às mudanças que ocorrem no mundo, desde os efeitos das alterações climáticas até à rápida evolução da inteligência artificial, passando pelos conflitos armados, violência, criminalidade transnacional e crescentes exigências da juventude africana por oportunidades, participação e dignidade.
Perante este cenário, a Fundação considera que é necessário criar espaços permanentes de diálogo, reflexão e produção de conhecimento que permitam aproximar diferentes sensibilidades e construir soluções sustentáveis para o desenvolvimento do país.
“Nenhuma tarefa desta envergadura pertence, por exemplo, exclusivamente ao Governo, ao sector privado ou à sociedade civil em separado. Pelo contrário, as respostas a estes desafios são responsabilidades partilhadas”, defendeu o presidente do Conselho de Administração da Fundação, Joaquim Chissano, sublinhando que apenas uma actuação articulada permitirá alcançar resultados relevantes para o país.
A estratégia da Fundação assenta precisamente nessa lógica de complementaridade. A organização deixa claro que não pretende assumir funções que competem ao Estado, mas contribuir para fortalecer o ambiente de diálogo e cooperação entre os diferentes actores nacionais.
“Não procuramos substituir o Estado. Queremos complementá-lo. Não pretendemos falar em nome da sociedade. Queremos trabalhar com ela, para ela e por ela”, afirmou Joaquim Chissano, acrescentando que a ambição da instituição passa por criar condições para que os cidadãos participem activamente na construção de um ambiente pacífico e democrático.
O plano identifica igualmente o capital humano como o principal recurso estratégico de Moçambique. Para a Fundação, o futuro do país dependerá menos da abundância de recursos naturais e mais da capacidade de valorizar as pessoas e criar oportunidades para o seu desenvolvimento.
“O nosso maior activo estratégico não são os nossos recursos minerais, nem o gás, nem a posição geográfica, mas sim são as pessoas”, afirmou Joaquim Chissano, destacando o papel desempenhado pelos jovens, mulheres, professores, profissionais de saúde, agricultores, empreendedores, trabalhadores do sector informal, funcionários públicos e membros das forças de defesa e segurança na construção do país.
Segundo o antigo Chefe de Estado, será precisamente este capital humano que estará no centro da intervenção da Fundação ao longo da próxima década, procurando reforçar a paz, estimular o desenvolvimento e consolidar uma cultura de participação e inclusão.
A construção da paz constitui, aliás, um dos principais eixos estratégicos do documento. A Fundação manifesta preocupação com o crescimento da violência em diferentes dimensões da sociedade, com especial incidência sobre mulheres e raparigas, considerando que este fenómeno representa uma ameaça ao desenvolvimento e à democracia.
No seu discurso, Joaquim Chissano defendeu que a violência baseada no género deve deixar de ser encarada como um problema exclusivamente das vítimas, apelando a uma mobilização colectiva para a sua erradicação.
“Chega! Precisamos de sair do lugar do problema e ir para o lugar da solução”, afirmou, acrescentando que “a paz é o maior investimento para o desenvolvimento e o bem-estar de todas as cidadãs e de todos os cidadãos”.
O antigo Presidente fez igualmente questão de sublinhar que a instituição deve ser entendida como um património colectivo e não como um projecto pessoal.
“A Fundação Joaquim Chissano não é de Joaquim Chissano. É uma Fundação com o nome dele. A Fundação é vossa”, declarou perante os convidados, apelando para que todos assumam a organização como um espaço de participação e construção colectiva.
Estas posições foram apresentadas esta quinta-feira, em Maputo, durante a cerimónia de lançamento do Plano Estratégico 2026-2035 da Fundação Joaquim Chissano, realizada sob o lema “Congregar sinergias para um mundo de paz”, que reuniu representantes do Governo, corpo diplomático, sector privado, academia, organizações da sociedade civil e parceiros de cooperação.
O Presidente da República, Filipe Nyusi, endereçou uma mensagem de felicitação ao homólogo da República Democrática Popular Argelina, Abdelmadjid Tebboune, por ter sido reeleito Presidente da República.
Segundo um comunicado de imprensa da Presidência da República, na sua mensagem, o Chefe do Estado moçambicano sublinha que a vitória do Presidente Tebboune por uma grande maioria demonstra, clara e inequivocamente, a confiança que o povo argelino deposita nele, como resultado das grandes conquistas alcançadas pelo Governo, através da sua sábia liderança, na área política e socioeconómica.
“Por conseguinte, em nome do Povo, do Governo da República de Moçambique e no meu próprio, felicitamos calorosamente a Vossa Excelência e o povo argelino e coloco-me disponível a continuar a trabalhar em estreita ligação com Vossa Excelência para reforçar, ainda mais, as excelentes relações de amizade, solidariedade e cooperação entre os nossos dois países e povos, quer no plano bilateral, quer no multilateral, sobretudo para a implementação plena das decisões tomadas aquando da nossa histórica e bem-sucedida visita ao vosso belo país”, cita-se Filipe Nyusi no comunicado de imprensa da Presidência da República.
A Liga Moçambicana de Futebol (LMF), em parceria com a Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB), realiza, esta quinta-feira, no Centro Internacional de Conferências Joaquim Chissano, na Cidade de Maputo, às 18h00, a Gala “HCB Premiações Moçambola – primeira volta”.
No evento, serão atribuídos prémios individuais aos jogadores, treinadores e árbitros que mais se destacaram ao longo dos jogos e das jornadas da primeira volta do campeonato de futebol “Moçambola”.
A sessão em que se reconhecerão os principais actores da primeira volta do Moçambola 2024, segundo uma nota de imprensa, contará com a presença do Presidente da República, Filipe Nyusi.
A iniciativa “HCB Premiações Moçambola” pretende contribuir, de forma completamente transformadora e histórica, para o futebol nacional, tornando-o cada vez mais competitivo, dinâmico, animado, atractivo e financeiramente sustentável.
O Chefe do Estado-Maior General garante que a Província de Cabo Delgado está tranquila, graças à luta das Forças Armadas e o apoio da população. Joaquim Mangrasse presenciou, esta quarta-feira, o encerramento da missão de treino da União Europeia e disse que o apoio do bloco foi essencial para tranquilizar Cabo Delgado.
Foi hasteada, pela última vez, esta quarta-feira, a bandeira da União Europeia, pela Missão de Formação Militar deste bloco em Moçambique.
Lançado em 2021 para ajudar com estratégias de combate ao terrorismo, o programa terminou esta quarta-feira, uma ocasião que serviu para o Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas moçambicanas fazer o ponto de situação sobre a segurança em Cabo Delgado.
“Terrorismo é uma nova ameaça que não tem bandeira e não tem casa. Estamos todos com esse desafio e penso que a situação de Cabo Delgado, neste momento, está controlada. Estou certo que há muita tranquilidade, as actividades estão a correr com naturalidade e nós estamos prontos a continuar a dar o sossego necessário para o nosso Moçambique e aos Mocambicanos”, afirmou Joaquim Mangrasse, Chefe do Estado-Maior General das FADM.
Apesar dos recentes relatos de funcionários públicos que continuam a abandonar algumas zonas afectadas, Mangrasse afirma que a província está a desenvolver.
“Eu sou militar, a minha missão é de conduzir as operações, e fiz. Por isso, digo que os ganhos operacionais permitem que o desenvolvimento prossiga e está acontecendo”, apontou.
Essa tranquilidade, segundo o Chefe do Estado-Maior General, resulta, em parte, do apoio que a União Europeia prestou, treinando militares moçambicanos para combater o terrorismo.
“É um combate extremamente difícil, de pessoas que recrutam crianças com pouca idade para combater. O impacto que avaliamos é positivo porque preparamos melhor os soldados moçambicanos para enfrentar esta dura realidade que não segue qualquer tipo de regras e não tem qualquer tipo de escrúpulos nas suas acções”, afirmou João Gonçalves, Comandante da Força de Treino da União Europeia em Moçambique
Durante três anos, a missão da União Europeia treinou cerca de 1800 militares moçambicanos. Com o fim da missão de treino, iniciou-se, esta quarta-feira, uma nova etapa de assistência militar.
Morreu Rebecca Cheptegei, ugandesa que disputou os jogos olímpicos de Paris na prova dos 5000 metros. Trata-se de uma morte que fez soar os alarmes sobre o feminicídio, com a confederação do atletismo do Quénia a considerar morte prematura e trágica, para além de ser uma perda profunda, exigindo o fim da violência de género.
Rebecca Cheptegei foi atacada e incendiada em sua residência, em Endebess, Condado de Trans-Nzoia, Quénia. A polícia sustenta que Dickson Ndiema Marangach, seu antigo parceiro, a encharcou com gasolina e a incendiou. Cheptegei morreu devido à falência múltipla de órgãos, a 5 de Setembro de 2024, aos 33 anos de idade, um mês depois de ter disputado os Jogos Olímpicos de Paris.
Por outro lado, o funeral de Cheptegei promete ser um evento importante no Uganda, com a sua família a ter anunciado que lhe será dada a honra de um “enterro militar”, por ter feito parte da Força de Defesa Popular de Uganda, as forças armadas daquele país.
A prefeita de Paris, Anne Hidalgo, anunciou que a cidade homenageará Cheptegei, dando o seu nome a uma recinto desportivo em sua homenagem.
A morte de Rebecca Cheptegei trouxe à tona casos de feminicídio que abalaram o mundo do desporto.
Em Abril de 2022, a atleta nascida no Quénia, Damaris Mútua, foi encontrada morta em Iten, um polo conhecido no mundo do atletismo que fica no Vale do Rift. Suspeita-se que o seu companheiro a tenha matado.
Em Outubro de 2021, a atleta queniana Agnes Tirop, de 25 anos, medalhista de bronze nos 10 mil metros nos Mundiais de 2017 e 2019 e quarta colocada nos 5000 metros nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020, morreu depois de ter sido esfaqueada em sua casa em Iten.
Os magistrados do Ministério Público dizem haver abertura do Governo face ao caderno reivindicativo submetido a 17 de Julho. A classe diz que só em última instância é que poderá tomar medidas drásticas para reivindicar melhores salários, independência financeira e segurança.
No dia 17 de Julho, os procuradores submeteram o seu caderno reivindicativo ao Governo, contendo as suas maiores preocupações.
No documento, as questões de fundo eram a autonomia e independência financeira do Ministério Público, salários, subsídios e segurança.
Passados mais de 30 dias, a classe diz que algumas das reclamações já estão a ser resolvidas.
“Estamos cientes de que algumas situações vão demandar alguma revisão legislativa. Como disse, nós apresentamos o caderno reivindicativo no dia 17 e o Parlamento funcionou até 10 de Agosto. Então, o timing em termos de submissão de proposta já era muito apertado”, disse.
Eduardo Sumana, presidente da Associação Moçambicana dos Magistrados do Ministério Público, garantindo que “aquelas preocupações que se mostram realizáveis, como os enquadramentos para a questão salarial, essas já estão a acontecer e, também, da discussão que está a haver agora, como disse, a base desse grupo que foi criado, sobre a questão da independência financeira”.
Para garantir que haja independência financeira, os profissionais sugerem que seja feita a proposta do “plano contendo as necessidades e, consequentemente, do orçamento respectivo e, daí, ir à aprovação por um órgão competente, que é o Parlamento. Nós clamamos por um modelo que não fique muito dependente desta disponibilidade do Executivo”.
A classe diz continuar aberta a conversações e só em última instância poderá tomar medidas drásticas.
A Selecção Nacional de Hóquei em Patins vai observar um estágio de dois dias em Portugal, participação no Campeonato do Mundo, competição que vai decorrer em Novara, Itália, entre os dias 16 e 22 do mês em curso. A chegada do combinado nacional no território português está prevista para esta quinta-feira.
Seguem para aquele país europeu o seleccionador nacional, Bruno Pimentel e mais cinco atletas, nomeadamente, Alfredo Manjate e Júlio Samuel (guarda-redes), Pedro Pimentel Jr. (defesa), Artur Mapinguisse (médio), Absalão Miquissene e Macário Issufo (avançados).
Esses atletas juntar-se-ão ao grupo que está nas terras lusas, no caso, Gustavo Carvalho (guarda-redes), Miguel Matias, Marinho, Kevin Pimentel, Tivane Jr., Filipe Nabais, Diego Pimentel e ainda Gabriel Pimentel (todos avançados).
Desta lista faz ainda parte o técnico Paulo Pereira, antigo internacional da Selecção Nacional, que esteve a trabalhar com o leque “luso” durante um mês.
A equipa moçambicana vai efectuar apenas unidades de treinos virados mais para a componente táctica e para a definição do cinco que alinhará no jogo de estreia com o México, a 16 de Setembro, naquela que será a primeira jornada do Grupo “A” da Taça Challenge, a III Divisão do Mundial de Hóquei. A delegação moçambicana desembarcará no local da competição no sábado.
Depois de ter falhado o Campeonato Africano realizado no Cairo, em Setembro de 2023, por motivos financeiros, a equipa nacional foi “empurrada” para o Grupo “C”.
Além do México, Moçambique vai defrontar o Japão, no dia 17, Uruguai, 18, Israel, 19, e por último, a Nova Zelândia, 20. Moçambique vai procurar regressar às glórias no contexto do hóquei em patins mundial, onde alcançou a sua maior prestação de sempre em 2011, em san Juan, Argentina, ao terminar a prova na quarta posição.
Apesar de já ter garantido a ida à Itália, a Federação Moçambicana de Patinagem (FMP) ainda enfrenta alguns problemas financeiros para cobrir as despesas inerentes à participação da selecção nesta competição. A FMP continua a bater às portas, tendo em vista garantir mais apoios por parte de parceiros.
MANINHO FALHA A PROVA
O capitão da selecção nacional, Ivan “Maninho” Escludes é a ausência de peso no conjunto moçambicano. Esta é a primeira vez que o atleta falha uma competição importante nos últimos anos. Maninho integrou tarde o grupo de trabalho durante a primeira fase de preparação para o Mundial.
O seleccionador nacional, Bruno Pimentel, está a levar a cabo um processo de renovação, sendo que para esta prova vai apostar nos jogadores que ainda estão à procura de um lugar ao sol. Ou seja, a maioria dos atletas que integram a convocatória são jovens.
Os candidatos presidenciais nos Estados Unidos, Donald Trump e Kamala Harris, trocaram acusações durante o primeiro frente-a-frente a caminho das eleições presidenciais de 5 de Novembro. O republicano diz que a democrata não dispõe de um plano económico ideal, ao mesmo tempo que Harris acusa Trump de ser inconsequente.
O debate começou num ambiente cordial, com os concorrentes às presidenciais nos Estados Unidos da América a darem o aperto de mão, antes de cada um deles defender as suas propostas de governação.
Foram quase duas horas de frente-a-frente entre Donald Trump e Kamala Harris, o primeiro entre os principais candidatos às presidenciais norte-americanas de 5 de Novembro.
Dez pontos foram colocados à mesa e os candidatos tinham a janela aberta para expor o seu manifesto.
Harris foi a primeira a usar o microfone, mas foi Trump quem acendeu o debate, acusando a democrata e seu partido de não disporem de um plano efectivo para manter a economia do país em pé.
“Acho que o meu plano é um plano brilhante. É um ótimo plano. É um plano que vai aumentar o nosso valor como país, e vai fazer com que as pessoas queiram trabalhar, criar empregos e criar muito dinheiro, o que é bom e sólido para o nosso país. E só para terminar, ela não tem um plano. Ela copiou o plano de Biden”, disse Donald Trump.
Na mesma onda, Kamala Harris acusou Trump de egoísmo económico, aquando da sua liderança na altura em que era presidente dos Estados Unidos da América.
“Bem, sejamos claros: a administração de Trump resultou num défice comercial, um dos mais elevados que alguma vez vimos na história da América. Convidou as guerras comerciais. Querem falar do seu acordo com a China. Durante a presidência de Donald Trump, ele acabou por vender barato os americanos à China para os ajudar a melhorar e modernizar as suas forças armadas”, acusou Kamala Harris.
A economia só abriu o debate, que foi descendo para questões mais sociais. O aborto também foi assunto, com as partes a divergirem sobre a proibição ou não.
“Ele disse, o bebé vai nascer, e nós vamos decidir o que fazer com o bebé. Por outras palavras, vamos executar o bebé. E foi por isso que eu fiz isso, porque isso predomina. Porque eles são radicais. Os democratas são radicais nisso. E a sua escolha para vice-Presidente, que eu acho que é uma escolha horrível”, acusou primeiro o candidato Republicano.
Haris não demorou em revidar: “Donald Trump não devia estar a dizer a uma mulher o que fazer com o seu corpo. Falei com mulheres de todo o país. Querem dizer que era isto que as pessoas queriam? Mulheres grávidas que querem levar uma gravidez até ao fim, que sofrem um aborto espontâneo, a quem são negados cuidados”.
Ademais, a política externa foi também um ponto divergente entre as duas figuras com ambição de chegar à Casa Branca.
Trump preferiu voltar a criar expectativas de ajudar no alcance da paz entre Rússia e Ucrânia, enquanto que Harris promete intervir para paz entre Israel e Palestina.
“Ela odeia Israel. Nem sequer se quis encontrar com Netanyahu quando ele foi ao Congresso fazer um discurso muito importante, recusando-se a estar presente porque estava numa festa da sua república. Ela queria ir à festa da república”, acusou Trump.
“Temos de ter uma solução de dois Estados em que possamos reconstruir Gaza, em que os palestinianos tenham segurança, autodeterminação e a dignidade que tão justamente merecem”, disse Harris.
Políticas de migração e ataque ao Capitólio também fizeram parte do debate entre Harris e Trump.
Desconhecidos colocaram veneno numa lagoa no Niassa e milhares de peixes morreram. Há um risco de envenenamento de outros animais que bebem da mesma água.
Uma camada branca em águas paradas, formada por milhares de peixes que morreram envenenados, numa área de conservação conhecida por Coutada Oficial Marangira, que fica no interior da província do Niassa, Norte de Moçambique. Trata-se de uma área de conservação que faz limite com a Reserva Especial do Niassa, que tem sido alvo de caçadores furtivos que usam todo o tipo de meios à sua disposição para conseguirem animais de pequeno, médio e grande porte.
Desta vez, a acção dos furtivos foi muito longe, ao recorrerem à perigosa tática de envenenamento da água para conseguirem os seus objectivos. Um dos sócios da empresa concessionária da coutada em causa é o luso-moçambicano Carlos Queiroz, que falou em exclusivo à nossa reportagem a partir de Portugal.
“No passado dia 5, detectamos umas queimadas e movimentações estranhas, e, de imediato, enviamos as nossas equipas de vigilância, que, infelizmente, na madrugada do dia 6, confirmaram o envenenamento de uma lagoa enorme, que confina com um rio muito importante da coutada e, infelizmente, quando chegamos, era devastador aquilo que víamos pela frente – estavam centenas e centenas, para não dizer milhares de peixes mortos, envenenados. A concessionária, de imediato, lançou uma operação de vigilância e controlo para conseguirmos controlar o peixe para que não fosse recolhido e em consequência chegasse às populações, às comunidades”, disse Carlos Queiroz.
Na manhã desta terça-feira, uma equipa do Serviço Provincial de Terra e Ambiente do Niassa deslocou-se ao terreno e esta quarta-feira poderá falar à nossa reportagem sobre as constatações feitas e medidas para reduzir o risco de envenenamento de pessoas e outros animais que compõem a fauna bravia envolvente nesta área.
Acções antecipadas à seca contribuíram para que 13 200 famílias em Sofala estejam agora a viver em segurança alimentar, numa altura em que, nas zonas Sul e Centro do país, mais de 510 mil pessoas estão a enfrentar crise alimentar. Estes resultados levaram o Governo a decidir implementar a iniciativa em todo o país.
Na passada época agrária, o Instituto Nacional de Gestão de Desastre (INGD), em parceria com vários sectores, decidiram implementar de acções antecipadas à seca nos distrito de Caia e Chemba, na província de Sofala. É uma iniciativa piloto no processo de gestão de desastres, na componente da seca, que envolveu 13 200 famílias.
A experiência foi relevante na abordagem da prevenção e mitigação dos impactos negativos da seca, pois, nos distritos não abrangidos, resultaram em situações de insegurança alimentar e migrações forçadas.
“As acções estiveram centradas na componente de água e saneamento, componente agrícola e pecuária, e os resultados divulgados por um estudo efectuado pela Universidade Eduardo Mondlane mostram que as acções ora referidas minimizaram o impacto da seca de forma atempada nas comunidades beneficiárias, neste caso 13 200 famílias dos distritos de Caia e Chemba”, explicou Paulo Tomás, director da divisão de desenvolvimento das zonas áridas e semi-áridas.
Dados os resultados positivos da iniciativa para a época chuvosa e ciclónica 2024/25, está em curso, em todo o país, um processo de desenvolvimento de procedimentos operacionais e planos específicos de acções antecipadas à seca, cheias, ciclones e cólera.
“Neste seminário no qual nós estamos, queremos engajar outros actores, porque se tivéssemos alcançado mais beneficiários teríamos minimizado o impacto resultante da pouca precipitação nos últimos meses.”
Refira-se que a época chuvosa passada foi caracterizada por pouca precipitação nas zona Sul e Centro do país, onde de acordo com dados do Governo, causou insegurança alimentar em cerca de dois milhões e 800 mil famílias, das quais 510 mil estão a enfrentar crise alimentar, “que precisam de assistência humanitária imediata. O INGD está a assistir as referidas famílias, em parcerias com o Programa Mundial de Alimentos”.
Paulo Tomás falava na Beira, durante o workshop sobre acções antecipadas à seca. A secretária de Estado da província de Sofala, Cecília Chamutota, que orientou o evento, exortou o INGD e parceiros a serem proactivos, para salvar vidas, preservar os meios de subsistência e minimizar danos.
“O foco deve estar em prever, planear e gerir antes que estes eventos ocorram, fortalecendo a capacidade das comunidades implementando soluções resilientes e sustentáveis. Devemos adoptar uma abordagem multissectorial, envolvendo uma participação activa de todos os sectores”, exortou Chamutota.