O director substituto dos Serviços Distritais de Actividades Económicas e um motorista estão detidos e são indiciados dos crimes de peculato e abuso de cargo ou função. O Gabinete Provincial de Combate à Corrupção (GPCC) em Gaza confirmou, esta quinta-feira, a detenção de dois funcionários do Governo do distrito de Mandlakazi, na província de Gaza, por alegado desvio de insumos agrários.
Entre os detidos encontra-se o director substituto dos Serviços Distritais de Actividades Económicas, Artur Mathe, e um motorista do Governo distrital. Os dois são indiciados da prática dos crimes de peculato e abuso de cargo ou função, segundo confirmou Saquina Jenga, magistrada do Ministério Público.
“Efectivamente, confirmamos a detenção do director substituto do Serviço Distrital de Actividades Económicas de Manjacaze. A detenção foi efectuada na semana passada. Importa salientar que também está detido o motorista do mesmo serviço. Eles são indiciados da prática dos crimes de peculato e abuso de cargo ou função”, explicou a magistrada.
De acordo com os dados apurados, o motorista foi detido no distrito de Chókwè, depois de ter sido alegadamente interceptado num posto de controlo a transportar adubos numa viatura protocolar do Governo distrital.
O motorista terá percorrido o trajecto Mandlakazi–Guijá–Chókwè quando foi abordado pelas autoridades. Segundo Saquina Jenga, o Ministério Público promoveu igualmente a detenção do director substituto dos Serviços Distritais de Actividades Económicas, tendo em vista garantir que este aguardasse, em prisão preventiva, os ulteriores termos do processo.
“Os arguidos foram efectivamente submetidos ao primeiro interrogatório e foi-lhes aplicada esta medida de coacção”, acrescentou. O caso está a gerar preocupação entre os agricultores, que alertam para a continuidade de alegados esquemas de desvio de insumos agrários e exigem que as investigações prossigam até à identificação de todos os possíveis envolvidos.
Os produtores defendem ainda que as autoridades devem esclarecer as circunstâncias em que os insumos foram retirados do circuito oficial de distribuição e determinar o seu destino.
O País sabe que o caso está sob investigação desde Junho. A magistrada do Ministério Público, Saquina Jenga, não afasta a possibilidade de novas detenções no âmbito do processo.
Na tentativa de obter uma reacção do administrador do distrito de Mandlakazi sobre as detenções, O País contactou a autoridade administrativa, que informou não ter autorização superior para se pronunciar sobre o assunto.
O Presidente da República, Daniel Chapo, participa, de 2 a 4 de Julho, na 50.ª Feira Internacional de Dar es Salaam (Saba Saba), na República Unida da Tanzânia, na qualidade de Convidado de Honra, a convite da Presidente tanzaniana, Samia Suluhu Hassan.
Segundo o comunicado da Presidência da República, a participação do Chefe do Estado visa reforçar a diplomacia económica de Moçambique, promovendo o investimento, o comércio, a industrialização e a integração regional, bem como aprofundar a cooperação económica e comercial entre Moçambique e a Tanzânia.
O mesmo documento destaca que a presença de Moçambique naquele certame internacional reforça igualmente os laços de amizade, solidariedade e cooperação entre os dois países e cria novas oportunidades de negócio para os respectivos sectores produtivos.
Integram a delegação presidencial o Alto-Comissário de Moçambique na Tanzânia, Ricardo Mtumbuida, o Secretário de Estado do Comércio, António do Rosário Grispos, além de quadros da Presidência da República e de outras instituições do Estado.
O Presidente da SADC Lawyers’ Association (SADC-LA) defendeu, esta quinta-feira, em Maputo, um papel mais interventivo da advocacia na promoção do desenvolvimento económico e da integração regional, afirmando que a resiliência da África Austral depende de instituições jurídicas fortes e de maior segurança jurídica.
Falando na abertura da 25.ª Conferência Anual da SADC Lawyers’ Association, subordinada ao lema “Reforçar a Resiliência da Região da SADC nos Sectores da Agricultura, Energia e Indústria”, o dirigente afirmou que a advocacia deve contribuir para a criação de um ambiente favorável ao investimento, à industrialização e ao comércio regional.
Na sua intervenção, destacou que a recente decisão de Moçambique de proibir gradualmente a exportação de matérias-primas minerais não transformadas representa uma oportunidade para impulsionar a industrialização, mas advertiu para a necessidade de rever contratos de concessão, harmonizar políticas na região e prevenir litígios internacionais.
O Presidente da SADC-LA manifestou ainda preocupação com o conflito no leste da República Democrática do Congo, os actos de xenofobia na África do Sul e o terrorismo em Cabo Delgado, considerando que estes fenómenos representam desafios ao Estado de Direito e exigem maior cooperação regional em matéria de justiça e direitos humanos.
Entre as prioridades apontadas para a organização figuram o reforço da independência da advocacia, a harmonização legislativa entre os Estados-membros, a capacitação de jovens advogados em áreas estratégicas, a promoção da ética profissional e o combate à corrupção.
O responsável propôs igualmente a criação de mecanismos permanentes de intercâmbio jurídico entre os países da SADC, maior participação das mulheres e dos jovens nos órgãos da associação e a constituição de um grupo regional para analisar o impacto jurídico das políticas relativas à exportação de recursos minerais.
A 25.ª Conferência Anual da SADC Lawyers’ Association decorre em Maputo e reúne representantes das ordens e associações de advogados dos Estados-membros para debater o papel do Direito na promoção da resiliência económica e do desenvolvimento sustentável da região.
A República Democrática do Congo e o Senegal despediram-se do Mundial 2026, após derrotas.
A RDC perdeu por 2-1 diante da Inglaterra, depois de ter estado em vantagem com um golo de Brian Cipenga. Harry Kane bisou na segunda parte e garantiu o apuramento dos ingleses.
Já o Senegal desperdiçou uma vantagem de dois golos e acabou derrotado pela Bélgica por 3-2, após prolongamento. Habib Diarra e Ismaila Sarr colocaram os senegaleses na frente, mas Romelu Lukaku e Youri Tielemans, este com dois golos, consumaram a reviravolta belga.
Com estas eliminações, apenas Marrocos apurou-se para os oitavos de final do mundial.
Deputados da Bancada Parlamentar do PODEMOS foram impedidos de aceder e fiscalizar o Armazém Central de Medicamentos do Zimpeto na Cidade de Maputo por alegada ausência dos responsáveis em gozo de licença disciplinar. Os deputados dizem haver um esquema de desvio de medicamentos no armazém.
Outra vez, a bancada parlamentar do PODEMOS visou instituições ligadas ao sector da saúde. O grupo parlamentar visitou de surpresa o Armazém Central de Medicamentos no Zimpeto para fiscalização parlamentar, mas as suas intenções foram frustradas. “Simplesmente, a direção do armazém não aceita que nós entremos como deputados para fiscalizar.” Disse Ivandro Massingue, porta-voz da Bancada, explicando as razões: “todos os funcionários responsáveis do armazém estão de férias.”
“O Estado tem que parar, o país tem que parar, o governo não funciona, as instituições não funcionam porque todos os directores estão de férias?” Questionou o deputado
Os deputados dizem que a visita tinha por objectivo desmantelar um alegado esquema de desvio de medicamento denunciado por pessoas devidamente posicionadas na instituição.
“A denúncia que nós recebemos dá indicações de que tem muitos lotes, muitas caixas de medicamentos que já foram declaradas fora do prazo e que, legalmente, serão retiradas para abastecer o mercado paralelo e nós queríamos ver isso em flagra”
Assim, uma vez frustrada a intenção, o porta-voz diz que o grupo parlamentar vai preterir o convite da direção para fiscalizar o centro, assim que os responsáveis regressarem de férias.
O ministro da Planificação e Desenvolvimento desafia os municípios a arrecadar receitas que se traduzem em infra-estruturas, desenvolvimento e melhoria das condições de vida dos moçambicanos. As declarações foram feitas hoje, na Matola, durante a abertura do fórum de negócios e Feira Empresarial Matola 2026.
O Município da Matola é, de 1 a 3 de Julho, a capital do diálogo e de investimento, por acolher o fórum de negócios e Feira Empresarial, um evento cuja finalidade é fortalecer a economia da província.
O Edil da Matola, Júlio Parruque disse se tratar de uma oportunidade para juntar homens de negócios, para debater ideias de negócios, firmar parcerias, como foco no desenvolvimento das comunidades.
“Com este Fórum pretendemos proporcionar um ambiente de convergência entre os homens de negócios, para trocar informações, partilhar experiências e oportunidades, de forma a dinamizar a economia, atrair investimento privado e consequente gestão ou melhor geração de emprego, em particular para a juventude e ainda o combate à pobreza, à pobreza urbana na nossa cidade”, disse parruque, com apelos para diálogos mais intensos e produtivos.
O sector privado, representado no evento, entende ser esta uma oportunidade para o crescimento económico da província de Maputo, em áreas como imobiliária, logística e serviços.
“Precisamos transformar potencialidades em projectos concretos, precisamos transformar projectos em investimentos e precisamos transformar investimentos em emprego, rendimento e prosperidade para os cidadãos. Este Fórum de Negócios e Feira Empresarial 2026 deve ser visto precisamente como uma plataforma de construção dessas parcerias, de promoção de investimento e de identificação de soluções para os desafios que enfrentamos”, disse Onório Manuel, vice-presidente da CTA.
Manuel disse mais. apelou aos Governos a olharem, sempre, nas Pequenas e Médias empresas, na cadeia do desenvolvimento. Uma das propostas é a facilitação do acesso a financiamentos.
“Não podemos falar de desenvolvimento econômico da Matola sem destacar o papel fundamental das micro, pequenas e médias empresas. As PME’s representam a esmagadora maioria do tecido empresarial moçambicano e constituem o principal motor da geração de emprego. Precisamos, sim, criar condições mais favoráveis, facilitar o acesso a financiamento, simplificar procedimentos administrativos, promover programas de capacitação empresarial e aumentar a participação das PMEs nas cadeias de valores nacionais e regionais”, disse Manuel, afirmando que o crescimento económico sustentável só será possível quando as PMEs crescerem juntamente com as grandes empresas.
Receitas públicas devem se traduzir em riqueza para a população
Falando em representação do Presidente da República, o ministro da Planificação e Desenvolvimento, Salim Valá, diz que a fusão dos sectores público e privado deve resultar em desenvolvimento que reduza as desigualdades sociais.
“Nenhum investimento alcança plenamente o seu potencial quando não encontra instituições preparadas, mão de obra qualificada, comunidades envolvidas e serviços públicos eficientes. O desenvolvimento exige parceria, exige diálogo, exige confiança, exige capacidade de ouvir, corrigir, inovar e persistir. É precisamente por isso que fóruns desta natureza são relevantes, porque criam um espaço de encontro entre quem decide, quem investe, quem trabalha, quem produz, quem forma, quem financia e quem vive diariamente os desafios da nossa cidade da Matola, da província de Maputo e do nosso Moçambique”.
Valá defende ainda a cooperação entre os estados.
“O desafio é transformar estes activos em resultados cada vez mais concretos, criando mais confiança, mais cooperação, mais organização, mais oportunidades, mais inclusão, mais sustentabilidade, mais impacto na qualidade de vida dos Matolenses, dos habitantes da província de Maputo e dos moçambicanos. Que este Fórum seja um momento de convergência em torno desta visão que o Governo procurou transmitir de forma sumária nesta intervenção. Que seja uma oportunidade para renovar compromissos, que seja um espaço de diálogo construtivo, de aproximação entre instituições”.
No final do evento, os municípios da Matola e Boane e o distrito de Moamba assinaram um acordo para a viabilização da partilha de espaços para construção de residências e industriais, bem como para a requalificação da zona costeira da cidade da Matola.
O sonho de uma vida melhor na África do Sul terminou à beira da estrada. Com crianças ao colo, mulheres grávidas e apenas alguns sacos de roupa, dezenas de cidadãos malawianos chegaram esta semana à cidade da Maxixe, em Inhambane, depois de abandonarem, à pressa, o país onde viviam e trabalhavam. Sem dinheiro para alimentação, sem transporte e sem um lugar para dormir, passaram a noite ao relento, transformando Moçambique numa rota de passagem para um regresso forçado ao Malawi.
À primeira vista, eram apenas mais alguns viajantes. Mas bastava aproximar-se para perceber que aquelas famílias carregavam muito mais do que malas improvisadas. Carregavam anos de trabalho interrompidos, projectos de vida desfeitos e o medo de permanecer num país onde, segundo contam, deixaram de se sentir seguros.
A maioria afirma ter abandonado a África do Sul depois de episódios de perseguição e hostilidade contra cidadãos estrangeiros. Sem condições para permanecer e sem recursos para pagar uma viagem directa até ao Malawi, optaram por atravessar Moçambique, na esperança de encontrar uma alternativa mais acessível para regressar a casa.
“Estamos a vir da África do Sul. Como não havia transporte suficiente e a viagem directa para o Malawi era muito cara, decidimos seguir por um atalho, passando por Moçambique. Quando chegámos aqui, a viatura deixou-nos na Maxixe e agora não sabemos como vamos conseguir transporte até ao nosso país”, conta John, um dos integrantes do grupo.
O problema é que a falta de dinheiro rapidamente transformou a viagem numa luta pela sobrevivência. Sem meios para pagar alojamento ou comprar alimentos, homens, mulheres e crianças passaram a noite ao relento, expostos ao frio e às incertezas sobre o dia seguinte.
“Estamos a passar por muitas dificuldades. Desde domingo que não comemos, não tomamos banho e estamos aqui com crianças e mulheres grávidas. A situação é muito difícil”, relata Robert, enquanto observa os poucos pertences espalhados no chão.
Ao amanhecer, o cenário pouco mudou. Alguns procuravam transporte. Outros tentavam contactar familiares. Havia quem aguardasse qualquer ajuda que permitisse continuar a viagem até à província de Tete, de onde seguiriam para o Malawi. Apesar das dificuldades, uma decisão parecia comum entre todos: não regressar à África do Sul.
“As coisas não estão boas na África do Sul. Para onde quer que vamos encontramos problemas. Se até nas ruas nos perseguem, então já não há espaço para ficarmos lá. É melhor voltar para casa”, afirma Donald.
As famílias dizem que a saída aconteceu sem tempo para uma preparação adequada. Segundo Annah, muitos tentaram negociar um prazo que lhes permitisse organizar a mudança, vender alguns bens e reunir dinheiro para a viagem, mas não tiveram sucesso.
“Disseram-nos apenas que tínhamos de regressar ao nosso país. A viagem até ao Malawi é longa e precisávamos de preparar transporte, alimentação e os nossos pertences. Mas só nos disseram que tínhamos de sair antes do fim de Junho”, conta.
Os relatos revelam o impacto humano que episódios de hostilidade contra estrangeiros podem provocar. Muitos destes cidadãos malawianos viveram durante anos na África do Sul, onde encontraram emprego e sustentavam as suas famílias. Agora regressam praticamente de mãos vazias, sem saber como recomeçar a vida no país de origem.
Na cidade da Maxixe, a presença do grupo despertou a curiosidade de quem passava. Crianças brincavam junto às bagagens enquanto adultos tentavam encontrar uma solução para continuar viagem. O ambiente misturava cansaço, ansiedade e esperança de que o pior tivesse ficado para trás.
Ao longo da manhã, as autoridades do Malawi mobilizaram apoio para permitir que os seus cidadãos retomassem o percurso até casa. Pouco a pouco, as famílias deixaram a Maxixe, encerrando uma etapa difícil de uma viagem que dificilmente esquecerão.
A travessia destes malawianos por Moçambique deixa, contudo, uma reflexão que vai além das fronteiras. Mostra como milhares de migrantes continuam vulneráveis sempre que surgem episódios de intolerância e violência nos países onde procuram melhores oportunidades. Em poucas horas, trabalhadores transformam-se em deslocados, famílias perdem tudo o que construíram durante anos e crianças passam a conhecer o significado da palavra exílio muito antes de compreenderem o mundo.
Para estes cidadãos, o Malawi representa agora um recomeço. Mas também simboliza o regresso a um país que muitos deixaram precisamente por falta de oportunidades. Voltam sem bens, sem emprego e carregando apenas aquilo que conseguiram salvar. O sonho sul-africano ficou para trás. No lugar dele restam as marcas de uma viagem forçada, feita entre o medo, a fome e a esperança de encontrar, finalmente, um lugar onde possam viver em paz.
A Xenofobia continua a transformar-se numa crise migratória e humanitária na terminal interprovincial da Junta, na Cidade de Maputo. Milhares de cidadãos continuavam ao relento até ao fim da tarde de hoje, e várias brigadas, incluindo da saúde e IGND já se mobilizaram para atender os migrantes.
Malas espalhadas ao chão, homens, mulheres e crianças dormindo ao relento e em condições improvisadas, é o cenário vivido no Terminal Interprovincial da Junto, até ao fim da tarde desta quarta-feira, por milhares de cidadãos, maioritariamente de nacionalidade Malawianos, em trânsito em Maputo de regresso ao seu país.
Embora o cenário se pareça com uma verdadeira crise humanitária, os migrantes não conseguem equipará-la ao viveram na África do Sul.
“Na África do Sul, agora mesmo, é muito difícil ficar” Descreveu Jafar Richard | Vítima um dos cidadãos Malawianos entrevistado no local, tentando encontrar um autocarro para regressar ao seu país de origem. A decisão de deixar a África do Sul é “porque essas pessoas nos perseguem, por falta de emprego naquele país”. Em fuga, o cidadão relata: “estou sofrendo muito, agora mesmo, eu não tenho dinheiro para ir para casa, em Malawi.”
Entre sacos, e poucos pertences, as vítimas divertem-se com jogos para não ver o tempo passar, enquanto aguardam pelo transporte de regresso ao país de origem, mas o medo de enfrentar o futuro incerto em Malawi, sempre reaparece.
“Eu preciso do governo em casa [Malawi], que também tente organizar as pessoas, para regressar, e tenham o que fazer lá, porque as pessoas que vêm da África do Sul tem um futuro, e podem dar continuidade lá, se o governo criar condições” Explicou Susan Betsa.
A crise expõe não apenas o drama migratório, mas também os efeitos da xenofobia na região. É que pela informação partilhada pela Delegada do Instituto Nacional de Gestão de Risco de Desastres na Cidade de Maputo Esselina Muzima Delegada do INGD Maputo que monitora a situação no terreno, “boa parte dos migrantes que chegam estão documentados 98%,” porém foram perseguidos.
No terreno, as autoridades moçambicanas tentam dar resposta à emergência através do INGD. A STV sabe que o Serviço de Saúde de Lhamakulo destacou uma equipe de trabalho para assistência às vítimas que se prevê que sejam evacuadas ainda nesta quarta-feira.
“A nossa meta hoje é transportar todas a pessoas que foram vítimas de xenofobia para fronteira de Zóbué” Disse Esselina Muzima
A Organização Internacional para as Migrações, órgão das Nações Unidas, esteve na Junta na tarde de hoje. Sem gravar entrevista, os seus voluntários asseguraram a Stv ser a primeira vez que se fazem ao local desde o início da crise.
A Liga Moçambicana de Futebol encaixou, recentemente, 61 milhões de meticais, valor desembolsado pela Vulcan Mozambique. O valor é destinado à logística do Moçambola, sobretudo para o pagamento das passagens aéreas das 14 equipas que militam na prova.
O apoio surge num contexto em que a entidade que gere o principal escalão do futebol moçambicano enfrenta enormes dificuldades para viabilizar a prova, facto que tem concorrido para sucessivos e sistemáticos adiamentos e reagendamento dos jogos. Com este apoio, está garantido o andamento normal da prova até o seu término.
A Vulcan Mozambique junta-se à Liga Moçambicana de Futebol com a intervenção do Presidente da República, Daniel Chapo, que mobilizou os representantes desta empresa mineira que opera na província de Tete a apoiar o Moçambola.
No ano passado, o Chefe do Estado interveio, também, mobilizou o apoio da Cervejas de Moçambique (CDM) a financiar a maior prova futebolística nacional, numa altura em que a LMF via-se à nora para garantir o decurso normal do Moçambola.
Na altura, a CDM desembolsou 65 milhões de meticais, valor que, conjugado com os outros apoios, contribuiu significativamente para o decurso normal do Moçambola, ainda que a prova não tenha terminado.
Com os jogos quase a serem disputados de forma tímida, o Moçambola está a decorrer no país. Já na oitava jornada, a prova é liderada pelo Ferroviário da Beira, que soma 16 pontos, frutos de quatro vitórias, quatro empates e sem nenhuma derrota.
A Associação Black Bulls segue na segunda posição com 14 pontos, a razão de três vitórias, cinco empates e zero derrotas. À semelhança do Ferroviário da Beira, os “Touros” também ainda não sofreram nenhuma derrota do Moçambola 2025.
O campeão em título, União Desportiva do Songo, continua a marcar passo na prova, registando resultados pouco conseguidos. Ainda assim, os “Hidroeléctricos” ocupam a terceira posição, com 13 pontos, mais um que a dupla Ferroviário de Nacala e Costa do Sol na quarta e quinta posições, respectivamente.
O Chingale de Tete e Baía de Pemba estão na cauda da tabela classificativa, na penúltima e última posição, com dois três e dois pontos, respectivamente.
A Ilha de Idugo, localizada no distrito de Quelimane, passa a beneficiar de um centro de saúde do Tipo II, equipado com bloco de consultas externas e maternidade. A infraestrutura surge para responder à crescente procura de serviços de saúde e melhorar o acesso aos cuidados médicos naquela comunidade. A iniciativa resulta de uma parceria entre a Fundação Zalala, o Governo do Japão e o Governo de Moçambique.
A unidade sanitária, já em funcionamento, está avaliada em cerca de 79 mil dólares norte-americanos, o equivalente a quatro milhões de meticais, valor financiado pelo Governo do Japão. Numa primeira fase foi construída a maternidade e, posteriormente, o bloco de consultas externas, com o objectivo de reforçar a capacidade de atendimento.
A infraestrutura foi oficialmente inaugurada pelo governador da província da Zambézia, Pio Matos, numa cerimónia testemunhada pelo secretário da Embaixada do Japão em Moçambique, HokiGuchi Akihito, e pela população local.
A entrada em funcionamento da unidade sanitária vem aliviar o sofrimento da população, com destaque para as mulheres grávidas que, para dar à luz, tinham de percorrer primeiro um trajecto fluvial e depois cerca de dez quilómetros por terra, enfrentando diversos perigos.
Filomena Alcino, residente da Ilha de Idugo, manifestou satisfação com a inauguração do centro de saúde. Segundo ela, as mulheres eram das mais prejudicadas pela inexistência da unidade sanitária, sendo frequentes as dificuldades associadas ao acesso aos serviços de maternidade.
“Hoje não tenho dúvidas de que a situação vai melhorar para as mulheres que sonham ter os seus bebés com segurança e numa maternidade”, afirmou, visivelmente satisfeita.
Quem também mostrou satisfação foi o líder comunitário Paulino Amado, igualmente residente na ilha.
“A nossa satisfação é enorme porque sentimos que os esforços para a construção desta unidade sanitária visam salvar a nossa comunidade, que ainda enfrenta muitas carências. Para além da saúde, que agora fica parcialmente resolvida, continuamos sem energia da rede eléctrica nacional, água potável e posto policial, entre outros serviços. Por isso, quero, em nome da comunidade, lançar este apelo para que nos continuem a ajudar”, disse.
Reconhecendo as necessidades existentes, o governador da Zambézia, Pio Matos, reafirmou o compromisso do Governo em continuar a promover investimentos que contribuam para a melhoria das condições de vida das comunidades da ilha.
“Estamos cientes das dificuldades que a ilha enfrenta, mas queremos garantir que o Governo tem plena consciência desta realidade e tudo fará para assegurar mais serviços à população. Vamos trabalhar para trazer energia eléctrica, água potável e um posto policial para esta comunidade”, garantiu o governante.
Por sua vez, José Manuel, representante da Fundação Zalala, e HokiGuchi Akihito, secretário da Embaixada do Japão em Moçambique, asseguraram que continuarão a desenvolver projectos destinados a apoiar as comunidades, com transparência e compromisso, em benefício da população.
O acesso à Ilha de Idugo é feito por embarcações, através do rio que dá nome à localidade. A partir dali, o percurso prossegue a pé ou de motorizada, tal como fizeram as autoridades durante a visita ao novo centro de saúde.
Ao longo do trajecto é possível observar a realidade das comunidades locais, onde predominam habitações construídas com materiais precários. A população enfrenta ainda desafios relacionados com o acesso à água potável, energia eléctrica e outras infraestruturas básicas.
Um dado que chama a atenção é o elevado número de nascimentos registados na ilha, reflexo de uma taxa de natalidade relativamente elevada. A Ilha de Idugo alberga mais de doze mil habitantes.