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A falta de informação sobre os preços, os elevados custos de transporte, o acesso limitado ao financiamento e as deficiências das infra-estruturas continuam a comprometer a capacidade da agricultura do país de gerar rendimentos e alimentar a indústria nacional. 

Os constrangimentos afectam diferentes cadeias de valor e dificultam a transformação da produção agrícola em riqueza, apesar do potencial de recursos de que o país dispõe.

Estas são algumas das constatações apresentadas no livro Agricultura e Transformação Económica em Moçambique: Evidências, Políticas e Caminhos para o Desenvolvimento, uma obra colectiva que reúne 16 autores, entre investigadores nacionais e estrangeiros, e resulta de estudos desenvolvidos ao longo de vários anos sobre os desafios da agricultura e da transformação estrutural da economia moçambicana.

Na apresentação da obra, que teve lugar esta quarta-feira, na Cidade de Maputo, Alberto da Cruz explicou que os estudos surgiram no contexto da preparação de políticas de desenvolvimento e industrialização, tendo sido analisadas diferentes cadeias de valor, entre as quais o milho, o algodão, o frango e o feijão bóer.

O investigador destacou a falta de informação fiável sobre os preços e as dificuldades de transporte como obstáculos que prejudicam os produtores e limitam a ligação entre a produção agrícola e a indústria.

“Os agricultores, no caso do milho, não têm informação do preço. Isto é um problema, porque já não sabem como negociar”, afirmou.

Alberto da Cruz chamou igualmente a atenção para as dificuldades de escoamento da produção, que impedem que determinados produtos cheguem aos principais centros de consumo e às unidades industriais.

“A indústria agrícola não compra o milho que sai da Angónia porque não chega a Maputo”, explicou, defendendo que a industrialização do país depende também de investimentos em infra-estruturas que liguem as zonas de produção aos mercados.

“Se realmente queremos industrializar Moçambique, é preciso infra-estruturar”, sublinhou.

Baixa produtividade mantém agricultores na pobreza

Por seu turno, Egas Daniel, também autor da obra, considera que o desafio da agricultura moçambicana não se resume à quantidade de terra disponível ou ao número de pessoas envolvidas na actividade, mas à capacidade de produzir mais com os recursos existentes.

“A diferença é que há pouco rendimento nesta muita terra, neste muito trabalho”, observou o investigador, ao explicar que o crescimento da produção agrícola tem acompanhado o aumento da área cultivada e da população, sem uma evolução significativa da produtividade por trabalhador e por área.

Segundo Egas Daniel, esta realidade limita os rendimentos dos produtores e dificulta a transformação da estrutura económica do país. Para o investigador, o aumento da produtividade agrícola deve ser o ponto de partida para dinamizar outros sectores, incluindo a indústria transformadora e os serviços.

“O agricultor não é irracional. Ele não produz pouco porque não quer ganhar, os simples riscos que ele enfrenta ao produzir muito são tais que não lhe dão incentivos para ele produzir mais”, afirmou, defendendo que os riscos e os constrangimentos enfrentados pelos produtores ajudam a explicar a baixa produção.

Entre os factores identificados no livro estão as dificuldades de transporte, o acesso à terra, a falta de crédito, a ausência de seguros agrícolas adequados e as limitações do mercado de trabalho. Na perspectiva do autor, estes obstáculos estão interligados e devem ser enfrentados de forma articulada.

Egas Daniel alertou ainda para a necessidade de integrar as mudanças climáticas na planificação pública. Cheias e secas podem desencorajar os produtores a investir e comprometer até a produção que conseguem realizar, sobretudo quando não existem mecanismos de protecção adequados.

O investigador defendeu igualmente a diversificação dos mercados e o processamento da produção nacional, para reduzir a dependência de compradores externos. Como exemplo, apontou o caso do feijão bóer, cuja exportação depende fortemente do mercado indiano.

Potencial agrícola exige ligação à indústria

Na sua intervenção, o ministro da Planificação e Desenvolvimento, Salim Valá, afirmou que o país dispõe de um potencial agrícola significativo, mas continua a enfrentar dificuldades para o converter em rendimento e desenvolvimento económico.

“O nosso problema não é a ausência de potencial, mas a ausência das ligações que convertem potencial em rendimento”, declarou.

O governante recordou que a agricultura emprega cerca de três quartos da força de trabalho nacional, mas representa aproximadamente um quarto do valor acrescentado da economia. Moçambique dispõe de cerca de 36 milhões de hectares de terra arável, dos quais aproximadamente três milhões têm potencial para irrigação, mas apenas cerca de 50 mil hectares estão efectivamente irrigados.

Salim Valá destacou também o baixo nível de comercialização da produção agrícola, estimando que, em média, os agregados familiares agrícolas comercializam cerca de 12% da sua produção.

“Aumentar a produção sem assegurar mercados, financiamento, logística e processamento industrial produz resultados económicos limitados”, advertiu.

Para o ministro, a transformação da agricultura exige uma abordagem que ultrapasse o aumento da produção e inclua o acesso aos mercados, a melhoria das infra-estruturas, a expansão da irrigação, o financiamento e o desenvolvimento da indústria de processamento.

“O verdadeiro valor económico da agricultura mede-se também pela indústria que alimenta, pelas empresas que dinamizam, pelos empregos que criam e pelos mercados que desenvolvem”, afirmou.

A obra apresenta, assim, um conjunto de evidências e propostas para orientar as políticas públicas e os investimentos privados, defendendo uma maior articulação entre os diferentes sectores da economia. 

A mensagem central dos autores é que o potencial agrícola de Moçambique só poderá traduzir-se em desenvolvimento sustentável se forem removidos, de forma coordenada, os obstáculos que limitam a produtividade, o rendimento dos produtores e a ligação entre a produção e a indústria.

 

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Os transportadores de longo percurso dizem que mais do que agravar as sanções aos automobilistas, é preciso consciencializar o condutor sobre a importância do cumprimento das regras de trânsito e o respeito à vida. Já a Associação Moçambicana para as Vítimas de Insegurança Rodoviária apela  à revisão urgente do código de estrada, para reduzir a sinistralidade rodoviária no país.

De acordo com o Plano de Acção de Segurança Rodoviária 2025, o transporte público de passageiros é que que mais vida seiva em acidentes, por isso direcionou muitas medidas para este sector de transporte. 

O “O País” ouviu alguns transportadores sobre as medidas previstas no plano de acção, sobretudo no dispositivo de controle de velocidade. Para Edson Domingos o dispositivo até é bem vindo, mas defende a conscientização como prioritária, até porque os dispositivos são um gasto financeiro, mas também invoca a responsabilidade do automobilista.

A Associação Moçambicana para as Vítimas de Insegurança Rodoviária diz que o plano de acção é bem vindo, mas peca pelo pouco envolvimento dos actores importantes no processo, e apela também à celeridade na revisão do Código de estradas.

A revisao do Código de Estradas prevê ainda a  instalação de câmaras de vigilância e sistemas de controlo de velocidade em lugares considerados “pontos negros”, como a EN1, na cidade de Maputo, em frente à Faculdade de Engenharia da Universidade Eduardo Mondlane.

O Governo de Trump pondera reduzir significativamente a presença diplomática dos Estados Unidos da América em todo o mundo, e a sua proposta é fechar cerca de 30 embaixadas e consulados, mais da metade dos quais estão localizados em África.

A pretensão de Trump de reduzir a presença diplomática norte-americana no mundo faz parte de um plano mais amplo para cortar o orçamento do Departamento de Estado em quase 50%, com o objectivo de diminuir a ajuda externa em aproximadamente 75%.

De acordo com um documento interno do Departamento de Estado, citado pelo Africanews, o encerramento de embaixadas e consulados inclui Lesoto, Eritreia, República Centro-Africana, República do Congo, Gâmbia e Sudão do Sul.

Além desses países, a iniciativa dos Estados Unidos da América abrange consulados em Durban, África do Sul e Duala, nos Camarões. As responsabilidades nestes países podem ser transferidas para países vizinhos.

Os críticos da proposta expressam preocupação com o facto de que a redução da presença diplomática dos EUA em África poderá diminuir a influência americana no continente, especialmente à medida que outras as potências globais, como a China, continuam a expandir a sua presença.

O encerramento pode, também, prejudicar as relações diplomáticas, as parcerias económicas e a promoção dos valores democráticos.

O plano do governo de Trump inclui o encerramento de embaixadas em países europeus como Malta e Luxemburgo, bem como consulados em várias cidades da Europa e da Ásia, refere o Africanews.   

Essas mudanças propostas fazem parte de um esforço maior para optimizar as operações governamentais e reduzir os gastos federais.

A maior parte dos farmeiros zimbabweanos brancos, que viram suas terras expropriadas há 25 anos, recusam os termos de compensação em negociação com o Governo de Emmerson Mnangagwa, escreve a mídia sul-africana.

O Governo do Zimbabwe está há já alguns anos a negociar compensações a farmeiros brancos que viram suas terras expropriadas pelo Governo, uma acção que conta com o apoio do Banco Africano de Desenvolvimento, com mediação do antigo Presidente da República, Joaquim Chissano. 

Recentemente, o governo zimbabweano emitiu títulos de dívida pública a serem pagos em 10 anos, no valor de 308 milhões de dólares, a serem entregues aos farmeiros pela compensação. Mas a maior parte deles considera esta acção inaceitável, segundo escreve a New24 da África do Sul.

A News24 cita Deon Theron que representa um dos três grupos de farmeiros que estão a negociar as indemnizações.  Segundo ele, o governo tem acordo com 15% a 17% dos agricultores e a maioria rejeita os termos propostos.

O Zimbabwe quer chegar a um acordo com os agricultores, como parte de um esforço para reestruturar as suas dívidas e restaurar o acesso aos credores. O país está em incumprimento desde 1999 e deve mais de 21 mil milhões de dólares em credores, incluindo o Banco Mundial, o Clube de Paris e o Banco Africano de Desenvolvimento.

Nos esforços mediados por Joaquim Chissano o Zimbabwe terá chegado a acordo para pagar um total de 3,5 mil milhões de dólares em indemnizações aos farmeiros, mas o valor continua a ser contestado por uma parte dos beneficiários que querem muito mais.

O Governo Zimbabweano anunciou no início de Abril ter pago indemnizações a 378 agricultores pagos através de títulos da dívida de um total de 740 farmeiros que aceitaram este modelo de pagamento. Estima-se em mais de 4.5 mil os farmeiros que perderam suas terras e esperam pelas compensações no Zimbabwe.

Carlos Paradona vai celebrar o Dia Mundial do Livro e do Direito do Autor em Malabo. Na capital da Guiné Equatorial, próxima quarta-feira, o escritor vai lançar o seu último romance, intitulado “Pita kufa, o leito da morte”.

De acordo com uma nota de imprensa da Associação dos Escritores Moçambicanos (AEMO), o romance “Pita kufa, o leito da morte”, apesar de circulação restrita, tem despertado um interesse inusitado entre a comunidade literária e acadêmica daquele país da CPLP, daí o convite formado para o autor lançar o livro em Malabo.

Na ida a Guiné Equatorial, o escritor e Secretário-Geral da Associação dos Escritores Moçambicanos vai procurar aprofundar relações com a associação dos escritores daquele país.

Para Carlos Paradona, o lançamento de “Pita Kufa”, em Malabo, “vai ter um grande impacto visto tratar-se do primeiro autor moçambicano a fazer esse tipo de evento. Ademais, tratando-se de um país que recentemente adoptou o Português como língua oficial, esta obra vai contribuir para o aumento de materiais escritos em Português para o público leitor neste país da CPLP”, afirmou.

Não obstante, com a sessão de lançamento do livro, em Malabo, pretende-se abrir espaço para autores nacionais apresentarem as suas obras naquele país, com o fim último de internacionalizar a literatura moçambicana. Também, portanto, pretende-se criar bases para intercâmbio de autores dos dois países e as suas obras, com laços de cooperação constantes

 

Uma menor morreu afogada em Chimoio, depois de  ter sido arrastada pela fúria das águas do rio Muenedzi. A vítima saía da igreja na companhia da sua mãe e irmã. 

A vítima que em vida respondia pelo nome de Natália Elias, de 15 anos de idade, foi arrastada pela fúria das águas, quando tentava atravessar o rio Muenedzi, do Bairro 7 de Abril. A vítima regressava da igreja.

Estava na companhia de sua mãe e uma irmã cujas tentativas para socorrê-la redundaram num fracasso.

Visivelmente abalado, o pai diz que o corpo da filha foi encontrado já no bairro centro hípico, cerca de oito quilômetros do local de onde foi arrastada.

 

Criadores de gado do distrito de Chibuto, em Gaza, denunciam esquemas de roubo de gado. Os animais são depois levados à Maputo. Cerca de 150 cabeças foram saqueadas em quatro comunidades,  nos últimos quatro meses. A situação é do conhecimento das autoridades do distrito, que ainda não têm acções concretas para travar o mal. 

Soa o alarme nas comunidades do distrito de Chibuto, na província de Gaza. São mais de 50 criadores aterrorizados com o aumento de casos de roubo de gado. As investidas ocorrem em média quatro vezes por mês, nas aldeias de Mucambe, Chamite, Alto Changane e Changanine.

“Sofremos roubos frequentes de gado nas nossas comunidades. Ao pernoitar, não sabemos se ao amanhecer ainda o teremos  connosco” , lamentou Domingos Salomão, um dos maiores  Criadores de Gado na localidade de  Mohambe.

Salomão acrescentou ainda que, devido às recorrentes investidas dos malfeitores, restaram apenas três cabeças, mas teme que também sejam roubadas. 

Chaquile wate, líder de Mohambe, diz que “as cabeças de gado são cortadas ao meio e transportadas em pedaços. Eles são detidos, mas em pouco tempo lhes é restituída a liberdade e voltam a roubar até cabritos” .

Júlio Ngomane,  outro criador de gado há mais de 45 anos, em Mohambe, partilhou que de Outubro do ano passado até aqui, já foram roubados no seu coral 14 animais e o caso mais recente foi há três semanas, em que, de uma só vez, foram roubadas seis cabeças de gado.

“Já roubaram-me seis cabeças de gado e ainda não consegui recuperá-las. Não passam dois meses sem registo de roubo. Há um mês roubaram duas cabeças e conseguimos recuperar uma”.

Chaquile Wate, 67 anos de idade, também não escapou às incursões dos ladrões, que têm roubado o sossego dos criadores de Chaimite.

“Roubaram 10 cabeças de gado e o ladrão refugiou-se em Maputo. Mas há pouco roubaram gado de Tomás Lhongo, não sabemos para onde é levado o gado”, disse.

A rede “ mafiosa”,  que se dedica ao saque de animais, é supostamente liderada por criadores, na sua maioria, provenientes de Chókwè, Guijá e Maputo, de acordo com criadores locais

“O destino do gado que foi roubado aqui é Maputo.  Fazem negócio com os de Maputo que fazem negócio lá”, revelou Lourenço Machaila, criador de Gado em Chaimite.

O governo distrital de Chibuto confirma o aumento de casos de roubo de gado e diz que a falta de credenciação, aliada à falta de diálogo entre as autoridades e criadores locais fragiliza o combate.

“Só esta semana registámos mais cinco casos de roubo de gado, mas continuamos a trabalhar junto das autoridades policiais, para fazer face ao fenómeno. O roubo de gado ganha terreno porque os criadores não registaram o seu gado, o que dificulta o rastreio da mobilidade” disse Milagre Simbine, Director SDAE em Chibuto.

Os criadores de Alto Changane, Changanine e Mohambe acusam a polícia de nada fazer para reverter o cenário e, por isso, tentam organizar a própria segurança.

“O trabalho de fiscalização da polícia nas estradas não tem efeito” , por isso, em pelo menos 8 bairros de Chaimite, há grupos de fiscalização comunitária.

O distrito de Chibuto tem mais de 100 mil cabeças de gado bovino.

Na próxima quarta-feira, às 17 horas, na Biblioteca da UniSave-Maxixe, Campus-2, na Província de Inhambane, Jeremias F. Jeremias vai lançar a sua mais recente proposta poética, intitulada “Locus Corpus”.

De acordo com a nota de imprensa da Editorial Fundza, que chancela o livro, “Locus Corpus” é resultado do apuramento feito na terceira Chamada Literária 2023/24, promovida pela própria editora, uma iniciativa anual que visa dar oportunidade de publicação aos jovens autores talentosos, moçambicanos, sem nenhum custo para a publicação do livro.

A obra literária de Jeremias F. Jeremias possui 119 páginas, numa prosa-poética que cataloga, canta, de maneira denunciante, o flagelo, o horror e o esgotamento humano em vários extremos, perfilando em suas linhas estreitas textos que gravitam em torno do absurdo, da angústia ou aborrecimento que confirmam o horizonte do declínio da existência, as crises ideológicas que se verificam em vários quadrantes do mundo, como a fome que devasta a maior parte das populações do continente africano.

Jeremias F. Jeremias, natural de Manjacaze (Gaza), é licenciado em Organização e Gestão da Educação pela Universidade Eduardo Mondlane e formado em Ensino de Português pela Universidade Pedagógica. Foi vencedor do Prémio de Poesia Reinaldo Ferreira 2022, com a obra “Rostos desabitados [e] Fragmentos do escuro”, e da primeira  edição do Prémio de Poesia Gala-Gala 2020.

 

Em pleno coração de Inhambane, na pacata comunidade de Mavanza, foi dado um passo histórico que promete posicionar Moçambique no cenário industrial africano e global. O Presidente da República, Daniel Chapo, deslocou-se à localidade para proceder ao lançamento da primeira pedra da Cidade Petroquímica Nacional, um dos maiores empreendimentos industriais integrados da região. “Estamos aqui a transformar a nossa visão em realidade, fazendo de Moçambique um polo estratégico de produção química e energética”, afirmou Chapo durante a cerimónia que juntou investidores e a população local.

Com um investimento inicial superior a dois mil milhões de dólares, o projecto prevê a criação de cerca de 4300 empregos directos e mais de 5000 indirectos ao longo dos próximos quatro anos. Para o Chefe do Estado, o impacto imediato deste investimento vai além dos números: “A nossa prioridade é garantir que as comunidades locais sejam as primeiras a beneficiar, através da capacitação técnica e da formação profissional, para que possam ocupar os postos de trabalho mais qualificados.”

A localização do projecto em Mavanza não foi um acaso. Trata-se de uma região rica em recursos naturais, mas com desafios económicos significativos. A implantação da Cidade Petroquímica Nacional promete transformar Mavanza num parque industrial de classe mundial, integrando a comunidade local no processo de desenvolvimento.

Segundo a empresa Phoenix National, cerca de 100 jovens serão enviados para o estrangeiro em bolsas de estudo, com o objectivo de regressarem mais qualificados e prontos para assumir posições de liderança na nova indústria. “Estamos a investir nas pessoas, porque elas são o maior activo deste país”, destacou.

O impacto social também é evidente. Com a chegada de novas oportunidades de emprego e formação, espera-se uma melhoria significativa na qualidade de vida da população local. Muitos residentes de Mavanza acreditam que o projecto não apenas trará progresso económico, mas também avanços em áreas como educação e saúde.

A dimensão e a sofisticação do projecto impressionam. A Cidade Petroquímica Nacional incluirá uma central térmica com capacidade de 300 megawatts, um terminal marítimo com quatro quilómetros de extensão, estações de tratamento e unidades de produção avançadas. A capacidade instalada superará um milhão de toneladas anuais de produtos petroquímicos, como amoníaco, ureia, cloro e fertilizantes, destinados ao mercado interno e à exportação.

Além disso, a infra-estrutura também contemplará uma área residencial equipada com escolas, hospitais e centros comerciais. Estes serviços adicionais reforçam o compromisso do projecto com o bem-estar das comunidades, criando um ambiente propício, não apenas para os trabalhadores, mas também para as suas famílias.

“A Cidade Petroquímica Nacional é mais do que uma infra-estrutura industrial. É um projecto que transforma vidas e constrói comunidades”, afirmou Chapo, enfatizando que os benefícios vão muito além das fronteiras de Inhambane.

Estima-se que a Cidade Petroquímica Nacional contribuirá com cerca de 1,150 mil milhões de dólares para o Produto Interno Bruto (PIB), alavancando a economia e atraindo novos investimentos. Além disso, a capacidade de transformar recursos naturais em produtos acabados reduz a dependência do país em relação à exportação de matérias-primas, um dos principais desafios.

A iniciativa também integra uma dimensão ecológica, com a utilização de tecnologias de ponta que garantem elevados padrões ambientais. “Estamos a implementar um projecto que respeita o meio ambiente e promove a sustentabilidade, sem comprometer as gerações futuras”, afirmou o Presidente da República. Esta abordagem garante que o desenvolvimento económico esteja alinhado com os objectivos globais de protecção ambiental.

Outro aspecto importante é o fortalecimento das cadeias de valor. Com a produção de bens como fertilizantes e sal industrial, o projecto contribuirá directamente para o desenvolvimento de outros sectores-chave, como a agricultura e a logística, criando uma rede interconectada de crescimento económico.

Chapo aproveitou a ocasião para destacar que o projeto se alinha à estratégia do governo de processar recursos naturais internamente, adicionando valor às riquezas nacionais. Essa abordagem, segundo ele, permitirá ao país arrecadar mais receitas, que serão reinvestidas em infra-estrutura, educação, saúde e outras áreas essenciais para o desenvolvimento.

Para o Presidente da República, a transformação de Moçambique em um polo industrial não é apenas um sonho, mas uma realidade que já começa a tomar forma. “Com mais projectos como este, teremos um futuro em que os moçambicanos não serão apenas fornecedores de matérias-primas, mas protagonistas do desenvolvimento”, concluiu.

Durante a cerimónia, Chapo não deixou de lado a importância da paz e da estabilidade para o sucesso de empreendimentos como este. Enalteceu a população de Inhambane pelo patriotismo demonstrado ao resistir às manifestações violentas que afectaram outras regiões do país. “A paz é a base de tudo. Sem ela, não há progresso nem desenvolvimento”, enfatizou.

Chapo reconheceu que a estabilidade política cria um ambiente favorável para atrair mais investidores. O Presidente da República apelou às autoridades locais e à população para que acolham o projecto com entusiasmo, facilitando a sua implementação dentro dos prazos estabelecidos. “Este não é apenas um projecto para Mavanza, é um projecto para todo o país”, destacou.

A Cidade Petroquímica Nacional posiciona-se como um exemplo para outros países africanos. O uso de tecnologias de ponta, o compromisso com a sustentabilidade e a inclusão das comunidades locais mostram que é possível equilibrar progresso económico com responsabilidade social e ambiental.

O lançamento da Cidade Petroquímica Nacional marca um momento decisivo na história de Moçambique. Mais do que um empreendimento industrial, este é um projecto que simboliza uma visão de progresso, sustentabilidade e inclusão.

Com a participação de todos e o compromisso do Governo, Moçambique caminha para se firmar como uma referência em desenvolvimento industrial em África.

A fábrica de cimento Dugongo diz estar disposta a baixar o preço do cimento se outras fábricas e o Governo chegarem a esse entendimento. Sobre o serviço de cabotagem, a empresa entende que veio para ficar e é viável usar o mar.

O primeiro navio de cabotagem que partiu em Maputo no dia 11 de Abril corrente já está em Nacala a fazer a descarga da mercadoria. Trata-se do navio da Moçambique Dugongo Cimentos que transportava 10 mil toneladas de cimento.

O cimento destina-se exclusivamente à fábrica da Moçambique Dugongo Cimentos que está em construção desde o ano passado em Nacala. Trata-se da segunda cimenteira desta firma, com capacidade superior à fábrica de Matutuine, em Maputo.

As obras da nova fábrica de cimento em Nacala estão em 35% e espera-se que ainda este ano entre em funcionamento. A Dugongo diz que está aberta a oferecer um preço mais baixo do cimento, mas tudo depende das outras fábricas concorrentes e da vontade do Governo.

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