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A falta de informação sobre os preços, os elevados custos de transporte, o acesso limitado ao financiamento e as deficiências das infra-estruturas continuam a comprometer a capacidade da agricultura do país de gerar rendimentos e alimentar a indústria nacional. 

Os constrangimentos afectam diferentes cadeias de valor e dificultam a transformação da produção agrícola em riqueza, apesar do potencial de recursos de que o país dispõe.

Estas são algumas das constatações apresentadas no livro Agricultura e Transformação Económica em Moçambique: Evidências, Políticas e Caminhos para o Desenvolvimento, uma obra colectiva que reúne 16 autores, entre investigadores nacionais e estrangeiros, e resulta de estudos desenvolvidos ao longo de vários anos sobre os desafios da agricultura e da transformação estrutural da economia moçambicana.

Na apresentação da obra, que teve lugar esta quarta-feira, na Cidade de Maputo, Alberto da Cruz explicou que os estudos surgiram no contexto da preparação de políticas de desenvolvimento e industrialização, tendo sido analisadas diferentes cadeias de valor, entre as quais o milho, o algodão, o frango e o feijão bóer.

O investigador destacou a falta de informação fiável sobre os preços e as dificuldades de transporte como obstáculos que prejudicam os produtores e limitam a ligação entre a produção agrícola e a indústria.

“Os agricultores, no caso do milho, não têm informação do preço. Isto é um problema, porque já não sabem como negociar”, afirmou.

Alberto da Cruz chamou igualmente a atenção para as dificuldades de escoamento da produção, que impedem que determinados produtos cheguem aos principais centros de consumo e às unidades industriais.

“A indústria agrícola não compra o milho que sai da Angónia porque não chega a Maputo”, explicou, defendendo que a industrialização do país depende também de investimentos em infra-estruturas que liguem as zonas de produção aos mercados.

“Se realmente queremos industrializar Moçambique, é preciso infra-estruturar”, sublinhou.

Baixa produtividade mantém agricultores na pobreza

Por seu turno, Egas Daniel, também autor da obra, considera que o desafio da agricultura moçambicana não se resume à quantidade de terra disponível ou ao número de pessoas envolvidas na actividade, mas à capacidade de produzir mais com os recursos existentes.

“A diferença é que há pouco rendimento nesta muita terra, neste muito trabalho”, observou o investigador, ao explicar que o crescimento da produção agrícola tem acompanhado o aumento da área cultivada e da população, sem uma evolução significativa da produtividade por trabalhador e por área.

Segundo Egas Daniel, esta realidade limita os rendimentos dos produtores e dificulta a transformação da estrutura económica do país. Para o investigador, o aumento da produtividade agrícola deve ser o ponto de partida para dinamizar outros sectores, incluindo a indústria transformadora e os serviços.

“O agricultor não é irracional. Ele não produz pouco porque não quer ganhar, os simples riscos que ele enfrenta ao produzir muito são tais que não lhe dão incentivos para ele produzir mais”, afirmou, defendendo que os riscos e os constrangimentos enfrentados pelos produtores ajudam a explicar a baixa produção.

Entre os factores identificados no livro estão as dificuldades de transporte, o acesso à terra, a falta de crédito, a ausência de seguros agrícolas adequados e as limitações do mercado de trabalho. Na perspectiva do autor, estes obstáculos estão interligados e devem ser enfrentados de forma articulada.

Egas Daniel alertou ainda para a necessidade de integrar as mudanças climáticas na planificação pública. Cheias e secas podem desencorajar os produtores a investir e comprometer até a produção que conseguem realizar, sobretudo quando não existem mecanismos de protecção adequados.

O investigador defendeu igualmente a diversificação dos mercados e o processamento da produção nacional, para reduzir a dependência de compradores externos. Como exemplo, apontou o caso do feijão bóer, cuja exportação depende fortemente do mercado indiano.

Potencial agrícola exige ligação à indústria

Na sua intervenção, o ministro da Planificação e Desenvolvimento, Salim Valá, afirmou que o país dispõe de um potencial agrícola significativo, mas continua a enfrentar dificuldades para o converter em rendimento e desenvolvimento económico.

“O nosso problema não é a ausência de potencial, mas a ausência das ligações que convertem potencial em rendimento”, declarou.

O governante recordou que a agricultura emprega cerca de três quartos da força de trabalho nacional, mas representa aproximadamente um quarto do valor acrescentado da economia. Moçambique dispõe de cerca de 36 milhões de hectares de terra arável, dos quais aproximadamente três milhões têm potencial para irrigação, mas apenas cerca de 50 mil hectares estão efectivamente irrigados.

Salim Valá destacou também o baixo nível de comercialização da produção agrícola, estimando que, em média, os agregados familiares agrícolas comercializam cerca de 12% da sua produção.

“Aumentar a produção sem assegurar mercados, financiamento, logística e processamento industrial produz resultados económicos limitados”, advertiu.

Para o ministro, a transformação da agricultura exige uma abordagem que ultrapasse o aumento da produção e inclua o acesso aos mercados, a melhoria das infra-estruturas, a expansão da irrigação, o financiamento e o desenvolvimento da indústria de processamento.

“O verdadeiro valor económico da agricultura mede-se também pela indústria que alimenta, pelas empresas que dinamizam, pelos empregos que criam e pelos mercados que desenvolvem”, afirmou.

A obra apresenta, assim, um conjunto de evidências e propostas para orientar as políticas públicas e os investimentos privados, defendendo uma maior articulação entre os diferentes sectores da economia. 

A mensagem central dos autores é que o potencial agrícola de Moçambique só poderá traduzir-se em desenvolvimento sustentável se forem removidos, de forma coordenada, os obstáculos que limitam a produtividade, o rendimento dos produtores e a ligação entre a produção e a indústria.

 

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Angola registou 500 mortos e 13 818 casos de cólera devido ao surto que o país enfrenta desde Janeiro deste ano, com 17 das 21 províncias afectadas, segundo dados do Ministério da Saúde.

O ponto de situação do surto de cólera, feito pelo Ministério da Saúde, dá conta de que nas últimas 24 horas foram registadas duas mortes e 220 novos casos, nas províncias de Benguela – a única que reportou óbitos e com o maior número de infeções (107) -, Cuanza Norte, Luanda, Malanje, Bengo, Icolo e Bengo, Cuanza Sul, Huíla, Zaire, Namibe e Cabinda, segundo escreve Lusa.

Nas últimas 24 horas, 269 pessoas receberam alta, mas continuam internadas 1 244 outras com cólera.

De acordo com uma nota do Ministério da Saúde, no sábado decorreu uma reunião técnica na província de Benguela, presidida pelo governador provincial, Manuel Nunes Júnior, e com a presença da titular da pasta da Saúde, Sílvia Lutucuta, e outros responsáveis governamentais do setor da energia e águas e do Ambiente, bem como representantes da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

O grupo de trabalho teve como objectivo avaliar as acções em curso, reforçar o compromisso interinstitucional e definir novas diretrizes estratégicas para uma resposta eficaz à situação de saúde pública provocada pelo surto de cólera.

A jornada de trabalho incluiu igualmente visitas técnicas a diversos pontos de abastecimento de água nos municípios, comunas e bairros da província, tendo Sílvia Lutucuta orientado o reforço do abastecimento de água potável, com prioridade para as zonas de maior risco.

Ampliar os pontos de hidratação oral e melhorar a assistência pré-hospitalar e hospitalar, mobilizar todos os atores sociais na promoção de ações comunitárias e de sensibilização para práticas de higiene são outros objetivos da governante.

A ministra orientou de igual modo o empoderamento das comunidades na gestão e conservação das infraestruturas instaladas e articulação com o Ministério do Ambiente para a construção de latrinas comunitárias, com recurso a materiais locais disponíveis.

A província de Benguela é, depois de Luanda, o epicentro da doença, e o Bengo é a região com o maior número de óbitos (70) e casos (2.104), desde o início do surto.

O Papa Francisco denunciou hoje a “dramática e desprezível situação humanitária” em Gaza, e apelou ao cessar-fogo e à libertação dos reféns, nas celebrações do domingo de Páscoa.

Na sua mensagem, lida por um assessor depois de o Papa aparecer na varanda da Basílica de São Pedro, em Roma, Francisco alertou também para “o clima de crescente antissemitismo que se está a espalhar pelo mundo”, segundo cita Lusa.

“Apelo aos beligerantes para que cessem o fogo, libertem os reféns e prestem uma ajuda preciosa às pessoas famintas que anseiam por um futuro de paz”, afirmou Francisco na mensagem.

Antes do início da leitura da sua mensagem pascal, o Papa, ainda a recuperar de uma grave pneumonia, apareceu na varanda da Basílica de São Pedro, para abençoar os milhares de fiéis ali reunidos, que o saudaram com vivas e aplausos.

“Irmãos e irmãs, Feliz Páscoa!”, afirmou Francisco, 88 anos, que apareceu numa cadeira de rodas, sem cânulas nasais de oxigénio, para dar a sua tradicional benção “Urbi et Orbi” (à cidade e ao mundo).

As milhares de pessoas que se encontravam na Praça de São Pedro começaram a aplaudir quando uma banda militar começou a tocar o hino da Santa Sé e o hino italiano.

Segundo escreve Lusa, o Papa argentino permaneceu sentado na cadeira de rodas e pediu a D. Diego Ravelli, mestre das celebrações litúrgicas pontifícias, para ler a mensagem às 35 mil pessoas reunidas na Praça de São Pedro, para a Missa do Domingo de Páscoa, que foi presidida pelo Cardeal Angelo Comastri.

Após a mensagem, o Papa ainda apareceu no seu ‘papamóvel’ no meio da multidão de fiéis reunidos na Praça de São Pedro para celebrar a Páscoa, e durante cerca de 15 minutos percorreu os corredores da praça e abençoou bebés, rodeado por guarda-costas.

O Papa tem estado ausente de todos os ritos da Semana Santa no Vaticano e apenas se deslocou na tarde de Quinta-feira Santa à prisão romana de Regina Coeli, perto do Vaticano, para cumprimentar os reclusos, como tem feito desde o início do seu pontificado.

“Vivo-a o melhor que posso”, respondeu o pontífice, com um sussurro, da janela do carro ao sair da prisão, quando questionado pelos meios de comunicação sobre como está a viver a Semana Santa neste momento delicado para a sua saúde.

Os ensaios para o concerto MOSA International CORAL   decorrem a bom ritmo, quando faltam poucas semanas. A fusão da cultura moçambicana e sul africana vai marcar o grande espetáculo da música coral.     

No mesmo local, concentram-se coristas moçambicanos para afinar as vozes que vão animar o concerto internacional de música coral, rostos que vão subir ao palco da arena 3D, na Katembe, num  evento que vai juntar a cultura moçambicana e sul africana.    

Enquanto se aguarda pelo derradeiro momento, o grupo coral moçambicano vai mexendo em alguns aspectos importantes, a preparação dos coristas.  

O exercício de aquecimento é fundamental e é o primeiro passo dado durante os ensaios.

É pelas mãos da maestrina Helena Rosa que a música e a dança juntam-se num único palco, para marcar o lançamento do concerto Mosa Internacional Coral. 

“Estamos, neste momento, a fazer a finalização das obras e fazer a harmonização das vozes. A ideia é trazer para o público um concerto memorável. Temos, no concerto, duas partes, que é a parte do coral, que vai trazer música tradicional africana, vai trazer música religiosa, mas também música clássica que vai ser feita por solistas moçambicanos e solistas sul africanos. Estamos, neste momento, a trabalhar para que o concerto seja um grande evento”, disse Helena Rosa, maestrina.  

A fusão dos géneros culturais irá marcar o evento e os coristas entregam-se ao desafio. 

“O maior desafio, para além da língua, é o preparo vocal, porque as canções que nós cantamos aqui, nos desafiam, não só fisicamente, mas também intelectualmente. São muito desafiadoras, desde a língua, os seus tons, as intensidades das canções. Isto tudo constitui um desafio diário, e cada ensaio é um ensaio”, disse Áquia Simango, corista.    

O tempo não é mero detalhe, é uma ferramenta indispensável. E, diga-se,muito necessária. São várias horas de preparação para garantir um bom espectáculo.

“É muita coisa por ser apreendida. São canções que, diria eu, não são do nosso quotidiano. Então, há canções que nós precisamos, efectivamente, estar em condições para apresentar correctamente. Por exemplo, eu falava da diversificação das músicas que vamos apresentar, são canções que, em algum momento, precisam de um ensaio   e preparo, para podermos apresentar”, afirmou Zacarias Fernando, também corista. 

Beldumar Paia é um dos personagens com o papel de solista que vai apresentar a música clássica. 

Quanto mais próximo o concerto, mais aumenta a ansiedade dos participantes moçambicanos e sul africanos que prometem uma grande festa.

Cristãos celebram, este Domingo, a ressurreição de Jesus Cristo. Nesta Páscoa, líderes religiosos e crentes apelam ao perdão, à paz e à reconciliação. 

Jesus Cristo ressuscitou e houve quem, depois de nascer de novo pelo baptismo, o recebeu em sua vida, pela primeira vez.  Na igreja católica, muitos crentes receberam o corpo e sangue de Cristo através da Eucaristia.  Este acto marcou a missa de celebração da Páscoa na Sé Catedral de Maputo. 

“A ressurreição não é uma teoria, é uma missão. A vida já venceu a morte então somos chamados a testemunhar esse amor ”, disse Dom João Carlos Nunes, durante a sua pregação. 

Aos cânticos de louvor e adoração,  os crentes oravam e agradeciam pelo dom da vida. Em muitas igrejas, o que mais se ouvia eram mensagens de paz e reconciliação entre os moçambicanos.  

“Este é o momento para cada um de nós possa perdoar, para que possamos ver Moçambique reconciliado porque Jesus morreu e ressuscitou no terceiro dia para que nós que estamos numa condição de separados de Deus estivemos reconciliados ”, disse Jorge Bata, pastor da Igreja Assembleia de Deus da Baixa.

Para os líderes religiosos, o diálogo deve prevalecer, sempre como o principal caminho para resolver os problemas.  Porque a Páscoa é uma das celebrações mais importantes para os cristãos, algumas igrejas, na capital, registaram um número desusado de crentes imbuídos no espírito pascal.

Quatro pessoas da mesma família morreram vítimas de incêndio, provocado por uma bobina de mosquitos, no bairro Magoanine A, na cidade de Maputo. Entre as vítimas está uma menor de 4 anos.

Foi uma bobina igual a esta, usada para espantar mosquito durante as noites, que se suspeita que tenha iniciado um incêndio nesta residência, sita no bairro Magoanine A, na cidade de Maputo. O resultado do incidente foram quatro mortes.

Tudo aconteceu na noite da última sexta-feira, a sexta santa, quando oito pessoas da mesma família dormiam. 

Porque a casa estava trancada, os vizinhos tiveram que partir parte da parede para retirar as vítimas.  Apesar das tentativas para salvar a todos, uma menor não conseguiu sair a tempo e morreu carbonizada.

O incêndio interrompeu os sonhos de três menores, de 4, 14 e 17 anos, das quais duas eram irmãs e que estavam de visita na casa. A dona da casa, que por sinal era tia das menores, acabou por perder na luta pela vida.

As outras três vítimas, por sinal filhas do casal, junto do pai, sobreviveram, tendo as meninas saído do hospital, faltando o chefe da família, que tem a saúde estável. A família está inconsolável. 

O município de Tete está a reabilitar os passeios, ao longo das principais  ruas e avenidas da cidade, que se encontram muito degradados. A intervenção inicial abrange as vias que estão praticamente intransitáveis devido ao estado acentuado de degradação.

Um conjunto de passeios, de diversas artérias da cidade de Tete, começou, há dias, a ser reabilitado, no quadro de uma iniciativa municipal, que visa a melhoria das condições de circulação e de mobilidade pedonal.

Alguns utentes louvam a iniciativa do município, mas outros questionam as más condições das estradas, onde estão a decorrer as obras de reabilitação  e  manutenção dos passeios.

“Devia ser primeiro a estrada, porque nós os automobilistas passamos mal mesmo. Quando chove, aqui é um assunto, mas o serviço é deles e não temos como. Mas, a iniciativa é bem vinda”, disse um automobilista. 

Os munícipes pedem igualmente melhorias das condições das vias de acesso nos bairros fora da zona cimento, cuja  transitabilidade é deficitária devido ao  excesso de crateras e buracos

“Seria bom também que esse trabalho fosse aos bairros, para agradecer ao povo que votou no presidente César de Carvalho. Não basta só fazer o trabalho dentro do cimento, tem que sair para fora”, recomendou um munícipe. 

A edilidade, através do pelouro de infraestruturas e trânsito, reconhece o problema  e explica que o plano irá abranger todas as ruas e avenidas da cidade, cuja transitabilidade está condicionada. 

“Como podem ver, nesta avenida, estamos a requalificar. Para ter acesso a um estabelecimento comercial, temos que ter em conta que temos essas pessoas com deficiência, por isso vamos deixar também algumas rampas, para facilitar a mobilidade dessas pessoas com deficiência”, avançou o vereador de infraestruturas e trânsito da cidade de Tete.   

A edilidade diz ainda que os trabalhos de requalificação dos passeios incluem  o alargamento das faixas de rodagem e colocação de pavé em locais tidos como críticos.

“Além de melhorar os passeios, estamos também a alargar a estrada, que antes tinha 12 metros e agora passa a ter 13. Contudo, não estamos a impedir a mobilidade de munícipes ou de pessoas com deficiência. Significa que ainda temos passeios que dá para a sua circulação”, acrescentou o vereador.  

O município de Tete não avança o orçamento  para execução das obras , mas garante conclusão até meados deste ano. 

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, acusou a Rússia, este domingo, de querer passar uma ilusão de cessar-fogo, após o seu homólogo russo ter decretado tréguas na guerra com a Ucrânia durante a Páscoa.

Zelensky diz que, em várias direcções, na linha da frente, já houve 59 casos de bombardeamentos russos e cinco ataques por unidades russas.

O presidente ucraniano denuncia, ainda,  que a Rússia realizou dezenas de ataques com drones FPV. 

Zelensky afirma, por outro lado, que os seus homens estão a responder como o inimigo merece e que a Ucrânia vai continuar a agir de forma simétrica.

A terminar, Zelensky refere que a Rússia deve cumprir as condições de cessar-fogo, sendo que a proposta da Ucrânia de estender a trégua por 30 dias continua em cima da mesa.

Um juiz aprovou, esta semana, o julgamento de dois agentes da polícia da era do apartheid por alegado envolvimento no assassinato de três activistas estudantis em 1982.

O processo é inédito. Até agora, nenhum indivíduo havia sido responsabilizado pelo crime de apartheid.

O caso gira em torno de três jovens combatentes pela liberdade mortos em uma explosão em 1982. As vítimas faziam parte de um movimento de resistência que se opunha ao regime do apartheid, que impunha o governo exclusivamente branco e a dominação sobre a maioria negra.

Também esta semana, a África do Sul reabriu uma investigação sobre a morte de Albert Luthuli, ex-presidente do Congresso Nacional Africano (CNA) e ganhador do Prêmio Nobel da Paz, morto em 1967.

A autoridade acusadora busca anular as conclusões de inquéritos anteriores sobre Luthuli. As autoridades da época concluíram que a morte de Luthuli foi resultado de um acidente.

O desenvolvimento ocorre mais de 30 anos depois que a África do Sul se tornou uma democracia e depois que uma comissão da Verdade revelou inúmeras atrocidades.

No coração da província de Inhambane, a Vila de Homoíne celebrou o seu 61.º aniversário com diversas atividades culturais e desportivas. Contudo, as comemorações foram acompanhadas por um forte apelo da população por soluções concretas para os desafios que marcam o quotidiano da vila. Entre os principais problemas estão as estradas degradadas, a falta de organização do transporte de passageiros e as condições precárias para os comerciantes locais. Estes desafios têm impactado diretamente a qualidade de vida dos munícipes, que agora pedem mais ações por parte das autoridades.

João Matavele, um residente de Homoíne, descreve com tristeza o estado das estradas que cortam a vila. “As estradas estão completamente esburacadas e, em dias de chuva, tornam-se verdadeiros rios de lama. É quase impossível transitar”, afirmou, sublinhando como a situação afeta não apenas a mobilidade, mas também o acesso a serviços essenciais, como escolas e unidades de saúde. “Há vezes que temos que caminhar grandes distâncias porque os transportes não conseguem passar. Isso afeta principalmente os idosos e as crianças, que são os mais vulneráveis”, acrescentou.

Ele também destacou o problema da poeira em dias de sol, que afeta diretamente a saúde dos moradores. “A poeira é constante e causa problemas respiratórios, principalmente nas crianças e nos idosos. Já perdi as contas de quantas vezes meus filhos ficaram doentes por causa disso”, lamentou. Para Matavele, a reabilitação das estradas é uma necessidade urgente, e ele pede ainda a organização do transporte de passageiros, que atualmente é caótico. “Os chapas param em qualquer lugar, bloqueando as vias e dificultando o trânsito. Precisamos de paragens adequadas para melhorar a mobilidade e garantir a segurança de todos”, apelou, enfatizando que uma melhor organização beneficiaria não apenas os condutores, mas toda a comunidade.

Maria Júlio, uma vendedora que ocupa os passeios no centro da vila, partilhou as dificuldades enfrentadas diariamente pelos comerciantes informais. “Trabalhamos sob sol intenso e chuvas torrenciais, sem nenhum tipo de proteção. É desumano. Nós precisamos de um mercado digno, onde possamos vender os nossos produtos sem medo de perder as mercadorias ou adoecer”, lamentou. Ela destacou como as condições precárias não afetam apenas o trabalho, mas também a qualidade dos produtos vendidos. “Quando chove, muitas mercadorias ficam molhadas e estragam. Isso gera prejuízo para nós, que já ganhamos tão pouco”, explicou.

Para Maria, a criação de um mercado organizado não é apenas uma questão de conforto, mas de sobrevivência. “Muitas de nós dependemos deste trabalho para sustentar as nossas famílias. Se tivermos um espaço adequado, poderemos atender melhor os clientes, conservar os nossos produtos e, quem sabe, aumentar os rendimentos”, afirmou. Ela também apelou às autoridades locais para que priorizem a construção de infraestruturas básicas para os comerciantes. “Não estamos a pedir luxo, mas condições mínimas que nos permitam trabalhar com dignidade”, concluiu.

Jovial Setina, Presidente do Conselho Autárquico de Homoíne, reconheceu que a vila enfrenta grandes desafios. Segundo ela, a erosão tem sido um dos principais problemas, degradando as vias e dificultando a mobilidade dos munícipes. “Devido à erosão, temos as vias todas esburacadas. Além disso, enfrentamos falta de água e energia em várias zonas da vila, o que compromete a qualidade de vida dos nossos munícipes”, afirmou.

Apesar das dificuldades, Setina destacou alguns avanços realizados pelo conselho. “Conseguimos levar água para dois povoados e estamos a finalizar a construção de uma casa de espera para mães grávidas em Marengo. Também iniciámos a reabilitação de um troço de estrada que liga o Banco ao Hotel”, acrescentou. Esses pequenos avanços são vistos como passos importantes, mas ainda insuficientes para atender às necessidades da população.

No que diz respeito à arrecadação de receitas, a liderança local enfrenta desafios significativos. Segundo Setina, a vila arrecadou menos da metade do valor previsto no ano passado. “Tínhamos uma meta de 6 milhões de meticais, mas arrecadámos apenas cerca de 2,5 milhões. Isso afeta diretamente a nossa capacidade de realizar projetos importantes para os munícipes”, explicou. Apesar disso, a presidente destacou que novas estratégias estão a ser implementadas para melhorar a arrecadação. “Estamos a introduzir formas inovadoras de coleta de receitas, e acreditamos que isso trará resultados melhores nos próximos anos”, afirmou.

Embora os desafios sejam muitos, a liderança local está determinada a transformar Homoíne numa vila mais organizada e funcional. Setina apelou à população para que colabore com o conselho autárquico, sublinhando que o progresso depende de um esforço conjunto entre governo e cidadãos. “Estamos a trabalhar dia e noite para melhorar esta realidade. O nosso compromisso é garantir que Homoíne ofereça condições dignas para os seus habitantes”, garantiu.

Enquanto isso, os munícipes esperam que as promessas se traduzam em ações concretas. Estradas transitáveis, mercados organizados e serviços públicos de qualidade continuam a ser as principais demandas da população. Para os moradores, o futuro de Homoíne depende de lideranças comprometidas e de uma população ativa na busca por soluções que beneficiem a todos.

O 61.º aniversário da vila não é apenas um marco histórico, mas também uma oportunidade de reflexão sobre os rumos que Homoíne deve tomar. Entre as dificuldades e as esperanças, o desejo é claro: transformar simbolismo em progresso, garantindo que as comemorações do futuro sejam acompanhadas por um verdadeiro avanço no bem-estar da população.

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