A falta de informação sobre os preços, os elevados custos de transporte, o acesso limitado ao financiamento e as deficiências das infra-estruturas continuam a comprometer a capacidade da agricultura do país de gerar rendimentos e alimentar a indústria nacional.
Os constrangimentos afectam diferentes cadeias de valor e dificultam a transformação da produção agrícola em riqueza, apesar do potencial de recursos de que o país dispõe.
Estas são algumas das constatações apresentadas no livro Agricultura e Transformação Económica em Moçambique: Evidências, Políticas e Caminhos para o Desenvolvimento, uma obra colectiva que reúne 16 autores, entre investigadores nacionais e estrangeiros, e resulta de estudos desenvolvidos ao longo de vários anos sobre os desafios da agricultura e da transformação estrutural da economia moçambicana.
Na apresentação da obra, que teve lugar esta quarta-feira, na Cidade de Maputo, Alberto da Cruz explicou que os estudos surgiram no contexto da preparação de políticas de desenvolvimento e industrialização, tendo sido analisadas diferentes cadeias de valor, entre as quais o milho, o algodão, o frango e o feijão bóer.
O investigador destacou a falta de informação fiável sobre os preços e as dificuldades de transporte como obstáculos que prejudicam os produtores e limitam a ligação entre a produção agrícola e a indústria.
“Os agricultores, no caso do milho, não têm informação do preço. Isto é um problema, porque já não sabem como negociar”, afirmou.
Alberto da Cruz chamou igualmente a atenção para as dificuldades de escoamento da produção, que impedem que determinados produtos cheguem aos principais centros de consumo e às unidades industriais.
“A indústria agrícola não compra o milho que sai da Angónia porque não chega a Maputo”, explicou, defendendo que a industrialização do país depende também de investimentos em infra-estruturas que liguem as zonas de produção aos mercados.
“Se realmente queremos industrializar Moçambique, é preciso infra-estruturar”, sublinhou.
Baixa produtividade mantém agricultores na pobreza
Por seu turno, Egas Daniel, também autor da obra, considera que o desafio da agricultura moçambicana não se resume à quantidade de terra disponível ou ao número de pessoas envolvidas na actividade, mas à capacidade de produzir mais com os recursos existentes.
“A diferença é que há pouco rendimento nesta muita terra, neste muito trabalho”, observou o investigador, ao explicar que o crescimento da produção agrícola tem acompanhado o aumento da área cultivada e da população, sem uma evolução significativa da produtividade por trabalhador e por área.
Segundo Egas Daniel, esta realidade limita os rendimentos dos produtores e dificulta a transformação da estrutura económica do país. Para o investigador, o aumento da produtividade agrícola deve ser o ponto de partida para dinamizar outros sectores, incluindo a indústria transformadora e os serviços.
“O agricultor não é irracional. Ele não produz pouco porque não quer ganhar, os simples riscos que ele enfrenta ao produzir muito são tais que não lhe dão incentivos para ele produzir mais”, afirmou, defendendo que os riscos e os constrangimentos enfrentados pelos produtores ajudam a explicar a baixa produção.
Entre os factores identificados no livro estão as dificuldades de transporte, o acesso à terra, a falta de crédito, a ausência de seguros agrícolas adequados e as limitações do mercado de trabalho. Na perspectiva do autor, estes obstáculos estão interligados e devem ser enfrentados de forma articulada.
Egas Daniel alertou ainda para a necessidade de integrar as mudanças climáticas na planificação pública. Cheias e secas podem desencorajar os produtores a investir e comprometer até a produção que conseguem realizar, sobretudo quando não existem mecanismos de protecção adequados.
O investigador defendeu igualmente a diversificação dos mercados e o processamento da produção nacional, para reduzir a dependência de compradores externos. Como exemplo, apontou o caso do feijão bóer, cuja exportação depende fortemente do mercado indiano.
Potencial agrícola exige ligação à indústria
Na sua intervenção, o ministro da Planificação e Desenvolvimento, Salim Valá, afirmou que o país dispõe de um potencial agrícola significativo, mas continua a enfrentar dificuldades para o converter em rendimento e desenvolvimento económico.
“O nosso problema não é a ausência de potencial, mas a ausência das ligações que convertem potencial em rendimento”, declarou.
O governante recordou que a agricultura emprega cerca de três quartos da força de trabalho nacional, mas representa aproximadamente um quarto do valor acrescentado da economia. Moçambique dispõe de cerca de 36 milhões de hectares de terra arável, dos quais aproximadamente três milhões têm potencial para irrigação, mas apenas cerca de 50 mil hectares estão efectivamente irrigados.
Salim Valá destacou também o baixo nível de comercialização da produção agrícola, estimando que, em média, os agregados familiares agrícolas comercializam cerca de 12% da sua produção.
“Aumentar a produção sem assegurar mercados, financiamento, logística e processamento industrial produz resultados económicos limitados”, advertiu.
Para o ministro, a transformação da agricultura exige uma abordagem que ultrapasse o aumento da produção e inclua o acesso aos mercados, a melhoria das infra-estruturas, a expansão da irrigação, o financiamento e o desenvolvimento da indústria de processamento.
“O verdadeiro valor económico da agricultura mede-se também pela indústria que alimenta, pelas empresas que dinamizam, pelos empregos que criam e pelos mercados que desenvolvem”, afirmou.
A obra apresenta, assim, um conjunto de evidências e propostas para orientar as políticas públicas e os investimentos privados, defendendo uma maior articulação entre os diferentes sectores da economia.
A mensagem central dos autores é que o potencial agrícola de Moçambique só poderá traduzir-se em desenvolvimento sustentável se forem removidos, de forma coordenada, os obstáculos que limitam a produtividade, o rendimento dos produtores e a ligação entre a produção e a indústria.
Uma grande falha no fornecimento de energia atingiu Portugal e Espanha nesta segunda-feira, deixando milhões de pessoas sem electricidade. Os relatórios indicam problemas na rede eléctrica europeia.
Portugal e Espanha foram atingidos por um corte de energia generalizado nesta segunda-feira, deixando milhões de pessoas sem electricidade, de acordo com as autoridades locais.
Em Portugal, fontes oficiais afirmaram aos meios de comunicação social nacionais que o corte de energia foi de âmbito nacional, enquanto em Espanha há relatos semelhantes.
O aeroporto internacional de Barajas, em Madrid, ficou sem electricidade e as telecomunicações também foram afectadas. Entretanto, outros aeroportos da região ficaram paralisados.
Os cidadãos de Andorra e de partes da França, que fazem fronteira com Espanha, também foram afectados pelo apagão. De acordo com as últimas informações, foram registados outros cortes de energia até à Bélgica.
As causas ainda não são claras. Os meios de comunicação social nacionais dão conta de problemas na rede eléctrica europeia, que, no entanto, afectaram as redes nacionais na Península Ibérica. Um incêndio no sudoeste de França, na montanha Alaric, que danificou uma linha eléctrica de muito alta tensão entre Perpignan e Narbonne oriental, foi também apontado como uma possível causa.
Apagão não teve origem em Portugal
Luís Montenegro adianta que o apagão não teve origem em Portugal. “Foi completamente inesperado”, diz o líder do Executivo português, após um Conselho de Ministros que se prolonga há mais de duas horas.
O Conselho de Ministros vai manter-se, mas o primeiro-ministro vai deslocar-se ao centro de operações da REN.
O Centro Nacional de Cibersegurança diz que, para já, não há indícios de ciberataque.
O Centro Nacional de Cibersegurança (CNCS) garantiu, na tarde desta segunda-feira, que “não foram identificados até ao momento indícios que apontem para um ciberataque” a justificar a falha generalizada na rede eléctrica.
Em comunicado, o CNCS explica que foi informado às 11h30 de uma falha na rede elétrica nacional”. “Contactadas as entidades incumbentes, apurou-se que se trata de uma falha que afetou alguns países europeus. Estamos em contacto com as nossas congéneres nesses países e com as entidades relevantes nacionais”, pode ler-se no comunicado.
Von der Leyen garante apoio da UE para repor electricidade
A presidente da Comissão Europeia disse, nesta segunda-feira, que Bruxelas vai “coordenar esforços” para ajudar na reposição rápida do fornecimento de eletricidade. “Conversei com Pedro Sánchez sobre o corte de energia na Península Ibérica. Reafirmei-lhe o apoio da Comissão Europeia na monitorização da situação com as autoridades nacionais e europeias, e com o nosso Grupo de Coordenação da Eletricidade”, escreveu von der Leyen na rede social X.
Espanha investiga possível ataque hacker
Vários países da Europa acordaram no meio de um apagão geral nesta segunda-feira (28). Entre eles, está a Espanha , cujo Instituto Nacional de Segurança Cibernética (INCIBE) investiga a possibilidade de um ataque hacker, segundo informações do jornal El País.
O apagão, que começou por volta do meio-dia (7h30 no horário de Brasília), também afectou Portugal. Quando questionado sobre a chance de ser um ataque cibernético, o ministro Manuel Castro Almeida disse que “há essa possibilidade, mas não está confirmada”.
“Sei que abrange vários países da Europa – Portugal, Espanha, França e Alemanha e creio que também Marrocos. (…) Coisa em grande escala que, pela dimensão que tem, é compatível com um ciberataque. Mas é uma informação não confirmada”, disse à “RTP”.
As autoridades portuguesas também investigam a causa do apagão. Até o momento, só indicaram que o problema parece não ter se originado no país.
“Não há provas de ciberataque no corte maciço de energia”
Vice-presidente executiva da Comissão Europeia disse que não há provas de ciberataque no corte maciço de energia na Península Ibérica, falando porém numa “das maiores falhas no sistema” na União Europeia (UE).
“Esta foi uma das maiores falhas no sistema eléctrico ocorridas nos últimos anos” na UE, declarou a responsável no executivo comunitário pela pasta de Transição Limpa, Justa e Competitiva, Teresa Ribera, à imprensa em Bruxelas.
“Não estamos a descartar nada de momento, mas não há provas de qualquer tipo de problema de cibersegurança. Estamos atentos a tudo, e a principal prioridade é, obviamente, restaurar o sistema elétrico e avaliar e compreender o que aconteceu”, acrescentou.
Teresa Ribera disse estar a “acompanhar o que está a acontecer” e em “estreito contacto com as autoridades espanholas e portuguesas, bem como com os diferentes serviços da Comissão”, numa situação que, segundo disse, só afecta a Península Ibérica e, talvez por arrasto, talvez uma pequena parte do sul de França.
“Por enquanto, o que posso dizer é que temos de ser prudentes e pacientes para que o sistema possa ser restabelecido o mais rapidamente possível”, apelou.
Comissão vai acompanhar a situação
“A Comissão continuará a acompanhar a situação e a certificar-se de que a troca de informações entre todas as partes relevantes se processa sem problemas”, adiantou a mesma fonte oficial.
Bruxelas lembrou ainda existirem “protocolos para restabelecer o funcionamento do sistema”, como previsto na legislação comunitária referente às redes de emergência e restabelecimento. Estão também a ser activados planos de restabelecimento por etapas do fornecimento de energia.
Iniciou-se, nesta segunda-feira, a construção de uma unidade neonatal no Hospital Central de Maputo, que terá pouco mais de 100 camas, berçários, laboratórios e salas de parto. Trata-se de um investimento de cerca de 20 milhões de dólares.
O financiamento para a construção da unidade neonatal no Hospital Central de Maputo é da Agência Japonesa de Cooperação Internacional. Coube ao ministro da Saúde, Hussene Isse, lançar a primeira pedra da infra-estrutura que vai prestar serviços de saúde essenciais às mães e aos bebés, num contexto em que 28 a cada mil crianças morrem logo após o nascimento.
“Cada um de nós tem de fazer o seu melhor. Nós, como governados, temos de fazer o nosso melhor para garantir condições apropriadas para que o povo moçambicano seja atendido correctamente nos hospitais e possamos salvar mais vidas”, disse na ocasião Hussene Isse.
A infra-estrutura vai responder às necessidades do sector, numa altura em que, de acordo com o sector da saúde, 24 recém-nascidos morrem em cada mil nascimentos, devido a complicações de saúde, associadas, também, à falta de tratamento adequado nos hospitais moçambicanos.
Por isso, a unidade neonatal a ser erguida no Hospital Central de Maputo, terá equipamento de última geração. “Como dizia a Sua Excelência o embaixador, será equipado com a última tecnologia de ponta do mundo em Moçambique. Isto nos orgulha”, disse Hussene Isse.
Assim, com mais esta construção, aumenta a capacidade de camas no maior hospital do país para internamentos de recém-nascidos e das suas mães.
“O Hospital Central de Maputo, que contará com a capacidade de 105 camas, divididas em duas enfermarias, que compreenderão os cuidados intensivos e cuidados intermediários”, explicou o director do HCM, Mouzinho Saíde.
Por sua vez, o representante da JICA, Otsuka Kazuki disse, na ocasião, que, com o projecto, a organização pretende responder ao desafio da falta de infra-estruturas e equipamentos adequados que proporcionem um ambiente hospitalar harmonioso para as mulheres grávidas e recém-nascidos durante o processo de diagnóstico e tratamento atempado de qualquer anomalia.
Ademais, trata-se de uma infra-estrutura que vai responder aos serviços necessários para reduzir as mortes neonatais no país, no geral, e em Maputo, em particular.
“Será composto por berçários, sala de parto, sala de cirurgia, sala de cuidados intensivos, laboratórios, entre outros serviços essenciais para a saúde da mãe e do bebê, cujo custo está orçado em mais ou menos 20 milhões de dólares americanos, aproximadamente um bilião e duzentos e cinquenta milhões Meticais ao câmbio do dia”, disse Otsuka Kazuki.
Já o embaixador do Japão, Iwasaki Taira, sublinhou que, sendo Moçambique um dos países do mundo com elevadas taxas de mortalidade materno-infantil e com muitos desafios, como a deterioração de infra-estruturas de saúde e escassez de profissionais, está convicto que, com a construção desta unidade de neonatologia, muitas vidas serão salvas e será lançada a base para que as famílias possam viver com alegria e em segurança.
“A saúde pública é a base para uma governança nacional sustentável, sendo o primeiro passo na construção do futuro de um país”, frisou Iwasaki Taira.
A nova unidade de neonatologia, vai dotar a maior unidade sanitária do país de infra-estruturas modernas e adequadas para o atendimento especializado dos recém-nascidos em estado crítico, promovendo intervenções mais eficazes e humanizadas.
A execução da obra estará a cargo da empresa Japonesa Dai Nippon Construction (DNC) e sob fiscalização do consórcio entre a Yachio Engineering, Azusa Sekkei e Binko Internacional, responsáveis pela elaboração do projecto arquitectónico e infra-estrutura.
A construção da unidade neonatal tem a previsão do seu término em Janeiro de 2027.
Ainda na saúde, uma empresa sul-coreana apresentou, nesta segunda-feira, na Cidade de Maputo, neste seminário, um equipamento de diagnóstico do HIV e da tuberculose, com capacidade para apurar a resistência que a pessoa diagnosticada tem a determinados medicamentos.
De acordo com o Instituto Nacional de Saúde, o equipamento está ainda em verificação, e só depois serão avaliados os custos e benefícios associados para a sua implementação no país.
Trata-se de um equipamento que chega ao país num contexto em que o diagnóstico do HIV é tido como essencial para eliminar o vírus como problema de saúde pública no país.
A Associação Comercial da Beira distanciou-se, nesta segunda-feira, da polémica em torno dos preparativos para as eleições na Confederação das Associações Económicas, CTA, e disse que esta agremiação foi tomada por um cartel de lobistas e corruptos, e que não irá participar nas eleições porque o modelo actual das eleições abre espaço para a compra de votos.
Os empresários da província de Sofala, através da sua associação, a Associação Comercial da Beira, que é membro fundador da CTA, dizem que sentem vergonha da polémica em torno dos preparativos para o processo eleitoral.
A agremiação que estava reunida recentemente em assembleia extraordinária, para discutir a situação eleitoral na CTA, começou por dizer que não entende como a sua agremiação de carácter nacional, que tem a responsabilidade de orientar o Governo sobre o que deve ser feito para tornar a economia forte, mostra incapacidade para liderar um simples processo eleitoral interno.
Félix Machado, presidente da Associação Comercial da Beira, disse que os empresários de Sofala, como forma de ajudar a pôr fim à polémica, escreveram uma carta à CTA, mas dirigida a todos os membros, sugerindo a realização de uma assembleia geral extraordinária.
“Pela nossa surpresa, apenas algumas associações da zona centro escreveram e concordaram com a realização desta reunião, mas, como é necessário um terço para que a direcção organize, não conseguimos realizar”, esclareceu Machado.
A Associação Comercial da Beira entende que o modelo actual para a eleição do presidente da CTA é imperfeito e abre espaço para a corrupção. “O modelo actual não é representativo. Não é por acaso que muitos consideram a CTA a incubadora de bandidos, porque é um cartel que quer controlar aquilo. Não pode ser assim”, justificou.
O modelo actual da eleição do presidente da CTA exige antecipadamente cartas de suporte de candidaturas. Mas, segundo Félix Machado, obrigar que todos os membros que votam sejam portadores de uma lista de deliberação “é errado”, ou seja, esta medida levou muitos membros a fazerem o pagamento de cotas de forma rápida. “Os que têm dinheiro começaram a pagar as cotas das associações para regularizar e para ganhar essa carta. Significa que, por si só, já é um voto antecipado”, esclareceu.
Face aos factos apresentados, os empresários de Sofala deliberaram o seguinte: que “a ACB não vai participar nessas eleições, nem como candidato, nem apoiar algum candidato que apareça aí e nem votar. Vai-se distanciar totalmente deste processo eleitoral, porque não é justo, não é correcto e é vergonhoso”, disse Machado, lamentando ainda a existência de empresários que apoiam o processo.
Na sessão extraordinária da ACB, esta agremiação deliberou a criação da Federação provincial de Sofala do sector privado, como forma de “trazer um organismo forte na província”, mas também, de acordo com Félix Machado, “iremos também conversar com os nossos colegas empresários de Manica, Tete e Zambézia, para que façam o mesmo, criem as Federações Provinciais e que num futuro breve possamos criar uma Confederação Regional Centro”, como base da actual CTA.
Félix Machado disse que ainda há tempo para a CTA sair da vergonha onde está mergulhada e que não há mais ninguém que possa corrigir a CTA se não forem os associados.
Na mesma conferência de imprensa, o presidente da Associação Comercial da Beira falou dos problemas da falta de divisas no país. Machado disse que não sabe se as medidas tomadas pelo banco central são efectivamente macroeconómicas que ajudam a desenvolver o país.
“Eu nunca acreditei nas medidas do banco central. Já falei isso várias vezes. Eram medidas mais populistas, que não têm um impacto real na economia. Falou-se tantas vezes, e o banco central disse que tinha divisa. E pode ter. De que adianta a divisa estar no banco se não podemos pagar o combustível a tempo?”, questionou.
O presidente da Associação Comercial da Beira falava nesta segunda-feira, numa conferência de imprensa que tinha como principal objectivo partilhar o posicionamento da agremiação em relação à polémica na CTA.
A Polícia deteve, no Malawi, o namorado da mulher que foi encontrada morta numa machamba e com uma faca espetada nas suas partes íntimas. O indiciado assumiu o crime e disse ter sido movido por razões passionais.
Na primeira semana deste mês, os moradores do bairro de Inhamizua sentiram um cheiro nauseabundo, que piorava a cada dia. No dia 8, depois de uma investigação popular para descobrir a origem do cheiro, foi encontrado, numa machamba de arroz, o corpo de uma mulher já em estado de decomposição e com uma faca espetada nas partes íntimas.
Na altura, o Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) indicou que o principal suspeito daquele acto macabro era o namorado que estava em parte incerta. O suspeito estava, na verdade, fugitivo, e foi detido há cerca de uma semana no Malawi.
Em contacto com a imprensa, o suspeito assumiu o crime e alegou que cometeu o crime por razões passionais.
O indiciado assumiu que depois de matar a namorada, espetou a faca nas partes íntimas da mesma e não soube explicar porque razão cometeu tal acto macabro, mesmo depois da namorada estar morta.
A vítima tinha apenas 22 anos e cursava Enfermaria Geral, no distrito de Nhamatanda. O SERNIC disse que o indiciado teve apoio de parentes para fugir.
Só este ano, já foram registados seis casos de assassinatos de mulheres, na província de Sofala, por razões passionais, contra 18 do ano passado e 25 de 2023.
Quase 200 famílias foram retiradas das suas casas, na Cidade do Cabo, na África do Sul, depois que um incêndio começou nas Montanhas da Mesa.
“Como medida de precaução, a Gestão de Riscos de Desastres (GDR) auxiliou na evacuação de 198 famílias da Mansão Noordhoek, incluindo 48 moradores de casas de repouso. Os moradores de Barnyard e Silwersteen decidiram evacuar”, disse Jermaine Carelse, porta-voz do Corpo de Bombeiros e Resgate da Cidade do Cabo, citado pela Africannews.
Grande parte do fogo consumiu áreas inacessíveis da montanha, enquanto centenas de famílias foram instruídas pela Prefeitura a deixar suas casas por medo de perderem suas vidas.
Ao todo, 100 bombeiros foram mobilizados para combater cinco frentes de incêndio, com evacuações ordenadas em Steenberg Estate, Zwaanswyk e Noordhoek Manor.
A causa do incêndio ainda é desconhecida e, até o momento, apenas um bombeiro ficou ferido. As autoridades informaram que conduzirão investigações para apurar a causa do incêndio.
Dezasseis vidas foram perdidas nas praias de Inhambane nos últimos meses, vítimas de afogamentos. As autoridades alertam que muitas destas tragédias poderiam ter sido evitadas, se não fosse a imprudência de quem ignora os avisos colocados em zonas perigosas e impróprias para banhos.
Pessoas atraídas pelas águas quentes e convidativas da província muitas vezes ignoram os avisos colocados pelas autoridades, expondo-se a riscos que poderiam ser evitados. A imprudência tem custado caro, pois nos últimos meses, várias vidas foram perdidas em afogamentos registados em diferentes praias da região.
Para mudar este cenário, uma iniciativa foi tomada. Agentes da polícia lacustre, membros do corpo de salvação pública e fiscais marítimos participaram num rigoroso treinamento, onde aprenderam técnicas de natação e salvamento, ferramentas cruciais para resgatar banhistas em situações de emergência.
Com este novo grupo devidamente capacitado, espera-se que os agentes actuem com dedicação e responsabilidade, ajudando a evitar novas tragédias e assegurando que os momentos de lazer não se transformem em cenários de dor.
Os agentes treinados estarão posicionados nas principais praias de Inhambane, locais com maior concentração de banhistas.
O distrito de Panda, no “coração” da província de Inhambane, já foi uma terra de abundância, reconhecida como o celeiro da região. No entanto, as condições climáticas extremas provocadas pelo fenómeno El Niño têm desafiado o potencial agrícola do distrito. Com temperaturas mais altas e chuvas irregulares, o cenário agrícola e social mudou drasticamente, obrigando as comunidades a adoptarem estratégias inovadoras para garantir a subsistência.
Nos últimos anos, o El Niño trouxe consigo secas severas que afetaram a produção agrícola em várias regiões de Moçambique, incluindo Panda. Relatórios da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) indicam que, na época agrícola de 2023/2024, as chuvas foram drasticamente reduzidas, comprometendo os meios de subsistência de centenas de milhares de famílias rurais. Panda, que é atravessado pelo rio Inhassune, viu-se em dificuldades mesmo com este recurso natural ao alcance.
“Antes, mesmo com o rio aqui ao lado, a água passava por nós sem ser aproveitada. Em tempos sem chuva, o rio secava, e ficávamos sem nada para irrigar as machambas, para beber ou para os animais. Era um cenário muito complicado”, relatou um agricultor da região.
Para mitigar essa realidade, foi construída uma barreira de contenção no rio Inhassune, uma infraestrutura simples, mas com um impacto transformador. “Desde que construíram o muro de contenção, a situação melhorou muito. Agora conseguimos armazenar a água e podemos produzir o ano todo. Antes, tínhamos medo do futuro, mas agora temos esperança”, afirmou o mesmo agricultor, enquanto mostrava as suas machambas verdes e produtivas.
A barreira de contenção permitiu não apenas a irrigação constante das machambas, mas também garantiu o abeberamento do gado e o acesso a água potável para as comunidades. Este projeto é uma prova de que soluções locais e acessíveis podem fazer uma diferença significativa no combate aos efeitos das mudanças climáticas.
Enquanto algumas comunidades beneficiam diretamente da proximidade com o rio, outras, localizadas em áreas mais distantes, tiveram de adotar estratégias diferentes. Culturas resilientes e de rendimento, como o caju, têm sido uma escolha popular entre os agricultores. Uma agricultora de Panda, que recentemente começou a investir na produção de caju, partilhou a sua experiência.
“Decidi apostar no caju porque vi um produtor da minha região a melhorar muito a sua vida com esta cultura. Recebi mudas de cajueiro e agora tenho uma machamba cheia de esperança. Sei que é um trabalho que leva tempo, mas acredito que será a minha garantia para o futuro. Quero poder sustentar os meus filhos e dar-lhes uma vida melhor”, contou, emocionada, enquanto caminhava entre os cajueiros jovens que plantou recentemente.
Essas iniciativas locais receberam o reforço de ações do governo e de parceiros humanitários. Durante uma visita ao distrito, o Vice-Presidente do Instituto Nacional de Gestão do Risco de Desastres (INGD), Belém Monteiro, destacou a importância de se investir em soluções sustentáveis e na autonomia das comunidades.
“O nosso objetivo é evitar que as populações dependam exclusivamente de ajuda externa para sobreviver. Temos recursos no país que podem ser aproveitados de forma eficiente. Aqui em Panda, vimos exemplos claros de que, com pequenos investimentos, é possível mudar vidas. A construção da barreira no rio Inhassune e a introdução de culturas tolerantes à seca são apenas alguns exemplos”, afirmou Monteiro.
Monteiro sublinhou ainda que as ações antecipadas implementadas no distrito minimizaram os impactos do El Niño, que, embora severo, não atingiu os níveis críticos que inicialmente se temiam. Ele reforçou que o caminho a seguir deve incluir um planeamento estratégico que envolva as comunidades, aposte em infraestruturas resilientes e garanta a diversificação das atividades econômicas.
“Hoje, as populações de Panda têm exemplos concretos de que é possível enfrentar as mudanças climáticas de forma mais autónoma. Estamos a trabalhar para expandir estas iniciativas para outras regiões e, assim, garantir segurança alimentar e maior renda para as famílias afetadas”, concluiu Monteiro.
A situação em Panda reflete um quadro mais amplo enfrentado por várias regiões de Moçambique. Com o aumento da frequência e da intensidade dos fenómenos climáticos extremos, torna-se imperativo investir em soluções locais, que aproveitem os recursos disponíveis e fortaleçam as comunidades.
O distrito, que outrora foi um exemplo de prosperidade agrícola, dá agora um novo exemplo: o de resiliência e adaptação. As histórias de agricultores como o homem que voltou a produzir graças à barreira de contenção ou a mulher que aposta no caju para garantir o futuro da sua família são um testemunho de que a luta contra as mudanças climáticas pode ser vencida, desde que haja compromisso, apoio e esperança.
Moçambique leva 9 drones fabricados no país, de forma artesanal, ao Japão, durante a sua participação na Expo 2025. No total, o país vai apresentar mais de 10 iniciativas ligadas à inteligência artificial.
Desde 13 de Abril Moçambique expõe o que tem de melhor na Expo 2025, na cidade de Osaka, no Japão. O país tem até 13 Outubro, isto é, 6 meses, para exibir seu brilho na cidade Japonesa.
As inovações moçambicanas surpreenderam quem visitou o pavilhão do país.
“É um pavilhão interessante. Eu vi paineis solares e óculos para pessoas que não podem enxergar. Vi, também, roupas interessantes de fabrico impressionante, e penso que talvez vá visitar Moçambique no próximo ano”, disse um participante.
Moçambique vai também exibir a sua diversidade agrária, mineral, cultural e turística, com o ponto mais alto no dia 16 de Junho, data escolhida para a máxima projecção da imagem do país.
Cerca de 20 mil pessoas deslocaram-se, na manhã de hoje, à Basílica de Santa Maria Maior, em Roma, para visitar o túmulo do Papa Francisco.
Segundo as autoridades da capital italiana, citadas pelo Notícias ao Minuto, desde as 07h00 locais aproximaram-se do templo cerca de 20.000 pessoas, das quais 13.000 tinham entrado até ao meio-dia local.
A Basílica de Santa Maria Maior abriu hoje pela primeira vez ao público depois de, no sábado, Francisco ter sido sepultado numa cerimónia privada, após a missa exequial, na Praça de São Pedro, no Vaticano.
A sepultura consiste, tal como o sumo pontífice pediu no testamento, numa lápide simples de pedra de Ligúria, a terra dos seus antepassados italianos, com a inscrição “Franciscus” (Francisco, em latim).
O Papa Francisco morreu na segunda-feira, aos 88 anos, depois de 12 anos de pontificado.
Nascido em Buenos Aires, na Argentina, em 17 de dezembro de 1936, Francisco foi o primeiro jesuíta e primeiro latino-americano a chegar à liderança da Igreja Católica.