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A falta de informação sobre os preços, os elevados custos de transporte, o acesso limitado ao financiamento e as deficiências das infra-estruturas continuam a comprometer a capacidade da agricultura do país de gerar rendimentos e alimentar a indústria nacional. 

Os constrangimentos afectam diferentes cadeias de valor e dificultam a transformação da produção agrícola em riqueza, apesar do potencial de recursos de que o país dispõe.

Estas são algumas das constatações apresentadas no livro Agricultura e Transformação Económica em Moçambique: Evidências, Políticas e Caminhos para o Desenvolvimento, uma obra colectiva que reúne 16 autores, entre investigadores nacionais e estrangeiros, e resulta de estudos desenvolvidos ao longo de vários anos sobre os desafios da agricultura e da transformação estrutural da economia moçambicana.

Na apresentação da obra, que teve lugar esta quarta-feira, na Cidade de Maputo, Alberto da Cruz explicou que os estudos surgiram no contexto da preparação de políticas de desenvolvimento e industrialização, tendo sido analisadas diferentes cadeias de valor, entre as quais o milho, o algodão, o frango e o feijão bóer.

O investigador destacou a falta de informação fiável sobre os preços e as dificuldades de transporte como obstáculos que prejudicam os produtores e limitam a ligação entre a produção agrícola e a indústria.

“Os agricultores, no caso do milho, não têm informação do preço. Isto é um problema, porque já não sabem como negociar”, afirmou.

Alberto da Cruz chamou igualmente a atenção para as dificuldades de escoamento da produção, que impedem que determinados produtos cheguem aos principais centros de consumo e às unidades industriais.

“A indústria agrícola não compra o milho que sai da Angónia porque não chega a Maputo”, explicou, defendendo que a industrialização do país depende também de investimentos em infra-estruturas que liguem as zonas de produção aos mercados.

“Se realmente queremos industrializar Moçambique, é preciso infra-estruturar”, sublinhou.

Baixa produtividade mantém agricultores na pobreza

Por seu turno, Egas Daniel, também autor da obra, considera que o desafio da agricultura moçambicana não se resume à quantidade de terra disponível ou ao número de pessoas envolvidas na actividade, mas à capacidade de produzir mais com os recursos existentes.

“A diferença é que há pouco rendimento nesta muita terra, neste muito trabalho”, observou o investigador, ao explicar que o crescimento da produção agrícola tem acompanhado o aumento da área cultivada e da população, sem uma evolução significativa da produtividade por trabalhador e por área.

Segundo Egas Daniel, esta realidade limita os rendimentos dos produtores e dificulta a transformação da estrutura económica do país. Para o investigador, o aumento da produtividade agrícola deve ser o ponto de partida para dinamizar outros sectores, incluindo a indústria transformadora e os serviços.

“O agricultor não é irracional. Ele não produz pouco porque não quer ganhar, os simples riscos que ele enfrenta ao produzir muito são tais que não lhe dão incentivos para ele produzir mais”, afirmou, defendendo que os riscos e os constrangimentos enfrentados pelos produtores ajudam a explicar a baixa produção.

Entre os factores identificados no livro estão as dificuldades de transporte, o acesso à terra, a falta de crédito, a ausência de seguros agrícolas adequados e as limitações do mercado de trabalho. Na perspectiva do autor, estes obstáculos estão interligados e devem ser enfrentados de forma articulada.

Egas Daniel alertou ainda para a necessidade de integrar as mudanças climáticas na planificação pública. Cheias e secas podem desencorajar os produtores a investir e comprometer até a produção que conseguem realizar, sobretudo quando não existem mecanismos de protecção adequados.

O investigador defendeu igualmente a diversificação dos mercados e o processamento da produção nacional, para reduzir a dependência de compradores externos. Como exemplo, apontou o caso do feijão bóer, cuja exportação depende fortemente do mercado indiano.

Potencial agrícola exige ligação à indústria

Na sua intervenção, o ministro da Planificação e Desenvolvimento, Salim Valá, afirmou que o país dispõe de um potencial agrícola significativo, mas continua a enfrentar dificuldades para o converter em rendimento e desenvolvimento económico.

“O nosso problema não é a ausência de potencial, mas a ausência das ligações que convertem potencial em rendimento”, declarou.

O governante recordou que a agricultura emprega cerca de três quartos da força de trabalho nacional, mas representa aproximadamente um quarto do valor acrescentado da economia. Moçambique dispõe de cerca de 36 milhões de hectares de terra arável, dos quais aproximadamente três milhões têm potencial para irrigação, mas apenas cerca de 50 mil hectares estão efectivamente irrigados.

Salim Valá destacou também o baixo nível de comercialização da produção agrícola, estimando que, em média, os agregados familiares agrícolas comercializam cerca de 12% da sua produção.

“Aumentar a produção sem assegurar mercados, financiamento, logística e processamento industrial produz resultados económicos limitados”, advertiu.

Para o ministro, a transformação da agricultura exige uma abordagem que ultrapasse o aumento da produção e inclua o acesso aos mercados, a melhoria das infra-estruturas, a expansão da irrigação, o financiamento e o desenvolvimento da indústria de processamento.

“O verdadeiro valor económico da agricultura mede-se também pela indústria que alimenta, pelas empresas que dinamizam, pelos empregos que criam e pelos mercados que desenvolvem”, afirmou.

A obra apresenta, assim, um conjunto de evidências e propostas para orientar as políticas públicas e os investimentos privados, defendendo uma maior articulação entre os diferentes sectores da economia. 

A mensagem central dos autores é que o potencial agrícola de Moçambique só poderá traduzir-se em desenvolvimento sustentável se forem removidos, de forma coordenada, os obstáculos que limitam a produtividade, o rendimento dos produtores e a ligação entre a produção e a indústria.

 

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Gaza é a segunda província com mais casos mortais por acidentes de viação no país. De janeiro até aqui pelo menos 36 pessoas morreram e outras 122 contraíram ferimentos. O quadro de sinistralidade preocupa autoridades que falam de reforço da fiscalização em pontos críticos como Limpopo, Chongoene e Macia.  

Os excesso de velocidade, álcool ao volante, bem como, a superlotação de passageiros figuram entre as infracções que mais contribuem no aumento da sinistralidade rodoviária na Província de Gaza, segundo disse Calisto Mula, delegado do INATRO naquela província.

“Como resultado dessa situação foram apreendidas só no mês de Abril 177 cartas de condução, das quais 34 por condução sob efeito de álcool, por conta de prática de manobras perigosas ou desrespeitos às regras elementares de trânsito”, disse Calisto Mula.

E foi por violação das regras, aliás por excesso de lotação que Ernesto Mazivila viu a sua viagem adiada no posto de fiscalização da Pontinha. Em sua defesa o transportador da rota entre Limpopo a Xai-Xai disse que “há cinco anos que a estrada não está boa, não entra nivelador, não fazem nada e por causa da estrada, não tem transporte lá, então somos obrigados a fazer algumas gincanas para fazermos nosso trabalho”.

Tal como ele, muitos transportadores justificam-se perante cenários de clara violação das regras de estrada, tal como Luís Chibulacho, que diz que “em termos de infracções, temos condutores sob efeito de álcool e várias infracções como iluminação, porque temos muitas viaturas que circulam com problemas de iluminação sérios”.

Na sequência deste e outros factores, de Janeiro a esta parte 36 pessoas morreram e outras 122 contraíram ferimentos, entre graves e ligeiros, em resultado de 34 acidentes de viação, ou seja, três pessoas morreram por semana.

“Nos últimos três meses, tivemos na província de Gaza 34 casos de acidentes de aviação contra 22 do mesmo período anterior, estamos a falar de um número bastante elevado”, disse Calisto Mula.

Os acidentes de viação aumentaram na ordem de 55 por cento, e mortes em 13 por cento se comparado com igual período do ano passado. Números que colocam a província em segundo lugar no ranking nacional liderado pela cidade de Maputo.

O cenário alarmante de acidentes pelo quarto mês consecutivo forçou as autoridades  da província  a desdobrar-se ao longo da estrada nacional número 1. 

“Tal como no troço entre a Vila da Macia e a cidade de Xai-xai, assim como no troço de Chongoene e Chibuto, os acidentes de aviação, na ordem de 56%, foram causados por excesso de velocidade e superlotação”, confirmou o Delegado do INATRO em Gaza.

Os acidentes de viação na ordem de 56 por cento foram causados por excesso de velocidade. Chongoene, Bilene, Xai-Xai são os distritos que mais acidentes registaram nos últimos três meses em Gaza.

O Parlamento aprovou, nesta segunda-feira, na generalidade, o Orçamento da Assembleia da República para o ano de 2025. Ao todo, são 5,7 mil milhões de Meticais, dos quais 4,8 são destinados a salários e remunerações.

O Orçamento da Assembleia República deste ano foi aprovado, na generalidade, por todas as quatro bancadas parlamentares. Trata-se de um orçamento que vai garantir a funcionalidade da Casa do Povo para este ano e que vai consumir 5,7 mil milhões de Meticais, segundo deu a conhecer Manuel Ramessane, deputado e membro da Comissão de Finanças.

“É aprovado o Orçamento da Assembleia da República para o ano 2025 no valor global de 5,7 mil milhões de Meticais”, confirmou.

Quanto à distribuição orçamental, de acordo com o aprovado pelos deputados, “Componente de funcionamento no valor de 4,8 mil, linha A, salário e remunerações, 273,7 mil, a linha B, outras despesas com pessoal, 1,3 mil, bens e serviços, 643,6 mil, e componente de investimento, 414,3 mil”, confirmou Manuel Ramessane.

No que diz respeito à autorização de despesas, Ramessane esclareceu que “os limites de autorização de despesas constam nas normas internas de execução orçamental da Assembleia da República”.

Ainda nesta segunda-feira, o Parlamento aprovou o programa de actividades da Assembleia da República.

Para os deputados, a aprovação do orçamento e do plano de actividade vai melhorar a sua actividade parlamentar, garantindo uma melhor monitorização das actividades do Executivo.

Para Dias Letela, deputado da Frelimo, mais do que aprovar o orçamento, “é preciso que se reforce a fiscalização porque muitas das vezes o que vinha acontecendo é que vamos a fiscalização parlamentar, depois da fiscalização não são chamadas as instituições que até determinado ponto se detectou algum problema”.

Para o PODEMOS, o plano que foi aprovado “visa garantir uma logística que possibilite o exercício das actividades pelos deputados a nível dos seus círculos eleitorais e é por isso que praticamente foi uma votação por unanimidade porque entendemos que é necessário, é indispensável para que possamos dar um trabalho de qualidade”, segundo disse Ivandro Massingue.

Já Arnaldo Chalaua, falando em nome da Renamo, disse que o orçamento vai ajudar aos deputados a realizarem condignamente o seu trabalho. “Significa dizer que não é suficiente porque o orçamento sempre é deficitário, mas acredito muito que a fonte primária do financiamento da Assembleia da República é o Estado, são as joias, são as doações com os parceiros internacionais ou parceiros de cooperação, Tudo estará a ser feito no sentido de garantir o papel do deputado em Moçambique, que é de fazer alguma coisa para representar o povo moçambicano”, disse Chalaua. 

Por fim, a deputada e porta-voz do Movimento Democrático de Moçambique, Judite Macuácua, destacou que os dois instrumentos aprovados “são importantes porque o Parlamento não pode funcionar sem nenhum programa e pior ainda, sem nenhum orçamento, então apelamos com que o governo não possa limitar a fiscalização da Assembleia da República”.

Faz parte da agenda do parlamento reduzir o uso do papel na Assembleia da República.  

Oito líderes do MEA foram julgados em Luanda após uma marcha pacífica por melhores condições nas escolas ser reprimida pela polícia. Estudantes e jornalistas também foram detidos.

O Tribunal de Luanda iniciou, nesta segunda-feira, o julgamento sumário de oito dirigentes do Movimento dos Estudantes Angolanos (MEA), detidos no sábado durante uma marcha pacífica contra as más condições das escolas na capital angolana.

A acção policial resultou na detenção de mais de 50 estudantes que participavam na marcha. Entre os detidos estavam também, inicialmente, pelo menos quatro jornalistas, posteriormente libertados ainda no sábado. A maior parte dos estudantes foi libertada no início da noite, mas os principais organizadores continuam sob custódia e estão a ser julgados, segundo confirmou Francisco Teixeira, presidente do MEA.

Entre os detidos encontram-se Joaquim Lutambi, vice-presidente do movimento; Jones Sebastião Damião, secretário provincial de Luanda; Simão Formiga, secretário provincial do Icolo e Bengo; Nsimba Matamba, secretário nacional para o Ensino Primário, além de outros quatro membros da organização. Teixeira conseguiu escapar da detenção.

Até ao momento, não foram divulgadas as acusações formais contra os oito dirigentes.

Impedimento político da marcha

A marcha estudantil foi impedida pelas autoridades 15 dias após o seu anúncio. A comunicação oficial de indeferimento foi entregue apenas um dia antes do protesto, algo que os organizadores consideram um acto político.

“O Governo Provincial não tem competência para indeferir a nossa comunicação. Ele deveria apenas recebê-la e coordenar com a polícia a segurança da actividade. A intervenção foi claramente política, usando os órgãos de repressão para nos agredir”, acusou Francisco Teixeira.

Segundo o MEA, a repressão demonstra uma postura governamental que “envergonha o país”.

Reivindicações dos estudantes

A manifestação visava pressionar o Governo para resolver problemas estruturais nas escolas públicas, como a falta de carteiras, de professores e as deficientes condições de higiene. Outro ponto crítico abordado foi o número alarmante de escolas que ainda funcionam debaixo de árvores em Angola — cerca de 19 mil, segundo dados citados pelo movimento.

“Não estávamos a pedir a queda do governo do MPLA nem a tomar o poder. Queríamos apenas condições dignas para o ensino: carteiras, livros, salas de aula adequadas e mais professores”, explicou o líder do MEA.

O movimento também exigiu a exoneração da ministra da Educação, Luísa Grilo, e do governador de Luanda, Luís Nunes, apontando responsabilidade direta pelas más condições de ensino.

Nos dias 26 e 27 de abril de 2025, a cidade de Maputo foi palco de um dos momentos mais marcantes do calendário desportivo nacional, com a realização do 3.º Campeonato Nacional Regional Sul, organizado pela Federação Moçambicana de Karate (FMK). O evento decorreu no histórico Pavilhão do Estrela Vermelha, local que se encheu de energia, dedicação e espírito marcial, refletindo o crescimento sólido da modalidade no país.

Mais de 75 atletas subiram aos tatamis, representando não só escolas como a EDM, Katembe, Malhazine, Nikki HA, Estrela Vermelha, Clube Ferroviário, Primeiro de Maio e Zanshi, mas também outras escolas e núcleos que, juntos, enriqueceram ainda mais a diversidade e a competitividade do torneio. Desde os escalões de infantis iniciados até aos seniores, entre meninas, raparigas, mulheres, meninos, rapazes e homens, todos demonstraram não apenas a sua técnica, mas também a disciplina e o verdadeiro espírito do karate-do.

Ao longo dos dois dias de intensa competição, os atletas mostraram estar plenamente aptos para competir com atletas das regiões Centro e Norte, exibindo um nível técnico e tático que já alcança padrões internacionais comprovados. A qualidade das apresentações, tanto em Kumite individual e por equipas, como em Kata individual e de equipas, evidenciou o trabalho sério que vem sendo realizado nos dojos, consolidando o karate nacional numa trajetória ascendente.

Para que todos pudessem apreciar plenamente o talento demonstrado, o campeonato contou com a utilização de dois tatamis simultâneos, o que permitiu uma fluidez contínua dos combates e das exibições, mantendo o público envolvido e garantindo uma experiência intensa e ininterrupta a todos os presentes.

Não menos importante foi a atuação da equipa de juízes, que se destacou pelo elevado nível de compromisso, competência técnica e imparcialidade nas suas decisões. A qualidade da arbitragem foi um reflexo direto dos esforços contínuos da FMK, em particular através do trabalho da Comissão Nacional de Arbitragem de Karate (CNAK), no que diz respeito à formação, capacitação e atualização dos seus quadros técnicos. Este investimento estratégico na excelência dos árbitros tem permitido elevar, de forma inequívoca, o nível das competições organizadas sob a égide da FMK, fortalecendo a credibilidade e a justiça desportiva em cada evento.

Durante o campeonato, foram ainda atribuídos prémios de reconhecimento aos atletas que, pela sua entrega, desempenho e postura ética, se distinguiram ao longo da prova. Destaque especial para a atribuição dos troféus de Melhor Atleta do Campeonato, Atleta Revelação e Prémio Fair Play, este último sublinhando a essência do karate, onde o respeito pelo adversário e a preservação da integridade física estão acima de qualquer resultado.

A realização deste campeonato não só confirmou a força do karate na região Sul, mas também reforçou a confiança de que Moçambique está cada vez mais preparado para se afirmar no panorama internacional da modalidade. A FMK agradece a todos os atletas, treinadores, árbitros, escolas, pais, parceiros e autoridades presentes, reafirmando o seu compromisso em continuar a construir um karate forte, inclusivo e de excelência.

Moçambique e os seis países de língua portuguesa querem alinhar estratégias do futuro e retomar os jogos da lusofonia a partir de 2026, segundo deliberação saída do encontro dos presidentes dos Comités Olímpicos nacionais, realizada recentemente em Cabo Verde

Cabo Verde acolheu, entre os dias 24 e 25 de Abril corrente, o 4º Congresso Olímpico da Lusofonia, que tinha como objectivo reforçar os laços de cooperação, promover o desenvolvimento desportivo e alinhar acções estratégicas para o futuro da organização.

Os países lusófonos querem reforçar a união e retomar jogos da lusofonia em 2026, disse a presidente da Associação dos Comités Olímpicos de Língua Oficial Portuguesa (ACOLOP), Filomena Fortes.

“Nós queremos reactivar os jogos da lusofonia (…) no próximo ano. Nós queremos fortalecer a cooperação e criar sinergias positivas entre todos os membros da ACOLOP”, defendeu Filomena Fortes.

Na abertura do IV Congresso Olímpico da Lusofonia, que decorreu até Sexta-feira, na cidade da Praia, Cabo Verde, Filomena Fortes, referiu que o encontro pretende unir os membros da ACOLOP em torno de metas comuns, com base na agenda olímpica 2020+5.

“Queremos melhorar infraestruturas e condições de base em todos os países e implementar programas em consórcios internacionais com acesso a financiamento”, afirmou a dirigente.

De acordo com a Lusa, esta competição foi realizada pela última vez em 2014, em Goa, Índia. Antes disso, houve edições em Lisboa (2009) e Macau (2006).

O ministro da Juventude e Desporto de Cabo Verde, Carlos Monteiro, que presidiu à abertura, defendeu a criação de mais competições entre os países lusófonos, sobretudo para os jovens.

“Quanto mais oportunidades de competição dermos aos nossos jovens, melhor. Cabo Verde tem estado na linha da frente nesta matéria e vai levar este tema à conferência de ministros do Desporto da CPLP [Comunidade dos Países de Língua Portuguesa], em Junho, em Timor-Leste”, referiu.

Moçambique esteve presente no 4.º Congresso Olímpico da Lusofonia, que teve lugar em Cabo Verde e organizado pela Associação de Comités Olímpicos de Língua Oficial Portuguesa (ACOLOP).

O país esteve representado no evento ao mais alto nível pelo presidente do Comité Olímpico de Moçambique (COM), Aníbal Manave, e pelo seu vice-presidente, Francisco Mabjaia.

O congresso, inserido na Agenda Olímpica 2020+5 do Comité Olímpico Internacional (COI), tinha também o objectivo de reforçar os laços de cooperação, promover o desenvolvimento desportivo e alinhar acções estratégicas para o futuro da organização.

Participaram no evento delegados dos Comités Olímpicos membros da ACOLOP e de organizações parceiras.

O 4º Congresso realizou-se de 24 a 25 de Abril corrente.

O Ministério da Saúde do Uganda anunciou o fim do surto do ébola, após 42 dias sem nenhum caso da doença.

“Durante este surto, foram notificados 14 casos, 12 confirmados e dois não confirmados por testes laboratoriais (prováveis)”, informou a Organização Mundial de Saúde, num comunicado citado pela Africanews.

No total, ocorreram “quatro mortes, duas confirmadas e duas prováveis. Dez pessoas se recuperaram da infecção”, acrescenta o documento.

Segunda a mesma fonte, o surto foi confirmado na capital de Uganda, Kampala, após a morte de um enfermeiro.

A doença atribuída à cepa Sudan não tem vacina licenciada para essa variante, mas as autoridades locais autorizaram um ensaio clínico para uma vacina em desenvolvimento, que será administrada a profissionais de saúde e contactos de casos.

Foi a nona vez que Uganda detectou casos de ébola. 

A maioria dos surtos foi rapidamente controlada.

A epidemia matou mais de 11 300 pessoas na África Ocidental entre 2013 e 2016, pode ler-se na publicação.

Alguns cidadãos que vivem em Cabo Delgado pedem ao Governo a reintrodução de escoltas para a zona norte da província, devido ao clima de insegurança provocado pelo grupo armado.

“A situação de segurança nas estradas para o norte da província está complicada e exige uma escolta das Forças de Defesa e Segurança”, reclamou Nuro Amade, um residente do distrito de Mocímboa da Praia.

Segundo os cidadãos que fazem viagens frequentes para o norte de Cabo Delgado, o grupo armado continua com emboscadas ao longo da EN380.

“Nós continuamos a viajar apenas por falta de alternativas de sobrevivência, e algumas pessoas não chegam ao destino porque são capturadas pelo grupo armado”, descreveu Saide Juma, um motorista de camiões que faz viagens frequentes de camião para reabastecer a zona norte de Cabo Delgado.

As autoridades do governo não se mostraram disponíveis para responder ao pedido de reintrodução de escoltas, apesar de várias tentativas feitas pela nossa equipa de reportagem.

As escoltas foram introduzidas em 2021, após a reabertura EN380, que ficou fechada por quase um ano, devido à ocupação da vila de Mocímboa da Praia, e foi interrompida em meados do ano passado, pouco depois de as Forças Armadas do Ruanda terem instalado um quartel no distrito de Macomia.

Na tarde desta segunda-feira, o presidente da República, Daniel Francisco Chapo, apresentou o balanço dos seus primeiros 100 dias de governação. Adélia Macucule, primeira secretária da Frelimo na província de Inhambane, reagiu ao discurso destacando as principais realizações deste período e reafirmando o compromisso do partido em apoiar a agenda governativa.

Segundo Macucule, os 100 dias de governação marcam o início de uma transformação necessária para enfrentar os desafios do país. “O camarada presidente Daniel Francisco Chapo assumiu o país num momento desafiante, mas tem demonstrado uma orientação clara para resultados,” afirmou. Ela destacou que o governo tem procurado fazer as coisas de forma diferente para obter resultados concretos.

Entre os principais avanços, Adélia Macucule destacou o pagamento do 13.º salário e das horas extraordinárias aos funcionários dos setores da educação e da saúde. Também mencionou o pagamento do subsídio social do idoso como uma medida importante para apoiar os mais vulneráveis. Estas iniciativas foram descritas como parte do compromisso do governo em melhorar as condições de vida da população.

A primeira secretária também ressaltou os esforços para aproximar os serviços básicos às comunidades, incluindo o fornecimento de água potável, energia elétrica, saúde e educação. Segundo ela, estas medidas são fundamentais para o desenvolvimento sustentável e refletem uma resposta concreta às necessidades das comunidades.

Outro ponto mencionado foi o reforço da presença do Estado em zonas rurais e remotas, através da melhoria das infraestruturas e de iniciativas destinadas a aumentar o acesso da população aos serviços essenciais. Adélia Macucule sublinhou que essas ações, embora ainda em fase inicial, já começam a ter impacto positivo na vida das pessoas.

Adélia Macucule enfatizou a importância da consolidação da paz e da unidade nacional, que classificou como pilares essenciais para o progresso do país. Ela destacou que o presidente Chapo tem trabalhado para promover a coesão social e o diálogo como ferramentas fundamentais para superar os desafios atuais. Segundo ela, o fortalecimento dessas bases é vital para a estabilidade e cria um ambiente propício para o desenvolvimento.

A primeira secretária apontou também que as acções do governo têm refletido uma preocupação em integrar diferentes setores da sociedade no processo de desenvolvimento. “Temos visto um esforço claro para ouvir os cidadãos e responder às suas demandas de forma mais prática e eficaz”, afirmou.

Durante o seu pronunciamento, Macucule reafirmou o compromisso da Frelimo em mobilizar as suas estruturas, desde o nível provincial até às bases, para apoiar as iniciativas do governo. Segundo ela, a participação ativa do partido é essencial para garantir a implementação da agenda de desenvolvimento.

“A Frelimo está determinada em continuar a ser um parceiro estratégico do governo, contribuindo para que os resultados sejam alcançados de forma eficaz,” disse. Ela também apelou à população da província de Inhambane para que se mantenha unida em torno desta agenda.

Macucule destacou ainda que o partido tem intensificado a mobilização e o engajamento das comunidades para que todos possam participar no processo de desenvolvimento. “A inclusão social é fundamental para que o progresso seja sentido por todos, independentemente da sua localização ou condição socioeconómica”, afirmou.

Macucule reconheceu que, apesar dos avanços alcançados, há ainda muitos desafios a serem enfrentados, incluindo o desemprego, a pobreza e as desigualdades. Contudo, mostrou-se confiante na capacidade do governo de continuar a implementar soluções que beneficiem toda a população.

Entre os desafios destacados, está a necessidade de reforçar os investimentos em setores-chave como a agricultura, que continua a ser a principal fonte de rendimento para muitas famílias, e a indústria, que pode gerar mais postos de trabalho e impulsionar o crescimento económico. Segundo ela, o governo tem demonstrado intenção de implementar políticas que promovam esses setores.

Outro ponto levantado foi a melhoria da gestão dos recursos públicos, garantindo que os fundos destinados a projetos de desenvolvimento sejam aplicados de forma transparente e eficiente. Adélia Macucule sublinhou a importância da responsabilização como um dos fatores para o sucesso da agenda governativa.

Encerrando a sua declaração, Adélia Macucule dirigiu-se diretamente ao presidente da República em nome dos militantes e simpatizantes da Frelimo na província de Inhambane, parabenizando-o pelos 100 dias de trabalho e reafirmando o apoio do partido. “Estamos consigo, camarada presidente. Este é apenas o começo de uma jornada que trará progresso ao nosso país,” concluiu.

A primeira secretária também destacou que o sucesso do país depende do compromisso coletivo e da colaboração entre o governo, o partido e a sociedade civil. Ela reforçou a necessidade de todos se manterem unidos e focados nos objetivos comuns para superar as adversidades e construir um Moçambique mais próspero.

Moçambique atravessa um momento crítico na sua trajectória económica. As estruturas que deveriam sustentar o crescimento e garantir o bem-estar da população estão fragilizadas por uma série de problemas estruturais, desde a informalidade que domina o sector produtivo até à escassez de mão-de-obra qualificada. Esses desafios, longe de serem intransponíveis, exigem uma resposta urgente e coordenada entre os sectores público e privado, aliados a um papel estratégico da academia.

Foi durante a aula inaugural na Universidade do Save, que Hélder Muteia, antigo Ministro da Agricultura e Coordenador Sub-regional da FAO para a África Central, fez um diagnóstico claro e directo sobre os maiores obstáculos que Moçambique enfrenta no seu percurso de desenvolvimento económico. Ao longo de sua intervenção, Muteia não poupou palavras para sublinhar a necessidade de uma mudança de paradigma, apontando tanto as fraquezas estruturais como as oportunidades que, se bem aproveitadas, poderiam transformar a economia moçambicana.

Hélder Muteia iniciou sua análise destacando o impacto negativo da informalidade que predomina no tecido empresarial de Moçambique. Segundo ele, o empresariado nacional ainda se encontra numa fase muito inicial e vulnerável, exacerbada pela natureza informal de muitas unidades produtivas. “A informalidade impede a integração das unidades produtivas nos processos fiscais e financeiros do país, o que, por sua vez, torna impossível a formulação de políticas públicas eficazes para o sector”, afirmou.

Os números são alarmantes: 80% dos operadores económicos do país actuam no sector informal, e quase metade do Produto Interno Bruto (PIB) de Moçambique provém desta área. A informalidade limita a capacidade de inovação, dificulta o acesso a crédito e promove uma concorrência desleal, onde o capital humano e o acesso a mercados ficam comprometidos. A falta de regulamentação e de políticas públicas que integrem estas unidades no sistema económico formal é uma das maiores barreiras ao crescimento sustentável.

Para Muteia, a solução não é a marginalização da informalidade, mas a sua gradual formalização. Ele defende que é necessário criar mecanismos que incentivem os pequenos empresários a dar o passo para a formalização, através de incentivos fiscais, capacitação e suporte à gestão empresarial. “A economia não pode continuar a ser sustentada por unidades produtivas que não cumprem com as normas fiscais e financeiras. Precisamos de um sistema económico que seja inclusivo, mas que também seja justo e eficaz”, sublinhou.

Outro tema central abordado por Muteia foi a questão dos elevados custos de transação, um problema estrutural que penaliza fortemente a competitividade da economia moçambicana. Ele exemplificou o caso do feijão, um dos produtos agrícolas mais consumidos no país. “Num distrito como Sanga, uma lata de feijão que custa 600 meticais pode chegar a 1.200 meticais na Cidade de Lichinga, após percorrer apenas 100 quilómetros. Este aumento de preço não é devido à transformação do produto, mas sim ao peso dos custos de transação”, explicou Muteia.

Os custos de transação incluem desde o transporte, que é encarecido pela má qualidade das estradas, até os obstáculos impostos pela burocracia e pela insegurança ao longo das rotas comerciais. Muteia afirmou que o sistema de transporte e a regulação do mercado em Moçambique são extremamente ineficazes, tornando as trocas comerciais mais caras e, consequentemente, elevando o custo de vida para os cidadãos.

Além da informalidade e dos custos de transação, a falta de mão-de-obra especializada também se destaca como um dos principais desafios que o país enfrenta. Hélder Muteia foi enfático ao afirmar que o sistema educativo de Moçambique ainda não consegue formar profissionais adequados para os desafios do mercado. “Os jovens saem das universidades com diplomas, mas sem as competências práticas necessárias para o desenvolvimento do sector produtivo. Isso limita não apenas a competitividade das empresas, mas também o desenvolvimento económico do país”, alertou.

Muitos dos recém-formados são incapazes de se integrar eficientemente no mercado de trabalho, pois não possuem as habilidades técnicas exigidas pelas empresas. O empresariado, por sua vez, sente a falta de uma mão-de-obra qualificada para impulsionar a produtividade e a inovação. A solução, segundo Muteia, passa por uma maior articulação entre o sistema educativo e as necessidades do mercado, com um enfoque na formação técnica e vocacional, para que os jovens possam ter uma formação prática e uma inserção rápida no mercado de trabalho.

Para Muteia, a chave para a resolução desses problemas está na colaboração entre a academia e o sector empresarial. Ele defende que as universidades devem assumir um papel mais activo na formação de profissionais qualificados, capazes de inovar e contribuir directamente para o desenvolvimento económico do país. “Os grandes avanços da humanidade sempre foram possíveis graças à colaboração entre academia e empresas. Moçambique precisa de um modelo semelhante, onde as universidades formem pessoas com competências práticas, e as empresas forneçam os recursos e a experiência necessária”, afirmou Muteia.

Além disso, a academia deve também ser parceira na criação de soluções inovadoras para os problemas estruturais que o país enfrenta. “A academia pode ajudar a desenvolver soluções que melhorem a gestão da economia, a eficiência dos processos produtivos e a competitividade das empresas”, concluiu.

Um dos pontos mais controversos abordados por Muteia foi a exploração de gás e petróleo. Para o ex-ministro, a dependência excessiva dos recursos naturais pode ser perigosa para a economia de Moçambique. “A exploração de gás pode ser um presente envenenado se não for gerida com responsabilidade. Embora os recursos naturais possam gerar riqueza, é preciso ter políticas públicas que assegurem uma distribuição justa e sustentável desses benefícios”, disse.

Muteia alertou para o facto de que a exploração de hidrocarbonetos tende a gerar uma distribuição desigual da riqueza, concentrando os benefícios nas elites e deixando a grande maioria da população de fora. “É fundamental que os rendimentos provenientes da exploração dos recursos naturais sejam canalizados para um fundo soberano que permita investir em sectores cruciais como a educação, agricultura, a saúde e a infra-estrutura”, defendeu.

Para ele, o desenvolvimento económico não pode depender apenas da exploração de recursos naturais, mas deve ser sustentado por uma base industrial sólida e por políticas públicas que promovam o crescimento inclusivo e a diversificação da economia.

Hélder Muteia concluiu sua intervenção com uma mensagem de esperança e desafio. Para ele, Moçambique tem tudo o que precisa para se tornar uma economia próspera e inclusiva, mas é necessário um esforço conjunto entre o governo, a academia e o sector privado. “Os desafios económicos podem ser transformados em oportunidades, mas precisamos agir com determinação, inovação e responsabilidade”, concluiu.

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