A 61.ª edição da Feira Agro-Comercial e Industrial de Moçambique (FACIM), que encerra já este domingo, tem na exposição da pecuária um dos seus pontos de maior destaque. O certame serviu de palco para o anúncio, por parte do Ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas, da importação de 800 touros com o objectivo de melhorar a raça de gado bovino no país.
O certame, que decorre desde segunda-feira, permitiu aos criadores exibir exemplares de genética melhorada, animais de crescimento precoce e elevada qualidade de carne. Este esforço colectivo tem como meta estratégica reduzir a dependência das importações e fortalecer a soberania alimentar.
O Governo reiterou, na ocasião, que acompanha de perto o movimento, garantindo que esta iniciativa será acompanhada pela transferência de tecnologia e pela implementação de boas práticas junto dos produtores.
Para os pecuaristas, que aproveitaram o leilão realizado no sábado para transaccionar os seus melhores animais, começa a consolidar-se uma mudança de paradigma. A consciência de criar gado de corte, vocacionado para o mercado, ganha terreno face ao modelo tradicional de acumulação de cabeças de gado por longos períodos.
O apelo aos investidores nacionais é claro: existe um vasto mercado por explorar, uma vez que a oferta interna se revela ainda deficitária face às necessidades de consumo.
A modernização estende-se, igualmente, a outros sectores. Além dos bovinos, a feira exibiu aves de elevada produtividade, demonstrando que a procura pela qualidade se alastra a toda a produção pecuária.
Moçambique enfrenta agora o desafio de fazer crescer os efectivos exponencialmente, aproveitando as oportunidades de negócio que a FACIM, uma vez mais, evidenciou como motores para o desenvolvimento económico do país.
O Presidente brasileiro, Lula da Silva, criticou, hoje, o seu homólogo norte-americano, Donald Trump, dizendo que Trump “não é o xerife do mundo” e ameaçou reagir com “reciprocidade” às tarifas dos EUA sobre as importações de aço brasileiro.
Numa conferência de imprensa, esta quinta-feira, em Tóquio, durante a sua visita de Estado, Luiz Inácio Lula da Silva disse que o Brasil tem “duas decisões a tomar” em resposta às tarifas de 25%, que entraram em vigor este mês: a primeira é recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) e, se isso não funcionar, “recorrer a outras ferramentas”.
Lula mencionou especificamente a opção de “aumentar as tarifas sobre os produtos americanos” importados pelo Brasil, o que definiu como “pôr em prática a lei da reciprocidade”.
“Estou muito preocupado com a política do Governo americano, por causa dessas tarifas sobre todos os produtos de todos os países”, disse ainda Lula à imprensa em Tóquio, no final da sua visita, quando questionado sobre as novas tarifas de 25% sobre todos os automóveis importados pelos EUA a partir de 02 de abril, anunciadas na véspera por Trump.
“Estou preocupado porque o livre comércio é que está a ser prejudicado, porque o multilateralismo está a ser derrotado, e estou preocupado porque o Presidente americano não é o xerife do mundo, é apenas o Presidente dos Estados Unidos”, sublinhou o líder de esquerda.
Em vez de impor “medidas unilaterais”, Lula considera que seria mais adequado “conversar com outros líderes”, para chegar a um acordo sobre políticas de preços benéficas para todas as partes.
“Sinceramente, não sei qual é o benefício de aumentar em 25% as tarifas sobre os carros comprados no Japão”, disse o líder brasileiro sobre o país asiático, segundo cita Lusa.
Lula chegou ao Japão na segunda-feira, para uma visita de Estado de quatro dias, que termina hoje, antes de seguir para o Vietname, onde deverá encontrar-se com o primeiro-ministro vietnamita, Pham Minh Chinh, e com o Presidente vietnamita, Luong Cuong, a partir de sexta-feira.
Numa cimeira realizada na véspera com o primeiro-ministro japonês, Shigeru Ishiba, os dois líderes concordaram em lançar iniciativas conjuntas de descarbonização e reforçar os laços comerciais, com um futuro acordo de comércio livre entre o país asiático e o Mercosul no horizonte e no atual contexto de guerra comercial e negacionismo climático.
Durante a visita, o Presidente brasileiro sublinhou a mensagem de que a democracia, o comércio livre e o multilateralismo estão em perigo a nível mundial perante o aumento do protecionismo, do autoritarismo e da “nova guerra fria” entre os Estados Unidos e a China.
O Presidente do Burundi diz que o Ruanda está a planear atacar o seu país. Évariste Ndayishimiye também disse que Ruanda tentou lançar um golpe há uma década no Burundi, semelhante ao “que está a fazer na República Democrática do Congo” agora.
Ruanda já reagiu, chamando os comentários do Presidente de “surpreendentes” e insistindo que os dois vizinhos estão cooperando em planos de segurança para sua fronteira compartilhada, que está fechada há mais de um ano.
Apesar das extensas evidências da ONU, Ruanda sempre negou armar e apoiar o grupo rebelde M23, que recentemente tomou grandes partes do leste da RD do Congo junto com as tropas ruandesas. Ruanda também negou ligações com o ressurgente grupo rebelde Red Tabara, que o presidente Ndayishimiye diz ser uma força proxy semelhante ao M23 e está sendo apoiado por Ruanda para desestabilizar o Burundi.
“Eles diriam que é um problema interno quando é Ruanda quem é o problema. Sabemos que ele [o presidente de Ruanda, Paul Kagame] tem um plano para atacar Burundi”, acrescentou Ndayishimiye, garantindo ter informações confiáveis da inteligência.
Ndayishimiye acrescentou: “Estamos a pedir aos nossos vizinhos que respeitem os acordos de paz que fizemos. “Não há necessidade de entrarmos em guerra. Queremos o diálogo, mas não ficaremos parados se formos atacados”, disse o Presidente, em declarações à BBC.
Agentes da Polícia da República de Moçambique tentaram impedir a entrada no Tribunal Judicial da Província de Sofala, de cerca de 100 trabalhadores da empresa Cimentos da Beira, que têm estado nos últimos dois meses, a amotinar-se, todos os dias naquelas instalações para exigir o fim do processo de insolvência.
O processo de insolvência especial da Fábrica de Cimentos da Beira, decretada em Outubro do ano passado, pelo Tribunal Judicial da Província de Sofala, e com prazo de 90 dias, que expirou em Janeiro passado, está longe de ser encerrado e, neste momento, a empresa está paralisada e os trabalhadores estão há cerca de três meses sem salários.
Cansados de esperar por uma decisão de quem decretou a insolvência, os trabalhadores têm estado todos os dias amotinados no tribunal para exigir a celeridade do processo. Mas desta vez encontraram uma barreira para aceder às instalações do tribunal.
Os trabalhadores emitiram um ofício em finais de Outubro passado a exigir o desbloqueio das contas da empresa a fim de poderem comprar matéria-prima para produção de cimento, pagamento de dívidas e de salários, mas há dois meses que não obtêm resposta.
Segundo os trabalhadores, o Tribunal disse que o processo do desbloqueio das contas está em curso desde Janeiro passado.
Amainados os ânimos os trabalhadores foram atendidos pelo Juiz presidente do Tribunal Judicial de Sofala, António Charles que, segundo eles, afirmou que ao trabalhadores interpretaram mal o prazo da insolvência.
Quatro pessoas morreram na semana passada quando tentavam atravessar o rio Lalaua, em busca de alimentos. A vila de Ribáuè está sem água potável há duas semanas porque a represa onde era feita a captação foi destruída pelo ciclone Jude. Nampula está com muitos distritos isolados da capital provincial.
O ciclone Jude já se foi, mas ainda contam-se histórias dramáticas devido à destruição de estradas e pontes nas principais vias da província de Nampula. A ligação entre os distritos de Ribáuè e Lalaua está cortada porque há duas pontes que foram arrastadas.
Em entrevista na vila-sede de Ribáuè, o administrador de Lalaua falou das dificuldades que a população está a passar há já duas semanas. A vila municipal de Ribáuè está sem água potável desde a passagem do ciclone.
Só no distrito de Ribáuè, há 11 mil pessoas que foram directamente afectadas pelo ciclone, tendo visto suas casas e culturas destruídas.
As populações mais pobres são as mais expostas aos efeitos dos eventos extremos. Sem nada, a ajuda de empresas, instituições do Estado e organizações não governamentais é preciosa neste momento.
No total são 30 toneladas de produtos alimentares que foram doados por esta empresa de telefonia móvel.
O Presidente da República enalteceu o contributo de João dos Santos Ferreira para a luta de libertação nacional e o desenvolvimento do país, durante as cerimónias fúnebres do veterano, realizadas hoje. O estadista descreveu o veterano como “um combatente da primeira linha” e destacou o seu papel na defesa da soberania e na promoção da sustentabilidade ambiental.
João dos Santos Ferreira, um dos destacados membros da Associação dos Combatentes da Luta de Libertação Nacional (ACLLIN), faleceu no último domingo, na Cidade de Maputo, vítima de doença. Durante a sua trajectória, desempenhou várias funções de relevo, incluindo os cargos de ministro da Agricultura e deputado da Assembleia da República por duas décadas.
Na sua intervenção, Daniel Chapo recordou a coragem de Ferreira desde jovem, ao fugir da tropa colonial a partir do aeródromo de Mocímboa da Praia, na província de Cabo Delgado, rumo a Dar es Salaam, na Tanzânia, acompanhado pelo general Jacinto Veloso.
“Já jovem esteve na tropa colonial, mas jovens muito corajosos, dois, um deles está aqui dentro desta sala, o general Jacinto Veloso. E ele [João dos Santos Ferreira, junto do general], através de um avião da tropa colonial, fugiram a partir do aeródromo de Mocímboa da Praia para Dar es Salaam, na Tanzânia, porque estavam como jovens imbuídos dos ideais da luta de libertação nacional”, explicou.
A fuga levou Ferreira a percorrer um longo caminho até integrar as fileiras da luta armada. Inicialmente não reconhecido como exilado político na Tanzânia, recebeu apoio do Egipto, deslocando-se depois para a Argélia, onde se juntou a outros combatentes. Posteriormente, seguiu para a França e para Cuba, onde se formou em engenharia, regressando à Tanzânia antes da proclamação da independência de Moçambique.
Após a independência nacional, Ferreira teve um papel determinante no desenvolvimento do sector agrícola, assumindo cargos como ministro da Agricultura e Secretário de Estado do Algodão. “Mesmo reformado, nunca deixou de contribuir para a sua pátria”, sublinhou o Chefe de Estado, ressaltando ainda o compromisso ambiental do veterano.
O Chefe de Estado destacou o papel de Ferreira na promoção da exploração sustentável da madeira e na criação de associações voltadas à protecção ambiental. “Era um conservador ambiental de excelência, por isso lutou bastante para a criação de várias associações ligadas à protecção ambiental”, afirmou.
O Presidente da República, Daniel Chapo, no uso das competências que lhe são conferidas, solicitou o agendamento, com carácter de urgência, de um ponto atinente à apreciação da Proposta de Lei que aprova o Compromisso Político para um Diálogo Nacional Inclusivo, na Assembleia da República.
O Chefe de Estado solicitou o agendamento em conformidade com o compromisso estabelecido entre o Governo e os partidos políticos representados na Assembleia da República, nas Assembleias Provinciais e na Assembleia Autárquica. O pedido ocorre na sequência da aprovação, em 5 de Março de 2025, do Compromisso Político para um Diálogo Nacional Inclusivo.
O Ministro na Presidência para os Assuntos Parlamentares, Autárquicos e das Assembleias Provinciais apresentará a referida Proposta de Lei, avança a nota de imprensa da Presidencia da República.
Mais de 250 transportadores semi-colectivos de passageiros paralisam actividades, em Xai-Xai, província de Gaza. O grupo exige a desactivação do posto de fiscalização da pontinha. O Município de Xai-Xai associa a situação à onda de protestos populares.
A polícia interveio para repor a ordem, o que resultou na morte de um jovem de 25 anos de idade, na baixa do bairro 8. Por conta da situação, a mobilidade em todas as rotas ficou totalmente comprometida, para o desespero dos munícipes.
Devido a situação, muitas escolas da cidade não tiveram aulas, tal é o caso da Escola Primária Eduardo Mondlane e Secundária de Xai-Xai, onde mais de 450 alunos faltaram às aulas, além de atrasos nas primeiras horas.
Quase todas paragens de Xai-Xai estiveram abarrotadas de pessoas que sequer tinham alternativa para chegar aos seus destinos. Nem mesmo os “my love” podiam circular.
A cidade de Pemba continua com crise de combustíveis. A situação está a provocar enormes prejuízos para a população, que reclama do aumento de preços de transporte de passageiros e de produtos de primeira necessidade.
Quase todas bombas de combustíveis da cidade de Pemba estão fechadas, e nas poucas que continuam abertas, o abastecimento é condicionado e registam-se longas filas de viaturas e de pessoas que procuram encher os seus recipientes.
Além da população, a crise está a prejudicar a economia da província, que corre o risco de ficar paralisada.
Pouco depois da queda de pontes na Estrada Nacional Número Um, o governo da província garantiu o abastecimento de combustíveis a partir do Porto de Pemba, mas até hoje, a crise continua e solução está ainda longe do fim.
Um grupo de estudantes do Instituto Industrial e Comercial Joaquim Marra, em Chimoio, na província de Manica, amotinou-se defronte à instituição, para exigir os seus certificados, que não são emitidos há oito anos. A instituição reconhece o problema e atribui a culpa à ANEP, entidade responsável pela emissão de certificados do ensino técnico-profissional no país.
Há oito meses que alguns estudantes dizem estar a aguardar pelo documento que lhes confere o grau académico de técnicos profissionais em cursos de electricidade, serralharia mecânica, contabilidade e construção civil, ministrados no Instituto Joaquim Marra, o mais antigo da província de Manica.
“Nós queremos certificados, ou mandaram para a ANEP ou não mandaram. Até então, nós não temos justificação, sempre que perguntamos eles fogem, não há satisfação”, disse Edmo Luís, um dos estudantes que manifestava.
Diocleciano Manhangue, também estudante, reclama que já há anos que os estudantes terminam os cursos, mas não recebem os seus certificados. “Outros fizeram licenciatura há três anos, outros há cinco anos, mas quando aproximamos a direcção, eles não dão nenhuma satisfação. Sempre dizem para nós termos paciência”, reclamou.
Só que a paciência já se esgotou em algumas universidades onde os estudantes apenas submeteram declaração de notas, enquanto aguardam pelos certificados.
“Na minha universidade já estão a me girar, por causa do certificado. Quando concorro para emprego, não tenho certificado. Eu já estou cansada e quero o meu certificado. Porque é nosso direito”, disse Ana Paula, estudante.
O director do Instituto Joaquim Marra atira a culpa à Autoridade Nacional de Educação Profissional e diz que está a encetar contactos para resolver o problema.
“Como instituição, nós já contactamos a ANEP, para pedirmos a verificação externa e dali os estudantes requererem os certificados. Adianto para dizer que temos um atraso de quatro anos”, disse Feliz Nhacumbe, director da instituição, assegurando que em dois meses, o problema de certificado será ultrapassado na Joaquim Mara.