A população reclusória da Cadeia Central da Beira considera a liberdade provisória após o cumprimento de três quartos da pena, uma medida excessiva e pedem ajuda às autoridades judiciais para acelerar processos que estão parados há anos.
Os condenados e detidos que estão na cadeia central da Beira mostraram-se preocupados nesta terça-feira, às autoridades judiciais, em relação à entrada em vigor do instrumento relativo a benefícios de liberdade provisória após o cumprimento de três quartos da pena.
Para eles, a medida é pesada e deveria ser aplicada em casos específicos. Os detidos e condenados que se dirigiam ao Procurador-geral da República, durante uma visita a estas instalações, no âmbito da visita de monitoria que efectua em Sofala, pediram por outro lado ajuda para as autoridades judiciais acelerarem os processos de liberdade provisória.
O procurador-geral prometeu analisar as preocupações apresentadas, começando por fazer o levantamento de todos os processos aparentemente duvidosos.
Os reclusos esperam agora por respostas que possam aliviar a sua situação processual. A cadeia central da Beira tem capacidade para 190 pessoas, mas neste momento estão aqui 650 pessoas, entre elas 360 condenados e 290 detidas.
Moçambique revalidou o título africano de boxe ao nível da Zona IV, prova que teve lugar em Maputo. A selecção nacional conquistou um total de 13 medalhas, oito de ouro, três de prata e duas de bronze. Os atletas consideram que a conquista foi fruto de muito sacrifício.
E o sol voltou a brilhar para Moçambique. O boxe nacional reafirmou a sua hegemonia ao nível da região. Pouco ou nada a provar, senão colectar medalhas. Não foi a primeira, mas sim a segunda vez nos últimos três anos, ou seja, Moçambique é bicampeão africano de boxe da zona IV. Repetiu o feito de 2022, curiosamente em Maputo.
Em femininos, as medalhas de ouro foram conquistadas por Alcinda Panguana, Fidelicia Cumbe, Latifa Camilo e Benilde Macaringue. Em masculinos, o ouro foi para Armando Sigaúque, Yassine Nordine, Lourenço Cossa e Lázaro Comé.
Alcinda Panguana, uma das estrelas do pugilismo moçambicano, diz estar acostumada a grandes vitórias, e esta, mais uma, não foi novidade. “É gratificante estar aqui a receber mais um título, uma vez já estou acostumada, porque trabalho para isso, mas é de louvar o esforço, o meu esforço está a ser compensado hoje. Então, vou continuar a trabalhar para fazer face às outras competições”, disse.
Por seu turno, Yassin Nordine disse que esperava um adversário melhor para provar as suas valências. “Foi uma luta igual a qualquer uma. Eu esperava encontrar muito mais de um adversário, mas eu não consegui provar mais, e eu vi a melhor”.
Já o pugilista olímpico Armando Sigaúque disse sentir-se orgulhoso dos combates que teve e do título conquistado. “Sinto-me orgulhoso, porque eu disse, eu prometi-vos, e cumpri. Isso é uma prova de que o que eu falo eu cumpro”, garantiu Sigaúque.
É um título com muitos significados, conquistado com muito sacrifício, segundo deu a entender Latifa Camilo. “Esperei tanto para que a selecção me conhecesse, e eu precisei de mostrar que, de verdade, preciso de estar na selecção, graças a Deus, graças à oportunidade e graças ao meu bisavô Noami, que me formou”, revelou.
Benilde Macaringue, outra pugilista moçambicana que disputou o regional de boxe, disse estar feliz com a recuperação do título falhado nas últimas edições, depois de conquistado em 2018.
“Sinto-me muito feliz por ter recuperado o meu título, depois de 2018, se a memória não me falha, depois de 2018, no outro campeonato fui ficando em segundo, em terceiro, agora em primeiro lugar”, comentou Macaringue.
Finalmente, Lázaro Comé espera poder inspirar mais jovens com o título conquistado. “Aproveitar esse grande momento para inspirar os mais novos. Quem pratica como qualquer que seja a modalidade, que se dedique, que dê esforço, que faça de tudo para que um dia seja campeão”, revelou Comé.
Botswana foi segundo classificado, com duas medalhas de ouro, o mesmo número de prata e 3 de bronze. Lesotho, em terceiro lugar, amealhou duas medalhas de ouro e duas de prata. Seychelles, com uma medalha de ouro e prata, esteve em penúltimo lugar, e Eswatine, na última posição, ficou com cinco medalhas de prata e três de bronze.
A pugilista moçambicana Benilde Macaringue foi eleita a melhor do torneio em femininos, e Khobamelo Molatheghi, do Botswana, em masculinos.
Uma senhora desapareceu em Junho do ano passado em circunstâncias ainda por serem esclarecidas. Nove meses depois, há indícios que apontam que o corpo da mesma pode estar enterrado no quintal da residência do seu namorado, a última pessoa com quem foi vista numa casa de pasto.
A situação criou algum alvoroço nesta segunda-feira, em que dezenas de moradores do bairro de Chingussura, arredores da cidade da Beira, se amotinaram na casa onde foi, supostamente, enterrada, clandestinamente, na parte traseira do quintal, uma senhora que é dada como desaparecida há nove meses.
A senhora em causa chamava-se Cristina Domingos e, na altura em que desapareceu, tinha 32 anos. Ela foi vista pela última vez em finais de Junho do ano passado, a conviver numa casa de pasto com o seu namorado.
A informação já estava, desde o sábado passado, na posse da polícia, que deteve naquele dia o principal suspeito do acto macabro, que é namorado da suposta desaparecida.
A comunidade de Chingussura soube que estava agendada para esta segunda-feira a exumação, e, por conta disso, amotinou-se na residência para ver de perto a acção policial que não chegou a acontecer.
A secretária do bairro confirma que Cristina Domingos, mais conhecida por Nina, frequentava a residência e que o relacionamento dela com o detido era do conhecimento das duas famílias.
A filha da desaparecida disse que era frequente a mãe ir ao encontro do namorado e não regressar no mesmo dia, tal como o fez pela última vez, em Junho do ano passado, e que o detido tinha comportamento violento.
Os parentes do suspeito estão surpreendidos com a informação e disseram que nada sabem do sucedido e que estão prontos para colaborar com a polícia.
Enquanto se esperava pela chegada da polícia, alguns membros da comunidade tentaram destruir a residência do suspeito e, quando a polícia chegou, apelou à calma. O apelo da polícia foi acatado pela comunidade.
Para garantir a integridade dos familiares do suspeito e proteger a sua residência, foi destacado um contingente policial que irá permanecer no local até o caso ficar esclarecido, provavelmente nesta terça-feira.
O sector informal diz que não faz sentido a sua exclusão da linha de crédito de 10 mil milhões de Meticais para a recuperação pós-protestos eleitorais. Os comerciantes são contra a discriminação e alegam que todos sofreram os impactos dos protestos.
O sector informal tem um peso significativo na economia nacional. Dados do INE de 2021 indicam uma representatividade de cerca de 45% do PIB do país. Ainda assim, os informais não foram contemplados da linha de crédito anunciada pelo Governo. A informação não caiu bem para o sector.
“Se não abrange, é uma discriminação. As manifestações abrangeram todos, ninguém escapou. Então, era, na minha opinião, importante que abrangesse o sector informal. No final das contas, quem desenvolve uma actividade visível e com impacto directo ao consumidor é o sector informal.”
Além disso, os informais criticam o juro aplicado no empréstimo, por considerá-lo elevado, o que, no seu entender, dificulta o ambiente de negócios.
Para ter acesso aos créditos, os bancos deverão solicitar garantias às empresas, e o crédito estará disponível de 01 de Março a 30 de Setembro.
Os empresários dizem que a linha de crédito especial lançada na semana passada, de 10 mil milhões de Meticais para recuperação económica das empresas afectadas pela tensão pós-eleitoral, é bem-vinda, mas as condições impostas não ajudarão as empresas a recuperarem-se.
Para o presidente do Pelouro de Indústria da CTA e também presidente do Conselho de Administração da Infarma, Evaristo Madime, a taxa de juro de 15% a ser aplicada no primeiro ano, para a realidade actual, não é muito benéfica, visto que há empresas que perderam.
Para Madime, a solução que mais útil neste momento seria uma linha de financiamento com taxas de juro de zero ou quase zero, ou mesmo algo como um “fundo perdido”.
“Para as empresas que estão numa situação em que devem reinvestir completamente do zero e pensar que têm uma taxa de juros de 15%, acho que é difícil. Você não consegue trabalhar e pagar esse custo e ainda por cima ter uma margem para poder continuar a vida”, disse Madime.
Além da taxa, outra condição é que sejam excluídas as empresas que apresentarem incumprimentos na central de registos de crédito do Banco de Moçambique e outras instituições como INSS e Autoridade Tributária.
Onório Manuel, director-geral da Moz Parks, entende que este ponto deve ser analisado com cautela, porque grande parte das empresas, de Outubro a esta parte, podem estar numa situação de incumprimento, derivada do momento em que o país se encontra.
“Vamos supor que antes de Outubro uma empresa, de Setembro para trás, tenha estado em incumprimento. Esta empresa, sim, pode estar fora daquelas que se pretende que adiram a esta facilidade. Mas para todas as empresas que apresentarem a situação de incumprimento que tenha sido causado ao longo deste período de Outubro até esta parte, é necessário que não se conte como um impedimento”, propôs Onório Manuel.
Já o economista Hélio Cossa diz que, de forma geral, a taxa de juro é boa, quando comparada com a vigente no mercado, mas há factores que dão alguma desvantagem, dependendo de cada empresa.
O economista aponta, por exemplo, a capacidade das empresas de gerar retornos, tendo em conta as condições associadas ao mercado, o caso da inflação e outros custos de produção.
“Isto tudo depende da capacidade das próprias empresas de gerar fluxos de caixa suficientes para cobrir as suas despesas de funcionamento e também cobrir o serviço da dívida e garantir o retorno do investimento colocado na sua actividade económica.”
Por outro lado, o economista Dimas Sinoia chama, para o sucesso desta linha de financiamento, a intervenção do banco central.
“Se, por exemplo, uma das medidas fosse exactamente a questão do acesso às divisas, isso ia fazer com que as empresas, ao conseguirem estes empréstimos, tivessem um pouco mais de facilidade até na importação e reposição de investimentos que são necessários para a importação”, explicou o economista, que depois acrescentou que esta medida evitaria “congestionamento” na procura de dólares.
A linha de financiamento prevê que, no primeiro ano, a taxa de juro seja de 15%, e, para os anos subsequentes, será a taxa de juro de referência no mercado menos 4%.
O país revalidou o título africano de boxe ao nível da Zona IV, prova que teve lugar na Cidade de Maputo. A selecção nacional conquistou um total de 13 medalhas, oito de ouro, três de prata e duas de bronze. Os atletas consideram que a conquista foi fruto de muito sacrifício.
Assim, o sol voltou a brilhar para Moçambique. O boxe nacional reafirmou a sua hegemonia ao nível da região. Pouco ou nada a provar, senão colectar medalhas. Não foi a primeira, mas sim a segunda vez nos últimos três anos, ou seja, Moçambique é bicampeão africano do boxe da zona IV. Repetiu o feito de 2022, curiosamente em Maputo.
No torneiro, venceram Alcinda Panguane, Yassin Nordine e Armando Sigauque.
Botswana e Lesotho completam o trio de vencedores da prova, na segunda e terceira posições.
Estão a ser destruídos os 900 metros de estrada de betão na Avenida das Nações Unidas, que dá acesso e saída da baixa da Cidade de Maputo. A infra-estrutura, que custou mais de 21 milhões de Meticais à Empresa Municipal de Mobilidade e Estacionamento, foi inaugurada em Setembro de 2022 e deveria durar pelo menos 20 anos, mas passaram-se menos de três anos.
Em Março de 2022, o município de Maputo, através da Empresa Municipal de Mobilidade e Estacionamento, reabilitou 900 metros de uma das faixas da Avenida das Nações Unidas, na Cidade de Maputo, devido ao elevado nível de degradação da via.
Trata-se da faixa de rodagem que dá acesso à baixa da cidade, cuja intervenção custou cerca de 21 milhões de Meticais e, quatro meses depois, foi entregue ao público, isto em Setembro de 2022, com promessas de vida útil de, no mínimo, 20 anos.
No dia 9 de Junho de 2022, o PCA da EMME declarou: “Tomámos a decisão de fazer um pavimento em betão armado, completamente novo, e esse pavimento, de acordo com as especificações técnicas e com as normas de construção, é um pavimento que pode durar 20 a 25 anos sem manutenção”.
No entanto, no terreno, verificava-se o oposto. O pavimento já se apresentava com fissuras, buracos e muitos pontos já intervencionados, contrariando as expectativas de João Ruas.
Sucede que, em menos de três anos, o betão da superestrada está a ser totalmente removido e, no seu lugar, será implantada uma estrada de asfalto.
Quem está a fazer esta intervenção é o Ministério dos Transportes e Logística, através do projecto Move Maputo, que, no entanto, esclarece que esta via não era para durar sequer 10 anos, porque ela era provisória.
É uma obra provisória que custou aos cofres da Empresa Municipal de Mobilidade e Estacionamento 21 milhões de Meticais, conforme explica o engenheiro Afonso Ronda, responsável pela obra.
“O Governo de Moçambique iniciou, com o Banco Mundial, um processo de negociação para financiamento de um projecto de mobilidade para a área metropolitana de Maputo. Dentro deste projecto, existem várias componentes, e temos uma componente que chamamos de componente 3, que é a intervenção em infra-estruturas municipais. Neste contexto, o município de Maputo identificou algumas artérias a intervir, e a reabilitação da Avenida da ONU foi incluída neste pacote. Entretanto, por força da necessidade de mitigação de aspectos de mobilidade e acesso à cidade, o município de Maputo implementou a solução de reparação desta via, enquanto o projecto finalizava os procedimentos de procurement, implementou esta solução com betão, que está, agora, a ser intervencionada”, defendeu o engenheiro.
Mas porque destruir em vez de reabilitar?
Em resposta, Ronda disse: “Esta intervenção foi feita pelo município de Maputo, não tive nenhuma participação do projecto, pelo que não posso comentar”.
Não pode comentar, mas esclarece que a estrada de betão tinha muitos problemas, e o sistema de drenagem das águas da chuva é um deles.
“Nós temos intervenções profundas aqui a fazer, particularmente a nível do sistema de drenagem, que envolvem escavação em áreas para instalação de sistemas de drenagem. Adicionalmente, verificámos, também, que a solução implantada começava já a exibir alguns defeitos, que sob o risco de colocar o que quer que fosse de camada de desgaste por cima, essa camada de desgaste iria reflectir depois algumas das patologias que a estrutura em betão já estava a exibir. Para garantir uma solução sustentável e que minimize custos com a manutenção desta infra-estrutura, optámos por fazer o reforço da estrutura com uma solução de pavimento flexível”, ouviu-se de Afonso Ronda, até porque há evidências de que, neste caso, o asfalto é melhor que o betão.
“A nossa intervenção, que foi feita na faixa de saída, foi feita recentemente, mas, com certeza, pode-se observar que a outra faixa não apresentava os problemas que esta faixa de entrada tinha, sendo que elas estão localizadas na mesma zona, operam sob as mesmas condições e é uma estrutura flexível, porque temos confiança de que essa solução com uma estrutura flexível vai funcionar, sim, porque há demonstração da mesma numa faixa que está mesmo ao lado, está a menos de 10 metros.”
Concluída a estrada, Ronda garante vida útil da infra-estrutura de, pelo menos, 20 anos.
“A intervenção que está a ser feita, como disse, está a ser feita de forma robusta a nível do sistema de drenagem, para garantir o suprimento adequado das águas, tanto superficiais assim como subterrâneas, para minimizar a influência da água na performance do pavimento. Estamos a fazer reforço do pavimento, como se pode ver nos trabalhos executados na faixa de saída da cidade, com recurso a uma solução baseada em base tratada com betume. Portanto, estes agregados com algum volume de betume lá, é um produto a quente preparado em central, que também vai ser um tratamento similar para esta faixa de entrada da cidade. Com isto, nós não só vamos garantir que tenhamos uma camada de desgaste nova, mas, acima de tudo, possamos garantir que haja, pelo menos por 15 a 20 anos, durabilidade a nível estrutural desta estrutura de pavimento que vamos agora construir.”
O “O País” contactou o presidente do Conselho de Administração da EMME, dono da obra. João Ruas mostrou-se espantado com as intervenções em curso, numa infra-estrutura que, no seu entender, era de qualidade.
“Eu fui, também, surpreendido quando vi a Avenida da ONU ser destruída. Inclusivamente, na mesma manhã, falei com o presidente do município e esclareci-lhe que isso estava a acontecer e que não estava a entender o que se passava. Eu não sei exactamente o que é que aconteceu, porque quem está a fazer o trabalho é o Ministério dos Transportes, através do projecto MOVE [Maputo]. Eles é que estão a fazer a obra, eles é que estão a fazer aqueles trabalhos, não é o município de Maputo nem é a EMME, e nós não sabemos, efectivamente, quais são as razões técnicas ou financeiras que levaram, portanto, a essa decisão. Efectivamente, o trabalho que tinha sido feito com a laje de betão armado, em cima da base que já existia anteriormente, tinha sido uma solução que poderia levar, sim como eu tinha dito, 20 anos. Qualquer engenheiro pode provar isso”, explicou João Ruas, dizendo mais: a solução nunca deveria ter sido a destruição da estrada e explica.
“Eu sou engenheiro civil e já trabalhei em construção de estradas e construção de aeroportos. Qualquer pavimento de betão tem coeficientes de dilatação maiores que o asfalto. Aparecerem algumas fissuras, e é natural que elas aconteçam, portanto, é uma questão de manutenção. Agora, a solução para evitar as fissuras era, exactamente, meter um tapete de asfalto em cima, não demolir tudo e fazer tudo de novo. A solução, como está a ser preconizada, eu acredito que vai haver fragilidades na caixa de fundação, na sub-base e na base. Há-de haver deformações no pavimento, e eu acredito que, em pouco tempo, há-de haver fissuras e, consequentemente, buracos. Portanto, eu penso que, tecnicamente, a solução está errada.”
Recorde-se, caro leitor, que o engenheiro Ronda teria dito que a infra-estrutura de betão era uma solução provisória. Ruas desmente.
“Isso é absolutamente falso, porque a solução, de facto, não é temporária. Quando se mete um tapete de betão armado ao longo de uma via, essa solução não é solução temporária. Uma solução temporária seria tapar buracos e fazer trabalhos de remendos, etc, etc, o que não foi o caso. Nós fizemos um tapete com 14 centímetros de espessura, 10 metros de largura e 1200 metros de comprimento. Isso não pode ser uma obra provisória, não é verdade. Tecnicamente, essa justificação não é correcta, porque isso não é verdade”.
Contradições à parte. O facto é que, sempre que chovia, uma parte da avenida ficava alagada, e isso pode ter sido uma das falhas, de acordo com Bento Machaila, presidente da Federação dos Empreiteiros.
“Não creio que seja na qualidade, não creio também que seja na falta de engenharia. Provavelmente, houve omissão de alguns trabalhos que poderiam ter sido feitos. Como eu disse, o sistema de drenagem mostrou-se ineficiente. Fez-se o trabalho na faixa de rodagem e esqueceu-se de colocar um sistema de drenagem que possa escoar as águas com muito mais eficiência.”
Para o Presidente da Federação dos Empreiteiros, a exiguidade de fundos pode ser a razão da falta de sistema de drenagem na infra-estrutura.
“Muitas das vezes, acontece que o Estado ou as entidades que contratam têm um determinado montante para investir numa infraestrutura e, quando se percebe que não é suficiente para fazer todo o trabalho necessário, acabam por colocar de lado alguns trabalhos, como este, a que me estava a referir. Provavelmente, não se investiu muito no sistema de drenagem porque se achou que poderia fazer numa outra altura, mas a natureza foi mostrando que, quando chove, o sistema de drenagem não pode, de maneira nenhuma ser esquecido para uma engenharia daquelas”, explicou Machaila, deixando um recado ao Governo.
“Aí fica a mensagem de que o Estado ou as entidades que contratam, sempre que fizeram um projecto, nunca podem pôr de lado os investimentos necessários para o sistema de drenagem, porque acabam por dar cabo a toda aquela infra-estrutura que se gastou muito dinheiro para se executar.”
O prazo para a entrega das obras de reabilitação da Avenida das Nações Unidas, orçada em mais de 420 milhões de Meticais, está para o dia 3 de Abril. Enquanto isso, o trânsito continuará condicionado, pelo menos nas horas de ponta, nos dias úteis da semana.
Trabalhadores do cemitério Chali, em KaTembe, denunciam uma suposta vala comum e péssimas condições de trabalho. A denúncia é feita através de um vídeo que circula nas redes sociais. A situação preocupa os moradores.
A denúncia é feita através de um vídeo amador que circula nas redes sociais e que mostra muitos sacos de objectos hospitalares, um deles contendo a perna de uma pessoa morta, sendo mostrados por dois funcionários do cemitério. “Só para você ter noção do que está a acontecer aqui, no terreno, as coisas todas estão aqui”, dizia um dos funcionários do cemitério, no referido vídeo amador.
Além de estranhar os supostos corpos, os trabalhadores falam de péssimas condições de trabalho. A indignação é também dos moradores do quarteirão 10, nas imediações do cemitério Chali, no bairro com o mesmo nome, na KaTembe.
“O que nós estamos a chorar é por causa dessas pessoas que estão aqui, enterradas de qualquer maneira e que provocam um cheiro nauseabundo aqui. Não sabemos se amanhã vamos tomar chá no quintal ou termos o almoço à vontade, ou se a noite vamos dormir em paz”, disse um residente do bairro Chali.
Uma residente do mesmo bairro, também falando em anonimato, disse que tudo aconteceu na sexta-feira e “eu só vi meus vizinhos a dizerem que no cemitério deitaram coisas estranhas, vamos lá ver. Quando chegámos lá, acabavam de enterrar, mas só tentaram fechar um pouco, e aquele coveiro disse que eram cerca de 60 plásticos”.
Também em anonimato, outra cidadã conta a sua versão dos factos. “Meus irmãos estavam a brincar, estavam no muro do cemitério, porque eles gostam de brincar ali em cima. Depois viram uma ambulância chegar ali. Começou a retirar os corpos, muitos corpos nos plásticos, transparentes, pretos, rosa. Deitaram ali mesmo. Depois, meu irmão ficou assustado. Chegou à casa e disse-me o que estava a acontecer. Eu saí, chamei minhas tias, chamámos os vizinhos, fomos lá espreitar o que eles estavam a ver. De facto, aquelas crianças que foram enterradas ali, quase nem foram enterradas, colocaram num plástico, depois começaram a tapar com areia, e depois chamámos o chefe de quarteirão”, contou.
Entre as denúncias está também uma suposta perseguição por parte da polícia aos moradores responsáveis pela gravação dos vídeos que circulam nas redes sociais. Duas moradoras denunciaram perseguições e ameaças de agentes do SERNIC.
“Depois da situação que houve aqui, no cemitério, no mesmo dia, um agente do SERNIC chamou-me, puxou-me para o lado, disse que era para eu entregar o vídeo que tenho, senão me mataria. Disse que o SERNIC não leva tempo para matar. Eu disse que não tinha nenhum vídeo, e, de facto, eu não tinha nenhum vídeo. Apenas vi o vídeo aqui, assisti, porque o meu telefone não tinha carga. Daí fiquei, voltei para casa, e tive medo, porque ele me ameaçou de morte. Saí, fugi, fui-me esconder com as minhas irmãs na cidade”, contou.
Contactada pela equipa do “O País”, a Direcção de Saúde da KaTembe rebate a reclamação dos moradores e diz que não se trata de restos mortais, tal como disse Francisco Mucavel, director distrital de Saúde da KaTembe.
“Não se trata de restos mortais, mas sim de placentas, placentas que são membranas que ligam o bebê à mulher durante a gravidez e após o parto, esta mesma membrana expulsa e necessita de algum tratamento especial. Tratando-se de material biológico com potencial contagioso, não pode ser depositado em contentores de lixo comum. E o lugar mais indicado para o tratamento deste tipo de material geralmente são os cemitérios. Olhando também para o perfil das unidades sanitárias do Distrito de KaTembe, que não tem capacidade cirúrgica, não é possível produzir lixo anatómico como, por exemplo, membros como perna, braços, entre outros, mas sim placentas. Importa também salientar que o distrito da KaTembe tem duas maternidades que concorrem para a produção deste tipo de material”, revelou Francisco Mucavel.
Até à saída da nossa equipa de reportagem do local, o cemitério de Chali estava com os portões fechados.
Na 97ª edição dos Oscars, o filme “Anora” foi o grande vencedor da noite, coleccionando os Oscars de Melhor Filme, Melhor Realizador (Sean Baker) e Melhor Actriz (Mikey Madison). Adrien Brody ganhou a estatueta de Melhor Actor pelo seu papel em “O Brutalista”, e o filme brasileiro “Ainda Estou Aqui”, de Walter Salles, foi o Melhor Internacional
Não faltaram surpresas na grande noite dos Oscars, que se realizou este domingo em Hollywood, Los Angeles, nos Estados Unidos. Durante o evento anual, “Anora” destacou-se diante de alguns fortes candidatos, como “O brutalista” e “Emilia Pérez”, e conquistou galardões importantes, como Melhor Filme. Na verdade, a realização de Sean Baker foi a grande vencedora da noite, levando para casa cinco Oscars. Além da mais apetecida, coleccionou ainda as importantes estatuetas de Melhor Realizador (Sean Baker) e Melhor Actriz (Mikey Madison), a que juntaram os Óscares de Melhor Argumento Original e Melhor Montagem.
Adrien Brody ganhou o Oscar de Melhor Actorc pelo seu papel em “O Brutalista”, filme que acabou por ser o grande derrotado da gala no Dolby Theatre, apresentada por Conan O’Brien. Realizado por Brady Corbet, venceu em apenas três categorias. Cumprindo as expectativas mais realistas, o filme brasileiro “Ainda Estou Aqui”, de Walter Salles, foi o Melhor Internacional, representando, assim, o universo de língua oficial portuguesa.
Abaixo, segue a lista dos vencedores em todas as categorias:
Melhor Filme, Anora; Melhor Realizador, Sean Baker (Anora); Melhor Actor Principal, Adrien Brody (O Brutalista); Melhor Actriz Principal, Mikey Madison (Anora); Melhor Actor Secundário, Kieran Culkin (A Verdadeira Dor); Melhor Actriz Secundária, Zoe Saldaña, (Emilia Pérez); Melhor Filme Estrangeiro, Ainda Estou Aqui; Melhor Argumento Original,
Anora; Melhor Argumento Adaptado, Conclave; Melhor Documentário, No Other Land; Melhor Caracterização, A Substância; Melhor Guarda-Roupa, Wicked; Filme de Animação,
Flow; Melhor Banda-Sonora Original, O Brutalista; Melhor Canção Original, El Mal, de Emilia Pérez; Melhor Fotografia, O Brutalista; Melhores Efeitos Visuais, Duna: Parte Dois; Melhor Som, Duna: Parte Dois; Melhor Montagem, Anora; Melhor Design de Produção, Wicked; Melhor Documentário de Curta-Metragem, The Only Girl In The Orchestra; Melhor Curta-Metragem, I’m Not A Robot; e Melhor Curta-Metragem de Animação, In The Shadow Of The Cypress.
Uma criança de quatro anos se tornou a segunda pessoa a morrer de Ébola em Uganda, desde que o surto anunciado no final de Janeiro, informou a Organização Mundial da Saúde.
A morte da criança é vista como um revés para as autoridades de saúde de Uganda, que esperavam que a doença altamente infecciosa tivesse sido contida depois que oito pessoas se recuperaram após o tratamento.
A criança perdeu a vida no Hospital Mulago, na capital Kampala, a única unidade do país a lidar com casos de Ebola.
A primeira vítima foi um enfermeiro, que morreu um dia antes do surto ser declarado, a 30 de Janeiro.
Os sintomas da doença frequentemente fatal incluem febre, dores de cabeça, dores musculares e sangramento. O vírus é transmitido por meio do contacto com fluidos corporais e tecidos infectados.
A OMS doou à Uganda pelo menos três milhões de dólares para apoiar sua resposta ao Ébola, mas há preocupações sobre a ajuda após a decisão do governo dos EUA de cortar o financiamento à USAID.
O último surto em Uganda, descoberto em Setembro de 2022, matou pelo menos 55 pessoas antes de ser declarado encerrado em Janeiro de 2023.
Mais de 15 mil pessoas morreram de Ébola em África, nos últimos 50 anos. A doença foi descoberta em 1976, em surtos simultâneos no Sudão do Sul e no Congo, onde ocorreu em uma vila perto do Rio Ébola, que deu nome à doença.
Na última terça-feira, autoridades de saúde de Uganda confirmaram que o país registou 10 infecções pela cepa sudanesa do vírus.

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