O Anamola dá 10 dias ao Presidente da República para fazer um pronunciamento público a repudiar as perseguições, agressões e assassinatos a membros do partido, que diz serem motivados por questões políticas. O partido submeteu uma carta a Daniel Chapo.
Não é a primeira vez que o Anamola se queixa de perseguição, violência física e psicológica contra seus membros, que é, segundo o partido, protagonizada por agentes da Polícia e indivíduos não identificados.
Para colocar um ponto final na onda de assassinatos, ao que a formação política considera fruto de intolerância política, o partido de Venâncio Mondlane submeteu, nesta terça-feira, uma carta dirigida ao Presidente da República, com intenções bem definidas.
“Exigimos que ninguém nos mate, só porque estamos a exercer os nossos direitos, ninguém nos mate. Que o Presidente da República declare publicamente tolerância zero à violência política e assuma um compromisso inequívoco com o fim do derramamento do sangue por razões políticas em Moçambique. Que condene todos os atos de violência política, independentemente de quem sejam as vítimas ou os alegados responsáveis, reafirmando que nenhuma divergência política justifica a agressão, a perseguição ou morte de um cidadão; Que condene expressamente o uso desproporcionado da força contra cidadãos, com particular atenção às situações onde envolvem crianças, jornalistas, pessoas com deficiência; Que instrua as instituições competentes a investigar de forma imparcial, célere e transparente todos os casos de violência política, denunciados e outros conexos, garantindo que nenhuma situação seja ignorada por razões partidárias ou institucionais”, declarou James Njiji.
De acordo com o documento, Daniel Chapo tem até ao dia 30 de Outubro para demonstrar o seu interesse em combater a violência política.
“Solicitamos que essas declarações públicas sejam feitas no prazo de 10 dias, contados a partir da recepção da comunicação formal dirigida ao chefe do Estado. Esperamos que a resposta presidencial não se limite a palavras circunstanciais, mas representa um compromisso efectivo com a prevenção da violência política, a protecção dos cidadãos, a investigação dos casos denunciados e a responsabilização dos eventuais actores”, acrescentou.
ANAMOLA INOCENTA VENÂNCIO MONDLANE
É que o Anamola diz já terem sido mortos pelo menos 65 membros, cujos autores dos assassinatos continuam desconhecidos. Em relação ao julgamento de Venâncio Mondlane, marcado para 17 de Novembro, o secretário-geral diz que o seu líder é inocente e tal será provado.
“Nós sabemos que o presidente Venâncio será absolvido neste processo e nunca pensamos em nenhum momento em vê-lo fora de ser tão político. Tudo o que nós fazemos, todos os passos que nós tomamos, é na base daquilo que os estatutos internos dizem e é assim que faremos, seja qual for a decisao”.
Recorde-se que o Tribunal Supremo rejeitou o pedido da defesa de Mondlane, para a transmissão em directo da audiência, permitindo apenas a presença de cidadãos na sala, acompanhamento e registo escrito pela comunicação social.
Governo projecta crescimento abaixo do potencial e alerta para riscos fiscais agravados por choques políticos, económicos e climáticos. Moçambique caminha para 2025 com um cenário económico frágil e finanças públicas sob forte pressão, resultado da confluência de choques registados em 2024 e da persistência de riscos estruturais. De acordo com o Plano Económico e Social e Orçamento do Estado (PESOE) 2025, o país enfrenta uma combinação de desafios que ameaçam a estabilidade fiscal, o crescimento económico e a capacidade de resposta do Estado.
O último trimestre de 2024 foi particularmente adverso. A tensão pós-eleitoral e o impacto do ciclone Chido provocaram perturbações significativas na economia nacional. O Governo estima que esses eventos tenham resultado em perdas acumuladas de receita equivalentes a 2,4% do Produto Interno Bruto (PIB), com consequências que se deverão prolongar ao longo de 2025.
Num cenário conservador, o Executivo antecipa um crescimento económico de apenas 2,5% em 2025, abaixo dos 2,9% do cenário de base. Esta desaceleração traduz-se numa previsão de queda na arrecadação de receitas fiscais em cerca de 9,4 mil milhões de meticais, o que representa 0,6% do PIB.
Mercê deste contexto, a massa salarial continuará a exercer uma pressão significativa sobre o orçamento do Estado. Apesar da previsão de uma redução do peso de 14,5% do PIB em 2024 para 13,3% em 2025, o Governo reconhece que essa redução decorre, essencialmente, da regularização de despesas nos sectores da saúde, educação e áreas especiais, e não de reformas estruturais profundas.
A dívida pública é outro ponto de preocupação. O rácio deverá subir para 80,5% do PIB, sendo que cerca de 65% do serviço da dívida está concentrado na dívida interna. Setembro será um mês crítico, com o serviço da dívida a atingir um pico de 26,9 mil milhões de meticais.
De acordo com o documento, “o Sector Empresarial do Estado, que inclui empresas como as Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) e Aeroportos de Moçambique (ADM), permanece numa situação financeira delicada”. As obrigações não cumpridas por estas entidades representam uma exposição fiscal estimada em 1,2% do PIB, agravando os riscos associados aos passivos contingentes do Estado.
A AMEAÇA CLIMÁTICA E A ECONOMIA VULNERÁVEL
Além dos desafios económicos e fiscais, o PESOE 2025 aponta para uma crescente ameaça climática. Este cenário pode reduzir o crescimento real do PIB em até 2,7 pontos percentuais, aprofundando as vulnerabilidades da economia nacional.
Entretanto, para fazer face ao panorama adverso, o Executivo propõe um conjunto de medidas de mitigação, com destaque para a diversificação e alargamento da base tributária, incluindo a revisão dos regimes de isenções fiscais; o reforço da fiscalização da folha salarial e aceleração dos processos de aposentação; a priorização de donativos e créditos concessionais para aliviar o peso da dívida pública; a reestruturação de empresas estatais com fraco desempenho e a limitação da emissão de garantias estatais e o fortalecimento de mecanismos de protecção contra desastres, como seguros paramétricos e códigos de construção resilientes.
Apesar dos desafios, o Governo afirma estar empenhado em manter a estabilidade macroeconómica, melhorar a gestão da dívida e criar condições para uma retoma sustentável. No entanto tal não teve efeitos no primeiro trimestre do presente ano, onde o desempenho económico retraiu em 3,92 por cento.
“AS TENDÊNCIAS NÃO DEVEM SER MOTIVO DE ALARME, MAS SIM DE MELHOR POSICIONAMENTO”, DIZEM ECONOMISTAS
Em reacção às tendências e variações apontadas no documento-guia do Governo sobre o desempenho económico e financeiro para o período de 2025, os economistas Moisés Nhanombe e Pedro Langa afirmam que estas não devem ser encaradas com preocupação ou alarme, mas sim como elementos que orientam a definição de prioridades e estratégias para o fortalecimento da economia.
Entretanto, os economistas afirmam que os indicadores do primeiro trimestre do presente ano demonstram realmente a assombração provocada pelos eventos políticos, sociais e climáticos no fecho de 2024. Para estes, o mau desempenho da actividade económica nos primeiros três meses de 2025 revela uma queda em 3,92 por cento.
Falando ao longo do programa O País Económico exibido na noite desta quinta-feira na STV Notícias, Moisés Nhanombe disse que a necessidade do Estado de recorrer ao financiamento externo para colmatar défices financeiros podem incorrer em algumas situações que venham a minar a soberania económica do país.
MOISÉS NHANOMBE – ECONOMISTA
A economia moçambicana continua excessivamente dependente de sectores específicos de produção e exportação, o que limita a sua capacidade de crescimento e a torna vulnerável a choques externos. É necessário que o Estado adopte políticas fiscais claras e eficazes para promover o investimento e diversificar a economia, criando condições para o surgimento de novos sectores produtivos e reduzindo a dependência de importações, sobretudo de bens de primeira necessidade.
Apesar de a Constituição reconhecer a agricultura como base do desenvolvimento nacional, grande parte dos produtos alimentares consumidos no país são importados, o que contradiz esse princípio e demonstra a necessidade de uma política agrícola mais robusta. A diversificação produtiva não só aumentaria a oferta interna como também geraria emprego e ajudaria a melhorar os indicadores sociais.
No plano da gestão de empresas públicas, questiona-se a eficácia de transferir ações de uma empresa pública deficitária para outra, uma vez que ambas partilham o mesmo cofre estatal. A experiência técnica limitada de algumas dessas empresas também levanta dúvidas quanto à viabilidade dessa estratégia.
Outro ponto crítico diz respeito à forma como os contratos com megaprojectos são negociados e ratificados. É fundamental garantir que tais acordos sejam equilibrados, assegurando ganhos tanto para os investidores como para o Estado e a sociedade. O modelo ideal é o de ganha-ganha, onde os recursos arrecadados sejam suficientes para financiar despesas públicas e aliviar a dívida do país.
Embora os projectos de exploração de gás e minérios sejam importantes fontes de receita, o Estado não deve depender exclusivamente deles, pois isso pode ofuscar investimentos em outros setores igualmente vitais. É necessário avaliar toda a cadeia de valor da extração de recursos naturais desde a produção até à comercialização e assegurar que Moçambique obtenha benefícios reais em termos de emprego, receitas fiscais e desenvolvimento económico sustentável
PEDRO LANGA – ECONOMISTA
O encerramento de empresas e operações económicas em Moçambique agravou o desemprego e reduziu significativamente as receitas do Estado, sobretudo através de impostos diretos como o IRPS e contribuições à Segurança Social. O último trimestre de 2024 foi economicamente desfavorável, o que comprometeu o desempenho fiscal do país.
Diante da falta de apoio financeiro externo, o Estado continua a recorrer ao sistema bancário nacional para financiar as suas necessidades, o que cria concorrência com o setor privado pelo crédito disponível. Esta dinâmica acaba por estimular o consumo e não a produção, com os cidadãos a recorrerem a empréstimos essencialmente para despesas pessoais, como compra de viaturas, reparação ou construção de moradias.
Apesar dos indicadores estatísticos aparentarem crescimento, é necessário analisar a realidade vivida pelos cidadãos e os preços praticados nos mercados. A informalidade da economia moçambicana limita o impacto de medidas como a redução do IVA, uma vez que grande parte das transações não são tributadas. Isso também contribui para um défice fiscal persistente.
O Governo deve incentivar a formalização da economia para melhorar a arrecadação fiscal e estabilizar os preços. Medidas do Banco de Moçambique, como a manutenção de taxas de juro elevadas, não têm sido eficazes, especialmente num contexto de baixo poder de compra. A redução das taxas pode ajudar a estimular a economia.
A falta de produção interna e a dificuldade de importar insumos resultam em escassez e aumento dos preços. Para enfrentar esses desafios, é essencial renegociar a dívida pública, permitindo a amortização gradual e a priorização do pagamento a fornecedores, o que poderá reativar cadeias de valor, como o sector da construção civil.
Com a retoma de projectos ligados ao gás natural (como os da ENI), prevê-se um crescimento do PIB que poderá melhorar a gestão da dívida pública. A dívida externa apresenta melhores condições (como taxas de juro mais baixas e maior período de carência), o que torna a sua contratação mais vantajosa do que a dívida interna, cujo custo é elevado.
Por fim, o Governo deve canalizar parte das receitas da exploração de hidrocarbonetos para reforçar os serviços públicos, sobretudo nos sectores da saúde, educação e segurança. A actual escassez de recursos nestas áreas exige uma resposta urgente, pois o défice fiscal deverá manter-se até, pelo menos, 2027.
A Polícia da República de Moçambique (PRM), na província de Maputo, deteve dois indivícuos de 17 e 18 anos de idade, respectivamente, acusados de fazerem parte do grupo que vandalizou oito viaturas na estrada circular, no último fim-de -semana, nas proximidades da terceira rotunda.
Foi um crime que chocou os automobilistas e moradores ao longo da “circular” de Maputo, que no último sábado foram surpreendidos com a acção dos malefeitores.
Após os acontecimentos, a PRM desencadeou um trabalho de investigação, que culminou com a detenção de dois indivíduos. Os jovens confessam o crime e culpam o alcoól pela vandalização e contam que o acto ocorreu quando eles voltavam de um convívio.
O porta-voz da PRM na província de Maputo, Cláudio Ngulele, explicou que o grupo responsável pela vandalização era composto por seis pessoas, que antes de cometerem o crime posicionaram no local para fazer cobranças ilícitas aos automobilistas que passam por estrada circular de Maputo, concretamente na zona da terceira rotunda.
Para a polícia, a falta de iluminação é um aspecto que propicia a ocorrência de crimes, e chama atenção aos gestores da via.
“Queremos apelar aos gestores para que com muitab celeridade coloquem a iluminação nesta via, de modo a garantir maior segurança, não só dos automobilistas, assim como de todas as pessoas que circulam no período nocturno”, alerta.
O pão de cada dia ficou dois meticais mais caro na província de Gaza, desde há duas semanas. O pão de 80 gramas, que antes custava 7 meticais, passou a custar 9, enquanto o de 130 gramas subiu de 10 para 12 meticais. A medida está a gerar indignação entre os consumidores, que exigem uma imediata redução dos preços e questionam a qualidade e o peso do pão actualmente produzido.
“Porque o pão já subiu, está muito difícil agora a vida. O pão pequeno já está a 9 meticais e o pão grande a 12 ou 14 meticais. Tudo está muito difícil”, lamentou um cidadão.
Com as recentes alterações na tabela de preços, Atália João, que vive com mais nove pessoas, afirma que as despesas com pão tornaram-se insustentáveis. Antes da subida, gastava cerca de 90 meticais por dia, o que totalizava 2.700 meticais por mês. Com o novo preço, as despesas mensais subiram para 3.600 meticais, obrigando a reduzir a compra diária de 9 para apenas 4 pães.
“Não está fácil, não estamos a aguentar. As crianças até acabam chorando (…) e para voltar a comer mandioca é uma briga terrível”, frisou.
João Mondlane, de 25 anos, é estudante universitário e vende pão para ajudar nas despesas da família. Conta que, desde a subida do preço, os clientes desapareceram. “Teve um impacto muito negativo, reduziu de forma drástica mesmo. Antes da subida, requisitávamos cerca de 150 pães por dia. Mas agora, só requisitamos entre 50 a 60 pães”, disse.
As três principais padarias da cidade de Xai-Xai, sem gravar entrevista, explicaram ao jornal O País que o aumento do preço do pão foi inevitável, devido à subida dos custos operacionais, como os preços da farinha de trigo, vitaminas, água e energia. Segundo explicaram, o saco de 50 quilos de trigo, que antes custava 2.300 meticais, passou a custar 2.750 meticais.
Entretanto, os consumidores mostram-se insatisfeitos com a qualidade e o peso do pão produzido nos últimos tempos, e exigem uma fiscalização rigorosa e uma revisão dos preços em vigor. “Não é normal agora dizerem que é 12 meticais, enquanto é a mesma medida. Se reduzirem para 11 meticais seria muito bom”, apelou um consumidor.
A Direção Provincial da Indústria e Comércio, bem como a Associação dos Panificadores de Gaza, recusaram-se a prestar declarações sobre o assunto. Refira-se que a última revisão do preço do pão em Gaza ocorreu há três anos.
A Primeira-Dama da República, Gueta Chapo, reafirmou o compromisso do país em estreitar a cooperação com a Fundação Merck, com foco na formação de profissionais de saúde, promoção da igualdade de género e combate às uniões prematuras.
A declaração foi feita esta quinta-feira, em Dubai, durante a Reunião do Comité da Iniciativa das Primeiras-Damas da Fundação Merck, no âmbito da VII edição da iniciativa, onde Gueta Chapo participou como convidada de honra, ao lado das suas homólogas de outros países africanos.
Segundo revelou, Moçambique beneficiou de 18 bolsas de estudo atribuídas a médicos, com destaque para a formação em diabetes e endocrinologia, no quadro do Programa Nacional de Pontos Azuis em Diabetes da Fundação Merck. A formação foi ministrada em língua portuguesa, facto que, segundo destacou, facilitou a assimilação dos conteúdos pelos formandos.
Além disso, foram concedidas outras três bolsas em áreas prioritárias, como Medicina Aguda, Doenças Infecciosas e Gestão da Dor, reforçando a capacitação técnica do sistema nacional de saúde.
Gueta Chapo expressou ainda gratidão pela atribuição de mais de 140 bolsas de estudo, 100 destinadas a profissionais de saúde e 40 a raparigas em situação de vulnerabilidade, incluindo órfãs e filhas de viúvas.
A Primeira-Dama destacou também o impacto social da campanha “Mais do que uma Mãe”, da Fundação Merck, que promove o empoderamento de mulheres com infertilidade, através da informação e mudança de mentalidades.
No encerramento da sua intervenção, Gueta Chapo sublinhou o empenho do seu Gabinete na luta contra as uniões prematuras e na defesa dos direitos das raparigas. “Quando caminhamos juntas, somos mais fortes”, afirmou, renovando o compromisso com uma cooperação transformadora a nível nacional e continental.
O secretário de Estado da Ciência e Ensino Superior, Edson Macuacua, defende que a classe académica deve ouvir, ler e escrever mais sobre a Luta de Libertação Nacional para que a história não se perca. Já o escritor moçambicano, Luís Bernardo Honwana, entende que é na academia onde se deve buscar o Espírito Patriota. Os intervenientes falavam no âmbito dos 50 anos da Independência.
O Secretário de Estado da Ciência e Ensino Superior, que falava na abertura da Conferência Internacional-Moçambique e as Independências dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa, destacou o importante papel da academia na preservação da história da Luta de Libertação Nacional.
Edson Macuacua defendeu que enraizar o patriotismo, entre os moçambicanos, é um dos caminhos para a busca de soluçoes conjuntas, para vencer os desafios actuais, ligados ao terrorismo e a pobreza.
“Exortamos aos jovens para que se inspirem nos valores e principios dos jovens de 25 de Setembro, de coragem e nacionalismo para vencer os desafios actuais, como o terrorismo, mudancas climaticas e pobreza, construindo os aliceces para a noss independencia economica”, disse Edson Macuacua.
Reforçou que as próximas gerações não terão a mesma sorte e não irão perdoar a actual geração se não estudar, sistematizar e escrever, publicar a história da Luta de Libertação Nacional e assegurar que ela seja apropriada, para que nela possam buscar referências e inspiração, para enfrentar e superar os desafios do presente e do futuro com patriotismo.
O escritor Luís Bernardo Honwana, um dos oradores no evento, defendeu, por sua vez, a introdução da educação patriótica nas escolas.
“A escola é que deve ser o centro difusor dos princípios e valores de patriotismo. No processo de ensino e aprendizagem isso deve estar incluído ”, explicou o veterano.
O evento, que foi organizado pela Universidade Pedagogica de Maputo, contou com a participação de veteranos da Luta de Libertação Nacional, activistas e académicos.
O investimento directo estrangeiro em África registou um crescimento expressivo de 75% em 2024, atingindo um recorde histórico de 97 mil milhões de dólares, de acordo com o mais recente relatório da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD).
Segundo o documento, citado pela imprensa internacional, este desempenho notável foi impulsionado, em grande parte, por um megaprojecto de desenvolvimento urbano no Egipto. Ainda assim, mesmo excluindo este factor pontual, os fluxos de investimento para o continente aumentaram 12%, totalizando cerca de 62 mil milhões de dólares.
A UNCTAD destaca que o investimento directo estrangeiro em África passou a representar 6% do total mundial em 2024, uma melhoria face aos 4% registados no ano anterior. Este crescimento é atribuído, em parte, à adopção de políticas de liberalização e medidas de facilitação de investimentos por vários governos africanos. O relatório refere que 36% das medidas políticas favoráveis aos investidores em 2024 foram adoptadas por países africanos.
A nível regional, o Norte de África liderou o aumento nos fluxos de IDE, sobretudo devido ao investimento significativo no Egipto. Já a África Austral, que inclui países como Angola e Moçambique, viu os investimentos crescerem 44%, passando de 7 para 11 mil milhões de dólares.
Em contrapartida, a África Ocidental, onde se encontram países como Cabo Verde e Guiné-Bissau, registou uma ligeira retração nos investimentos, com uma descida de 7%, situando-se agora em 15 mil milhões de dólares , face aos 16 mil milhões em 2023.
No que diz respeito à origem dos investimentos, a Europa mantém-se como a principal fonte de IDE em África, seguida pelos Estados Unidos e pela China. Os investidores têm mostrado interesse crescente em sectores como o farmacêutico e o da transformação alimentar.
O relatório sublinha, por fim, que, apesar das incertezas globais, África tem conseguido atrair mais capital estrangeiro devido a reformas e iniciativas que tornam o continente cada vez mais atrativo para os investidores internacionais.
Um grupo de profissionais de media de África, Ásia, América Latina e do Oriente Médio participa numa viagem imersiva a Xinjiang, na China. A iniciativa designada “China Up Close” ou “China de perto”, em português, promete revelar de perto as transformações de uma das regiões mais emblemáticas do país.
Com música, cores, aromas e sabores, a cidade de Xinjiang recebeu jornalistas de quatro cantos do mundo para mais uma edição do “China Close Up”. O evento é basicamente uma viagem de campo, que permite uma visão profunda da riqueza cultural e histórica da cidade maioritariamente muçulmana, que fica a quatro horas de voo da capital chinesa, Pequim.
A viagem imersiva começou, de facto, no sábado. O grupo selecto de profissionais teve, neste dia, um encontro, diga-se, com a música tradicional chinesa, com os aromas e sabores da região, ao visitar o Grande Bazar de Xinjiang, o maior mercado da cidade, onde também habita o maior edifício da região. O mercado oferece aos mais de um milhão de visitantes anuais um pouco de tudo, desde vestuário até gastronomia, artesanato, entre outros.
No domingo, antes de o sol nascer em Moçambique, que tem uma diferença de 6 horas com a China, o grupo já estava em mais uma actividade do itinerário, que no total compreende a visita a cinco cidades chinesas.
De 15 a 22 de Junho, ou seja, durante sete dias, os jornalistas serão guiados pelos ventos da história. O roteiro não é só uma viagem, é uma travessia por séculos de cultura viva, em que o passado e o presente se encontram.
De Turpan a Hami, o grupo conhece aldeias tradicionais que ainda respiram os seus costumes, visita hospitais e centros religiosos que misturam fé e ciência e museus que guardam memórias milenares, como as Cavernas dos Mil Buda.
Para os participantes, a imersão, que junta jornalistas de televisão, rádio, imprensa escrita e media sociais, serve ainda para trocar experiências sobre as características, desafios e oportunidades das suas profissões em seus respectivos países.
Cerca de 60 crianças estão em tratamento da anemia falciforme, no Hospital Central de Maputo, uma doença hereditária. O sistema de saúde não tem dados nacionais, mas garante esforços para controle dos pacientes. A anemia falciforme é recordada todos os anos no dia 19 de Junho. Na capital do país, a data foi celebrada com debates, palestras e sensibilização para mais e melhores cuidados aos pacientes com esta doença.
A Anemia falciforme é uma doença que passa dos pais para os filhos e é caracterizada pela alteração dos glóbulos vermelhos do sangue, que têm sua membrana alterada e rompem-se mais facilmente, causando anemia. É uma doença que se manifestar de forma diferente, e Faizana Amodo apresenta alguns dos sintomas da doença: “a criança se sente pálida e fica com menos quantidade de célula vermelha, uma célula que tem a função de oferecer oxigênio aos tecidos, sendo que por ter pouco oxigênio, a criança fica com isquemia, desenvolve dores, dores articulares, que é uma das manifestações mais comuns da anemia falciforme. A criança fica com os olhos muitas vezes amarelados, pode ter infecções de repetição e muitas outras complicações que são derivadas da anemia falciforme”.
Moçambique não tem dados sobre a doença que ataca muito crianças das regiões centro e norte do país, segundo confirmou Faizana Amodo, especialista em Hemato Oncologia Pediátrica. “Na verdade, nós não temos dados do país. Existem algumas iniciativas de tentar fazer a medição da anemia falciforme em diferentes partes do país, porque segundo literaturas internacionais, a maior parte das pessoas com anemia falciforme vivem na África Subsaariana”, disse.
O que se tem feito no país, de acordo com a especialista em Hemato Oncologia Pediátrica, é o diagnóstico de uma forma geral, “mas precisamos de fazer o diagnóstico mais específico para definirmos as intervenções específicas para estas crianças e o diagnóstico mais específico, que é o padrão ouro, é feito apenas no Hospital Central de Maputo”, onde neste momento cerca de 60 crianças estão em tratamento.
Crianças com anemia falciforme e famílias dos doentes dizem não ser fácil viver com a doença, que exige muitos cuidados.
Maira Rafael, de 18 anos de idade, vive com a doença desde a nascença e diz ser um martírio não poder realizar muitas das actividades que gostaria de fazer, muitas vezes porque a doença é mais forte do que ela.
“Conviver com a anemia falciforme é viver com uma espécie de sombra, às vezes silenciosa, às vezes esmagadora, é acordar sem saber se o corpo vai colaborar hoje, é planejar uma semana e cancelar tudo no meio, porque uma crise apareceu sem aviso”, revela a doente.
Maira aproveitou a oportunidade para contar como tem agido a doença no seu organismo. “Tive momentos em que a dor me imobilizou, outros em que eu só queria que me vissem além do sorriso forçado, da presença educada em sala de aula ou do corpo que estava ali, mas exausto por dentro. Já me senti culpada por precisar descansar, já me culpei por não conseguir acompanhar, por não ter energia e por faltar às aulas, como se tudo fosse culpa minha, mas não é”, conta.
Por seu turno, a mãe de um dos doentes da anemia Falciforme, conta que muitas vezes teve que passar mais tempo no hospital do que em sua casa.
“Ele fez um turbilhão de exames médicos e no final de tudo, em Agosto de 2014, ele teve o diagnóstico. E desde essa altura, temos feito seguimento com a Dra. Faizana. E o nosso trajecto não foi fácil, foi muito difícil mesmo. Eu passei os primeiros cinco anos de vida do meu filho no hospital. Eu ficava internada de duas em duas semanas. Ficava muito pouco tempo em casa, mais tempo no hospital. Eu estudei, fiz a minha faculdade internada no hospital. Eu fazia o trajecto de faculdade, hospital, hospital a faculdade. A minha cama era a cama da pediatria”, revela.
O ministério da Saúde diz ser um momento triste quando de celebra esta data porque os principais intervenientes no processo, que tem responsabilidades de cuidado dos pacientes, muitas vezes não se tem lembrado dos doentes, que ficam esquecidos, “não do ponto de vista de falta de cuidados, mas porque pensamos que pode ser outra doença, quando são doenças mais graves”, segundo disse Luísa Panguene, Directora Nacional da Assistência Médica.
Para Luísa Panguene, o dia que se reflecte sobre a Anemia Falciforme é importante porque “nos recorda que devemos sempre nos lembrar destes doentes com problemas hematológicos”.
A Directora Nacional da Assistência Médica reconhece as fragilidades em gerir a doença, mas garante continuar a criar condições de assistência e tratamento aos mesmos.
“Devemos pensar na massificação para que possamos fazer o diagnóstico o mais rápido possível e na possibilidade de dispormos de insumos, como medicamentos e outros, para podermos controlar, porque há medicamentos que não temos no sistema de saúde e as famílias são as que sempre tem que se desdobrado para procurar essa medicação”, disse Luísa Panguene, acrescentando ainda que “como MISAU queremos deixar claro que estamos sempre comprometidos em garantir melhores condições para pacientes com este tipo de doenças e reforçar o compromisso de continuar a trabalhar e melhorar a assistência”.
As promessas e depoimentos foram dados durante a celebração do dia mundial da anemia falciforme que se comemora a 19 de Junho de cada ano.
Uma pessoa morreu supostamente por linchamento no bairro Inguide, na Katembe. Os moradores negam ter praticado o acto e dizem que o malogrado era um catador de sucatas.
O bairro de Inguide, na Katembe, acordou, nesta quinta-feira, no meio de gritos. Eram gritos de socorro, quando as pessoas se aproximaram ao local, cá estava um indivíduo estatelado e amarrado.
“Eu também não sei o que aconteceu. Eu estava na minha casa, quando apareceu uma senhora de lá, quase Mapongue, e disse que tinha um homem amarrado ao poste, que morreu. Saí, acordei o senhor em casa dele (um vizinho) e disse: Mano dizem que tem uma pessoa amarrada, que morreu”, disse uma testemunha, apelando que o acto não se perpetue no bairro.
Trindade Félix, morador do bairro Inguide, condenou o acto e disse estar preocupado com o acontecimento. “Na verdade, ninguém sabe o que realmente aconteceu, porque só nos vieram acordar quando eram sete horas e disseram que aqui na zona tem uma pessoa que foi amarrada e que está morta (…) Estamos com o coração fechado. Porque aconteceu este tipo de acto, enquanto nós temos autoridade para resolver”, questionou.
Não se sabe ao certo o que terá, mas suspeita-se que se trata de linchamento. O chefe do quarteirão acredita que o malogrado seja catador de sucatas.
“Quando houve isto, eu comuniquei a polícia, e estamos aqui para saber o que aconteceu. Ninguém da população sabe ou disse quem fez isso. Ainda não temos nada, mas estamos a ver, pela carinha dele, que era daqueles homens que compram ferros usados. Agora, o que aconteceu, estamos à espera da polícia dizer”, disse Alino Zibia, chefe do quarteirão.