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Há cada vez mais pacientes com cancro da mama a desistir da quimioterapia devido às reações do tratamento. O Cancro da mama é a segunda maior causa de morte por cancro em mulheres no país, depois do colo de útero.

Dados do Ministério da Saúde indicam que anualmente, pelo menos 800 mulheres perdem a vida por cancro da mama no país. Parte da estatística, até chega a diagnosticar a doença, mas mas abandona o tratamento. O fenómeno foi apresentado por activistas em uma palestra sobre a doença, promovida pelo Instituto Nacional de Saúde.

“Muitas param pelo caminho porque fizeram uma ou duas sessões de quimioterapia. Aquele processo do tratamento, as reacções e as pessoas acabam ficando com aquele peso e desanimam pensando que podem morrer no meio. A pessoa não pode desistir só porque está com as reacções do tratamento, reconhecemos que são fortes”, contou uma activista, que venceu a doença

O Observatório Nacional de Saúde diz haver condições técnicas para o país registar avanços significativos no combate à doença, mas deve ser conjugado com estratégias de comunicação para a saúde.

“Percebemos que cancro ainda é uma questão que carece de explicação e de apresentação à comunidade no geral. Então, há um nível de conhecimento, mas a maior parte da população ainda não tem um conhecimento de forma geral.”

O cancro da mama é considerado a segunda maior causa de morte por cancro em mulheres no país, sendo que a chegada aos hospitais em estágios avançados, é um dos principais desafios.

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A nova plataforma online da Rede de Cinema e Audiovisual PALOP+TL representa “um marco” para Moçambique e para os países que integram a Rede, podendo contribuir para a afirmação do sector cinematográfico e para a definição de políticas públicas baseadas em dados, afirmou a Secretária de Estado das Artes e Cultura, Matilde Muocha.

Para a governante, a plataforma é “mais um passo na afirmação do sector audiovisual e cinematográfico nacional”, disse Matilde Muocha, no último sábado, durante a apresentação da ferramenta, no Centro Cultural Franco-Moçambicano (CCFM), em Maputo.

A governante, que falou em representação do Ministério da Educação e Cultura, destacou a importância do mapeamento de profissionais e empresas do audiovisual, defendendo que a recolha de informação permitirá ao Governo conhecer melhor a realidade do sector e definir políticas ajustadas às suas necessidades.

“Vamos poder desenhar políticas que estão baseadas na realidade”, afirmou, acrescentando que os dados recolhidos deverão fornecer “pistas e directrizes” para o desenvolvimento do cinema moçambicano.

Matilde Muocha disse ainda que o Governo está empenhado na dinamização das indústrias culturais e criativas, com especial atenção para o cinema, e anunciou a reestruturação do Fundo de Apoio à Actividade Cultural (FUNDAC), bem como a revisão do código do imposto de consumo específico sobre bebidas alcoólicas e tabaco, com vista à canalização de receitas para o sector cultural.

“A cultura não é um sector de acção fraca. É um sector de investimento”, afirmou, defendendo a necessidade de reforçar o investimento público.

A plataforma prevê igualmente a criação de uma Agência de Curtas-Metragens e o desenvolvimento de um estudo sobre a implementação de Film Commissions nos países abrangidos pela Rede, explicou a coordenadora do projecto, Diana Manhiça. A agência deverá promover a distribuição internacional de curtas-metragens através da criação de pacotes de curadoria destinados a festivais, televisões e centros culturais, universidades e escolas, procurando também gerar receitas através dos direitos de exibição.

O estudo sobre Film Commissions vai analisar modelos internacionais e avaliar quais poderão ser adaptados aos países da Rede. Em Moçambique, será preparada uma proposta de estudo de caso para Inhambane.

A Secretária de Estado defendeu que estas estruturas podem contribuir para atrair investimento, fomentar o turismo e transformar o audiovisual num sector relevante para o desenvolvimento económico, revelando que o Governo trabalha com o Ministério da Economia e Turismo na definição de zonas francas de produção cinematográfica, com incentivos e menor burocracia.

A realizadora cabo-verdiana Samira Vera-Cruz, membro fundadora da Rede de Cinema e Audiovisual PALOP-TL, sublinhou o impacto da plataforma para a circulação de obras na região. “Uma das coisas que constatámos foi que há muitos filmes feitos nos nossos países que acabam por não circular. Ficam na gaveta. Esta plataforma vai servir precisamente para difundir o que é feito na nossa região”, afirmou. “O futuro é cada vez mais coletivo, tanto em termos de financiamentos como de projetos”.

José Manuel Amaral Lopes, director do Camões – Centro Cultural Português em Maputo, classificou a ferramenta como um “instrumento essencial” para facilitar as coproduções e a circulação internacional de obras. “Esta plataforma, ao coligir toda essa informação, vai ajudar os interessados a ter informação rápida e precisa”, afirmou, sublinhando que a iniciativa alinha-se com os objectivos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e da cooperação portuguesa, para quem “a cultura é o sector mais duradouro e mais sólido”.

Matthieu Gardon-Mollard, coordenador do Cultiv’Arte, financiado pela União Europeia, afirmou que o projecto acompanha “um movimento de profissionalização, regionalização e de abertura para novos mercados”. “Sabemos que é estruturando este sistema que haverá melhores parcerias e mais dinâmica para promover o cinema dos países PALOP”.

José-Maria Queirós, director do Centro Cultural Franco-Moçambicano, destacou a importância de o CCFM acolher o lançamento da plataforma, sublinhando o papel da instituição como espaço de encontro e promoção das artes e da cultura em Moçambique.

A plataforma resulta do mapeamento do sector audiovisual nos PALOP e Timor-Leste e, em Moçambique, já reúne mais de 400 profissionais e empresas registados, número que poderá aproximar-se dos 700 registos nos próximos meses.

O projecto conta com financiamento do Camões, I.P., através do PROCERIS, e apoio adicional do Cultiv’Arte, financiado pela União Europeia e implementado pela Expertise France, em parceria com o Ministério da Educação e Cultura (MEC). 

A venda ilegal de combustíveis continua a ser praticada em alguns bairros da cidade de Tete, apesar das medidas de fiscalização já levadas a cabo pelas autoridades.

O fenómeno, recentemente denunciado pelo “O País”, mereceu, esta segunda-feira, a reacção do Director do Serviço Provincial de Infraestruturas, Otávio Semba, que anunciou a criação de uma equipa multissectorial, que deverá intensificar as acções de fiscalização e adoptar medidas para travar a comercialização clandestina de combustíveis.

A iniciativa surge numa altura em que alguns cidadãos continuam a recorrer ao mercado informal para adquirir gasolina e gasóleo, sobretudo nos bairros onde o abastecimento nas bombas de combustível não tem sido regular, como é o caso do bairro Mateus Sansão Muthemba. 

Sobre a escassez de combustíveis que afectou a província nos últimos meses, o responsável garantiu que a situação tende a normalizar.

Segundo o Director, as bombas de combustível já voltaram a receber o produto, estando o fornecimento a decorrer de forma regular.

Entretanto, nas ruas, a gasolina e o gasóleo continuam a ser comercializados a preços significativamente superiores aos praticados nas bombas. Em alguns casos, o combustível chega a custar cerca de 140 a 160 meticais por litro, quase o dobro do preço oficial, situação que tem preocupado os consumidores e reforçado os apelos para o combate à venda clandestina.

A bacia de retenção de água de Maxaquene “C”, na Cidade de Maputo, voltou a transbordar com as chuvas do último domingo. Os munícipes esperam resposta definitiva para o problema das inundações, na mesma proporção que o município está a responder na zona baixa do centro da Cidade de Maputo.

“Não precisa de chover muito para encher”, descreveu Rafael Maposse, morador de  Maxaquene “C” ao “O País” nesta segunda-feira.

As chuvas do último domingo e madrugada de segunda-feira foram suficientes para inundar a bacia, e condicionar a circulação. A água tomou conta de toda a via, impondo um desafio que apenas veículos robustos conseguem vencer.

Enquanto os camiões avançam sem dificuldade, para os outros condutores, o caminho termina vencido pela força das águas e precisa de atrevimento para seguir.

“É difícil passar. Os carros são obrigados a voltar, dificultando a ligação norte-sul. enquanto as pessoas, para passar, desafiam água que chega até à cintura”, explicou uma idosa no local.

A bacia de retenção da água é, para os municípios, uma defraudação de expectativa construída em suas mentes ao longo da implantação da infra-estrutura, que se previa que fosse aliviar o problema de inundações.

“Pedimos ajuda sempre ao nosso município, mas nenhuma coisa aconteceu”, desabafou Fernando Gove, morador do bairro.

As enchentes acontecem numa altura em que no centro da cidade decorrem obras de reabilitação do sistema de drenagem das águas, por isso os munícipes exigem equilíbrio nas decisões do município.

“Se é que na cidade se está a organizar, esperamos que um dia também se possa organizar aqui, onde estamos, para não estarmos a passar esta situação de água”, pediu Rafael Maposse.

Moradores apontam falta de luz, ausência de posto policial e patrulhamento deficiente como causas do aumento da criminalidade na zona de expansão da Beira.

A zona de Matadouro, no bairro de Inhamízua, vive dias de medo. Só neste ano, já foram registadas cinco vítimas mortais, devido à criminalidade. Moradores denunciam roubos durante o dia e à noite, e apontam a ausência de iluminação pública e a falta de um posto policial como principais factores que favorecem a ação dos malfeitores, naquela que é uma das áreas de expansão da cidade.

De dia, ninguém está seguro, segundo os residentes, que denunciam que adolescentes circulam em grupos, fingindo conversar na rua, enquanto escolhem as vítimas.

À noite a situação agrava-se. A escuridão total e a proximidade com a linha férrea tornam o local propício para assaltos violentos.

“Às vezes nós levamos cliente aqui, para podermos entrar nessa zona. No fim de tudo, por falta de iluminação aqui, na zona, acabamos por sofrer roubo de moto, ser assaltado. Isso já está a ser uma coisa frequente”, contou  Lucas Mauro.

Para os moradores, dois problemas estão na base do problema: a falta de luz e o fraco patrulhamento policial. “Eu já vi aqui a polícia fazer patrulha, mas são raras as vezes. Também eles são seres humanos, e onde não há luz é um pouco difícil patrulhar. Para piorar, nesta  zona de expansão de Matadouro, não existe sequer um posto policial. Havendo uma possibilidade de ter um posto policial, seria louvável”, defendeu  Luciano Nhantumbo.

O único acesso para entrar e sair de Matadouro é um pequeno troço que cruza a linha férrea que liga Beira a Dondo. É precisamente nesse ponto que a maioria dos crimes acontece.

Os números assustam. Só neste ano, cinco pessoas já perderam a vida. A última vítima foi um jovem do bairro, morto no último fim-de-semana e que deixou três filhos pequenos.

“Era biscateiro, mas conseguia qualquer coisa para os filhos comerem. Agora os três filhos menores e a esposa estão desamparados. Como vão conseguir viver?”, questionou Marta Titos, uma residente de Matadouro.

Há ainda críticas ao trabalho dos membros comunitários. “Eu sei que a PRM não tem efectivos adequados, mas também tem uma faixa de membros comunitários. Eles já conhecem a operação daqui, mas não estão a fazer produção, estão lá preocupados a fazer biscates, lavar viaturas na sede do bairro. Não estão aqui”, lamentou Brasil Carlos, igualmente residente em Matadouro. 

Perante o cenário, os moradores pedem socorro urgente às autoridades. Exigem a instalação imediata de iluminação pública, reforço do patrulhamento policial e a construção de um posto policial para travar o avanço da criminalidade e devolver a segurança à população.

A Polícia da República de Moçambique prometeu pronunciar-se sobre as denúncias populares nesta terça-feira.

O Governo moçambicano prestou assistência humanitária a mais de 810 mil pessoas afectadas por secas, ciclones e inundações no primeiro semestre, incluindo apoio alimentar a 20 664 famílias através de um seguro soberano contra a seca.

De acordo com dados do Governo citados pela Lusa, foram assistidas, no primeiro semestre deste ano, 810 026 pessoas afectadas por eventos climáticos extremos, das quais 780 319 por inundações, 20 667 pela seca e 9040 pela passagem de ciclones.

Segundo o documento, as intervenções incluíram distribuição de alimentos, provisão de abrigo temporário, acesso à água potável, cuidados de saúde e apoio à recuperação dos meios de subsistência das populações afectadas.

Ainda de acordo com a Lusa, no relatório, refere-se ainda que o seguro soberano contra a seca disponibilizou, neste período, 1,8 milhões de dólares, permitindo prestar assistência alimentar a 20 664 famílias em 19 distritos das províncias de Gaza, Inhambane, Manica, Sofala e Zambézia.

Essa cobertura correspondeu a uma média de cerca de 1088 famílias por distrito, acrescenta-se no documento.

Paralelamente à resposta aos desastres naturais, o Governo, em coordenação com parceiros de cooperação, continuou a assegurar assistência humanitária a 762 510 deslocados internos, maioritariamente afectados pelos ataques de grupos insurgentes no Norte do País.

Deste universo, aproximadamente 720 160 deslocados encontravam-se em Cabo Delgado e 42 350 na província de Nampula. Segundo os mesmos dados, foram reforçadas acções de apoio que incluíram assistência alimentar, abrigo, acesso a serviços sociais básicos e iniciativas de reintegração socioeconómica.

Os dados surgem pouco mais de um mês depois de o Governo ter revisto em baixa a previsão de crescimento económico para 2026, de 2,8% para 0,59%, atribuindo a decisão aos impactos das cheias registadas no início do ano.

Na altura, o Executivo aprovou um Plano Global de Recuperação e Reconstrução pós-cheias avaliado em 102 mil milhões de meticais, destinado a promover uma recuperação “resiliente, inclusiva e sustentável” das áreas afectadas.

Segundo dados apresentados pelo Governo, as cheias de Janeiro afectaram cerca de 724 mil pessoas nas províncias de Maputo, Gaza, Inhambane, Sofala, Manica e Zambézia, provocando impactos significativos sobre a pobreza, a segurança alimentar e os meios de subsistência.

As estimativas oficiais apontaram para danos físicos de cerca de 69,5 mil milhões de meticais e perdas económicas avaliadas em aproximadamente 41,37 mil milhões de meticais, concentrando-se os danos no sector social, sobretudo na habitação, e as perdas no sector produtivo, com destaque para a agricultura.

O plano governamental assenta em cinco prioridades: assistência humanitária imediata, reposição dos serviços essenciais, reconstrução de infra-estruturas resilientes, recuperação económica e redução do risco de desastres.

Dados anteriormente divulgados pelo Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) indicam que a última época chuvosa (Outubro a Abril) matou 314 pessoas, afectou mais de um milhão de habitantes e atingiu quase 260 mil habitações em todo o País.

Nesse período, registaram-se ainda 19 desaparecidos e 361 feridos, tendo sido inundadas 211 655 casas, destruídas totalmente 15 616 e parcialmente outras 31 081.

Só as cheias de Janeiro provocaram 43 mortos, 147 feridos e nove desaparecidos, afectando 715 716 pessoas, enquanto a passagem do ciclone Gezani, na província de Inhambane, em Fevereiro, causou quatro mortos e afectou 9040 pessoas. A época chuvosa provocou igualmente danos em 9735 quilómetros de estradas, 52 pontes e 237 aquedutos.

A reabilitação da EN1, na zona baixa de Nguluzane, em Xai-Xai, aproxima-se, mas encontra um impasse entre a Administração Nacional de Estradas, famílias e comerciantes instalados no local, a dois meses do início das obras. A ANE garante que os trabalhos vão avançar e fixa em 30 mil meticais o apoio para a retirada. Os afectados contestam os valores e recusam-se a abandonar a zona do bairro 8.

Oito meses depois das cheias de Janeiro, a baixa de Nguluzane, na Estrada Nacional Número Um, em Xai-Xai, continua com marcas da destruição provocada pelas águas e com a transitabilidade condicionada. A situação preocupa os munícipes, que apelam à intervenção das autoridades para melhorar as condições da via, sobretudo numa zona que fica frequentemente alagada.

“Pelo menos fazer qualquer coisa. Porque aqui, como é um sítio que sempre fica cheio de água, quando vem a chuva, vai estragar muita coisa”, alerta Melita Chaúque, munícipe de Xai-Xai.

Por ser um troço considerado crucial para a ligação rodoviária entre o Sul e o resto do País, a baixa de Nguluzane está entre as prioridades da primeira fase de reabilitação pós-cheias. Contudo, a dois meses do arranque previsto das obras, persiste o impasse sobre a retirada das famílias e comerciantes que ocupam as bermas da estrada.

Os afectados contestam as condições apresentadas para a sua retirada e defendem uma compensação que consideram justa.

“É que nós queremos uma indemnização justa”, afirma Mércia, comerciante na baixa de Nguluzane.

Omar Abdul, residente na mesma zona, diz que vive no local há muitos anos e considera insuficiente qualquer compensação que não tenha em conta as condições de habitação.

“Estamos a viver aqui há séculos e séculos. Além de nos pagarem uma indemnização para sair desta casa, a gente precisa de 50 a 60 milhões de meticais”, afirma.

A situação, segundo os residentes, também tem provocado perdas financeiras. Clementino Feliciano diz que, desde Fevereiro, deixou de obter rendimentos regulares com o negócio que desenvolvia no local.

“Por mês, uns 15 mil saíam, porque diariamente fazemos 500 meticais. […] Estamos assim, sem nenhum rendimento aqui, em casa. Não sabemos como vamos sobreviver”, lamenta.

A Administração Nacional de Estradas, na província de Gaza, mantém a posição de que os ocupantes estão numa área de protecção parcial de estradas e considera que o apoio para a retirada não deverá ultrapassar os 30 mil meticais.

Nelson Horácio, chefe do Departamento de Planificação da ANE em Gaza, explica que a província já disponibilizou cerca de 390 mil meticais para apoiar as famílias abrangidas.

É precisamente nos valores que se concentra o principal ponto de divergência. Enquanto a ANE considera os 30 mil meticais apoio para a retirada, as famílias e comerciantes consideram o montante insuficiente.

“Os 30 mil meticais, não vou assinar”, afirma Melita Dulobo, residente na zona baixa de Nguluzane.

A ANE diz, entretanto, que o processo de diálogo continua e que algumas famílias já aceitaram os termos propostos.

“Seis já concordaram, já assinaram alguns termos”, revela Nelson Horácio.

Entre os afectados, porém, permanece a insatisfação. Edson Pombal, residente na baixa de Nguluzane, considera insuficiente o valor proposto para a retirada.

“Prometeram esses 30 mil, que acho uma miséria. Não dá mesmo para muito tempo se passar. Nada do que prometeram está a acontecer”, queixa-se.

Além da revisão dos valores, os ocupantes defendem a atribuição de terrenos e bancas em áreas consideradas seguras.

O impasse ocorre numa altura em que a ANE prevê avançar com as obras de reabilitação do troço, numa zona onde a ocupação das áreas de protecção rodoviária não se limita à baixa de Nguluzane.

Em Gaza, mais de 50 infra-estruturas, incluindo estabelecimentos comerciais, encontram-se embargadas por violação da área de protecção de estradas. Limpopo, Xai-Xai, Bilene e Chibuto estão entre os distritos apontados como mais críticos.

Os incidentes de condução imprudente registados em plataformas de transporte por aplicativo diminuíram 38% em África entre 2024 e 2025.

A redução é atribuída à adopção de tecnologias de monitorização do estilo de condução, controlo de velocidade via GPS e sistemas de verificação de identidade dos motoristas.

Por país, a Zâmbia registou a maior queda, de 49%, seguida pela Costa do Marfim (35%), Angola (34%) e Senegal (33%).

O Relatório de Segurança 2024–2025 da Yango Ride indica ainda uma diminuição das queixas relacionadas com contactos indesejados após as viagens, na sequência da implementação de chamadas com protecção de privacidade, que evitam a partilha de números pessoais. Em Angola, essas reclamações caíram 22%.

As plataformas têm vindo a investir em mecanismos de segurança activos antes, durante e após as viagens, incluindo botão de emergência, partilha de rota em tempo real com contactos de confiança e centros de apoio 24 horas.

Para além da tecnologia, têm sido estabelecidas parcerias com instituições públicas e organizações de segurança rodoviária. Em Angola, existe cooperação com o Centro Integrado de Segurança Pública, enquanto na Zâmbia um programa de segurança rodoviária abrangeu cerca de 8 mil alunos em cinco escolas de Lusaka.

Os dados baseiam-se em relatos de passageiros normalizados por milhão de viagens.

A XVI edição do Festival Nacional dos Jogos Desportivos Escolares terminou, este domingo, em Inhambane, deixando uma responsabilidade que ultrapassa as medalhas conquistadas durante seis dias de competição: garantir que os talentos descobertos não desapareçam quando os estudantes regressarem às suas províncias. O Governo quer criar uma ligação mais efectiva entre escolas, clubes, federações e selecções nacionais, melhorar infra-estruturas e formar treinadores. No encerramento, foi igualmente anunciado que a caravana dos Jogos Escolares seguirá para a Zambézia, que acolherá a próxima edição, em 2028.

Durante seis dias, Inhambane deixou de ser apenas uma das principais referências turísticas de Moçambique para se transformar num enorme palco do desporto escolar. Jovens provenientes de diferentes pontos do país entraram nos campos, pistas e outros espaços de competição carregando as cores das suas províncias, procurando medalhas, afirmação e, em muitos casos, uma oportunidade para mostrar um talento que até aqui era conhecido apenas na escola, no distrito ou na comunidade onde vivem.

Houve vencedores, derrotados, lágrimas, celebrações e novos campeões. Houve também jovens que não chegaram ao pódio, mas que podem ter feito, em Inhambane, a competição capaz de mudar o rumo das suas carreiras. É precisamente por isso que o encerramento da XVI edição do Festival Nacional dos Jogos Desportivos Escolares colocou uma questão que vai muito além da classificação final: o que acontecerá, a partir de agora, aos talentos descobertos durante a competição?

Para o Governo, o fim dos Jogos não pode significar o fim do acompanhamento dos atletas. A orientação deixada no encerramento é para que os estudantes que demonstraram talento ou capacidades excepcionais continuem a ser observados quando regressarem às respectivas províncias e encontrem mecanismos que lhes permitam desenvolver aquilo que revelaram em Inhambane.

A Primeira-Ministra, Benvinda Levi, defendeu que o potencial identificado durante a competição deve ser acompanhado através de uma ligação mais forte entre escolas, clubes, federações e selecções nacionais. A intenção é construir um sistema capaz de identificar os talentos ainda na base e conduzi-los progressivamente para outros níveis da prática desportiva.

O desafio recupera uma das principais mensagens deixadas pelo Presidente da República, Daniel Chapo, quando abriu a competição. Na altura, o Chefe do Estado defendeu que as escolas devem funcionar como um verdadeiro viveiro de talentos e como uma ponte para que clubes e federações consigam encontrar jovens com potencial nas diferentes modalidades.

Se na abertura a prioridade foi descobrir, no encerramento o discurso mudou para aquilo que talvez seja mais difícil: não perder aquilo que foi descoberto.

Caifadine Manasse, Ministro da Juventude e Desporto, considera que é precisamente nas escolas, comunidades e outros espaços onde crianças e jovens começam a praticar desporto que deve nascer o futuro da alta competição em Moçambique. É aí que, segundo o governante, podem ser identificadas vocações e criadas as primeiras condições para que aqueles que demonstram maior capacidade prossigam o percurso.

“Não devemos olhar para estes Jogos apenas como uma competição que termina hoje. Devemos encará-los como uma etapa de um processo mais amplo de desenvolvimento do desporto escolar e de construção do futuro do desporto moçambicano”, defendeu Caifadine Manasse.

A dimensão desta responsabilidade torna-se maior quando o próprio Governo admite que entre os estudantes que competiram em Inhambane podem estar futuros representantes de Moçambique nas grandes competições nacionais, regionais, continentais e internacionais. Mas chegar a esses palcos dependerá de muito mais do que o talento revelado durante os Jogos.

Caifadine Manasse defende que esse potencial terá de ser acompanhado por trabalho, disciplina, formação académica e apoio institucional. Para o ministro, uma medalha conquistada enquanto estudante não deve ser vista como ponto de chegada, mas como uma indicação de capacidades que precisam de continuar a ser trabalhadas.

É justamente neste ponto que o Festival deixa de ser apenas uma competição e coloca à prova o próprio sistema de desenvolvimento do desporto nacional.

Um estudante pode destacar-se numa pista em Inhambane e, poucos dias depois, regressar a uma escola onde não dispõe das mesmas condições de treino. Pode revelar enorme capacidade no futebol e voltar para um distrito onde não existe um clube capaz de o acompanhar. Pode conquistar uma medalha e, terminado o festival, deixar de ter acesso regular a um treinador. É para evitar que situações desta natureza interrompam a evolução dos jovens que o Governo coloca agora responsabilidade também sobre as estruturas locais.

Benvinda Levi chamou municípios e distritos a preservarem espaços destinados à prática desportiva nas comunidades. Defendeu igualmente que sejam planificados recursos para a reabilitação e manutenção das infra-estruturas e que se aposte na formação de treinadores e agentes desportivos em todo o território nacional.

A mensagem significa que o legado de Inhambane 2026 não será medido apenas pelo número de medalhas distribuídas ou pela capacidade demonstrada durante a organização. Uma das avaliações mais importantes deverá ser feita mais tarde, quando for possível perceber quantos dos estudantes identificados conseguiram continuar a treinar e quantos encontraram uma estrutura que os conduzisse para clubes, federações e eventualmente selecções nacionais.

Mas o Governo deixou também uma condição aos jovens que começam a olhar para o desporto como possível profissão: nenhuma carreira deve ser construída à custa do abandono da escola.

Caifadine Manasse advertiu que educação e desporto devem caminhar juntos. Mesmo os jovens que demonstrarem capacidade excepcional e perspectivas de chegar à alta competição devem manter a formação académica. Na visão apresentada pelo ministro, o país precisa de atletas que consigam transformar talento em competência, mas também de cidadãos preparados para servir a sociedade.

Benvinda Levi reforçou a mesma orientação. A Primeira-Ministra defendeu que Moçambique deve procurar campeões nas pistas e nos campos, mas também jovens capazes de pensar, inovar e participar no desenvolvimento do país. Para o Governo, a verdadeira excelência deverá resultar da combinação entre competência desportiva, conhecimento, disciplina e carácter.

A inclusão foi outro dos legados que o Executivo procurou colocar em evidência no balanço dos seis dias de competição.

A participação de estudantes com deficiência foi apontada pela Primeira-Ministra como demonstração de que o princípio de inclusão, que integra o lema desta edição, deve ultrapassar o discurso e materializar-se no acesso efectivo à prática desportiva. O XVI Festival decorreu sob o lema “Desporto Escolar inclusivo, promovendo o patriotismo, o talento e a solidariedade”.

Para Benvinda Levi, uma escola verdadeiramente inclusiva deve reconhecer o potencial dos estudantes independentemente do género, condição social, origem geográfica ou deficiência. Rapazes e raparigas devem igualmente encontrar oportunidades para competir e desenvolver as suas capacidades.

A concretização desta visão volta, porém, à mesma questão estrutural que atravessou parte importante do discurso de encerramento: condições.

Não basta identificar um jovem com talento se não existir onde treinar. Não basta abrir uma competição a estudantes com deficiência se, depois do festival, as condições para a prática desportiva desaparecerem. Não basta descobrir capacidades excepcionais se treinadores, escolas, clubes e federações não tiverem mecanismos para continuar a desenvolvê-las.

É por isso que o Governo reiterou o compromisso de melhorar infra-estruturas, valorizar professores de Educação Física, aperfeiçoar treinadores e desenvolver mecanismos mais eficazes de acompanhamento dos talentos. Benvinda Levi reconheceu, contudo, que essa responsabilidade não pertence exclusivamente ao Executivo e chamou escolas, famílias, clubes, federações, sector privado, parceiros e os próprios jovens a participarem no processo.

O encerramento dos Jogos serviu também para colocar sobre a mesa problemas que aparentemente estão distantes dos resultados desportivos, mas que afectam directamente a vida e o futuro dos estudantes.

A Primeira-Ministra defendeu que a escola deve ser um lugar seguro e de realização dos sonhos das crianças e jovens e chamou os diferentes intervenientes do sistema educativo a prevenir e combater formas de violência que atingem os alunos.

Benvinda Levi apontou especificamente o assédio e abuso sexual no meio escolar e familiar, os casamentos prematuros e o consumo de álcool e drogas como problemas que devem merecer atenção. Alertou igualmente para a necessidade de prevenir o vandalismo e a destruição das infra-estruturas.

Ao dirigir-se directamente aos estudantes, a governante deixou uma das mensagens mais incisivas da cerimónia.

“O talento é um bem precioso. Protejam-no com estudo, carácter e valores. Não troquem a vossa dignidade por promessas fáceis. O sucesso verdadeiro constrói-se com trabalho, nunca com atalhos”, afirmou Benvinda Levi, desafiando os jovens a continuarem a estudar e treinar.

A mensagem acrescenta outra dimensão ao conceito de campeão que o Governo procurou defender ao longo do festival. Ganhar continua importante, mas a formação do jovem não pode terminar na capacidade de superar adversários dentro do campo.

Caifadine Manasse lembrou aos medalhados que a vitória deve ser recebida com orgulho, mas também com humildade e responsabilidade. Aos estudantes que não conseguiram alcançar os resultados pretendidos, deixou a indicação de que uma derrota não define o seu valor nem determina o seu futuro.

É uma leitura que ajuda a compreender outro resultado dos Jogos que não aparece no quadro de medalhas.

Durante seis dias, jovens de diferentes províncias partilharam espaços, competiram, conviveram e conheceram realidades diferentes das suas. Para Benvinda Levi, esta aproximação constituiu uma das principais conquistas do Festival porque contribuiu para consolidar a unidade nacional.

Os estudantes entraram nos campos representando as respectivas províncias, mas, fora da competição, conviveram como integrantes da mesma nação. Professores e treinadores tiveram também a oportunidade de transmitir princípios de ética, moral e fair play, enquanto os jovens reforçaram o sentimento de pertença ao país.

Caifadine Manasse considera que essa capacidade de aproximar jovens separados pela distância geográfica é uma das grandes forças do desporto. Em Inhambane, estudantes de diferentes pontos do país competiram uns contra os outros e, simultaneamente, construíram amizades e partilharam experiências.

Para uma província que teve de receber milhares de participantes, o desafio foi igualmente logístico e organizacional. No balanço do evento, o Governo considerou que Inhambane demonstrou capacidade para acolher uma competição de dimensão nacional.

A Primeira-Ministra destacou a hospitalidade das autoridades, comunidades e população e considerou que o legado da competição não se resume aos vencedores e às medalhas. Inclui estudantes que descobriram novas capacidades, professores que encontraram outras formas de motivar os jovens, treinadores que identificaram talentos e comunidades que viveram o desporto como espaço de união.

A organização em Inhambane chega ao fim, mas a história dos Jogos Escolares não termina aqui.

No encerramento, Benvinda Levi anunciou oficialmente que a província da Zambézia vai acolher a próxima edição do Festival Nacional dos Jogos Desportivos Escolares, em 2028. A província recebe, assim, o testemunho de Inhambane e o desafio de elevar os níveis de organização, participação, inclusão e valorização dos talentos da juventude.

Até lá, o maior desafio não estará na preparação da próxima cerimónia de abertura.

Estará nas escolas e comunidades para onde regressam os jovens que passaram por Inhambane. Estará na capacidade dos distritos e municípios de preservar espaços desportivos. Estará nos professores que terão de continuar a identificar capacidades, nos treinadores que precisarão de desenvolver os atletas, nos clubes e federações que deverão abrir portas e nas instituições que terão de garantir que um jovem não deixe de evoluir simplesmente porque nasceu longe dos grandes centros.

Os vencedores regressam com medalhas. Outros levam a experiência da derrota. Muitos carregam novas amizades e todos voltam às províncias depois de uma competição que lhes permitiu medir capacidades diante de estudantes de todo o país.

Alguns podem nunca voltar a disputar uma competição desta dimensão. Outros poderão estar apenas no início de um percurso que os levará aos principais palcos do desporto nacional e internacional.

É essa possibilidade que transforma o encerramento dos Jogos numa espécie de ponto de partida.

Inhambane descobriu talentos. Zambézia prepara-se para receber os próximos Jogos. Entre uma edição e outra, caberá agora ao país provar que consegue fazer algo ainda mais difícil do que encontrar jovens promissores: impedir que eles se percam pelo caminho.

As autoridades indonésias suspenderam hoje a operação em seis aeroportos, incluindo o aeroporto internacional de Jacarta, na sequência da erupção do vulcão Anak Krakatoa, a mais de 150 quilómetros da capital, anunciou o ministro dos Transportes.

Para além do aeroporto Soekarno-Hatta, em Jacarta, e de outros três também situados na capital, os aeroportos internacionais de Bandung e de Radin, situado perto de Bandar Kampung, em Sumatra, foram encerrados, indicou Dudy Purwagandhi durante uma conferência de imprensa.

Entretanto, o aeroporto internacional de Jacarta anunciou que iria prolongar a suspensão dos voos até às 12:30 de Mocambique, numa altura em que mais de 200 voos e 20.000 passageiros já tinham sido afectados.

O vulcão Anak Krakatoa entrou em erupção no sábado, com um fluxo de lava e explosões audíveis até 700 quilómetros de distância, indicou a agência de vulcanologia indonésia em comunicado. Foram registadas duas novas erupções este domingo, precisou a agência.

As cinzas espalharam-se pelo espaço aéreo do aeroporto internacional Soekarno-Hatta, levando as autoridades a suspender as operações nesta infraestrutura. O vulcão Anak Krakatoa, situado no estreito que separa as ilhas de Java e Sumatra, tem registado atividade esporádica desde que surgiu, no início do século passado, no seio da caldeira formada na sequência da erupção do Krakatoa em 1883. Esta catástrofe foi uma das mais mortíferas da história, com um balanço estimado em 35 mil mortos.

A Indonésia, um vasto arquipélago do Sudeste Asiático, situa-se no chamado Anel de Fogo do Pacífico, onde o encontro das placas tectónicas gera uma intensa atividade vulcânica e sísmica.

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