O Presidente chinês, Xi Jinping, chegou terça-feira ao Egipto para a sua primeira visita ao país desde 2016, numa altura em que Cairo e Pequim celebram 70 anos de relações diplomáticas e procuram aprofundar a cooperação em novas áreas.
A visita ocorre num momento de crescente aproximação entre os dois países, cuja parceria deixou de estar centrada apenas no comércio e nas grandes infra-estruturas, passando a abranger sectores como tecnologia, defesa e cooperação estratégica, com implicações para a região.
Desde a última deslocação de Xi Jinping ao Cairo, vários dos grandes projectos financiados ou executados com participação chinesa passaram a integrar a paisagem egípcia.
Entre os principais exemplos está o distrito central de negócios da Nova Capital Administrativa do Egipto, cuja construção contou com a participação da China State Construction Engineering Corporation. O complexo é constituído por 20 arranha-céus e inclui a Iconic Tower, com 385,8 metros de altura, considerada o edifício mais alto de África.
A cooperação entre os dois países também se estendeu aos transportes. Um sistema de metro ligeiro, construído com participação chinesa, liga a periferia oriental do Cairo aos novos centros urbanos.
Perto do Canal do Suez, a zona industrial China-Egipto acolhe actualmente mais de 200 empresas. Dados chineses indicam que o empreendimento já permitiu criar mais de 10 mil empregos directos, enquanto os meios de comunicação chineses estimam o investimento total em mais de 4,7 mil milhões de dólares, equivalentes a cerca de 4,05 mil milhões de euros.
Agora, Pequim e Cairo procuram alargar ainda mais a cooperação económica e estratégica.
A inteligência artificial, a produção avançada e a transferência de tecnologia assumem um peso crescente na agenda bilateral. Paralelamente, a área da defesa ganha também destaque, com aviões de combate chineses e egípcios a participarem em exercícios conjuntos, estando em curso o segundo exercício aéreo combinado entre os dois países.
Pequim define a relação com o Cairo como uma “parceria estratégica abrangente”, sinalizando a intenção de aprofundar a presença chinesa no Egipto e de reforçar a cooperação num contexto de crescente importância estratégica do país no Médio Oriente e em África.
A fome no mundo diminuiu em 2025, afectando cerca de 645 milhões de pessoas, sendo que quase metade encontram-se em África, segundo um relatório divulgado ontem pela FAO.
Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), em 2025, 7,8% da população mundial sofria de fome, e em termos regionais, os maiores progressos verificaram-se na Ásia e na América Latina e nas Caraíbas, enquanto os piores dados se registam em África.
Na América Latina e nas Caraíbas, a média situou-se nos 4,8%, o que corresponde a 32 milhões de pessoas, representando uma queda consecutiva desde 2020, ano da pandemia, quando atingia 6,1% nessa região.
A situação é particularmente crítica em África, onde 20% da população está sujeita à subalimentação – ou seja, a uma carência crónica de calorias –, indicou a FAO, no relatório anual “O estado da segurança alimentar e da nutrição no mundo” (SOFI 2026).
De acordo com o documento, dos cerca de 645 milhões de pessoas que passam fome, quase metade encontrava-se em África (309 milhões), enquanto 292 milhões estavam na Ásia e 32 milhões na América Latina e nas Caraíbas.
Após a crise económica pós-COVID, que mergulhou na fome milhões de pessoas – cerca de 688 milhões de pessoas afetadas em 2022 –, a situação melhorou, mas sem regressar aos níveis anteriores à pandemia, segundo a agência da ONU.
Em 2015, quando cerca de 600 milhões de pessoas passavam fome, a comunidade internacional estabeleceu, entre os seus “objectivos de desenvolvimento sustentável” para 2030, o de “eliminar a fome e garantir que todos (…) tenham acesso a uma alimentação saudável, nutritiva e suficiente”.
Actualmente, a ONU prevê que entre 510 e 520 milhões de pessoas estarão subalimentadas em 2030, das quais mais de metade em África.
“O centro de gravidade da fome deslocou-se da Ásia para África”, declarou o director da divisão de economia agroalimentar da FAO, David Laborde, acrescentando que “há 25 anos, a China ainda tinha um problema de fome, que conseguiu resolver”, e que “a Índia também tem um problema, mas está a envidar grandes esforços para o resolver activamente”.
Laborde advertiu que, apesar dos conflitos internacionais, das alterações climáticas e de pandemias, “os agricultores e os sistemas alimentares têm demonstrado resiliência (…), mas a capacidade de absorção dos sistemas é limitada”.
“Não temos fomes de grande dimensão como as que se verificaram na década de 1980”, disse.
Por seu lado, o economista-chefe da FAO, Máximo Torero, considera que o facto de a fome mundial ter diminuído pelo terceiro ano consecutivo demonstra que é “possível avançar”, mas alertou que o progresso continua a ser “insuficiente” para cumprir a Agenda 2030.
“As melhorias continuam a ser frágeis, distribuídas de forma desigual e insuficientes para alcançar os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável até 2030. É preciso acelerar os avanços”, afirmou Torero, num comunicado.
No relatório prevê-se que, embora as projecções indiquem uma redução contínua da fome, em 2030 ainda haverá mais de 500 milhões de pessoas a passar fome no mundo, sendo cerca de 56% delas em África.
Há testes rápidos de diagnóstico de malária e HIV ou sífilis, vitaminas e xaropes para mulheres grávidas, espalhados nas farmácias privadas, unidades sanitárias e hospitais do País sem qualidade para o uso e consumo humano. Por isso, a Autoridade Nacional Reguladora de Medicamento suspendeu a comercialização destes produtos e orientou a sua retirada do País.
A Autoridade Nacional Reguladora de Medicamento suspendeu e mandou retirar das prateleiras das farmácias privadas, unidades sanitárias e hospitais, em todo o território nacional, cinco marcas de testes rápidos de diagnóstico usados para triagem de malária e HIV ou sífilis, fabricados na Índia, pela fabricante Meril Diagnostics Pvt. Ltd.
O alerta foi emitido a 8 de Julho passado e a ANARME explica que os dispositivos chegavam a diagnosticar erradamente.
“Os testes devem ser capazes de determinar resultados que sejam confiáveis para aquela condição clínica que se pretende diagnosticar. E, se se deparar que, durante o uso, o desempenho não é adequado, está abaixo do limite especificado, também determina o seu recolhimento. E esta recolha dos testes não foi motivada apenas pela questão do baixo desempenho, mas também por se ter verificado que o fabricante não cumpre com o sistema de gestão de qualidade adequado, apropriado para esse tipo de produtos”, explicou Caciano João, porta-voz da instituição.
Caciano disse ainda que a medida resultou do processo de fiscalização dos produtos na esfera pública.
“A medida foi tomada após a constatação de não conformidades detectadas pelo laboratório do Instituto Nacional de Saúde nos testes de malária, bem como pela observação de que o Sistema de Gestão da Qualidade do fabricante Meril Diagnostics Pvt. Ltd apresenta não conformidades críticas, detectadas durante as actividades de inspecção em boas práticas realizadas pela Organização Mundial da Saúde, que podem representar risco para a segurança dos pacientes.”
Igualmente são de consumo proibido produtos como vitaminas, spray nasal, gotas de ouvido e xaropes, cujas características de produção põem em risco a saúde do consumidor.
“De acordo com as acções de fiscalização, a ANARME verificou que alguns medicamentos apresentavam características diferentes das condições aprovadas, especificamente, indicavam na sua rotulagem fabricantes que não foram aprovados para aquele produto. Portanto, se a ANARME aprovou e avaliou o medicamento de um determinado fabricante, significa que conhece as condições em que aquele produto foi produzido, assegura que as boas práticas foram seguidas, daí que há garantia de qualidade. A partir do momento em que a entidade que colocou esses produtos altera os fabricantes, passa a não haver garantias por parte da autoridade.”
Embora sem apresentar dados, a ANARME diz que já está em curso a recolha dos produtos sob alerta, bem como a investigação dos contornos da violação.
“Os produtos foram autorizados com determinadas especificações, mas no curso da fiscalização é que identificamos essas não conformidades. Então, como eu dizia, ainda estão a decorrer algumas diligências para se apurar de que forma esses produtos foram introduzidos no Sistema Nacional de Saúde”, disse.
A ANARME garante estar em contacto com toda a rede de distribuição, para garantir a retirada dos fármacos e a devida devolução aos respectivos fornecedores.
O sector da Saúde na província de Tete reforçou as medidas de vigilância epidemiológica e de resposta para prevenir a eventual entrada do vírus do Ébola no país, numa altura em que alguns países da região africana registam novos casos da doença.
Embora Moçambique continue sem registar qualquer caso de Ébola, as autoridades sanitárias classificam Tete como uma das províncias de maior risco, devido à sua localização estratégica e ao intenso movimento transfronteiriço de pessoas e mercadorias, através dos corredores que ligam o país aos Estados vizinhos.
No âmbito do reforço da capacidade de resposta, o Ministério da Saúde promoveu, na terça-feira, um exercício de simulação na fronteira de Cuchamano, no distrito de Changara, que faz ligação com o Zimbabwe. O exercício teve como objectivo avaliar o nível de prontidão das equipas responsáveis pela vigilância e resposta a emergências de saúde pública.
Durante a simulação foram testados os procedimentos de detecção, isolamento e encaminhamento de um caso suspeito de Ébola, bem como os mecanismos de coordenação entre os profissionais de saúde, os serviços de migração e outras instituições que intervêm na gestão de emergências sanitárias.
Segundo o representante do Ministério da Saúde, Fino Massalambane, este tipo de exercícios permite identificar eventuais fragilidades no sistema e fortalecer a capacidade operacional das equipas destacadas nos pontos de entrada do país.
Por sua vez, o médico-chefe provincial de Tete, Helder Dombole, assegurou que a província dispõe de equipas preparadas para responder a uma eventual ocorrência da doença, salientando que a aposta continua centrada na vigilância activa, na rápida identificação de casos suspeitos e na sensibilização das comunidades.
Além de Tete, as províncias de Cabo Delgado e Niassa também se encontram em estado de alerta, devido ao elevado risco de introdução do vírus, por manterem fronteiras ou ligações com países onde foram confirmados casos de Ébola.
Moçambique e a China pretendem reforçar a cooperação económica e empresarial nas áreas da agricultura, tecnologia e turismo. A intenção foi reafirmada, esta terça-feira, em Maputo, durante um encontro entre empresários moçambicanos e uma delegação empresarial da China Continental e da Região Administrativa Especial de Macau.
A sede da Câmara de Comércio de Moçambique acolheu, esta terça-feira, um encontro entre empresários nacionais e uma delegação empresarial da China Continental e de Macau. Durante cerca de uma hora, o encontro permitiu identificar áreas estratégicas de cooperação, com destaque para a agricultura, a tecnologia, o turismo e outros sectores com elevado potencial de crescimento.
O presidente da Câmara de Comércio de Moçambique (CCM), Lucas Chachine, reafirmou o compromisso da instituição com o fortalecimento das pequenas e médias empresas, por considerar que estas constituem o principal motor do desenvolvimento da economia nacional. Segundo o dirigente, esta visão está alinhada com as prioridades definidas pelo Presidente da República, Daniel Chapo, nomeadamente o aumento da produção nacional, a industrialização e a criação de emprego.
“Assumimos o compromisso de trabalhar para fortalecer as pequenas e médias empresas, por acreditarmos que elas constituem o verdadeiro motor do desenvolvimento da economia, alinhados com a visão de Sua Excelência o Presidente da República, Daniel Chapo, de promover o aumento da produção nacional, a industrialização e a criação de emprego em prol do desenvolvimento da economia moçambicana. A Câmara de Comércio definiu este como um dos focos para os quatro anos de mandato que agora iniciamos”, afirmou Lucas Chachine, presidente da CCM.
A iniciativa enquadra-se nos esforços de aproximação entre os sectores privados de Moçambique e da China, com o objectivo de promover o investimento, dinamizar as trocas comerciais e criar mais oportunidades de emprego e desenvolvimento económico.
Na ocasião, Lucas Chachine propôs a criação de um fórum das Câmaras de Comércio dos países da SPALOC, com o apoio da Câmara de Comércio de Macau, como forma de reforçar a cooperação, facilitar a troca de experiências e potenciar as capacidades de cada país para responder aos desafios comuns do desenvolvimento.
“Queremos propor a criação de um fórum das Câmaras de Comércio da SPALOC, também com o apoio da Câmara de Macau, que mantém a ligação à língua portuguesa, para podermos criar um espaço de troca de experiências e aproveitar as capacidades que cada país possui, de modo a resolver, num curto espaço de tempo, os problemas que caracterizam os nossos países como menos desenvolvidos”, propôs Chachine.
Por sua vez, o líder da delegação empresarial da China Continental e de Macau reiterou a disponibilidade dos empresários chineses para estabelecer novas parcerias com empresas moçambicanas.
“A CCM, enquanto nosso parceiro na expansão de mercado, tem também contribuído activamente para o fortalecimento da cooperação económica e comercial entre a China Continental, Macau e Moçambique”, afirmou Sam Lei, líder da delegação empresarial.
O encontro terminou com a entrega de uma carta de reforço da parceria entre os empresários moçambicanos e as delegações empresariais da China Continental e de Macau. O documento formaliza o compromisso de aprofundar a cooperação empresarial e impulsionar novas iniciativas de investimento e comércio entre os dois mercados.
A Ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Maria Manuela dos Santos Lucas, e o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Emigração e Expatriados Egípcios, Badr Abdelatty, manifestaram o compromisso de reforçar a cooperação económica entre Moçambique e o Egipto, durante as primeiras Consultas Políticas bilaterais realizadas no Cairo, capital egípcia.
No final do encontro, realizado na segunda-feira, 20 de Julho, os dois governantes falaram em conferência de imprensa conjunta, ocasião em que Maria Manuela Lucas afirmou que as delegações procederam à avaliação do estado da cooperação bilateral em diversos domínios e definiram estratégias para elevar a parceria económica ao nível das relações políticas já existentes entre os dois países.
Segundo a chefe da diplomacia moçambicana, a visita que o Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, deverá efectuar à República Árabe do Egipto, bem como a realização da terceira sessão da Comissão Mista Bilateral, constituirão momentos importantes para o aprofundamento da cooperação em sectores considerados estratégicos, nomeadamente agricultura, comércio, saúde, educação, transporte marítimo, logística e formação técnico-profissional.
Maria Manuela Lucas destacou igualmente o apoio prestado pelo Governo egípcio aos esforços desenvolvidos por Moçambique no combate ao terrorismo. Neste âmbito, os dois países acordaram reforçar a capacitação técnica das Forças de Defesa e Segurança, com vista a fortalecer a resposta a um fenómeno que classificaram como uma ameaça de dimensão internacional.
A Ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação esteve acompanhada, durante a visita ao Egipto, pelo Embaixador de Moçambique naquele país, Sérgio Nathú Cabá, e pelo Director para África e Médio Oriente no Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Hermenegildo Caetano.
A Presidente da Assembleia da República, Margarida Adamugi Talapa, iniciou esta terça-feira uma visita oficial de trabalho à República de Angola, onde vai dirigir a 15.ª Sessão Intercalar da Assembleia Parlamentar da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (AP-CPLP). O encontro reúne representantes dos parlamentos dos nove Estados-membros para debater matérias ligadas à governação democrática, segurança e reforço das instituições.
A sessão decorre entre os dias 21 e 25 de Julho, subordinada ao lema “Governação Democrática, Segurança e Integridade: Fortalecendo a Resiliência Institucional na CPLP”, numa altura em que Moçambique assegura a presidência da AP-CPLP, cargo que exerce desde Julho de 2025. O país desempenha igualmente as funções de Secretariado Permanente da organização, reforçando o seu papel na promoção da cooperação parlamentar entre os Estados da comunidade lusófona.
Segundo um comunicado da Assembleia da República, antes da realização da sessão intercalar terá lugar a Conferência dos Presidentes dos Parlamentos Nacionais, acompanhada por reuniões das comissões permanentes responsáveis pelas áreas de Política, Estratégia, Legislação de Circulação, Economia, Ambiente e Cooperação, bem como da Comissão de Língua, Educação e Cultura.
O programa contempla ainda encontros da Rede de Mulheres Parlamentares da CPLP e da Rede de Jovens Parlamentares da CPLP, consideradas plataformas importantes para incentivar uma participação mais inclusiva no processo legislativo.
À margem dos trabalhos, Margarida Talapa deverá reunir-se com o Presidente da Assembleia Nacional de Angola, Adão de Almeida, para analisar o estado da cooperação entre os dois órgãos legislativos e identificar novas oportunidades de parceria institucional, legislativa e de intercâmbio.
A delegação moçambicana é composta por deputados que integram o Grupo Nacional junto da AP-CPLP, pelo Secretário-Geral da Assembleia da República, pelo Secretário Permanente da AP-CPLP e por técnicos do Secretariado-Geral. A participação de Moçambique nesta reunião visa consolidar a sua liderança na diplomacia parlamentar e fortalecer os mecanismos de concertação política entre os países da comunidade.
Espera-se que os debates resultem em recomendações destinadas a reforçar a governação democrática, a integridade das instituições e a cooperação parlamentar, numa conjuntura em que os Estados da CPLP enfrentam desafios comuns relacionados com a estabilidade política, a segurança e o desenvolvimento sustentável.
A reunião de Luanda constitui, assim, uma oportunidade para aprofundar a articulação entre os parlamentos da CPLP e promover respostas conjuntas para matérias de interesse estratégico da comunidade.
O Governador da Província defendeu o aproveitamento da terra ociosa como uma das principais estratégias para responder à crescente procura de parcelas para habitação, agricultura e investimento, considerando que a existência de extensas áreas ocupadas, mas sem qualquer exploração, representa uma oportunidade para acelerar o desenvolvimento económico e social.
Durante a sua intervenção, o governante afirmou que o aumento da procura de terra contrasta com a existência de vastas áreas improdutivas, situação que, segundo disse, deve ser encarada como uma oportunidade para a criação de novos assentamentos humanos devidamente planificados, para o desenvolvimento de uma agricultura moderna e para a atracção de investimentos de grande escala.
Acrescentou que o aproveitamento dessas áreas permitirá aumentar a produção e a produtividade, criar postos de trabalho, sobretudo para os jovens, e gerar rendimentos para as famílias, contribuindo para o crescimento sustentável da província.
O Governador sublinhou que a concretização destes objectivos depende de uma actuação organizada da administração pública, baseada numa planificação rigorosa, acompanhamento permanente e maior presença das autoridades no terreno.
Referindo-se ao crescimento urbano, manifestou preocupação com a ocupação desordenada de terrenos, particularmente na cidade da Matola, onde, segundo afirmou, continuam a surgir bairros sem qualquer ordenamento territorial. Defendeu, por isso, uma mudança de abordagem, de forma a garantir um crescimento urbano mais organizado e sustentável.
Outro aspecto apontado como preocupação prende-se com a demora na emissão dos títulos de uso e aproveitamento da terra (DUAT). O Governador considerou inaceitável que cidadãos permaneçam um, dois ou mais anos à espera da documentação necessária para implementar projectos de investimento ou construir as suas habitações.
Na sua perspectiva, a morosidade nos processos administrativos favorece as ocupações ilegais de terra, alimenta conflitos fundiários, gera instabilidade socioeconómica e compromete o ritmo de desenvolvimento da província.
Perante este cenário, apelou aos serviços competentes para imprimirem maior celeridade na tramitação dos processos, assegurando que o acesso legal à terra decorra de forma mais eficiente e contribua para a promoção do desenvolvimento sustentável.
O antigo presidente da Câmara de Manchester, o trabalhista Andy Burnham, foi ontem nomeado primeiro-ministro britânico, o culminar de um percurso político marcado por uma forte ligação ao norte de Inglaterra.
Aos 56 anos, Burnham chega ao cargo após ter regressado há apenas um mês ao parlamento como deputado, condição essencial para disputar a liderança trabalhista e assumir a chefia do Governo.
Após ter renunciado à liderança de Manchester, disputou em Junho o mandato de deputado em Makerfield e a vitória eleitoral significativa face ao avanço da direita populista, num contexto de desgaste do executivo liderado pelo também trabalhista Keir Starmer, reforçou a percepção interna de que Burnham seria capaz de alargar o eleitorado do ‘Labour’ (Partido Trabalhista), incluindo em zonas tradicionalmente mais conservadoras.
Analistas e apoiantes destacam a sua capacidade de comunicação e de empatia com os eleitores, pontos fracos do antecessor.
Defensor de um “socialismo pró-negócios”, tem-se afirmado como uma alternativa dentro do partido, com uma linha política mais interventiva do que a da anterior liderança.
Nos últimos anos, criticou medidas de contenção social e posicionou-se contra o que classificou como “desregulação, privatização, austeridade e ‘Brexit’ [a saída britânica da União Europeia]”.
Em intervenções nas últimas semanas, prometeu uma política de descentralização com três prioridades: reforma dos serviços públicos, reindustrialização e regeneração territorial.
Burnham defende maior controlo público sobre sectores como água, habitação e transportes para reduzir custos para famílias e empresas, valorização dos negócios britânicos nos contratos públicos e formação profissional para os jovens.
A medida mais distintiva será a criação de um gabinete de primeiro-ministro em Manchester para promover a redistribuição do poder.
Burnham ganhou projecção nacional durante a pandemia de covid-19, período em que liderou a contestação a medidas governamentais consideradas insuficientes para apoiar empresas e trabalhadores no Norte de Inglaterra, o que lhe valeu o epíteto de “rei do Norte”.
À frente da Câmara da Grande Manchester desde 2017, cargo para o qual foi reeleito por larga margem, destacou-se pela reforma dos transportes públicos, com a integração de autocarros, eléctricos e comboios numa rede articulada com tarifas acessíveis.
Natural de Liverpool, Andrew Murray Burnham nasceu a 07 de Janeiro de 1970 e cresceu entre esta cidade e Manchester, sendo conhecido universalmente pelo diminutivo “Andy”, que figura inclusivamente nos registos oficiais.
Filho de um técnico de telecomunicações e de uma recepcionista de um centro de saúde, aderiu ao Partido Trabalhista aos 14 anos, influenciado pela greve dos mineiros de 1984-85.
Licenciado em Inglês pela Universidade de Cambridge, foi eleito deputado por Leigh em 2001, mandato que exerceu até 2017.
Durante os governos trabalhistas, desempenhou vários cargos, incluindo ministro da Cultura e ministro da Saúde entre 2005 e 2010.
Burnham tentou por duas vezes liderar o Partido Trabalhista, tendo sido derrotado nas eleições internas de 2010, por Ed Miliband, e de 2015, por Jeremy Corbyn.
Pelo menos uma pessoa morreu e 120 estão desaparecidas após dois acidentes ao largo da costa da Mauritânia registados no fim-de-semana com barcos onde viajavam migrantes, anunciaram ontem as autoridades locais.
Segundo avançou nas redes sociais o Ministério das Pescas do país, a primeira operação de busca e salvamento foi iniciada após ter sido recebido um pedido de socorro de uma embarcação com “aproximadamente 160 pessoas a bordo” que tinha partido de Banjul, capital da Gâmbia, e se dirigia para as ilhas Canárias, em Espanha.
“A embarcação teve um problema e ficou sem combustível, ficando à deriva em águas internacionais antes de entrar em águas territoriais mauritanas”, explicou o ministério.
Neste caso, as equipas de busca resgataram 37 pessoas – 22 senegaleses, sete gambianos e oito guineenses – além de terem recuperado um corpo no mar.
A embarcação, adiantou o ministério, “passou cerca de 25 dias no mar”, tendo os sobreviventes relatado terem estado “à deriva durante cerca de 10 dias”.
Todos disseram também que ficaram sem água e comida, o que os obrigou a beber água do mar.
“Suportaram condições extremamente difíceis”, lamentou o ministério mauritano, garantindo que as buscas pelos passageiros desaparecidos continuam.
As autoridades referiram ainda que os sobreviventes já foram levados para terra, especificamente para o porto de Nouadhibou, de onde sete foram transferidos “de urgência” para um hospital para “receberem os cuidados médicos necessários”.
Além disso, sublinhou o ministério, uma segunda operação foi realizada no fim de semana, tendo sido resgatadas 179 pessoas – 168 senegaleses, cinco ganeses, quatro gambianos e dois malianos –, algumas das quais também tiveram de ser levadas para um hospital para tratamento, embora não tenham sido adiantados pormenores sobre a gravidade do seu estado de saúde.
A Mauritânia é um país de trânsito central e ponto de partida crucial da Rota da África Ocidental (ou Rota do Atlântico).
Migrantes oriundos de países subsaarianos (como o Senegal e a Gâmbia), muitas vezes com o auxílio de redes de tráfico humano, utilizam a costa do país para realizar travessias marítimas até às ilhas Canárias, o que representa uma distância oceânica que varia entre 100 km e 1600 km.
A travessia é feita em embarcações precárias e superlotadas, conhecidas localmente como pirogas.
Esta rota migratória é considerada uma das mais letais do mundo, devido aos fortes ventos, correntes marítimas adversas e à fragilidade das embarcações, o que resulta com frequência em naufrágios e desaparecimentos.
A Organização Internacional para as Migrações (OIM) refere no seu ‘site’ que cerca de 6600 pessoas morreram ou desapareceram nesta rota desde 2014, um número inferior apenas ao registado na rota do Deserto do Saara – que ligação para os migrantes da África Subsaariana que tentam chegar ao Norte de África e, posteriormente, à Europa através do mar Mediterrâneo ou do oceano Atlântico –, onde foram documentadas mais de 7100 mortes e desaparecimentos.