Há cada vez mais pacientes com cancro da mama a desistir da quimioterapia devido às reações do tratamento. O Cancro da mama é a segunda maior causa de morte por cancro em mulheres no país, depois do colo de útero.
Dados do Ministério da Saúde indicam que anualmente, pelo menos 800 mulheres perdem a vida por cancro da mama no país. Parte da estatística, até chega a diagnosticar a doença, mas mas abandona o tratamento. O fenómeno foi apresentado por activistas em uma palestra sobre a doença, promovida pelo Instituto Nacional de Saúde.
“Muitas param pelo caminho porque fizeram uma ou duas sessões de quimioterapia. Aquele processo do tratamento, as reacções e as pessoas acabam ficando com aquele peso e desanimam pensando que podem morrer no meio. A pessoa não pode desistir só porque está com as reacções do tratamento, reconhecemos que são fortes”, contou uma activista, que venceu a doença
O Observatório Nacional de Saúde diz haver condições técnicas para o país registar avanços significativos no combate à doença, mas deve ser conjugado com estratégias de comunicação para a saúde.
“Percebemos que cancro ainda é uma questão que carece de explicação e de apresentação à comunidade no geral. Então, há um nível de conhecimento, mas a maior parte da população ainda não tem um conhecimento de forma geral.”
O cancro da mama é considerado a segunda maior causa de morte por cancro em mulheres no país, sendo que a chegada aos hospitais em estágios avançados, é um dos principais desafios.
Uma nova comunidade está a ganhar forma ao longo da montanha, no bairro Mateus Sansão Mutemba, na cidade de Tete. No local, já é possível encontrar várias residências de alvenaria, algumas vias de acesso e ligações de energia eléctrica, apesar de a área ser considerada de risco.
Os moradores continuam a construir as suas habitações numa zona marcada por limitações no acesso aos serviços básicos, particularmente água potável. Segundo os residentes, a comunidade ainda não dispõe de uma fonte segura e regular de abastecimento, situação que obriga algumas famílias a recorrer à água do rio para o consumo diário.
Para conseguir água, há moradores que afirmam ser obrigados a acordar nas primeiras horas da manhã e percorrer longas distâncias em busca do precioso líquido. A situação preocupa a população, que teme igualmente os riscos para a saúde associados ao consumo de água sem tratamento adequado.
Para além da falta de água, os residentes mostram-se preocupados com a localização das suas casas, construídas numa área considerada vulnerável. Apesar disso, a expansão da comunidade continua, com novas residências a surgir ao longo da encosta.
Outro aspecto que chama a atenção é a existência de ligações de energia eléctrica em algumas habitações. Os moradores afirmam, contudo, que essas ligações não são realizadas directamente por técnicos da Electricidade de Moçambique, mas por indivíduos que se apresentam como intermediários.
A situação levanta preocupações quanto à segurança das ligações e à sua legalidade, sobretudo numa zona onde a ocupação do espaço continua a expandir-se sem que estejam asseguradas todas as condições básicas de habitabilidade.
Enquanto a comunidade cresce, persistem os desafios relacionados com a segurança das construções, o acesso à água potável e a regularidade das ligações eléctricas.
A expansão de residências numa zona considerada de risco coloca igualmente em evidência a necessidade de uma intervenção das autoridades municipais e dos sectores responsáveis pelo ordenamento territorial, de modo a garantir que a ocupação do espaço urbano seja feita em condições de segurança.
Ex-guerrilheiros da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) que contestam a liderança de Ossufo Momade voltaram, ontem, a prometer acções para resgatar o partido, alertando que a convocação do Conselho Nacional é uma estratégia do actual líder para não sair.
“Gostaríamos de reafirmar, diante dos microfones da comunicação social e ao povo moçambicano, que tudo faremos para resgatar a nossa Renamo das amarras do regime Ossufista e devolver aos membros do partido e à população, em geral, e com olhos postos aos próximos pleitos eleitorais que se avizinham”, disse o porta-voz dos ex-guerrilheiros, João Machava.
Segundo a Lusa, em conferência de imprensa , em Maputo, para anunciar a chamada segunda reunião de coordenação que reúne a autoproclamada comissão nacional de gestão do partido, nos dias 12 e 13 deste mês, o representante dos guerrilheiros considerou que a convocação do Conselho Nacional da Renamo é mais uma estratégia de Ossufo Momade para não abandonar a liderança.
“Nós estamos atentos às manobras da direcção do partido e não ficaremos de braços cruzados. A reunião que estamos a convocar irá tomar medidas consentâneas e proporcionais à situação”, prometeu João Machava.
O grupo acusou a actual direcção do partido de desonestidade e de agir como “mafiosos”, por não quererem avançar com conversas entre as partes para se alcançar um consenso.
“São pessoas aliadas ao presidente do partido, Ossufo Momade (…). Ele manda a sua equipa que (…) quer ditar regras e, se for assim, vamos ao Conselho Nacional divididos e vamos sair de lá mais divididos”, disse o porta-voz dos ex-guerrilheiros.
“As manobras dilatórias são como o que aconteceu no ano passado, porque se tinha convocado o Conselho Nacional para Vilanculos [província de Inhambane] para o mês de Março, que se arrastou até Outubro. Pode ter convocado o Conselho Nacional para o ‘boi dormir’, são essas manobras e sabemos que Ossufo pode e é capaz de fazer isso”, acrescentou, defendendo a realização de um congresso extraordinário para o actual líder abandonar a liderança, garantindo que “ele vai sair”.
A 28 de Agosto, a Renamo anunciou a realização do Conselho Nacional nos dias 21 e 22 de Outubro, em Maputo, para analisar a situação nacional e interna do partido, cuja liderança é fortemente contestada.
A realização do Conselho Nacional tem sido defendida pelos críticos internos de Ossufo Momade, como o histórico e ex-deputado António Muchanga, que defende publicamente a saída do líder, e também por antigos guerrilheiros, que exigem a sua saída da liderança da Renamo, ocupando as sedes em protesto.
Esse Conselho Nacional chegou a estar convocado para Março. Contudo, não se realizou, tendo sido promovida em alternativa uma reunião de generais e oficiais superiores em Chimoio, província de Manica, a 27 e 28 de Março.
Nessa altura, a Renamo anunciou do Conselho Nacional, referindo que Ossufo Momade, líder contestado do partido, poderá abandonar o cargo ainda neste ano.
Há meses que ex-guerrilheiros da Renamo pedem a demissão de Ossufo Momade da liderança, reeleito em maio de 2024, acusando-o de “má gestão”, falta de pagamento de pensões e subsídios e de “incompetência total” face à crise no partido.
Em Janeiro, Momade afirmou que as crises internas sempre marcaram a história do partido, mas que a formação nunca parou.
Em 2018, sucedeu na presidência do partido a Afonso Dhlakama, que morreu nesse ano.
Ossufo Momade, de 64 anos, foi candidato presidencial nas eleições gerais de Outubro de 2024, nas quais obteve 6% dos votos, o pior resultado de sempre de um candidato apoiado pela Renamo, partido que também perdeu nessas eleições o estatuto de líder da oposição.
A Guarda Revolucionária Islâmica do Irão (IRGC) reivindicou, esta quarta-feira, ataques contra dois navios de guerra norte-americanos e oito petroleiros no Golfo Pérsico, alegando tratar-se de uma acção de retaliação contra ataques dos Estados Unidos a embarcações iranianas.
Num comunicado, a IRGC afirmou que a sua força naval atacou e causou “pesados danos” aos destróieres norte-americanos DDG-119 e DDG-53. A mesma fonte indicou que oito petroleiros foram igualmente atingidos.
A Guarda Revolucionária acrescentou que outras dez embarcações que tentavam atravessar uma zona de navegação restrita no Estreito de Ormuz, alegadamente com apoio e incentivo dos Estados Unidos, também foram alvo de ataques.
Fontes iranianas afirmaram ainda que as forças da IRGC atacaram uma base militar norte-americana localizada na Jordânia. Entretanto, foram registadas várias explosões durante a noite de terça-feira em zonas da ilha de Kharg, no sul do Irão, e na região de Jask.
Por seu lado, o Comando Central dos Estados Unidos informou que as forças norte-americanas destruíram cinco petroleiros iranianos, na sequência de um ataque iraniano contra um navio de guerra dos EUA.
Segundo as Forças Armadas norte-americanas, a Guarda Revolucionária lançou, por duas vezes, ataques com mísseis balísticos contra um navio de guerra da Marinha dos Estados Unidos nos últimos dois dias. O navio conseguiu escapar aos ataques e não houve registo de feridos entre a tripulação norte-americana.
Em resposta, as forças dos Estados Unidos destruíram quatro petroleiros alegadamente ligados à Guarda Revolucionária no Golfo de Omã e outro nas proximidades da ilha de Kharg.
A escalada ocorre numa zona estratégica para o transporte mundial de petróleo, aumentando os receios de uma deterioração do conflito e de possíveis perturbações na navegação comercial no Golfo Pérsico e no Estreito de Ormuz.
O Ministério da Saúde assumiu uma postura de “mão dura” e “tolerância zero” contra casos de mau atendimento, cobranças ilícitas e roubo de medicamentos nas unidades sanitárias do país. O anúncio foi feito pelo Ministro da Saúde, Ussene Isse, na abertura do 51º Conselho Coordenador do setor, realizado na Bahia.
Visivelmente preocupado com as denúncias que circulam nas redes sociais e na comunicação social, o governante questionou os profissionais sobre a imagem que o sector tem passado à população.
“Quando a gente abre a televisão ou o telefone, nas redes sociais, há sempre notícias sobre cobrança ilícita, mau atendimento, maus tratos, roubo de medicamentos, falta disso, falta daquilo. Colegas, ficam satisfeitos com isso? Querem ser conhecidos como o grupo de mau atendimento, o grupo das cobranças ilícitas?”, perguntou Isse.
O Ministro foi categórico ao afirmar que não haverá espaço para conivência. “Colegas, vamos ser muito implacáveis nesta componente. Mão dura contra os autotres. E quando esta componente de mau atendimento, das cobranças ilícitas, do roubo de medicamentos tiver rosto, não haverá piedade. Tolerância zero”, declarou.
O titular da Saúde lembrou que a mudança depende do compromisso de cada profissional. “A saúde de Moçambique está na dedicação de cada um, na bravura de cada um, na procura de soluções. Se cada um fizer isto, vamos vencer esta batalha”, afirmou.
Dados apresentados durante o encontro indicam que, em 2025, 54 profissionais foram expulsos em todo o país por envolvimento em desvio de medicamentos, cobranças ilícitas e mau atendimento. O Ministro admitiu sentir vergonha perante o cenário atual.
“Eu sinto alguma vergonha quando sou confrontado com esta questão do atendimento ao povo moçambicano. Por isso, colegas, o nosso compromisso é que temos que ser reconhecidos como o contingente ou o grupo que acabou com o mau atendimento”, concluiu.
Centenas de burundeses residentes no Quénia compareceram à embaixada do país em Nairóbi na segunda-feira em busca de documentos de viagem para deixar o país, dias depois de o presidente William Ruto ter ordenado o fechamento de pequenas empresas administradas por estrangeiros.
O Quénia há muito tempo atrai migrantes de toda a Comunidade da África Oriental (EAC), cujos membros desfrutam de liberdade de movimento dentro do bloco regional.
Na semana passada, Ruto deu início aos pequenos negócios de propriedade estrangeira até segunda-feira para encerrarem suas actividades, afirmando que o país “não conquistou a confiança dos investidores nos vendedores ambulantes”.
A medida gerou medo entre muitos estrangeiros, particularmente burundeses que ganham a vida vendendo produtos nas ruas de Nairóbi, provocando uma corrida para obter documentos para retornar ao país.
Com grandes envelopes pardos nas mãos, multidões formaram filas durante horas em frente à embaixada do Burundi, enquanto malas e sacolas plásticas se acumulavam no complexo, com muitos se preparando para partir.
“Eles nos expulsaram como animais”, disse o pastor Jean-Baptiste Ndayizeye à AFP.
Ndayizeye afirmou que dois de seus vizinhos foram atacados e roubados, comparando a situação à violência xenófoba na África do Sul. A AFP não conseguiu verificar as alegações de forma independente.
“O que os sul-africanos fizeram aos estrangeiros e o que os quenianos estão fazendo é a mesma coisa”, disse ele, acrescentando que era injusto que eles não tivessem recebido nenhum aviso.
Outro burundês, Eric Bizimana, que veio para o Quénia em 2022 após anos de desemprego em seu país, disse que nunca solicitou uma autorização de trabalho devido ao alto custo.
“Eles estão muito tristes” por terem que deixar o Quénia, disse Philemon Jaika Adamba, um mototaxista queniano que levou dois burundianos até a embaixada. “Não é justo.”
O Burundi, um país com cerca de 15 milhões de habitantes e um dos mais pobres do mundo, faz parte da Comunidade da África Oriental (EAC), juntamente com o Quénia, a potência econômica da região.
O ministro das Relações Exteriores do Burundi, Edouard Bizimana, condenou a “violência contra estrangeiros, particularmente burundianos”.
“O governo do Quénia é responsável pelas vidas dos burundeses que vivem no Quênia”, ele publicou no X.
“Permitir que civis quenianos façam o trabalho da polícia dá a impressão de um Estado falido, porque abre rédea solta à violência, aos saques e à xenofobia”, acrescentou.
O secretário de Estado adjunto das Relações Exteriores do Quénia, Korir Sing’Oei, visitou a embaixada na segunda-feira, pediu desculpas aos burundianos e garantiu-lhes que a polícia protegeria as áreas onde foram relatados casos de violência.
Sing’Oei afirmou que as declarações do presidente foram “mal interpretadas”.
“Devido a essa falta de compreensão, muitos foram atacados por seus vizinhos e amigos”, disse ele.
“Nosso principal objectivo é saber como você está vivendo, onde você está, se você possui identificação e se seus empregos estão registados”, disse ele.
O porta-voz do governo, Charles Owino, disse que as autoridades abriram um “período formal para documentação e registo” e pediu aos cidadãos burundeses que apresentassem seus documentos na embaixada.
“O governo reconhece que, devido a circunstâncias históricas e dinâmicas regionais, vários cidadãos da África Oriental, incluindo diversos burundianos, residem e atuam no Quénia sem a documentação completa”, disse Owino.
Um funcionário do Conselho Municipal de Xai-Xai é acusado de liderar um esquema de burlas que terá lesado vários munícipes, envolvendo a venda de terrenos e licenças de actividades económicas, mediante cobranças de 20 a 25 mil meticais por processo. Após os pagamentos, as vítimas dizem ter recebido documentos alegadamente falsos e que o funcionário se colocou em fuga. O município confirma e anuncia medidas no caso.
Dezenas de munícipes denunciaram ao Município de Xai-Xai terem sido alvo de um esquema de burla de terrenos e licenças de actividades económicas, alegadamente liderado por um funcionário afecto à Vereação de Actividades Económicas.
Entre as vítimas está uma jovem de 30 anos de idade e as suas quatro irmãs, que dizem ter perdido mais de 60 mil meticais num esquema de aquisição de terrenos nas zonas da Praia e de Inhamissa, em Xai-Xai. Segundo as vítimas, o dinheiro foi entregue ao referido funcionário na expectativa de obter os respectivos terrenos. De acordo com a vítima, depois de receber o dinheiro, o funcionário deixou de aparecer, tendo-se colocado em fuga para parte incerta. As irmãs ficaram sem os terrenos e sem o valor entregue.
“Gastámos mais de 65 mil meticais para adquirir terrenos para cada uma de nós, mas, quando chegou a vez de nos apresentar os terrenos e a documentação, começou a dar voltas e nunca mais conseguimos recuperar o dinheiro”, denuncia.
O caso não será isolado. No Posto Administrativo da Praia, pelo menos oito pessoas terão apresentado queixas contra o mesmo funcionário, segundo o chefe daquela unidade administrativa.
“Confirmamos os casos. São, até aqui, oito casos, e estamos preocupados em saber como isto aconteceu”, avançou Jamaldine Matsinhe.
O Gabinete Jurídico do Município de Xai-Xai confirma a existência das denúncias e diz que já recebeu pelo menos oito casos, mas admite que o número de vítimas pode aumentar.
“Neste momento, temos cerca de oito casos que já recebemos no município, mas não descartamos também a possibilidade de existirem outros.”
Uma outra jovem afirma ter pagado 25 mil meticais pela aquisição de um terreno no Posto Administrativo de Inhamissa. Na sequência do pagamento, recebeu um Direito de Uso e Aproveitamento da Terra, DUAT, que posteriormente descobriu ser falso.
As denúncias abrangem também a emissão de falsas licenças para o exercício de actividades económicas, aumentando a dimensão do caso, avançou o chefe do Gabinete Jurídico, Simão Simbine.
“Por enquanto, temos dois tipos, temos em maior número a falsificação de licenças ou títulos de uso e aproveitamento do solo ou da terra. Temos também o caso de falsificação de licença para o exercício de actividade económica.”
O responsável revela ainda que os documentos apresentados pelas vítimas ostentam assinaturas falsificadas.
“Os munícipes têm apresentado aqui um DUAT com uma assinatura falsificada, que não confere com a assinatura do presidente do Município de Xai-Xai. Tanto os DUAT, como também as próprias licenças que apresentaram os munícipes estão na mesma situação.”
Perante as acusações, o Município de Xai-Xai diz ter tomado medidas administrativas contra o funcionário e aberto uma investigação para apurar o eventual envolvimento de outros funcionários dos sectores de terra e actividades, incluindo líderes locais.
“Nós, como município, desencadeamos alguns procedimentos administrativos internamente, para apurar-se a responsabilidade deste nosso funcionário, e também participámos junto das autoridades para a investigação.”
O município admite ainda a possibilidade de envolvimento de outros funcionários no esquema.
“O processo está em instrução, que é para apurar quem está envolvido, quais são os mecanismos que usavam para poder chegar a estes intentos.”
Enquanto aguardam esclarecimento do caso, as vítimas pedem justiça e intervenção da polícia.
O caso surge num contexto de crescentes problemas na gestão de terras no município. Só nos últimos dois meses, a edilidade diz ter detectado 100 casos de DUAT duplicados, na sequência da introdução do sistema electrónico de actualização de dados.
O governador de Gaza anuncia o decurso de uma investigação que envolve funcionários da Direcção Provincial da Juventude e Desportos, dos serviços de Identificação Civil e professores, na sequência da desqualificação de atletas por falsificação de idades nos Jogos Desportivos Escolares 2026. O caso fez a província, que defendia o título conquistado em 2024, cair para a nona posição da classificação geral.
A província de Gaza, que chegou a Inhambane com o estatuto de campeã da última edição dos Jogos Desportivos Escolares, realizada em 2024, na província de Nampula, regressa a casa na nona posição da classificação geral, depois da desqualificação de vários atletas por falsificação de idades.
A situação manchou a participação da província na edição de 2026. Perante o caso, o governador de Gaza, Alfeu Cuna, anunciou a abertura de uma investigação para apurar as circunstâncias que permitiram a inscrição de atletas com idades alegadamente incompatíveis com os requisitos da competição.
“Gaza registou um total de oito do total de 31 casos no País. Queremos, desde já, anunciar que o caso já está em investigação no Serviço Nacional de Investigação Criminal e, após o fecho, vamos avançar para medidas mais sérias”, garantiu Cuna.
Entre os suspeitos de envolvimento no processo estão funcionários dos serviços de Identificação Civil, encarregados de educação, professores e funcionários da Direcção Provincial da Juventude e Desportos.
“Que há envolvimento de funcionários da Direcção Provincial de Identificação é um facto. Agora, queremos apurar o envolvimento de pais e encarregados, funcionários da Direcção e professores”, destacou.
Alfeu Cuna diz que a investigação deverá ser conduzida com celeridade, de modo a esclarecer responsabilidades e permitir a aplicação de uma penalização exemplar aos envolvidos.
Apesar do revés, a participação de Gaza ficou também marcada por resultados positivos em algumas modalidades.
“Destacamos, nas modalidades, em primeiro lugar, o voleibol feminino e, em terceiro lugar, o andebol masculino, sendo seis medalhas de ouro, cinco medalhas de prata e cinco de bronze. E, nas modalidades colectivas, tivemos 12 medalhas de ouro no voleibol e 12 medalhas de bronze no andebol”, avançou Lurdes Machava, directora provincial da Juventude e Desportos.
Na XVI edição dos Jogos Desportivos Escolares, a província fez-se representar por uma delegação composta por 128 estudantes-atletas e 15 técnicos, que competiram em oito modalidades.
A Agência Nacional para o Desenvolvimento e Investimento Turístico (ANDITUR) e a Urbanova Soluções de Urbanização estabeleceram, recentemente, durante a Feira Internacional de Maputo (FACIM), uma parceria estratégica destinada a identificar, planear, ordenar, estruturar, valorizar e promover áreas com potencial para o desenvolvimento de investimentos turísticos, imobiliários e económicos em Moçambique.
O Memorando de Entendimento assinado pelo Presidente do Conselho de Administração da ANDITUR, Hélder Jauana, e pelo administrador da Urbanova, Chakyl Camal, pretende transformar áreas actualmente identificadas pelo seu potencial turístico e económico em territórios estruturados e oportunidades concretas de investimento, preparadas para serem apresentadas a investidores nacionais e estrangeiros, fundos de investimento, instituições financeiras, operadores turísticos e outros parceiros estratégicos.
Trata-se de uma cooperação que abrangerá uma cadeia que vai desde a identificação e caracterização das áreas de interesse turístico até à preparação de projectos e à sua promoção junto do mercado de investimento. Entre as áreas previstas estão a realização de inventários e avaliações do potencial turístico, económico e imobiliário dos territórios, a definição de vocações e usos do solo, a elaboração e estruturação de instrumentos de planeamento territorial e urbanístico, bem como a preparação de ‘masterplans’, planos de urbanização, planos de pormenor, planos de desenvolvimento turístico e outros instrumentos aplicáveis.
A parceria prevê igualmente a estruturação e valorização de Zonas de Interesse Turístico e de outras áreas com vocação para o desenvolvimento económico, incluindo a definição de modelos territoriais, urbanísticos, económicos e funcionais, a identificação de projectos-âncora, áreas prioritárias de desenvolvimento, necessidades de infra-estruturas e equipamentos e a criação de uma carteira organizada de oportunidades de investimento.
No domínio dos projectos, a cooperação poderá abranger resorts, hotéis, lodges, condomínios turísticos, empreendimentos residenciais, centros de convenções, marinas, equipamentos de lazer, comércio, serviços, projectos de segunda habitação e outros empreendimentos de uso misto integrados na cadeia de valor do turismo. O acordo contempla ainda a estruturação de projectos imobiliários associados às áreas turísticas, incluindo conceitos urbanísticos e arquitectónicos, programas funcionais, modelos de ocupação, fases de desenvolvimento, estimativas de investimento e potenciais modelos de exploração.
De acordo com Hélder Jauna, Moçambique tem áreas com condições excepcionais para o turismo que continuam por estruturar. “Esta parceria permite apresentá-las ao mercado com planeamento, desenho e sustentação económica”, afirmou.
Já Chakyl Camal entende que um investidor decide sobre um plano e um modelo de ocupação, neste sentido, “a nossa função é levar as áreas identificadas pela ANDITUR até esse nível de preparação”.
Uma componente considerada central neste memorando é a preparação económico-financeira dos projectos. As partes poderão trabalhar na realização de estudos de mercado e de viabilidade, projecções de receitas e custos, modelos de negócio, estruturas de financiamento, análise do retorno do investimento e identificação de mecanismos de mobilização de capital, criando condições para que os projectos possam avançar de uma ideia ou área com potencial para uma oportunidade de investimento devidamente estruturada.
Importa frisar que este acordo cria também a possibilidade de constituição de uma carteira de projectos turísticos, imobiliários e de desenvolvimento territorial, organizada de acordo com o nível de maturidade, potencial de investimento e grau de preparação de cada oportunidade. A intenção, neste sentido, é permitir que os projectos sejam apresentados ao mercado de forma estruturada, facilitando a aproximação entre oportunidades existentes no território e potenciais fontes de capital.
A Médicos Sem Fronteiras (MSF) alertou, nesta terça-feira, que os cortes no financiamento estão “a provocar o colapso do sistema de saúde” no Sudão, obrigando ao encerramento de várias clínicas e deixando milhões de pessoas sem cuidados de saúde.
“No meio de uma guerra brutal que continua e de uma crise humanitária catastrófica, a população do Sudão enfrenta um acesso reduzido aos cuidados de saúde”, declarou a organização num comunicado, salientando que “as instalações em todo o país” estão a fechar devido ao “impacto dos cortes generalizados e históricos no financiamento da ajuda internacional”.
A MSF alertou também que a redução do financiamento “está a privar as pessoas de cuidados que salvam vidas e a levar os poucos hospitais restantes ao limite”.
Segundo a organização, os governos e os doadores institucionais devem proteger as ajudas económicas aos serviços de saúde essenciais no Sudão e disponibilizar um financiamento para impedir que as unidades de saúde, que correm o risco de fechar, se mantenham activas.
“Com a retirada das organizações humanitárias, as clínicas locais ficam sem os fundos ou medicamentos necessários para funcionar”, lê-se na nota.
Entre Janeiro e Abril, as admissões nas unidades apoiadas pela MSF em Zalingei e Rokero, no Darfur Central, aumentaram 22,5% face ao mesmo período no ano de 2025, de acordo com os dados da organização.
Para a MSF, “a situação deteriorou-se ainda mais, uma vez que só em maio 45 centros de cuidados de saúde gerais no Darfur Central deixaram de receber apoio, devido à falta de financiamento da organização que lhes fornecia recursos”.
O chefe da Missão da MSF no Sudão, Muhammad Ibrahim, declarou que a guerra está a aumentar as necessidades do país africano, sendo que os cortes no financiamento estão a reduzir a ajuda.
“O trabalho da MSF no Sudão é financiado por fundos privados (…). Os doadores devem proteger os serviços de saúde essenciais e fornecer financiamento sustentável e flexível às organizações que dele dependem”, defendeu.
No documento, a instituição relatou que no campo de Tanedba, localizado no estado de Gedaref (Este), que acolhe mais de 18 mil refugiados, a saída de uma organização humanitária, em Junho, resultou no fecho de enfermarias de maternidade e cirúrgicas, tendo como consequência a deslocação de mulheres grávidas até à cidade mais próxima, que fica a três horas de viagem.
A MSF interveio e vai gerir o serviço de urgências local até ao fim de 2026 neste campo de refugiados.
Já no campo de Um Rakuba, que acolhe cerca de 17 mil refugiados, de 35 organizações humanitárias que trabalhavam no local restam menos de 10, exemplificou a instituição para mostrar o impacto da redução do financiamento.
“Os cortes aqui vão muito além dos cuidados de saúde. As rações alimentares estão a diminuir e os programas de protecção estão a ser desmantelados, retirando as últimas redes de segurança e deixando os refugiados completamente desprotegidos”, disse o gestor de Assuntos Humanitários da MSF, Fabrizio Locuratolo.
Apesar de os Estados Unidos e Governos europeus continuarem a apoiar o Sudão através de agências como o Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), o fim das subvenções da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID) em junho e os cortes de financiamento europeus forçaram o encerramento de várias unidades de saúde no país africano.
Estes cortes agravam uma crise humanitária grave, onde 19,5 milhões de pessoas enfrentam fome e 825 mil crianças sofrem de desnutrição aguda grave, enquanto o plano de resposta das Nações Unidas conta com apenas 41% do financiamento necessário, segundo a MSF.
O conflito, que eclodiu em 15 de Abril de 2023 entre o exército e as Forças de Apoio Rápido (RSF, na sigla em inglês), provocou a morte de dezenas de milhares de pessoas e obrigou cerca de 14 milhões a fugir das suas casas, transformando o Sudão no cenário da pior crise de deslocados do planeta, segundo dados da ONU.