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As Organizações Sem Fins Lucrativos negam que estejam envolvidas em crimes de branqueamento de capitais e financiamento ao terrorismo. Por isso, exigem um tratamento diferenciado diante dos bancos comerciais e das autoridades públicas ligadas à matéria.

Por constarem da lista dos suspeitos de lavagem de dinheiro e financiamento ao terrorismo há cerca de dois anos, nesta quinta-feira decidiram sentar-se à mesma mesa com o Governo e os bancos comerciais para limpar o seu nome e exigir também um tratamento menos asfixiante.

Num evento que contou com a participação da secretária permanente do Ministério das Finanças, as organizações queixaram-se de estar a enfrentar problemas sérios para abrir contas bancárias e para receber dinheiro de doadores externos para os seus projectos.

“O doador manda o recurso e o banco informa, às vezes depois de duas a três semanas, que recebeu uma transferência e começa a pedir uma série de documentos. Muitas vezes, esses documentos já foram entregues, às vezes não é um contrato novo. É uma transferência para implementar imediatamente. O tempo demora tanto, às vezes dois a três meses. Em alguns casos, há organizações que reportaram que não conseguem receber esse dinheiro e acabam perdendo o recurso. Por exemplo, se é uma resposta a uma emergência, como cheias ou outra coisa, depois de três a quatro meses torna-se irrelevante”, defende a activista social Paula Monjane, representante do Movimento para a Liberdade de Associação.

Diante das constatações, as organizações consideram inaceitável que cumpram os requisitos exigidos pelos bancos para gerir uma conta bancária e que, mesmo assim, os seus processos não corram. Acusam os bancos de ignorar as recomendações das autoridades oficiais.

“As nossas recomendações são: primeiro, que a avaliação sectorial de risco seja uma ferramenta de uso dos bancos e do sistema financeiro para definir as medidas proporcionais. Segundo, que as boas práticas do GAFI também sejam consideradas no processo de definição de medidas baseadas no risco. Terceiro, que haja um diálogo permanente entre o Governo, o sector financeiro e a sociedade civil. Quarto, que as medidas sejam proporcionais, de tal forma que não levem as organizações a abandonar o sistema financeiro formal para começarem a usar um sistema informal, no qual não vai ser possível encontrar e controlar operações suspeitas”, detalha a activista social Quitéria Guirengane.

Contudo, as organizações sem fins lucrativos exigem um tratamento tendo em conta o risco de cada uma delas. “O que nós exigimos como sociedade civil, sobretudo como CESC, é que essa lista das organizações que supostamente foram detectadas na avaliação fosse entregue aos bancos, no sentido de que, na altura das transacções financeiras, fosse a esse tipo de organizações que se devia demandar mais documentação. Não faz sentido, por exemplo, uma organização pequena, ao nível de Cabo Delgado, que precisa de receber fundos para poder implementar os seus pequenos projectos de desenvolvimento para alavancar o desenvolvimento local, não ter acesso a fundos porque, supostamente, as organizações da sociedade civil são susceptíveis de abuso, mesmo que não haja evidências sobre isso”, considera Domingos do Rosário, gestor do CESC, uma organização da sociedade civil.

Por sua vez, os bancos comerciais dizem estar a trabalhar com listas oficiais de suspeitos e com base na legislação, motivo pelo qual exigem melhor organização aos queixosos.

“Temos um sistema de identificação de entidades nacionais relacionadas com o financiamento do terrorismo, e isso consta de umas listas que são publicadas também ao nível nacional e enviadas aos bancos para que adoptem medidas proporcionais ou medidas de mitigação relativamente a essas entidades. Agora, identificar casos em concreto não seria o momento para trazer aqui. O que se pretende mesmo é que as instituições estejam preparadas para evitar que estes riscos de facto se concretizem e que haja de facto este uso do sector para o financiamento do terrorismo”, explicou aos jornalistas Edgar Fortes, da área de anti-branqueamento de capitais do Banco de Moçambique.

Por seu turno, Samir Zacarias, representante da Associação Moçambicana de Bancos (AMB), explica que os bancos têm métricas específicas para medir os riscos das organizações. “Tendo em conta o resultado, a documentação que é solicitada pode divergir em alguns pontos. Quando nós calculamos o nível de risco de uma associação, há associações que operam em áreas de alto risco. Vou dar um exemplo de Cabo Delgado, que é uma área assolada pelo terrorismo. Há outras que não operam numa área de alto risco. Evidentemente, o resultado do nível de risco dessas duas associações pode ser diferente”, explicou.

Na última avaliação, as confissões religiosas apareciam com maior risco. Mas há trabalhos em curso para melhorar a situação e, em breve, haverá uma nova avaliação.

“68% das confissões religiosas foram apontadas com algum nível de risco. Elas estão identificadas na avaliação nacional de risco. Nós temos dados que apontam para as confissões religiosas, é preciso que se retenha o que se está a dizer. E quais são esses riscos? Não há contas bancárias, (…) há uma série de elementos que contrariam a Lei 14 do Branqueamento de Capitais”, destaca Luís Cezerilo, coordenador nacional de políticas de prevenção ao branqueamento de capitais, financiamento ao terrorismo e proliferação de armas.

Espera-se que a reunião que teve lugar ontem em Maputo produza consensos entre os bancos, as organizações sem fins lucrativos e as autoridades do Governo, sem prejuízo das partes.

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O partido Frelimo está reunido, desde ontem, na cidade de Chimoio, na quarta Sessão Extraordinária do Comité Central. O objectivo é transformar orientações políticas em acções concretas em resposta aos desafios do país.

O encontro junta membros efectivos e quadros da organização para reflectir sobre a situação política, económica e social de Moçambique, com particular atenção para o combate à corrupção, a revitalização das estruturas partidárias e a definição de estratégias de desenvolvimento para os próximos 50 anos.

Para o membro do Comité Central do partido, Carlos Agostinho do Rosário, pretende-se, na sessão, encontrar formas de operacionalizar as orientações transmitidas pelo presidente da Frelimo na Reunião Nacional de Quadros.

“Pegar o discurso do presidente, que é um discurso muito impactante, profundo e muito actual e como membros do Comité Central, vermos como é que isso se operacionaliza, não é?, disse Carlos Agostinho do Rosário.

Segundo o antigo Primeiro-ministro, Carlos Agostinho do Rosário, as orientações do presidente da Frelimo devem ser transformadas em acções concretas, sobretudo nas áreas da paz e do desenvolvimento económico.

“Nós vamos explicar as decisões ou as orientações do Presidente da República e ver como é que a paz e os elementos de desenvolvimento económico se possam fazer”, acrescentou Carlos Agostinho do Rosário.

O combate à corrupção e a outros males que afectam a sociedade foi igualmente apontado como uma responsabilidade colectiva. Outro membro da Frelimo, Alberto Mondlane, desafia toda a gente a assumir o compromisso.

“O que eu podia apelar aos moçambicanos e a mim próprio é, primeiro, procurarmos compreender bem o pensamento do Presidente da República e apoiar a ele no processo de implementação”, afirmou Alberto Mondlane.

O membro do Comité Central considera ainda que o combate à corrupção depende também do envolvimento individual dos cidadãos.

“O combate à corrupção e outros males que enfermam a nossa sociedade tem muito a ver com o engajamento de cada um de nós no local onde vive, no local onde trabalha, dar a sua contribuição para que possamos acelerar ainda mais este processo de luta pela promoção do bem-estar”, disse Mondlane.

Revitalizar a Frelimo, do base ao topo, é outra matéria em discussão. Calisto Cossa, também membro do partido, considera que as contribuições apresentadas pelos quadros devem transformar-se em instrumentos de trabalho para responder aos desafios futuros de Moçambique.

“Foram questões ou contribuições que têm a ver com a revitalização do nosso partido, sendo que com esta reunião, naturalmente que teremos a oportunidade de chancelar essas contribuições para que sirvam de instrumento de trabalho para os próximos desafios que nós temos”, avançou Calisto Cossa.

Segundo o membro do partido, os desafios não se limitam à organização. Abrangem também a realidade nacional. Preparar o futuro de Moçambique constitui uma das preocupações levantadas no encontro. 

Eneas Comiche defende que as decisões actuais devem ser tomadas tendo em perspectiva os próximos 50 anos do país. “A visão hoje em dia é dizer nós hoje temos de olhar para os próximos 50 anos para que efectivamente possamos ir etapa por etapa, para que consigamos os objectivos definidos pelo partido”, disse Eneas Comiche, membro do Comité Central da Frelimo.

A sessão acontece na sequência de um processo de reflexão realizado pelos quadros do partido sobre a situação económica, política e social do país. De acordo com Constantino André, as discussões anteriores produziram recomendações que deverão agora ser apreciadas pelo Comité Central.

“Foi um momento de reflexão, foi um momento em que os membros do partido, os quadros a nível nacional, analisaram sobre o País, analisaram a situação económica, política e social e teceram um conjunto de recomendações”, explicou Constantino André, membro do Comité Central.

Constantino André acrescentou também que a quarta Sessão Extraordinária deverá servir também para validar as recomendações saídas da 11.ª Conferência Nacional de Quadros e definir novas linhas de orientação.

“A sessão de hoje (quarta-feira) vem também no mesmo espírito de validar as recomendações trazidas pela 11.ª Conferência Nacional de Quadros, de trazer as linhas de orientação das teses, igualmente de convocar o XII Congresso”, afirmou Constantino André.

Ao longo da sessão, os membros do Comité Central deverão analisar e validar propostas e recomendações apresentadas anteriormente, procurando consolidar as linhas de orientação da Frelimo para os próximos desafios. A expectativa é que as decisões tomadas em Chimoio contribuam para reforçar a coesão interna do partido, dinamizar as suas estruturas e acelerar a implementação das orientações políticas, com impacto nas respostas aos desafios económicos, políticos e sociais de Moçambique.

A Primeira-ministra, Benvinda Levi, desafiou, nesta terça-feira em Maputo, ao Fórum das Comissões Eleitorais dos Países Membros da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC), a construírem sistemas eleitorais cada vez mais modernos e eficientes.

Para a governante, a aposta na modernização dos sistemas eleitorais não deve comprometer a transparência, a inclusão, integridade, credibilidade e, acima de tudo, a confiança do público que, segundo ela, sustenta a democracia dos Estados membros deste bloco regional. 

“Reafirmamos o compromisso de Moçambique com os princípios democráticos consagrados nos instrumentos da SADC, União Africana e das Nações Unidas, bem como o interesse e determinação no fortalecimento permanente das instituições responsáveis pela administração eleitoral”, disse Benvinda Levi. 

 

APOSTA NA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

A Reunião do Comité Executivo do Fórum das Comissões Eleitorais dos Países Membros da SADC acontece num contexto em que o mundo é marcado pela afirmação da Inteligência Artificial (IA).  Segundo a Primeira-ministra, a IA está a transformar como as instituições públicas planeiam, gerem a informação e prestam serviços aos cidadãos. 

No contexto eleitoral, afirma Benvinda Levi, essas tecnologias podem oferecer oportunidades para aumentar a eficiência administrativa, apoiar os registos da gestão eleitorais, melhorar a comunicação com os eleitores, reforçar a análise de dados e facilitar a identificação atempada  de irregularidades operacionais. 

“Podem igualmente apoiar a monitoria de fenómenos de desinformação, manipulação digital e disseminação de conteúdos falsos que afectam a integridade dos processos eleitorais”, alerta.

Nesse sentido, alerta a Primeira-ministra, o recurso a essas ferramentas deve ser criterioso e responsável, respeitando os mandatos legais das instituições e preservando os direitos dos cidadãos. 

“As mesmas tecnologias que podem apoiar a democracia podem também ser utilizadas para a fragilizar. A proliferação de conteúdos digitalmente manipulados, as campanhas automatizadas de desinformação, a microssegmentação política abusiva e a utilização indevida de dados pessoais constituem riscos concretos  para a integridade eleitoral e para a confiança nas instituições”, alerta Benvinda Levi. 

Segundo a Primeira-ministra, associada à Inteligência Artificial, está a crescente relevância da governação de dados, assim como o facto delas constituírem um activo estratégico para o desenvolvimento económico, social e institucional. 

“A capacidade de os recolher, proteger, gerir e utilizar de forma segura e responsável tornou-se um elemento central da soberania digital dos Estados. A inovação tecnológica deve caminhar lado a lado com a protecção dos direitos fundamentais, a salvaguarda da privacidade, a segurança dos sistemas e do respeito pelos princípios democráticos.”

Benvinda Levi entende, por isso, que uma governação de dados sólida representa uma oportunidade para reforçar a soberania digital, reduzir dependências externas e assegurar que a transformação tecnológica contribua para o desenvolvimento sustentável e para o fortalecimento das instituições democráticas.  

O Vice-Presidente da Tanzânia, Emmanuel Nchimbi, apresentou a sua demissão, anunciando o afastamento definitivo da vida política activa e do serviço público. Nchimbi declarou estar convicto de que a Presidente Samia Suluhu Hassan pretendia a nomeação de um sucessor diferente para o cargo. A saída, que se tornará efectiva no dia 4 de Setembro, ocorre num momento de notória crispação política e de renovadas dúvidas sobre a liberdade de imprensa no país.

O anúncio foi formalizado na terça-feira, dia 25 de Agosto, tendo Nchimbi comunicado por escrito à Chefe de Estado a sua decisão. O governante revelou ter prometido, em Agosto de 2025, que renunciaria caso a Presidente desejasse um Vice-Presidente diferente, convicção que afirma agora possuir “sem sombra de dúvida”. 

Esta decisão surge poucas semanas após as autoridades terem suspendido, por um período de seis meses, a licença de publicação do jornal crítico MwanaHALISI, que havia noticiado resistências de Nchimbi face às pressões para a sua saída, sugerindo um desentendimento entre ambos. As autoridades alegaram que a publicação violou os padrões profissionais de precisão e imparcialidade.

A gestão da Presidente Samia Suluhu Hassan, que obteve uma vitória eleitoral esmagadora com 98% dos votos, tem sido alvo de severas críticas por observadores internacionais, agravadas pelos distúrbios que, após a última elecção, resultaram na morte de centenas de cidadãos. 

Embora inicialmente elogiada pela abertura democrática e pela menor restrição aos partidos da oposição e aos órgãos de comunicação social, a administração de Hassan é agora acusada pelos seus críticos de regressar às políticas restritivas que caracterizaram o consulado do seu antecessor, John Magufuli. Actualmente, a Tanzânia ocupa a 117.ª posição num total de 180 países no índice de liberdade de imprensa.

A vacatura no cargo de Vice-Presidente impõe agora à Presidente o complexo desafio de proceder a uma nova escolha num cenário político extremamente sensível. A retirada de Nchimbi, após menos de um ano no exercício de uma das funções mais elevadas do Estado, confere uma camada adicional de incerteza à estabilidade política da Tanzânia. 

A Guiné-Bissau vai votar, no próximo domingo, 30 de Agosto, uma nova Constituição que prevê um reforço significativo dos poderes do Presidente da República e uma profunda reformulação do sistema político, numa altura em que o país se prepara para realizar eleições gerais em Dezembro.

O referendo acontece menos de um ano depois de os militares terem tomado o poder através de um golpe de Estado, ocorrido um dia antes de as autoridades eleitorais anunciarem os resultados das eleições presidenciais.

A proposta constitucional atribui ao Chefe do Estado poderes para nomear e exonerar o Primeiro-Ministro e os membros do Governo, criar ou extinguir ministérios e presidir ao Conselho de Ministros. O Presidente poderá igualmente dissolver o Parlamento em caso de grave crise política e, em determinadas circunstâncias, exonerar o Governo.

A reforma prevê ainda a redução do número de deputados, de 102 para 65, bem como a diminuição dos círculos eleitorais, de 29 para 12.

Os defensores da proposta sustentam que as alterações poderão contribuir para reorganizar e fortalecer as instituições políticas do país. Os críticos, porém, alertam para o risco de uma excessiva concentração de poderes na Presidência da República.

O professor Manuel Nobre de Barros, da Universidade Lusófona da Guiné-Bissau, considera que a reforma poderá alterar profundamente o equilíbrio entre os poderes Executivo e Legislativo, podendo conferir ao Presidente poderes praticamente ilimitados.

Entre as alterações propostas está também a introdução de um novo requisito para os candidatos à Presidência da República: a obrigatoriedade de terem residido permanentemente na Guiné-Bissau durante os cinco anos que antecedem a candidatura.

O referendo de 30 de Agosto será seguido de eleições gerais previstas para Dezembro. O processo é acompanhado com particular atenção, numa altura em que a Guiné-Bissau procura regressar a um regime civil e democraticamente eleito, depois do período de governação militar.

A principal questão que se coloca é se a nova Constituição contribuirá para reforçar a estabilidade das instituições ou se, pelo contrário, abrirá caminho para uma maior concentração do poder nas mãos do Presidente da República.

A presidente da Organização da Mulher Moçambicana (OMM) e Primeira-Dama da República, Gueta Chapo, defende que os homens devem assumir a responsabilidade pela paternidade e garantir o sustento dos seus filhos.

Gueta Chapo considera preocupante a prática de algumas mulheres que atribuem a paternidade dos seus filhos a vários homens, alegadamente como forma de garantir benefícios financeiros.

A reacção surge na sequência de uma denúncia feita recentemente por uma juíza do Tribunal de Família e Menores, em Manica, segundo a qual existem mulheres que atribuem a paternidade dos mesmos filhos a diferentes homens, com o objectivo de obter apoio financeiro.

Gueta Chapo considera a situação um comportamento negativo e ressalta que é necessário distinguir os casos em que uma mulher tem filhos de pais diferentes.

“É um comportamento negativo, não é? Porque a lei já prevê que, quando um homem tiver um filho, tem de sustentar a sua criança. Então, eu acho que não é um comportamento bom, que nós, as mulheres, temos feito, em queixar várias vezes para vários homens”, afirmou Guetta Chapo.

A Primeira-Dama questiona, entretanto, como uma mulher pode exigir sustento a vários homens quando tem apenas um marido, admitindo que a situação é diferente quando existem filhos de pais diferentes.

“Eu tenho de perceber melhor como é que uma mulher queixa para três, quatro, cinco homens, uma vez que só tem um único marido, a não ser que ela tenha tido vários filhos com homens diferentes. Aí sim, ela tem direito de exigir, porque não fez os filhos sozinha”, acrescentou Gueta Chapo.

Gueta Chapo falava em Chimoio, durante uma actividade de mobilização de material para a construção do Centro de Sustentabilidade da Mulher, uma iniciativa que envolve mulheres da OMM na produção de tijolos e noutras actividades ligadas à construção.

No local, as mulheres participam directamente em todas as etapas de produção dos blocos, numa demonstração de união e aprendizagem de novas habilidades.

“Unimos-nos e mostramos que nós podemos. Aquelas que ainda não aprenderam estão a aprender aqui: uma busca água, outra carrega areia, outra mistura, as outras estão a bater a massa e depois temos o final, quando colocamos a massa na forma e tiramos o bloco”, explicou Rosa Kararadza, membro da OMM.

A iniciativa está a permitir que jovens e mulheres adquiram conhecimentos sobre a produção de materiais de construção, com o objectivo de reforçar a sua autonomia e capacidade de participação em projectos comunitários.

“Toda a mulher de Chimoio deve aprender a fabricar tijolos. Chegamos às seis horas, já aprendemos. Eu sofri um pouco aqui, porque estou a aprender de verdade”, avançou Benedita Zunguza, membro da OMM.

Para além dos tijolos produzidos pelas próprias mulheres da OMM, a Primeira-Dama mobilizou diversos materiais de construção para o local, com vista à concretização do Centro de Sustentabilidade da Mulher em Chimoio.

A iniciativa pretende envolver as mulheres na construção e, simultaneamente, promover competências práticas que possam contribuir para o seu empoderamento económico e social.

Uma agente prisional e outra mulher estão detidas na cidade de Xai-Xai, acusadas de maus-tratos contra os próprios filhos.

Uma delas terá agredido sistematicamente o filho menor de 12 anos, e outra é suspeita de agredir e tentar obrigar uma criança de sete anos de idade a ingerir fezes. Os casos já instaurados foram denunciados à Polícia da República de Moçambique (PRM) pela comunidade.

Entre as indiciadas está uma agente do Serviço Nacional Penitenciário, de 38 anos de idade, acusada de agredir de forma recorrente o próprio filho. A denúncia partiu da vizinhança, e os relatos foram posteriormente confirmados pelos restantes filhos da indiciada.

O chefe das Relações Públicas da PRM em Gaza, Carlos Macuácua, diz que a intervenção policial ocorreu depois das denúncias.

“A polícia tratou de averiguar. Encontradas as evidências, elas foram levadas para a subunidade, lavrados os autos e entregues às outras instituições para poderem ser responsabilizadas”, explicou Carlos Macuácua.

A Polícia da República de Moçambique assegura que a condição profissional da indiciada não altera o tratamento do processo, embora reconheça a particularidade de se tratar de uma agente de autoridade.

“Olhamos a situação preocupados quando é agente de autoridade envolvida. Mas o tratamento é normal de agente indiciado a um crime: lavrar o processo e entregar a outras instituições para sua responsabilização”, esclareceu Macuácua.

Na Segunda Esquadra da PRM em Xai-Xai, está também detida uma mulher de 39 anos, doméstica, suspeita de maus-tratos contra o filho, de sete anos. Neste caso, a mulher é acusada de agressões físicas e de tentar obrigar o menor a ingerir fezes.

A indiciada nega ter obrigado a criança a ingerir as próprias fezes. Diz estar arrependida e afirma que recorria a agressões depois de chamar a atenção do menor várias vezes.

Entretanto, a PRM enquadra o caso entre práticas de tratamento cruel contra a criança. “Uma é tortura, a outra é indiciada de alimentar a menor com excrementos humanos, entre outras situações de tratamento cruel a um humano”, afirmou Carlos Macuácua.

Segundo a PRM, os dois processos foram instruídos e deverão ser encaminhados às instituições competentes para a responsabilização das indiciadas.

A exposição “Pegadas do Barro”, da artista visual e ceramista Ilda Semedo, é uma mostra que transforma a cerâmica num espaço de reflexão sobre memória, identidade, pertença e continuidade, na Mediateca do BCI, em Maputo.

“Partindo da premissa de que toda a existência deixa marcas, a exposição explora a relação entre o ser humano, a natureza e a terra. Pessoas, animais, plantas e fenómenos naturais imprimem vestígios no mundo, fazendo da terra um verdadeiro arquivo vivo da memória colectiva”, avança um comunicado.

No acto de abertura, a representante do BCI, Carla Mamade, destacou a dimensão simbólica da proposta artística e a relevância da mostra. Já para Ilda Semedo, o percurso artístico que culmina nesta exposição está também profundamente ligado ao apoio familiar.

A artista agradeceu, em particular, aos pais por terem acreditado na sua vocação e incentivado a sua escolha pela arte, numa altura em que esta opção nem sempre é compreendida e valorizada no seio das famílias.

“Ser artista, contrariamente àquilo que às vezes se diz, é uma bênção e não tem nada de marginal”, afirmou Semedo, citada na nota de imprensa.

Presente na abertura da exposição, a secretária de Estado das Artes e Cultura, Matilde Muocha, destacou o percurso e o amadurecimento artístico de Ilda Semedo, bem como a sua contribuição para a formação de novas gerações.

Para a governante, a artista constitui um exemplo da capacidade da arte de servir a sociedade, quer pela criação, quer pela transmissão de conhecimento.

“Temos um modelo que pode demonstrar aquilo que a arte deve fazer na nossa sociedade: ajudar-nos a sonhar”, considerou Muocha.

Natural de Maputo, Ilda Semedo é artista visual, ceramista, designer, empreendedora e docente da Escola Nacional de Artes Visuais (ENAV), onde lecciona disciplinas de Design e Cerâmica.

A exposição “Pegadas do Barro” está aberta ao público em Maputo, até 31 de Agosto.

A paralisação das obras de construção da ponte de acesso ao bairro  Inhangombe, na cidade de Quelimane, está a dificultar a mobilidade dos moradores. A infra-estrutura actualmente usada pela população encontra-se degradada e apresenta limitações para a circulação.

Agastados com a situação, os moradores pedem a intervenção urgente de quem de direito para a requalificação da infra-estrutura.

A vereação de Infra-estruturas e Urbanização do Município de Quelimane, explica que as obras foram interrompidas devido à insuficiência de recursos financeiros e à complexidade da infra-estrutura. Segundo a fonte, o Município está a procurar alternativas junto da Administração Nacional de Estradas e do Fundo de Estradas, ao nível provincial, com vista à mobilização de novos parceiros para retomar as obras de construção da ponte.

Enquanto se aguarda pela retoma dos trabalhos, a população vai enfrentando dificuldades de mobilidade para o acesso a serviços essenciais, como educação, saúde e água potável.

Os camiões de carga pegaram fogo na noite de segunda-feira, na Estrada Nacional Número 4, próximo à zona da Texlom, na Matola. Não há vítimas humanas, apesar do forte embate e das chamas que consumiram as viaturas.

Uma testemunha, que fala na condição de anonimato, conta que tudo aconteceu por volta das 21 horas, quando um dos camiões de carga encontrava-se estacionado próximo a um posto de abastecimento de combustíveis.

Segundo a testemunha, de repente, ouviu-se um forte estrondo. Tratava-se de um outro camião que embateu violentamente contra a viatura estacionada, provocando assim um incêndio que rapidamente alastrou-se às duas viaturas.

A testemunha explica ainda que pessoas que se encontravam no local conseguiram retirar os motoristas dos carros em segurança. Mas, a chegada dos bombeiros ao local terá ocorrido cerca de duas horas depois do sinistro.

Enquanto o serviço de salvamento público não chegava, as chamas iam consumindo grande parte das duas viaturas. Apesar da dimensão do acidente, não foram registadas vítimas humanas, mas o trânsito ficou condicionado.

Depois de algum tempo, a circulação das viaturas pelo local dos acontecimentos foi restabelecida. Testemunhas apontam o excesso de velocidade como uma das possíveis causas do acidente, mas as autoridades ainda não explicaram o caso.

Por várias vezes, a nossa reportagem contactou a Polícia de Trânsito para obter esclarecimentos sobre as circunstâncias do acidente e as suas prováveis causas, mas não foi possível obter qualquer resposta até ao fecho desta matéria.

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