Pelo menos dois milhões dos cerca de cinco milhões de sudaneses que abandonaram Cartum durante o conflito já regressaram às suas casas, numa altura em que a capital começa, lentamente, a dar sinais de retoma, após a vitória militar sobre as Forças de Apoio Rápido. Contudo, o regresso decorre num cenário marcado pela destruição e pela escassez de serviços essenciais.
O centro de Cartum permanece profundamente devastado. Onde antes existiam mercados movimentados, edifícios empresariais e bairros prósperos, predominam agora ruas desertas, edifícios destruídos, valas comuns e áreas contaminadas por minas terrestres.
A população enfrenta ainda sérias dificuldades no acesso aos serviços básicos. O fornecimento de electricidade continua irregular, a água potável é escassa e grande parte das infra-estruturas essenciais permanece sem funcionamento.
Apesar das adversidades, milhares de famílias decidiram regressar na esperança de reconstruir as suas vidas. No entanto, o reencontro com a cidade tem sido marcado pela desilusão, perante a dimensão dos estragos e a lentidão do processo de recuperação.
As autoridades haviam prometido um rápido restabelecimento da normalidade após a vitória militar, mas a realidade no terreno revela um quadro bastante diferente. As infra-estruturas continuam severamente danificadas, o abastecimento de energia mantém-se instável e muitos trabalhadores acumulam meses sem receber salários.
Para numerosos sudaneses, o regresso não representou uma escolha, mas antes a única alternativa possível, face ao agravamento das condições de acolhimento dos refugiados no vizinho Egipto.
De acordo com dados das Nações Unidas, menos de 80 mil pessoas regressaram até ao momento ao centro de Cartum, uma das zonas mais afectadas pelo conflito.