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Há cada vez mais pacientes com cancro da mama a desistir da quimioterapia devido às reações do tratamento. O Cancro da mama é a segunda maior causa de morte por cancro em mulheres no país, depois do colo de útero.

Dados do Ministério da Saúde indicam que anualmente, pelo menos 800 mulheres perdem a vida por cancro da mama no país. Parte da estatística, até chega a diagnosticar a doença, mas mas abandona o tratamento. O fenómeno foi apresentado por activistas em uma palestra sobre a doença, promovida pelo Instituto Nacional de Saúde.

“Muitas param pelo caminho porque fizeram uma ou duas sessões de quimioterapia. Aquele processo do tratamento, as reacções e as pessoas acabam ficando com aquele peso e desanimam pensando que podem morrer no meio. A pessoa não pode desistir só porque está com as reacções do tratamento, reconhecemos que são fortes”, contou uma activista, que venceu a doença

O Observatório Nacional de Saúde diz haver condições técnicas para o país registar avanços significativos no combate à doença, mas deve ser conjugado com estratégias de comunicação para a saúde.

“Percebemos que cancro ainda é uma questão que carece de explicação e de apresentação à comunidade no geral. Então, há um nível de conhecimento, mas a maior parte da população ainda não tem um conhecimento de forma geral.”

O cancro da mama é considerado a segunda maior causa de morte por cancro em mulheres no país, sendo que a chegada aos hospitais em estágios avançados, é um dos principais desafios.

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O Governo prepara novas medidas de restrição às importações de produtos que podem ser produzidos localmente, numa estratégia de protecção da indústria nacional e redução da saída de divisas. A informação foi avançada pelo secretário de Estado do Comércio, António Grispos, que aponta para uma lista que poderá abranger entre 27 e 28 produtos.

Segundo Grispos, a medida deverá ser implementada de forma gradual e precedida de estudos para avaliar os seus impactos no mercado. “Não queremos prejudicar o mercado. Queremos criar condições para que o mercado moçambicano seja mais apetecível para os produtores”, explicou o governante.

Entre os sectores abrangidos está a panificação, considerada pelo Executivo como um dos principais empregadores do País. O secretário de Estado do Comércio estima que o sector tenha cerca de 96 mil empregos formais e defende que o reforço da produção nacional poderá gerar mais postos de trabalho e reduzir a saída de divisas associada às importações.

“Por que razão vamos importar, perdendo empregos, divisas e mais-valias no País?”, questionou António Grispos, acrescentando que algumas empresas já estão a realizar investimentos para aumentar a produção, incluindo de pão de soja.

Além da panificação, o Governo pretende avançar com medidas relacionadas com produtos cerâmicos, água mineral e fornos, entre outros bens. Grispos explicou que o decreto actualmente em preparação menciona cerca de 16 a 17 produtos, mas a lista em avaliação para eventual restrição poderá chegar a 27 ou 28.

A entrada em vigor das primeiras medidas está dependente da publicação do respectivo diploma ministerial. De acordo com António Grispos, os procedimentos internos e a consulta aos ministérios e outros organismos já foram realizados, estando o processo na fase final.

“Aguardamos apenas a publicação. Penso que nos próximos dias vamos ter a publicação do diploma ministerial”, afirmou.

O governante acrescentou que a Comissão Consultiva de Implicações deverá reunir-se, em princípio, dentro de duas semanas, podendo resultar dessa reunião a inclusão de mais produtos na lista.

GOVERNO QUER MANTER DIÁLOGO REGULAR COM A CTA 

As medidas foram igualmente discutidas no âmbito do diálogo entre o Governo e o sector privado, através da CTA. António Grispos defende que este tipo de encontros deve deixar de ocorrer de forma esporádica e passar a ter uma periodicidade definida.

“Deveríamos estabelecer uma cadência para que isso não se torne só uma conversa de cinco em cinco anos, mas que possa ser uma conversa anual ou bianual”, disse.

O secretário de Estado considera que o encontro permitiu aproximar as posições do Governo e do sector empresarial e identificar soluções para problemas como a burocracia e o acesso ao financiamento.

No caso da burocracia, apontou a informatização dos processos como uma das soluções, enquanto, em relação ao financiamento, defendeu uma discussão mais aprofundada com o sector bancário, sobretudo para encontrar mecanismos que permitam aumentar o crédito à agricultura e a outros sectores produtivos.

“Viemos aproximar posições e mostrar que, em muitos momentos, estamos alinhados”, afirmou Grispos, acrescentando que o objectivo deve ser “encontrar soluções” para os obstáculos ao desenvolvimento da produção, da industrialização e da comercialização no País.

 

DESVALORIZAÇÃO DO METICAL COMO MECANISMO DE DESEQUILÍBRIO ECONÓMICO FORA DE QUESTÃO 

Sobre a possibilidade de desvalorização do metical como instrumento para responder aos desequilíbrios económicos, o secretário de Estado do Comércio considera que o momento actual não é adequado para adoptar essa medida.

Para Grispos, uma desvalorização poderia representar um choque adicional para famílias e empresas, num contexto já marcado pelo aumento dos custos logísticos e da factura de importação de combustíveis.

“Eu penso que agora não é altura para nós fazermos isso”, declarou, defendendo que a prioridade deve estar no aumento da produção interna e na redução da dependência de produtos importados.

O governante considera, entretanto, que a entrada de investimentos associados aos projectos de gás natural liquefeito poderá contribuir, a médio prazo, para melhorar as condições do mercado cambial. Segundo explicou, os efeitos não serão imediatos, uma vez que será necessário que os recursos entrem na economia e circulem pelos diferentes sectores.

“Esse dinheiro deve começar a entrar na economia de Moçambique, tem de circular, tem de haver o contágio de todo este efeito”, afirmou.

Enquanto se aguardam esses investimentos, Grispos defende uma actuação coordenada entre o Governo, o Ministério das Finanças e o Banco de Moçambique para preservar as reservas externas e reduzir as pressões sobre a economia.

Mais de 1.100 alunos das comunidades de Moneia, Marauanha e Muinhune, no posto administrativo de Naburi, distrito de Pebane, província da Zambézia, passam a contar com melhores condições para frequentar as aulas, após a entrega, esta quinta-feira, de três escolas primárias construídas na região.

Antes da construção das novas infra-estruturas, muitas das crianças estudavam ao ar livre, ficando as aulas frequentemente condicionadas pela chuva e por outras condições meteorológicas.

Cada uma das escolas possui três salas de aula, um gabinete administrativo, carteiras, instalações sanitárias e um poço com bomba manual nas proximidades. No conjunto, as três escolas dispõem de nove salas equipadas com 225 carteiras duplas. Os pontos de água instalados também poderão ser utilizados pelas comunidades que vivem nas redondezas.

As infra-estruturas foram construídas com um investimento superior a 14 milhões de meticais pela TZM Resources, empresa do Grupo Jinan Yuxiao que desenvolve um projecto de areias pesadas no distrito de Pebane.

A cerimónia de entrega juntou autoridades locais, representantes da empresa e membros das comunidades beneficiárias. Durante o evento, o administrador do distrito de Pebane, Cassimo Manuel Jamal, destacou a importância das novas escolas para as populações locais e relacionou a melhoria das condições de ensino com outros desafios da região, incluindo estradas, emprego e acesso a serviços.

Segundo o administrador, existe a expectativa de que a exploração dos recursos minerais na região possa também contribuir para a melhoria das condições de vida e dos serviços públicos nas comunidades abrangidas.

Em representação da população, Eliabi Alberto agradeceu a construção das escolas, mas chamou atenção para a necessidade de reforçar o número de professores. A população pretende que as crianças possam continuar os estudos até à sexta classe nas novas instalações.

Outro residente apelou à conservação dos edifícios pelas comunidades, manifestando a esperança de que as escolas contribuam para a formação de futuros médicos, professores, engenheiros e outros profissionais que possam participar no desenvolvimento de Pebane e do país.

A construção das três escolas faz parte das iniciativas de responsabilidade social desenvolvidas pela TZM Resources. Em Abril de 2023, a empresa, em conjunto com a Africa Great Wall Mining Development e a Mozambique Heavysand, lançou o Plano de Responsabilidade Social 2023-2028, que prevê intervenções em áreas como educação, saúde, água, estradas e formação.

No âmbito dessas acções, a TZM disponibilizou uma ambulância e um apoio de um milhão de meticais ao distrito de Pebane, além de conceder bolsas de estudo universitárias e promover formação profissional para jovens.

Na área de infra-estruturas, em 2024, a empresa apoiou a melhoria de mais de dez quilómetros da estrada entre Moebase e Cussiane, através da aplicação de uma camada de saibro, e participou na construção de poços em diferentes localidades.

Uma escola construída anteriormente em Sacone também foi mencionada durante a cerimónia. De acordo com Luan Peng, responsável da TZM, a infra-estrutura tem sido conservada pela própria comunidade.

Para as populações de Moneia, Marauanha e Muinhune, a entrada em funcionamento das novas escolas representa, sobretudo, a possibilidade de as crianças deixarem de depender de espaços improvisados e passarem a estudar em instalações preparadas para o ensino.

A construção das escolas enquadra-se na cooperação entre a China e África e nas acções de responsabilidade social associadas ao projecto de areias pesadas desenvolvido pela TZM Resources em Pebane.

A inflação anual em Moçambique desacelerou para 6,45% em Agosto de 2026, depois de ter atingido 7,48% em Julho, representando uma redução de 1,03 pontos percentuais. Os dados constam da informação divulgada pelo Banco de Moçambique, com base no Índice de Preços no Consumidor (IPC) calculado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

De acordo com os dados apresentados, a desaceleração da inflação foi influenciada, sobretudo, pelo comportamento dos preços nas divisões de produtos alimentares e bebidas não-alcoólicas, bem como de vestuário e calçado, que registaram menores pressões sobre o nível geral de preços.

A trajectória da inflação mostra uma inversão face à tendência de aceleração registada no primeiro semestre. Depois de permanecer em níveis próximos de 3% entre o final de 2025 e o início de 2026, a inflação anual acelerou significativamente a partir de Abril, atingindo 7,48% em Julho, antes de recuar para os 6,45% em Agosto.

Apesar da desaceleração, o nível de inflação continua a representar um factor relevante para o custo de vida das famílias e para as decisões de consumo e investimento das empresas. A evolução dos preços continuará, por isso, a ser acompanhada pelas autoridades monetárias, num contexto marcado também pela necessidade de preservar a estabilidade macroeconómica.

Os dados de Agosto indicam, assim, um alívio das pressões inflacionistas, embora a inflação permaneça acima dos níveis registados no início do ano.

O Governo prepara novas medidas de restrição às importações de produtos que podem ser produzidos localmente, numa estratégia de protecção da indústria nacional e redução da saída de divisas. A informação foi avançada pelo secretário de Estado do Comércio, António Grispos, que aponta para uma lista que poderá abranger entre 27 e 28 produtos.

Segundo Grispos, a medida deverá ser implementada de forma gradual e precedida de estudos para avaliar os seus impactos no mercado. “Não queremos prejudicar o mercado. Queremos criar condições para que o mercado moçambicano seja mais apetecível para os produtores”, explicou o governante.

Entre os sectores abrangidos está a panificação, considerada pelo Executivo como um dos principais empregadores do País. O secretário de Estado do Comércio estima que o sector tenha cerca de 96 mil empregos formais e defende que o reforço da produção nacional poderá gerar mais postos de trabalho e reduzir a saída de divisas associada às importações.

“Por que razão vamos importar, perdendo empregos, divisas e mais-valias no País?”, questionou António Grispos, acrescentando que algumas empresas já estão a realizar investimentos para aumentar a produção, incluindo de pão de soja.

Além da panificação, o Governo pretende avançar com medidas relacionadas com produtos cerâmicos, água mineral e fornos, entre outros bens. Grispos explicou que o decreto actualmente em preparação menciona cerca de 16 a 17 produtos, mas a lista em avaliação para eventual restrição poderá chegar a 27 ou 28.

A entrada em vigor das primeiras medidas está dependente da publicação do respectivo diploma ministerial. De acordo com António Grispos, os procedimentos internos e a consulta aos ministérios e outros organismos já foram realizados, estando o processo na fase final.

“Aguardamos apenas a publicação. Penso que nos próximos dias vamos ter a publicação do diploma ministerial”, afirmou.

O governante acrescentou que a Comissão Consultiva de Implicações deverá reunir-se, em princípio, dentro de duas semanas, podendo resultar dessa reunião a inclusão de mais produtos na lista.

Mais de 260 mil pessoas poderão sofrer os efeitos da seca associada ao El Niño em Chibuto. Governo distrital e docentes universitários propõem soluções para as áreas mais críticas, que abrangem mais de 30 mil produtores. Enquanto isso, decorre o levantamento global da população em risco nos restantes distritos da província. 

Depois de Chicualacuala, Chibuto é o segundo distrito da província de Gaza a divulgar dados oficiais sobre a população que poderá sofrer os efeitos da estiagem provocada pelo fenómeno El Niño. Alto Changane, Changanine e Godide estão entre as comunidades consideradas mais vulneráveis, por se localizarem em zonas semiáridas e mais afastadas do Vale do Limpopo, onde a escassez de chuvas têm contribuído para a perda de colheitas e o agravamento da insegurança alimentar.

“Nós estamos a falar de todo o distrito, vai sentir o efeito de El Niño. Estamos a falar de 263 mil habitantes que estão aqui, vão sentir o efeito de El Niño, Ainda temos um bocadinho de humidade, vamos intensificar a produção e evitar a venda dos cereais, porque vamos precisar. Neste momento, estamos a falar de acima de 30 mil agricultores que receberam sementes e que todos eles plantaram”, avançou Cacilda Banze, administradora do distrito de Chibuto.

Os dados foram avançados na Universidade Eduardo Mondlane, em Chibuto, onde decorreu, esta quinta-feira, o encerramento das 7.ª Jornadas Científicas. Na ocasião, docentes universitários apresentaram medidas para mitigar o impacto do fenómeno climático, com enfoque na conservação de alimentos e no aproveitamento racional dos recursos disponíveis.

“Nas sétimas jornadas foram trazidas soluções para essa população mesmo de baixa renda, agricultores de subsistência, como melhor conservar os alimentos em épocas chuvosas e em épocas de seca”, explicou Shelcia da Cádima, docente universitária.

Para Efraime Gobeia, engenheiro agrónomo, os fenómenos climáticos extremos vieram para ficar, sendo necessário apostar em mecanismos de gestão da água.

“É preciso investir em todo tipo de medidas que permitam a captação, o armazenamento, a recirculação e reutilização da água quando estamos em períodos de abundância.”

Já David Langa, director da UEM em Chibuto, destaca a hidroponia como uma alternativa para a produção agrícola com menor consumo de água.

“O sistema hidropónico permite produzir num ambiente controlado com um recurso a pouca água. Só um tanque de água vai acrescentando e põe as soluções na própria água, e tudo é gerido ao longo do tubo de água.”

Segundo Langa, o sistema pode ser adaptado às comunidades rurais através do uso de energia solar.

“Quando for de energia para os territórios rurais, sim senhor, porque aquele sistema primeiro é para funcionar com energia solar. Tem que fazer esse contributo para a comunidade e as associações circunvizinhas, que sobretudo vivem aqui no Baixo Limpopo, que queiram continuar a produzir ao longo de todo o ciclo, de todo o ano. Essas coisas são uma solução.”

Enquanto isso, o Governo e parceiros fazem o levantamento global da população que poderá ser afectada pelo fenómeno na província, para mobilizar recursos, num contexto de redução do financiamento humanitário e de crescente concorrência com outras crises globais.

“Ao nível global houve uma redução significante de financiamentos, mas também reconhecendo que Moçambique está a competir com outras crises globais, que há um conjunto de levantamentos que a ONG está a fazer. Então, tendo em conta os números que poderão surgir das pessoas impactadas pelo El Niño, a nossa obrigação e nosso mandato orienta-nos para que possamos assistir no mínimo 10% destas famílias”, explicou Vicente Adriano, representante dos parceiros.

O responsável acrescentou que a resposta ao El Niño deverá concentrar-se nas províncias de Gaza e Inhambane, com atenção particular à disponibilidade de água.

“E a nossa resposta para o El Niño vai se concentrar nas províncias de Gaza, província de Inhambane, olhar qual é a disponibilidade de água nesses locais e tentar responder de forma muito antecipada, para evitarmos impactos severos.”

A estiagem prevista para os próximos meses surge numa altura em que a província de Gaza já tem mais de 400 mil pessoas a consumir água imprópria e comunidades do norte enfrentam dificuldades para garantir água para o gado.

A província moçambicana de Nampula está a enfrentar um surto de sarampo que já afectou 10 distritos, com um total de 1.498 casos registados e três mortes, segundo dados divulgados hoje pelas autoridades de saúde.

De acordo com a diretora provincial de Saúde, Selma Xavier, citada pela Lusa, a doença já está a afetar os distritos de Nampula, Nacarôa, Nacala-Porto, Malema, Memba, Mecubúri, Muecate, Mogovolas, Eráti e Liúpo.

A responsável explicou, em conferência de imprensa, que a situação está a levar o setor a reforçar as ações de vacinação, numa altura em que continuam a surgir novos casos diariamente.

Recentemente, as autoridades realizaram uma campanha de vacinação de bloqueio em sete distritos considerados prioritários devido à maior concentração de casos, numa tentativa de travar a propagação da doença.

“Como nós sabemos, a campanha de bloqueio é uma campanha que requer algum financiamento, alguns recursos adicionais, como vacinas adicionais. Neste momento, nós tivemos em consideração os distritos que têm mais casos”, explicou.

Selma Xavier esclareceu, contudo, que os distritos não abrangidos por essa campanha financiada não ficaram sem vacinação.

“Eles estão a fazer vacinação de bloqueio em comunidades, através de brigadas móveis”, afirmou, reconhecendo, porém, que não é possível realizar uma campanha de grande dimensão em toda a província devido às limitações de recursos.

A intervenção está também a contar com o apoio de parceiros locais.

“Temos um parceiro da [universidade] Unilúrio, que também está a apoiar na componente de vacinação”, disse a diretora, acrescentando que aquela instituição já realizou uma campanha de bloqueio em Nacarôa e prepara novas intervenções nos distritos de Memba e Liúpo, onde está prevista a vacinação de cerca de 200 mil crianças.

A responsável apontou a existência de crianças que nunca receberam a vacina como um dos fatores associados ao surto, sobretudo em comunidades mais distantes das unidades de saúde.

“A maior parte destas pessoas que apanharam o surto são pessoas que nunca se vacinaram”, afirmou, acrescentando que estas populações são normalmente alcançadas através de brigadas móveis.

Segundo Selma Xavier, o funcionamento dessas brigadas foi condicionado este ano por vários fatores, entre os quais a escassez de combustível nos distritos.

“Nem todas as brigadas móveis planificadas foram cumpridas na sua íntegra por diversos fatores. E um dos condicionantes foi a escassez de combustível que se verificou a nível dos distritos”, explicou.

Até ao momento, cerca de 500 mil crianças menores de 5 anos já foram abrangidas pelas ações de vacinação na província.

Entretanto, está a ser preparada uma campanha nacional mais abrangente, destinada a incluir crianças até aos 15 anos, tendo em conta que estão a ser registados casos também em faixas etárias superiores aos 5 anos.

“Não só crianças de 5 anos estão a ter sarampo, mas crianças acima desta faixa etária”, referiu a directora, acrescentando que a operação está a ser preparada pelo Ministério da Saúde em coordenação com parceiros, entre os quais a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

O Presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, suspendeu os seus compromissos públicos depois de regressar da cimeira do BRICS, realizada na Índia, devido a problemas de saúde, anunciou a Presidência sul-africana esta quarta-feira.

Ramaphosa, de 73 anos, regressou da Índia na segunda-feira e foi aconselhado pelos seus médicos a permanecer em repouso e a recuperar antes de retomar as actividades públicas.

A ausência do Chefe de Estado ocorre numa altura em que o Vice-Presidente sul-africano, Paul Mashatile, também se encontra afastado das suas funções públicas, enquanto recupera de um procedimento médico considerado de menor gravidade.

Segundo a Presidência, sempre que possível, Ramaphosa solicitou aos ministros competentes que o representassem nos compromissos previamente agendados.

A cimeira do BRICS, que reúne o Brasil, a Rússia, a Índia, a China e a África do Sul, terminou domingo, após dois dias de encontros em Nova Deli. As discussões estiveram centradas no crescimento global inclusivo e na situação no Médio Oriente.

Por sua vez, Mashatile afirmou, na terça-feira, que a sua recuperação está a decorrer de forma positiva e que tem vindo a recuperar as forças progressivamente.

O Vice-Presidente disse que, por recomendação dos seus médicos, continuará em repouso até nova indicação, enquanto as suas responsabilidades são asseguradas pela equipa do seu gabinete, em coordenação com outras estruturas do Governo, do sector empresarial e de outros sectores.

A ausência simultânea de Ramaphosa e Mashatile acontece numa altura de crescente actividade política na África do Sul, com o país a aproximar-se das eleições municipais, marcadas para 4 de Novembro.

 

As cidades ucranianas de Odessa e Sumy foram, nas últimas horas, alvo de novos ataques russos, que provocaram pelo menos dois mortos, vários feridos e avultados danos materiais.

Em Odessa, um ataque com drones, ocorrido depois do meio-dia, provocou a morte de um homem e incêndios em garagens, além de danos em casas e viaturas nas proximidades.

Posteriormente, um segundo ataque atingiu um edifício residencial de 19 andares, causando ferimentos em três pessoas, entre as quais uma criança. Imagens divulgadas pelo Serviço Estatal de Emergência mostram bombeiros a combater os incêndios e a trabalhar junto dos edifícios afectados.

Na cidade de Sumy, bombas aéreas guiadas atingiram os distritos de Kovpakivskyi e Zarichnyi, afectando zonas residenciais e industriais.

As autoridades locais reportaram inicialmente seis feridos, incluindo uma adolescente de 14 anos. Duas casas ficaram destruídas, outras dez foram danificadas e uma instituição de ensino foi igualmente atingida.

Uma actualização posterior elevou para um o número de mortos e para nove o total de feridos, entre os quais duas crianças.

Equipas de emergência foram mobilizadas para procurar vítimas entre os escombros, extinguir os incêndios e remover os destroços das zonas afectadas.

Os ataques inserem-se na continuidade das ofensivas russas contra diferentes cidades ucranianas, que têm provocado vítimas humanas e danos em infra-estruturas e habitações.

Em Coropa, no distrito de Moma, em Moçambique, a chegada da electricidade está a transformar o quotidiano dos moradores: abriram barbearias, surgiram estúdios de gravação musical e o trabalho dos revendedores de peixe tornou-se mais fácil.

A 30 de Agosto de 2024, realizou-se a cerimónia de inauguração da infra-estrutura de ligação de Coropa à rede eléctrica nacional. Com financiamento da Haiyu Mining, esta comunidade da localidade de Mpago passou a estar ligada à rede.

Após a electrificação, em 2024, mais de 800 consumidores já beneficiavam da energia, e a infra-estrutura tinha capacidade para servir mais de 3 000. Com a chegada das linhas eléctricas à comunidade, começaram também a surgir novas actividades económicas.

Com electricidade, novas condições para os negócios

As barbearias e os estúdios de gravação musical estão entre os novos negócios que surgiram em Coropa depois da electrificação. São empreendimentos de pequena dimensão, mas ambos dependem de equipamentos e de electricidade. A ligação à rede criou condições para que estes serviços pudessem funcionar na comunidade.

As barbearias respondem a necessidades do dia-a-dia; os estúdios permitem a produção musical. Duas actividades distintas partilham a mesma infra-estrutura. Para quem as desenvolve, dispor de electricidade é uma condição para poder pensar nos equipamentos a utilizar e nos serviços a prestar.

Contudo, a chegada da electricidade não significa que os negócios prosperem automaticamente. Abrir um estabelecimento exige investimento, os equipamentos precisam de manutenção e os serviços dependem da procura. A ligação à rede assegura uma condição básica, mas essencial, para o exercício dessas actividades.

Uma linha eléctrica ligada ao sustento quotidiano

Os revendedores de peixe da comunidade também sentiram as facilidades trazidas pela electricidade. A forma de conservar o peixe fresco após a compra e o prazo para o vender têm consequências directas na qualidade do produto e nas perdas do negócio.

A electricidade permite o funcionamento de equipamentos de refrigeração e de produção de gelo, acrescentando uma opção para melhorar a conservação. Mas a compra de equipamentos e o consumo de energia também têm custos, pelo que os comerciantes precisam de ajustar o investimento à quantidade de peixe que movimentam e às possibilidades de venda.

Das barbearias à gravação musical e à venda de peixe, as necessidades de electricidade da comunidade estendem-se às actividades de sustento. As infra-estruturas eléctricas servem tanto os aparelhos domésticos como as ferramentas com que os moradores ganham a vida.

Levar a rede eléctrica a mais comunidades

As mudanças em Coropa inserem-se no processo de expansão do acesso à electricidade em Moçambique. Segundo dados divulgados pelo Banco Mundial em 2025, a taxa de acesso à electricidade no país passou de 31% em 2018 para 60% no final de 2024. A cobertura está a aumentar, embora uma parte significativa da população continue sem acesso.

Levar a rede eléctrica às comunidades exige investimento em infra-estruturas. O projecto de Coropa foi integrado no Plano Estratégico de Responsabilidade Social da Haiyu Mining para 2022–2026, com financiamento da empresa. O então administrador do distrito de Moma, Abacar Chande, presidiu à cerimónia de inauguração e manifestou expectativas quanto ao desenvolvimento da economia local.

Para os moradores e comerciantes, essas expectativas terão de se concretizar no quotidiano: poder utilizar aparelhos eléctricos, transformar uma habilidade num negócio e trabalhar com maior facilidade. As barbearias, os estúdios de gravação e as mudanças no comércio de peixe já observadas em Coropa representam um passo dado após a chegada da electricidade.

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