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Um painel de economistas e académicos moçambicanos defendeu hoje, em Maputo, durante a Conferência Internacional sobre Desenvolvimento Inclusivo e Sustentável de Moçambique, a urgência de se reestruturar o modelo de desenvolvimento de Moçambique, apontando o resgate das Pequenas e Médias Empresas (PME) e uma efectiva descentralização fiscal como as vias indispensáveis para quebrar o ciclo de exclusão e corrigir as profundas assimetrias regionais que afectam o país.

Durante o painel, que se propôs a analisar as dinâmicas económicas entre 2000 e 2015 e o legado da Agenda 2025, os analistas constataram que, apesar das elevadas taxas de crescimento macroeconómico registadas no passado, a estrutura económica de Moçambique manteve-se inalterada. Esta paralisia estrutural impediu a redução efectiva da pobreza e gerou, em contrapartida, um aumento visível das desigualdades sociais e territoriais.

O “dividendo da paz” e a armadilha do sector extractivo

Na sua intervenção, o economista Egas Daniel contextualizou a trajectória do país desde o início do século, apontando que o crescimento económico verificado no primeiro ciclo, frequentemente fixado acima dos 7% anuais, com o Produto Interno Bruto (PIB) per capita a avançar a uma média de 4,7%, foi o resultado natural da estabilização pós-guerra. O fim das hostilidades permitiu o retorno das populações às zonas de produção, gerando um impulso inicial inevitável.

“O dividendo da paz era inevitável que se traduzisse num crescimento relativamente elevado nos primeiros anos”, afirmou Egas Daniel, esclarecendo, contudo, que o cerne do problema residiu na fonte que alimentou esse desempenho. O economista questionou se a adopção deste modelo foi uma escolha deliberada ou um produto orgânico das circunstâncias, mas enfatizou que o forte influxo de Investimento Directo Estrangeiro se concentrou de forma desproporcionada no sector extractivo e nos megaprojectos.

Esta configuração, caracterizada por um modelo de capital intensivo, revelou poucas ou nenhumas ligações com os restantes sectores da economia nacional, comprometendo a capacidade de geração de postos de trabalho em larga escala. Por outro lado, falhou a expectativa de que o sector extractivo pudesse robustecer as receitas do Estado para que este, por sua vez, financiasse a diversificação económica.

Egas Daniel assinalou que a arrecadação de receitas não foi proporcional ao crescimento do sector, limitando a margem de manobra do Executivo para dinamizar actividades complementares. Como resultado, os inquéritos aos orçamentos familiares (IOF) passaram a reflectir o agravamento das desigualdades. “Estamos aqui para reflectir como é que nós mudamos essa direcção e não voltamos a repetir e a cometer os mesmos erros, ou a ignorar os mesmos factores que dificultaram a transformação económica esperada no âmbito da implementação ou do seguimento da visão da Agenda 2025”, alertou.

Descentralização e a asfixia orçamental das províncias

Na sua intervenção, O cientista político e docente da Universidade Eduardo Mondlane, José Jaime Macuane falou sobre as assimetrias territoriais, nomeadamente o fosso entre as zonas urbanas e rurais e as disparidades históricas entre as regiões sul, centro e norte do país. O cientista político e docente sublinhou que o paradigma de descentralização desenhado após a aprovação da Constituição de 1990 e o fim da guerra dos 16 anos padeceu de uma visão puramente política e elitista.

Para o académico, o processo foi desenhado essencialmente como um mecanismo de partilha e acomodação de poder entre um número restrito de actores políticos, descurando a dimensão do desenvolvimento socioeconómico local e a sua articulação com o progresso nacional. Macuane reconheceu que houve avanços administrativos ao longo das duas últimas décadas, assinalando que “o distrito de hoje não é o mesmo que existia há 20 anos” e que “a província, nestes últimos oito anos, teve um aumento, claro, com o redutor da existência de uma estrutura bicéfala, com a representação do Estado que está sobredimensionada, mas, essencialmente, este aumento de algum poder, de alguma participação a nível local” representa uma evolução.

No entanto, o investigador argumentou que este incremento de participação não se traduziu numa autonomia efectiva. Os governos locais continuam a disputar competências com o governo central, um processo cuja lentidão tem sido historicamente justificada pelo princípio do gradualismo e pelo argumento recorrente de que falta capacidade técnica ao nível local. José Jaime Macuane rejeitou esta premissa, afirmando que cabe ao Estado central criar as condições antes de delegar funções.

O ponto crítico, apontou, reside na centralização orçamental: actualmente, cerca de dois terços do Orçamento do Estado continuam a ser geridos directamente pelo aparelho central em Maputo. “O desenvolvimento local só pode funcionar efectivamente se os actores locais forem autores e sujeitos ao seu próprio desenvolvimento. Pensam porque conhecem melhor os seus próprios problemas e, consequentemente, as suas próprias soluções”, defendeu, instando a que os programas de capacitação ultrapassem a burocracia estatal e abranjam os actores sociais, económicos e a própria cidadania.

O erro histórico do abandono das PME

Luís Magaço, licenciado em Gestão e mestre em Finanças Aplicadas, trouxe uma perspectiva histórica e empresarial ao painel, argumentando que o diagnóstico da actual crise do sector privado moçambicano não pode limitar-se aos anos mais recentes. O analista recuperou a trajectória do país desde a independência em 1975, lembrando a adopção da economia centralmente planificada, o êxodo de técnicos qualificados, a aplicação de sanções económicas à Rodésia em 1977, que devastou o corredor de desenvolvimento entre Machipanda e a Beira, e o impacto prolongado da guerra civil.

Magaço destacou um paradoxo na gestão macroeconómica contemporânea: entre 1992 e 2005, o país registou taxas médias de crescimento entre 7,5% e 8%, chegando a atingir um pico de 12,5%, num período em que a economia não dependia do carvão, do gás ou do petróleo. O Banco Mundial apontava então Moçambique como um caso de sucesso internacional na redução da pobreza e no fomento empresarial.

“Este país, entre 92 e 2005, não tínhamos carvão, não tínhamos gás e não tínhamos petróleo. Mas crescemos a 7,5%, a média”, enfatizou o gestor, questionando as actuais ambições governamentais e as projecções de analistas que esperam que os recursos minerais façam o país crescer apenas 5% ou 6%. “Alguma coisa está muito errada”, sentenciou.

Segundo o especialista, a grande ruptura ocorreu a partir de 2005, quando o foco político e as prioridades do executivo abandonaram as reformas que sustentavam o crescimento das PME, tais como as actualizações do Código Comercial, da Lei do Trabalho e do Código de Investimentos, para se sintonizarem quase exclusivamente com os projectos de carvão e gás.

Desde então, o ambiente de negócios degradou-se. As taxas de juro de financiamento bancário dispararam para níveis insustentáveis, na ordem dos 20%, e o sistema financeiro nacional tornou-se altamente concentrado e desprovido de um verdadeiro banco de desenvolvimento. Luís Magaço denunciou o fenómeno de crowding out (asfixia do crédito privado por via do endividamento público), observando que a banca comercial prefere hoje financiar o Estado ou conceder empréstimos ao consumo aos funcionários públicos devido à garantia de reembolso, em detrimento do sector produtivo.

Implementação, instituições e educação marcam segunda ronda do debate

A representante do Banco Mundial, Isabel Gamberoni, defendeu que a maior lição dos últimos 25 anos é que “o objectivo não é apenas criar empregos, mas criar empregos melhores e mais bem remunerados”. Para alcançar esse propósito, considerou essencial adoptar um modelo de crescimento intensivo em emprego, assente na estabilidade macroeconómica, no aumento da produtividade agrícola, no desenvolvimento do turismo, no reforço das competências da população e na diversificação da economia. Gamberoni sublinhou ainda que “a chave é conseguir executar essa visão”, defendendo uma administração pública capaz, instituições fortes e uma gestão responsável das receitas dos recursos naturais.

Na sua intervenção, Virgínia Videira sustentou que o principal problema de Moçambique não reside na falta de estratégias, mas na sua execução. “Há muitos documentos feitos, mas é difícil implementar esses documentos”, afirmou, acrescentando que os planos nacionais deixam de ser instrumentos de trabalho no dia-a-dia da administração pública. A economista defendeu que o sistema de planificação cumpra a legislação em vigor, que os programas sejam orientados para resultados, haja monitoria permanente e maior responsabilização dos gestores públicos, alertando que “o problema fundamental no Estado é a produtividade do trabalho”.

Por seu turno, Castigo Langa considerou que o aproveitamento dos recursos naturais só produzirá benefícios duradouros se for acompanhado por instituições sólidas, educação de qualidade e políticas públicas consistentes. Citando uma obra de Alvin e Heidi Toffler, recordou que “uma economia avançada precisa de uma sociedade avançada”, defendendo que a educação é determinante para o desenvolvimento. O engenheiro apelou ainda ao combate à corrupção e à valorização do sector privado, afirmando que “a empresa tem de ser acarinhada pelo Estado como uma mãe acarinha o seu bebé”, por ser nas empresas que se criam riqueza, emprego e oportunidades para transformar a agricultura de subsistência numa agricultura comercial e promover o desenvolvimento das zonas rurais.

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De 15 de Julho a 15 de Agosto de 2025, estarão abertas as candidaturas para a programação cultural de 2026 do Centro Cultural Franco-Moçambicano (CCFM), na Cidade de Maputo, dirigidas a artistas e produtores nacionais e estrangeiros.

Através do modelo de chamada pública, o Centro Cultural Franco-Moçambicano (CCFM) reafirma o seu compromisso com a transparência, a diversidade e a equidade na selecção de projectos. Assim, a abordagem permite reunir propostas de diferentes proveniências, estimular a circulação de ideias e abrir espaço a múltiplas expressões artísticas e culturais — dando visibilidade tanto a artistas consolidados como a novas vozes do panorama criativo moçambicano.

De acordo com uma nota do Centro Cultural Franco-Moçambicano (CCFM), candidaturas submetidas serão objecto de uma pré-selecção interna, que definirá os projectos a serem avaliados pela Comissão de Avaliação de Projectos, composta pela direcção da própria instituição, representantes das suas entidades tutelares — a Embaixada de França e o Ministério da Educação e Cultura — e ainda por agentes públicos e privados do sector das indústrias culturais e criativas. A aprovação final será tomada por unanimidade desta comissão.

Os interessados poderão submeter as suas candidaturas através do preenchimento do formulário de inscrição (disponível em ccfmoz.com a partir de 15 de Julho) anexando toda a informação complementar solicitada.

Depois do processo de avaliação, apenas os candidatos seleccionados serão contactados.

Donald Trump ameaça tarifas severas de 100% à Rússia, caso não seja firmado um acordo de cessar-fogo na Ucrânia, dentro de 50 dias. O presidente norte-americano diz que o conflito deve parar urgentemente.   

O presidente norte-americano, Donald Trump, estabeleceu nesta segunda-feira o prazo de 50 dias para que a Rússia alcance um acordo de paz com a Ucrânia,  caso não, ameaça aplicar um pacote de tarifas severas. 

Depois de afirmar que está insatisfeito com o presidente russo Vladimir Putin, com quem já teria formalizado quatro acordos para pôr fim ao conflito, Trump explicou que a taxa cobrada a Moscovo será de 100%. 

O estadista falava durante um encontro com  o secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte, Mark Rutte, que decorreu na Casa Branca, onde justificou que o comércio é “excelente para resolver guerras”.

As sanções aplicadas incluirão medidas punitivas contra terceiros que mantiverem laços comerciais com Moscovo.

Além de aplicar tarifas severas, Trump afirmou que enviará armas de ponta à Otan para apoiar a Ucrânia, cujos custos serão cobertos por integrantes da aliança militar.

Na manhã desta terça-feira,  Moscovo reagiu às ameaças do presidente norte-americano, Donald Trump. O vice-presidente do Conselho de Segurança do país, Dmitry Medvedev, desvalorizou e disse que a Rússia “não se importa”. 

Em contrapartida, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, agradeceu a Trump pelo anúncio e acusou a Rússia de querer fazer com que a guerra seja vista como um “novo normal”.

A guerra entre a Rússia e Ucrânia perdura desde Fevereiro de 2022 

O presidente ucraniano agradeceu a Donald Trump e aos países da NATO a decisão de fornecer armas a Kiev e de avançar com sanções à Rússia. Volodymir Zelensky tem vindo a defender que a paz só será possível através da força e levanta o véu sobre um entendimento militar mais vasto com Washington.

“Estou a agradecer aos Estados Unidos, à Alemanha e à Noruega, por terem preparado uma decisão sobre patriots na Ucrânia. Estamos também a trabalhar em importantes acordos de defesa com os EUA. Ainda não posso revelar os detalhes, mas juntos podemos conseguir muita coisa em prol da segurança”, disse o presidente ucraniano. 

Moçambique terminou com 20 medalhas a participação nos  XI Jogos da Juventude da Região 5, realizados de 4 a 13 de Julho de 2025, na Namíbia. Prepara agora a sua vez de acolher a prova, que terá lugar em Maputo, próximo ano, com ambição de se mostrar ao continente em termos de organização.

Com espírito de garra, união e excelência, Moçambique conquistou 20 medalhas nos XI Jogos da Juventude da Região 5, realizados de 4 a 13 de Julho de 2025, na Namíbia. A delegação regressa ao país com 5 medalhas de ouros, 5 pratas e 10 bronzes, reafirmando o talento e a dedicação dos jovens atletas.

O basquetebol foi a modalidade que esteve em destaque, uma vez que para além de ter conseguido uma medalha na competição, nomeadamente a medalha de prata, após perder na final da competição, garantiu, assim, a qualificação ao Afrobasket da categoria, que vai decorrer, na capital ruandesa, Kigali, entre 4 a 14 de Setembro.

Moçambique subiu ao pódio em várias outras modalidades, dentre elas no Karaté, onde Alberto Maringue conquistou uma medalha de ouro, para além de duas de bronze na natação, na estafeta masculina de 4×100 metros, e vólei de praia, através da dupla Emilia Suade e Artimiza Sitoe.

Outra medalha de ouro foi conquistada por Milena Filipe no triplo salto, conquistado ainda a medalha de bronze no salto em comprimento, enquanto Arnaldo Taipo subiu ao pódio duas vezes para receber a medalha de prata, nomeadamente nas categorias de kata e kumite, no Karate.

“Estes resultados são reflexo da coragem, da preparação e do orgulho nacional com que os nossos jovens representaram Moçambique. Vamos continuar a investir no talento juvenil, no desporto como ferramenta de desenvolvimento, e no espírito de união que nos distingue”, disse o ministro da Juventude e Desporto, Caifadine Manasse, na hora do balanço.

O evento, de dimensão continental, teve mais de 2.500 atletas de 11 países, que competiram em 12 modalidades, nas cidades de Windhoek e Swakopmund. A Namíbia, que assumiu a organização com excelência após Moçambique ter cedido o lugar, apostou em estádios renovados, inclusão de jovens com deficiência e um modelo de sustentabilidade regional.

Com o fim do evento de Namíbia, Moçambique carregou o testemunho e o compromisso com o futuro para acolher a prova em 2026.

Em Maio deste ano, Moçambique assinou o acordo para sediar os XII Jogos da Juventude da Região 5 em 2026. O desafio está lançado e já iniciam os preparativos para acolher a maior competição desportiva da região.

O Presidente da República, Daniel Chapo, garantiu, nesta segunda-feira, na cidade da Beira, que o Governo está a mobilizar fundos para a construção de uma estrada alternativa de acesso directo ao Porto da Beira e que brevemente iniciará obras para a reabilitação de vulto da Estrada Nacional Número 1, no troço entre Inchope e Zambézia.

Entrar e sair na cidade da Beira através da Estrada Nacional Número 6, a principal via que dá acesso ao centro da urbe e ao Porto da Beira, está cada vez mais difícil dado o crescente número de camiões, principalmente de cargas, que se movimentam na rodovia.

O Presidente da República, Daniel Chapo, está ciente dos constrangimentos socioeconómicos que este problema está a criar e por isso garantiu que o seu governo está à procura de solução para tal.

“Hoje, para entrar no porto da Beira, é um problema muito sério. Nós estamos a trabalhar para encontrarmos estradas alternativas para entrar facilmente no porto da Beira e sair do porto da Beira”, disse Daniel Chapo.

O Presidente da República, que falava na tarde desta segunda-feira na cidade da Beira num comício popular,  no arranque da sua visita de trabalho, lembrou que sem estradas não há desenvolvimento e que por isso brevemente retornará em Sofala para testemunhar o arranque de obras de vulto na estrada nacional número 1, entre Inchope e Zambézia.

“É uma estrada que passa por Gorongosa. Para podermos ter estradas em condições e termos uma estrada nacional número 1 como deve ser. Porque sem estrada não há desenvolvimento”, prometeu o Chefe do Estado.

Para enfatizar o seu desiderato, Chapo deu como exemplo as dificuldades pelas quais a população passa para vender seus produtos. “Produzimos coisas na nossa machamba e queremos vir vender na estrada ou na vila e não conseguimos”, exemplificou.

Chapo prometeu ainda uma nova estrada. “Também estamos a trabalhar para que a estrada que liga Dondo até Inhaminga possa ser feita”, prometeu.

Neste encontro, a população pediu ao chefe de Estado novas infra-estruturas escolares assim como para mobilizar fundos no sentido de melhorar a estrada Beira–Nhangau.

“As nossas crianças percorrem uma distância longa. Umas vão para o distrito de Dondo e outras para Nhangau. Isto é muito cansativo para os nossos filhos”, disse Silva Fernando, representante da população.

Daniel Chapo disse que registou a preocupação e já está a trabalhar. “Nhangau realmente fica longe da cidade e a estrada não está em condições. São 20 quilômetros. Nós registamos e vamos trabalhar para encontrar uma solução”, disse o Chefe do Estado.

O Presidente da República pediu depois à população de Sofala para respeitarem as diferenças de pensamentos que para ele são a base de paz e reconciliação. “Não há nenhum sítio que não há direito a odiar e a vulgar os outros. Por isso, temos que combater a violência. Temos que combater o ódio. Temos que promover a paz. Temos que promover o amor ao próximo”, disse, destacando ainda que “unidos, reconciliados, com paz e segurança, vamos desenvolver Moçambique”.

Daniel Chapo estará em Sofala até na próxima quarta-feira, onde deverá manter encontros a diferentes níveis e inaugurar infra-estruturas.

Continuam três casos confirmados de Mpox, todos na província de Niassa, norte do país, mas subiu para 11 o total de suspeitos, segundo o boletim da evolução da doença divulgado hoje pelas autoridades de saúde.

De acordo com o boletim da Direcção Nacional de Saúde Pública, com dados de 11 a 13 de Julho, só nas últimas 24 horas foram contabilizados mais sete casos suspeitos, mantendo-se ainda 13 em seguimento, enquanto 14 estão em isolamento, mas sem registo de óbitos.

Os três casos da doença foram confirmados no dia 11 de Julho pelas autoridades sanitárias, que adiantaram, na altura, que os pacientes estavam estáveis e em isolamento.

Os três primeiros casos foram identificados no distrito de Lago, que faz fronteira com a Tanzânia.

O Presidente dos Camarões, Paul Biya, de 92 anos, confirmou que voltará a disputar as eleições, encerrando semanas de especulações sobre os próximos passos da sua carreira política. O anúncio foi feito através das redes sociais, onde o Chefe de Estado reafirmou sua vontade de continuar a servir o país e declarou que “o melhor ainda está por vir”.

Com mais de quatro décadas no poder, Biya é actualmente o segundo Presidente com mais tempo de mandato em toda a África. Sua decisão de concorrer novamente provocou reacções negativas por parte da oposição e de organizações de defesa dos direitos humanos. 

Nas últimas eleições, realizadas em 2018, Biya foi declarado vencedor com mais de 70% dos votos, uma vitória cercada de controvérsias, incluindo denúncias de fraude, baixa participação popular e episódios de violência.

As regiões anglófonas do país continuam a sofrer os impactos de um conflito separatista, que obrigou milhares de estudantes a abandonarem a escola e tem resultado em confrontos fatais entre forças governamentais e grupos armados.

Durante o seu longo mandato, Biya tem sido alvo de acusações de corrupção e críticas pela forma como lida com os problemas internos. Suas constantes viagens ao exterior para tratamento médico também levantaram dúvidas quanto ao seu estado de saúde e à sua capacidade de liderar de forma eficaz.

Com a aproximação de um novo ciclo eleitoral, a intenção de Biya de manter-se no poder adiciona ainda mais tensão ao cenário político camaronês, já marcado por complexidade e polarização.

Mais de 900 vendedores já saíram dos passeios, na  Praça dos Combatentes, e ocuparam os mercados indicados pelo Município de Maputo. A Edilidade decidiu dar mais uma semana para que os informais abandonem os locais impróprios. 

Os vendedores informais, que vendem nos passeios e nas bermas da estrada, na zona da Praça dos Combatentes, têm mais sete dias para abandonar os locais. 

A Polícia Municipal diz haver mais de 3 mil bancas desocupadas nos mercados da cidade de Maputo, que considera suficientes, para acolher todos os informais da zona da Praça dos Combatentes. 

“Há muito espaço nos mercados, com destaque para o mercado informal de Xipamanine, que neste momento tem 1400 bancas vazias, além de outros, como o Compone, Mazambane, 1 de Junho, e mais, tanto dentro quanto fora da periferia”, explicou Naftal Lay, porta-voz da Polícia Municipal. 

Apesar da resistência de alguns, que preferem continuar nestes locais, a Polícia Municipal diz terem sido acolhidos mais de novecentos vendedores que oficializaram as suas bancas, em vários mercados, durante a primeira semana de sensibilização. 

“Do mapeamento que a direcção de Mercados e Feiras fez constatou-se que a nível de Xiquelene existem cerca de 3 mil vendedores e o Conselho Municipal tem acima de três mil espaços desocupados, para dizer que, o número de bancas cabe para os vendedores que exercem as suas actividades em locais impróprios, na Praça dos Combatentes”.

A edilidade reitera que esta é a última semana e apela para que os vendedores abandonem os locais impróprios,  antes da adopção de medidas proibitivas ou de coerção.  

Para que o processo ocorra de forma rápida,  a Polícia Municipal apela também aos utentes,  para que não comprem produtos nos passeios e nas bermas da estrada. 

O Presidente da República quer maior cooperação entre os membros da Assembleia parlamentar da Comunidade dos países de língua portuguesa na promoção da democracia e participação activa dos cidadãos na tomada de decisão. Daniel Chapo falava hoje durante a abertura da décima quarta sessão ordinária do órgão, que decorre em Maputo.

Maputo acolhe, a partir desta segunda-feira, a décima quarta sessão ordinária da Assembleia parlamentar da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, que marca o fim da Presidência da Guiné-Equatorial do órgão e o início do mandato de Moçambique, que vai até o ano 2027.

A sessão de abertura, que reúne líderes parlamentares dos nove países da comunidade, foi presidida pelo Chefe de Estado, que desafiou os membros a serem mais cooperativos, numa altura em que há desafios geopolíticos, sociais e ambientais

Daniel Chapo entende que a realização da sessão é um reconhecimento do interesse de Moçambique na promoção da paz, cidadania e democracia  mundiais.

“Assume-se como missão estratégica da nossa comunidade a construção e consolidação de uma verdadeira cidadania lusófona, fundada na mobilidade, na protecção social, na partilha de saberes, na partilha da cultura, na valorização da nossa diversidade e no reconhecimento dos direitos do espaço da CPLP. Este ideal de cidadania partilhada deve orientar os nossos esforços governativos e legislativos, para que os cidadãos dos nossos Estados se reconheçam mutuamente como parte de um mesmo espaço de pertença e de cooperação solidária”, disse o Presidente durante o seu discurso de abertura.

Chapo quer uma Assembleia Parlamentar da CPLP que reforce os instrumentos da diplomacia parlamentar para a partilha de boas práticas no domínio da governação democrática e dos direitos humanos. 

A participação dos cidadãos na tomada de decisão é um dos desafios apontados como essenciais por ultrapassar pelo Chefe de Estado.

“Aprofundem o diálogo para a construção de uma cidadania intercomunitária que promova a mobilidade dos cidadãos e o intercâmbio de conhecimentos com vista à promoção de desenvolvimento sustentável e equitativo dos nossos países e povos. Promova acções coordenadas de capacitação institucional, com enfoque nas áreas de educação, cultura, justiça, ambiente, gestão pública e privada, turismo e tantas outras áreas de desenvolvimento, como forma de promover a participação de cidadãos nos processos de  tomada de decisão”, referiu-se.

Chamada a intervir, Teresa Assangono, presidente cessante do órgão e Presidente do Senado da Guiné-Equatorial, apontou as barreiras na circulação dentro da região como um dos entraves ao desenvolvimento político, económico e social da região. 

“A livre circulação de pessoas dentro da CPLP continua a ser um desafio, uma vez que a  mobilidade não é facilitada a todos, apenas aos titulares de passaportes diplomáticos, de serviços e oficiais. Isto dificulta a livre circulação de estudantes, assentos culturais e empresariais, entre muitos outros. Importa referir que são reconhecidas as dificuldades que esta classe tem enfrentado para se deslocar dentro da nossa comunidade, pelo que recomendamos o reforço da implementação efectiva pelos Estados-membros do Acordo de Mobilidade assinado a 17 de Julho de 2021, em Luanda, República de Angola”, declarou Assangono.

A tomada de posse de Moçambique como presidente do órgão, a decorrer nesta terça-feira, será o ponto mais alto do evento. 

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