Cerca de 1,3 milhões de pessoas foram forçadas a abandonar as suas zonas de origem em Moçambique desde 2017, devido à violência armada no norte do país. Deste total, 661.532 continuam deslocadas internamente, enquanto 721.691 regressaram aos seus distritos de origem, segundo dados do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).
No relatório operacional referente ao primeiro semestre de 2026, a agência indica que os ataques de grupos armados provocaram 26.184 novos deslocados entre Janeiro e Junho, em vários distritos da província de Cabo Delgado. Muitos dos afectados foram obrigados a deslocar-se mais de uma vez.
O ACNUR considera que a situação humanitária continua complexa, devido à persistência da violência em distritos como Ancuabe, Chiúre, Macomia, Mocímboa da Praia, Palma, Quissanga, Muidumbe e Nangade.
Para além dos ataques contra civis e infra-estruturas, a agência assinala que os grupos armados têm visado cada vez mais os meios de subsistência das populações, incluindo campos agrícolas, actividades pesqueiras e locais de exploração mineira, agravando a vulnerabilidade das comunidades.
O relatório indica ainda que Moçambique acolhe 24.217 refugiados e requerentes de asilo, provenientes sobretudo de países da África Central e Oriental.
Entre Janeiro e Junho deste ano, o ACNUR prestou assistência directa a 39.699 pessoas, incluindo deslocados internos, refugiados e famílias vulneráveis, através da distribuição de bens essenciais e apoio monetário. A agência apoiou igualmente 15.804 pessoas com assistência jurídica e 8.637 na obtenção de documentos de identificação.
No âmbito do reforço dos serviços de protecção, está em curso um projecto de 34 meses, lançado em Março, em parceria com os Governos de Moçambique e do Japão. A iniciativa prevê a construção ou reabilitação de 27 postos de atendimento em Cabo Delgado, com o objectivo de facilitar o acesso à documentação civil de mais de 100 mil pessoas e prestar assistência jurídica a outras 45 mil.
Para 2026, o ACNUR solicitou 61,3 milhões de dólares para financiar as suas operações em Moçambique e Angola. Contudo, até Junho, apenas 38% do montante tinha sido disponibilizado, deixando um défice de financiamento de 38,2 milhões de dólares.
Salva Kiir prepara novo Executivo de transição horas depois de aprovar alterações à legislação eleitoral que permitem realizar as eleições sem Constituição permanente ou censo nacional
O Presidente do Sudão do Sul, Salva Kiir, dissolveu, esta terça-feira, o Governo de transição, horas depois de aprovar alterações à legislação eleitoral que eliminam a exigência de conclusão de uma Constituição permanente e de realização de um censo nacional antes das eleições.
A dissolução do Executivo ocorre num momento de elevada tensão política no país, que se prepara para realizar, a 22 de Dezembro, as primeiras eleições da sua história. A votação já foi adiada por duas vezes e continua a enfrentar vários obstáculos previstos no acordo de paz de 2018.
De acordo com o gabinete presidencial, a dissolução do Governo ocorreu à meia-noite, hora local, em conformidade com o calendário eleitoral acordado. Salva Kiir deverá agora nomear um novo Governo de transição para supervisionar o processo eleitoral.
As alterações à Lei Eleitoral Nacional, aprovadas na segunda-feira, permitem que as eleições avancem mesmo sem a aprovação de uma Constituição permanente e sem a realização de um censo nacional.
A nova legislação também prevê alterações à estrutura do poder executivo durante o período eleitoral, incluindo a saída dos vice-presidentes nomeados ao abrigo do acordo de paz de 2018.
As mudanças suscitaram críticas de analistas e representantes políticos, que consideram que a nova legislação poderá concentrar poderes nas mãos do Presidente.
Michael Wani, advogado e antigo membro da comissão responsável pela elaboração da Constituição, afirmou que Salva Kiir poderá ficar como a principal figura de poder durante o período eleitoral.
Por sua vez, o analista independente Machot Amuom alertou para a existência de ambiguidades na nova legislação e defendeu que as alterações poderão permitir ao Presidente prolongar o período de transição.
TENSÃO AUMENTA EM JUBA
A dissolução do Governo foi acompanhada por um reforço da presença militar nas ruas da capital, Juba. Um jornalista da AFP relatou ter observado um aumento significativo do número de soldados nas principais estradas da cidade.
Um comerciante, que pediu anonimato, afirmou ter encerrado o seu estabelecimento devido à presença militar nas ruas.
O Gabinete de Segurança Interna emitiu, entretanto, uma directiva ordenando que todas as forças de segurança permanecessem uniformizadas e em estado de alerta máximo durante três dias, a partir de 22 de Setembro.
Um funcionário público, também sob anonimato, relatou que o seu ministério foi encerrado sem aviso prévio e que militares foram destacados para as imediações do edifício.
ELEIÇÕES SOB PRESSÃO
O Sudão do Sul tornou-se independente em 2011, mas mergulhou, poucos anos depois, numa guerra civil que durou cerca de cinco anos e provocou milhares de mortos e deslocados.
Apesar do acordo de paz de 2018, várias das condições estabelecidas para a realização das eleições continuam por cumprir. Até ao momento, não foi concluído o registo dos eleitores, os exércitos rivais não foram plenamente unificados e a Constituição permanente continua por aprovar.
A tensão política permanece elevada, sobretudo entre o Governo e sectores da oposição. O líder oposicionista Riek Machar encontra-se actualmente detido, acusado de traição.
Perante este cenário, observadores internacionais manifestam preocupação com a possibilidade de o processo eleitoral agravar as tensões entre as diferentes forças políticas e militares e provocar um novo ciclo de violência no país.
A fábrica de processamento de grafite de Nipepe, na província moçambicana do Niassa, construída com investimento do Grupo Jinan Yuxiao, está a abrir novas perspectivas de emprego e formação profissional para os jovens da região, no quadro do esforço de industrialização e de aumento do valor acrescentado dos recursos minerais do país.
Inaugurada a 30 de Janeiro de 2026, numa cerimónia que contou com a presença do Presidente de Moçambique, Daniel Chapo, a unidade industrial já emprega mais de 800 trabalhadores locais. Com o avanço da segunda fase do projecto, prevê-se que o número de postos de trabalho ultrapasse os 2.000.
Na cerimónia de inauguração, Chapo sublinhou a importância de processar os recursos minerais no próprio país, aumentar o valor acrescentado dos produtos e criar emprego através do investimento industrial. Por sua vez, Wu Tao, presidente do Conselho de Administração do Grupo Jinan Yuxiao, informou que a empresa iria implementar um programa sistemático de formação destinado a desenvolver as competências dos trabalhadores locais.
A formação da mão-de-obra local passou, assim, a integrar as necessidades de gestão da fábrica, a par da expansão da produção.
Já em Setembro de 2024, durante uma visita ao projecto, o então Presidente Filipe Nyusi manifestara a expectativa de que a fábrica se tornasse um espaço de aprendizagem para a mão-de-obra local. Nessa altura, decorriam ainda as obras e a instalação dos equipamentos. Hoje, os postos de trabalho associados à linha de processamento de grafite oferecem aos jovens da região oportunidades concretas de contacto com a tecnologia industrial e de aquisição de experiência profissional.
Competências exigidas pela indústria
Em Setembro deste ano, um anúncio de recrutamento da DH Graphite apresentou 200 vagas para serventes de fábrica, destinadas a candidatos com a 10.ª à 12.ª classe ou escolaridade equivalente, sendo a experiência profissional relevante considerada uma vantagem. A necessidade de recrutamento evidencia a importância de ligar a educação escolar à formação prática no local de trabalho.
As funções de apoio constituem frequentemente um primeiro contacto com a produção industrial. Ao ingressarem na fábrica, os trabalhadores precisam de conhecer o ambiente de trabalho, compreender as exigências de segurança e executar as tarefas que lhes são atribuídas. Para os jovens sem experiência fabril anterior, as capacidades de leitura, escrita e compreensão adquiridas na escola passam a ser aplicadas às instruções de trabalho, à sinalização dos equipamentos e aos registos diários.
O processamento de grafite compreende uma sequência de operações. Na DH Graphite, o processo produtivo inclui britagem, moagem, flotação, filtração, secagem, crivagem, embalagem e armazenamento. À medida que a matéria-prima percorre estas etapas, o estado dos equipamentos, os procedimentos operacionais e a qualidade do produto influenciam-se mutuamente. Conhecer uma função exige, por isso, compreender também a sua ligação às operações anteriores e seguintes.
Operar um equipamento, por exemplo, envolve os procedimentos de arranque e paragem, a observação do seu funcionamento, a comunicação de anomalias e os registos de passagem de turno. Memorizar um gesto isolado dificilmente permite responder às variações que ocorrem na produção. A formação precisa, por isso, de abordar os equipamentos e as funções em concreto, para que os trabalhadores compreendam os procedimentos, as razões que os justificam e os dominem através da prática.
Estas tarefas explicam a necessidade de uma formação sistemática. Para ser útil à produção diária, a formação tem de estar ligada aos processos, equipamentos e normas de segurança efectivamente utilizados na fábrica. Numa equipa composta por trabalhadores chineses e moçambicanos, a transmissão clara das exigências técnicas e das instruções de trabalho também influencia directamente a aprendizagem.
Processamento local exige formação a longo prazo
A construção do projecto de Nipepe estendeu-se para além do recinto industrial. A ponte sobre o rio Lúrio, as estradas de ligação à rede regional de transportes e uma linha de transporte de energia de 110 kV, com cerca de 100 quilómetros, apoiam o transporte e o abastecimento eléctrico da fábrica. Processar os recursos no local onde se encontram exige estas infra-estruturas, bem como pessoal capaz de assegurar a continuidade da produção.
A passagem da construção à operação altera as necessidades de pessoal da empresa. As obras têm prazos definidos, enquanto o funcionamento da fábrica exige uma organização permanente da produção, da manutenção dos equipamentos e do controlo de qualidade. Os trabalhadores que conhecem os processos acumulam experiência no trabalho diário. A transmissão dessa experiência, através da colaboração entre equipas e da orientação no posto de trabalho, pode contribuir para formar gradualmente uma equipa técnica local estável.
Para os trabalhadores locais, esta formação influencia as perspectivas de desenvolvimento profissional. Depois de ingressarem na fábrica e passarem a auferir um rendimento, a possibilidade de continuar a aprender e de assumir tarefas mais complexas pesa nas suas escolhas a longo prazo. Os postos de trabalho, as condições de segurança e as oportunidades de aprendizagem proporcionados pela empresa mantêm, assim, uma ligação duradoura à vida das famílias da região.
Ao defender o aumento do valor acrescentado dos recursos minerais na cerimónia de inauguração, Chapo enquadrou o projecto no desenvolvimento industrial de Moçambique. A capacidade de processamento desenvolve-se a par da experiência técnica e de gestão. O grau de participação dos trabalhadores locais na produção influencia a permanência desses conhecimentos no país. O programa de formação sistemática anunciado pelo Grupo Jinan Yuxiao está ligado a estas necessidades futuras de pessoal da fábrica de Nipepe.
Moçambique e Angola vão reforçar a cooperação no domínio da segurança interna, com destaque para o combate ao crime organizado e terrorismo. O compromisso foi assumido nesta terça-feira, em Maputo, durante a reunião ministerial entre os dois países, que prevê ainda o reforço da formação policial, do controlo de fronteiras e da proteção civil.
Delegados dos ministérios do Interior de Moçambique e Angola, incluindo gestores dos serviços de Migração e de Salvação Pública, partilharam nesta terça-feira a mesma sala, em Maputo, para reforçar a cooperação ministerial entre as duas nações.
Para Moçambique, o reforço da parceria vai permitir a partilha de conhecimento, técnicas e informações para o combate à criminalidade organizada e transnacional. O encontro foi orientado ao mais alto nível pelos ministros do Interior dos dois países.
Paulo Chachine, de Moçambique, defende a necessidade de os países cooperarem cada vez mais para fazer face a uma tipologia criminal que não respeita fronteiras.
“No domínio policial, validaremos a troca de informações operativas contra o crime e projectaremos a indicação mútua de adidos de polícia até ao final de 2027. Reforçaremos igualmente o intercâmbio no combate dos crimes cibernéticos e ambientais, na segurança rodoviária e no policiamento comunitário. Destacamos com orgulho a concessão mútua da bolsa de estudo para a formação contínua de quadros na nossa Academia de Ciências Policiais ACIPOL e nos Institutos e Escolas Policiais de Angola a partir de 2027”, avançou o ministro, diante de quadros das duas delegações.
Manuel Gomes reitera que a cooperação histórica entre as nações ganha uma nova etapa com esta reunião de quadros que já garantiu a existência de relatórios e diagnósticos precisos sobre os desafios e realidades de cada instituição.
“Enaltecemos o excelente trabalho realizado pelas equipas de peritos, onde foi possível tratar-se e consolidar toda uma actividade de grande relevância, para que pudéssemos identificar e alcançar entendimentos e definir programas e planos de actuação que certamente irão prevenir e combater várias tipicidades de crimes, promover a troca de experiências e a formação de quadros cujas realizações, com certeza, contribuirão para que efectivemos uma cooperação cada vez mais sólida”.
ACORDO DE COOPERAÇÃO MIGRATÓRIA
Durante a reunião ministerial, as delegações de Maputo e Luanda assinaram um acordo bilateral de Cooperação no domínio Migratório, com objectivos bem definidos: facilitar e tornar mais seguro e menos burocrática a circulação entre as duas nações irmãs.
“Constitui um marco histórico na nossa relação bilateral. Ao assinarmos este importante instrumento, respondemos diretamente aos anseios dos nossos povos e estabelecemos as bases para facilitar a mobilidade humana, promovendo uma circulação mais fluida, segura e digna para os cidadãos de ambos os países, fortalecendo os laços comerciais, culturais e acadêmicos que nos unem. Modernizar e desburocratizar, simplificando os procedimentos migratórios e os serviços de identificação, garantindo um atendimento mais célere, eficiente, humanizado e livre de entraves burocráticos. Garantir a segurança e o controle de fronteiras, combatendo com firmeza a migração ilegal, o tráfico de seres humanos e a falsificação de documentos, através de partilha de dados, de informação e de coordenação operacional entre os nossos serviços migratórios”, defendeu Chachine.
Facilitar a mobilidade segura e livre de burocracias é o que espera a contraparte de Angola, daqui para frente, sem pôr de lado o combate ao crime transnacional. Manuel Gomes diz que está convicto de que a cooperação trará resultados positivos para os dois países, no domínio da gestão de pessoas.
“A dinâmica do mundo actual e a crescente internacionalização dos fenômenos criminais impõe-nos a necessidade de agirmos em conjunto e de forma coordenada, com vista à protecção de interesses recíprocos no plano da segurança dos nossos países alinhados aos objectivos da frente da SADC e da União Africana, tendentes à garantia da estabilidade da África Austral. Para o efeito, é fundamental estabelecer e reforçar as relações de cooperação no âmbito da actividade policial, gestão migratória, protecção civil e bombeiros”.
Manuel Gomes efectuou um convite para o seu homólogo visitar oficialmente Angola, um convite imediatamente aceite, embora sem avançar datas.
Produtores e comerciantes de carne protestam contra alegadas extorsões atribuídas à autoridade veterinária, ao chefe de operações e a agentes da Polícia e do SERNIC em Chókwè. O grupo denuncia cobranças ilícitas e arbitrariedades nas apreensões de carne, enquanto as autoridades rejeitam as acusações e justificam a fiscalização com a necessidade de proteger a saúde pública.
Vendedores de carne no distrito de Chókwè denunciam cobranças ilícitas para evitar a apreensão da carne desde Agosto, que atribuem a agentes da autoridade veterinária, do chefe de operações, da Polícia e do SERNIC.
Segundo os representantes do grupo, que reúne 30 operadores, a actuação das autoridades tem prejudicado a actividade dos vendedores, que dizem estar a acumular prejuízos.
Um dos comerciantes acusa o chefe das operações de Chókwè de ordenar apreensões de carne e questiona o envolvimento das FADM e do SERNIC nas operações. O comerciante garante que a carne adquirida pelos operadores possui documentação.
“O doutor Borges, quando não tem dinheiro, vem confiscar a nossa carne. Estamos cansados. É o chefe das operações de Chókwè que veio apreender a carne e entregá-la às FADM. Queremos saber de que forma as FADM e o SERNIC entram neste assunto. Quando compramos a carne, ela tem todos os documentos e estamos legais”, afirma.
Os vendedores denunciam igualmente cobranças de 500 meticais por cabeça de gado para evitar apreensões. Um dos comerciantes relata que, numa operação ocorrida na noite anterior, quatro cabeças de gado, avaliadas em 150 mil meticais, foram levadas por uma equipa que, segundo a fonte, incluía agentes da Polícia e efectivos da Guarda-Fronteira.
“Ontem à noite, vieram dois polícias. Cheguei ao chefe das operações e disse que estes polícias são malfeitores, porque passam de casa em casa e exigem 500 meticais por cada cabeça de gado. Depois disso, chegou um carro da Guarda-Fronteira e levaram consigo quatro cabeças de gado, avaliadas em 150 mil meticais”, relata.
Os comerciantes questionam ainda o destino da carne apreendida e o papel do SERNIC nas operações, alegando que os agentes terão levado carne para a Guarda-Fronteira.
“Para onde vai a nossa carne? Nós sobrevivemos disto, e eles roubam a nossa carne. É o Governo que nos rouba. Os agentes do SERNIC levaram a carne para a Guarda-Fronteira. E eles, onde entram neste negócio?”, questiona.
A revolta dos vendedores surge num contexto em que o matadouro em causa está alegadamente encerrado desde 2017. O grupo pede a reabertura da infra-estrutura, alegando que a actividade comercial depende daquele espaço.
“O matadouro está encerrado desde 2017. Pedimos a reabertura do matadouro porque sobrevivemos disto. Para onde vamos? Onde está o Governo? Pedimos a reabertura do matadouro”, apela um dos comerciantes.
A Polícia da República de Moçambique rejeita as acusações de corrupção e diz que as operações de fiscalização visam proteger a saúde pública. Carlos Macuácua, chefe das Relações Públicas da PRM em Gaza, afirma que os comerciantes que cumprem as normas não têm motivos para recear as operações.
“A operação não está a ser bem compreendida pelos comerciantes, mas visa travar riscos à saúde pública. Quem tiver carne, leve-a ao matadouro e não terá problemas com ninguém”, adverte Carlos Macuácua.
As autoridades sustentam que a fiscalização foi reforçada em Mandlakazi, Chókwè, Mapai e Mabalane, considerados pontos críticos, para impedir a comercialização de carne em condições que possam representar riscos para a saúde pública.
A Secretária de Estado das Artes e Cultura, Matilde Muocha, manteve, esta segunda-feira, um encontro com o Presidente do Conselho Municipal de Maputo, Rasaque Manhique, em audiência concedida pelo Edil nas instalações do Conselho Municipal de Maputo.
No encontro, as partes partilharam a visão sobre o desenvolvimento da Cidade de Maputo como espaço e destino de eventos de entretenimento e de divertimento público de classe mundial.
Para a Secretária de Estado das Artes e Cultura, Matilde Muocha, a Cidade de Maputo deve merecer atenção especial nas acções do governo de promoção e de dinamização das Indústrias Culturais e Criativas, oferencendo condições para que os operadores do sector cultural e criativo possam ter um ambiente de negócios favorável. Por sua vez, o Presidente do Município de Maputo, mostrou a sua disponibilidade em cooperar para que a Cidade seja acolhedora e um destino para a economia criativa.
Em relação a postura pública, Rasaque Manhique, destacou a necessidade de se encontrar uma solução para a convivência harmoniosa entre a actividade de entretenimento e o repouso dos munícipes.
Os dois governantes concordaram em manter activos os esforços para que a Cidade de Maputo seja de forma exemplar espaço para que a economia criativa possa fluir, sobretudo por constituir uma das mais importantes fontes de geração de renda e de trabalho nas cidades no mundo.
No que diz respeito a realização de eventos na cidade capital, as partes também comprometeram-se a clarificar as zonas de realização fixa desses eventos para além do horário regulamentado na postura de poluição sonora, mantendo-se a obrigatoriedade de realização de eventos estritamente até a meia noite.
O Edil de Maputo, encoraja a realização de eventos a partir do período da tarde, de modo que possam terminar até antes da meia noite.
O partido Rússia Unida, do Presidente Vladimir Putin, reforçou o seu controlo sobre o Parlamento russo, segundo os resultados preliminares das eleições legislativas, realizadas durante três dias e marcadas por fortes restrições à oposição.
Com mais de 95% dos votos contados, o partido do Kremlin deverá conquistar mais de três quartos dos 450 lugares da Duma Estatal, a câmara baixa do Parlamento russo. Os resultados preliminares da Comissão Eleitoral Central apontam para 355 deputados eleitos pelo Rússia Unida.
A votação foi a primeira eleição parlamentar realizada na Rússia desde o início da invasão em larga escala da Ucrânia, em 2022. Foi também a primeira a incluir residentes de quatro regiões ucranianas ocupadas e posteriormente anexadas pela Rússia, numa decisão considerada ilegal por Kiev.
A votação decorreu igualmente na Crimeia, anexada pela Rússia em 2014. A Ucrânia classificou como ilegal a realização das eleições nos territórios ocupados.
Segundo os resultados preliminares, o Rússia Unida obteve pouco menos de 58 por cento dos votos na componente proporcional, responsável pela distribuição de 225 lugares. O partido venceu ainda 208 dos círculos eleitorais uninominais, garantindo assim a maioria dos restantes lugares da Duma.
Os restantes lugares deverão ser distribuídos sobretudo por partidos da chamada “oposição sistémica”, que, segundo o texto, mantêm posições alinhadas com o Kremlin em questões consideradas fundamentais. Uma parte reduzida dos lugares deverá caber a candidatos independentes.
A eleição decorreu de sexta-feira a domingo e registou uma participação superior a 59 por cento, a mais elevada numa eleição parlamentar russa em mais de uma década.
As autoridades disponibilizaram igualmente o voto electrónico em várias regiões do país e incentivaram a sua utilização. Críticos do processo eleitoral argumentaram que o sistema poderia facilitar o controlo dos resultados pelo Governo.
A eleição ocorreu num contexto de crescente repressão da dissidência. O Kremlin procurou apresentar o escrutínio como uma demonstração de apoio popular à sua intervenção militar na Ucrânia, ao mesmo tempo que procurou limitar os riscos políticos através de medidas contra manifestações de oposição.
A campanha eleitoral foi ainda marcada por uma forte presença dos meios de comunicação estatais, enquanto ataques de drones ucranianos contra refinarias de petróleo e armazéns de grandes empresas de comércio electrónico levaram os efeitos da guerra para várias regiões do território russo.
Os resultados definitivos das eleições deverão ser anunciados na sexta-feira.
Duas mulheres sul-africanas compareceram, esta segunda-feira, a um tribunal nos arredores de Joanesburgo, acusadas do homicídio de uma das nove mulheres encontradas mortas na zona de Kempton Park. Entretanto, a Polícia anunciou a descoberta de um décimo corpo.
Os nove cadáveres foram encontrados em Kempton Park ao longo de um período de dois meses, numa sequência de casos que provocou alarme e indignação entre a população.
As duas mulheres, ambas na casa dos trinta anos, estão entre as três pessoas detidas durante o fim-de-semana no âmbito das investigações ao homicídio de Jabulile Ntimba, cujo corpo foi encontrado no início deste mês. Segundo o Ministério Público, as suspeitas respondem por homicídio, obstrução à justiça e posse de arma perigosa.
O terceiro suspeito, irmão de uma das mulheres detidas, permanece sem acusação formal, devido à falta de provas suficientes para o seu envolvimento no crime.
As duas suspeitas deverão voltar a comparecer em tribunal no dia 1 de Outubro, para uma audiência destinada a decidir sobre o pedido de liberdade sob caução.
A Polícia investiga a possibilidade de o homicídio estar relacionado com questões sentimentais, incluindo um alegado triângulo amoroso.
A África do Sul enfrenta elevados índices de criminalidade violenta, registando, em média, cerca de 60 homicídios por dia, uma das taxas de homicídio mais elevadas do mundo.
O partido no poder na Rússia, Rússia Unida, venceu as eleições legislativas realizadas nos últimos três dias no país com 57% dos votos, revelam dados preliminares. A vitória, segundo disse Vladimir Putin, demonstra determinação nacional face à pressão externa e à vitória na guerra contra a Ucrânia.
Após três dias de votação para as eleições da câmara baixa do parlamento Estatal, entre 18 e 20 de Setembro corrente, o pleito revela resultados que dão vantagem ao partido de Vladimir Putin.
A chefe da Comissão Eleitoral Central da Rússia, Ella Pamfilova, disse durante a apresentação do balanço dos resultados preliminares, que o partido no poder “Rússia Unida” manteve e ampliou a sua maioria constitucional, ao obter 57,54 % dos votos, o que significa 355 assentos.
Por outro lado, o partido Comunista da Rússia obteve 13,81% dos votos e venceu em cinco distritos uninominais, garantindo preliminarmente 40 assentos no Parlamento.
O restante dos assentos foram ocupados pelos partidos Novo Povo e Partido Liberal Democrático.
O anúncio dos resultados finais das eleições parlamentares na Rússia está previsto para a próxima sexta-feira, 25 de setembro.
Estas eleições têm a particularidade de serem as primeiras desde Fevereiro de 2022, altura em que a Rússia lançou o ataque, em grande escala, contra a Ucrânia.
O presidente russo afirmou, antes da votação, que a ida às urnas ajudaria a garantir a vitória da Rússia contra a Ucrânia e a demonstrar determinação nacional face à pressão externa.
A Frelimo condena os assassinatos de membros dos partidos da oposição e manifesta confiança nos órgãos da Justiça para o esclarecimento dos casos. O posicionamento foi apresentado nesta segunda-feira, em conferência de imprensa, por Gonçalves Gemusse, membro da Brigada Central de Assistência à província de Sofala, que apelou à calma e contra a politização dos factos.
Gonçalves Gemusse afirmou que determinados acontecimentos registados nas comunidades não devem ser imputados automaticamente à Frelimo ou às autoridades governamentais, defendendo que os casos sejam tratados pelas instituições competentes.
O dirigente salientou ainda que os assassinatos não atingiram apenas membros dos partidos da oposição, apelando à serenidade na abordagem da situação e ao esclarecimento dos factos pelos órgãos da Justiça.
Em Sofala, Gonçalves Gemusse liderou a Brigada Central de Assistência à província, que trabalhou nos distritos na oficialização dos gabinetes de preparação do 13.º Congresso da Frelimo, previsto para Julho de 2027, na cidade de Nampula.
Em Tete, o chefe da Brigada Central de Assistência à província, Aires Ali, afirmou que a Frelimo está organizada para participar no congresso. O dirigente falava durante uma marcha organizada pelo partido, no âmbito da preparação do encontro.
Aires Ali apelou igualmente ao reforço da actividade das células da Frelimo na província, como parte do processo de organização para o congresso.
A preparação do 13.º Congresso inclui a criação de gabinetes provinciais e distritais, responsáveis por coordenar as actividades organizativas do partido com vista à realização do encontro.