O Ministério da Educação e Cultura (MEC) está a trabalhar com o Ministério das Finanças para regularizar dívidas aos professores e mobilizar recursos para a impressão e distribuição do livro escolar para o ano lectivo de 2027.
Segundo uma actualização divulgada esta segunda-feira, está em curso a validação de dívidas relacionadas com horas extraordinárias, segunda turma, salários, progressões e actos administrativos.
O MEC informa ainda que o pagamento das horas extraordinárias referentes a 2023 está a ser feito de forma faseada, mediante disponibilidade financeira, enquanto prossegue a validação das dívidas relativas ao período de 2024 a 2026.
Os dois ministérios comprometeram-se a manter encontros mensais para acompanhar e avaliar o andamento do processo.
O número de crianças, adolescentes e cuidadores que receberam apoio psicossocial do Unicef em Moçambique ultrapassou 154 mil até Julho, com a insegurança no norte a agravar-se, com mais de 28 mil deslocados neste ano.
O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) alerta, no seu mais recente relatório humanitário sobre Moçambique citado pela Lusa, que a situação de segurança no norte do país permaneceu volátil em Julho, com novas deslocações de população, expansão dos movimentos de grupos armados para distritos do sul da província de Cabo Delgado e um aumento das necessidades humanitárias das crianças e respectivas famílias.
Aquela província do norte enfrenta uma insurgência armada que, desde 2017, já provocou mais de 6600 mortos.
Segundo o documento do Unicef, divulgado nesta segunda-feira, “a insegurança manteve-se volátil no norte de Moçambique em Julho”, tendo operações militares intensificadas em Macomia levado grupos armados não estatais a dispersarem-se para os distritos de Quissanga, Meluco, Ancuabe, Chiúre e Montepuez.
Acrescenta que os movimentos populacionais continuaram ao longo do mês de Julho, com a ferramenta de monitorização de emergências da Organização Internacional para as Migrações a registar 3729 pessoas em movimento nas províncias de Cabo Delgado, Nampula e Niassa, das quais 1575 crianças. A maioria destes movimentos ocorreu em Cabo Delgado, sendo a violência o principal factor de deslocação, seguida de regressos planeados e do receio de novos ataques.
De acordo com dados citados pelo Unicef, o Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) contabilizava, no final de Julho, 28 163 pessoas deslocadas pelo conflito desde o início de 2026, sendo mulheres e crianças responsáveis por 65% desse total.
Num contexto de agravamento das vulnerabilidades, o Unicef refere que, até julho, prestou serviços comunitários de saúde mental e apoio psicossocial a 154 659 crianças, adolescentes e cuidadores em Moçambique, dos quais 146 071 nas províncias do norte afectadas pelo conflito.
Só durante Julho, a agência apoiou 24 603 crianças, adolescentes e cuidadores através destes serviços, incluindo 18 645 crianças em Cabo Delgado através de atividades recreativas, culturais, desportivas e de apoio comunitário destinadas a reforçar a proteção e o bem-estar psicológico.
O relatório destaca ainda que 1440 crianças sobreviventes de violência receberam serviços de gestão de casos em Julho e que 46 crianças desacompanhadas ou separadas das famílias foram reunificadas com familiares ou encaminhadas para acolhimento alternativo.
Na educação, outro dos sectores fortemente afetados pela violência, o Unicef contabilizou 154 608 crianças com acesso a ensino formal ou não formal através dos programas apoiados pela organização, incluindo aprendizagem pré-escolar. Em Cabo Delgado, 208 professores do distrito de Palma receberam formação para ensinar em contextos de crise e identificar riscos de proteção infantil.
O Unicef alerta também para o impacto esperado do fenómeno El Niño durante a época chuvosa e ciclónica de 2026-2027. Segundo o relatório, as previsões mais recentes apontam para uma probabilidade de 100% de o fenómeno persistir até ao início de 2027, com possibilidade de agravamento da insegurança alimentar, sobretudo no Sul e Centro do País.
Apesar da continuidade das operações humanitárias, a agência das Nações Unidas assinala constrangimentos financeiros significativos. O apelo humanitário do Unicef para Moçambique em 2026 ascende a 58,8 milhões de dólares, mas o défice de financiamento permanece em 49%, afetando “a capacidade do Unicef de responder plenamente às necessidades das crianças e dos seus cuidadores”.
O relatório estima que um milhão de crianças necessitem atualmente de assistência humanitária em Moçambique, num universo de 1,8 milhões de pessoas em situação de necessidade, incluindo mais de 506 mil deslocados internos relacionados com o conflito e cerca de 715 mil regressados às zonas de origem.
A realização da marcha na província de Tete marca, segundo os promotores, o início de uma nova fase de mobilização e organização partidária, tendo em vista a preparação do 13.º Congresso.
Durante a iniciativa, os participantes defenderam o cumprimento das orientações internas e o reforço das estruturas partidárias já criadas e oficializadas na província, com destaque para as zonas mais distantes da cidade de Tete.
Os intervenientes apelaram ainda à transformação do partido numa organização mais estruturada, séria e próxima das populações, baseada na confiança, amizade e empatia com o povo.
Na ocasião, foi igualmente defendida a necessidade de os militantes assumirem uma postura exemplar, rejeitando comportamentos ilícitos ou práticas que possam manchar a imagem do partido.
“Queremos que esta mudança seja para melhor, a partir de cada um de nós”, sublinhou um dos intervenientes, apelando aos militantes para que sejam os primeiros a dar o exemplo.
A mobilização enquadra-se, segundo os participantes, nas actividades de preparação do 13.º Congresso, com a defesa de uma nova forma de organização e actuação partidária.
Sete grupos armados etíopes formaram uma aliança com o objectivo de derrubar o Governo federal e facilitar a criação de um Governo de transição, anunciou este domingo um representante da Frente de Libertação do Povo Tigray (TPLF).
Segundo o vice-presidente da TPLF, Amanuel Assefa, a aliança reúne as forças tigrínias, as milícias nacionalistas Amhara Fano e o Exército de Libertação Oromo (OLA), entre outros quatro grupos armados. A liderança da coligação ficará a cargo de Zemene Kasse, dirigente do Fano.
“Acabamos de formar uma aliança. Estamos a colaborar com vários grupos e os nossos objectivos são derrubar o regime e facilitar a formação de um Governo de transição”, declarou Amanuel Assefa à agência AFP.
A formação da aliança ocorre num contexto de crescente tensão militar no norte da Etiópia. De acordo com a União Africana, o Governo federal e a TPLF têm concentrado tropas ao longo da fronteira da região do Tigray nos últimos meses, aumentando os receios de um possível regresso ao conflito que devastou a região entre 2020 e 2022 e provocou cerca de 600 mil mortes.
Amanuel Assefa afirmou que os grupos envolvidos mantêm contactos há mais de um ano e manifestou confiança na capacidade da nova aliança para alcançar os seus objectivos.
As autoridades federais etíopes ainda não tinham reagido publicamente ao anúncio até à publicação da informação.
DÚVIDAS SOBRE CAPACIDADE MILITAR
O especialista em assuntos regionais Kjetil Tronvoll, da Oslo New University College, na Noruega, questiona, contudo, a capacidade da aliança para derrubar o Governo federal, que dispõe de meios militares, incluindo drones. Segundo Tronvoll, uma coordenação efectiva entre os diferentes grupos poderia criar dificuldades às forças governamentais, ao obrigá-las a enfrentar várias frentes de combate em simultâneo.
O especialista alerta, porém, para as divergências ideológicas e territoriais entre os grupos, que poderão dificultar a governação no caso de uma eventual mudança de poder.
GRUPOS JÁ ESTIVERAM EM LADOS OPOSTOS
A Etiópia enfrenta há vários anos conflitos armados nas regiões de Oromia e Amhara, duas das áreas mais populosas do país. O OLA combate as forças federais desde 2018, na região de Oromia. O Governo etíope classificou o grupo como organização terrorista.
Já as milícias Fano, tradicionalmente associadas à autodefesa da comunidade Amhara, pegaram em armas contra o Governo em Abril de 2023, depois de as autoridades federais terem iniciado medidas para desarmá-las. A anunciada aliança reúne, assim, grupos que já estiveram em lados opostos. Durante a guerra do Tigray, as forças Fano combateram ao lado do Exército federal etíope contra a TPLF.
Persistem igualmente disputas territoriais entre as comunidades envolvidas. Um dos principais pontos de tensão é o Tigray Ocidental, território reivindicado tanto por amharas como por tigrínios e actualmente administrado por nacionalistas amharas. Apesar das divergências, Amanuel Assefa afirmou que as questões territoriais e políticas entre os grupos poderão ser resolvidas através do diálogo.
“Vamos sentar-nos à mesa mais tarde para resolver os nossos problemas pacificamente”, afirmou.
Antigos participantes das manifestações de 2025 concorrem às eleições parlamentares, enquanto jovens reclamam melhorias na saúde, educação e emprego em Marrocos.
Os jovens marroquinos que estiveram na linha da frente dos protestos da Geração Z, no ano passado, voltam agora a assumir um papel de destaque na vida política do país, desta vez como eleitores e candidatos às eleições parlamentares marcadas para quarta-feira.
Trata-se das primeiras eleições parlamentares desde as manifestações que, no final de 2025, se espalharam por várias cidades de Marrocos, com os jovens a exigirem melhores serviços de saúde, educação, emprego e serviços públicos, além de denunciarem a corrupção.
Entre os candidatos estão antigos participantes dos protestos. No total, 7.288 candidatos, de 27 partidos políticos, disputam as 395 vagas da Câmara dos Representantes.
Younes Belaidi, de 29 anos, que participou nas manifestações, é candidato pelo Partido do Progresso e do Socialismo no distrito de Ain Chock, em Casablanca, onde trabalha para a Organização Marroquina para os Direitos Humanos.
Belaidi defende uma participação mais activa dos jovens no processo político, considerando que a resolução dos problemas que afectam esta camada da população passa também pelo seu envolvimento nas instituições.
Outro antigo participante nos protestos, Aymane Saissi, membro do Partido do Progresso e do Socialismo, afirma manter expectativas moderadas quanto às eleições, mas acredita que existe espaço para mudanças.
Entre as principais preocupações apontadas pelos jovens estão o acesso à saúde, educação, emprego e condições para uma vida digna.
DESEMPREGO PREOCUPA JUVENTUDE
O desemprego constitui uma das principais preocupações da população jovem marroquina. Dados oficiais indicam que a taxa de desemprego entre pessoas dos 15 aos 24 anos deverá atingir 37 por cento em 2025, contra 13 por cento da população em geral.
A insatisfação com as oportunidades disponíveis no país também tem levado jovens marroquinos a procurar alternativas fora das fronteiras nacionais.
Ayoub Belaidi, de 23 anos, é um dos jovens que viveu essa experiência. Durante a vaga migratória deste Verão, entrou em Ceuta, território espanhol no Norte de África, antes de regressar a Marrocos.
O jovem afirmou que a decisão de emigrar esteve relacionada com a procura de liberdade, novas experiências e oportunidades de desenvolvimento, mas relatou dificuldades durante a permanência em Ceuta, incluindo falta de alimentação e de alojamento nos primeiros dias.
BAIXA REPRESENTAÇÃO ELEITORAL
Apesar de constituírem cerca de 12 por cento da população marroquina, os jovens entre os 18 e os 24 anos representam apenas quatro por cento dos 15,8 milhões de eleitores registados.
O reduzido peso eleitoral desta faixa etária coloca o voto jovem no centro das atenções das eleições parlamentares, num momento em que uma parte da juventude procura transformar as reivindicações manifestadas nas ruas em participação política através das urnas.
As eleições serão, assim, um novo teste à capacidade dos partidos políticos de responder às preocupações de uma geração que, nos protestos de 2025, colocou no centro do debate nacional questões relacionadas com os serviços públicos, emprego, condições de vida e corrupção.
O Uganda suspendeu, com efeito imediato, toda a cooperação militar e de defesa com a Turquia, na sequência de divergências entre os dois países relacionadas com a situação do blogueiro político Fred Lumbuye, crítico do Presidente ugandês, Yoweri Museveni.
Decisão surge após pressão de Ancara para extradição de blogueiro crítico do Presidente Yoweri Museveni.
O anúncio foi feito, no sábado, pelo porta-voz das Forças de Defesa Popular do Uganda (UPDF), Chris Magezi, que justificou a medida com a existência de questões pendentes de defesa mútua e cooperação militar entre os dois países.
A decisão surge depois de autoridades turcas terem pressionado Kampala para entregar Fred Lumbuye, que enfrenta 15 acusações criminais, incluindo incitação à violência, disseminação de informações falsas e uso indevido de computador.
O chefe do Exército ugandês, Muhoozi Kainerugaba, filho de Museveni e apontado como provável sucessor do Presidente, tem mantido divergências com as autoridades turcas em torno dos esforços para extraditar o blogueiro.
Na sexta-feira, milhares de ugandeses ligados à Liga Patriótica do Uganda, um grupo de pressão cívica e política associado a Kainerugaba, manifestaram-se em frente à Embaixada da Turquia, em Kampala.
Num comunicado, Chris Magezi afirmou que a suspensão da cooperação permanecerá em vigor até que sejam resolvidas as questões pendentes entre os dois países, sem, contudo, avançar mais detalhes.
COOPERAÇÃO DE QUASE UMA DÉCADA
Uganda e Turquia mantêm relações de cooperação na área da defesa há quase uma década. A parceria inclui formação militar, fornecimento de armamento e equipamentos de vigilância, transferência de tecnologia e cooperação no combate ao terrorismo e em matéria de segurança.
A crise diplomática ocorre também depois de ameaças de Kampala de cancelar um contrato ferroviário avaliado em três mil milhões de dólares, atribuído à empresa turca Yapi Merkezi, bem como de expulsar cidadãos turcos do Uganda.
A suspensão da cooperação militar representa uma nova tensão nas relações entre Kampala e Ancara, num momento em que os dois países mantêm interesses económicos e estratégicos em várias áreas.
Mais de três mil alunos da Escola Básica 7 de Outubro, em Xai-Xai, estudam debaixo de árvores desde 2024, depois da paralisação das obras de reabilitação da cobertura de 18 salas, avaliadas em quase oito milhões de meticais. Noutra escola pública, em Chibuto, cerca de três mil alunos continuam em tendas desde Março, após a interdição do edifício principal.
O problema começa em 2023, quando o Ministério da Educação destinou quase oito milhões de meticais à reabilitação da cobertura das salas da Escola Básica 7 de Outubro, em Xai-Xai. As obras, sob responsabilidade do sector da Educação, foram interrompidas sem explicações públicas sobre as causas da paralisação ou o destino dos fundos.
Iniciadas em 2024, as obras deveriam durar apenas três meses, mas continuam por concluir. Das 18 salas cuja cobertura deveria ser reabilitada, apenas sete foram concluídas, e mesmo estas continuam a apresentar infiltrações quando chove.
A paralisação das obras já era questionada em Fevereiro de 2025. A 2 de Fevereiro daquele ano, o director da Escola Básica 7 de Outubro, David Chivite, falava ao O País sobre a situação.
Quase três anos depois do início do processo, mais de três mil alunos continuam a estudar em condições precárias. Das 58 turmas da escola, 13 continuam ao relento.
Debaixo das árvores, o calendário escolar segue, mas quando ameaça chover os cadernos fecham-se e as aulas são interrompidas. Joana Cesar, aluna da escola, descreve as dificuldades enfrentadas pelos estudantes.
Durante mais de quatro horas, algumas crianças permanecem sentadas no chão. Alísio, aluno, relata que os estudantes perdem a concentração e queixam-se de dores nas articulações.
Lucas, também aluno, aponta consequências na aprendizagem e no aproveitamento escolar. A professora Ana Levi reconhece, igualmente, que as condições enfrentadas pelos alunos podem estar a pesar no seu desempenho.
Mas as dificuldades começam ainda antes de os alunos chegarem à sala de aula. Alguns percorrem longas distâncias com a pasta numa mão e, na outra, a própria cadeira que terão de usar durante as aulas, numa rotina imposta pela falta de carteiras.
“Chegar cedo já não é apenas chegar à aula. É chegar primeiro à carteira. Quem perde essa corrida, aprende sentado no chão”, relata Edna Cossa, aluna da escola.
Perante a demora na conclusão das obras, permanece a pergunta sobre o destino dos cerca de oito milhões de meticais destinados à reabilitação das salas. A Direcção Provincial da Educação de Gaza surge agora com uma nova promessa de solução, depois de outras terem ficado por cumprir.
” Agora recebemos a confirmação de orçamento para dar seguimento ainda este anos”, disse Raquelija da Glória.
A porta-voz da instituição, Raquelija da Glória, reconhece que o problema ultrapassa a Escola Básica 7 de Outubro. Em toda a província de Gaza, segundo a responsável, mais de 200 turmas continuam a estudar em condições precárias.
E enquanto em Xai-Xai os alunos estudam debaixo de árvores, em Chibuto, mais de três mil estudantes estão em tendas desde Março, depois da interdição do edifício principal da Escola Secundária de Chibuto, devido ao iminente risco de colapso.
A espera pelo arranque das obras de reabilitação das 18 salas é agora acompanhada por outro problema: o calor intenso no interior das tendas.Os alunos apontam ainda a falta de energia e a incidência directa da luz solar sobre os cadernos, o que dificulta a visualização do quadro e o acompanhamento das aulas.
Diante desta realidade, os alunos pedem respostas ao Governo e uma solução que permita recuperar condições dignas para a aprendizagem.
De Xai-Xai a Chibuto, são duas escolas e realidades diferentes, mas com o mesmo problema: mais de seis mil alunos estudam sem condições adequadas. Uns debaixo de árvores, outros em tendas.
O Comando-Geral da Polícia da República de Moçambique suspendeu quatro agentes da Polícia de Trânsito que estavam de serviço no Posto de Fiscalização Rodoviária de Lindela, em Jangamo, por onde passou o semi-colectivo envolvido no acidente que matou 24 pessoas em Zavala.
A viatura circulou cerca de 70 quilómetros depois daquele posto antes da colisão e transportava, segundo a PRM, 24 pessoas, apesar de ter capacidade para 17. Joaquim Sive diz que a suspensão não significa, nesta fase, responsabilização dos agentes, mas confirma que está em curso uma investigação para perceber como a viatura conseguiu prosseguir viagem nestas condições.
O semi-colectivo passou por um dos principais pontos de fiscalização rodoviária da Estrada Nacional Número Um em Inhambane e continuou viagem. Cerca de 70 quilómetros depois, em Zavala, a deslocação terminou numa colisão frontal com um camião das Forças Armadas de Defesa de Moçambique e na morte das 24 pessoas que seguiam na viatura de transporte de passageiros.
Agora, a passagem pelo Posto de Fiscalização Rodoviária de Lindela, no distrito de Jangamo, está no centro das atenções das autoridades, que querem perceber como um veículo que, segundo o Comandante-Geral da PRM, tinha capacidade para 17 pessoas, conseguiu ultrapassar aquele ponto transportando 24 ocupantes.
Joaquim Sive esteve no local do acidente e confirmou que foi aberto um inquérito para reconstituir o percurso da viatura e apurar o que aconteceu nos postos de controlo por onde passou antes da tragédia.
“Percebemos que a viatura passou um posto de controlo no Sul, o mais próximo aqui é o de Lindela, e alguma situação deve ter ocorrido”, afirmou o Comandante-Geral da PRM, acrescentando que os dados recolhidos pelas autoridades indicam uma diferença considerável entre a capacidade do veículo e o número de pessoas encontradas no seu interior.
“Dos dados que estamos a obter, a capacidade desta viatura é de 17 lugares, mas fomos visualizar dentro da viatura 24 cidadãos. Temos de apurar o que terá acontecido para que essas pessoas pudessem passar pelos postos de controlo”, disse.
A investigação abre uma frente que ultrapassa as causas imediatas da colisão e coloca sob escrutínio o funcionamento da fiscalização rodoviária ao longo da EN1, sobretudo porque a viatura conseguiu continuar a viagem depois de passar por Lindela e só viria a sofrer o acidente dezenas de quilómetros mais à frente.
As autoridades querem saber se o semi-colectivo foi efectivamente fiscalizado, em que condições essa fiscalização terá ocorrido e como o excesso de lotação não impediu a continuação da viagem.
Joaquim Sive explicou que o inquérito não está limitado à Polícia e envolve outras instituições com responsabilidades na segurança rodoviária, incluindo o Instituto Nacional dos Transportes Rodoviários.
“É um trabalho que estamos a realizar. O inquérito sobre as circunstâncias decorre, envolve vários sectores, a Polícia, o INATRO, mas todos nós, como sociedade, devemos interessar-nos em aprofundar essas coisas”, afirmou.
Enquanto o inquérito avança, o Comando-Geral já tomou as primeiras medidas internas.
Quatro agentes da Polícia de Trânsito que estavam de serviço no Posto de Fiscalização Rodoviária de Lindela no momento em que o semi-colectivo passou pelo local foram suspensos.
Entre os suspensos estão o chefe do grupo, com a patente de inspector da Polícia, um subinspector e dois sargentos da Polícia de Trânsito.
“Foram suspensos o chefe do grupo, que é um inspector da Polícia, mais um subinspector da Polícia e mais dois sargentos da Polícia de Trânsito que estavam de serviço no Posto de Lindela”, confirmou Joaquim Sive.
A decisão, contudo, ainda não representa uma conclusão sobre a responsabilidade individual dos quatro agentes. O Comandante-Geral fez questão de separar a medida administrativa adoptada nesta fase da eventual responsabilização que poderá resultar do processo de averiguações.
“Não estamos a dizer que a solução é uma questão de responsabilização. Obviamente que não é. Há muito que temos de encontrar”, disse Sive, acrescentando que a Polícia dispõe de regulamentos internos que estabelecem as infracções e as medidas aplicáveis em função da gravidade de cada caso. A eventual responsabilização dependerá, por isso, daquilo que o inquérito conseguir estabelecer sobre a actuação dos agentes e sobre as circunstâncias concretas em que o semi-colectivo passou pelo posto.
O caso levanta, entretanto, uma questão que vai para além dos quatro polícias agora suspensos: como uma viatura com passageiros acima da sua capacidade conseguiu circular pela principal estrada do país e atravessar postos destinados precisamente à fiscalização rodoviária?
A resposta é uma das que Joaquim Sive diz esperar do inquérito, numa altura em que as autoridades procuram compreender a cadeia de acontecimentos que antecedeu uma tragédia que deixou 24 mortos.
O acidente ocorreu na noite de quinta-feira, no distrito de Zavala, quando o semi-colectivo, que seguia em direcção à África do Sul, colidiu frontalmente com um camião das Forças Armadas de Defesa de Moçambique. Todos os 24 ocupantes da viatura de transporte de passageiros morreram, enquanto os ocupantes do veículo militar sobreviveram.
As primeiras informações divulgadas pela PRM apontaram a velocidade excessiva aliada a deficiências mecânicas como causas preliminares do acidente, enquanto o excesso de lotação do semi-colectivo acrescentou uma segunda dimensão às averiguações: as condições em que aquela viatura foi autorizada a continuar a circular.
É neste ponto que Lindela ganha peso na investigação.
Entre o posto de fiscalização e o local onde 24 pessoas perderam a vida havia cerca de 70 quilómetros de estrada. O semi-colectivo percorreu essa distância depois de passar por uma estrutura onde a fiscalização de viaturas, documentação e condições de circulação faz parte das atribuições dos agentes destacados para o local.
A suspensão dos quatro polícias não responde, por si só, ao que aconteceu naquela passagem e o próprio Comandante-Geral recusa antecipar responsabilidades antes da conclusão das averiguações, mas a medida coloca formalmente sob investigação a actuação dos agentes que estavam de serviço.
Joaquim Sive falava à imprensa depois de visitar o local da colisão, no distrito de Zavala, acompanhado pelo Vice-Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas de Defesa de Moçambique. A investigação terá agora de estabelecer não apenas as circunstâncias que provocaram o embate, mas também aquilo que aconteceu antes dele, incluindo o percurso do semi-colectivo e a fiscalização a que foi submetido.
Porque, depois de 24 mortes, a questão já não é apenas saber como duas viaturas colidiram em Zavala, mas também como um semi-colectivo com 24 pessoas conseguiu passar por um posto de fiscalização e continuar a circular pela EN1.
O jovem mototaxista desaparecido há duas semanas em Hókwè, no distrito de Chókwè, foi encontrado sem vida, este sábado. A situação gerou revolta popular, que culminou com o incêndio de um posto policial, depois de a população exigir a entrega de um homem encontrado na posse da motorizada do finado.
O jovem mototaxista, de 16 anos de idade, desaparecido há duas semanas em Hókwè, foi encontrado sem vida no distrito de Chókwè, em circunstâncias ainda por esclarecer.
Em conexão com o caso, um posto policial em Hókwè foi incendiado no início de Agosto, num episódio marcado pela exigência da população para a entrega de um homem de 34 anos de idade, supostamente encontrado na posse da motorizada do finado.
Devido à agitação popular, o indiciado foi transferido para Chibuto, numa tentativa das autoridades de evitar novos confrontos.
Sobre as circunstâncias da morte do mototaxista, a Polícia poderá pronunciar-se nesta segunda-feira.
Populares afectados pelas demolições numa área reservada à construção de um hospital em Chibuto levaram a queixa à Presidência da República, que, segundo documentos a que o País teve acesso, confirmou a recepção e remeteu o expediente às estruturas centrais e provinciais para acompanhamento e resposta. Enquanto, isso, denunciam alegadas ameaças e acusam o edil de Chibuto de ter vendido terrenos na área em causa, acusação que o autarca rejeita.
Um mês depois das demolições, famílias do bairro 4 de Nwahamuza, no município de Chibuto, levaram o caso à Presidência da República. Através de uma exposição, o grupo pede ao Chefe do Estado uma intervenção no conflito que opõe os munícipes ao Município de Chibuto em torno do espaço onde está prevista a construção do Hospital Distrital de Chibuto.
“Não querem construir um hospital. Houve um esquema com o município, alegando que existe espaço, e retiraram as pessoas para entregar os terrenos a outras pessoas”, acusa Rosália Francisco, representante dos afectados de Nwahamuza.
“Estamos aflitos, Presidente. O Presidente Machava é líder por nossa causa, nós, os pobres a quem governa, mas levantam-se para usurpar o que é nosso. Por que razão?”, questiona.
Segundo as famílias representantes, a Presidência da República confirmou a recepção da exposição e, através de dois ofícios separados, encaminhou o expediente ao Ministério da Administração Estatal e Função Pública e ao Governador Provincial de Gaza, para acompanhamento e resposta ao peticionário, Puka Lhuaio.
Lhuaio diz não contestar a construção de um hospital em Chibuto, mas questiona a escolha do espaço onde, segundo afirma, estavam as suas casas.
“No meu espaço, por que vieram por mal, não aceito que construam um hospital. Não nego que se construa um hospital em Chibuto, mas há muitos outros lugares”, afirma. “Fizemos uma carta e submetemo-la ao Presidente da República, mas ainda não tivemos resposta. Porque ele, o Presidente do Município de Chibuto, diz que foi enviado por Chapo para levar estes espaços. Queremos saber do Presidente se partiu dele alguma ordem para este processo de retirada dos espaços.”
O edil de Chibuto diz que ainda não foi oficialmente notificado sobre a exposição, mas afirma estar pronto para responder caso seja chamado a pronunciar-se.
O grupo, que se diz representante de centenas de famílias, reuniu-se recentemente com o Secretário de Estado em Gaza, Jaime Neto, num encontro que, segundo os peticionários, não decorreu de forma satisfatória.
“Quando nos reunimos com o Secretário de Estado, a resposta dele a Machava foi para dar andamento ao trabalho e que quem invadisse o local deveria ser morto. Vamos morrer com os nossos bens”, relata Puka Lhuaio.
Enquanto aguardam por uma resposta, as famílias reforçam a reivindicação sobre a pertença da área e afirmam estar a viver em condições precárias desde que perderam as suas casas.
“Arrancaram os nossos bens à força e não sabemos para onde ir. Os meus filhos e irmãos estão a sofrer com as chuvas, em abrigos e em casas alugadas”, relata Felisminal, residente de Nhahamuza.
Alfredo Lhuaio, representante da família Lhuaio, afirma que as casas foram destruídas com recurso a uma escavadora.
“Construímos as nossas casas e destruíram-nas com uma escavadora”, afirma.
Além de alegarem arbitrariedade no processo de demolição das suas casas, os afectados fazem novas acusações ao edil de Chibuto, desta vez relacionadas com a alegada venda de terrenos a terceiros.
“Nas nossas machambas produzimos mandioca e feijão e não aceitaremos isto. Machava vendeu os nossos terrenos a terceiros para construção”, acusa Rosália Francisco.
O autarca rejeita as acusações e afirma que apenas quatro famílias tiveram as suas casas demolidas. Henriques Machava acusa, por sua vez, Puka Lhuaio de ter tentado vender a área reservada para a construção do hospital.
“Na verdade, o senhor Lhuaio é que tentou vender a área reservada para construção do hospital. Foram 40 terrenos vendidos por ele e outras famílias”, acusa o edil de Chibuto.
Puka Lhuaio contesta a versão apresentada pelo autarca e questiona a alegação de que apenas quatro pessoas estavam a construir no local.
“Ele só reconhece quatro pessoas. São apenas quatro pessoas que construíram aqui? São mais de 200 pessoas que estavam a construir”, afirma.
O edil de Chibuto sustenta que as contestações apresentadas pelo grupo procuram inviabilizar a construção do Hospital Distrital de Chibuto.
As obras de construção do hospital estão previstas para iniciar ainda este ano, na mesma área onde permanece sem desfecho o conflito entre as famílias e as autoridades em Chibuto.