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O País – A verdade como notícia

Populares de Chibuto denunciam demolições arbitrárias ao Presidente da República

Populares afectados pelas demolições numa área reservada à construção de um hospital em Chibuto levaram a queixa à Presidência da República, que, segundo documentos a que o País teve acesso, confirmou a recepção e remeteu o expediente às estruturas centrais e provinciais para acompanhamento e resposta. Enquanto, isso, denunciam alegadas ameaças e acusam o edil de Chibuto de ter vendido terrenos na área em causa, acusação que o autarca rejeita.

Um mês depois das demolições, famílias do bairro 4 de Nwahamuza, no município de Chibuto, levaram o caso à Presidência da República. Através de uma exposição, o grupo pede ao Chefe do Estado uma intervenção no conflito que opõe os munícipes ao Município de Chibuto em torno do espaço onde está prevista a construção do Hospital Distrital de Chibuto.

“Não querem construir um hospital. Houve um esquema com o município, alegando que existe espaço, e retiraram as pessoas para entregar os terrenos a outras pessoas”, acusa Rosália Francisco, representante dos afectados de Nwahamuza.

“Estamos aflitos, Presidente. O Presidente Machava é líder por nossa causa, nós, os pobres a quem governa, mas levantam-se para usurpar o que é nosso. Por que razão?”, questiona.

Segundo as famílias representantes, a Presidência da República confirmou a recepção da exposição e, através de dois ofícios separados, encaminhou o expediente ao Ministério da Administração Estatal e Função Pública e ao Governador Provincial de Gaza, para acompanhamento e resposta ao peticionário, Puka Lhuaio.

Lhuaio diz não contestar a construção de um hospital em Chibuto, mas questiona a escolha do espaço onde, segundo afirma, estavam as suas casas.

“No meu espaço, por que vieram por mal, não aceito que construam um hospital. Não nego que se construa um hospital em Chibuto, mas há muitos outros lugares”, afirma. “Fizemos uma carta e submetemo-la ao Presidente da República, mas ainda não tivemos resposta. Porque ele, o Presidente do Município de Chibuto, diz que foi enviado por Chapo para levar estes espaços. Queremos saber do Presidente se partiu dele alguma ordem para este processo de retirada dos espaços.”

O edil de Chibuto diz que ainda não foi oficialmente notificado sobre a exposição, mas afirma estar pronto para responder caso seja chamado a pronunciar-se.

O grupo, que se diz representante de centenas de famílias, reuniu-se recentemente com o Secretário de Estado em Gaza, Jaime Neto, num encontro que, segundo os peticionários, não decorreu de forma satisfatória.

“Quando nos reunimos com o Secretário de Estado, a resposta dele a Machava foi para dar andamento ao trabalho e que quem invadisse o local deveria ser morto. Vamos morrer com os nossos bens”, relata Puka Lhuaio.

Enquanto aguardam por uma resposta, as famílias reforçam a reivindicação sobre a pertença da área e afirmam estar a viver em condições precárias desde que perderam as suas casas.

“Arrancaram os nossos bens à força e não sabemos para onde ir. Os meus filhos e irmãos estão a sofrer com as chuvas, em abrigos e em casas alugadas”, relata Felisminal, residente de Nhahamuza.

Alfredo Lhuaio, representante da família Lhuaio, afirma que as casas foram destruídas com recurso a uma escavadora.

“Construímos as nossas casas e destruíram-nas com uma escavadora”, afirma.

Além de alegarem arbitrariedade no processo de demolição das suas casas, os afectados fazem novas acusações ao edil de Chibuto, desta vez relacionadas com a alegada venda de terrenos a terceiros.

“Nas nossas machambas produzimos mandioca e feijão e não aceitaremos isto. Machava vendeu os nossos terrenos a terceiros para construção”, acusa Rosália Francisco.

O autarca rejeita as acusações e afirma que apenas quatro famílias tiveram as suas casas demolidas. Henriques Machava acusa, por sua vez, Puka Lhuaio de ter tentado vender a área reservada para a construção do hospital.

“Na verdade, o senhor Lhuaio é que tentou vender a área reservada para construção do hospital. Foram 40 terrenos vendidos por ele e outras famílias”, acusa o edil de Chibuto.

Puka Lhuaio contesta a versão apresentada pelo autarca e questiona a alegação de que apenas quatro pessoas estavam a construir no local.

“Ele só reconhece quatro pessoas. São apenas quatro pessoas que construíram aqui? São mais de 200 pessoas que estavam a construir”, afirma.

O edil de Chibuto sustenta que as contestações apresentadas pelo grupo procuram inviabilizar a construção do Hospital Distrital de Chibuto.

As obras de construção do hospital estão previstas para iniciar ainda este ano, na mesma área onde permanece sem desfecho o conflito entre as famílias e as autoridades em Chibuto.

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